2001 – 2010,
esquecer ou aprender
[transcrição do artigo publicado no nº 7 do Correio de Sintra, de 2 de Junho de 2010]
Certamente, já terão dado conta de que, em Sintra, a primeira década do século vinte e um, coincide com os sucessivos mandatos do executivo autárquico liderado pelo Presidente Fernando Seara e ainda com a entrada nos ciclos de esperança suscitados pelo início de um novo século e dealbar de um novo milénio.
O meu calendário acusa a necessidade de balanço. É indiscutível tratar-se de um período suficientemente dilatado para que, em termos globais, se consiga destacar não só o que foi feito mas também o que continua por fazer e, grosso modo, seja inteligível o tipo de gestão que se processou, sem cuidar de abordar a questão das razões que determinam o actual statu quo.
Este decénio sintrense abriu com um tempo de expectativa. Certos sinais, francamente positivos, deixavam-no antever. A título de exemplo, apenas dois casos sintomáticos. Primeiramente, o da Volta do Duche em que, cumprindo mediática promessa eleitoral, se impediu a construção do polémico parque de estacionamento subterrâneo, bem como o projecto Sintralândia cuja continuação teria suscitado irreparáveis consequências para o concelho.
Tais projectos constituíam apostas decisivas do executivo anterior. Já tinham sido assinados contratos e protocolos de entendimento, havia compromissos de toda a ordem envolvendo entidades públicas e privadas, pelo que, já em fase crítica da sua pré-concretização, foi muito difícil sustê-los. Este, na minha opinião, o maior crédito do Presidente. De facto, não tivesse sido esta a sua atitude e hoje estaríamos a braços com gravíssimos problemas.
Realidade virtual…
Entradas de leão? Tudo leva a crer que sim. Reparem que, não tendo construído o referido e tão controverso estacionamento – cuja suspensão pressupunha a implantação de parques dissuasores na periferia das três freguesias da sede do concelho e a montagem simultânea de um sistema integrado de transportes – nada, absolutamente nada fez naquele ou noutro sentido, só agravando a situação e transformando Sintra numa vila armadilhada, altamente insegura.
Não deixando que Sintralândia fosse avante, prometia a Cidade do Cinema com previsível e inusitado impacte ecológico. Prometia também a Casa das Selecções, ambas na freguesia de Almargem. Com o desporto sempre na mira, não faltaria o interesse pelo futebol – sempre o futebol, tudo pelo futebol! – enquanto não sei quantos quilómetros de ciclovias e ondas de piscinas, tantas quantas uma por freguesia, eram relegadas para a realidade virtual, a meter água por todos os orifícios de bem engendradas inverdades…
E o eléctrico, atravessando a Heliodoro Salgado, a caminho da Vila Velha? Pois eu vi as fotografias do prodígio, em realidade virtual, pois claro. E o funicular que, sob a ignorante designação de teleférico, a caminho de nenhures, foi anunciado não pela Câmara mas pelo autarca de São Pedro?… E o pólo da Universidade Católica? E o Hospital de Sintra? Santo Deus, tanta esperança e tanta convicção na promessa do hospital…
Defesa do património
Quanto à defesa e preservação do património natural e edificado, ainda recentemente houve oportunidade de mostrar a peritos da Unesco como, no tocante ao que depende da Câmara, tão mal vão as coisas entre nós. São ruas e ruas de edifícios degradados, incluindo alguns municipais; é o centro histórico em estado de calamidade, sem rede de esgotos capaz, com o Netto a desfazer-se, o Gandarinha desventrado, o edifício do Café Paris, abarracado de plástico nas janelas partidas e telhado cai-que-não-cai, como ex-libris; são as casas do Rio do Porto, naquela ruína envolta em disfarce de painel de intervenção artística, ora rasgado e debotado; são os caminhos mais emblemáticos, entre quintas, escandalosamente abandonados, enquanto continua a bacoca campanha Sintra, capital do romantismo; é a poda das árvores, fora de época, mostrando quanto vale a incompetência reinante, naquele bárbaro espectáculo de troncos desesperados…
Ainda neste domínio, sem definido plano de intervenção cultural, reina o desinteresse, um não saber estar à altura, como no multifacetado desmando perpetrado em Seteais que, não só resultou no escusado encerramento do famoso terreiro, durante um ano, mas também na destruição do tanque e na co-autoria do licenciamento da construção da mansão, do outro lado da estrada, deixando o Palácio, irremediavelmente prejudicado. É, noutra vertente patrimonial, o descalabro do Festival de Sintra que, desde 2005, se descaracteriza, numa embrulhada de propostas cuja lógica não se descortina…
Como se não bastasse, mais recentemente, vem o executivo autárquico solicitar à comunidade o seu aval à compra da Quinta do Relógio, por quase sete milhões de Euros, sem conseguir justificar cabalmente a que programa, cultural ou outro, obedece o sacrifício de tal investimento e sem indicação do valor a que montam as subsequentes obras de recuperação do edifício. Não será isto o protótipo do desaforo, numa altura de crise financeira, em que, nestas condições, o recurso ao crédito se revela proibitivo?
Qualidade de vida em causa
Baixa a qualidade de vida? Natural e nada surpreendentemente. Nos termos de insuspeito estudo, levado a efeito pela Universidade da Beira Interior, o tombo é tão flagrante que, em meia dúzia de anos, se passou do honroso 5º para o desprestigiante 42º lugar na escala dos municípios portugueses. Está bem à vista como tais números reflectem a realidade da falta de qualidade na vida quotidiana. Entretanto, Cascais, aqui ao lado, parece outro país…
Não é difícil concluir que muitos destes índices e indícios, umas vezes traduzíveis na crueza dos números, noutras em consequências nefastas senão dramáticas – como no caso das mortes em Belas, aquando das inundações de 2008 ou, há uns dias, no das crianças na lagoa do Cacém – resultam de uma insidiosa e horrível cultura de desleixo perante a qual o executivo autárquico não consegue opor as estratégias de remediação que se impõem, exercendo a autoridade democrática de que está eleitoralmente investido.
Em Sintra, a década que coincide com o começo do século e início do milénio conheceu entradas de leão e está a abrir a porta para saídas de sendeiro… Não cometerei a injustiça de tudo descarregar às costas do primeiro e último responsável. Há, aqui pelo meio, uma equipa de yes people, à volta do chefe, que só o tem tramado e tudo tem tramado.
Onde é que já vimos mais disto? Década perdida, tempo para esquecer? Nunca o será se, após a inevitável avaliação, soubermos actuar em conformidade, partindo para um tempo mais decente.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Doces,
ou Quinta da Regaleira?
(Autor: Fernando Castelo)
Sintra podia ter mais encantos? Podia, se estivesse ao serviço dos sintrenses e visitantes
Em 19 de Maio, no programa Praça da Alegria, da RTP, uma reportagem sobre Sintra não passou, na verdade, de uma entrevista ao presidente da Câmara, com visibilidade.
O entusiasmo de ambos sobrepôs-se aos conhecimentos, levando a que o transporte utilizado – um trem – fosse apelidado de “charrete” (outro meio de transporte só com duas rodas)...
