segunda-feira, 21 de maio de 2012
Em tempos de perturbação
(Texto inicialmente publicado no facebook no dia 27 do passado mês de Abril)
Esta “Missa in Angustiis” ou “Missa para Tempos de Perturbação” que foi composta por Joseph Haydn no Verão de 1798, período muito atribulado para a Áustria, acabou por ficar conhecida como “Missa de Nelson” porqu...e, provável e precisamente, no dia da sua primeira apresentação, em 15 de Setembro de 1798, o próprio compositor e o público de Eisenstadt terão sabido da derrota infligida por Lord Nelson à frota napoleónica na Batalha do Nilo e o subtítulo passou a vingar.
O Kyrie inicial é tremendo, desde logo construindo e comunicando um ambiente de terror e de perturbação. A interpretação está a cargo de Det Norske Blåsseensemble & Solistkor sob a direcção de Grete Pedersen.
Estará ao vosso critério a eventual conotação da audição desta obra - que Robbins Landon, o grande biógrafo de Haydn, qualificou como "(...) arguably Haydn's greatest single composition (...)" - com os perturbados dias que atravessamos...
Boa audição!
http://youtu.be/_YxuE7ZsOKY
Um trio de grande luxo
(Texto inicialmente publicado no facebook no dia 25 do passado mês de Abril)
No final de "Der Rosenkavalier" de Richard Strauss, o trio é um dos momentos mais famosos da ópera de todos os tempos. Tanto assim é que, ao pensar num famoso trio, logo este nos ocorre. É de uma tal exigência que s...ó admite a perfeição. Porque, caso contrário, se alguma coisa falha, não há salvação possível.
Por isso, ao propor-vos esse estupendo momento da História da Música, trago o melhor. Elisabeth Schwarzkopf, Christa Ludwig, Teresa Stich-Randall, a Philharmonia Orchestra sob direcção de Herbert von Karajan.
Deixem-me acrescentar a convicção de não ser provável que, em qualquer futuro, se consiga reunir vozes tão especiais como estas da 'Feldmarschallin', do 'Octavian' e da 'Sophie'. É o que pode designar-se, sem margem para qualquer dúvida como «o» autêntico trio de luxo.
Boa audição!
http://youtu.be/qLrPE2fqxPM
Miguel Portas,
à volta da sua morte
(Texto inicialmente publicado no facebook no dia 24 do passado mês de Abril)
Não me lembro que a morte de um outro político tenha suscitado um tão sintomático fenómeno de adesão nos pêsames. Bom seria que a avassaladora simpatia que se está a gerar à volta da morte deste homem pudesse constituir momento para a reflexão que se impõe.
Sem querer adiantar-me a esse processo, não posso deixar de concluir que, para já, parece indiciar uma implícita necessidade colectiva, qual seja a de apontar um caso excepcional mas paradigmático do que se espera do cidadão eleito, em contraponto aos medíocres políticos que, perversamente, temos vindo a eleger em processos eleitorais que tanto têm de legítimos como, afinal, de perversos...
Mozart,
mais outra efeméride (1)
mais outra efeméride (1)
Em 24 de Abril de 1788, no seu catálogo manuscrito [mais tarde KV 540a] Mozart dá entrada, da Ária ‘Dalla sua pace’, cujo texto é atribuído a Lorenzo da Ponte, para a récita vienense de “Don Giovanni”. Na alt...ura, Francesco Morella foi o dedicatário tenor e intérprete da peça.
Na proposta de audição que hoje vos apresento, Anton Dermota, um tenor de origem eslovena, mozartiano por excelência, é quem interpreta esta Ária, numa gravação com a Wiener Philharmoniker sob a direcção de Joseph Krips.
Reparem na clareza da dicção. A perfeição, além de muitos outros items, também pressupõe a emissão correcta de cada sílaba, para que não seja minimamente beliscada a percepção de cada palavra cantada.
Cantar Mozart? É isto! O paradigma é este.
Boa audição!
