[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 17 de outubro de 2014



Efeméride mozartiana.
Mozart,
a última carta


[facebook, 15.10.2014]



Fez ontem duzentos e vinte e três anos que Mozart escreveu, datada de Viena, cerca de um mês e meio antes da morte, que ocorreria em 5 de Dezembro seguinte, aquela que terá sido a sua última carta, já que, com data posterior, mais nenhuma nos chegou ao conhecimento. A destinatária é Constanze que continuava nas termas, em Baden, relativamente perto da capital.
 
Entre outros detalhes, como os relativos à educação do filho mais velho Carl Thomas, na altura com sete anos, o que mais nos interessa na missiva é o modo como o compositor põe a mulher ao corrente do sucesso de “A Flauta Mágica”.
 

E, de particularíssimo interesse, um episódio que, a juntar a outros, nos dá a entender como, de facto, eram cordiais e até afectuosas as suas relações com quem, em sentido diametralmente oposto, a ficção de obras de Puchkine, Rimsky Korsakov, Peter Schäfer e Milos Forman arquitectou como seu arqui-inimigo.


Pois, então, é precisamente na referida carta que evidencia como era íntimo o seu convívio com o grande Antonio Salieri e Madame Cavalieri, a amante. Fora buscá-los a casa, tinha-os levado para o seu camarote.


“(…) Não podes imaginar como foram simpáticos nem o modo como apreciaram, não só a minha música mas também o libreto e tudo o mais. Ambos me afirmaram tratar-se de uma ópera digna de ser representada em qualquer grande festividade e perante o maior monarca e que iriam, certamente, mais vezes porque jamais tinham visto mais belo e agradável espectáculo. Salieri ouviu e observou tudo com a maior atenção e, desde a abertura até ao coro final, a mínima passagem lhe suscitava um ‘bravo’ ou ‘bello’. Ele e a Cavalieri agradeceram e voltaram a agradecer por lhes ter proporcionado tão grande favor (…) Depois da récita, levei-os a casa (…)”.


Sabemos o que eram as relações sociais no fim do século dezoito, marcadas por uma superficialidade desconcertante, e, aliás, tal como hoje, em que a hipocrisia impunha a afirmação do contrário do que, afinal, sentia aquele que emitia um juízo, uma qualquer avaliação. Porém, no contexto desta carta, o que Mozart dá a entender é a cumplicidade de oficiais do mesmo ofício (a Cavalieri também era cantora) na apreciação de uma obra que – sabêmo-lo também nós – de facto, é de tal modo extraordinariamente bela que não podia ser objecto de palavras menos encomiásticas.


Se tivesse lido esta carta e tido acesso a outros factos que os estudos musicológicos têm vindo a demonstrar, teria Puchkine escrito a peça “Mozart e Salieri”, que esteve na génese das obras subsequentes dos citados autores? Jamais saberemos, é apenas uma conjectura.


De qualquer modo, o que se impõe é analisar este documento, contextualizá-lo no tempo e no espaço e ponderar a intimidade entre o remetente e a destinatária, percebendo que não havia qualquer necessidade de exagerar ou omitir detalhes. E, tendo tudo isto em consideração – volto a insistir neste aspecto que, tão frequentemente, tenho explorado noutros textos – não tomar como reais e biográficos, eventos que foram ficcionados e que resultaram num evidente prejuízo para o modo como é recordada a relação entre Mozart e Salieri.


Finalmente, eis um excerto de “Die Zauberflöte” o famoso ‘singspiel’ que, vulgar e habitualmente, se continua a designar como ópera. É o tema do templo virtual, onde só acede quem merece entrar.

Em tradução libérrima, muito prosaica, que, espero, não faça revolver na tumba o libretista Emmanuel Schikanader, se lembra que este «é um sítio sagrado, onde não há lugar nem para a mesquinhez nem para quaisquer sentimentos baixos, como a vingança ou a traição, antes é lugar do amor, da amizade, um lugar onde quem não rejubilar com estes ensinamentos, não pode reivindicar a condição de ser humano».



