[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sábado, 18 de outubro de 2014



17 de Outubro de 1849

Morte de Frederic Chopin (n.1810)

[facebook, 17.10.2014]

Chopin, interpretado por Alexander Uninsky, continua a propiciar epifanias.
Eis "12 estudos, op. 25", numa gravação de 1953.

Boa audição!

http://youtu.be/YDoI-R4FSOs


Dupla efeméride

[facebook, 17.10.2014]

I. Mozartiana - 17 de Outubro de 1771
 
Milão: Estreia da 'serenata dramática' "Ascanio in Alba", no Regio Ducal Teatro, obra composta para celebração das bodas do Arquiduque Ferdinand com a Princesa Maria Ricciarda Beatrice d'Este, de Modena.

II. 17 de Outubro de 2014
 
Sintra: Aniversário da minha amiga Margarida de Lemos
 
Associando a efeméride mozartiana à vida da minha amiga - a quem desejo as maiores felicidades - lembrarei que, apenas com quinze anos de idade, Amadé completava a Serenata Dramatica que designou como Festa Teatrale, com libretto de Giuseppe Parini, "Ascanio in Alba".

Passados duzentos e quarenta e três anos, para assinalar a data, proponho que ouçamos a ária 'Cara, lontano ancora´' que tive o privilégio de ouvir, interpretada por este mesmo contratenor, Phillippe Jaroussky, em 2011, num extra a um seu recital em Salzburg. É uma autêntica festa do canto lírico. Este homem é uma benção!

Eis o texto:

Cara, lontano ancora,
la tua virtù mi acende:
al tuo bel nome allore
appresi a sospirar.
Invan ti celi, o cara,Giuseppe Parini
quella virtù sì rara
nella modestia istessa
più luminosa appar.

Boa audição!

http://youtu.be/EjBuemwQeSI


Com uma especial saudação a
Margarida de Lemos

 



A pobreza em Portugal,
o horror à nossa porta


[facebook, 17.10.2014]

Acabo de ouvir Eugénio Fonseca, Presidente da Caritas Portuguesa. A propósito desta matéria - que, há poucas horas me levou à publicação de outro texto - expressava o seu repúdio por mais este Orçamento de Estado em que, não só os pobres, mas também todos os que vão cada vez mais empobrecendo, estão mais desprotegidos.
...
É perfeitamente inadmissível que o subsídio de desemprego e o regime de inserção estejam reduzidos a uma tão ínfima e desumana expressão. O actual governo, na perspectiva do falecido António Borges, Carlos Moedas, Maria Luís e de Passos Coelho, trata como «loosers» irremediáveis todos quantos, pelas conhecidas consequências de uma política desnecessariamente cruel, caíram e estão a cair nas malhas da pobreza.

Caramba! Há soluções menos punitivas que os decisores políticos podem e devem promover. Em Portugal, é tempo de a política revestir a face humanista que lhe é indissociável. Sem essa vertente de respeito do Homem pelo Homem, o Estado Democrático de Direito que afirmamos ser nossa matriz de referência, é uma máscara de ignomínia que, todos os dias nos envergonha e escandaliza


Leitura indispensável,
a pobreza em Portugal,
números de hoje
 
[facebook, 16.10.2014]
 
É verdade que, em 2011, o Governo do PS deixou o país numa situação difícil. No entanto, a coligação PSD/CDS vencedora das eleições legislativas daquele ano, não só prometeu como teve a veleidade e a prosápia de afirmar ser capaz de inverter a situação e, apesar da contenção, de pôr Portugal no caminho da recuperação.
 
Ao fim de três anos de desesperada política de uma estéril, incoerente e cruel austeridade, que apenas atingiu os mais frágeis e desprotegidos, causando aos cidadãos desmotivação ímpar, taxas de desemprego incomportáveis, protagonizando uma incompetência jamais verificada - como, recentemente, nos sectores da Educação e da Justiça - tudo resulta num empobrecimento geral de tal dimensão que apenas se pode falar em escândalo.

Escândalo, sim, que os números hoje divulgados são indesmentíveis:

"(...) Em Portugal, a insuficiência de recursos da população em risco de pobreza, igualmente referida como taxa de intensidade da pobreza, também aumentou entre a população em geral, e ainda de forma mais visível entre a população infantil. Além disso, registou-se um agravamento considerável do afastamento desses valores em Portugal e dos registados, em média, na União Europeia. (...)"

