quinta-feira, 31 de maio de 2012
Oboé em destaque
Pedro Ribeiro, o excelente oboísta português, solista da Orquestra Gulbenkian, vai estar em grande destaque nos dias 29 e 30 de Novembro, já na próxima temporada Gulbenkian, quando interpretar a obra da qual hoje vos trago um excerto.
Trata-se do"Concerto em Ré Maior para Oboe and Pequena Orquestra, AV 144, TrV 292", uma das últimas obras composta por Richard Strauss em 1945, quase no fim da vida. A composição foi-lhe sugerida por um militar (GI) americano que, na vida civil, tinha sido oboísta principal na Orquestra de Pittsburgh e que se encontrou com o compositor, depois de terminada a guerra, enquanto ainda permanecia na Alemanha.
Richard Strauss, que jamais compusera um concerto para o instrumento, aceitou o desafio e a peça acabou por ser estreada em 26 de Fevereiro de 1946 em Zürich, em 26 de Fevereiro de 1946, pela Tonnhalle Orchester, sob a direcção de Volkmar Andra e Marcel Saillet como solista.
A minha proposta de audição vai para este divino 'Andante', segundo andamento do concerto em questão, na interpretação de Alex Klein com a Chicago Symphony Orchestra. Lembrem-se das “Últimas Quatro Canções” e não deixarão de concluir como tão análogo é o ambiente.
Boa audição!
http://youtu.be/t-PxJm5Jmgk
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Buchbinder,
em Lisboa, na próxima Primavera
Rudolf Buchbinder que, sem margem para qualquer dúvida, figura entre os grandes pianistas que, nos tempos actuais, fazem o melhor Beethoven, estará em Lisboa, nos dias 20 e 21 de Março de 2013, na próxima temporada da Gulbenkian, no âmbito do ciclo dos designados 'concertos únicos', para interpretar a integral dos cinco concertos do compositor de Bonn.
Na perspectiva de assistir a momentos de grande elevação, aqui têm o Concerto ...para Piano e Orquestra No. 5 , em Mi Maior, Op. 73 'Imperador' - I. Allegro, II. Adagio un poco mosso
III. Rondo. Allegro ma non troppo - na leitura de Rudolf Buchbinder, que também dirige a Orquestra Filarmónica de Viena, num concerto ao vivo na Goldener Saal da Musikverein, em 2011.
Boa audição!
http://youtu.be/atCPmacJDDY
L. v. Beethoven - Piano Concerto No. 5 in E-flat major, Op. 73 "Emperor" (Buchbinder, VPO)
domingo, 27 de maio de 2012
Qualidade & saudade
Ainda se lembram de Cornell Macneil, o barítono americano que morreu no ano passado? Pois, o «seu» Jack Rance, de "La Fanciulla del West" de Puccini, na gravação para a Decca, foi considerado o melhor momento da sua carreira.
Testemunho desse sucesso, aqui vos trago uma gravação que, quase posso afiançar, deve tratar-se daquela que ainda tenho em vinil, datada de 1958, com Renata Tebaldi, Mario del Monaco, Cornell MacNeil, Piero de Palma, Giorgio Tozzi, Coro & Orchestra dell'Accademia di Santa Cecilia, sob a direcção de Franco Capuana.
A voz de Cornell Macneil está quase esquecida mas, no meu caso, permanece em absoluta referência, também nalguns famosos desempenhos de óperas de Verdi. Continuo a ouvi-lo no meu pick up, à mistura com um risquito ou outro, que nenhuma impressão me causa, devo confessar-vos.
Aliás, muito pelo contrário. Ao pegar neste e em muitos outros discos de 33 rpm - que o meu pai importava directamente dos Estados Unidos, para si e para uma roda de amigos ilustres, como João de Freitas Branco, João Sassetti, Luís Villas Boas, Duarte Borges Coutinho (Praia), Luís Pignatelli e mais alguns - ao ouvir relíquias como esta, é a qualidade de belíssimas gravações que ressalta, é a prova acabada do bom gosto do meu pai e dos seus companheiros, e tudo isto colado a uma indizível saudade.
Ouçam este excerto, da ária 'Minnie, dalla mia casa' da mencionada ópera e digam-me se não tenho razão.
Boa audição!
http://youtu.be/B5sl-iBDjjI
sábado, 26 de maio de 2012
A Sul, nada de novo…
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Básico...