Canta René Papa, magistralmente.

Boa audição!


http://youtu.be/cUUQhJZWgew
 
 



Efeméride musical
14 de Outubro de 1990
Morte de Leonard Berstein (n. 25.08.1918)

[facebook, 14.10.2014]

Deixo-vos com a Abertura de "Candide", numa apresentação concertante com June Anderson, Jerry Hadley, Christa Ludwig, Nicolai Gedda, em que o próprio compositor dirige a London Symphony Orchestra, gravação colhida ao vivo, em Londres, 13 de Dezembro de 1989).

Boa audição!

http://youtu.be/422-yb8TXj8


A dar satisfações

[14.10.2014]

Já regressado a casa depois da pequena cirurgia plástica à mão esquerda a que ontem fui submetido, no Hospital Amadora-Sintra, quero agradecer a todos quantos, tão simpaticamente, se interessaram pelo meu estado. Graças a Deus, esta primeira parte não poderia ter corrido melhor. Segue-se, naturalmente algo incómodo, um período de recuperação, durante umas duas ou três semanas.
 
Continuo sem uma única razão de queixa em relação à assistência médica que, ao longo de tantos anos, sempre no sistema público de saúde, tanto eu como a família, temos recebido. Fui tratado com um profissionalismo e carinho inexcedíveis.

Por estar em causa o dinheiro dos impostos que, com tanto sacrifício, todos nós liquidamos, penso ser altura de dar satisfações. Assim, também partilharei convosco o custo da intervenção que, desta vez, se cifrou em mais de cinco mil euros.
 
Muito obrigado.


Excepcional momento

[facebook, 13.10.2014]

Entre os convidados da Parques de Sintra, estavam alguns amigos que bem podem confirmar o que passo a partilhar convosco. Refiro-me a Guilherme de Oliveira Martins, com o justificado destaque de uma presença que sempre seria gratíssima, pela sua relação com Sintra, o seu amor a esta terra, a amizade com algumas bem conhecidas figuras da cultura portuguesa actual, por exemplo, os saudosos João Bénard da Costa e Manuel Lourenço.

Guilherme de Oliveira Martins esteve presente no Chalet da Condessa, não só como Presidente do Centro Nacional de Cultura, mas, em especial, enquanto representante nacional do Prémio 'Europa Nostra', com o qual, tão adequadamente, a União Europeia distinguiu a Parques de Sintra Monte da Lua pela recuperação daquele emblemático edifício do património local.

Falou em seu nome pessoal, falou em nome de Placido Domingo, Presidente do 'Europa Nostra', que enviou uma mensagem pessoal para este momento, que tivemos o especial privilégio de ali mesmo partilhar, com a amizade e a emoção que nos merecem os bons amigos que têm sabido concretizar trabalho de tanto e indiscutível mérito.

E volto ao início deste pequeno texto. Como sabem, Guilherme de Oliveira Martins escreve um excelente Português e as suas intervenções de improviso são de idêntica qualidade. Pois, na passada sexta-feira, de modo algum, o repetido emprego do adjectivo ‘excepcional’ constituiu marca de mínimo defeito da sua expressão.

Excepcional, de facto, a qualidade da intervenção, excepcional o lugar, excepcional o casal D. Fernando e Condessa d’ Edla que esteve na génese de tudo quanto ali celebramos, excepcional a equipa que protagonizou trabalho de recuperação de património de tão relevante recorte. Excepcional, como sempre, Guilherme de Oliveira Martins que, na sua palavra, tão bem nos representou.
Paulo Parracho adicionou 3 fotos novas.


Contractura, marmelada
e música de inspiração celta


[facebook, 13.10.2014]

Vai ser um dia diferente. Espera-me uma pequena intervenção de cirurgia plástica, na mão esquerda, para regularizar um caso de contractura de Dupuytren. A verdade é que o diabo de um qualquer gene mais atrevidote, herdado de ancestrais celtas, que, já há uns anos me afectou a mão direita, entretanto tratada, também atingiu esta. Tal como da vez anterior, entrarei cerca da uma da tarde no Amadora-Sintra e, se tudo correr bem, sairei amanhã por volta da mesma hora.