(1) Texto inicialmente publicado no facebook no dia 24 do passado mês de Abril
No aniversário de "Il Rè Pastore"
Em Salzburg, na noite de 23 de Abril de 1775, dá-se a estreia do ‘Dramma per musica’ “Il Rè Pastore”, KV 208, por ocasião da visita do Arquiduque Maximilian Franz, filho da Imperatriz Maria Teresia, ao P...ríncipe Arcebispo Hieronymus Joseph Franz de Paula, Conde Colloredo von Wallsee und Melz.
Constituída por Abertura e dois actos, terá sido adaptada por Gianbattista Varesco, capelão do Arcebispo, a partir de um libretto escrito por Metastasio em 1771, por sua vez baseado em “Aminta” de Torquato Tasso (1581).
Em Março do ano seguinte, o compositor aproveita a Abertura e a primeira Ária e, acrescentando-lhes um ‘Presto assai finale’, para compor a Sinfonia em Ré Maior K. 102 (213C).
Não tenho a menor dúvida de que ao propor-vos 'L'amerò, sarò costante', Ária do II Acto, por Elisabeth Schwarzkopf, numa gravação que remonta a 1946, com a Filarmónica de Viena, sob a direcção de Joseph Krips, estou a apresentar a melhor interpretação de sempre. Deleitem-se com esta pérola absoluta.
Boa audição!
http://youtu.be/CC-0Fv04yWU
(1) Texto inicialmente publicado no facebook no dia 23 do passado mês de Abril
‘Im Triebhaus’ (1)
Tal como ontem, mais "Wesendonk Lieder". Hoje, com Nina Stemme, uma excelente voz de soprano dramático. Tem-se vindo a impor como inequívoca wagneriana, mais uma das que, ao longo de décadas, a Suécia tem forn...
ecido a este específico universo do mestre de Bayreuth. Está acompanhada ao piano por Jozef de Beenhouwer.
Boa audição!
Hochgewölbte Blätterkronen,
Baldachine von Smaragd,
Kinder ihr aus fernen Zonen,
Saget mir, warum ihr klagt?
Schweigend neiget ihr die Zweige,
Malet Zeichen in die Luft,
Und der Leiden stummer Zeuge
Steiget aufwärts, süßer Duft.
Weit in sehnendem Verlangen
Breitet ihr die Arme aus,
Und umschlinget wahnbefangen
Öder Leere nicht'gen Graus.
Wohl, ich weiß es, arme Pflanze;
Ein Geschicke teilen wir,
Ob umstrahlt von Licht und Glanze,
Unsre Heimat ist nicht hier!
Und wie froh die Sonne scheidet
Von des Tages leerem Schein,
Hüllet der, der wahrhaft leidet,
Sich in Schweigens Dunkel ein.
Stille wird's, ein säuselnd Weben
Füllet bang den dunklen Raum:
Schwere Tropfen seh ich schweben
An der Blätter grünem Saum.
Tradução para Francês
Dans la serre
Couronnes de feuilles, en arches hautes,
Baldaquins d'émeraude,
Enfants des régions éloignées,
Dites-moi pourquoi vous vous lamentez.
En silence vous inclinez vos branches,
Tracez des signes dans l'air,
Et témoin muet de votre chagrin,
Un doux parfum s'élève.
Largement, dans votre désir impatient
Vous ouvrez vos bras
Et embrassez dans une vaine illusion
Le vide désolé, horrible.
Je sais bien, pauvres plantes :
Nous partageons le même sort.
Même si nous vivons dans la lumière et l'éclat,
Notre foyer n'est pas ici.
Et comme le soleil quitte joyeusement
L'éclat vide du jour,
Celui qui souffre vraiment
S'enveloppe dans le sombre manteau du silence.
Tout se calme, un bruissement anxieux
Remplit la pièce sombre :
Je vois de lourdes gouttes qui pendent
Au bord vert des feuilles.
(1) Texto inicialmente publicado no dia 22 do passado mês de Abril
http://youtu.be/GQeZ9gFM1cw
Hochgewölbte Blätterkronen,
Baldachine von Smaragd,
Kinder ihr aus fernen Zonen,
Saget mir, warum ihr klagt?
Schweigend neiget ihr die Zweige,
Malet Zeichen in die Luft,
Und der Leiden stummer Zeuge
Steiget aufwärts, süßer Duft.
