[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 12 de outubro de 2014



Efeméride mozartiana

5 de Outubro de 1773

Sinfonia no. 25

[facebook, 5.10.2014]

[Recupero um dos meus quarenta textos de introdução à obra sinfónica completa de Mozart, que publiquei durante todo o ano de 2012. Desta vez, porém, introduzi algumas modificações de pormenor.]

Mozart acabou de compor a Sinfonia em Sol menor, KV 183/173dB em 5 de Outubro de 1773, apenas dois dias depois da precedente sinfonia Nº 24 - facto que não está absolutamente comprovado - e pouco tempo após o sucesso obtido pela ópera “Lucio Silla”.

Chamo a vossa atenção logo para os primeiros acordes já que foi esta a peça escolhida por Milos Forman para início do “Amadeus”. A propósito, deixar-me-ão reforçar a ideia de que o filme, de modo algum, corresponde a uma biografia do compositor. Coisa bem diferente é a que se passa, ou seja, liberdade ficcional à solta que, de quando em vez, radica em alguns factos biográficos...

Voltemos à Sinfonia desta efeméride de 5 de Outubro há duzentos e quarenta anos. Recordo-vos que Mozart escreveu duas sinfonias em Sol menor, ou seja, esta – também conhecida como a ‘Sol menor Pequena’ e, muito mais tarde, em 1788, a famosíssima Nº 40, KV 550.

Preciso é ter em consideração que a maioria das sinfonias do século dezoito é composta em tom maior, aparentemente, adequando-se muito mais à optimística grandeza e pomposa solenidade do que aos matizes mais escuros e sentimentos mais apaixonados afins das obras em Sol menor.
 
Pois bem, é precisamente, um pouco nesta linha que se move uma corrente da musicologia pretendendo descortinar nestas peças a marca de um pré ou proto-romantismo, coincidente com o movimento 'Sturm und Drang'.

Em contraste com as sinfonias da década precedente, estas obras têm em comum um uso muito mais frequente do contraponto, súbitos saltos temáticos, maior utilização das síncopes – ou seja, o recurso ao padrão rítmico em que um som é articulado na parte fraca do tempo ou compasso, prolongando-se pela parte forte seguinte – finais mais prolongados e ocorrência muito mais frequente de segmentos em uníssono.

Ainda a propósito, convirá ter presente que, muito antes de ter composto esta Sinfonia KV. 183, o jovem Mozart conhecia todas estas particularidades. Lembremos o que, já a propósito desta série de artigos introdutórios às sinfonias de Mozart, eu próprio referi quanto à KV. 118, datada de dois anos antes.
 
E, ainda mais extraordinário, se recuarmos ao período da infância, nomeadamente, a 1764 (nos seus oito anos de idade, durante a estada em Londres), quando esboçou num caderninho de notas uma peça para tecla – precisamente, em Sol menor, KV 15 - em estilo quase orquestral, que já captava o carácter tempestuoso que tem sido erroneamente proclamado como original de um período posterior.

A obra desenvolve-se de acordo com a estrutura clássica de quatro andamentos ,1. Allegro con brio, 4/4 em Sol menor, 2. Andante, 2/4 em Mi bemol Maior, 3. Menuetto /Trio, 3/4 em Sol menor e Trio em Sol Maior e, finalmente, 4. Allegro, 4/4 em Sol menor. Ainda de assinalar que haverá influências da Sinfonia No. 39 de Joseph Haydn, que também obedece à tonalidade de Sol menor.

Mais uma magnífica interpretação da Mozart Akademie Amsterdam sob a direcção de Jaap Ter Linden.

Boa audição!

http://youtu.be/kbNl7di8a-A


PIRIQUITA,
Travesseiro, queijada & segredo ilimitado

 

[facebook, 5.10.2014]

O artigo de Isaura Almeida, publicado em página inteira do "Diário de Notícias" de 11 de Setembro passado, que abaixo reproduzo, é apenas mais um dos inúmeros trabalhos que muitos órgãos da comunicação social têm dispensado a este altar da doçaria tradicional de Sintra.
...
Imprensa, rádio e televisão têm revelado um especial interesse por esta casa centenária que, há largas dezenas de anos, é um ícone local. Conhecidíssima, a nível nacional e, de tal modo referida e aconselhada pelas mais diferentes publicações estrangeiras, a PIRIQUITA, ela própria, é objecto de uma insaciável gula alimentada pelos «segredos» que uma casa destas não poderia deixar de encerrar.