Foi a contar com as inevitáveis consequências das limitações manuais que, ontem tratei de fazer a minha primeira dose de marmelada anual, com frutos rústicos, da minha produção. Os marmeleiros velhos do monte estão cada vez mais sãos e bonitos. E, de facto sabido e comprovado, o resultado depois da confecção é diferente, para melhor, do obtido com os marmelos ‘domesticados’. Fiz dez quilos, com casca, nada acrescentando a não ser o açucar da ordem.

Muito pensei eu na minha amiga Margarida de Lemos, cujas mãos de fada, todos bem conhecemos a partir dos invejáveis testemunhos em que o seu artesanato é pródigo… Estarei longe da sua proficiência mas, enfim, é o que se pode arranjar. Como sempre, deu-me algum trabalho. Também como de costume, cá fiquei com uma bolha de recordação no indicador direito. Mas está lindíssima e formidável de sabor.

«Para acompanhar» o doce, gostaria de vos propor ‘A Caverna de Fingal’ de “As Hébridas”. É que, hoje, a conotação céltica da inspiração de Felix Mendelssohn adequa-se e articula muito bem com a herança dos meus antepassados que, dentro de umas horas, me vai ser corrigida…

Boa audição!

http://youtu.be/a3MiETaBSnc

 
Title : Felix Mendelssohn : The Hebrides "Die Hebriden" (Fingal's Cave) - Overture Date : 1830
youtube.com
 


No monte,
sob o telheiro


[facebook, 13.10.2014]

Como de costume, fim de semana no Alentejo. Em pleno Outono, devido às designadas ‘inclemências do tempo’, estamos algo recolhidos, um pouco mais recolhidos do que há umas semanas. Nada de vento mas muita chuva, trovoada linda, gozadas no monte, perfeitissimamente isolado.

Sob a protecção de um imenso telheiro que rodeia a metade da casa menos susceptível aos ventos, passamos horas e horas ‘extra-muros’ enquanto o céu parece desabar. É aqui, num exterior recolhido, que mais sentimos o perto das nossas árvores. Daqui tudo vemos. Tudo o que nos é grato, doce e tão tranquilo que a pele arrepia.

As figueiras velhas, os marmeleiros rudes, os espectaculares sobreiros, tão grandes e velhos, o olival de avantajado compasso, onde caberiam mais umas centenas de oliveiras se fôssemos na conversa do negócio do momento, do regime intensivo… E as fruteiras. tão pródigas, generosas, devolvendo um carinho cheio de exageros de fruta que, na sua época, parece não quererem desgostar-nos com «poupanças»…

São laranjeiras, tangerineiras, diospireiros, amendoeiras, pessegueiros, todas plantadas com a ajuda do meu querido amigo Nita, a quem devo todo o sossego das coisas bem feitas, com a sabedoria da tradição. O meu querido amigo Nita, que já não está connosco, na sequência de um estupor de um avc que o apanhou aqui, precisamente, no nosso monte.
 
É a primeira vez, depois de anos de uma reserva que só eu sei, que consigo partilhar com terceiros umas palavras, estas toscas linhas, lembrando o meu querido amigo Nita. Para sempre, verdade escrita seja, me ficou o sorriso. Aqui, sob este mesmo telheiro, onde vieram dar com ele, no fim de certa manhã, depois de horas em que não deu sinal de si.
 
