[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quinta-feira, 23 de outubro de 2014



No lugar certo

[facebook, 22.10.2014]

Eis-me, apanhado pela câmara do Fernando Morais Gomes , durante uma intervenção na Assembleia Municipal no passado dia 20.

Não gostaria de perder a oportunidade chamando a atenção para a pertinência da participação dos cidadãos nas Assembleias democráticas com periodicidade mensal. Tais são os casos da Assembleia Municipal - genuíno Parlamento local - e da reunião pública mensal da Câmara Municipal em que os eleitos dirimem argumentos e decidem problemas im...portantes para a qualidade de vida do município.
 
Pois é nessas ocasiões que os cidadãos podem interpelar o Presidente da Câmara Municipal, directa e formalmente, em relação a quaisquer assuntos de interesse para a comunidade. No momento, se estiver habilitado, o autarca responderá de imediato. Caso contrário, posteriormente, através de carta remetida para a sua residência, o cidadão receberá a devida resposta.
 
Passa por este tipo de intervenção uma das mais nobres atitudes de participação cívica na vida comunitária. Além do interesse que possa manifestar, em trabalhos no seio das associações cívicas a que pertença, o munícipe tem aquela prorrogativa que cumpre aproveitar. Nos locais próprios, a nossa presença empenhada, dando satisfações uns aos outros, sobre as nossas preocupações.
 
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Intervenção de João De Oliveira Cachado na Assembleia Municipal de


Bach [& Sellars...]
Paixão Segundo São Mateus


[facebook, 21.10.2014]

Em 2010, em Salzburg. Agora, também em Nova Iorque. Enfim, é uma proposta séria e, acerca da seriedade da proposta, quem pode não concordar? Permito-me, como sempre tenho feito, pôr em questão a intrusão - substantivo que uso sem qualquer conotação pejorativa - de elementos de efeito 'cénico' na interpretação desta obra prima de Johann Sebastian Bach. Sem comentários.

Eis uma interpretação de "Erbarme dich, mein Gott" da "Matthäus-Passion" BMV 244, peça justamente destacada pelo crítico, aqui cantada por Magdalena Kozena, precisamente, a mesma intérprete da obra objecto da critica. Aqui, sem efetos cénicos, «a seco», coitados de vós, «a sós» com a música de JSB...

Boa audição!

http://youtu.be/ucg7l1g8G4g
 
 
 
Alex Ross calls Peter Sellars’s staging of Bach’s masterwork, with the Berlin Philharmonic and the Rundfunkchor, “one illumination after another.”
newyorker.com


Camélias para a conversa

[facebook, 21.10.2014]

Depois de o Prof. António Lamas me ter convidado para membro do júri do concurso internacional que Sintra promove anualmente, para selecção das melhores camélias, ainda mais estreitei a relação com estas plantas.

Claro que jamais me sentirei enfastiado perante o fascinante universo da cultura da camélia. E, meu Deus, o que já tenho aprendido! E que espécimes espectaculares não vi eu já!
Há anos que ofereço camélias envasadas e também passei a cultivar, mas em reduzidíssima quantidade. Nesta altura, em plena segunda quinzena de Outubro, as minhas ainda estão em botão.

E, deixem-me dizer-vos que, por mais que recorra aos conhecimentos de que beneficiei entretanto, não consigo responder às perguntas da minha querida amiga Ana Margarida Oliveira Martins .

As mudanças de temperatura, a pluviosidade, hão-de explicar nem que, tão só, parcialmente.
Mas, para quê conjecturar se a menina aí tem tão perto o seu colega e nosso bom amigo comum Engº Nuno Oliveira? Ou o Arq. Gerald Lockhurst, ambos, aliás, tão jurados como eu e companheiros nos tais concursos, mas muito mais sabedores? Um beijinho
 
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Casa dos Patudos,
evocação pessoal de um avô muito especial


[facebook, 21.10.2014]

Ao partilhar um 'post' da minha amiga Emília Reis sobre a Casa de José Relvas em Alpiarça, eis a oportunidade para mais uns dedos de conversa convosco. Não me têm aqui para uma descrição da Casa dos Patudos, informação essa disponível em vários suportes, mesmo na net. Atenção, no entanto, porque nem sempre as informações são absolutamente fidedignas ou, mesmo sendo-o, podem induzir o leitor menos atento em erros grosseiros.

