[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quinta-feira, 15 de março de 2012



Liszt,
intemporal


Podem procurar à vontade. Só nas mãos de Alfred Brendel esta peça tem tanta luz, só ele a consegue racionalizar deste modo, elevando-a à esfera do espiritual. Na mais nobre acepção da pianística lisztiana, o 'intelectual' Brendel desmaterializa esta "Bagatelle sans tonalité". Ouçam e repitam até a sentirem na «vossa tonalidade»...

Boa audição!

tp://youtu.be/cwS4kyGl1nE


Mozart,
duas Árias célebres [I]



Está visto que o dia 8 de Março era muito propício à manifestação do génio de Mozart no domínio das Árias de concerto. Com o intervalo de dez anos, datadas de 1781 e 1791, eis duas das mais interessantes composições do género, respectivamente, “Misera, dove son!“ – Ah! non son io che parlo“ para soprano, KV 369 e “Per questa bella mano” para voz de Barítono e Contrabaixo obligato, KV 612.

Portanto, estamos em presença não de uma mas de duas efemérides que nos cumpre celebrar através das melhores interpretações que me foi possível encontrar. Quanto à primeira, a opção «definitiva» é a de Gundula Janowitz. Como verificarão, com texto de Metastasio, nesta peça temos todo um curso de canto mozartiano. No meu caso pessoal, há quase cinquenta anos, lhe devo o melhor Mozart que ouvi desde então, sendo justo assinalar que faz parte de uma tríade de ouro, juntamente com a Schwarzkopf e Stich-Randall.

Aqui têm a primeira peça. A vossa atenção também para a segunda que vos é proposta, já de seguida, em post separado.Boa audição!

http://youtu.be/0AJ6M1EaQ6Q



Mozart,
Duas Árias célebres [II]



Quanto à segunda Ária, devo confessar-vos uma especial preferência. Neste caso, dentre as perfeitamente excepcionais características da composição, destacarei a mestria de Mozart no domínio daquele que, aparentemente, é o pesado contrabaixo, um quase mastodonte condenado à emissão dos mais graves registos das cordas que o compositor emancipa através de uma proposta fascinante.

Tenham em consideração que estamos em Março de 1791, o último ano da curta vida de Mozart.É a derradeira Ária de concerto que compõe. Ouçam como é possível fazer soar um contrabaixo, com tão inquestionável mas surpreendente ligeireza. E reparem como os graves registos do instrumento e da voz se encontram em terreno tão propício. Mozart, em Viena, começara a pensar em Die Zauberflöte [A Flauta Mágica].

Tinha à sua disposição a voz excepcional de Franz Gerl, o barítono que assumiria o primeiro desempenho de Sarastro e o virtuosismo de Friedrich Pichelberger, chefe de naipe dos contrabaixos da orquestra do Theater auf der Wieden onde aquela ópera seria estreada.

Acompanhem-me nesta obra sublime e verifiquem como o virtuosismo, quando não é apenas tecnicismo – aliás, absolutamente indispensável para atingir o efeito que Mozart pretende, através de uma imparável sucessão de arpejos e de cordas duplas em terças no contrabaixo – nos remete para as culminâncias da Arte mais cativante.

Nesta gravação que vos proponho Thomas Quasthoff é «a voz» e Christoph Anacker o contrabaixista. A orquestra é a da Staatskapelle Berlin dirigida por Julien Salemkour.Bom visionamento, boa audição!

http://youtu.be/00k1i07ys8A

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sócrates,
imensa cloaca


Alimentada por um esterco que parece não dar sinais de estancar, a imensa cloaca continua a encher. De modo algum, será caso para admirar. Aliás, alguém esperaria que, pelo facto de se ausentar para parte certa, o cidadão Sócrates deixaria de fornecer ao caneiro o manancial inesgotável de controvérsia e polémica que constituem a marca indelével de um protagonismo caracterizado pelas piores razões?

