[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013



Chaby Pinheiro


Para que houvesse homenagem, como tão justamente sugere Fernando Morais Gomes, suposto seria que determinadas entidades informadas, cultas, desejosas de partilhar o apreço pelo grande artista, se dispusessem para o efeito.

Estamos perante o caso de um grande actor mas podemos generalizar a outros casos. Infelizmente, o mais habitual é que tais entidades atribuam os nomes dos notáveis às ruas, às escolas e edifícios públicos que tais, esquecendo ser necessário alimentar a memória e formar as novas e sucessivas gerações.
 
 
Passam hoje 80 anos da morte do actor Chaby Pinheiro, no Algueirão, depois de se ter sentido mal no local onde durante anos funcionou o cinema com o seu nome. Alguma homenagem prevista? Huuuummm.... [Fernando Morais Gomes, facebook, 06.12.2013]
 
 
 


Em Salzburg,
Comemoração da Morte de Mozart
 
[facebook, 05.12.2013]

Mozart morreu pelas 23.45 na noite de 4 para 5 de Dezembro de 1791. Em Salzburg, a comemoração mais evidente acontecerá esta noite, na Kollegienkirche, em que a Orquestra 1756 interpretará o "Requiem", de acordo com os pormenores constantes do anúncio que passo a partilhar.
 
Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart verstarb in der Nacht vom 4. auf 5. Dezember 1791. Zum Gedenken daran wird in #Salzburg heute um 23:45 Uhr das Requiem zu Mozarts Todesstunde aufgeführt – heuer erstmals wieder in der Salzb...urger Kollegienkirche, die nach der Renovierung in neuem Glanz erstrahlt. Das Orchester 1756 spielt auf Originalinstrumenten und ergänzt den Chor cantus XVII aus Wien sowie Natalia Kawalek (Sopran), Iwona Sakowicz (Alt), Wilhelm Spuller (Tenor) und Einar Gudmundsson (Bass). Die Leitung hat Konstantin Hiller. Karten ab 29 Euro sind noch an der Abendkasse erhältlich – oder telefonisch unter +43 (0)0662-828695 Mehr Infos: http://www.salzburg.info/de/kunst_kultur/musik/tipps/orchester_1756

Tonight at 11:45 p.m., at the hour of Wolfgang Amadé Mozart´s death, the Mozart Requiem will be performed on original music instruments – for the first time again in the beautifully renovated Kollegienkirche Salzburg! For those who are as grateful to Mozart as we are: Tickets from 29 Euro are still available at the evening box office! More information:
www.skg.co.at.
 


 Photo: Wolfgang Amadé Mozart © Internationale Stiftung Mozarteum
 


Mozart,
a morte há 222 anos
 


Precisamente hoje, pelas 23.45, se lembra a morte do divino Amadé. Para comemoração da efeméride das efemérides, poderia propor-vos o sempre a propósito “Requiem”, cuja mitologia composicional tem romantizado
uma obra que bem merece uma atitude de maior «reserva» em todos os domínios.

Mas não. Eis que, precisamente hoje, a Fundação Gulbenkian propõe a audição das suas três últimas sinfonias num concerto, pelas 21.00, no Centro Cultural de Belém, em que o maestro titular, Paul McCreesh, dirigirá a orquestra da casa. Assim sendo, ao mesmo tempo que farei o enquadramento do concerto, comemoro o génio dos génios.

Tendo em consideração o excelente trabalho que a Orquestra Gulbenkian apresentou, igual e exclusivamente dedicado a Mozart – dois concertos para Violino KV. 218 e 219 e a Sinfonia Concertante KV. 364 - também sob a direcção de McCreesh, tenho bons motivos para prever que se tratará de uma excelente oportunidade para aceder a este fabuloso conjunto de peças de toda a História da Música.