Weit in sehnendem Verlangen
Breitet ihr die Arme aus,
Und umschlinget wahnbefangen
Öder Leere nicht'gen Graus.
Wohl, ich weiß es, arme Pflanze;
Ein Geschicke teilen wir,
Ob umstrahlt von Licht und Glanze,
Unsre Heimat ist nicht hier!
Und wie froh die Sonne scheidet
Von des Tages leerem Schein,
Hüllet der, der wahrhaft leidet,
Sich in Schweigens Dunkel ein.
Stille wird's, ein säuselnd Weben
Füllet bang den dunklen Raum:
Schwere Tropfen seh ich schweben
An der Blätter grünem Saum.
Tradução para Francês
Dans la serre
Couronnes de feuilles, en arches hautes,
Baldaquins d'émeraude,
Enfants des régions éloignées,
Dites-moi pourquoi vous vous lamentez.
En silence vous inclinez vos branches,
Tracez des signes dans l'air,
Et témoin muet de votre chagrin,
Un doux parfum s'élève.
Largement, dans votre désir impatient
Vous ouvrez vos bras
Et embrassez dans une vaine illusion
Le vide désolé, horrible.
Je sais bien, pauvres plantes :
Nous partageons le même sort.
Même si nous vivons dans la lumière et l'éclat,
Notre foyer n'est pas ici.
Et comme le soleil quitte joyeusement
L'éclat vide du jour,
Celui qui souffre vraiment
S'enveloppe dans le sombre manteau du silence.
Tout se calme, un bruissement anxieux
Remplit la pièce sombre :
Je vois de lourdes gouttes qui pendent
Au bord vert des feuilles.
(1) Texto inicialmente publicado no dia 22 do passado mês de Abril
http://youtu.be/GQeZ9gFM1cw
Sintra Museu de Arte Moderna,
que futuro? (1)
Como não podia deixar de suceder, a eventualidade do encerramento do Sintra Museu de Arte Moderna-Colecção Berardo suscitou alguma perplexidade e natural preocupação. De facto, aparentemente, sem que nada o tivesse justificado, não é fácil entender como deixámos de contar com um d...ispositivo cultural que, inclusive, já fazia parte dos circuitos internacionais como pólo de interesse capaz de trazer a Sintra visitantes expressamente interessados nas suas exposições.
Nem de perto nem de longe será o Jornal de Sintra adequada tribuna à veiculação de especulações a propósito das razões que terão conduzido à actual situação. E, tanto mais assim é, quanto, ao longo de anos, por intermédio do próprio signatário, este mesmo jornal foi dando conta de eventos, invariavelmente de excelente qualidade, que o SMAM-CB promoveu sob a direcção da Dra. Maria Nobre Franco.
Portanto, nada vocacionados para conjecturas mais ou menos estéreis e inconsequentes, estamos preocupados, isso sim, em contribuir com ideias pertinentes e concretizáveis, de tal modo que os decisores políticos locais possam aproveitar para a formulação dos objectivos mais adequados ao futuro de instalações tão dignas e interessantes como as projectadas, para o antigo Casino, pelo saudoso Arquitecto Norte Júnior.
Equacionar um programa
Aquilo que nos permitimos avançar como hipótese de trabalho decorre do princípio de que o SMAM deve preservar a vocação que, no contexto da Arte Contemporânea, conseguiu conquistar a nível nacional e internacional. É que, no passado recente, nesse universo da Arte do nosso tempo, Sintra e o SMAM concretizaram um investimento de tal modo evidente e importante, cujo montante é impossível quantificar, que não podem deixar de aproveitar, retirando os dividendos que for possível.
Contudo, tanto quanto é lícito prever, a Câmara Municipal de Sintra poderá articular os dignos espaços do SMAM com os do CCOC, já de referência nacional, constituindo tal solução uma evidente mais-valia para Sintra. Congressos com horizontes mais abrangentes, a disponibilização de algumas salas para exposições que se enquadrem na específica temática desses mesmos congressos, de outras para a realização de trabalhos em que seja necessário dividir os participantes, tudo isso é possível perspectivar. O leque é muito alargado e o desafio extremamente estimulante.