Portugal, que não é um pais sequer próximo da média europeia, há
décadas que vem sendo governado como se o fosse, ignorando que a vigente taxa
de analfabetismo, equivale a cerca de um milhão de cidadãos. Aliás, condicionado por matriz tão limitativa, é que o país também
continua a evidenciar resultados tão negativos.
Tão elevado número de pessoas constitui não uma ilha mas, isso
sim, um arquipélago de subdesenvolvimento,
espantosamente disseminado no tecido social, uma vez que a cada analfabeto correspondem
mais dois/três indivíduos que, de algum modo, também foram e/ou são afectados
pelo fenómeno.
A meio da década de oitenta do século passado, tendo havido vergonha de escancarar à devassa europeia, as entranhas de um país atrasado, Portugal parou o investimento na Educação de Base de Adultos, como era inequivocamente necessário, comprometendo todo o trabalho concretizado previamente, na sequência do Vinte e Cinco de Abril.
Passou-se para um regime de Liberdade mas, como se impediu que os cidadãos se preparassem para a vida em Democracia, comprometeu-se todo um programa de desenvolvimento sustentado na mudança de mentalidades e o resultado plasma-se nas inquietantes perversidades em que o regime democrático português é tão fértil.
Nestes termos, a República não pode dispensar o funcionamento de
uma Comissão Nacional Interministerial promotora das medidas afins à Educação
de Base de Adultos, privilegiando a intervenção interdepartamental, nos termos
de um cronograma justo e ajustado às características socioculturais do país.A meio da década de oitenta do século passado, tendo havido vergonha de escancarar à devassa europeia, as entranhas de um país atrasado, Portugal parou o investimento na Educação de Base de Adultos, como era inequivocamente necessário, comprometendo todo o trabalho concretizado previamente, na sequência do Vinte e Cinco de Abril.
Passou-se para um regime de Liberdade mas, como se impediu que os cidadãos se preparassem para a vida em Democracia, comprometeu-se todo um programa de desenvolvimento sustentado na mudança de mentalidades e o resultado plasma-se nas inquietantes perversidades em que o regime democrático português é tão fértil.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Ana Maria Bénard da Costa,
Foi na tarde do passado dia 16, na
Escola Secundária de Santa Maria em Sintra, que o Sindicato dos Técnicos,
Administrativos e Auxiliares de Educação, Sul e Regiões Autónomas, membro da
FNE/UGT, levou a efeito a primeira iniciativa de um ciclo dedicado à abordagem
de assuntos inerentes a vários domínios do Sistema Educativo. Desta vez,
considerou aquele Sindicato que, para início do seu programa pluridisciplinar de
animação socioeducativa, fazia todo o sentido propiciar uma reflexão no âmbito
da Educação Especial.
De facto, no
conturbado período que atravessamos, a opção do STAAE-Sul por este «território
de preocupação», decorre da apreensão com que se assiste à tomada de decisões
que comprometem a prossecução dos objectivos que, há dezenas de anos, se
consideram significativas conquistas, consubstanciadas no modelo da denominada Escola Inclusiva. Tendo em consideração
que a inquietação afecta todos os agentes educativos, ainda mais inquestionável
se revelaria o interesse da reflexão em
apreço.
Em Portugal, se alguém
há que possa testemunhar, desde a sua génese e até ao momento actual, como se
processou a prática de inclusão de alunos com necessidades educativas especiais
no ensino regular e se implantou, radicou, desenvolveu até adquirir estatuto
institucional, certamente que será Ana Maria Bénard da Costa, inequívoca mentora
do modelo, a quem o Sistema Educativo nacional reconheceu inquestionável
autoridade nacional.
Pois foi,
precisamente, Ana Maria Bénard da Costa quem o STAAE, Sul convidou com o intuito
de que apresentasse público testemunho do que foi a sua vida em defesa de causa
tão nobre. E, de facto, pretendendo abranger, indistintamente, professores e
pessoal de apoio educativo, o STAAE-Sul conseguiu congregar no grande auditório
da referida escola um atento grupo de várias dezenas de participantes que, muito
interventivos, se envolveram na proposta que lhes foi
presente.
Após as palavras de boas vindas a
cargo da professora Maria da Conceição
Coelho, Subdirectora da Escola Secundária de Santa Maria e de Cristina
Ferreira, Presidente da Direcção do Sindicato, eu próprio fiz uma apresentação
muito informal da convidada, tendo enaltecido as suas qualidades de lutadora,
tendo oportunidade de lembrar como tais características foram devidamente
distinguidas pela condecoração nacional que recebeu do então Presidente da
República Jorge Sampaio.