Por aqui anda, no monte, que também é seu.
E não nos deixa fazer asneiras!…

[À memória do Nita, com beijinho à Cidalia Ferreira]

 

Sintra,
Palácio de Queluz,
apenas um, 'inter pares'


[facebook, 12.10.2014]


Pode parecer atrevimento escrever que sinto este e outros salões ainda mais «nossos» do que, na realidade, o são pelo simples facto de constarem do património nacional. É, pois claro, por causa da Música. Desde garoto, quantas centenas de vezes não tenho estado nesta sala para ouvir a ouvir? Momentos absolutamente inesquecíveis, partilhando as melhores interpretações pelos melhores do mundo que por aqui têm passado?

Monumento nacional, entregue à direcção da Dra. Inês Ferro, está sob custódia da Parques de Sintra. Por conhecer esta casa há tantos, tantos anos, é que me permito fazer comparações entre o que hoje acontece e tempos anteriores. Naturalmente, a diferença é imensa. Se, de facto, há um mundo de coisas ainda a concretizar para que o edifício, anexos e jardins se possam considerar em boas condições, a verdade é que mudaram os referentes de abordagem pelo que o equacionamento das iniciativas é muito mais propício.

Também o Palácio de Queluz está a beneficiar imenso da capacidade de intervenção da Parques de Sintra. Há discretos trabalhos em curso mas, a breve trecho, «a coisa» vai tornar-se bem mais visível, aliás, como já foi dado a conhecer, por exemplo, em relação às fachadas cujo cromatismo será dramaticamente alterado para voltar à aparência inicial do azulão.

Entretanto, para comodidade de todos, poderemos contar com o benefício de um auditório e das habituais lojas de apoio, de bem-estar e de lazer hoje em dia indispensáveis. Nós, melómanos, continuaremos a ser dos mais bem contemplados. Além do gozo que qualquer visitante usufrui, ainda a partilha da Música no mais harmonioso e sofisticado ambiente, como em qualquer dos melhores por esse mundo fora.
 
No meio de tudo isto, é por demais interessante saber e confirmar, com o maior gosto e orgulho, que as obras de manutenção e recuperação em curso, toda a preservação do monumento, que carece de verbas vultuosíssimas, pois nem um cêntimo custam ao bolso de qualquer contribuinte português. Apenas com os proventos das bilheteiras e, sempre que possível, do financiamento com recurso a programas internacionais, a Parques de Sintra Monte da Lua assegura ao Estado Português e aos cidadãos em geral o melhor serviço possível.

Palácio de Queluz, apenas um caso 'inter pares', como o Palácio, parque e jardins da Pena, Palácio Nacional de Sintra (Vila), Palácio, parque e jardins de Monserrate, Castelo dos Mouros, Convento dos Capuchos e mais uma longa série de bens patrimoniais naturais que fazem parte da Paisagem Cultural da Humanidade. E, lá volto eu à Música, locais onde a Música se faz e se goza para constante enriquecimento de todos quantos optam por esta fabulosa oferta de iniciativas.


 


domingo, 12 de outubro de 2014


Miguel de Unamuno,
 12 de Outubro de 1936

"Dia da Coragem Ibérica!"
 

[Com especial dedicatória a Châbeli Jardim]]

Em 12 de Outubro de 1936, Miguel de Unamuno, Reitor da Universidade de Salamanca, protagonizou aquele que, na minha opinião, é um dos mais corajosos manifestos e comovente episódio da luta dos povos ibéricos contra as forças do obscurantismo fascista. Ao mesmo tempo que o lembro, com toda a emoção, também invoco o meu querido e saudoso professor Vitorino Nemésio, que tanto estimava e celebrava Miguel de Unamuno.

Naquela data, durante uma cerimónia oficial na Aula Magna da referida universidade, foi posto em causa o patriotismo de bascos e catalães por um dos oradores, Francisco Maldonado de Guevara, permitindo-se afirmar que eram “(…) anti-Espanha e 'tumores' no sadio corpo da nação", asseverando que "o fascismo redentor da Espanha saberá como exterminá-los, cortando na própria carne, como um decidido cirurgião, livre de falsos sentimentalismos".
 
