A HISTÓRIA TERÁ VALOR?

Começamos a nossa crónica de hoje sem observar o sentido estético das imagens, mas o sentido da história a isso nos aconselha.
As fotos acima, identificam aquele fontanário secular que existia no Largo Afonso de Albuquerque, em plena zona nobre de Sintra - A Estefânia.
As fotos acima, identificam aquele fontanário secular que existia no Largo Afonso de Albuquerque, em plena zona nobre de Sintra - A Estefânia.
Tudo indica que, pela conjunto dos presentes e suas indumentárias, a primeira das fotos se reporta ao acto da inauguração, vendo-se mais pormenores na segunda.
Temos a obrigação de honrar esses Homens que viveram Sintra noutra época, em que a vida local se guiava por padrões mais éticos do que simples passagem por cá para ajudar a satisfazer ascensões políticas.
Sucede que, em Outubro de 2007, um ou vários gatunos, sabe-se lá se por encomenda, (disse-se na altura que as autoridades estavam a investigar...) levaram a parte superior da fonte.
Uns dias depois, a maior parte do fontanário (que não foi roubada) constituída pela coluna de suporte e duas pias, foi retirada do local...e o pavimento rapidamente reconstruído, como se nunca lá tivesse estado aquela peça histórica.
Frequentemente, abordando algumas pessoas, as expectativas apontavam para a rápida reconstrução da parte roubada e recolocação do fontanário no seu lugar.
Decorridos quase 3 (três) anos, tenho feito um pequeno teste: pergunto a pessoas com responsabilidades locais e a resposta já é "a fonte? Foi roubada...".
Isto é, o fontanário já adquiriu o estatuto de roubado na sua totalidade, graças aos poucos cuidados tomados pelos responsáveis pela remoção.
É assim que se defende o património de Sintra? Não, e temos a abrigação de exigir que o fontanário volte ao seu devido lugar, antes que um dia, sabe-se lá como, venha a enriquecer uma qualquer quinta das redondezas.
Muitos sintrenses ainda não se esqueceram que a Fonte Mourisca, quando foi desinstalada do seu local original, veio a aparecer numa quinta...
Por tudo isto, no passado dia 10, escrevi ao Senhor Presidente da Cãmara a solicitar informações sobre o "referido espólio histórico, se está a ser recuperado e se é possível visitar o local onde a fonte se encontra, sob guarda e responsabilidade dessa Câmara Municipal". Até hoje sem resposta.
Aqui fica o alerta para a sensibilidade de quantos, efectivamente preocupados com a riquíssima História de Sintra, não estão dispostos a que o seu património possa ser engavetado em qualquer lugar.
Sintra não pode estar à mercê de quem tenha uma visão histórica tão curta.
Fernando Castelo
Nota: Pelo sim, pelo não, apela-se aos nossos visitantes que fixem as imagens. Pode ser que um dia, numa voltinha pelos arredores, vejam algo parecido.
As fotos foram gentilmente cedidas pelo Arquivo Histórico
Este assunto não é, infelizmente, original no concelho de Sintra.
ResponderEliminarHâ cerca de 20 anos, a Câmara Munipal de Sintra, retirou a totalidade do fontanário do Cacém, para os armazéns da Câmara, com o argumento de uma suposta intervenção que ia realizar.
Passaram-se anos e o fontanário sem regressar, correndo o risco de cair no esquecimento e desaparecer.
Só a persistente acção do Presidente da Junta, Sebastião Antunes, conseguiu que perto do final do primeiro mandato de Edite Estrela, o fontanário voltasse ao seu lugar.
Há que continuar a insistir, porque Sintra é daqueles que a efectivamente sente como a sua terra.