Se me permitirem, regresso a textos que vos apresentei no fim do ano passado de 2012, na altura em que terminei o meu trabalho de divulgação de toda a obra sinfónica de Mozart. Trata-se de quatro textos, o primeiro dos quais, introdutório, “Mozart, o milagroso tríptico sinfónico” e mais três, relativos a cada uma destas três derradeiras obras-primas com as respectivas propostas de audição.

Ainda uma pequena nota para lembrar a última vez em que assisti a um concerto com o mesmo programa. Foi na Mozartwoche 2013, no dia 25 de Janeiro, com Sir Simon Rattle dirigindo a Orchestra of the Age of the Enlightenment. De acordo com o que, na altura, convosco partilhei a partir de Salzburg, foi uma noite perfeitamente luminosa no Grosses Festspielhaus.


Boa leitura e boa audição!

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Mozart,
o milagroso tríptico sinfónico


 O cúmulo canónico absoluto da sua obra sinfónica, KV. 543, 550 e 551 – obras que, inequivocamente, figuram entre as mais importantes e influentes compostas em todo o século dezoito – foram escritas num curtíssimo período de seis semanas ou pouco mais, durante o Varão de 1788, circunstância concludente a partir das entradas no catálogo pessoal de Mozart, respectivamente, datadas de 26 de Junho, 25 de Julho e 10 de Agosto.

Tradicionalmente, tem-se partido do princípio de que Mozart nunca tocou estas sinfonias. No entanto, tal não parece sustentável já que não só essa convicção é totalmente contrária à prática habitual do compositor, como também a rápida divulgação das obras, em especial das KV. 550 e 551, e o facto de ele ter revisto a KV. 550, juntando clarinetes à orquestração, sugerem que, de facto, foram apresentadas publicamente.

E não terão faltado oportunidades para o efeito. Lembremos a nota numa carta datada de Junho de 1788, por altura da composição da KV. 543, dando a entender que Mozart estava a planear uma série de concertos no futuro imediato, para além do facto de que concertos, em Leipzig em 1789, Frankfurt em 1790 e Viena em 1791, todos incluíam sinfonias.

Ainda que não deixe de ser tentador descartar a ideia romântica de que as derradeiras sinfonias representam uma súmula e o culminar da arte sinfónica de Mozart – é perfeitamente absurdo pensar que ele teria consciência de que estas seriam as suas últimas peças do género – no entanto, tipificam algumas características essenciais do seu estilo sinfónico que, sem dúvida, constituem o grande contributo para a sinfonia.

Naquele contexto, gostaria de salientar a perfeita noção da proporção e do equilíbrio estrutural, um vocabulário harmónico riquíssimo, o delinear da função através de material temático distintivo e característico e uma especial preocupação com as texturas orquestrais que, muito particularmente, manifestou na escrita extensa e idiomática para os instrumentos de sopro.

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Sinfonia No. 39

[também no facebook]

Sinfonia em Mi bemol Maior obedece a uma orquestração em que os oboés estão ausentes, circunstância que condiz com solução idêntica do anterior Concerto para Piano KV. 482. A tonalidade é uma das favoritas do compositor a qual tem sido interpretada como assumindo, a um tempo, a dupla perspectiva de suficiência e terna nostalgia, para além de ser a mais presente na música maçónica de Mozart.

Esta é uma daquelas sinfonias que remonta ao padrão mais habitual dos quatro andamentos com o restabelecimento da solução Menuetto/Trio na terceira secção. O ‘Allegro’ inicial é um ‘Adagio-allegro’, portanto, novamente precedido por uma lenta introdução, especialmente notável pelo seu tema cantante legato. O andamento lento é o ‘Andante com moto’, em Lá bemol, um movimento lírico perturbado por grandes e súbitas manifestações em tonalidades afins.

Quanto ao ‘Menuetto/Trio’, parece-me evidente afirmar uma «tendência» para soar a Schubert, com a evidente proeminência das partes de clarinete na secção do Trio. Termina com um ‘Allegro’ que não podia ser mais complexo e complicado, especialmente original e inoivador na escrita para a secção das trompas.

