[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 10 de janeiro de 2012





[AT: O texto precedente, Richard Wagner, alguns passos maçónicos, deveria ter ocupado o lugar deste]



Tannhäuser,
Bayreuth, 2011

Eis uma gravação vídeo do Acto III de Tannhäuser, do famoso Coro dos Peregrinos. Sempre que, de vez em quando, vos escrevo acerca do que procuro em Bayreuth, tento dar-vos uma percepção que se aproxime da que poderão aceder através da audição deste excerto.

Por acaso, quanto à imagem que se mantém ao longo da peça, deixem-me confessar-vos que até é pouco ilustrativa da grandiosidade do momento da ópera ao qual se reporta. A cena que se vive no palco é perfeitamente avassaladora.

Aquilo que ouvem – a componente instrumental e as vozes, produzidas por intérpretes do mais alto gabarito em qualquer parte do Mundo – isso sim, é inequivocamente grandioso e sublime. Como já vi esta mesma produção, posso partilhar convosco a opinião de que me desagrada a encenação, muito controversa, para não variar em relação ao que vem acontecendo em Bayreuth nos últimos anos…

Contudo, poder lá estar e viver momentos absolutamente inesquecíveis como este, constitui um privilégio quase indescritível.A propósito da estridente e desafinadíssima polémica dos últimos dias, gostaria ainda de lembrar que Richard Wagner, o supremo obreiro desta sublime beleza, pretendeu entrar na Maçonaria. E, apesar de várias tentativas informais foi liminarmente dissuadido.

É uma história muito interessante que bem dava pano para algumas mangas… Assim, sem entrar em detalhes, fiquem sabendo que, para ser admitido na Augusta Ordem Maçónica, preciso é que o candidato seja considerado «livre e de bons costumes». E, de facto, Richard Wagner não reunia essa condição sine qua non.

Boa audição!

http://youtu.be/H_IOgXH5po8

Bayreuther Festspiele 2011: Tannhäuser: Akt 3 Pilgrim's Chorus




[AT: Este texto deveria ter ocupado o lugar do que está publicado acima]



Richard Wagner,
alguns passos maçónicos


Provavelmente, acicatados pela referência à Maçonaria, no texto publicado há minutos, acerca da vontade que Richard Wagner manifestou no sentido de ingressar na Augusta Ordem, gostariam os meus amigos de saber que, de facto, o compositor esteve sempre muito próximo.

E não é que, de repente, me lembrei ter sido nos primeiros dias de Janeiro de determinado ano da década de trinta, quando Wagner andaria pelos seus vinte e poucos anos, que participara em determinado concerto promovido por uma Loja Maçónica? Pois, apesar de certas falhas muito incómodas, a memória ainda não me atraiçoa completamente.

Consultando apontamentos na papelada que vou acumulando quando estou em Bayreuth e por lá ando a vasculhar, acabei por encontrar o que me suscitara o vislumbre referido.A surpresa maior foi quando verifiquei que o evento coincide com a data de hoje!

Mais uma das coincidências em que a minha vida é farta. Permitam-me um parêntesis para convosco partilhar o facto de, cá por casa, ser vítima de todas as brincadeiras que possam imaginar devido à ocorrência de coincidências deste género…

Pois, então, foi num dia 10 de Janeiro de 1835, data em que Richard Wagner ainda não tinha feito vinte e dois anos – o seu aniversário é a 22 de Maio – faz hoje, precisamente, cento e setenta e seis anos, que o compositor dirigiu a Abertura da sua ópera Die Feen, no âmbito de um concerto organizado por um tal senhor Lafont, promovido pela Loja Maçónica Ferdinand zur Glückseligkeit de Magdeburg, cidade onde o jovem Wagner manteve um posto de trabalho.

Já que entrei neste pormenor, então ainda faltará acrescentar que, três dias passados, lá foi tocada a Abertura que Wagner compusera para uma peça de Wilhelm Schmale, escrita para assinalar o Novo Ano.

Cumpre ainda assinalar que Ludwig Geyer, padrasto de RW (que alguns biógrafos consideram poder ser, afinal, o verdadeiro pai do grande mestre), tinha sido iniciado, em 1804, na acima referida Loja que, juntamente com outra oficina maçónica, a Harpokrates, desempenhavam destacado papel na vida musical daquela cidade.Fica desde já prometido que, muito brevemente, vos proporei um texto acerca das relações de óperas de Richard Wagner com o universo maçónico, nomeadamente Lohengrin e Parsifal. Esta última, aliás, inclui referências interessantíssimas de coincidência com Die Zauberföte de Mozart.