Será indispensável elaborar um programa, perspectivado a curto, médio e longo prazos, para um, três e cinco anos como respectivos horizontes temporais, cujo cronograma seja efectivamente praticável, em função dos escassíssimos recursos disponíveis, nos tempos de austeridade que atravessamos.
Desconhecendo em que situação estão as relações entre a Câmara Municipal de Sintra e a Colecção Berardo, muito difícil se revela, sequer fazer um exercício de hipóteses. Porém, partindo de uma probabilidade afirmativa, poder-se-ia pensar que, num primeiro ano de trabalho, provavelmente, mais não seria possível fazer do que manter um restrito núcleo «residente» de obras, periodicamente renovável.
Algumas hipóteses
Portanto, à Colecção Berardo «apenas» se solicitaria que mantivesse a vocação do Museu, disponibilizando um conjunto de peças, mediante contrapartida a definir, de tal modo que os custos em presença fossem o mais possível diluídos em operações de publicitação, promoção, divulgação e animação das obras, através de palestras, oficinas, jornadas temáticas, etc, cujos suportes evidenciassem, a título de publicidade, os interesses do coleccionador.
Por outro lado, poder-se-ia equacionar a hipótese de celebrar protocolos com algumas Escolas de Artes Plásticas de manifesto prestígio, públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, com o objectivo de disponibilizar o espaço do Museu de Sintra para a exposição temporária de obras de jovens finalistas premiados, dos cursos das diferentes artes, assim criando um lastro de referência a capitalizar no futuro. Julgo que é muito importante dar a entender que, apesar das sérias restrições actuais, Sintra pretende permanecer como terra profundamente preocupada com o futuro que os jovens representam.
Em simultâneo, e, partindo do princípio de que se torna imprescindível fomentar a interdisciplinaridade cultural – sempre privilegiando esta vertente de aposta nos jovens que revelem inequívocas capacidades artísticas – também seria de articular com as artes performativas, tais como as ministradas nos Conservatórios de Música, Escolas de Teatro, de Bailado, de Cinema, propiciando a realização de eventos, em conjugação de esforços com o CCOC, eventualmente, também por ocasião da edição anual do Festival de Sintra.
Comerciais & afins
Naturalmente, tudo isto seria perfeitamente conjugável com a rendibilização das instalações que, lamentavelmente, têm permanecido desactivadas, com prejuízo evidente do próprio figurino de promoção cultural que o SMAM/CB afirmou como sendo o seu. É neste contesto que deveria promover-se o funcionamento de um restaurante, de inequívoca qualidade, podendo revestir a modalidade do auto serviço, onde também fosse possível divulgar a gastronomia, vinhos e doçaria tradicional do concelho de Sintra. Naturalmente, de igual modo, seria indispensável contar com espaços afectos a cafetaria e loja do Museu.
Ainda neste domínio, não podemos deixar de repegar numa ideia que, já há alguns anos, ventilámos num artigo publicado no Jornal de Sintra. «Esplanada» seria a designação do espaço empedrado fronteiro ao edifício, ao qual se atribuiria o nome da primeira e única Directora do Museu, a Dra. Maria Nobre Franco, a quem Sintra tanto deve. E a Esplanada Dra. Maria Nobre Franco funcionaria mesmo como espaço de lazer, onde os visitantes pudessem usufruir o que é normal em espaços congéneres, com base na adjudicação da exploração da cafetaria.
Outra ideia iria no sentido de recuperar a que, em devido tempo, a própria Dra. Maria Nobre Franco concretizou, ou seja, o café-concerto, com todos os cuidados e pressuposto de animação de um pólo cultural com as características deste, com evidentes normas de segurança, de qualidade, de acesso reservado, etc. Afinal, como se verifica através da referência às iniciativas daquela direcção, nada disto constitui novidade. Basta prosseguir com soluções que, fruto de deficiente avaliação, não deveriam ter sido suspensas.
Finalmente, um «detalhe» absolutamente crucial, a questão do estacionamento. Pensamos que, pelo menos, durante os dias dos eventos, será indispensável reservar uma área adequada, por exemplo, no parque adjacente ao edifício do Departamento de Urbanismo, para onde os veículos particulares seriam canalisados, obviando as situações de confusão que, infelizmente, têm acontecido.