A interpretação que vos proponho – não só desta mas também das outras duas sinfonias do tríptico – é a do Maestro Harnoncourt com a Filarmónica de Viena. Por razões muito pessoais, fiquei particularmente ligado a estas leituras cuja pertinência tive oportunidade de confirmar por ocasião do ano jubilar mozartiano de 2006, em que Nikolaus Harnoncourt foi o convidado de honra do Mozarteum para as comemorações dos 250 anos do nascimento de Mozart.

Tive o raríssimo privilégio de assistir à gala matinal – abertura oficial muito restrita, no Mozarteum, apenas por convite, que é preciso não confundir com a gala da noite no Grosses Festspielhaus – em que Harnoncourt, num discurso absolutamente espantoso e memorável, explicou porque estas e, em especial, a KV. 550, era a sinfonia da sua vida. Já publiquei esse testemunho interessantíssimo pelo que basta procura-lo no arquivo.

Boa audição!
http://youtu.be/9CpA7tlVqN4
W. A. Mozart - Symphony No. 39 in E-flat major (Harnoncourt


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Mozart,
Sinfonia No. 40


Sem dúvida que foi com duas orquestras em perspectiva que Mozart compôs as duas versões da sua Sinfonia em Sol menor KV. 550, obra cheia de neurose, intelectual e tematicamente a mais erudita de todas as suas grandes sinfonias. Não há uma única nota a mais, ou seja, a contenção é máxima, absolutamente nenhuma concessão à facilidade ou ao ânimo leve.

Muito frequentemente, é nítida a sensação de um violento e notório desespero que nos remete para o Romantismo. A primeira versão da peça, além dos habituais naipes de cordas, foi escrita para 1 flauta, 2 oboés, 2 fagotes, 2 trompas, uma versão em que – façam o favor de reparar bem – são precisamente as trompas que contribuem para um tom particularmente agressivo da música.

Em relação à versão inicial, na revisão da orquestração a que procede em Abril de 1791, Mozart introduz clarinetes na textura e reformula as partes de oboé, conferindo à obra um cariz mais nostálgico. De qualquer modo, quer numa quer noutra, o que ressalta é a economia do material.

Esta é uma obra em que todos os cânones vigentes são postos em causa. É uma obra em que é enorme o salto para o futuro. Ela é um marco na História da Música em geral e na História da Sinfonia em particular. Com a KV. 550, o compositor perturba as consciências formatadas para uma ordem que ele vem abanar como um terramoto. Perante este quadro de tantas evidências que apenas pedem atenção na escuta, parece impossível como a obra continua a ser lida e ouvida com a ligeireza com que, não raro, ainda reparamos e contra a qual Harnoncourt se rebelou.*

A partir de então, nunca mais o género sinfónico terá qualquer espartilho. Nesta sinfonia, Mozart protagonizou um salto para a Liberdade, abrindo a porta aos grandes sinfonistas do futuro, em especial, a Beethoven que ainda conheceu e acerca de quem tinha a melhor das impressões. Ouvir a KV. 550 continua a constituir um desafio à inteligência, um convite ao enriquecimento do espírito. E, se quiserem, no contexto da tríade em que figura como segundo momento – depois da Sinfonia No. 39 e a caminho da ‘Júpiter’ – representa um território sombrio, um momento em que tudo é posto em causa, até à resolução que a Sinfonia No. 41 vem anunciar.

Vou deixá-los, tal como já tinha anunciado no artigo precedente, com a leitura de Harnoncourt à frente da Filarmónica de Viena. É, de facto, uma abordagem impecável. Assim saibam entender-lhe a diferença relativamente a outras propostas.

Boa audição!