O que me traz à Casa dos Patudos é o facto de o meu avô paterno ali ter sido educado. Ligações familiares entre a minha família ribatejana e a de José Relvas, que não vêm para o caso, já que o seu esclarecimento poderia tornar-se fastidioso, explicam que, em criança, o meu avô tivesse ido viver para Alpiarça, precisamente na altura em que Carlos Relvas inaugurou a Casa dos Patudos.

Sempre em contacto com a casa dos meus bisavós no Pombalinho, Golegã, a verdade é que lá viveu a infância e juventude até vir para Lisboa, antes de terminada a primeira década do século passado. Portanto, cerca de uma dúzia de anos de vivência num lugar onde, acima de tudo, se cultivava a Literatura, as Artes Plásticas e, muito, a Música. José Relvas, filho de Carlos Relvas, o grande pioneiro da fotografia em Portugal e abastado lavrador, nascera na Golegã em 1858 e veio a morrer, em Alpiarça em 1929, amargurado, carregando com o desgosto da morte dos dois filhos, um dos quais por suicídio.

Foi ele, como se sabe, quem proclamou a República da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Ministro das Finanças, Embaixador em Madrid, homem cultivadíssimo, senhor de grande fortuna pessoal, com os melhores contactos pessoais, de íntima amizade, no meio artístico, algo que bem ilustrarei lembrando que José Malhoa tinha atelier nos Patudos…

Muitas vezes, ouvi ao meu avô um testemunho que me encantava particularmente. Nos Patudos, José Relvas era procurado, pessoalmente, por grandes colecionadores e marchands internacionais que o incluíam nos seus circuitos e périplos de negócios de antiguidades. Sabiam o que lhe interessava, adivinhavam-lhe os desejos e, naturalmente, tinham-no entre os seus melhores clientes europeus.
É preciso ter este detalhe em consideração para se perceber como uma visita aos Patudos é um deslumbramento para o qual a maioria dos portugueses ainda não foi desperta. Cerâmicas e pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, faiança portuguesa, a maior colecção particular de tapetes de Arraiolos, espantosos painéis azulejares, quadros de José Malhoa, Silva Porto ou Constantino Fernandes, serviços e peças singulares de Companhia das Índias, de Sèvres (a célebre ‘Mesa das Artes’), cerâmicas Vista Alegre por ele próprio encomendada, mobiliário estilo Império, etc, etc.

Uma biblioteca magnífica, uma sala da Música que é um assombro e a própria casa, desenhada por Raul Lino, enorme, interessantíssima, nem toda visitável. Nem por sombras, terei dado uma ideia sequer aproximada do recheio patrimonial da Casa dos Patudos. É preciso ir. E quem for, estará, de facto, perante o paradigma do que é uma genuína casa museu, na acepção de que acolhe preciosidades únicas.
 
Por exemplo, é lá que estão reunidos os quatro painéis da autoria de Francisco Henriques, do retábulo da capela-mor da Sé de Évora, com temas marianos: a Anunciação, a Natividade, a Adoração dos Magos e a Apresentação do Menino no Templo. Pintura de excepcional qualidade, do principio do século XVI (ao tempo do Venturoso, Senhor D. Manuel I) cujo acesso e estudo só é possível se ali se deslocarem.