Não deixa de ser fantástico que os números hoje conhecidos surjam no mesmo dia em que mais um Orçamento do Estado é apresentado como máquina infernal do ludibrio institucionalizado. Se fosse necessário um certificado para tanta falta de discernimento de um executivo governamental, pois aí estão, inequívocos, os índices de uma verdadeira ignomínia.

 
 
 
 
 
Riscos de pobreza ou exclusão social para as crianças foi sempre maior do que para a população total nos últimos anos, revelam dados do INE no Dia Internacional contra a Erradicação da Pobreza.
publico.pt




 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014



Sintra, Monserrate
Concerto
para Bebés
 
[facebook, 16.10.2014]
 
 
Começo por uma constatação menos agradável para partilhar convosco que, por esse país fora, se brinca demais com coisas tão sérias como esta. Os pais e encarregados de educação, na sua boa fé, porque, na maior parte dos casos, não têm formação nem dispõem de informação capaz, nem se colocam a possibilidade de estarem a levar os seus preciosos bebés a ver e ouvir «gato por lebre»...
 
Agora, convido a que entrem no contraponto. Ao contrário do que se possa pensar, um Concerto para Bebés é uma proposta muito sofisticada que, no caso da Parques de Sintra Sintra, envolve pedagogos com formação especializada, pessoas que se abalançam a programas que tais porque dominam a teoria de aprendizagem musical para recém-nascidos e crianças em idade pré-escolar.

Porque sei do carinho, do inexcedível cuidado com que esta iniciativa é preparada, permito-me aconselhar este e não outros «concertos» aparentemente congéneres que, de semelhante, só levam a designação... Claro que a excelência de atitudes da Parques de Sintra só permite a apresentação do melhor que há. Portanto, Monserrate espera-vos, no mais requintado ambiente, ou seja, no quadro-maravilha que o vosso bebé merece.

E, aproveitando a oportunidade para lembrar o benefício habitual dos domingos, segue um aviso mais completo referente à necessidade de confirmar a condição de munícipe de Sintra.

Aos Domingos até às13h
 
os munícipes do Concelho de Sintra estão isentos de pagamento de entrada nos parques e monumentos sob gestão da Parques de Sintra. Para usufruir desse direito, devem ser apresentados documentos oficiais que comprovem a residência como, por exemplo, Cartão do Cidadão (requer o PIN), Bilhete de Identidade, Carta de Condução, Cartão de Contribuinte ou Cartão de Eleitor. No caso de apresentação de uma fatura de eletricidade, água, gás, entre outras, esta tem que ser acompanhada de documento identificativo para verificação do nome do titular da fatura.
 
 
 
 
 
 
 
"Um Dia na Floresta” recria o ambiente de festa que se vive na Natureza. Trechos de música clássica, arranjados especialmente para bebés, com palavras simp
parquesdesintra.pt
 


Efeméride mozartiana
16 Outubro 1769

[facebook, 16.10.2014]

Salzburg: Na manhã daquele dia, na altura com 13 anos de idade, Wolfgang dirige uma Missa na igreja do Convento de Nonnberg.

Permitam que, a propósito do lugar, vos conte que se trata de um templo onde, apesar de celebrizado pelo filme "Sound of Music" de Robert Wise [era ali que Maria estava prestes a professar] é possível passar horas de retiro e gozo espiritual sem a ameaça de qualquer turista...

Para que tenham uma ideia do espaço a que me reporto, embora não seja muito o meu «estilo de serviço» ao divino Amadé, arranjei uma informação à qual podem aceder através da miniatura abaixo disponível.

Regressando à efeméride, é provável que se trate da Missa KV 66 em Dó Maior, designada como "Missa Domenicus", composta no precedente mês de Setembro, estreada no dia 1 e Outubro na igreja de St Peter, em Salzburg, para a celebração da primeira Missa do seu amigo Cajetan Hagenauer, que tomou o nome de Domenicus por ocasião da ordenação. A orquestração desta peça seria enriquecida, em 1776, com o acrescento de trompas, trompetes e oboés.

A Missa apresenta as seguintes 6 partes, de acordo com o Ordinário:

- Kyrie (0:00)
- Gloria (3:17)
- Credo (18:47)
- Sanctus (33:17)
- Benedictus (35:23)
- Agnus Dei (37:21)


A interpretação está a cargo de Charlotte Margiono, soprano; Elisabeth von Magnus, contralto; Uwe Heilmann, tenor; Gilles Cachemaille, barítono; Coro Arnold Schoenberg; Concentus Musicus, sob a direcão de Nikolaus Harnoncourt.

