[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 22 de outubro de 2013




Daniel Barenboim


Um pouco mais velho do que eu, acompanho a sua carreira há tantos anos!... Tal como qualquer artista, tem tido os seus altos e baixos. Mas o saldo, meu Deus, tão positivo! Referência no mundo da Música, referência como grande promotor da atitudes cívicas do maior alcance, é alguém com quem tive o prazer de conversar. Concedeu-me uma entrevista da qual aparecerão alguns excertos no documento autobiográfico sobre a Senhora Marquesa de Cadaval que a RTP2 adquiriu recentemente.
 
Há muito tempo que DB está de parabéns. Amanhã também.

 

Daniel Barenboim will be honored with the Freedom Award of Freie Universität Berlin tomorrow for his efforts to promote mutual understanding in the Middle East. Israeli violinist Guy Braunstein - former concertmaster of the Berlin Philharmo...nic - and Israeli-Palestinian pianist Saleem Abboud Ashkar will perform at the ceremony. Both musicians are former members of the West-Eastern Divan Orchestra. Read more here > http://bit.ly/Freie3



Read the release: http://bit.ly/17GQMtL

 
 





Cicero,
amigo certo 


De Amicitia obra que, como não recordar, o nosso Rei D. Duarte bem como seu irmão, o Infante D. Pedro, tanto apreciavam e acerca da qual deixaram doutos comentários, continua o mais certo, assertivo e competente repositório de princípios sobre a amizade.

Ontem mesmo, um bom amigo, citava o autor clássico: Com confiança se vence sem ainda ter começado. Não tenho a menor

dúvida de que aconselhar neste sentido é atitude que, em si, já é portadora de amizade inequívoca.

Pois, neste contexto, gostaria de lhe devolver, sempre nas palavras do ilustre autor, que tão lúcido se revelou: Eis o primeiro preceito da amizade: - pedir aos amigos só aquilo que é honesto, e fazer por eles apenas aquilo que é honesto.

Remato, lembrando os limites deste sentimento único e essencial: A amizade começa onde termina ou quando conclui o interesse.


Permitam que aqui deixe um especial abraço ao Prof. Fernando Seara.
 


 


Mozartwoche, 2014
palco para Ana Quintans

Hoje, a apresentar-vos o primeiro evento da Mozartwoche, 2014. Através do detalhe vão ter a surpresa de verificar que, interpretando Amore, teremos a nossa Ana Quintans que bem merece pisar o p
restigiado palco da Haus für Mozart.

Trata-se de uma produção do mais alto nível que vai resultar de um estreito trabalho de cooperação entre Marc Minkowski e Ivan Alexandre, dois grandes nomes da Música e do Teatro Lírico dos nossos dias. Salzburg, Meca da Música, mais uma vez, tem a expectativa ao rubro.

Lá estarei e, a exemplo dos últimos anos, partilharei convosco as minhas impressões. Para já, a célebre Aria Gli sguardi trattieni, Cena 2 do II Acto em que Ana Quintans se apresentará. Deixo-vos com uma gravação, colhida em 1982, no festival de Glyndebourne. Elizabeth Gale é Amore e Janet Baker, Orfeo.

Boa audição!

http://youtu.be/-CazzRM_pGg


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Aria

AMORE

Gli sguardi trattieni,
Affrena gli accenti:
Rammenta che peni,
Che pochi momenti
Hai più da penar.

Sai pur che talora
Confusi, tremanti
Con chi gl'innamora
Son ciechi gli amanti,
Non sanno parlar.
 

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Na tarde da récita, mas pelas 14,00, na Wiener Saal, com entrada livre, haverá uma 'Round Table' subordinada ao tema "Mozart e os seus contemporâneos", com referências aos seus amigos e adversários, admiradores e detractores, contando com intervenções de Ivan Alexandre, o anfitrião.


Então, aqui têm os pormenores do que é considerado o primeiro evento da Mozartwoche:

Quinta-feira, dia 23 de 2014, 19,30

Haus für Mozart (antigo Kleines Festspielhaus)

Willibald Gluck - "Orfeo ed Euridice", Azione teatrale per musica

Intérpretes

Marc Minkowski (Maestro)
Ivan Alexandre (Encenação)
Pierre-André Weitz (cenografia)
Bertrand Killy (Iluminação)

Bejun Mehta (Orfeo)
Camilla Tilling (Euridice)
Ana Quintans (Amore)
Uli Kirsch (Morte)
Les Musiciens du Louvre Grenoble
Orquestra do Mozarteum de Salzburg
Salzburger Bachchor

Programa

Christoph Willibald Gluck
"Orfeo ed Euridice", Azione teatrale per musica em três actos. Libretto de Ranieri de Calzabigi; Versão Vienense de 1762. Idioma: Italiano

Preços
EUR 240,-/195,-/160,-/120,-/90,-/50,-/30,-

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Quase centenário...
 