Portanto, para já, aí têm a Abertura de “Die Feen”. Boa audição!

Richard Wagner - Die Feen, Ouvertüre 2/2 http://www.youtube.com/

Die Feen, Ouverture, german opera in three acts. Music and text by Richard Wagner (1813-1883). Conductor: Wolfgang Sawallisch & Bavaria State Orchestra.



sábado, 7 de janeiro de 2012



Dia de Reis

Este é o coro inicial da parte da Oratória de Natal de J. S. Bach que se relaciona com a data que hoje celebramos. A proposta de audição que vos trago é de altísssima qualidade. E até o cenário da Frauenkirche da cidade de Dresden é verdadeiramente assombroso. Tudo para maior glória de Deus e para benefício de todos, mesmo dos ateus e agnósticos. Ouçamos e rejubilemos!


http://youtu.be/ojAjYfafyjk
Frauenkirche Dresden J.S.Bach WO BWV 248 Teil 6 Nr. 54 Chor

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012




[Por favor, não avancem já para a cantata maçónica cuja audição vos proponho. Não, primeiramente, leiam o texto. Depois, escutem a peça composta pelo Mestre Maçon mais famoso da História da Cultura Ocidental. E, para que dúvida alguma subsista, tenham a certeza de que a matéria suscitada pelo meu texto e a peça musical do divino Mozart são tão indissociáveis como dois Irmãos Maçons o deveriam ser...]




Maçonaria, na berlinda



A propósito das notícias ontem e hoje divulgadas por toda a comunicação social, acerca da actividade mais ou menos controversa de determinados maçons, no contexto do serviço que prestam ou prestaram a entidades da Administração Pública, revela-se absolutamente imperioso que as duas principais obediências da Maçonaria, nomeadamente, o Grande Oriente Lusitano Maçonaria Portuguesa (GOL) e a Grande Loja Regular de Portugal (GLRP) desencadeiem as medidas indispensáveis ao esclarecimento.

A primeira analogia que imediatamente ocorre é com a Igreja Católica Apostólica Romana. Não tão raro quanto se julga, nos termos do Direito Canónico, chega a Igreja ao ponto de suspender e ou excomungar leigos ou membros do clero que, por palavras, actos e omissões se tenham colocado fora do cânone. Trata-se de um mecanismo de defesa daquilo que, ao nível do respeito pelos valores e princípios essenciais, a hierarquia considera ser imprescindível assegurar.

E, após a referência à analogia, volto à carga inicial. Ainda que não pretendendo referir casos específicos, cumpre lembrar que a Maçonaria dispõe de instâncias de Justiça que lhe permitem analisar e decidir se o comportamento de alguns dos seus membros é passível da aplicação de determinadas sanções. Nestes termos, julgo impor-se que, através dos meios que forem considerados mais convenientes, tais entidades satisfaçam a necessidade de separar o trigo do joio.

Com o acumular de episódios e casos mais ou menos lamentáveis, mais ou menos polémicos e controversos, neste momento, embora privilegiando uma linha de actuação discreta, a Maçonaria já não pode eximir-se a algumas satisfações ao mundo profano, ou seja, à sociedade em geral. Se não o fizer, a tempo e horas, preferindo ignorar o que é manifesto, continuará a fornecer a matéria inflamável de que a comunicação social está ávida.

Ora bem, os desígnios da atitude de discrição – que jamais podem autorizar se instale uma confusão como a que reina actualmente – são totalmente avessos a esta permanência na berlinda da Maçonaria que, ao fim e ao cabo, é a primeira e principal vítima de comportamentos que não a dignificam.

No entanto, se me demonstrarem que, muito pelo contrário, estarei totalmente enganado e que a estratégia há anos em vigor, portanto, de que a manutenção do statu quo é benéfica ao percurso maçónico dos membros da Augusta Ordem, então retiro tudo o que acabo de escrever e remeto-me ao silêncio donde saí apenas para manifestar esta opinião.



http://youtu.be/scSHRaIYv5A

http://www.youtube.com/
Wolfgang A. Mozart (1756-1791) Werner Hollweg, tenor, Ambrosian Singers and New Philharmonia Orchestra conducted by Edo de Waart

terça-feira, 3 de janeiro de 2012



Mozart, KV 533,
interpretação excepcional


A Sonata para Piano KV 533 em Fá Maior, faz hoje anos. Deu entrada no catálogo manuscrito de Mozart, datada de Viena, aos 3 de Janeiro de 1788. Daquela peça vos proponho o Andante, na especialíssima interpretação de Mitsuko Uchida, talvez a grande pianista mozartiana dos nossos dias. O seu touché, a sofisticada noção do tempo justo e certo, o fraseado, são inultrapassáveis.