*Depois da publicação do próximo texto, com o qual terminarei este trabalho de divulgação das quarenta (quem esteve atento, sabe que não são quarenta e uma…) sinfonias de Mozart, acrescentarei umas nota sobre o que o Maestro afirmou acerca da KV. 550, considerando-a a sinfonia que mudou a sua vida.

 http://youtu.be/AP3lJy9rVOc

  Mozart Symphony No 40 G minor N Harnoncourt Wiener Philarmoniker


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Mozart,
Sinfonia No. 41
Desde o seu primeiro andamento, esta sinfonia é a continuação da precedente e, tal como já dei a entender, «resolve» as preocupações que a outra tinha expressado. O pathos e a ansiedade são agora ultrapassados. Trata-se de uma sinfonia de equilíbrio e ordem, de uma autêntica arquitectura que Mozart cria baseado nas suas convicções e em si próprio, uma obra cuja grandeza apenas reflecte um ideal, uma sinfonia «de realização», não de especulação.

O tranquilo diálogo do segundo andamento, um ‘Andante cantabile’ é deliberadamente diferente do segundo andamento da Sinfonia No. 40. Nenhuma ansiedade nem sombra de qualquer espécie. Sem pausas mas sem tensão, a partitura empurra o ouvinte em direcção à plena luz, como Tamino fará em relação à luz da sua iniciação.

Insisto na necessidade de sempre ter presente que Mozart compõe as três sinfonias num curtíssimo período, em pleno Verão de 1788, um tempo durante o qual mal sai de casa que importa relacionar com o texto da carta ao seu Irmão Maçon Puchberg . Neste contexto, para tentar entender a unidade de pensamento da trilogia, preciso é que relacionemos o último movimento desta ‘Jupiter’ com o primeiro andamento da Sinfonia No. 39 já que, assim procedendo conseguimos imaginar como, na sua oposição, mutuamente se complementam.

Para rematar a obra, Mozart regressa ao símbolo da dualidade e da oposição. Começando no caos inicial dos ritmos quebrados, na violência dos batimentos – numa palavra, em tudo o que o princípio deste tríptico tem a ver com escuridão, ansiedade e desordem – Mozart vai guiar-nos para a luz, força e beleza.

Em conclusão, não é difícil que, neste compósito e complexo dispositivo sinfónico, possamos ler um percurso maçónico em que, entre outros, tivemos um vislumbre da claridade da esperança através da transparência do primeiro tema da Sinfonia No. 39, seguindo-se a escuridão da No. 40, num combate sem tréguas, escorregando pelo desânimo, até à estonteante luz da última sinfonia.

Finalmente!

Cheguei ao fim do trabalho que me propus. É o fim de uma caminhada fascinante. Em determinados momentos, a circunstância de sermos tão gratificados por verdadeiras epifanias musicais, quase fazemos um esforço para não esquecer a evidência de todo um percurso composicional que só pode ser plenamente entendido se, constantemente, o formos relacionando com as obras, de todos os géneros que, entretanto, Mozart ia compondo.

Humilíssimo, curvo-me perante o génio. Ousei ler algumas entrelinhas do divino Mozart. Lá do Oriente Eterno onde repousa, perdoará ele o atrevimento, mesmo tendo em conta o propósito da divulgação que me pareceu pertinente nestas ligeiras páginas do facebook?

Enfim, eis a última gravação proposta que, como já estava anunciado, continua com a Filarmónica de Viena sob a condução de Nikolaus Harnoncourt.

Boa audição!


Mozart Symphony No 41 C major 'Jupiter' N Harnoncourt Wiener Philarmoniker


W. A. Mozart - Symphony No. 39 in E-flat major (Harnoncourt)

W. A. Mozart - Symphony No. 39 in E-flat major, K. 543 (1788): 1. Adagio, cut time -- Allegro 2. Andante con moto 3. Menuetto: Trio 4. Allegro The Chamber Or...
 