[facebook, 21.10.2013]

 
O edifício da Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg e, portanto, a sua famosa Grosse Saal, um dos mais prestigiados auditórios de música em todo o mundo, comemoraram o seu 99º aniversário em 29 de Setembro.
 
Claro que, no próximo ano, haverá grossa festa. Como membro da Fundação e amigo da casa, tenciono estar presente. Tenho a certeza de que, nas comemorações, a Direcção não deixará os seus créditos por mãos alheias.

Por outro lado, não só se trata de uma festa da Música mas também de manifestar o júbilo da própria cidade pelo altíssimo gabarito desta instituição.

Heute vor 99 Jahren wurde das Haus in der Schwarzstrasse 26 und der Große Saal der Stiftung Mozarteum mit einem Festkonzert eröffnet. Wir freuen uns schon auf das 100 Jahr-Jubiläum im kommenden Jahr
 
 




Das Rheingold,
Chéreau/Boulez


[facebook, 21.10.2013]

Agora, que Patrice Chéreau nos deixou, escolhendo o ano Wagner para se despedir, eis a ocasião para recordar a sua proposta para esta peça da Tetralogia.

Apenas dois excertos - [I] Prelúdio (1980) e [II] Erda (1976) - da histórica encenação que, deixem-me lembrar-vos, foi a escolhida pela programação da 48ª edição do Festival de Sintra, no último Verão, para apresentação em DVD, no Palácio de Monserrate, com visionamento comentado por André Cunha Leal e Ana Paula Russo.


Quanto às minhas memórias de Bayreuth, de 1976 e de 1980, com esta revolucionária perspectiva do Ring, voltarei a publicá-las aqui e no blogue, até ao fim do ano, transcrevendo-as do Jornal de Sintra onde vieram a público inicialmente.

 
Boa audição!


Vinícius de Moraes,
centenário
[facebook, 20.10.2013]
 
Há quarenta e cinco anos, em Dezembro de 1968, Vinícius esteve em Lisboa, com Baden e Marcinha, no Teatro Villarett. Claro que fui ver o espectáculo, num daqueles dias em que, sendo Inverno, ainda se vivia a designada Primavera Marcelista. No mesmo teatro, aliás, poucos meses depois, aconteceria a lufada de ar fresco que foi o Zip Zip.

Vinícius era uma presença fortíssima, inesquecível. À mistura com o muito, muito whiskey que foi bebendo, às tantas, cantou o Samba da Benção que aqui vos deixo em recordação daquela noite, tão especial, em que o poeta nos fez viver um fogacho da Liberdade por que aspirávamos.

Boa audição!


http://youtu.be/SEevv9qJgGw
 
 
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sábado, 19 de outubro de 2013



Sintra
Eleições autárquicas,
ainda o rescaldo
 
[transcrição do texto publicado na edição de 18.10.2013 do ‘Jornal de Sintra’]
 
Ainda é no rescaldo das últimas eleições, bem como na sequência do meu artigo Autárquicas de 29 de Setembro, nas entrelinhas do descalabro, publicado pelo Jornal de Sintra na sua última edição, que hoje volto a alguns dos assuntos anteriormente suscitados, desta feita enriquecidos pela opinião de alguém cuja intervenção cívica, muitos de nós, nos habituámos a respeitar.
 
Se preciso fosse confirmar como os resultados eleitorais das autárquicas em Sintra suscitaram um interesse fora do comum, a nível nacional, poder-se-ia recorrer ao último texto da coluna ‘Porque Sim’ que, todos os domingos, o Prof. Doutor Daniel Sampaio subscreve no suplemento Pública do jornal Público.
 
Para mim, foi naturalmente sem surpresa que, no passado dia 13 de Outubro, subordinado ao título Impasses Eleitorais, o autor abordou algumas das questões que, se bem lembrados estão, eu havia tratado com algum detalhe, nomeadamente, a do descrédito da classe política, a emergência do movimento dos independentes e os matizes que revestiram e a tremenda abstenção registada em todas as mesas eleitorais.
 
Dando o mote ao notável artigo em referência, Daniel Sampaio logo inicia com uma citação do seu mais recente livro Diário dos Tempos de Crise: “(…) A democracia formal, esgotada pelos desacreditados dirigentes do momento, tenta encontrar novos caminhos (…)”, constatação esta que sublinharia no final do parágrafo seguinte ao lembrar que “(…) A leitura “nacional” dos resultados, tão falada na noite das eleições, mostra ao cidadão comum que os problemas fundamentais do regime continuam por resolver, apesar de os dirigentes do costume nos quererem fazer pensar o contrário”.
 