Em dois trajectos na Volta do Duche – do meio para cá e regresso – escutaram-se banalidades, sem tema à vista. O romantismo pessoal acabaria por ser uma espécie de deixa para a dissertação sobre factos históricos não confirmados, a que não faltou a “primeira globalização” há 500 anos!
Um pouco à frente, talvez mal informada, a entrevistadora lembrou “que também há o comboio, o comboiozinho”, referindo-se ao eléctrico. Quando se esperaria a correcção do erro pelo presidente da Câmara, antes ajudou à confusão com uma ternurenta história sobre o “comboiozinho entre Sintra e a Praia das Maçãs”. “Comboio centenário”.
Como diria o meu amigo Diogo Palha, nestas questões de cultura é bom não dizer que epístolas são as mulheres dos apóstolos.
Houve quem pensasse que Sintra tinha mais uma obra turística, não fosse a lembrança de, há alguns meses, o programa Portugal em Directo, da (sempre a mesma...) RTP, ter feito outra entrevista com o presidente da Câmara de Sintra, em animada viagem no eléctrico.
A empenhada dedicação da RTP justifica, plenamente, uma proposta de gratidão.
Com o encanto que Fernando Seara expressa pelo “verde de Sintra”, e como faz “todos os dias esta Volta do Duche a pé”, compreende-se porque as ervas e silvados quase tapam a cruz do antigo cemitério, junto à Misericórdia, como a foto abaixo documenta.
Felizmente, disse que as esculturas “são extremamente atractivas para os estrangeiros” (qual nacionais, qual quê) principalmente “para os espanhóis e para os italianos”, que a entrevistadora enriqueceu quando disse ter nascido em Itália. Que mais bonito podia ser?
A entrevista termina com uma dúvida cultural de peso: “Doces ou Quinta da Regaleira?
Para os coleccionadores destes momentos, aqui fica o endereço electrónico da reportagem:
http://www.youtube.com/watch?v=iDPFGVCzEM4
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Sintra, a crise
e as empresas municipais
Na Administração Pública há entidades que funcionam mal, mesmo mal, outras bem, mesmo bem ou muito bem e, na maioria dos casos, as que operam razoavelmente. Aliás, isto que se passa no sector público, tantas vezes, injustamente diabolizado, é o que, igualmente, acontece no privado onde, convém afirmar e insistir, a excelência não é mais frequente.
Fez escola e, insidiosamente, se disseminou a torpe generalização de que a Administração Pública era sede de todo o género de atentados aos interesses dos cidadãos. E, dessa noção tão vesga, perniciosa e preconceituosa até à rapidíssima génese e multiplicação de duvidosas fundações e de incompreensíveis empresas municipais, foi um passo conquistado sempre no sentido de tudo agilizar [ah! desventurado verbo que tanto tenho amaldiçoado…].
Porém, agilizar o quê? Pois, muito bem, agilizar práticas e circuitos administrativos. E quem ajuizaria dessa inevitável necessidade de agilização? Nem mais nem menos que uma estirpe de tão oportunistas quão grandes decisores, invariavelmente provincianos e bacocos, que bem soube estudar as mais evidentes vulnerabilidades da Administração para conseguir impor uma estratégica campanha de instalação dos seus obscuros interesses, através de soluções fundacionais e empresariais muito particulares.
Para que não nos percamos em considerações de menor interesse, lembremos os casos mais paradigmáticos e, igualmente, mediáticos, de um total de 639 [!]fundações afectas ao sector público. Com tão famosos padrinhos e mentores, como Armando Vara e Mário Lino, respectivamente, na Fundação para a Prevenção e Segurança e Fundação para as Comunicações, não precisamos ir mais longe para perceber como o primeiro foi despedido do Governo, por indecente e má figura, e o segundo, ainda recentemente, andava às voltas com as agruras do Magalhães…
Quanto às empresas municipais, ontem mesmo, em entrevista à TSF, o Engº Macário Correia, Presidente da Câmara Municipal de Faro, afirmava que, das cinco existentes no seu município, só uma era viável pelo que, consequentemente, ia tratar da extinção das inviáveis. Mais dizia que as empresas municipais apenas tinham sido criadas para satisfazer clientelas partidárias, nomeadamente de ex-vereadores que, não eleitos posteriormente, acabavam por preencher lugares bem remunerados…
Em entrevista concedida à Visão de 27 de Maio, declarava o Prof. Doutor João Cantiga Esteves, catedrático de Finanças do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa:
“(…) O próprio Estado arranjou mecanismos para contornar as leis em vigor, dos quais são exemplos as fundações, os institutos públicos, as empresas municipais… Há um frenesim doentio de alargar o conceito de empresa municipal às autarquias. E a razão de ser também é doentia: contrariar a lei que se aplica ao poder autárquico, como a dos limites de endividamento ou a dos limites de cargos e de mordomias.
(…) As autarquias fogem às regras e violam as boas práticas da Administração Pública, criando estas empresas que se atropelam umas às outras (…)”
No calamitoso estado das finanças nacionais, urge escutar e saber interpretar, com a devida e máxima atenção, o testemunho de políticos e académicos que não se têm poupado a apontar como engordou o sector público da administração central e local, através de um emaranhado de entidades que sorvem os exauridos recursos de um Estado exíguo, na competente expressão do ilustre Presidente da Academia das Ciências, Prof. Doutor Adriano Moreira.
Sintra? Afinal, pioneira...
Mas, afinal, é só em Faro que as falidas empresas municipais devem ser extintas? Então, em Sintra? Em Sintra, sintomática e curiosamente, o caminho está apontado há tanto tempo como o que medeia entre o dia 1 de Março de 2002* e a actualidade. E não foi ninguém alheio à gestão da Câmara que o fez, mas, isso sim, o próprio Presidente do executivo municipal que, por ocasião da tomada de posse das empresas municipais, não deixava por mãos alheias os seus créditos de professor de Direito.
Nesse dia, o Prof. Fernando Seara, alertava no sentido de se evitar a privatização do Direito Público, através do pecado original que, no seu entender, são as empresas municipais. Mais adiante, condenou “a transferência de atribuições e competências dos municípios para empresas municipais por outras razões que não se prendam com a eficácia de gestão”. E, ainda: ”Parece-me inadmissível conviver com situações que embora à partida satisfaçam formal e substantivamente os preceitos legais, não se afiguram justificáveis encaradas à luz do Direito Público.”*
Conhecemos-lhes os nomes. Sabemos que obra tem sido levada a cabo pelas empresas municipais de Sintra, que estão em péssima situação financeira. Será necessário separar o trigo do joio? Onde estão um e outro? Será assim tão difícil abandonar as sub-reptícias e sinuosas vias da agilização, que nenhum resultado palpável e eficaz produziu, para regressar ao que o Prof. Cantiga Esteves considera as boas práticas da Administração Pública?
Naturalmente, preocupa-nos o destino do pessoal ao serviço dessas empresas. Todavia, recursos humanos que, maioritariamente, provieram de serviços camarários não podem regressar à Câmara, ajustada e reformulada que seja a sua Lei Orgânica? Não será este um trabalho imprescindível, de verdadeiro interesse nacional, que urge levar a cabo, não só para saneamento das finanças municipais e nacionais mas também da própria democracia e da vida cívica?
