[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quinta-feira, 28 de junho de 2012



João Bénard da Costa


Aguardo com especial expectativa a homenagem ao João Bénard da Costa. O Presidente Fernando Seara é a primeira entidade pública nacional a perpetuar o nome desta grande figura das Letras, do jornalismo – certamente um dos mais brilhantes cronistas do século passado e princípio do actual - e do cinema, um finíssimo intelectual, na plenitude do conceito, que foi nosso vizinho e de quem tanto nos orgulhamos.

João Bénard da Costa é o grande homenageado mas a Câmara Municipal de Sintra, com esta atitude de respeito e preito à sua memória, também sai devidamente enobrecida. Não tenho qualquer dúvida – e faço-o com o maior gosto – em agradecer ao Prof. Fernando Seara iniciativa tão especial, que se traduz neste gesto que cala tão profundamente.

Pelas sete da tarde, junto à casa da família, na Rua Gago Coutinho, todos os que não esquecemos João Bénard da Costa, todos os que ainda hoje, tanto lhe devemos pelo estupendo magistério que desenvolveu em vários domínios, lá estaremos a partilhar e a viver um dos mais bonitos momentos da vida cultural de Sintra dos últimos tempos.

Ninguém ignora a especialíssima relação de João Bénard da Costa com Johny Guitar, o mítico western de Nicholas Ray. Com aquela fanhosa e tão característica voz ainda no ouvido, ser-vos-á possível ouvir o homenageado falar acerca do filme… À minha medida, apenas gostaria de vos deixar com esta inequívoca lembrança.

Boa audição!
 
Festival de Sintra,
Palácio da Vila, 28 de Junho


Brahms, Sonata No. 2 para Violino e Piano em Lá Maior, op. 100Três Danças Húngaras; Beethoven, Sonata No. 8 para Violino e Piano em Sol Maior, op. 30 no. 3Sonata No. 7 para Violin
o e Piano em Dó menor, op. 30 no. 2
 
Hoje, pelas 21h30, no ímpar cenário da Sala dos Cisnes do Palácio da Vila, Bruno Monteiro e João Paulo Santos interpretarão o programa supra do qual me permitiria destacar para convosco partilhar, precisamente, a primeira das peças mencionadas.

Datada de 1886, também conhecida como Thuner Sonate, por ter sido composta, aliás como outras obras de Johannes Brahms, nas margens do Lago Thun, na Suiça, para onde o compositor costumava retirar-se em férias de Verão, esta obra desenvolve-se em três andamentos, Allegro amabile, Andante tranquilo-Vivace-Andante e
Allegro gracioso (quasi Andante).
A gravação que vos proponho, do primeiro andamenbto, juntou dois perfeitos gigantes, Oistrakh e Richter, que nos concedem uma das melhores interpretações de todos os tempos.

Boa audição!



http://youtu.be/zDmyLeP9VIc
 
 
 
Parques de Sintra Monte da Lua
Palácio de Monserrate

Animação Musical de alto nível


É meu privilégio poder divulgar, acabada de receber, a informação acerca de uma série de iniciativas que reputo do maior interesse. Sem qualquer tratament...o gráfico, partilho convosco estas excelentes notícias que só não constituem novidade porque surgem na sequência de evento congénere concretizado no ano passado.

A Parques de Sintra Monte da Lua faz bem tudo aquilo em que se envolve. Coordenada pelo Prof. António Ressano Garcia Lamas, Presidente do Conselho de Administração da empresa, a multifacetada equipa de dezenas de colaboradores tem desenvolvido o mais meritório dos trabalhos que Sintra poderia esperar.

O crédito desta gente é incalculável, em especial, na salvaguarda e recuperação do sofisticado património edificado e natural à sua guarda – todas as jóias da coroa de Sintra – e também na animação cultural de espaços tão desafiantes como os Parques e Palácios de Monserrate, da Pena (incluindo o recém-recuperado Chalé da Condessa, Palácio da Vila, de Queluz, Convento dos Capuchos, Castelo dos Mouros, etc, etc.

De animação cultural se trata esta notícia para a qual me cumpre chamar a vossa atenção. Naturalmente, poderão esclarecer quaisquer dúvidas através de
www.parquesdesintra.pt ou www.facebook.com/parquesdesintra.