(1) Texto do artigo publicado na edição do Jornal de Sintra do passado dia 20 de Abril
'Sonhos' [1]
Como sabem, “Wesendonck Lieder” constituem um ciclo de cinco canções que Richard Wagner compôs com base em poemas de Mathilde Wesendonck. Não, não vou maçá-los com histórias aventando a possibilidade de o compositor ter tido um a...ffaire com a senhora, mulher de Otto Wesendonck, traindo a confiança de quem era seu protector, num período em que se refugiara em Zürich, num pequeno chalet na propriedade daquele casal, quando era alvo de perseguição política.
Tudo isso é secundário, circunstancial e, até, eventualmente redutor, em relação à maravilha destas peças subtituladas e apresentadas como ‘Cinco poemas de Mathilde Wesendonck para voz feminina e piano’. Conheço-as de cor. Ao escutá-las, especialmente em recital, de tão inspiradas, na sua explícita pulsão e elevação espiritual, tenho tido momentos de absoluta revelação, de verdadeira epifania.
Do conjunto da obra, Richard Wagner considerou duas das peças, dentre as quais esta que vos proponho, como ‘estudos’ para “Tristan und Isolde”. E, de facto, quem não reconhece em ‘Träume’ directos vislumbres do dueto de amor do II Acto daquela ópera?
Não me perguntem que razão me levou, precisamente hoje, a propor-vos ‘Sonhos’. O que pode isso interessar-vos? Já quanto à escolha da tradução para Francês, gostaria que soubessem obedecer à conclusão de que tenho muitos leitores, da minha faixa etária, para quem o Francês, muito mais do que o Inglês, continua a ser-lhes mais acessível.
Boa audição!
[Na versão proposta, a voz é de Anne Evans, ao vivo, nos Proms de 1994, a BBC National Orchestra of Wales sob a direcção de Tadaaki Otaka]
Träume
Sag, welch wunderbare Träume
Halten meinen Sinn umfangen,
Daß sie nicht wie leere Schäume
Sind in ödes Nichts vergangen?
Träume, die in jeder Stunde,
Jedem Tage schöner blühn,
Und mit ihrer Himmelskunde
Selig durchs Gemüte ziehn!
Träume, die wie hehre Strahlen
In die Seele sich versenken,
Dort ein ewig Bild zu malen:
Allvergessen, Eingedenken!
Träume, wie wenn Frühlingssonne
Aus dem Schnee die Blüten küßt,
Daß zu nie geahnter Wonne
Sie der neue Tag begrüßt,
Daß sie wachsen, daß sie blühen,
Träumend spenden ihren Duft,
Sanft an deiner Brust verglühen,
Und dann sinken in die Gruft.
Tradução para Francês
Dis, quels rêves merveilleux
Tiennent mon âme prisonnière,
Sans disparaître comme l'écume de la mer
Dans un néant désolé ?
Rêves, qui à chaque heure,
Chaque jour, fleurissent plus beaux
Et qui avec leur annonce du ciel,
Traversent l'air heureux mon esprit ?
Rêves, qui comme des rayons de gloire,
Pénètrent l'âme,
Pour y laisser une image éternelle :
Oubli de tout, souvenir d'un seul.
Rêves, qui comme le soleil du printemps
Baise les fleurs qui sortent de la neige,
Pour qu'avec un ravissement inimaginable
Le nouveau jour puisse les accueillir,
Pour qu'elles croissent et fleurissent,
Répandent leur parfum, dans un rêve,
Doucement se fanent sur ton sein,
Puis s'enfoncent dans la tombe.
[1] Texto inicialmente publicado no facebook no dia 21 do passado mês de Abril
http://youtu.be/cIbuCpjRA_E
A alegria dos maçons
Com texto de Franz Petran e composta por Mozart em 20 de Abril de 1785, em honra de Ignaz Born, Venerável da Loja Verdadeira Harmonia, eis a Cantata Die Maurerfreude KV 471.O tema musical inicial desta peça apresenta uma certa semelhança com o do Concerto para Trompa e Orquestra em Mi bemol Maior KV 447, aliás, como logo se evidencia pela coincidência da tonalidade. Importa destacar que Mi Maior é frequentemente utilizada por Mozart, com especial destaque na Flauta Mágica.