E, a propósito dos independentes – se bem que não deixando de evidenciar que “(…) a maioria dos presidentes eleitos como independentes já exerceram cargos partidários e vários candidataram-se só porque tinham sido rejeitados pelas estruturas do seu partido (…)” – destaca a circunstância de que “(…) constituíram uma das boas novidades desta campanha. O seu triunfo mostra vitalidade na nossa democracia: não obedecer sempre aos dirigentes partidários significa, quando as alternativas são credíveis, um sinal de maturidade cívica.
 
No que respeita ao vencedor, afirma Daniel Sampaio que “(…) Ganhou com mérito o candidato do PS, que soube aproveitar bem a divisão de votos dos adversários, mas que já mostrou o que não se deve fazer numa democracia com maturidade: depois de vencer, vai dar pelouros a todos, menos ao candidato que ficou em segundo lugar e que representou cerca de 25% dos votos expressos (…)”.
 
Finalmente, após uma incontornável referência ao desastre da abstenção “(…) Verificar aliás que, no todo nacional, quase metade das pessoas não votou e que em Sintra quase 60% ficou em casa é notar, uma vez mais, o impasse a que chegámos (…)”, remata: “(…) A grande verdade das eleições autárquicas é que se mantém o “destino incerto” de Portugal e que a indignação moral perante tudo o que se passa não encontrou ainda a forma necessária à sua expressão (…)” escrevendo. [sublinhados meus].
 
De pertinência inequívoca, as ideias de Daniel Sampaio constantes das citações que me permiti partilhar convosco, não só estão, repito, em total sintonia com as que subscrevi no referido artigo mas também o complementam e coincidem com aquela atitude de indignação moral cuja expressão ainda não aconteceu.
 
Aproveitar a oportunidade
 
Pois bem, para que os cidadãos mais vulneráveis não assumam e saibam repudiar as radicais soluções a fermentarem no descontentamento que grassa por toda a Europa em crise, e que os movimentos de extrema direita, muito sabiamente, estão aproveitando, não tenho a menor dúvida de que é preciso tudo fazer, sem qualquer forma de paternalismo, no sentido de cativar a disponibilidade residual dos munícipes e fregueses que, apesar de todos os factores de desmotivação, ainda estejam disponíveis nas pequenas comunidades onde residem.
 
Se pretendemos que tais cidadãos eleitores façam um percurso ganhador, capacitando-se para a lucidez, isto é, para a compreensão e reconhecimento dos contornos da sua indignação – em relação a toda uma classe política que, ao longo de décadas, foi perdendo a dignidade, gerando um intransponível fosso e perdendo a representatividade que era suposto deter – então todo o tempo é pouco no sentido de adquirirem as competências para o exercício da cidadania.
 
A abstenção galopante é um dos mais evidentes sinais do mau funcionamento da nossa Democracia. Urge trabalhar com as pessoas, no terreno, conquistando-as para a intervenção, contrariando o alheamento, recorrendo a mediadores, no contexto de todo um trabalho de animação cívica afim da resolução de problemas concretos, de pequena escala, cujos propósitos sejam inequivocamente concretizáveis e que melhorem a qualidade de vida do grupo.
 
É aos partidos institucionalizados, de todo o espectro ideológico-político, tanto como aos  movimentos de cidadãos independentes, que cumpre enquadrar a concretização de tal trabalho de sapa. Se, de facto, se comprometerem neste sentido, o resultado só pode ser positivo. E, através do exemplo, ir ganhando os cidadãos para a vida cívica, para a participação informada, numa atitude de consciencialização da coisa pública e do bem comum que não se limita à gritada réplica de slôganes em manifestações de curtíssimo alcance.
 
Os cépticos militantes dirão que promover esta estratégia para a cidadania equivale a «acreditar no Pai Natal»… Trabalhar com as pessoas, em pequenos grupos, para resolver problemas que afectam, por exemplo, o bairro, a rua, o saneamento básico, o comércio, a escola, a repartição de finanças, os correios ou os transportes? Numa altura em que estão desmotivadas como nunca? Como não entender estas reservas…
 