Eis a transcrição:


"20- 24 de Julho
 Manhattan Camerata regressa a Monserrate para concertos, palestra e jantar com o público
 - 20, 21 e 24 Julho, 19h: Concerto + Jantar
 - 23 Julho, 11h: Palestra “Stravinsky e Picasso: paralelos entre a música e as artes plásticas”

Depois do sucesso dos concertos de 2011, dois elementos dos Manhattan Camerata, Lucía Caruso e Pedro H. da Silva regressam este ano ao Palácio de Monserrate, a 20, 21, 23 e 24 de Julho, desta vez para três concertos, seguidos de jantar em Monserrate com a presença dos músicos (20, 21, 24), e uma palestra (23) sobre os paralelos entre a música e as artes plásticas, apresentada anteriormente no MoMA (Nova Iorque).

A Manhattan Camerata, de Nova Iorque, marca assim presença com os dois membros fundadores: Lucía Caruso (compositora e pianista argentina) e Pedro H. da Silva (compositor e guitarrista português). Esta é uma orquestra de câmara inovadora, que integra a orquestra de câmara ocidental clássica mas também vários instrumentos de todo o mundo (guitarra portuguesa, sitar, koto, darbuka, bandoneón, entre outros), com performances de uma ampla variedade de estilos musicais (tango, fado, música indiana e flamenco). No concerto agendado para 21 de Julho, Lucía Caruso e Pedro H. da Silva serão acompanhados por Louise Couturier no violino.

Depois dos concertos, terá lugar um jantar buffet (incluindo bebidas) no qual estarão presentes os músicos, permitindo assim ao público ter um contacto mais direto e intimista com os mesmos.

A 23 de Julho terá lugar a palestra “Stravinsky e Picasso: paralelos entre a música e as artes plásticas”, conduzida por Pedro H. da Silva. Picasso e Stravinsky, dois dos mais importantes artistas do século XX, foram notáveis pela variedade estilística das suas obras. Praticamente todos os seus períodos estilísticos estão correlacionados, apesar de nem sempre coincidirem cronologicamente. Abordar-se-ão as obras completas de cada um, nomeadamente o período pós-romântico e os períodos Azul, Rosa e Cubista de Picasso em contraponto ao períodoRusso de Stravinsky.

O nacionalismo exibido em ambas as obras constitui também testemunho de afinidade estilística dos dois artistas e reflete-se, em Picasso, no uso de símbolos universalmente reconhecidos como espanhóis, tais como os touros e as guitarras, comparáveis à simbólica nacionalista russa presente na obra de Stravinsky, nomeadamente a “Petrushka” e a "Sagração da Primavera”. O encontro das duas obras culmina na colaboração de ambos no bailado Pulcinella, de Stravinsky, para o qual Picasso desenhou o guarda-roupa e os cenários, bem como na homenagem recíproca destes dois artistas.

Sobre a Manhattan Camerata:


A Manhattan Camerata foi fundada em 2009 pela compositora e pianista argentina Lucía Caruso (Diretora Artística) e pelo compositor e guitarrista português Pedro H. da Silva (Diretor musical). Já se apresentou em vários locais de relevo por todo o mundo, nomeadamente em Nova Iorque, incluindo: a Grand Central Station, Le Poisson Rouge, Pub de Joe, o Blackbox e Teatros Frederick Loewe na New York University, a Igreja Santíssimo Sacramento, o Consulado Argentino, Consulado Português em Newark, e sobre o mais famoso navio Português alto: "Sagres". Gravaram este mês nos estúdios Abbey Road com a London Metropolitan Orchestra, e têm agendados dois concertos no Museu Louvre, com membros da Orchestre de Paris e da London Symphony Orchestra, integrados na exposição “Through my Window”, naquele museu.

Lucía Caruso graduou-se em piano clássico pelaManhattan School of Music e detém um mestrado em “Composição e música original para cinema” pela New York University. Pedro H. da Silva, doutorado em Composição pelaManhattan School of Music, toca 18 instrumentos diferentes. Atualmente é professor de composição na New York Universitye tem dirigido masterclasses e conferências internacionalmente. Em 2011, foi responsável pelo curso “Parallels between Visual Arts and Music, 1875–1965” lecionado no MoMA (Musem of Modern Art), em Nova Iorque.

www.manhattancamerata.com /www.luciacaruso.com /www.pedrodasilva.com

Bilhetes:

À venda em
www.parquesdesintra.pt, no local do espetáculo ou nos pontos comerciais habituais de venda de bilhetes.