A esta luz, acabar com as empresas municipais não é um imperativo verdadeiramente nacional? Ou, actualmente, os imperativos nacionais, apenas se concretizam nos relvados da Covilhã e quejandos?
___________________________________
* Citações do saudoso Jornal de Sintra, de 8 de Março de 2002, em artigo assinado por Rui Duarte.
e as empresas municipais
Na Administração Pública há entidades que funcionam mal, mesmo mal, outras bem, mesmo bem ou muito bem e, na maioria dos casos, as que operam razoavelmente. Aliás, isto que se passa no sector público, tantas vezes, injustamente diabolizado, é o que, igualmente, acontece no privado onde, convém afirmar e insistir, a excelência não é mais frequente.
Fez escola e, insidiosamente, se disseminou a torpe generalização de que a Administração Pública era sede de todo o género de atentados aos interesses dos cidadãos. E, dessa noção tão vesga, perniciosa e preconceituosa até à rapidíssima génese e multiplicação de duvidosas fundações e de incompreensíveis empresas municipais, foi um passo conquistado sempre no sentido de tudo agilizar [ah! desventurado verbo que tanto tenho amaldiçoado…].
Porém, agilizar o quê? Pois, muito bem, agilizar práticas e circuitos administrativos. E quem ajuizaria dessa inevitável necessidade de agilização? Nem mais nem menos que uma estirpe de tão oportunistas quão grandes decisores, invariavelmente provincianos e bacocos, que bem soube estudar as mais evidentes vulnerabilidades da Administração para conseguir impor uma estratégica campanha de instalação dos seus obscuros interesses, através de soluções fundacionais e empresariais muito particulares.
Para que não nos percamos em considerações de menor interesse, lembremos os casos mais paradigmáticos e, igualmente, mediáticos, de um total de 639 [!]fundações afectas ao sector público. Com tão famosos padrinhos e mentores, como Armando Vara e Mário Lino, respectivamente, na Fundação para a Prevenção e Segurança e Fundação para as Comunicações, não precisamos ir mais longe para perceber como o primeiro foi despedido do Governo, por indecente e má figura, e o segundo, ainda recentemente, andava às voltas com as agruras do Magalhães…
Quanto às empresas municipais, ontem mesmo, em entrevista à TSF, o Engº Macário Correia, Presidente da Câmara Municipal de Faro, afirmava que, das cinco existentes no seu município, só uma era viável pelo que, consequentemente, ia tratar da extinção das inviáveis. Mais dizia que as empresas municipais apenas tinham sido criadas para satisfazer clientelas partidárias, nomeadamente de ex-vereadores que, não eleitos posteriormente, acabavam por preencher lugares bem remunerados…
Em entrevista concedida à Visão de 27 de Maio, declarava o Prof. Doutor João Cantiga Esteves, catedrático de Finanças do Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa:
“(…) O próprio Estado arranjou mecanismos para contornar as leis em vigor, dos quais são exemplos as fundações, os institutos públicos, as empresas municipais… Há um frenesim doentio de alargar o conceito de empresa municipal às autarquias. E a razão de ser também é doentia: contrariar a lei que se aplica ao poder autárquico, como a dos limites de endividamento ou a dos limites de cargos e de mordomias.
(…) As autarquias fogem às regras e violam as boas práticas da Administração Pública, criando estas empresas que se atropelam umas às outras (…)”
No calamitoso estado das finanças nacionais, urge escutar e saber interpretar, com a devida e máxima atenção, o testemunho de políticos e académicos que não se têm poupado a apontar como engordou o sector público da administração central e local, através de um emaranhado de entidades que sorvem os exauridos recursos de um Estado exíguo, na competente expressão do ilustre Presidente da Academia das Ciências, Prof. Doutor Adriano Moreira.
Sintra? Afinal, pioneira...
Mas, afinal, é só em Faro que as falidas empresas municipais devem ser extintas? Então, em Sintra? Em Sintra, sintomática e curiosamente, o caminho está apontado há tanto tempo como o que medeia entre o dia 1 de Março de 2002* e a actualidade. E não foi ninguém alheio à gestão da Câmara que o fez, mas, isso sim, o próprio Presidente do executivo municipal que, por ocasião da tomada de posse das empresas municipais, não deixava por mãos alheias os seus créditos de professor de Direito.
Nesse dia, o Prof. Fernando Seara, alertava no sentido de se evitar a privatização do Direito Público, através do pecado original que, no seu entender, são as empresas municipais. Mais adiante, condenou “a transferência de atribuições e competências dos municípios para empresas municipais por outras razões que não se prendam com a eficácia de gestão”. E, ainda: ”Parece-me inadmissível conviver com situações que embora à partida satisfaçam formal e substantivamente os preceitos legais, não se afiguram justificáveis encaradas à luz do Direito Público.”*
Conhecemos-lhes os nomes. Sabemos que obra tem sido levada a cabo pelas empresas municipais de Sintra, que estão em péssima situação financeira. Será necessário separar o trigo do joio? Onde estão um e outro? Será assim tão difícil abandonar as sub-reptícias e sinuosas vias da agilização, que nenhum resultado palpável e eficaz produziu, para regressar ao que o Prof. Cantiga Esteves considera as boas práticas da Administração Pública?
Naturalmente, preocupa-nos o destino do pessoal ao serviço dessas empresas. Todavia, recursos humanos que, maioritariamente, provieram de serviços camarários não podem regressar à Câmara, ajustada e reformulada que seja a sua Lei Orgânica? Não será este um trabalho imprescindível, de verdadeiro interesse nacional, que urge levar a cabo, não só para saneamento das finanças municipais e nacionais mas também da própria democracia e da vida cívica?
A esta luz, acabar com as empresas municipais não é um imperativo verdadeiramente nacional? Ou, actualmente, os imperativos nacionais, apenas se concretizam nos relvados da Covilhã e quejandos?
___________________________________
* Citações do saudoso Jornal de Sintra, de 8 de Março de 2002, em artigo assinado por Rui Duarte.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Portucale,
Justiça finalmente?
Grosso modo, passo a contextualizar a matéria hoje em apreço. Abel Pinheiro, ex-tesoureiro do CDS e três administradores do Grupo Espírito Santo são acusados de tráfico de influências, enquanto três funcionários do CDS vão responder pela acusação de falsificação de documentos. Em causa estão suspeitas quanto ao preenchimento de recibos de donativos para justificar a entrada de um milhão de euros nas contas do partido, em Dezembro de 2004, em que o anedótico Jacinto Leite Capelo Rego [leia-se o nome com prosódia brasileira] é um dos doadores…
A poucos dias das eleições legislativas de 2005, um despacho assinado pelos então ministros Costa Neves, Nobre Guedes e Telmo Correia – ilibados no mesmo processo – declarou de utilidade pública um projecto do Grupo Espírito Santo para um empreendimento turístico em Benavente. No documento era autorizado o abate de mais de 2.500 sobreiros, espécie protegida. Enfim, o famoso caso Portucale.
Terminado o contexto, passemos a uma cena ontem bem patente nos telejornais. Habituados a que muitos Senhores Juízes acolham argumentos afins de garantias quase inesgotáveis que a Lei confere aos seus constituintes – ferindo de morte o direito à Justiça rápida e eficaz – alguns bem conhecidos advogados da nossa praça não conseguiam esconder o incómodo perante a deliberação do Tribunal de Instrução Criminal no sentido de levar a julgamento os onze cidadãos.
