[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quinta-feira, 2 de agosto de 2012



[texto publicado no facebook em 31 de Julho]


Sempre que a minha estada coincide com um 31 de Julho, dia de aniversário da morte de Franz Liszt (1811-1886), passo pelo cemitério a deixar-lhe uma flor. E, conforme seja possível, recolho-me a ouvir a peça que, embora longe da minha querida Bayreuth, hoje não deixo de escutar e de vos propor.
Liszt planeou a sua Eine Faust-Sinfonie a partir das figuras de Faust, Gretchen e Mephisto, arquétipos do Fausto  de Goethe mas, em contraste com os seus outros poemas sinfónicos, não se trata de obra programática, na medida em que o compositor assumia que o público das salas de concerto conhecia perfeitamente o texto, motivo pelo qual, aparentemente, não pretenderia condicionar a receptividade da música através de conotações literárias.

Esta sinfonia para orquestra e coro masculino baseia-se no estudo de três personagens. Enquanto que o primeiro andamento é um retrato multifacetado do Faust, o segundo é dedicado a Gretchen e ao seu amor por aquele e o terceiro a um Mephisto que aparece como contraponto de Faust, nos termos do qual, uns a seguir aos outros, os temas de Faust se apresentam distorcidos e segmentados.

Em 1857, seguindo o conselho da sua amada, a Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein, Liszt introduziu um coro masculino que entoa as últimas linhas do Faust II: “(…) Alles Vergängliche ist nur ein Gleichnis… Das ewig Weiblich zieht uns hinan” ou seja, em tradução livre, ‘Tudo o que é transitório, efémero, é apenas um reflexo… O eterno feminino, esse sim, indica-nos o caminho”.

A Sinfonia Fausto de Liszt foi estreada em 5 de Setembro de 1857 em Weimar e, embora considerada como uma das mais importantes obras sinfónicas do século dezanove, é rarissimamente apresentada nos auditórios e, assim sendo, permanece como um das menos conhecidas composições de Liszt.

Riccardo Muti, dirige a Wiener Philharmoniker, Michael Schade é o tenor e o coro é o da Konzertvereinigung Wiener Staatsoper, numa gravação de Agosto de 2009.

Boa audição!
 
 
 
 
 
NB:Há longos intervalos entre os andamentos

Começo hoje a publicar uma série de pequenos textos introdutórios de enquadramento muito sumário de todas as sinfonias de Mozart por ordem cronológica da sua composição.

A Sinfonia No. 1 em Mi bemol Maior, KV. 16, foi escrita em Londres, no Verão de 1764, na altura em qiue a família se via retida na cidade devido a um problema de saúde do pai. O compositor, aos oito anos, já era conhecido por essa Europa como um menino prodígio embora, até então, tivesse composto pouca música.

A obra que seria estreada em 21 de Fevereiro do ano seguinte, destina-se a dois oboés, duas trompas e cordas, tem três andamentos, 1. Molto allegro, 2. Andante, Dó Menor e 3. Presto.

O aspecto mais curioso desta peça é que, no Andante, tocado pela trompas, o garoto utiliza o famoso motivo de quatro notas que aparece no Finale da sua última sinfonia, a No. 41. As quatro notas, Dó, Ré, Fá, Mi, foram consideravel e frequentemente usadas por WAM, aparecendo em várias obras, incluindo as sinfonias no. 33 e a já mencionada 41.

Não disponho de coordenadas da gravação que vos proponho. Boa audição!



http://youtu.be/b4IXXpTHjok