Não posso recomendar mais uma visita a este santuário de arte. Tenho acompanhado amigos. Tenho feito promessas de «excursões» ainda não cumpridas, como aquela que a minha querida amiga Margarida de Lemos ouviu quando ambos visitámos a Casa do Cipestre, também de Raul Lino, por altura do fim do primeiro ciclo do Colóquio Raul Lino, tão bem recebidos que fomos pelo Martinho Lino Pimentel que, curiosamente, ainda não conhecia a Casa dos Patudos.

Permitam que volte ao avô. Não admira que ele tivesse sido marcado para a vida por uma educação excepcional que, pouco mais tarde, haveria de o determinar a constantes «réplicas», como a de dedicar a vida à arte fotográfica, coleccionar livros, partituras, instrumentos musicais de extraordinária manufactura, como o piano Gotrian Steinweg ('antepassado' do Steinway), arpas, um órgão e violinos Klötz, um dos quais, em muito mau momento da vida, o meu pai seria obrigado a vender a Antonino David, concertino da Orquestra da Emissora Nacional.

E, muito importante para todos nós, seus filhos e netos, a facultar cursos superiores de Música ao meu pai, violino, e às tias, violino e piano, os três diplomados em Ciências musicais pelo Conservatório de Lisboa. Ele próprio era um bom pianista amador. A minha avó cantava. Em Belém, já com os filhos quase adultos, o avô passou a promover uns serões musicais, em finais da década de trinta e na de quarenta, cuja fama se manteve por muito tempo.

Desse ambiente, da cultura vivida em casa, sem ostentação que não fosse a de estar à altura do privilégio que fora essa educação, ainda nós herdámos um património, manos e primos, que tanto nos determina a um natural orgulho por esse passado.



Emilia Reis adicionou 4 fotos novas.
 
Como complemento à interessante Exposição Virtual sobre Raul Lino deixo algumas fotos exteriores (no interior não é permitido fotografar) da Casa dos Patudos, em Alpiarça, que construiu para José Relvas. Numa barra com 10 azulejos pode ler-se a seguinte inscrição:
* PROJECTADA . EM 1904 E . EDIFICADA . EM 1905 ARCHITECTO DESTAS . OBRAS RAUL LINO DE LISBOA *
É interessante que o mobiliário da casa foi também criado por Raul Lino

Foto de Emilia Reis.


19.10.2014
Gulbenkian,
fim da tarde


[facebook, 19.10.2014]

1. De acordo com o que vos tinha anunciado, eis uma lembrança do Concerto. Primeiramente, passo a reproduzir palavras impressas na página de rosto do programa de sala:...
________________________

Esprito da Arménia,
A memória viva do oriente cristão mais antigo: Música da memória


Aram Movsisyan, voz
Georgi Minasyan, duduk
Haïg Sarikouyoumdjian, duduk
Gaguik Mouradyan, kamantcha

Hespèrion XXI
Viva Biancaluna Biffi, Viola de arco
Daniel Espasa, orgão
Pedro Estevan, percussão
Jordi Savall, Rabeca, Viola da gamba, Viola e Direcção
_________________________


2. Apenas uma das peças ouvidas, "Hayastan yerkir" (Ode à pátria). A gravação foi obtida num concerto ao vivo na Abadia de Fontfroide, Narbonne, em Julho de 2013, cujo programa coincide exactamente com o desta tarde.

É de grande espiritualidade a atmosfera que se vive. Reina uma sábia paz, filtrada por um povo mártir, sofrido, que jamais perdeu ânimo e esperança, ambiente que reinou durante todo o concerto, de excepcional elevação espiritual. Para que melhor possam acompanhar, eis a tradução do canto:
"Arménia, terra do paraíso"

 [Ode à pátria: G. Yeranian (1827-1862)]

Arménia, terra de paraíso,
berço da espécie humana
e para mim terra natal.

Arménia, Arménia, Arménia.
Ó, que o teu nome tão querido ao meu coração
me exorte a coragem e me inspire.

Cheio de desejo, é em ti que espero,
em ti que está a minha única esperança.
Arménia, Arménia, Arménia.