O Dr. José António Barreiros parece ter-se excedido. Então não é que chegou ao ponto de afirmar que, ao concordar com a tese do Ministério Público, o Senhor Juiz de Instrução era obediente àquele órgão? Só faltou aplicar uma terminologia que, talvez por pudor, não se atreveu, mas que está implícita naquela douta obediência, ou seja, que o Senhor Juiz foi conivente, cúmplice…
Sabem onde está o busílis? A explicação é óbvia pois, sempre que o Juiz concorda com o Ministério Público, é irrecorrível a sua decisão de levar os arguidos a julgamento. Estão a perceber, portanto, a razão do incómodo dos advogados? É que, pelo meio das suas dilatórias manigâncias, um incómodo Senhor Juiz atreveu-se a actuar fora do quadro mais comum e, com o seu despacho, impediu a dilação em curso…
Resta a hipótese de se pronunciar o Tribunal Constitucional se nesse sentido for solicitado pelos causídicos. Contudo, a sua reacção de ontem deixa adivinhar que o melhor é prepararem-se para a barra. E nós, cidadãos ávidos de ver fazer Justiça a tempo e horas, ficamos à espera que não demore muito mais aquilo que, escandalosamente, tanto tem demorado de há cinco anos a esta parte.
Justiça finalmente?
Grosso modo, passo a contextualizar a matéria hoje em apreço. Abel Pinheiro, ex-tesoureiro do CDS e três administradores do Grupo Espírito Santo são acusados de tráfico de influências, enquanto três funcionários do CDS vão responder pela acusação de falsificação de documentos. Em causa estão suspeitas quanto ao preenchimento de recibos de donativos para justificar a entrada de um milhão de euros nas contas do partido, em Dezembro de 2004, em que o anedótico Jacinto Leite Capelo Rego [leia-se o nome com prosódia brasileira] é um dos doadores…
A poucos dias das eleições legislativas de 2005, um despacho assinado pelos então ministros Costa Neves, Nobre Guedes e Telmo Correia – ilibados no mesmo processo – declarou de utilidade pública um projecto do Grupo Espírito Santo para um empreendimento turístico em Benavente. No documento era autorizado o abate de mais de 2.500 sobreiros, espécie protegida. Enfim, o famoso caso Portucale.
Terminado o contexto, passemos a uma cena ontem bem patente nos telejornais. Habituados a que muitos Senhores Juízes acolham argumentos afins de garantias quase inesgotáveis que a Lei confere aos seus constituintes – ferindo de morte o direito à Justiça rápida e eficaz – alguns bem conhecidos advogados da nossa praça não conseguiam esconder o incómodo perante a deliberação do Tribunal de Instrução Criminal no sentido de levar a julgamento os onze cidadãos.
O Dr. José António Barreiros parece ter-se excedido. Então não é que chegou ao ponto de afirmar que, ao concordar com a tese do Ministério Público, o Senhor Juiz de Instrução era obediente àquele órgão? Só faltou aplicar uma terminologia que, talvez por pudor, não se atreveu, mas que está implícita naquela douta obediência, ou seja, que o Senhor Juiz foi conivente, cúmplice…
Sabem onde está o busílis? A explicação é óbvia pois, sempre que o Juiz concorda com o Ministério Público, é irrecorrível a sua decisão de levar os arguidos a julgamento. Estão a perceber, portanto, a razão do incómodo dos advogados? É que, pelo meio das suas dilatórias manigâncias, um incómodo Senhor Juiz atreveu-se a actuar fora do quadro mais comum e, com o seu despacho, impediu a dilação em curso…
Resta a hipótese de se pronunciar o Tribunal Constitucional se nesse sentido for solicitado pelos causídicos. Contudo, a sua reacção de ontem deixa adivinhar que o melhor é prepararem-se para a barra. E nós, cidadãos ávidos de ver fazer Justiça a tempo e horas, ficamos à espera que não demore muito mais aquilo que, escandalosamente, tanto tem demorado de há cinco anos a esta parte.
sábado, 29 de maio de 2010
Mais Sintra?
- menos promessas!...
As palavras realistas de J.A.C. (no artigo anterior) obrigam a que os munícipes empenhados lhe prestem a devida saudação. É um estímulo à vida participativa de que este blogue, grande parte das vezes, é a única voz pública na denúncia.
Estamos fartos!!!
De discursos empolgados mas de circunstância, usados para brilho pessoal.
Só falta aparecer uma oportunista fada-madrinha de qualquer coisa. Temos Padrinhos, comissários de honra, mandatários e sabe-se lá que mais. Mera propaganda sem reflexos no bem-estar dos residentes ou em quem nos visita.
Estamos fartos das conversas fiadas de “patamares”, “eixos estruturantes de reflexão”, “vectores de evolução”, “malha urbana policêntrica”, sem que se resolvam os problemas efectivos das populações.
O SATU, oito anos depois, saiu do baú para constar de nova promessa...a 10 anos. Na que seria a maior Rede de Ciclovias do país, prometida até 2009, apenas pedala a nossa desilusão.
Casa das Selecções, Aeródromo Civil em Campo Raso, Cidade das Crianças, “Novo Hospital que será no Ramalhão”, são outras de tantas ilusões (para não dizer pior) que foram criadas.
Sintra, se já não bastasse, é vítima de uma partilha de poder entre opostos, com práticas de colaboração convergentes, sem que o eleitorado se aperceba da sua real extensão.
Parada no tempo, servindo vaidades pouco atiladas, Sintra tem-se degradado sem rei nem roque, sem a “corte” que o marketing da comunicação tenta criar fora das suas fronteiras.
Através de palavreados gratuitos, Sintra tem pago caro as políticas iludentes que, com artes ilusionistas, pretenderão transformar em “obra feita” a queda de 5º para o 42º lugar no "ranking" da qualidade de vida dos municípios portugueses.
Não podemos viver de turistas de hora e meia, e muito menos dos milhares que atravessam o Centro Histórico de carro e seguem caminho, tudo como resultado da incapacidade de se tomarem medidas para fixar os visitantes.
Sintra é vítima de uma dicotomia onde num ramo se nota o medo da tomada de decisões e noutro se travam as medidas evolutivas, usando-se o legalismo de um Plano elaborado em 1949, que terá sido bom na época, mas se encontra totalmente obsoleto.
Recorde-se que em 1950 o concelho de Sintra tinha 60.424 habitantes e a vida, até hoje, mudou de forma tão significativa que, ou evoluímos ou definhamos de tal modo que a recuperação vai ser muito mais penosa.
Com o autismo a sobrepor-se às sugestões para uma melhor sociedade sintrense, é altura de se exigir o cumprimento das promessas que estão em carteira há muitos anos.
Fernando Castelo
- menos promessas!...
As palavras realistas de J.A.C. (no artigo anterior) obrigam a que os munícipes empenhados lhe prestem a devida saudação. É um estímulo à vida participativa de que este blogue, grande parte das vezes, é a única voz pública na denúncia.
Estamos fartos!!!
De discursos empolgados mas de circunstância, usados para brilho pessoal.