20, 21 e 24 de Julho

Concerto (19h00) – 17 Euros
Concerto + Jantar buffet (incluindo vinhos, refrigerantes e águas) – 50 Euros

23 Julho

Palestra “Stravinsky e Picasso: paralelos entre a música e as artes plásticas” (11h00) – 10 Euros
Informações para público: 21 923 73 00 /animacao.cultural@parquesdesintra.pt"

terça-feira, 26 de junho de 2012




Baboseiras do Ronaldo


Acabo de ouvir umas declarações de Cristiano Ronaldo que, imediatamente, me determinaram à partilha convosco. Dizia o já mítico jogador de football, inegavelmente, um dos melhores do mundo, que terá começado mal a sua prestação - a televisão ia mostrando os seus falhanços no segundo jogo - nesta fase final do Europeu porque "(...) tinha uma grande responsabilidade".

Salvo melhor opinião, meus caros amigo
s, então a tal «grande responsabilidade» não é aquilo que todos os profissionais sentem seja qual for a sua actividade?

Por exemplo, os professores, na preparação dos seus trabalhos e, depois, na aula concreta, perante os grupos de alunos, em qualquer dos níveis de ensino, com problemas dificílimos para resolver, de carácter didáctico, pedagógico, gestão de conflitos, etc, etc?

Por exemplo, os pescadores, enfrentando dificuldades com risco diário da própria vida? Por exemplo, os engenheiros, cujos cálculos só podem ser irrepreensíveis. Por exemplo, os pilotos e motoristas de grandes veículos de transporte de passageiros, aviões, combóios, autocarros, com a permanente e «grande responsabilidade» da vida dos passageiros nas suas mãos...

E os músicos, os bailarinos, os actores, todos os profissionais das artes performativas, em espectáculos exigentíssimos onde «só» podem dar tudo por tudo. Os artistas plásticos, os escritores, todos os criadores que vivem a angústia da criação artística...

Mas, então, os profissionais da bola são assim tão especiais? Principescamente pagos, apaparicados por políticos, por jornalistas que jamais os põem em causa como seria de esperar, esta gente permite-se dar a entender que, devido à pressão da «grande dificuldade» pode claudicar de modo tão flagrante como um principiante qualquer?
 
 
 


Festival de Sintra,
26 de Junho

Amanhã, o programa do festival de Sintra trará ao Centro Cultural Olga Cadaval a Orquestra Gulbenkian que, sob a direcção do maestro inglês Howard Shelley, interpreta obras dos três grandes expoentes da designada Primeira Escola de Viena, Haydn, Mozart e Beethoven. Do primeiro, a “Sinfonia Nº 96 em Ré Maior O Milagre”, de Mozart, o “Concerto para Piano em Ré menor, KV 466”, tendo como solista o próprio regente e, de Beethoven, a “Sinfonia
Nº 7 em Lá Maior, op.92”.

Gostaria de vos propor a audição completa da última das peças anunciadas já que se trata de uma das obras-primas da música erudita de todos os tempos, por alguns especialistas considerada a mais bela do conjunto das nove do grande mestre. Foi estreada no dia 8 de Dezembro de 1813, na aula magna da Universidade, no âmbito de um concerto organizado por Maelzel – o inventor do metrónomo – numa atitude de benemerência a favor dos soldados austríacos e bávaros feridos na batalha de Hanau.

Dirigiu o próprio Beethoven. Tenho lidos diferentes versões quanto à presença de conhecidos músicos durante o evento. Segundo alguns, terão estado presentes, apenas presentes, na audiência mas outros dão Salieri, Schuppanzigh, Spohr e Meyerbeer como tendo participado na execução da Sinfonia que se desenvolve em quatro andamentos, ‘Poco sostenuto. Vivace’, ‘Allegretto’, ´Presto’ e ‘Allegro com brio’.

Será precisamente deste último andamento, que destacarei a nota de poderosa feira dionisíaca, frenética, paroxística, com rasgos agressivamente dissonantes, em páginas que não são a expressão de uma vulgar alegria já que nelas se mistura um grito de revolta, em especial, no momento do desenvolvimento. A estridência dos metais e a violência do ritmo são mesmo alucinantes.

Wagner pretendeu ver a apoteose da dança nesta força sensual, telúrica. É escusado pretender encontrar o reflexo de acontecimentos da vida do compositor como a ‘carta à imortal bem-amada’, datada de Julho de 1812, altura em que a surdez aumenta gravemente. Esta música está isenta de um programa, não há qualquer confissão, ideologia alguma. Será por tudo isto que tão facilmente se impôs, desde a estreia absolutamente triunfal, apesar de todas as suas ousadias.

Na gravação que vos proponho, Bernstein dirige a Orquestra Filarmónica de Viena.