Faltava o episódio da deslealdade institucional? Provavelmente, faltava. Por vezes, nestas lusas paragens, como bem se tem verificado nas mais diversas ocasiões, só quando transborda o esgoto e já tudo fede em redor, obrigando o pessoal a pisar os dejectos, então se fecha a comporta por onde purga a trampa. No caso em apreço, infelizmente, parece não se ter alcançado ainda esse ponto…

Apesar de, num contexto político muito medíocre, o assunto já ter sido explorado até à náusea, na fase final do segundo governo que Sócrates chefiou, disso se tendo encarregado a rasteira classe política nacional, sempre muitíssimo bem acolitada por uma comunicação social de péssimo extracto, a questão foi agora inabilmente repescada por um Presidente da República que continua dando sobejas provas de falta de sentido de Estado, num momento totalmente desadequado.

Não tenho a menor dúvida em alinhar com todos quantos consideram que, de facto, o então Primeiro Ministro actuou em flagrante delito de deslealdade institucional . Também considero que, coerente e consequentemente, a o Presidente da República apenas restava a solução de demitir Sócrates. Afinal, por muito menos, Jorge Sampaio, esse sim, soube estar à altura da situação. Naturalmente, não o tendo feito em tempo oportuno, neste momento, a «resposta presidencial» parece coisa de senhora vizinha, ainda que sob a formal aparência de inclusa num prefácio dos anais de Belém…

No meio de tudo isto se evidencia um manifesto testemunho de ofensa – não ao cidadão Aníbal Cavaco Silva, mesmo na sua condição de Presidente da República – mas de deslealdade à própria República. Na realidade, no exercício das altas funções de Chefe do Governo, encarregado da condução da coisa pública [res publica, República] José Sócrates desrespeitou o juramento que oportunamente fizera quando se comprometera a exercer ‘com lealdade’ – faz parte da fórmula – as funções em que fora investido.

Provado ficou que José Sócrates foi desleal à República. Inequivocamente. A História já registou e, para sempre, assim se dirá e constará. No entanto, não menos claramente, a actuação do cidadão Aníbal Cavaco Silva, enquanto Presidente da República, pecou por desrespeito à República e à Constituição da República. Então não se comprometeu ele a cumprir e a fazer cumprir a Constituição da República? Então a assunção deste sagrado princípio não determinaria a liminar demissão do cidadão que protagonizou o episódio de deslealdade à República?

Como, em Portugal, nada é levado às últimas consequências, claro que a resposta só pode ser negativa. Por outro lado, como a cloaca não transbordou, não cheira muito mal e ainda ninguém está suficientemente atolado na porcaria, vai ser preciso aguardar pelos episódios da licenciatura feita às três pancadas que já voltou à baila, pelo andamento dos processos Face Oculta, Freeport e Cova da Beira cuja procissão ainda não saiu do adro e sei lá o que mais. O que não falta é matéria para parangonas de jornais e abertura de telejornais…

quarta-feira, 7 de março de 2012




CAMÉLIAS EM EXPOSIÇÂO


É com o maior gosto que divulgo a iniciativa cujo elucidativo detalhe me dispensa de maior introdução. Naturalmente, trata-se de um evento programado pela Parques de Sintra Monte da Lua. Como vem sendo habitual, de excelente qualidade, a informação chegou-me através da Coordenadora dos Serviços de Comunicação, Maria do Céu Alcaparra a quem, mais uma vez, saúdo.



Exposição de Camélias - Sintra 2012 (17-18 março)

As melhores Camélias expostas em Sintra



Exposição e Concurso nos Jardins do Palácio Nacional de Sintra

Quintas históricas e produtores expõem as suas melhores Camélias

Prémios: Melhor Camélia de origem Portuguesa e Melhor Camélia

Parceria Parques de Sintra, Pal. Nac. Sintra e Assoc. Port. de Camélias



A Parques de Sintra, o Palácio Nacional de Sintra e a Associação Portuguesa de Camélias apresentarão, a 17 e 18 de março, a II Exposição de Camélias – Sintra 2012. Esta exposição e concurso, a ter lugar no Palácio Nacional de Sintra, contará com diversas Quintas históricas e produtores de camélias, e incluirá a atribuição de prémios para os melhores lotes de flores apresentadas.