Só falta aparecer uma oportunista fada-madrinha de qualquer coisa. Temos Padrinhos, comissários de honra, mandatários e sabe-se lá que mais. Mera propaganda sem reflexos no bem-estar dos residentes ou em quem nos visita.
Estamos fartos das conversas fiadas de “patamares”, “eixos estruturantes de reflexão”, “vectores de evolução”, “malha urbana policêntrica”, sem que se resolvam os problemas efectivos das populações.
O SATU, oito anos depois, saiu do baú para constar de nova promessa...a 10 anos. Na que seria a maior Rede de Ciclovias do país, prometida até 2009, apenas pedala a nossa desilusão.
Casa das Selecções, Aeródromo Civil em Campo Raso, Cidade das Crianças, “Novo Hospital que será no Ramalhão”, são outras de tantas ilusões (para não dizer pior) que foram criadas.
Sintra, se já não bastasse, é vítima de uma partilha de poder entre opostos, com práticas de colaboração convergentes, sem que o eleitorado se aperceba da sua real extensão.
Parada no tempo, servindo vaidades pouco atiladas, Sintra tem-se degradado sem rei nem roque, sem a “corte” que o marketing da comunicação tenta criar fora das suas fronteiras.
Através de palavreados gratuitos, Sintra tem pago caro as políticas iludentes que, com artes ilusionistas, pretenderão transformar em “obra feita” a queda de 5º para o 42º lugar no "ranking" da qualidade de vida dos municípios portugueses.
Não podemos viver de turistas de hora e meia, e muito menos dos milhares que atravessam o Centro Histórico de carro e seguem caminho, tudo como resultado da incapacidade de se tomarem medidas para fixar os visitantes.
Sintra é vítima de uma dicotomia onde num ramo se nota o medo da tomada de decisões e noutro se travam as medidas evolutivas, usando-se o legalismo de um Plano elaborado em 1949, que terá sido bom na época, mas se encontra totalmente obsoleto.
Recorde-se que em 1950 o concelho de Sintra tinha 60.424 habitantes e a vida, até hoje, mudou de forma tão significativa que, ou evoluímos ou definhamos de tal modo que a recuperação vai ser muito mais penosa.
Com o autismo a sobrepor-se às sugestões para uma melhor sociedade sintrense, é altura de se exigir o cumprimento das promessas que estão em carteira há muitos anos.
Fernando Castelo
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Romantismo? Em Sintra?
Queixas dos turistas
O texto aqui publicado há uns dias, Romantismo, em Sintra? Não brinquem..., foi objecto do comentário que, assinado por J.A.C., passo a reproduzir. É extremamente sintético, quase telegráfico, mas de uma eficácia a toda a prova:
A campanha Sintra, capital do Romantismo é realmente desconchavada...
Muitas vezes, falo com estrangeiros pois trabalho na recepção de um museu.
Os estrangeiros gostam de Sintra, têm boa vontade mas chateiam-se...
Eu oiço algumas queixas:
- Muitas casas abandonadas, porquê? Não têm leis para "despejar" donos das propriedades?;
- falta de estacionamento;
- falta de indicações;
- falta de transportes públicos;
- porque é que o eléctrico não funciona? ;
- não temos Camping?;
- não temos Pousada da Juventude?;
- as lojas, museus e monumentos fecham muito cedo. Podiam, em algum dia da semana, fechar mais tarde?;
- muito lixo nas ruas...
Este tipo de comentários oiço com muito mais frequência do que bons comentários. A sensação que tenho é que a maior parte recebeu gato em vez de lebre e não planeiam voltar ou fazer boa publicidade de Sintra aos seus conhecidos ou conterrâneos... E essa, sim, seria a melhor publicidade do mundo e gratuita!!!
(J.A.C.)
Não deixa de ser perverso que Sintra, capital do Romantismo seja a campanha pertinente e adequada ao estado lamentável a que os autarcas conduziram a nossa terra. Ainda se admiram que lhes perguntemos se o tal romantismo estará nos motéis, cuja estratégica localização licenciaram...
Queixas dos turistas
O texto aqui publicado há uns dias, Romantismo, em Sintra? Não brinquem..., foi objecto do comentário que, assinado por J.A.C., passo a reproduzir. É extremamente sintético, quase telegráfico, mas de uma eficácia a toda a prova:
A campanha Sintra, capital do Romantismo é realmente desconchavada...
Muitas vezes, falo com estrangeiros pois trabalho na recepção de um museu.
Os estrangeiros gostam de Sintra, têm boa vontade mas chateiam-se...
Eu oiço algumas queixas:
- Muitas casas abandonadas, porquê? Não têm leis para "despejar" donos das propriedades?;
- falta de estacionamento;
- falta de indicações;
- falta de transportes públicos;
- porque é que o eléctrico não funciona? ;
- não temos Camping?;
- não temos Pousada da Juventude?;
- as lojas, museus e monumentos fecham muito cedo. Podiam, em algum dia da semana, fechar mais tarde?;
- muito lixo nas ruas...
Este tipo de comentários oiço com muito mais frequência do que bons comentários. A sensação que tenho é que a maior parte recebeu gato em vez de lebre e não planeiam voltar ou fazer boa publicidade de Sintra aos seus conhecidos ou conterrâneos... E essa, sim, seria a melhor publicidade do mundo e gratuita!!!
(J.A.C.)
Não deixa de ser perverso que Sintra, capital do Romantismo seja a campanha pertinente e adequada ao estado lamentável a que os autarcas conduziram a nossa terra. Ainda se admiram que lhes perguntemos se o tal romantismo estará nos motéis, cuja estratégica localização licenciaram...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
TRATAR BEM AS ÁRVORES, UMA QUESTÃO DE CULTURA

No dia 21 deste mês, foi aqui noticiada a acção do Clube de tricô Conversa Fiada em defesa das nossas árvores.
Até as ervas existentes na cobertura do telhado são apreciadas, pois ajudam as neves a escorregar de cima dele...e como a neve e o gelo fustigam aquele local.
Ai de quem tivesse a ousadia de fazer o corte, porque toda a comunidade se levantaria.

No dia 21 deste mês, foi aqui noticiada a acção do Clube de tricô Conversa Fiada em defesa das nossas árvores.
Saúde-se o aparecimento público de tão interessante Clube, pela beleza que transportou para as árvores e sua defesa, ao mesmo tempo que recuperou, através das mesmas, as arte de – entrelaçando linhas – nos deliciar o olhar com as composições realizadas.
Tive a sorte de, familiarmente, assistir à dedicação profunda a trabalhos desse tipo, nunca imaginando a sua transposição para acções cívicas como aquela a que assistimos.Bem hajam, pois, quantas pessoas participaram na jornada e a esta arte se dedicam.
O problema do corte das árvores em Sintra não passa de uma questão cultural negativa, já que a vida das mesmas não é acompanhada periodicamente como noutros países, onde chega a existir fichas de cada árvore, identificando doenças e tratamentos efectuados.A foto representa um exemplo de respeito pela árvore e pela natureza. Encontra-se na estrada que liga TROMSO, a capital do árctico norueguês, a Nordsjosen.