Arménia de nome benfazejo
foi em ti que a arca de Noé encontrou o seu repouso,
graças a ti, por ti, que Noé viveu.

Arménia, terra natal de heróis,
o teatro das suas proezas,
os zéfiros sopram com doçura,
foram eles que restauraram e frutificaram.

E quepara sempre me lembre,
e que sempre te venere.
Arménia, Arménia, Arménia.


 [Tradução (do Francês) Linguaemundi]

Boa audição!

http://youtu.be/CQKSMd8xUm8

 


Raul Lino em Colóquio, III
 
 
[facebook, 19.10.2014]
 
 
Este interessante diaporama de Taylor Moore, [Taylor Moore Photography]foi ontem apresentado na sessão de encerramento do "Colóquio Nacional Raul Lino em Sintra" que decorreu no auditório do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.
 
Aproveito a oportunidade para destacar a soberba intervenção do meu querido amigo José Cardim (entre outras coisas, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Director do referido museu) que, com a sua ...especial e específica autoridade de co-autor (com outro meu amigo, o Prof. Victor Serrão) do dossier da candidatura de Sintra a Património da Humanidade, disse uma série de verdades e deixou «recados» que não podem deixar de ser ouvidos por quem de direito.
 
Este Colóquio, que ainda terá mais um Ciclo, no próximo Inverno, revelou-se uma iniciativa cultural do maior interesse, teve salas apinhadas, até com necessidade de suprir mais cadeiras. Boas comunicações, momentos de gratificante encontro com escritores, académicos, artistas que à obra do saudoso Arq. Raul Lino têm dispensado atenção. Portanto, um êxito de que a organização, o Prof. Rodrigo Sobral Cunha, em particular, bem podem orgulhar-se.
 
 
 


Ana Netrebko,
nada de confusões...


[facebook, 19.10.2014]

Esta mulher é uma «bomba»! Tem predicados imensos em todos os domínios, incluindo os vocais, pois claro. Mas,  daí a endeusá-la, como se, antes dela,  não tivesse existido, desempenhando os mesmos papéis, uma série de fabulosas cantoras, porventura não tão «atractivas» como ela, vai um passo de gigante.

Ao deslocar-se num grande palco - assumindo uma grande personagem do reportório operático, daquelas que, como Lady Macbeth, já de si transportam uma carga sexual de atracção inequívoca - AN é um caso sério, como muito bem assinalava Jorge Calado numa crítica recente publicada no suplemento 'Actual' do "Expresso".

De qualquer modo, não esqueçamos que vários encenadores, movimentando-se em lobbies muito bem orquestrados, que não passam de Chérau de quinta classe, aí estão em Salzburg, Bayreuth ou Nova Iorque  - porque os deixaram assumir um estatuto inusitado naqueles que eram «santuários» operáticos aparentemente imunes a tais manobras - a aproveitarem-se dos atributos de cover-girls como os da Netrebko e outras, seduzindo «novos» públicos através de uma estratégia que as grandes companhias discográficas promovem sabiamente.

É uma grande voz. Agora com 43 anos, teremos a graça de poder contar com ela ainda por muitos anos e bons. Mas, como tão bem escreve o nosso Mário de Carvalho, em "Casos do Beco das Sardinheiras", não confundamos género humano com Manuel Germano...

E aqui vos deixo com uma amostra da sua lavra. Só tem três fotos. Se quiserem aceder a ilustrações sugestivas, não faltam nas revistas cor-de-rosa de todas as latitudes, por exemplo, acerca da ligação matrimonial escaldante com Rolando Villazón. Olhem, a propósito, oxalá não lhe aconteça a desgraça que conheceu a voz deste seu ex-marido.