Assim, um júri composto por Dra. Joana Andresen Guedes (Presidente da Associação Portuguesa de Camélias), Prof. António Lamas, (Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra), e Dr. Inês Ferro (Diretora do Palácio Nacional de Sintra), bem como diversos especialistas em Camélias, irá avaliar a qualidade e beleza (como critérios de avaliação) dos lotes de flores apresentadas, atribuindo prémios não só para a Melhor Camélia como para a Melhor Camélia de uma variedade de origem Portuguesa.

Até Abril, os parques, quintas e jardins de Sintra são animados pelas graciosas flores das “japoneiras”, sendo estas o ex-libris do Inverno sintrense, motivo para bailes e festas. A introdução de Camélias em Sintra (Parque da Pena) e o gosto pelo cultivo de variedades no século XIX deveu-se fundamentalmente a D. Maria II e a D. Fernando II.

Muitas destas variedades foram batizadas com nomes de membros da Família Real, em reconhecimento e como forma de divulgação das Camélias em todo o país, sobretudo no Norte, onde o clima era também favorável ao seu cultivo. Assim, encontramos rainhas, ‘Dona Maria II, Rainha de Portugal’ (1865, vermelha – cor de cereja), ‘Dona Maria Pia, Rainha de Portugal’ (branca virgem com riscas de carmesim); princesas: ‘Princeza D. Amelia’ (1865, branca pura), ‘Princeza Real’ (1865, vermelha – cor de cereja com manchas brancas); os infantes: ‘Dom Carlos Fernando (Príncipe Real)’ (1865, cor de rosa delicado), ‘Infante Dom Augusto’ (1865, cor de rosa com riscas brancas); e os reis e imperadores: ‘Dom Pedro V, Rei de Portugal’ (1872, branca pura com marcas e riscas cor de rosa), ‘Dom Pedro, Imperador do Brazil’ (1865, branca com riscas carmesim), e não faltando a Condessa d’Edla (1872, branca pura).

Em Sintra, a presença de Camélias é ainda hoje muito importante, e esta exposição vem permitir a promoção científica da enorme coleção de Camélias existente na área. Estas coleções são objeto de estudo, classificação e recuperação com o objetivo de vir a ser os mais importantes acervos de variedades históricas portuguesas no sul do país.



Horário:

17 de março - 14h30 - 17h30
18 de março - 10h00 - 17h30

Entrada livre nos jardins do Palácio Nacional de Sintra

Informações ao público: 21 923 73 00 / npa@parquesdesintra.pt



segunda-feira, 5 de março de 2012



Hojotoho!!

Provavelmente já conhecerão este episódio. Tal como no caso do video anterior, aconteceu durante a gala do jubileu dos 25 anos de James Levine na direcção do Met de New York. A História da Música também se faz a partir de eventos como este.

Birgit Nilsson que vi e ouvi várias vezes - uma das quais em Lisboa, no São Carlos, na única récita de "Crepúsculo dos Deuses" que cantou em Lisboa, se não me engano, em 1977, ainda contratada por João de Freitas Branco - foi «só» a grande voz, não só wagneriana, do século vinte. Escutem as palavras da diva ao maestro.

Mesmo no fim deste documento, aos setenta e oito anos, ouçam um ar da sua graça... Porém, aqui, o que conta é o belíssimo testemunho de amizade e de cumplicidade na Arte.


http://youtu.be/aQQY6GP5Pn0


Nilsson verdiana

Bem, já que estou numa de Nilsson, a provar que não era apenas a proverbial wagneriana, ei-la, verdiana, em Lady Macbeth, 'Nel di della vittoria'. Uma lição!


http://youtu.be/xHdaUASO9Pc


Génio

Não, não estou numa de 'mano-a-mano'. Comparar Callas e Nilsson? Precisamente, na mesma Ária, é verdade, mas sem esse exercício de comparação. O génio é único. Incomparável. E, neste caso, como podem verificar, o génio também erra. Callas errava bastante mas não deixava de ser genial...

http://youtu.be/8oOZmKbNMDI


E a Verrett?