A árvore nasceu depois da casa construída e foi crescendo, crescendo, acabando por ter abertura para fora do telhado, com o devido orgulho por parte dos residentes.Até as ervas existentes na cobertura do telhado são apreciadas, pois ajudam as neves a escorregar de cima dele...e como a neve e o gelo fustigam aquele local.
Ai de quem tivesse a ousadia de fazer o corte, porque toda a comunidade se levantaria.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Festival de Sintra 2010,
mais uma achega
Como terão verificado os mais atentos, para além da minha, também outras vozes sintrenses vieram recentemente a público lamentando que se tivesse chegado à evitável situação de, apenas no passado dia 18, dez dias antes de começar a 45ª edição, ter aparecido a publicação impressa do programa do Festival de Sintra 2010.
Se bem entendem, tal significa que, no preciso momento em que a organização já deveria descansar com a concretização do grosso das vendas de bilhetes, ainda o grande público desconhecia que eventos estariam programados… Na realidade, tudo isto me leva a perguntar se, em terra de turismo militante, o Festival de Sintra, estará mesmo interessado em atrair públicos de todas as proveniências nacionais. É que, com esta estratégia dilatória, só se abrange uma faixa, pouco mais que doméstica, da potencial audiência.
Por outro lado, tendo aparecido tão tardiamente, pena é que não tivesse havido tempo para incluir uma palavra de introdução à proposta que o Festival vem apresentar. Por muito boa vontade que tenhamos, não podemos deixar de considerar que se trata de desrespeito pelo direito do público à informação, por exemplo, sobre as razões que terão norteado os responsáveis a avançar com este e não com qualquer outro conjunto de eventos.
Nem sequer é necessário recorrer a festivais estrangeiros. De facto, basta lembrar como, em Alcobaça, Póvoa de Varzim, Espinho ou no Estoril, outro é o cuidado das respectivas organizações no sentido de esclarecer quem é suposto cativar. De facto, não é só no programa geral, ou nos mais específicos, que tal cuidado é pertinente. Em tudo quanto é suporte papel, a palavra de enquadramento, geral ou particular, deve ser uma preocupação.
A falta da grelha
Desde já, sem entrar em pormenores, registaria que a programação geral não obedeceu a qualquer matriz. Não, não há défice de entendimento da minha parte e, como bem tinha previsto, é ininteligível a grelha de concepção, imperceptível qualquer submissão a uma lógica interna ou à conveniente coerência de articulação entre os eventos.
No entanto, quanto à música, num ano tão fértil em efemérides como as relativas a Chopin, Schumann Mendelssohn, Pergolesi, Wolf ou Mahler, é perfeitamente natural e, por isso, legível que a maior parte dos pianistas proponha o seu recital recheado de peças da autoria dos dois primeiros compositores citados. Estaria assim justificado o tema gerador e definida a primeira linha de abordagem de um programa obediente a uma rede de interesses, tão logicamente conectados, como a do caso em apreço.
Como habitualmente acontece, a componente musical do Festival de Sintra é inequívoca. Portanto, nada a acrescentar de menos positivo. Mas, então, e o resto? O resto é mais do mesmo. A única linha de coerência (?) detectável é a que, teimosa mas infelizmente, tem presidido às últimas edições, ou seja, resultando na patente miscelânea de propostas inarticuláveis, sem qualquer ponta de nexo.
Nomeadamente, os eventos que se acolhem à designação de contrapontos, como não pressupõem a mínima relação, quer entre si quer com o resto do Festival de Sintra 2010, até podiam ter um enquadramento totalmente diferente, portanto, alheio às motivações que, a nível cultural, mais mobilizam quem, em Sintra, se preocupa com questões desta natureza.
Claro que não desconheço que, a contrario do que actualmente acontece, impor-se-ia que a programação dos contrapontos se concretizasse, pelo menos, com dois anos de antecedência se, como tenho advogado conveniente, o objectivo fosse o de vir a adequar-se, por exemplo, à proposta do tema global da vertente musical,.
Em inúmeros artigos de opinião,* já tive oportunidade de demonstrar a incorrecção da designação de contraponto uma vez que esta noção tem de evidenciar uma relação por oposição a algo que, no caso do Festival de Sintra, a organização não consegue apresentar. Assim sendo, nem sei, ao longo de sucessivas edições, como qualificar a insistência ou como interpretar esta persistência.
Diria eu que mais se assemelha ao aflito esbracejar de alguém que, prestes a naufragar em águas, nem por isso particularmente turbulentas, mas transportando uma incomportável carga, acaba por conseguir deitar a mão à bóia de salvação, gritando: olhem que eu estou aqui, reparem, eu existo! Para bom entendedor…
Mais uma achega
A própria arquitectura de qualquer Festival rejeita a inclusão de peças avulsas, desgarradas. Assim sendo, apenas um passo foi dado, um pouco por toda a parte, cá dentro e lá por fora, absolutamente natural e compreensível, até à evidente necessidade de tudo conceber para articulação dos eventos na obediência a um tema global e gerador das conotações implícitas e explícitas,. Tudo isto porque, já há muito tempo, qualquer Festival se concebe na presunção de que o público está sintonizado com esta estratégia.
O espectador ou já é ou passará a ser habitué, alguém que, em cada nova edição, espera surpreender-se, enriquecido pelas diferentes abordagens do tema, através do teatro, da ópera, da dança, das leituras de poemas, da integração de propostas plásticas, de conferências, oficinas de expressão vária, etc, etc. O espectador, escrevia eu, só tem vantagem em que o Festival resulte de uma concepção integrada, globalizante, portanto, da ideia de festival como um todo coerente.
Hoje em dia, o difícil é encontrar um festival que não envolva e articule várias artes e suportes artísticos diversos. A propósito, há uma série de anos, vindo de Viena, divulguei a atitude, estranha mas interessantíssima, de um festival em que se fez música com instrumentos feitos com legumes e hortaliças, elementos vegetais com os quais, finalmente, se cozinhou uma estupenda sopa.
Preocupação presidencial
Num festival, a verdade é que tudo é possível, desde que inteligíveis sejam as relações. No Festival de Sintra, para manifesto prejuízo geral da iniciativa, tal não tem sido praticável. Contudo – muita atenção! – a partir do que venho escrevendo, não se entenda, que as propostas afins dos designados contrapontos serão, geralmente, de inferior qualidade. Jamais o afirmei se bem que, reiteradamente, confesse não sentir qualquer vontade em assistir a espectáculos cujo enquadramento não perceba minimamente.
Finalmente, julgo poder partilhar convosco a certeza de que o Senhor Presidente da Câmara vem manifestando crescente preocupação relativamente aos assuntos que tenho ventilado, tanto no âmbito das considerações publicadas neste blogue e na imprensa, como na sequência de uma carta que, oportunamente, lhe enviei. Dá um certo alento perceber que as nossas palavras têm o eco que é suposto deverem suscitar. Serenamente, cumpre aguardar.
_______________________________
* Acerca do Festival de Sintra 201o, consultar, neste blogue, os textos publicados nos dias 8 e 11 de Março, 5 de Abril e 4 de Maio, todos deste ano de 201o.