Parte substancial deste artigo é dedicada ao «segredo» bem guardado de um fabrico cuja inicial genuinidade doceira se mantêm apesar dos números avassaladores da confecção anual. Amigo que sou de Fernando Cunha Cunha, julgo poder partilhar convosco o grande segredo com o qual ninguém está particularmente preocupado e que, afinal, muito ultrapassa aquele que a sua mãe, Senhora D. Maria Leonor, guarda religiosamente.

Além da qualidade dos ingredientes - elemento tão inequívoco e imediato que nem seria necessário referir - para se ter uma ideia do tal «mistério», preciso será uma incursão pelas entranhas da loja, passar pela «cozinha», subir ao segundo andar daquele prédio de interior coleante mas tão acolhedor, ouvir, conversar e entender que ali funciona uma família da qual os colaboradores fazem parte integrante.

A amizade, a bonomia, o humor, em suma, o bom ambiente que por ali reina e a preocupação com o resultado de um trabalho quotidiano que, de modo algum, pode comprometer os pergaminhos da casa, eis o núcleo essencial de «temperos», que tudo condicionam tão positivamente, e que se filtram naquela maravilha da pastelaria portuguesa.

"Piriquita"? Uma casa feliz, um caso de sucesso geracional, enfim, um outro tipo de património cultural, do melhor nível, que Sintra oferece ao mundo.


 
 


Parques de Sintra
400 exemplares voluntários


[facebook, 5 de Outubro]

 
Bem demonstrativo da exemplar relação entre a Parques de Sintra e o público para quem trabalha sempre obedecendo a padrões do mais alto nível, anteontem, 6ª Feira, enquanto participava num painel do XVI Congresso Iberoamericano de Urbanismo, no Centro Cultural Olga Cadaval, o Prof. António Lamas bem podia anunciar, com todo o orgulho, mais este estrondoso êxito.

De facto, exemplar a todos os títulos, a Parques de Sintra não pode constituir maior orgulho para todos os sintrenses. É Sintra no seu melhor!


É VERDADE,
NÃO ESQUEÇAM!


HOJE, POR SER DOMINGO, COMO ACONTECE TODOS OS DOMINGOS DE MANHÃ, ACESSO GRATUITO, PARA OS MUNÍCIPES SINTRENSES. EM ESPECIAL; PENSEM NOS GAROTOS, PROPORCIONANDO-LHES UMA VISITA INESQUECÍVEL

domingo, 5 de outubro de 2014



XVI Congresso Iberoamericano de Urbanismo
manhã de 3 de Outubro



Naturalmente, lá estivemos. E, na altura reservada à participação dos presentes, interviemos ele, Fernando Morais Gomes, o José Cardim, o João Cruz Alves, a Adriana Jones, eu e os «do costume», num debate muito interessante em que, a partir da mesa, ouvimos palavras da máxima pertinência, tanto do Presidente da Câmara, Dr. Basílio Horta como do Prof. António Lamas.
 
Desde já fica a promessa de que, na próxima semana, o meu artigo para o 'Jornal de Sintra' será a propósito deste evento. Nessa altura, terei oportunidade não de detalhar mas de alinhar mais algumas considerações com base no acervo de informação que houve oportunidade de partilhar.
 
 
 


Nannerl,
menina-prodígio


Tal como o Wolfgang, seu irmão mais novo, Maria Anna Mozart, foi um prodígio de criança que o pai Leopold soube apresentar às cortes mais sofisticadas por toda a Europa do tempo. Pianista exímia, professora de piano, morreu há precisamente 185 anos.

Está sepultada, na mesma campa que Michael Haydn - compositor menos célebre do que o irmãoJoseph Haydn - numa pequena capela do cemitério de St Peter, mesmo à entrada das catacumbas.

A partir de amanhã e até fim do ano, a Fundação do Mozarteum de Salzburg promove uma exposição sobre Nannerl, na casa da Makart Platz, onde habitou com os pais e o irmão depois de terem saído da Getreide Gasse.

É com o maior gosto que partilho esta notícia do "Salzburger Nachrichten", o 'meu jornal' quando estou na cidade, um diário que dispensa significativo espaço à actividade cultural em geral e à música em particular.



Hoje, concerto inaugurável
Imperdível!



Lá estarei, lá estaremos todos quantos jamais dispensariam esta oportunidade de assistir a um concerto com dois dos mais conceituados intérpretes da música setecentista, eixo fundamental da iniciativa que, sob a égide da Parques de Sintra Sintra, tem direcção artístic a de Massimo Mazzeo.
 
Tempestade e Galanterie, ciclo de Outono, primeiro de uma série de eventos cujo calendário e programas devem consultar para se inteirarem dos detalhes.