Subsequentemente, alguém na platéia teria gritado o lema da Falange: "Viva la muerte!", ao que Milán-Astray, general falangista, célebre fundador da ‘Legião estrangeira’, respondeu com um habitual repto: "Espanha!". A plateia respondeu "Unida!". Ele repetiu "Espanha!" e a massa replicou "Grande!". Millán-Astray exclamou pela terceira vez "Espanha!" e a multidão gritou "Livre!". Nessa altura, um grupo de camisas azuis da Falange entrou no recinto e fez uma saudação oficial - braço direito ao alto - ao retrato de Franco ali exposto.

Foi naquele momento que Millán-Astray exclamou: «Morra a intelectualidade traidora! Viva a morte!» que obteve a seguinte réplica de Unamuno: “Este é o templo da inteligência e eu sou seu sumo sacerdote! Vós estais profanando este recinto sagrado. Tenho sempre sido, digam o que disserem, um profeta no meu próprio país. Vencereis porque tendes sobrada força bruta. Mas não convencereis porque, para convencer, há que persuadir. E, para persuadir, falta-vos algo que não tendes: razão e direito!”

A reacção do público presente foi tremenda. Unamuno ouviu todo o tipo de insultos chegando alguns oficiais a sacar das suas pistolas. A verdade é que, graças à intervenção de Carmen Polo de Franco, que se agarrou a seu braço, Unamuno conseguiu retirar-se do local.

Nesse mesmo dia, o Conselho Municipal decretou a expulsão de Unamuno. O proponente, conselheiro Rubio Polo, solicitou a medida sob o argumento de que «...a Espanha, afinal, apunhalada traiçoeiramente pela pseudo-intelectualidade liberal-maçónica cuja vida e pensamento [...] só na vontade de vingança se manteve firme, em tudo o mais foi sinuosa e oscilante, não teve critérios, somente paixões [...]». Seguidamente, Franco assina o decreto de destituição de Unamuno como reitor da Universidade de Salamanca.

Miguel de Unamuno foi reconduzido, a título póstumo, como Reitor da Universidade de Salamanca em Outubro de 2011. Um grande de Espanha! Um dos mais estimados referentes do iberismo que professo.

 


Efeméride «estrutural»
Roman Jakobson,

 (11 de Outubro de 1896-18 de Julho de 1982)

Aniversário com Edgar Allan Poe

[facebook, 11.10.2014]


Foi há cerca de cinquenta anos que entrou na minha vida de estudante, quando me iniciava nos meandros da linguística e, de tal modo se impôs à matriz dos meus juízos, que não mais saiu. Protagonista do estruturalismo e da designada ‘Escola de Praga’, é uma das grandes figuras tutelares da vida cultural mundial do século vinte, que hoje recordo. Faço-o, não «a seco», mas em articulação com Edgar Allan Poe.

Quando penso em Jakobson e na eventualidade da partilha dos conhecimentos que acrescentou à História da Cultura e da Civilização Ocidental contemporânea, tenho sempre alguma dificuldade em concretizar tal objectivo. É que, de facto, o seu é um território, na área da linguística e da antropologia, cuja especificidade impede uma partilha fácil.

Felizmente, no entanto, deixou um trabalho de análise do famoso poema ‘The Raven’, do referido autor americano, que se tornou particularmente conhecido, mesmo fora dos meios mais afectos às ciências afins dos estudos filológicos. Com o objectivo de facilitar o acesso a tal peça, gostaria de aconselhar a leitura de "Roman Jakobson and the Primacy of the Poetic", de Gary Genosko, de que passo a citar:

“(…) However, for readers of Jakobson, what most naturally comes to mind is the first of his 'Six Lectures on Sound and Meaning' dating from 1942. The first lecture begins with a medittaion on Edgar Allan Poe's poem 'The Raven' and the signifying quandary posed by the onomatopoeic refrain of the croaking bird: "Nevermore." Here Jakobson subtlely evokes the "mystery" of the unity of sound and meaning the investigation of which requires an extrasemantic sensibility. (…)”

Tenho a certeza de que, com as referências explícitas na citação, não terão a mínima dificuldade de orientação no google. De qualquer modo, para já, passo a apresentar o poema, numa montagem interessante. Ouvirão o poema, no original inglês, declamado por Christopher Walken, acompanhando a tradução de Fernando Pessoa, ilustrados com sete gravuras de Gustave Doré*.