Eis o detalhe:

01 O Mio Babbino Caro 00:00
02 Quando Men Vo 02:42
03 Dome Epais le Jasmin (Flower Duet) 05:18
04 Deh Vieni Non Tardar 10:24
05 La Ci Darem la Mano 13:51
06 Ardon Gli Incensi (Mad Scene) 17:12
07 Casta Diva 22:15
08 Lied an den Mond 28:02
09 Libiamo ne Lieti Calici 33:03
10 Meine Lippen, die Kussen so Hei? 36:09
11 Ma Qual Mai... Fuggi Crudele 41:50
12 Si, Mi Chiamano Mimi 48:04
13 O Soave Fanciulla 53:24
14 Belle nuit, o Nuit D'amour 57:32
15 Solvejgs Lied 01:00:07
16 Addio del Passato 01:03:51
17 Eccomi... Oh! Quante Volte 01:09:34


Boa audição!

http://youtu.be/rHkTjLRW_X0



«Manobra» de reconhecimento

[facebook, 18.10.2014]

 
Se, de facto, o trabalho desenvolvido pela Parques de Sintra tanto orgulha não só os sintrenses mas também todos os portugueses, saibamos corresponder ao apelo que a própria empresa nos dirige. Para que votemos, nos pedem. Como não se, afinal, o sentido do voto coincide plenamente com o sentimento que, tão justamente, partilhamos?

Ninguém me tendo encomendado o sermão, não é na condição de membro do Conselho Científico da PSML que me dirijo a todos... os meus contactos do facebook solicitando que acedam a este movimento, de normalíssimo reconhecimento por tanto e empenhado labor a favor de Sintra, do seu património edificado e natural que, sob gestão da empresa, é património de todos.

É 'cordialmente', ou seja, 'com o coração', que faço esta chamada de atenção. É como cidadão de Sintra, em comunhão com os meus amigos envolvidos nas causas da defesa do património desta terra, que vos peço não deixem de dar o vosso contributo. As instruções aí estão. É só «clicar» e preencher.



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E, APROVEITANDO A OPORTUNIDADE PARA LEMBRAR O HABITUAL BENEFÍCIO DAS ENTRADAS GRATUITAS TODOS OS DOMINGOS, SEGUE UM AVISO COMPLETO COM ESPECIAL ATENÇÃO PARA A NECESSIDADE DE CONFIRMAR A CONDIÇÃO DE MUNÍCIPE DE SINTRA.


AOS DOMINGOS ATÉ ÀS 13 HORAS, AOS DOMINGOS ATÉ ÀS 13 HORAS, AOS DO

os munícipes do Concelho de Sintra estão isentos de pagamento de entrada nos parques e monumentos sob gestão da Parques de Sintra. Para usufruir desse direito, devem ser apresentados documentos oficiais que comprovem a residência como, por exemplo, Cartão do Cidadão (requer o PIN), Bilhete de Identidade, Carta de Condução, Cartão de Contribuinte ou Cartão de Eleitor. No caso de apresentação de uma fatura de eletricidade, água, gás, entre outras, esta tem que ser acompanhada de documento identificativo para verificação do nome do titular da fatura.
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 18 de outubro de 2014



EM SINTRA,
CIDADÃOS ORGANIZAM-SE PARA A INTERVENÇÃO CÍVICA


[Transcrição do artigo publicado na edição de 17 de Outubro do 'Jornal de Sintra]

EM SINTRA,
CIDADÃOS ORGANIZAM-SE PARA A INTERVENÇÃO CÍVICA

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Sintra,
Movimento cívico 'formal'



Em Sintra, acaba de nascer mais uma associação. Aconteceu na passada segunda-feira, no Cartório Notarial de Sintra do Dr. António Catalão, onde se realizou a Escritura pública do movimento CANAFERRIM ASSOCIAÇÃO CIVICA E CULTURAL, cujos declarados objectivos de intervenção logo se evidenciam na própria designação.