Boa audição!


http://youtu.be/AZUXn40ssYw


Festival de Sintra,
24 de Junho, Quinta da Regaleira (II)



Na sequência da apresentação das peças constantes deste concerto de música de câmara que terá lugar amanhã, na Quinta da Regaleira, gostaria de vos propor esta magistral interpretação do Quateto com Piano Nº 3, op.60 de Brahms, pelo Beaux Arts.

Tenho a certeza de que, no domingo, o Mozart Piano Quartet não deixará os créditos por mãos alheias na leitura desta obra e prevejo mesmo uma estupenda tarde de música. O programa é óptimo, os músicos de excelente gabarito, o lugar, enfim, do melhor que se pode encontrar em qualquer latitude. Apareçam. Não esqueçam que só no Festival de Sintra, podem viver experiência que tal.

E, para já, boa audição!



Festival de Sintra,
bons sinais

 
De acordo com o programa oportunamente anunciado, começou hoje a 47ª edição do Festival de Sintra. Como lembrarão, na passada terça-feira, chamei a atenção para os eventos do dia de abertura, a conferência de Rui Vieira Nery e o recital de Grigory Sokolov.

Quanto à conferência, o conhecido musicólogo obedeceu ao esquema que costuma observar, ou seja, subordinando-se a um tema – neste caso, 'A Viena imperial e a matriz cosmopolita do Romantismo musical europeu' – foi ilustrando as pertinentes considerações com excertos de gravações das peças musicais que, inequivocamente, melhor se enquadravam.

Durante hora e meia, fizemos o fascinante percurso de um século de música, sensivelmente, entre 1815 e 1914, partindo de Beethoven e de Schubert, caracterizando a Viena capital imperial que, a um tempo é conservadora e cosmopolita, fervilhando numa actividade musical verdadeiramente imparável, que acolhe a ópera de Weber, de Meyerbeer, Rossini, Bellini, Verdi, mas incapaz de lidar com a modernidade wagneriana.

Assistimos ao sucesso de Brahms, à contemporaneidade finissecular da valsa, da polka e da marcha, às tentativas de afirmação de novas vozes portadoras de linguagens que vão afirmar-se através de Mahler, Hugo Wolf e Richard Strauss e também de um Bruckner, sempre numa moldura vienense nostálgica, poética, edílica que conhece e convive com as primícias da psicanálise freudiana, de consequências tão decisivas em toda a Arte e, naturalmente, também na Música.

Sem meios sofisticados de apoio, limitando-se à reprodução de CDs, Rui Vieira Nery foi, como sempre, muito eficaz, num ambiente da maior informalidade. O Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Prof. Fernando Seara – que, tal como o próprio conferencista, está a viver um período difícil subsequente ao recente falecimento do seu pai – fez uma apresentação tão simples quanto rápida mas muito certeira.

Esta proposta de iniciar o Festival com uma conferência é coisa muito sua, modelo que começou a privilegiar, há já uns bons anos, quando, para o mesmo efeito, convidou o Prof. António Damásio. É assim que Fernando Seara pretende e também consegue demonstrar como, em tempo de grande contenção financeira, um Festival de Música pode e deve ser lugar de aprendizagens várias e cruzadas, de refrescamento e enriquecimento espiritual, convidando alguém que, à partida, garante que tais propósitos serão, de facto, alcançados para benefício de todos quantos participarem.

Claro que correu bem. Foi mesmo muito agradável. O Festival não podia ter começado com melhores sinais. Ah, é verdade, por motivos de doença, Sokolov só aqui se apresentará no dia 10 do próximo mês de Julho. Vamos esperar que o pianista recupere e que, mais uma vez, em Sintra, não só passeie a sua fabulosa classe de artista mas também continue a brindar o público com a habitual ímpar generosidade de extras.


PS:

Permitam que finalize, roubando ao Rui Vieira Nery - que, sei perfeitamente, não se importa mesmo nada - esta proposta de audição, na interpretação de Elisabeth Schwarzkopf,. Trata-se da canção com que ele finalizou a conferência. Mesmo sem terem assistido, façam o favor de imaginar o efeito de chave de ouro...


Boa audição!



http://youtu.be/x8mfu8dXTTQ


Festival de Sintra,
domingo, na Regaleira


No próximo dia 24, domingo, pelas cinco da tarde, na Quinta da Regaleira, o Mozart Piano Quartet interpretará um conjunto de três peças de compositores que, de acordo com as balizas temporais defi
nidas pelo programa geral desta 47ª edição do Festival, estão incluídos no período compreendido entre Haydn e Brahms.