Espero que, para proveito máximo, acedam mesmo ao estudo de Jakobson. Depois, voltem ao poema. Nessa altura, poderão aceder a outra versão, aqui indicada por **, declamado por Christopher Lee, um espanto!


http://youtu.be/Oz9OThFqkTI (*)
http://youtu.be/ofSOul1NB8Q (**)
 
Este video contém o poema original em inglês narrado por Christopher Walken e a tradução (em versos) de Fernando Pessoa, ilustrados com sete gravuras de Gust...
 




Exemplar,
tudo exemplar!


[facebook, 10.10.2014]

Em Portugal, infelizmente, raríssimas são as vezes em que, a propósito da actividade de alguma entidade cultural, nos é permitido aplicar o adjectivo 'exemplar' com tanta propriedade como acontece com a Parques de Sintra.

Difícil é apontar qualquer dia do calendário em que algum programa, invariavelmente do maior gabarito, não aconteça para benefício da comunidade em geral. Aliás, na maior parte dos casos, sucede concretizarem-se, uma, duas, três e mais iniciativas precisamente na mesma data.

Porque um tal sucesso jamais aconteceria por acaso, virá a propósito referir o modelo de exploração que a empresa adoptou. Mas, muita atenção, adoptou desde o advento da actual administração liderada pelo Prof. António Ressano Garcia Lamas! Portanto, nada de confusões, porque não esquecemos o descalabro dos primeiros cinco anos de funcionamento da PSML…

Afinal, qual a «receita» do sucesso? Muito simples e, em resumo, financiada pelos proventos das bilheteiras, a empresa consegue a façanha de não depender de um cêntimo do erário público e, pelo contrário, assegurar ao Estado que todas as peças do mais sofisticado património nacional à sua guarda vão sendo constantemente mantidas, recuperadas e salvaguardado de acordo com os mais exigentes parâmetros de qualidade.

Vamos a exemplos? Então, hoje mesmo! Em primeiro lugar, na Pena, no Chalet da Condessa, será descerrada a Placa Comemorativa do Prémio 2013 da União Europeia para o Património Cultural – Europa Nostra -, que foi atribuído ao projeto de recuperação do Chalet da Condessa d’Edla na categoria de Conservação.

No Chalet, estarão expostas peças relativas à vida da Condessa, como um cesto de piquenique que lhe pertenceu (adquirido pela Parques de Sintra), o seu passaporte (doado por familiares da Condessa) ou um óleo sobre tela, que representa a Condessa, e que é atribuído a Columbano Bordalo Pinheiro (também adquirido pela Parques de Sintra).

Estarão presentes o Dr. Guilherme de Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura e representante em Portugal da Europa Nostra, e a Dra. Margarida Magalhães Ramalho, autora do livro “Os Criadores da Pena, D. Fernando II e a Condessa d’Edla”, que fará uma visita guiada às peças em exposição.

Seguidamente, apenas com tempo de sair a caminho de Queluz, lá vai este vosso amigo para assistir a mais um Concerto do Ciclo de Outono da Temporada Tempestade e Galanterie, evento que já está esgotado, como acaba de ser anunciado…

Naturalmente, também não foi por acaso que o Prof. Lamas acabou de ser convidado para Presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural de Belém. Com base no retumbante êxito do seu exercício em Sintra, ele fará a gestão integrada de todo o património da zona monumental de Belém onde aplicará os modelos de administração, gestão e direcção que, tão manifestamente, aqui resultaram no benefício de que tanto nos orgulhamos.

»»»»»»»»»»»» APROVEITANDO A OPORTUNIDADE«««««««««««

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