Ana Maria Bénard da Costa começou
por apresentar o filme “Child Friendly Schools”, produzido pela UNICEF, cuja
projecção foi seguida de debate muito participado durante o qual foi possível
aflorar as mais pertinentes questões da Educação Especial em todas as latitudes
do planeta. Sucederam-se as intervenções da audiência até que AMBC conduziu a
intervenção para o período em que concretizaria o objectivo fundamental da sua
comunicação.
Com uma simplicidade
tão tocante quanto eficaz, traçou as etapas fundamentais da sua vida
profissional, ao longo de quarenta anos, como professora e técnica, em
enquadramentos que se cruzaram, tanto no âmbito do Sistema Educativo como, por
exemplo, no da Segurança Social, nos sectores público, privado e cooperativo.
O seu percurso
coincide e confunde-se com o próprio percurso da Educação Especial no nosso
país. É todo um caminho pautado por marcas de singularidade que se evidenciam
através da permanente disponibilidade para a adequação do saber adquirido na
experiência do que ia fazendo, num fértil terreno de desafios como foi o de
Portugal desde os anos sessenta do século passado até à
actualidade.
No final, em troca de
impressões muito informais, entre outras conclusões deste momento de reflexão
propiciado pelo STAAE, Sul, os participantes deste encontro salientavam o facto
de terem adquirido e/ou confirmado, com AMBC, a fundamental distinção entre
“integração” e ”inclusão” e, em simultâneo, como a confusão de tão diferentes
perspectivas de trabalho, no domínio da Educação Especial, pode ser e, não raro,
tem sido perniciosa a vários títulos.
Além dos saberes
ventilados, que AMBC soube agitar no amplo sentido do que seja a animação
cultural, como atitude cívica que, mais uma vez, protagonizou, ainda ficou o
magnífico exemplo humano de alguém que, acima de tudo, valoriza a
disponibilidade mental para responder a determinados estímulos – na sua própria
expressão, quais curto-circuito ou,
outras vezes, choques eléctricos –que
é preciso saber identificar como radicais desafios à mudança do statu quo. Em suma, uma grande Senhora
da Educação que soube pôr em comum uma grande lição de vida.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Richard Wagner,
22 de Maio
Hoje é o aniversário de Richard Wagner. Considerei interessante propor-vos uma página do famoso "Diário" de Cosima, precisamente no dia em que o seu marido completava 78 anos.
Para o efeito, com o propósito de vos tornar acessível um texto cujo original foi escrito em alemão, socorri-me do Vol. II: 1878-1883, editado e anotado por Martin Gregor-Dellin e Dietrich Mack, traduzido para Inglês, com Introdução, Postscripto e Notas Adicionais por Geoffrey Skelton, New York, NY : Harcourt Brace Jovanovich, 1980.
"(...) Sunday, May 22, 1881:
R. slept well; the Flower Greeting takes place a 8 o'clock and is very successful, the clock presented by Fidi-Parsifal delights R., and he is pleased with the flower costumes. The coats of arms of the Wagner Society towns genuinely surprise him, and he is pleased with the ceiling. In a mood of divine happiness he strolls to the summerhouse with me in the blue robe, and we exchange gold pens and little poems! Our lunch table consists of: Standhartners 3 (with Gustav!), Ritters (the parents), the Count, Jouk., Boni, Lusch, and Fidi; in the hall Eva, Loldi, Ferdi Jager, Julchen and Elsa; the latter two have to slip away unnoticed, so that the singing of the verse will float down from the gallery. Siegfried speaks Stein's poem very well, splendidly proposing the health of eternal youth, and then in a full voice Elsa movingly sings 'Nicht Gut noch Pracht,' etc., from above.---Over coffee Faf from the Festival Theater appears with the program for this evening on his back. The dear good children act out the little farces by Lope and Sachs magnificently, and Lusch speaks Wolz's linking epilogue particularly well. To the conclusion of the Sachs play J. Rub. linked the Prelude to Die Msinger, and when R. went into the salon, the children, in different costumes, sang his 'Gruss der Getreuen'; at the conclusion of the evening, after the meal, came the 'Kaisermarsch,' with altered text. All splendidly done by the children, though we are not entirely successful in sustaining the mood. Before lunch R. was upset by the military band, which he---somewhat to my concern---had allowed to take part, and it required Siegfried's toast to raise his spirits again. In the evening he was irked by the dullness of our friends, he asked Standhartner to remain behind, without considering that the stepson [G. Schönaich] would also then remain, and the presence of this man whom he cannot bear kept him from expressing all that was in his heart, and that made him almost painfully unhappy. The successful parts are what delighted me---the fact that unbidden things intervene no longer bothers me, however much it once used to pain me: I keep remembering that 'all transient things are but an image. (...)"