Sempre na mesma Ária. Esta produção do Abbado/Strehler é considerada perfeitamente antológica. No entanto, há quem considere que, apesar da voz fabulosa, Shirley Verrett não «mordia» suficientemente as palavras desta cena ímpar, escapando-lhe o efeito da malícia absoluta que a personagem transpirava por todos os poros. Olhem que não deixa de ser uma douta opinião.


http://youtu.be/i6wpV4_g84M


Verrett vs Verrett?

Quando fizerem comparações, tenham em consideração como cantar no contexto de uma produção no palco é diferente de um concerto, como neste caso. E, por favor, não façam comparações com gravações em estúdio.


http://youtu.be/5I4wBGRHoI8



Nel di della vittoria,
como «ler» x 4?

Sendo admissível pronunciarem-se acerca de cada uma das anteriores quatro propostas, concedam a possibilidade de, igualmente, as entenderem como integrantes de uma infinitude poligonal de hipóteses. Contudo, no caso vertente, para comodidade de análise, a perspectiva do ilimitado confinou-se, reduziu-se a um aspecto tetraédrico.








sexta-feira, 2 de março de 2012

Arvo Pärt,
“Fratres”


Começo pelos intérpretes, Hortus Musicus, um conjunto de música de câmara da Estónia, fundado há precisamente quarenta anos por Andres Mustonen que, na altura, estudava violino no Conservatório de Tallin.

O grupo especializou-se na designada Música Antiga, privilegiando o canto gregoriano, os motetes, música do renascimento, incluindo canções e vilancicos franceses, madrigais italianos, etc. Outra vertente do seu empenho concentra-se no reportório de peças contemporâneas que, em muitas circunstâncias, lhe foram expressamente dedicadas.

Naquele último contexto, se inclui “Fratres”, a peça cuja audição vos proponho. Trata-se de música extremamente ‘simples’, qual sucessão de acordes, alternando com secção de percussão, ao longo da qual vão ocorrendo mudanças que resultam de mínimas mas muito sofisticadas alterações no ritmo e na dinâmica.

Para onde nos leva Pärt? Certamente que para uma plataforma de 'religiosidade' em que, com Hortus Musicus, os próprios instrumentos também propiciam uma significativa vertente de viagem no tempo, muito enriquecedora da verdade da obra que, na sua universalidade, não tem tempo.

Boa audição!

http://youtu.be/dMz_rEr372M
Gala Mozart


Aí têm a oportunidade de assistir a um evento absolutamente excepcional, um daqueles que só é possível em Salzburg. Estamos em Salzburg, por altura do 250º aniversário de Mozart.

Orquestra Filarmónica de Viena, maestro Daniel Harding. Vozes de Anna Netrtebko, Ekaterina Siurina, Magdalena Kozena, Michael Schade, Patricia Petibon, René Pape, Thomas Hampson.

Uma rara concentração de tantos talentos. A vossa especial atenção para Michael Schade. Este é «o» tenor mozartiano em toda a acepção do termo.[aparece aos 13' 33'']. Já não é a primeira vez que o destaco. Merece, de facto. É um paradigma no reportório mozartiano.

Boa audição!

ttp://youtu.be/9_kAJyHdc48A Mozart Gala from Salzburg
youtu.be

Mozart,
outra efeméride

Com texto de Metastasio, uma Ária datada de Milão, primeiro de Março de 1770. Aos quatorze anos, apenas mais uma peça de confirmação do génio. Neste registo, Lucia Popp, irrepreensível.

Boa audição!

http://youtu.be/s6nvdWQzqk0
Mozart - Aria for Soprano and Orchestra "Per pietà, bell'idol mio" in C KV 78 - Andante con moto
youtu.be


quinta-feira, 1 de março de 2012


Parsifal,
o máximo


Ora aqui têm os meus amigos uma leitura do Prelúdio ao primeiro acto de "Parsifal" de Richard Wagner. É Barenboim quem conduz a estupenda Orquestra do Festival de Bayreuth que, como sabem, é constituída pelos melhores músicos, provenientes das melhores orquestras alemãs, recrutados para o efeito do festival, entre fim de Julho e Agosto. Só por curiosidade, em 1987, tive oportunidade, em Bayreuth, de ouvir esta mesma ópera, sob direcção de Daniel Barenboim.
Lá mesmo, tenho ouvido outras melhores e outras piores abordagens de "Parsifal".