De Franz Schubert, ouvir-se-á o 'Adagio e Rondó concertante para Quarteto com Piano em Lá Maior, D. 487', seguindo-se o 'Quarteto com Piano Nº 3 em Dó menor op, 60' de Johannes Brahms e, para terminar, uma 'Redução para Quarteto com Piano da Sinfonia Nº 3 em Mi bemol Maior op. 55' de Beethoven, redução da qual se encarregou Ferdinand Ries (1784-1838), aluno do mestre de Bonn.

Precisamente da última obra mencionada aqui vos proponho uma gravação do primeiro andamento, Allegro con brio, pelo Trio Ysaye e Hanna Shybayeva.

segunda-feira, 25 de junho de 2012


An den Mond
Goethe/Schubert


Mais um dos famosos poemas de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) que Franz Schubert musicou (D296). A vossa atenção para a interpretação do barítono alemão Timothy Sharp, que trabalhou com Hans Hotter, Br...
igitte Fassbaender, Peter Schreier e Dietrich Fischer-Dieskau, portanto, só gigantes junto de quem colheu tudo o que de melhor é possível imaginar no mundo do canto lírico.

Já tenho tido oportunidade de o ouvir em recital e sempre com o maior agrado, por exemplo, no Festival Styriarte onde é habitual colaborador de Harnoncourt, outro grande senhor, que tem um dedo muito especial para descobrir novos talentos.

Quando se canta Lied, a dicção só pode ser como a dele, absolutamente irrepreensível. Um timbre muito 'redondo', voz extensa, à vontade em todos os registos, a evidente capacidade, num tempo muito limitado, de criar um ambiente, e aí temos os ingredientes para o esplêndido momento musical que, espero bem, possam partilhar comigo. Como sempre, o texto, no original Alemão e uma tradução em Inglês.


An den Mond

Füllest [wieder Busch und]1 Tal
Still mit Nebelglanz,
Lösest endlich auch einmal
Meine Seele ganz.

Breitest über mein Gefild
Lindernd deinen Blick,
Wie [des Freundes]2 Auge mild
Über mein Geschick.

[ Jeden Nachklang fühlt mein Herz
Froh und trüber Zeit,
Wandle zwischen Freud und Schmerz
In der Einsamkeit.

Fließe, fließe, lieber Fluß!
Nimmer werd ich froh;
So verrauschte Scherz und Kuß,
Und die Treue so.

Ich besaß es doch einmal,
Was so köstlich ist!
Daß man doch zu seiner Qual
Nimmer es vergißt.

Rausche, Fluß, das Tal entlang,
Ohne Rast und Ruh,
Rausche, flüstre meinem Sang
Melodien zu,]3

[Wenn du in der Winternacht
Wütend überschwillst,
Oder um die Frühlingspracht
Junger Knospen quillst.

Selig, wer sich vor der Welt
Ohne Haß verschließt,
Einen [Freund]5 am Busen hält
Und mit dem genießt,

[Was, von Menschen nicht gewußt
Oder nicht bedacht,]6
Durch das Labyrinth der Brust
Wandelt in der Nacht.
.
[Tradução para Inglês]

You fill bush and valley again
quietly with a splendid mist
and finally set loose
entirely my soul.

You spread over my domain
gently your gaze,
as mildly as a friend's eye
over my fate.

Every echo my heart feels,
of happy and troubled times;
I alternate between joy and pain
in my solitude.

Flow, flow on, dear river!
Never shall I be cheerful,
so faded away have jokes and kisses become -
and faithfulness as well.

I possessed once
something so precious,
that, to my torment,
it can never be forgotten now.

Murmur, river, beside the valley,
without rest and calm;
murmur on, whispering for my song
your melodies,

whenever you, on winter nights,
ragingly flood over,
or, in the splendor of spring,
help swell young buds.]4

Blissful is he who, away from the world,
locks himself without hate,
holding to his heart one friend
and enjoying with him

that which is unknown to most men
or never contemplated,
and which, through the labyrinth of the heart,
wanders in the night



Boa audição!

 
 
Erlkönig,
Goethe/Schubert


Não quis deixar de vos propor o estupendo momento musical que acabei de partilhar com um amigo, ao telefone. É verdade, ao telefone, muito artesanalmente... Falávamos acerca de famosos Lieder e, como não podia dei...xar de ser, logo nos ocorreu o "Erlkönig".

A interpretação deste célebre Lied, por Dietrich Fischer-Dieskau, tornou-se absolutamente paradigmática. Acontece ainda que vão ver e ouvir um registo com a feliz particularidade de apresentar legendas em Alemão e também em Inglês que facilitará o acesso ao poema a quem não dominar o idioma do texto original.

Boa audição!


http://youtu.be/i9t5VCPD8UQ