Para além de uma série no «saudoso» Jornal de Sintra, vd., entre outros, os seguintes textos sobre o assunto no sintradoavesso: - Festival de Sintra 2009, palmarés comentado, 11, 12, 13 e 14 de Junho de 2009; - Vengerov maestro, um equívoco, 15 e 16 de Junho de 2009; - Alcobaça, a Festa da Música, 17 de Junho de 2009; - Revisão da matéria, 18 de Junho de 2009; - Espinho, Estoril e Póvoa de Varzim, festivais culturais, 6 de Julho de 2009; - Grandes festivais, 7 de Agosto de 2009.
mais uma achega
Como terão verificado os mais atentos, para além da minha, também outras vozes sintrenses vieram recentemente a público lamentando que se tivesse chegado à evitável situação de, apenas no passado dia 18, dez dias antes de começar a 45ª edição, ter aparecido a publicação impressa do programa do Festival de Sintra 2010.
Se bem entendem, tal significa que, no preciso momento em que a organização já deveria descansar com a concretização do grosso das vendas de bilhetes, ainda o grande público desconhecia que eventos estariam programados… Na realidade, tudo isto me leva a perguntar se, em terra de turismo militante, o Festival de Sintra, estará mesmo interessado em atrair públicos de todas as proveniências nacionais. É que, com esta estratégia dilatória, só se abrange uma faixa, pouco mais que doméstica, da potencial audiência.
Por outro lado, tendo aparecido tão tardiamente, pena é que não tivesse havido tempo para incluir uma palavra de introdução à proposta que o Festival vem apresentar. Por muito boa vontade que tenhamos, não podemos deixar de considerar que se trata de desrespeito pelo direito do público à informação, por exemplo, sobre as razões que terão norteado os responsáveis a avançar com este e não com qualquer outro conjunto de eventos.
Nem sequer é necessário recorrer a festivais estrangeiros. De facto, basta lembrar como, em Alcobaça, Póvoa de Varzim, Espinho ou no Estoril, outro é o cuidado das respectivas organizações no sentido de esclarecer quem é suposto cativar. De facto, não é só no programa geral, ou nos mais específicos, que tal cuidado é pertinente. Em tudo quanto é suporte papel, a palavra de enquadramento, geral ou particular, deve ser uma preocupação.
A falta da grelha
Desde já, sem entrar em pormenores, registaria que a programação geral não obedeceu a qualquer matriz. Não, não há défice de entendimento da minha parte e, como bem tinha previsto, é ininteligível a grelha de concepção, imperceptível qualquer submissão a uma lógica interna ou à conveniente coerência de articulação entre os eventos.
No entanto, quanto à música, num ano tão fértil em efemérides como as relativas a Chopin, Schumann Mendelssohn, Pergolesi, Wolf ou Mahler, é perfeitamente natural e, por isso, legível que a maior parte dos pianistas proponha o seu recital recheado de peças da autoria dos dois primeiros compositores citados. Estaria assim justificado o tema gerador e definida a primeira linha de abordagem de um programa obediente a uma rede de interesses, tão logicamente conectados, como a do caso em apreço.
Como habitualmente acontece, a componente musical do Festival de Sintra é inequívoca. Portanto, nada a acrescentar de menos positivo. Mas, então, e o resto? O resto é mais do mesmo. A única linha de coerência (?) detectável é a que, teimosa mas infelizmente, tem presidido às últimas edições, ou seja, resultando na patente miscelânea de propostas inarticuláveis, sem qualquer ponta de nexo.
Nomeadamente, os eventos que se acolhem à designação de contrapontos, como não pressupõem a mínima relação, quer entre si quer com o resto do Festival de Sintra 2010, até podiam ter um enquadramento totalmente diferente, portanto, alheio às motivações que, a nível cultural, mais mobilizam quem, em Sintra, se preocupa com questões desta natureza.
Claro que não desconheço que, a contrario do que actualmente acontece, impor-se-ia que a programação dos contrapontos se concretizasse, pelo menos, com dois anos de antecedência se, como tenho advogado conveniente, o objectivo fosse o de vir a adequar-se, por exemplo, à proposta do tema global da vertente musical,.
Em inúmeros artigos de opinião,* já tive oportunidade de demonstrar a incorrecção da designação de contraponto uma vez que esta noção tem de evidenciar uma relação por oposição a algo que, no caso do Festival de Sintra, a organização não consegue apresentar. Assim sendo, nem sei, ao longo de sucessivas edições, como qualificar a insistência ou como interpretar esta persistência.
Diria eu que mais se assemelha ao aflito esbracejar de alguém que, prestes a naufragar em águas, nem por isso particularmente turbulentas, mas transportando uma incomportável carga, acaba por conseguir deitar a mão à bóia de salvação, gritando: olhem que eu estou aqui, reparem, eu existo! Para bom entendedor…
Mais uma achega
A própria arquitectura de qualquer Festival rejeita a inclusão de peças avulsas, desgarradas. Assim sendo, apenas um passo foi dado, um pouco por toda a parte, cá dentro e lá por fora, absolutamente natural e compreensível, até à evidente necessidade de tudo conceber para articulação dos eventos na obediência a um tema global e gerador das conotações implícitas e explícitas,. Tudo isto porque, já há muito tempo, qualquer Festival se concebe na presunção de que o público está sintonizado com esta estratégia.
O espectador ou já é ou passará a ser habitué, alguém que, em cada nova edição, espera surpreender-se, enriquecido pelas diferentes abordagens do tema, através do teatro, da ópera, da dança, das leituras de poemas, da integração de propostas plásticas, de conferências, oficinas de expressão vária, etc, etc. O espectador, escrevia eu, só tem vantagem em que o Festival resulte de uma concepção integrada, globalizante, portanto, da ideia de festival como um todo coerente.
Hoje em dia, o difícil é encontrar um festival que não envolva e articule várias artes e suportes artísticos diversos. A propósito, há uma série de anos, vindo de Viena, divulguei a atitude, estranha mas interessantíssima, de um festival em que se fez música com instrumentos feitos com legumes e hortaliças, elementos vegetais com os quais, finalmente, se cozinhou uma estupenda sopa.
Preocupação presidencial
Num festival, a verdade é que tudo é possível, desde que inteligíveis sejam as relações. No Festival de Sintra, para manifesto prejuízo geral da iniciativa, tal não tem sido praticável. Contudo – muita atenção! – a partir do que venho escrevendo, não se entenda, que as propostas afins dos designados contrapontos serão, geralmente, de inferior qualidade. Jamais o afirmei se bem que, reiteradamente, confesse não sentir qualquer vontade em assistir a espectáculos cujo enquadramento não perceba minimamente.
Finalmente, julgo poder partilhar convosco a certeza de que o Senhor Presidente da Câmara vem manifestando crescente preocupação relativamente aos assuntos que tenho ventilado, tanto no âmbito das considerações publicadas neste blogue e na imprensa, como na sequência de uma carta que, oportunamente, lhe enviei. Dá um certo alento perceber que as nossas palavras têm o eco que é suposto deverem suscitar. Serenamente, cumpre aguardar.
_______________________________
* Acerca do Festival de Sintra 201o, consultar, neste blogue, os textos publicados nos dias 8 e 11 de Março, 5 de Abril e 4 de Maio, todos deste ano de 201o.