Não deixa de ser curioso que o grande 'arquitecto' que Richard Wagner também foi, tivesse pretendido que, no seu teatro, em Bayreuth, nem orquestra nem maestro aparecessem aos olhos do público no sentido de evitar um factor distractivo e que, nesta gravação, toda a atenção esteja focalizada no maestro...Enfim, não deixa de constituir uma certa forma de perversão dos propósitos do Wagner, grande demiurgo.

Quanto à música, chamaria a vossa atenção para a concepção helicoidal, no sentido ascencional, que, desde os primeiros acordes, nos vai elevar à plataforma superior onde, durante horas, permaneceremos imunes à contaminação dos parasitas com que a mundana realidade nos afecta a todo o momento.

Talvez fosse esta - ou, melhor, não só este início mas toda a ópera "Parsifal" - a grande obra dentre toda a Música que conheço, a levar para não sei onde se apenas uma me fosse permitido. Está lá tudo como, por exemplo, a nível da Literatura, o mesmo acontece com "Guerra e Paz" de Tolstói ou "À la Recherche du Temps perdu" de Proust.

Boa audição!

http://youtu.be/7w17MamPY7A
Wagner - Parsifal Act I Prelude_1 youtu.be



Comparando [I]

Venho propor-vos um exercício de comparação. A mesma peça - Concerto para Piano e Orquestra No. 4 de Beethoven, segundo andamento - neste momento, na interpretação de Maria João Pires. Atenção que, já de seguida, terão Artur Pizarro. Mesmo com orquestras e maestros distintos, podem chegar a algumas conclusões.

http://youtu.be/J5oC5_RCaSI
MARIA JOAO PIRES - RICARDO CASTRO - Beethoven
youtu.be


Comparando [II]


Pois. A Orquestra é estupenda, Sir Charles Mackerras a dirigir, enfim, não é bem a mesma coisa do que a Orquestra da Baía, sob a batuta de Ricardo Castro. Mas o exercício de comparação para o qual vos desafiei não é perverso. Concentrem-se e tirem as vossas conclusões.


http://youtu.be/HS4LgImLEg0
Artur Pizarro - Beethoven Piano Concerto No 4 mov II - Mackerras
youtu.be


Fim de comparação!

Naturalmente, jamais esperaria que, após a comparação entre as interpretações do desafio precedente, surgissem conclusões muito doutas, acerca do fraseado, do 'touché', do' legato' ou do 'rubato'...

Se qualquer intenção havia da minha parte, ia apenas no sentido de que, mesmo sem pressupor que aqui viria escrever qualquer comentário, o ouvinte interiorizasse a diferença. A impressão suscitada, essa, merecerá sempre reflexão. Outra coisa bem diferente mas natural e afim, será expressão resultante da mencionada reflexão. Essa será sempre mais simples quando verbalizada em grupo, portanto, presencialmente e, se possível, com a intervenção de um pivô, de um animador que introduza e propicie elementos de análise e facilite a partilha do caminho de acesso a mais conhecimento.

Finalmente, aquilo que considero um presente absolutamente extraordinário. Preparem-se porque vão aceder a uma leitura antológica e muito sábia da mesma peça, portanto, o 2º andamento do Concerto No. 4 de Beethoven, por Wilhelm Backaus, ainda hoje considerado o intérprete de referência desta obra.

Com esta excelente orquestra, a Sinfónica de Viena - atenção que não é a Filarmónica de Viena - e Karl Böhm a dirigir, é um momento de rara Beleza. Ah, pois muito naturalmente, deixa de haver qualquer hipótese de comparação...

Boa audição!

http://youtu.be/AceX_ilPDfs
Beethoven Piano Concerto n. 4 - II mvt. - Wilhelm Backhaus (Piano)
youtu.be