E, aqui tendes, comemorando a efeméride, a "Kaisermarsch", obra cujo título me permiti destacar nas palavras transcritas, numa excelente interpretação da London Symphony Orchestra, sob a direcção de Marek Janowski. A ilustração da gravação reproduz uma aguarela de Caspar David Friedrich.
Boa audição!
http://youtu.be/ytJeY0OIBHw
Elise,
em festa*
Hoje, 22 de Maio, passa mais um aniversário da Condessa d’Edla. Esta é daquelas datas que, juntamente com as do nascimento e morte do seu marido, fazem parte do calendário de grandes afectos que, ao longo do ano, vou celebrando, como marcos da memória.
Quando convoco e vejo a Condessa no seu afã da Pena, sempre me aparece como Elise, sem o título de conveniência, apenas mulher que amou e foi amada por um homem tão excepcional como ela. Tanto tempo depois, aqueles dois continuam, para além do tempo, a habitar o nosso espaço real e mítico, a par de outras belas histórias, com amores possíveis e impossíveis, contrariados ou favorecidos, trágicos e idealizados.
Tudo isto, naturalmente, no Parque da Pena, obra comum de Fernando e Elise, onde os mais nobres sentimentos perduram e se derramam. Só podia ser. É na Pena, lugar propício, que, já libertos das cargas que ali não entram, queremos perder-nos, para alcançar outro patamar de encontro.
Neste possível Klingsor, resgatou-se agora o emblemático ninho de amor à ignomínia de muitos anos de ofensa. Veja quem quiser! Eis o trabalho de recuperação que se impunha. Finalmente! Pode Elise voltar ao sossego? Creio bem que sim. De facto, tanto no chalet, como em todo o Parque, terminou mesmo o ciclo das mágoas.
Apenas meia dúzia de parágrafos para lembrar mais um aniversário de Elise, rainha da nossa Baviera. É dia de ir até à Pena e de nos perdermos, literal e irrealmente, pelos caminhos de acesso à sua casa. É dia de recordar quanto Sintra deve a esta mulher e de perceber como, finalmente, encontrou quem esteja a honrar a herança que, teimosa e criminosamente, tão desrespeitada foi ao longo de décadas.
Lá mais para o fim da tarde, evocando Elise e Fernando, inseparáveis, ao lado de Richard Wagner, também hoje aniversariante, hei-de beber um copo de bom branco seco e frutado Risling Gewustraminer, ouvindo Im Treibhaus, uma das Wesendonck Lieder, na interpretação que vos proponho nesta gravação em que a mítica Kirsten Flagstad é acompanhada pela Orquestra Filarmónica de Viena sob a direcção de Hans Knappertsbusch.
http://youtu.be/RbPuEMqbIA8
*A partir de textos que subscrevi e publiquei em anos anteriores, por ocasião do aniversário da Condessa d'Edla.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
[Transcrição do texto publicado na última edição do Jornal de Sintra, 18.05.12, ainda a propósito da morte de Bernardo Sassetti. Aproveito a oportunidade para propor a audição de HOMENAGEM A MARK LINKOUS, com Bernardo Sassetti - piano, Carlos Barretto -contrabaixo, Alexandre Frazão - bateria, gravado ao vivo na 8ª Festa do Jazz do São Luiz]
Bernardo Sassetti
(1970-2012)
Provenientes de todo o lado, sentidas por todos quantos o conheceram e puderam aceder à sua obra, as reacções à morte bem evidenciam como, além de artista de elevada craveira, Bernardo Sassetti era uma pessoa absolutamente excepcional. De facto, sejam quais forem os ângulos de análise, sempre releva a mais positiva avaliação do homem eminentemente bom e do cidadão impecável.