Para além de uma série no «saudoso» Jornal de Sintra, vd., entre outros, os seguintes textos sobre o assunto no sintradoavesso: - Festival de Sintra 2009, palmarés comentado, 11, 12, 13 e 14 de Junho de 2009; - Vengerov maestro, um equívoco, 15 e 16 de Junho de 2009; - Alcobaça, a Festa da Música, 17 de Junho de 2009; - Revisão da matéria, 18 de Junho de 2009; - Espinho, Estoril e Póvoa de Varzim, festivais culturais, 6 de Julho de 2009; - Grandes festivais, 7 de Agosto de 2009.
sábado, 22 de maio de 2010
No aniversário de Elise
Apenas três parágrafos para lembrar que vinte e dois de Maio é aniversário de Elise, rainha da nossa Baviera.* É dia de ir até à Pena e de nos perdermos, literal e irrealmente, pelos caminhos de acesso à sua casa. É dia de recordar quanto Sintra deve a esta mulher e de perceber como, finalmente, encontrou quem esteja a honrar a herança que, teimosa e criminosamente, tão desrespeitada foi ao longo de décadas.
Lá mais para o fim da tarde, evocando Elise e, claramente, Fernando, inseparáveis, ao lado de Richard Wagner, também hoje aniversariante, hei-de beber um copo de bom branco seco e frutado Risling Gewustraminer, ouvindo Im Treibhaus e também Träume, duas das Wesendonck Lieder, subtituladas Studie zu Tristan uns Isolde, evidenciando a íntima relação com a ópera.
Sabem quem, virtualmente, também não faltará a esta vespertina cena? Emília Reis, dedicadíssima cultora da memória que hoje celebramos, bem como o Prof. António Ressano Garcia Lamas, o mais atento coordenador da recuperação do inestimável património que a Condessa legou a esta mitificada Sintra. Então, meus amigos, Auf Ihr Wohl!!
* epíteto que lanço à Condessa d'Edla, parafraseando o título do famoso ensaio de Eduardo Lourenço sobre Fernando Pessoa, Fernando Rei da nossa Baviera.
Apenas três parágrafos para lembrar que vinte e dois de Maio é aniversário de Elise, rainha da nossa Baviera.* É dia de ir até à Pena e de nos perdermos, literal e irrealmente, pelos caminhos de acesso à sua casa. É dia de recordar quanto Sintra deve a esta mulher e de perceber como, finalmente, encontrou quem esteja a honrar a herança que, teimosa e criminosamente, tão desrespeitada foi ao longo de décadas.
Lá mais para o fim da tarde, evocando Elise e, claramente, Fernando, inseparáveis, ao lado de Richard Wagner, também hoje aniversariante, hei-de beber um copo de bom branco seco e frutado Risling Gewustraminer, ouvindo Im Treibhaus e também Träume, duas das Wesendonck Lieder, subtituladas Studie zu Tristan uns Isolde, evidenciando a íntima relação com a ópera.
Sabem quem, virtualmente, também não faltará a esta vespertina cena? Emília Reis, dedicadíssima cultora da memória que hoje celebramos, bem como o Prof. António Ressano Garcia Lamas, o mais atento coordenador da recuperação do inestimável património que a Condessa legou a esta mitificada Sintra. Então, meus amigos, Auf Ihr Wohl!!
* epíteto que lanço à Condessa d'Edla, parafraseando o título do famoso ensaio de Eduardo Lourenço sobre Fernando Pessoa, Fernando Rei da nossa Baviera.
sexta-feira, 21 de maio de 2010


Elementos do grupo do "Conversa Fiada"
Um manifesto da intervenção
Clube de tricô Conversa Fiada,
atitude cívica
Os membros do Clube de Tricô Conversa Fiada reúnem-se, semanalmente, à quarta-feira à noite no Saudade, Amor e Arte, em Sintra. A arte de envolver elementos do património público com tricô que, de algum modo, suscitam intervenção cívica, foi iniciada nos EUA em 2005, sendo conhecida por Yarnbombing. Em Sintra, inspirado neste movimento que já se espalhou por todo o mundo, o Clube de Tricô Conversa Fiada vem fazer a sua primeira intervenção.
Foi no Largo do Morais que o Departamento de Parques e Jardins selvaticamente podou as árvores, há umas semanas atrás. O critério utilizado ronda o incompreensível. Vejamos. O jardim que ali se encontra, com bancos convidativos a uma pausa para quem sobe da Estefânia para S. Pedro, foi deixado sem uma única sombra. Todos os plátanos foram decepados dos seus ramos.
As árvores da Rua D. João de Castro foram objecto de intervenção absolutamente absurda, efectuada num lugar tão característico de Sintra. Logo no início, temos várias tílias completamente decapitadas dos ramos que estavam já cobertos de folhas (este ano já não voltarão a rebentar), outras às quais foram cortados os ramos alguns metros acima do tronco e, pasme-se, logo a seguir, um conjunto de árvores exuberantes de folhagem bonita, onde a motosserra não tocou.
Que critério tão discriminatório foi utilizado no tratamento dado a estas árvores? Onde estão os técnicos da Câmara a quem foi ministrada, em Abril de 2009, a formação adequada para que “(…) se as árvores de Sintra pudessem ver-se ao espelho, gostassem da imagem reflectida e louvassem o cuidado posto na sua fisionomia saúde e preservação(...)”? “Coisas d’Árvores,” Abril 2009.
Por isso, decidiu o Clube de Tricô Conversa Fiada vestir simbolicamente estas nossas amigas.
Até quando vamos assistir a estes atentados? Só pela simples razão de que, em anos anteriores as podas foram assim efectuadas? Lamentamos profundamente a falta de cuidado que a Autarquia tem demonstrado em relação às nossas árvores, património natural fundamental para que Sintra esteja classificada pela UNESCO como Paisagem Cultural da Humanidade.
Clube de Tricô Conversa Fiada
..........
Mas que grande poda!...
O cenário arbóreo que aí vai pelas ruas da vila, resultante de intervenções levadas a cabo pela Câmara Municipal de Sintra, é perfeitamente lamentável. Por certo, ninguém teve em consideração as sábias palavras que passo a transcrever:
“(…) Qualquer supressão de que resulta um aspecto definitivamente mutilado da árvore, deve considerar-se inadmissível visto comprometer definitivamente a finalidade estética da planta ornamental. É preferível nesse caso a supressão pura e simples do indivíduo. Apenas se exceptuarão os casos raros de indivíduos vegetais ligados a factos históricos ou quando se pense que seja possível uma reconstituição aceitável da planta.
Normalmente os cortes devem fazer-se de modo a não se notarem. O maior elogio que se pode fazer a um podador de árvores ornamentais é que não se perceba que a árvore foi podada. A forma natural da árvore é perfeita e portanto não é necessário corrigi-la no sentido estético nem fisiológico (…)”
A Árvore em Portugal
Francisco Caldeira Cabral
Gonçalo Ribeiro Telles
Acrescentar o quê? Incompetentes, incapazes e outros adjectivos que a autarquia não regista na folha de avaliação anual dos responsáveis por desmandos que tais? Sabem, mais não é do que a casa gasta…
Entretanto, com este triste episódio, aprendi que o tricô também pode servir para o combate cívico na comunidade. A propósito, apetece aproveitar o tema musical da canção do José Mário Branco e cantarolar
o tricô é uma arma,
e eu não sabia…
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