Porém, nos tempos mais próximos, ou as autarquias, em especial, as Juntas de Freguesia, com os agentes políticos locais, começam mesmo a apostar no percurso de caminhos afins destas práticas de envolvimento dos cidadãos, conseguindo motivá-los, dando um sinal de esperança aos que sempre se manterão na reserva, os tais que jamais irão em grupos, ou se perde a oportunidade, resultando em elevadíssimos custos, uma vez que a acumulada perda de oportunidades redunda, precisamente, no desinteresse, no desânimo, no desleixo, em suma, na abstenção. É nesse quadro de desalento que os partidos de extrema direita, que jogam a prazo, não costumam perder oportunidades de investimento
 
Há quase três semanas, as eleições confirmaram sinais extremamente preocupantes de uma Democracia que se deixou capturar por mecanismos adversos, mostrando-se – e regresso às palavras de Daniel Sampaio – esgotada pelos desacreditados dirigentes do momento, mas que tenta encontrar novos caminhos. Portanto, como uma das questões essenciais para a sobrevivência como comunidade soberana passa pelo exercício da cidadania, impõe-se estar à altura dos problemas fundamentais do regime que continuam por resolver, apesar de os dirigentes do costume nos quererem fazer pensar o contrário.
 
 
[João cachado escreve de acordo com a antiga ortografia]
 
 


A mesma peça,
duas abordagens


Trata-se da Badinerie da Suite Orquestal em Si Menor BWV1067 de Johann Sebastian Bach BWV1067. Em [I], com o violino de Janine Jansen e, em [II], pela flauta de Emmanuel Pahud. Grande música por grandes músicos.

Boa a
udição!

http://youtu.be/fs1bi3Xglg0 [I]
http://youtu.be/yp-kztRCmTw [II]
Ver mais

sexta-feira, 18 de outubro de 2013



Gounod

Nos 120 anos da morte de Charles Gounod, a vossa atenção para o Mezzo. Para já, uma galvanizante Anna Netrebko, na interpretação de Je veux vivre  de Roméo et Juliette com a Orchestre National de Belgique, sob a direcção de Emmanuel Villaume.

Boa audição!


http://youtu.be/reFulcDIfIU
 
 
[Today, Mezzo commemorates the death of the French composer Gounod, who died exactly 120 years ago.

Charles Gounod was rapidly known for his talent. In 1839, he won the prestigious Prix de Rome and during his stay at the Villa Medicis, he
discovered sacred music which had a great influence on his works. He dedicated his career mainly to opera: indeed, he was a real lyric artist. He composed works after the plays of Molière but that is when he composed Faust that he became super famous. He then composed Romeo and Juliet, which had a great success. 

 As if he were feeling his death coming, he composed a lot of sacred music at the end of his life, including masses and oratorios.
At his funerals, Saint Saens and Gabriel Fauré were among the ones that played the music….

Let’s hear the works of this genius!
]

www.youtube.com/watch?v=3HU8SKwhkrw
(Ave Maria – Gounod/Bach – Diana Damrau)
www.youtube.com/watch?v=FvJyjqhBYsQ
(« Amour, anime mon courage » - Roméo et Juliette – Anna Netrebko)
www.youtube.com/watch?v=L8K-gUwc330
(« Salut, demeure chaste et pure » - Faust – Jonas Kaufmann)
www.youtube.com/watch?v=YmgZkSgCbf4
(Messe solennelle – Kyrie)
 
 



Fartar vilanagem


Também é por estas e por outras - sempre protagonizadas pela classe política plasmada nos partidos do arco da governação - que a abstenção registou os alarmantes números das eleições autárquicas de 29 de Setembro.

Claro que também é em atitudes deste caibre, geradoras do maior descrédito, que radica grande parte do desânimo dos cidadãos. São tantos e tão frequentes os escândalos das mordomias e das prebendas que cada vez maior é o fosso cavado afastando os eleitores da República, das lutas pelas causas comuns, minando qualquer hipótese de fomento da intervenção cívica e da cidadania.

 
De facto, nos partidos «da alternância», há muita gente a quem devemos dar os parabéns pelo competente trabalhinho de subversão da democracia. Bem podem limpar as mãos à parede. A notícia em apreço reporta-se a Outubro de 2010. Outubro de 2010, com um governo do PS? Outubro de 2013, algo de semelhante, ou pior, com um governo do PSD/CDS? Com governos do PS, do PSD e CDS, durante o século vinte? Com os mesmos, já no século vinte e um?

Infelizmente, o facto de se tratar de uma notícia de Outubro de 2010, constitui detalhe meramente cronológico... É detalhe e, neste caso, perfeitamente despiciendo. O fartar vilanagem, de que o caso em apreço é episódio perfeitamente «esclarecedor», é endémico e, como matriz da vivência da Democracia, dificilmente suscita qualquer esperança de mudança.

Como há quem continua a lutar contra este estado de coisas, o que importa é saber o lado da barricada em que nos colocamos.