Efeméride mozartiana
 
[facebook, 04.12.2013]



No dia 4 de Dezembro de 1786 Mozart completava o seu Concerto para Piano e Orquestra No. 25 em Dó maior, KV. 503 que vos apresentarei numa interpretação de Mitzuko Uchida com a Filarmónica de Viena sob a direcção de Ricardo Mutti.

Gostaria de chamar a atenção dos meus amigos que mais familiarizados estarão com a obra de Amadé para algumas curiosidades. Em primeiro lugar a circunstância de esta obra apresentar um flagrante paralelismo com o Quinteto de Cordas em Dó, KV. 515. Seguidamente, o facto de um dos temas secundários do primeiro andamento, ‘Allegro maestoso’, ser uma marcha que, frequentemente, nos lembra “La Marseillaise” (reparem, aos 13’ e 20”) que, na altura, ainda não tinha sido composto.

No seu Concerto para Piano e Orquestra No. 4, Beethoven faz citações desta obra de Mozart. E, talvez, a mais famosa das conotações será com a Quinta Sinfonia também de Beethoven, cujo célebre motivo do primeiro andamento se parece muito com um deste concerto.

Como ainda poderão verificar, o terceiro andamento, ‘Allegretto’, na forma sonata, abre com um tema gavotte da ópera “Idomeneo”. Johann Nepomuk Hummel, um dos mais conhecidos alunos de Mozart, tinha esta obra em especial apreço, recebendo dela influência para o seu Concerto para Piano e Orquestra em Dó, op. 36.

Quanto à interpretação de Uchida, parece-me luminosa. Já em relação à direcção da orquestra, perceberão que, no segundo andamento, ‘Andante em Fá Maior’, Mutti optou por certa subtil aceleração que nada beneficiou a prestação geral.

Boa audição!

http://youtu.be/c91sftnGkZY
 
 



Dia de São Francisco Xavier
 
 
[facebook, 03.12.2013]


Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo y Aznáres, mais conhecido como Francisco Xavier, por ter nascido, em Xavier, no dia 7 de Abril de 1506, faleceu em Sanchoão, em 3 de Dezembro de 1552, celebrando-se hoje o seu dia. Um dos mais célebres missionários, padroeiro dos missionários, com Santo Inácio de Loyola fundador da Companhia de Jesus, é figura máxima da hagiografia cristã.

Em Lucerna - cidade suiça à qual me sinto particularmente ligado, desde o tempo em que, com meu pai, ali comecei a frequentar o Festival que, ainda hoje, continua como um dos mais abençoados lugares para a celebração da grande música - há uma igreja de São Francisco Xavier, onde me sinto particularmente bem. Aí ouvi excelente música. Um bom exemplo é o da proposta que, de imediato, vos apresento.

Eis Et incarnatus est do Credo da célebre Missa KV 427, de Mozart, na voz de Arleen Auger, Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks sob a direcção de Leonard Bernstein. Gravado naquela igreja de São Francisco Xavier, é um soberbo momento musical em que honramos também o grande santo.

Boa audição!

http://www.youtube.com/watch?v=YJJT108WZ7o&feature=share&list=FLnPEHzq2hFdiPi__gnJgqxQ
 
 


Parabéns Ana Gomes!

[facebook, 03.12.2013]


Enquanto, naturalmente, na melhor das intenções, uma série de pessoas continua produzindo declarações pouco eficazes a propósito da mais que lamentável negociata dos Estaleiros de Viana do Castelo, Ana Gomes pôs o dedo na ferida de tal maneira que Aguiar Branco já lhe moveu um processo.

Ana Gomes, que não deixa créditos por mãos alheias, tem-se revelado com uma especial acuti...
lância em situações que indiciam flagrante corrupção. Diplomata, mulher de Direito, sabe medir as palavras. Contundente quando deve ser contundente, eis que abre mais uma janela a dar-nos alguma esperança, pese embora o ritmo da Justiça.

É com muito orgulho na nossa amizade que aponto mais este seu exemplo de cidadania. Parabéns, Ana Gomes!