Se, 'de facto', já informalmente funcionava em São Pedro de Sintra, faltava concretizar este passo para que, oficialmente e 'de jure', passasse a ser reconhecido, quer pelos cidadãos de todo o concelho quer pelos poderes institucionais, como entidade que pretende afirmar uma intervenção cívica empenhada, em todos os assuntos, independentemente da sua dimensão mais ou menos restrita, cuja resolução seja determinante para os ganhos de qualidade de vida dos sintrenses.

Permitirão que, depois destes dois parágrafos de introdução, passe a usar a primeira pessoa do plural, na medida em que, incluindo-me entre os fundadores, faço parte de um grupo de cidadãos, alguns até muito jovens, profissionais dos mais diferentes sectores de actividade – juristas, economistas, professores, pequenos e médios empresários, etc, afectos à administração pública, autárquica local, às empresas e à Igreja Católica – outros já aposentados, todos com anterior experiência de envolvimento em movimentos idênticos.
 
À guisa de manifesto
 
Consideramo-nos entre aqueles que pensam a intervenção cívica como atitude matricial da própria razão de ser da vida em comunidade. Radicamos o nosso perfil de actuação nas melhores práticas alheias e, inclusive, na tarimba já adquirida em trabalhos mais ou menos recentes, como o que, sob coordenação de Fernando Cunha, apresentámos à Câmara Municipal de Sintra aquando do período de consulta pública sobre a questão do estacionamento.

É nesse contexto que privilegiamos o estudo prévio e o diagnóstico das matérias que possam estar em causa, sempre ao abrigo de uma perspectiva, tão correcta quanto possível, de análise sistémica que, a jusante, possibilite a adopção de medidas de inequívoca articulação integrada. A este respeito, bem podemos afirmar tratar-se de condição 'sine qua non' do nosso empenho e das propostas que possamos apresentar.
 
Valerá a pena introduzir um pequeno parêntesis para lembrar que, em Sintra, infelizmente, abundam os casos em que, por assim não se ter actuado, em definitivo, se comprometeu a concretização do objectivo visado pelas soluções adoptadas. Um dos casos mais flagrantes é o da Heliodoro Salgado ao qual, só da minha lavra, tantas páginas o 'Jornal de Sintra' tem dedicado.

E, já agora, em sentido oposto, relativamente ao célebre projecto de construção de um parque subterrâneo de estacionamento na Volta do Duche, aí temos a honrosa memória de uma compósita circunstância, em que foi possível coroar de inequívoco êxito uma luta cívica de defesa do património, considerada como exemplar a nível nacional e internacional, porque fundamentada sobre aqueles pilares metodológicos supra referidos, que enformam e informam a atitude de que o movimento CANAFERRIM ASSOCIAÇÃO CIVICA E CULTURAL se reclama herdeiro.

Fechemos o parêntesis e retomemos o enunciado dos princípios que nos animam, tão somente para rematar com uma declaração de rigoroso apartidarismo. O leque ideológico dos associados é tão abrangente que conta mesmo com todos os matizes do espectro partidário.

Esperamos – e não temos o mais pequeno vislumbre de que tal não venha a suceder – que os nossos preferenciais interlocutores, isto é, tanto os autarcas, das Juntas de Freguesia e da Câmara, como os responsáveis por outras entidades locais, nos consultem e tenham os nossos pareceres e propostas em devida consideração. Foi também a contar com isso que nos constituímos formalmente.

Já na próxima semana, anunciaremos a data de apresentação pública da associação, desde já ficando a promessa de vos fazer chegar a notícia respectiva bem como divulgação das coordenadas dos meios de comunicação que usaremos nas redes sociais.

[João Cachado escreve de acordo com a antiga ortografia]


17 de Outubro de 1849

Morte de Frederic Chopin (n.1810)

[facebook, 17.10.2014]

Chopin, interpretado por Alexander Uninsky, continua a propiciar epifanias.
Eis "12 estudos, op. 25", numa gravação de 1953.

Boa audição!

http://youtu.be/YDoI-R4FSOs