Boa audição!
http://youtu.be/I6u_lunZzXYMozart. Die Maurerfreude: "Sehen, wie dem starren Forscherange"
“Vathek”,
de Freitas Branco a Beckford, via Byron (1)
Ontem, a propósito do centésimo septuagésimo aniversário de Antero de Quental, transcrevi o soneto ‘Solemnia Verba’ que inspirou o compositor Luís de Freitas Branco à composição d...e um homónimo poema sinfónico.
Hoje, mantendo-me ainda em sintonia com Luís Freitas Branco, apetecia lembrar algumas memórias pessoais acerca desta figura incontornável da Cultura Portuguesa de todos os tempos. De memórias pessoais, na realidade, teria de alimentar tal escrito já que meu pai, seu aluno de Composição, no Curso de Ciências Musicais do Conservatório de Lisboa, foi quem me passou a riquíssima informação que retenho.
São episódios interessantes, não só decorrentes das suas relações com o mestre e amigo, mas também fruto da frequência do meio musical de Lisboa, de serões em casas onde se praticava boa música e da amizade com o filho João de Freitas Branco*, José Manuel Joly de Braga Santos, Luís Villas Boas, João Sassetti, Ramada Curto e outros.
São histórias que mantêm a enorme vivacidade da inesgotável verve do meu pai que, na realidade, carecem de divulgação. Considero, no entanto, ser trabalho de maior fôlego, que reservarei para um artigo a publicar oportunamente.
Ainda a propósito da inegável importância cultural de Freitas Branco para a compreensão do século vinte português, há sete anos, por ocasião da passagem de meio século sobre a data do seu falecimento, cheguei a julgar estarem reunidas condições para se concretizar a divulgação da sua excepcional, ecléctica e compósita obra, bem como de uma biografia que lhe fizesse a devida justiça. É inegável que muito se fez mas ainda não foi o que podia ter sido e deveria ter acontecido.
Entretanto, preciso é manter a atitude de divulgação permanente das suas composições. Volto ao segundo parágrafo deste escrito, em que vos escrevia sobre a minha ‘sintonia’ para vos propor a audição de “Vatek”, datada de 1913**, outro poema sinfónico que, como poderão verificar encerra belíssimas páginas de música que, lamentavelmente, permanecem desconhecidas ou apenas acessíveis aos ‘iniciados’.
Como sabem, escrito por William Beckford em 1786, “Vatek” é um romance de recorte gótico, cujo ambiente radica num certo pendor orientalizante da cultura europeia de fins do século dezoito, privilegiando enquadramentos de cunho sobrenatural. Em Vathek, Beckford mistura um cómico grotesco com aspectos desconcertantes, cultivando o horror, enquanto relata as bizarras aventuras do Califa.
Não deixa de ser interessante referir que, em 1809, na sua brevíssima passagem por Sintra, deslocando-se a Monserrate, Lord Byron recolhe elementos que introduz em duas estâncias de “Chide Harold’s Pilgrimage”. Dirigindo-se e a ‘Vathek’, num vocativo que coincide com o do autor da gótica obra, conta-lhe do estado de ruína em que foi encontrar a quinta e palácio que William Beckford alugara, por dois períodos descontínuos, entre 1794 e 1799…
Mas esta é matéria que também poderá ficar em carteira para outro escrito. Tantos são os cruzamentos dos fios deste infindável novelo de referências, que bem necessário é o discernimento para gerir tamanha informação. Para já, isso sim, a vossa atenção para a já anunciada proposta de hoje.
Boa audição!
*Luís de Freitas Branco era casado com D. Stela de Ávila Sousa mas João de Freitas Branco é filho de uma senhora empregada do Conservatório, portanto, de uma ligação extra-matrimonial.