Efeméride ibérica
 
[facebook, 03.12.2013]


Em 3 de Dezembro de 1729 nasceu Antonio Soler, o compositor e padre espanhol (m. 1783) a quem se deve a peça que vos proponho, um estupendo Fandango, em magistral interpretação de Andreas Staier no cravo.

 

Boa audição!
 
 
 

domingo, 1 de dezembro de 2013



Parques de Sintra Monte da Lua

MELHOR EMPRESA DO MUNDO EM CONSERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO!!!


O palmarés de prémios acumulado pela Parques de Sintra Monte da Lua é verdadeiramente impressionante e este último é dos de maior prestígio mundial. Está de parabéns o Prof. António Ressano Garcia Lamas, está de parabéns a equipa que ele lidera e estamos de parabéns todos nós, sintrenses reconhecidos pelo trabalho notabilíssimo de gestores e técnicos tão conceituados.

Quem, como eu, tem acompanhado de muito perto o trabalho desenvolvido pela empresa, desde o início da sua constituição, só pode rejubilar e sentir o maior orgulho. Infelizmente, nem sempre foi assim. Como não tenho memória curta, lembro o pesadelo dos primeiros anos de actividade, sob a incompetente gestão do biólogo Serra
Lopes.

Na realidade, tendo em consideração o paradoxal contraste entre o actual período de permanente júbilo e o anterior de constante pesadelo, é perfeitamente imaginável o que seria de Sintra sem o empenho que esta boa gente tem demonstrado na defesa dos nossos interesses, tendo conseguido o Prof. António Lamas salvar a PSML do abismo em que a encontrou, erguendo-a e notabilizando-a a este nível absolutamente ímpar e invejável.
 
 





Banco Alimentar contra a Fome,
que grande manifestação!

 
- 40.000 voluntários
- 2.300 instituições assistidas
- 418.000 pessoas beneficiadas

[A propósito da campanha deste fim de semana, apenas me remeto à transcrição de artigo que subscrevi e publiquei em 3 de Junho deste ano. ]

 

...e a caravana passa...
Em Sintra, também


Durante o fim de semana, em todos os supermercados de Sintra e de todo o país, mais uma campanha do Banco Alimentar contra a Fome. Um espanto como, apesar de tanto constrangimento, as pessoas continuam a evidenciar tanta generosidade. Quase duas mil e quinhentas toneladas de alimentos que, no concreto mundo de necessidades sem paralelo em tempos mais ou menos recentes, vão mesmo aliviar o sofrimento de quem tem os horizontes cortados.

Na actual situação de carência, de miséria e fome declarada, se não fosse a acção do Banco Alimentar, não sei mesmo como seria. É que as tão reclamadas respostas institucionais que deveriam enquadrar, mitigar e, definitivamente, resolver casos que tais, pura e simplesmente, não tiveram condições para acontecer no passado mais ou menos recente, não têm actualmente e não prevejo que possam aparecer a breve trecho, a menos que alguém tenha escondida uma varinha de condão...

Natural e evidentemente, é com a maior ênfase que todos subscrevemos a solução das respostas institucionais. Não esqueçam que liquidamos impostos similares aos do Norte da Europa... De há muitos anos a esta parte, se a boa gestão da coisa pública imperasse, estaríamos a dar a César, provavelmente, mais do que o necessário para que não fôssemos confrontados com a situação que nos aflige diariamente, de miúdos que não comem o que devem, de famílias no desespero.

No entanto, com uma classe política gasta, medíocre – e, tal como Mário Soares, há poucos dias, afirmou em relação a António Seguro, com um líder frouxo à frente do maior partido da oposição – muito difícil será, nos próximos anos, mesmo com novo Governo, dispensar a meritória actuação do Banco Alimentar contra a Fome que, é bom lembrar, já actuava, e muito bem, com governos anteriores. Sim, que a fome não é de hoje…

Desta vez, os media e as redes sociais deixaram em paz Isabel Jonet que, manifestamente, não sabe nem quer ocupar os lugares da ribalta nos jornais e telejornais. Em seu sossego, tão discreta quanto eficientemente, milhares de voluntários fizeram a obra imprescindível. Só há que continuar a participar e agradecer.