Desde já aviso que, destas linhas, não esperem colher informação biográfica na medida em que, felizmente, toda a comunicação social tem sido fértil na partilha de elementos afins. De qualquer modo, ao subscrever esta pequena nota, o que me interessa é aproveitar a dolorosa circunstância para reflectir convosco acerca do exemplo de vida que Bernardo Sassetti protagonizou.
Se há coisa grande que dele vai perdurar, pois não tenho dúvida de que seja o exemplo de uma atitude de artista sem barreiras. Contudo, só aparentemente, foi o criador polivalente de que todos falam, cujos artefactos enriqueceram a música, o cinema, a fotografia, lançando pontes à poesia, ao teatro, ao bailado. A isto, que já seria imenso, cumpre acrescentar o desassossegado que se tornou, um lúcido precoce, de uma lucidez bebida nas melhores fontes de informação, também fruto de insaciável cultura universalista.
Tal como aconteceu com os Freitas Branco, Paes e Sassetti, seus parentes mais notáveis, também ao Bernardo coube viver a aventura de uma vida que se fundiu na Arte e com ela se confundiu. No concreto e público viver destas duas últimas décadas, de permanente notoriedade, os seus dias demonstram à saciedade, como nele operou a perfeita e acabada síntese da herança familiar, certeza esta que partilho com directo e geracional conhecimento de causa.
Importa ter bem presente que, como não podia deixar de acontecer, a excepcionalidade do caso Bernardo Sassetti, radicou no bom terreno da família que o viu nascer. Nada disto tem a ver com abundância de bens materiais mas, isso sim, com o propício ambiente que uma família da elite intelectual pode proporcionar aos filhos que estejam vocacionados para trilhar tal caminho. E o Bernardo estava receptivo a tudo o que lhe foi possível colher daquele privilegiado enquadramento familiar e social.
Portanto, além da obra prolixa e compósita, de Bernardo Sassetti , também fica o exemplo da educação que recebeu, exemplo que deveria ser sistematicamente divulgado. É desta fibra, à custa de muito trabalho, disciplina, sacrifício, de imensos riscos, de uma exposição quase desumana perante o outro, que se constrói o artista de excepção, sempre atento aos sinais que só o demiurgo consegue sintonizar e transformar em artefacto. E assim é, até ao fim, como bem demonstrou Sassetti, nesta última surtida, de câmara fotográfica na mão, na incessante procura de um especial instante.
Na certeza da efemeridade, de Bernardo Sassetti , aquele recado vital de permanente busca da contenção. E a luta tenaz por um radical, essencial e existencial silêncio. Que magnífico legado!
http://youtu.be/NiGre38TaTc
R I P
Dietrich Fischer-Dieskau
(inicialmente no fb em 19 do corrente)
"Wintereise", D 911, [Viagem de Inverno] é um ciclo de vinte e quatro Lieder, datado de 1827, a partir de poemas de Wilhelm Müller, talvez o preferido do compositor.Dois terços dos Lieder são sintomaticamente compostos em tonalidades menores, constituindo uma série de reflexões de um viajante no Inverno, sobre temas predominantemente sombrios e tristes, coincidindo as paisagens sombrias e geladas com o seu estado de espírito.
Trata-se de uma obra entranhadamente romântica que cumpre ouvir, preferencialmente, sem qualquer interrupção, com toda a atenção. De todas as que conheço - e não são poucas... - esta é a mais conseguida das gravações de "Winterreise". Há precisamente cinquenta anos, Dietrich Fischer-Dieskau e Gerald Moore apresentaram um trabalho definitivo.
Aconselho vivamente a consulta, em Inglês, ao 'site' na Web sobre este ciclo de canções, com análises muito eficazes por Margo Briessinck. Confiado em que os interessados não deixarão de a fazer, dispenso-me de reproduzir os textos originais e traduções, limitando-me a enunciar os títulos:
1 Gute Nacht 2 Die Wetterfanne 3 Gefrorene Tränen 4 Erstarrung 5 Der Lindenbaum 6 Wasserflut 7 Auf dem Flusse 8 Rückblick 9 Irrlicht 10 Rast 11 Frühlingstraum 12 Einsamkeit 13 Die Post 14 Der greise Kopf 15 Die Krähe 16 Letzte Hoffnung 17 Im Dorfe 18 Der stürmische Morgen , 19 Täuschung 20 Der Wegweiser 21 Das Wirtshaus 22 Mut 23 Die Nebensonnen 24 Der Leiermann
Boa audição!
http://youtu.be/c8UDOmUcxCk
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