Vou estar com ela nos próximos dias na Mozartwoche em Salzburg onde, mais uma vez, permanecerá como artista residente. Não calculam o que com ela se aprende nas suas masterclasses, desvendando alguns dos mais insondáveis caminhos de Amadé.

Sempre que puderem, procurem as interpretações de Uchida. Mas comparem com as de outros pianistas que, sem grande critério, a publicidade das discográficas promovem. Actualmente, ao serviço de Mozart, ao mesmo nível que Uchida, apenas Brendel e Pollini.

Boa audição!


http://youtu.be/hWu62hOj2U4
Mozart- Piano Sonata in F major, K. 533 & 494- 2nd mov. Andante [K. 533]


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


O costume…

Para começar o ano numa disposição de contínua intervenção cívica que, em função das circunstâncias, seja o mais possível construtiva, gostaria de chamar a atenção dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento de Sintra, a Câmara Municipal de Sintra e a Junta de Freguesia de São Martinho de Sintra – entidades às quais, para todos os efeitos, remeterei cópia deste pequeno texto – para uma perda de água que, já há semanas, acontece.

Passa-se o caso a uns metros das instalações da EDP, no largo fronteiro à Quinta do Relógio. O precioso líquido brota do subsolo para correr pela berma do lardo esquerdo da Rua Trindade Coelho, em direcção à entrada da quinta cujo portão tem o número três, umas dezenas de metros abaixo. Perante tão significativa perda, espero que os serviços actuem rapidamente.

Além dos seus consumos domésticos, os munícipes liquidam taxas tão altas, com o objectivo de cobrir a necessidade de intervenções congéneres, que não podem nem devem ser confrontados com um escândalo que tal. Não é coisa de pouca monta e reflecte um tal estado de desleixo que não pode passar sem referência. Os SMAS, a CMS, a JF dispõem de meios bastantes para poderem acorrer. Por favor não demorem.

Se os descuidos não são aceitáveis seja em que circunstancias for, a austeridade em curso ainda menos o consente. Aliás, se a austeridade não for aproveitada como alavanca para melhorar a qualidade, a todos os níveis, não estaremos à altura do momento. Quem dera que tivéssemos políticos capazes de verbalizar esta pedagogia!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Negócio da China*

Perante manifestações de júbilo que apanharam políticos, banqueiros e gestores de copo de espumante na mão, celebrando o negócio da China, porque será que só consigo pensar nos milhões de crianças que, na China, não têm qualquer motivo para sorrir e cantar?

A ninguém responsável convirá lembrar que o dinheiro com que a Three Gorges vem pagar a parte do capital da EDP que acabou de comprar, provém de um país que se permite financiar-se e capitalizar através de muitos milhares de milhões de horas de exploração de trabalho infantil, da mais gritante e escandalosa privação dos direitos humanos e de monumentais atentados contra o equilíbrio da natureza?

São realidades que parece não perturbarem a digestão de ministros e banqueiros da treta que, despudoradamente, 'passam por cima'. Corre o espumante, fazem-se negócios que tais porque, afirmam, se agarrou aquilo que designam como «abertura de uma janela de oportunidade única». E, pronto, toca a banda!...

Quando o governo português resolveu dar esta vantagem aos chineses, esqueceu que podia ter dado uma «lição europeia» ao velho continente e esteve nas tintas para a ética que deve imperar na decisão política. Ética? Neste e noutros quejandos casos? Bem, no último dia do ano, o que eu devo é não estar bom da cabeça...

*Texto publicado no facebook em 31.12.11

sábado, 31 de dezembro de 2011


2012 -
Elevai o espírito, já!


Para início do Novo Ano, um famosíssimo cântico, na interpretação do coro juvenil da Catedral de Limburg. A esperança depositada num Novo Ano em que o poder de Deus aqui se partilha através de música especialmente inspirada.

À Maria do Rosário Billwiller, minha querida prima, uma especial palavra de gratidão por me ter sugerido momento tão adequado a esta véspera.