Com Jorge Calado,
de braço dado
!




Como estive fora uns dias, ainda baralho um pouco as referências a lugares e datas anteriores à minha partida. Isto para vos dizer que, assim, de repente, não consigo lembrar-me se foi no passado fim de semana ou no anterior que acedi à crítica do Jorge Calado, sobre A Filha do Regimento, que se cantou em São Carlos recentemente.

Coitado do Jorge Calado... De facto, no seu perfeito juízo, só por dever de ofício, algum melómano que se preze, se sujeitaria à experiência que, naturalmente, tão degradante, tão aviltante se adivinhava. No meu caso, se querem saber, nos últimos anos, depois da saída de Pinamonti, contam-se pelos dedos da mão, as vezes que fui a São Carlos para uma récita de ópera. Depois do Ring do Graham Vick, tenho a impressão que estive no Don Carlo...
 


Isto, para alguém que, durante quase cinquenta anos era assíduo, de assinatura constante... Enfim, posso ser tudo, mas, graças a Deus, ainda não fui atacado de masoquismo. Deixei de ir. Pura e simplesmente. Basta-me olhar para a programação para nem pensar nisso. E que pena eu tenho! Que pena, por exemplo, não poder começar a iniciar o meu neto mais velho, já com nove anos.

Em São Carlos, aliás, além da péssima qualidade das propostas, inimagináveis no único teatro lírico nacional, um escândalo inqualificável para qualquer Governo, também está por resolver um gravíssimo problema de segurança física das instalações que, em qualquer latitude civilizada, já teria levado a encerrar o edifício.

Mas volto a Jorge Calado. Naturalmente, tanto quanto, por ele e por outros testemunhos fui sabendo, outra coisa não podia deixar de ter escrito no suplemento Actual do Expresso. Apenas vos deixo com uma reflexão.

Qualquer obra prima - pintura, escultura, peça de teatro, ópera, etc, - sê-lo-á sempre, exigindo sempre a melhor apresentação possível. Tanto, ou até mais do que com as Artes Plásticas, em que as peças foram concebidas, acabadas e apresentadas para todo o sempre, na Música, na Ópera, impõe-se que as obras sejam «feitas em tempo», de cada vez em que são apresentadas.

Pois bem, por assim acontecer, não pode, não deve acontecer qualquer concessão ou perversa «tolerância» a um hipotético abaixamento da qualidade, fruto de circunstancialismos diversos, de ordem política, económica, social, etc, que apouque a obra-prima, ofendendo não só o compositor mas também o público destinatário, este que tem direito a partilhar a obra na plenitude das características que a definem e animam.

É por isso que, ao crítico honesto, conhecedor da obra, intelectualmente bem apetrechado, consabidamente exemplar, geralmente respeitado pelas suas análises, ninguém pode acusar de maldade, crueldade, falta de generosidade e quejandas. Jorge Calado pertence a essa estirpe de virtuosos, que sabe o que escreve, porque muito estudou, porque muito viu, porque tem um discernimento inequívoco.

Vamos ao caso de A Filha do Regimento, ópera exigentíssima a vários títulos, que, aliás, tal como qualquer outra, não pode subir a palco sem que estejam verificadas condições sine quae non. Há um limite mínimo exigível, a partir do qual, de modo algum, poderá apresentar-se a obra.
Em São carlos, esse risco está a ser pisado há demasiado tempo. É uma vergonha filha da mais flagrante ignorância e máxima incompetência.

De braço dado com Jorge Calado, só podemos esperar é que muita gente se nos junte.