 


Palácio de Queluz
Exposição imperdível


DOMINGO DE MANHÃ
ENTRADA GRATUITA

Mais uma vez, aproveito a oportunidade para vos lembrar que, todos os domingos de manhã, nos parques, jardins e monumentos afectos à Parques de Sintra, os munícipes sintrenses beneficiam de entrada gratuita.

Portanto, gozem esta vantagem. Tão excepcional é a situação que, nos outros monumentos nacionais, a entrada gratuita apenas acontece no primeiro domingo de cada mês.

É inquestionável o enriquecimento pessoal que pode significar uma visita ao Palácio da Pena, Chalet da Condessa, todo o parque e jardins, a Abegoaria, etc. Ou ao Palácio de Queluz, ao Palácio da Vila, Castelo dos Mouros, Palácio e jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos, enfim «todas as jóias da coroa».

Em especial, como tantas vezes tenho referido, pensem nos garotos. Em família, uma visita destas significa mais-valia extraordinária, perfeitamente inesquecível.


E GRATUITA!!!

 

 


3 de Outubro, 19,00
Benjamin Britten, "War Requiem", op. 66

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Coro Infantil da Academia de Santa Cecília
Tatiana Pavlovskaya, soprano
John Mark Ainsley, tenor
Hanno Müller-Brachmann, baixo

Maestro: Paul McCreesh


Datado de 1962, este "War ,Requiem", op. 66, tal como" Ein Deutsches Requiem" de Johannes Brahms, é uma obra não-litúrgica que, portanto, não segue o Ordinário da Missa de Defuntos. No suporte textual, poemas de Wilfred Owen servindo uma obra para as vozes solistas de soprano, tenor e barítono, coro, órgão e duas orquestras, uma das quais de câmara.

Benjamin Britten escreve este Requiem da Guerra, uma das obras coral-sinfónicas mais importantes do século vinte, para comemorar a reconstrução e a consagração da nova Catedral de Coventry, em substituição da que tinha sido arrasada por bombardeamentos. Para a estreia, além de Peter Pears e de Dietrich Fischer Dieskau, também estava prevista a presença do soprano Galina Vichnevskaia, mulher de Rostropovich, mas as autoridades russas não autorizaram a sua saída do país. De qualquer modo, a primeira gravação discográfica, para a etiquta Decca, já contou com a sua voz.
 
Para quem não consiga ou não possa assistir hoje na Gulbenkian, aqui tem uma gravação colhida, ao vivo, no concerto de encerramento do Festival Schleswig-Holstein, em 1992. A interpretação do Coro e Orquestra Sinfónica da Rádio do Norte da Alemanha, sob direcção de Sir John Elliot Gardiner é, provavelmente, a melhor que conheço. Como verificarão, trata-se de uma sucessão de momentos inolvidáveis.

A guerra. Infelizmente, permanente. Ainda ontem, hoje mesmo. Tal como o nosso querido Padre António Vieira no-lo lembra no famosíssimo excerto do “Sermão Histórico e Panegírico nos Anos da Rainha D. Maria Francisca de Sabóia”:

“(...) É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema, nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro”.

Boa audição!

http://youtu.be/GHNgfF19CTY
 


Privilégio


tanto na perspectiva dos estagiários como da entidade que os acolheu. Um excelente trabalho, internacinalmente reconhecido, contactos ao mais alto nível, resultam neste tipo de colaboração. Como sintrense, tenho o maior orgulho em que assim seja.

Enfim, palavras tanto mais justificadas quanto se presume que todos conhecem os Kew Royal Botanic Gardens.Se assim não for, o Google resolve-lhes já o problema...


Um grupo de quatro elementos dos KEW Royal Botanic Gardens esteve a realizar um estágio no Parque de Monserrate em setembro, trabalhando integrados nas equipas ...de jardineiros. Através desta parceria, que teve início em 2011, a Parques de Sintra recebe grupos de estagiários por pequenos períodos de tempo, numa política de partilha de conhecimentos.


 


Efeméride musical
2 de Outubro de 1920,
falecimento de Max Bruch (nascido em 1838)


Eis uma antológica interpretação do seu Concerto para Violino No. 1, uma das peças constantes dos programas nos grandes auditórios mundiais. Interpretação confiada ao lendário Jascha Heifetz, acompanhado pela The New Symphony Orchestra of London, sob a direcção de Sir Malcolm Sargent.

1. Satz: Allegro moderato
2. Satz: Adagio
3. Satz: Allegro enérgico



Boa audição!

http://youtu.be/uWy8iibtd98