Von guten Mächten
[texto de Dietrich Bonheffer]

http://youtu.be/wsGu1vjSr3M

Von guten Mächten treu und still umgeben, behütet und getröstet wunderbar,
so will ich diese Tage mit euch leben und mit euch gehen in einen neurs Jahr.
Von guten Mächten wunderbar geborgen, erwarten wir getrost, was kommen mag. Gott ist mit uns am Abend und am Morgen und ganz gewiß an jedem neuen Tag.

Limburger Domsingknaben - "Von guten Mächten" www.youtube.com
Sintra,
uma lição


De facto, só agora, depois da meia-noite, tive oportunidade de visionar a reportagem completa da visita ministerial que está na origem do texto que aqui pubquei há cerca de meia hora...

Compreendi que Assunção Cristas veio conhecer e visitar exemplos de reablilitação de prédios no casco histórico. É um facto que há alguns bons exemplos. Sintra só tem que os multiplicar se quiser estar à altura do desafio.

De qualquer modo, sem razão para alterar o texto precedente, faço votos de que a referida deslocação tenha constituído oportunidade de colheita de elementos que, estou certo, o Prof. Fernando Seara não terá deixado de fornecer, no contexto das observações que subscrevi. É que, de facto, Sintra é uma lição...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011



Sintra,
arrendamento e reabilitação

Pequena nota, em cima do acontecimento. A Ministra do Ambiente, da Agricultura e da Administração do Território veio hoje a Sintra, precisamente no dia em que o país soube os contornos da Lei do Arrendamento. Há pouco, numa nota de rodapé que, teimosamente, permanecia no écran do televisor, podia ler-se que Assunção Cristas se deslocara à sede do nosso concelho a título de exemplo. De qualquer modo, terei sido levado a concluir que a deslocação ministerial se relaciona com preocupações de reabilitação urbana que, tão intimamente, se relaciona com uma boas Lei dos Solos e do Arrendamento .

Pois, na parte que me toca, como munícipe sintrense atento e muito sensibilizado para o universo de domínios em que se desdobra a actuação da Ministra, fico muito grato a Sua Exa. No entanto, como desconheço a que concreto exemplo se referia a tal nota de rodapé, faço votos no sentido de que a selecção de Sintra como exemplo tenha a ver com uma perspectiva tão abrangente quanto possível de acepções em que o conceito de reabilitação urbana deve ser conjugado.

Assim sendo, espero que a douta e polivalente governante comungue connosco, sintrenses, a ideia de que a recuperação do património imobiliário privado, em particular, e a reabilitação da urbe, em geral, numa vila com as características de Sintra, carece de estratégia que privilegie uma intervenção de articulação integrada, envolvendo sectores dependentes de vários departamentos da Administração Central e Local.

Infelizmente, como apontam a prática e experiência nacionais, o que domina é a proverbial dificuldade – para não considerar mesmo incapacidade – de trabalho interdepartamental e articulado. Bem pelo contrário, a nossa especialidade evidencia-se na capelinha ou na quinta de cada um. Porém, responsável pela gestão e administração de um megaministério como o seu, seria de esperar que começassem a aparecer os exemplos de intervenção com base na análise sistémica, âmbito em que casos como o de Sintra deveriam ser paradigmáticos. Terá passado por aqui a decisão de vir hoje a Sintra?

Será que, durante a visita se apercebeu, por exemplo, de que a reabilitação urbana também depende da resolução de complexos problemas, como o do estacionamento automóvel que, não podendo resolver-se no Centro Histórico, terá de pressupor a instalação de parques periféricos? Terá entendido que a reabilitação pressupõe diferentes registos de intervenção, consoante se trate de zonas que articulam com património edificado ou não?

No caso específico de Sintra, terá entendido aquilo que todos já sabemos, ou seja, que a sua extremamente significativa carga patrimonial – palácios, quintas, parques, áreas florestais, umas vezes de forma concentrada, nas três freguesias da sede do concelho, noutras à distância de dezenas de quilómetros, com uma serra pelo meio, ainda a braços com um microclima, a contas com uma orla marítima que é parte de um compósito território cujas marcas de ruralidade ainda são muito presentes – pressupõe distintos mas afins programas, sistemas e modos de intervenção a nível da reabilitação dos espaços?

Ah como eu gostaria de poder responder afirmativamente! É que, se assim fosse, talvez começasse a ter alguma esperança de que, entre nós, poderíamos estar a caminho de concretizar algumas das conclusões e recomendações do Congresso das Cidades Património Mundial que Sintra acolheu tão recentemente…