**Muito supersticioso, avesso ao número 13, o compositor datou a obra de 1914…
de Freitas Branco a Beckford, via Byron (1)
Ontem, a propósito do centésimo septuagésimo aniversário de Antero de Quental, transcrevi o soneto ‘Solemnia Verba’ que inspirou o compositor Luís de Freitas Branco à composição d...e um homónimo poema sinfónico.
Hoje, mantendo-me ainda em sintonia com Luís Freitas Branco, apetecia lembrar algumas memórias pessoais acerca desta figura incontornável da Cultura Portuguesa de todos os tempos. De memórias pessoais, na realidade, teria de alimentar tal escrito já que meu pai, seu aluno de Composição, no Curso de Ciências Musicais do Conservatório de Lisboa, foi quem me passou a riquíssima informação que retenho.
São episódios interessantes, não só decorrentes das suas relações com o mestre e amigo, mas também fruto da frequência do meio musical de Lisboa, de serões em casas onde se praticava boa música e da amizade com o filho João de Freitas Branco*, José Manuel Joly de Braga Santos, Luís Villas Boas, João Sassetti, Ramada Curto e outros.
São histórias que mantêm a enorme vivacidade da inesgotável verve do meu pai que, na realidade, carecem de divulgação. Considero, no entanto, ser trabalho de maior fôlego, que reservarei para um artigo a publicar oportunamente.
Ainda a propósito da inegável importância cultural de Freitas Branco para a compreensão do século vinte português, há sete anos, por ocasião da passagem de meio século sobre a data do seu falecimento, cheguei a julgar estarem reunidas condições para se concretizar a divulgação da sua excepcional, ecléctica e compósita obra, bem como de uma biografia que lhe fizesse a devida justiça. É inegável que muito se fez mas ainda não foi o que podia ter sido e deveria ter acontecido.
Entretanto, preciso é manter a atitude de divulgação permanente das suas composições. Volto ao segundo parágrafo deste escrito, em que vos escrevia sobre a minha ‘sintonia’ para vos propor a audição de “Vatek”, datada de 1913**, outro poema sinfónico que, como poderão verificar encerra belíssimas páginas de música que, lamentavelmente, permanecem desconhecidas ou apenas acessíveis aos ‘iniciados’.
Como sabem, escrito por William Beckford em 1786, “Vatek” é um romance de recorte gótico, cujo ambiente radica num certo pendor orientalizante da cultura europeia de fins do século dezoito, privilegiando enquadramentos de cunho sobrenatural. Em Vathek, Beckford mistura um cómico grotesco com aspectos desconcertantes, cultivando o horror, enquanto relata as bizarras aventuras do Califa.
Não deixa de ser interessante referir que, em 1809, na sua brevíssima passagem por Sintra, deslocando-se a Monserrate, Lord Byron recolhe elementos que introduz em duas estâncias de “Chide Harold’s Pilgrimage”. Dirigindo-se e a ‘Vathek’, num vocativo que coincide com o do autor da gótica obra, conta-lhe do estado de ruína em que foi encontrar a quinta e palácio que William Beckford alugara, por dois períodos descontínuos, entre 1794 e 1799…
Mas esta é matéria que também poderá ficar em carteira para outro escrito. Tantos são os cruzamentos dos fios deste infindável novelo de referências, que bem necessário é o discernimento para gerir tamanha informação. Para já, isso sim, a vossa atenção para a já anunciada proposta de hoje.
Boa audição!
*Luís de Freitas Branco era casado com D. Stela de Ávila Sousa mas João de Freitas Branco é filho de uma senhora empregada do Conservatório, portanto, de uma ligação extra-matrimonial.
**Muito supersticioso, avesso ao número 13, o compositor datou a obra de 1914…
(1) Texto publicado no facebook no dia 19 do passado mês de Abril
http://youtu.be/-DSgY29dSdA
Luís de Freitas Branco | Vathek (2/3)Variações II, III e IV Fotografias de Monserrate (José Lima, António José Ribeiro e Nuno de Sousa, in olhares.aeiou.pt)
Luís de Freitas Branco | Vathek (2/3)Variações II, III e IV Fotografias de Monserrate (José Lima, António José Ribeiro e Nuno de Sousa, in olhares.aeiou.pt)
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