Boa audição!

http://youtu.be/rlQJ2bgK3RQ [acesso à gravação da Missa]


 


Casa onde Mozart nasceu
de portas abertas aos leitores do jornal "SN"


[facebook, 16.10.2014]


Este é um recanto da casa onde nasceu Mozart. Ontem foi visitada por um grupo de leitores do jornal Salzburger Nachrichten, órgão de imprensa da cidade que tanta atenção dispensa à cultura musical salisburguense em geral, ao Mozateum e à Mozartwoche em particular. A visita foi guiada pela Dra. Gabriele Ramsauer, directora dos Museus da Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg.
Heute sind Leser der Salzburger Nachrichten bei einer Führung durch Museumsdirektorin Dr. Gabriele Ramsauer zu Gast im Mozarts Geburtshaus
 
 
 
 
 


Quinta-feira,
Dia de caça
«com» Johann Sebastian Bach


[facebook, 16.10.2014]

A exemplo do que tenho feito em anos mais recentes, também hoje, por ser dia de caça, venho propor-vos que lembremos uma notável peça musical. A verdade é que tenho vários amigos caçadores, alguns dos quais, também melómanos, conhecem a obra que hoje pretendo partilhar, não só com eles mas também com todos os que gostam e sabem apreciar a música de Bach. Portanto. Em dia de caça, uma das excelentes Cantatas Profanas do grande mestre.

Antes, porém, duas notas. Numa primeira, permitirão que me dirija aos «mais sensíveis», incluido militantes da fracturante perseguição aos malvados caçadores. Gostaria de lembrar que a caça – também – pode ser encarada como a necessária e saudável prática venatória afim da manutenção de um equilíbrio ecológico sempre muito difícil de alcançar. Tenho amigos caçadores civilizadíssimos, amantes dos animais, respeitadores dos direitos dos animais, cuja paixão, de modo algum, os isenta desta perspectiva.

A segunda para trazer à colação uma memória especialíssima. Deixem que recorde, com imensa saudade, João de Noronha Galvão Oliveira Martins (tio de Guilherme, actual Presidente do Tribunal de Contas) grande amigo e íntimo da família dos meus sogros, a quem devo uma aprendizagem muito sofisticada das boas coisas da vida, cultivando o melhor convívio, no contexto de irrepreensíveis princípios de educação. Era um grande caçador e, naturalmente, um contador de histórias, num português impecável, que tenho sempre presente, como paradigma. Também em sua memória estes excelentes momentos musicais.

Então, aqui está a Cantata 208, “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, a designada ‘Cantata da Caça’, que foi composta em 1713, no âmbito das funções como organista em Weimar, ainda que destinada à vizinha corte de Weissenfels, cujo príncipe, Christian, era um entusiasta da caça. Salomo Franck, secretário consistorial de Weimar e libretista de muitas das cantatas de Bach, é o autor do texto desta peça que também fez parte da celebração do trigésimo quinto aniversário do príncipe.

Resumidamente, estamos na presença de quatro personagens: Diana (soprano), Endymion (tenor), Palas (soprano II) e Pan (barítono). Endymion, amante de Diana, queixa-se de ela não lhe dar a devida atenção em consequência do excesso das caçadas. Contudo, quando percebe que tudo era em honra de Christian, Endymion não mais se lamenta e junta-se a Diana numa canção de louvor. Tanto Pan, deus dos campos como Palas, deusa dos pastores, igualmente se lhes juntam. Então os atributos de Pan são transferidos para Christian enquanto uma série de temas são cantados até que todos se unem nos Coros [11] ‘Lehe, Sonne dieser Erden‘ (Longa vida ao Sol desta Terra) e [15] ‘Ihr lielichste Blicke, ihr freudige Stunden’ ( Ah, amenos momentos! Oh, horas de prazer!).

A música das diferentes árias é um encanto. A ária para soprano [9] ‘Schaffe können sicher weiden’ (Os carneiros podem pastar à vontade) atingiu uma popularidade absolutamente extraordinária. Igualmente, hão-de reparar que a ária [13], também para soprano, ‘Weil die wollenreichen Herden’ (Enquanto cresce a lã do rebanho) termina com um ritornello, circunstância que sugere uma pausa de dança. Por outro lado, toda a cantata evolui com motivos de caça, emprestando à obra uma evidente continuidade formal.

A gravação que seleccionei, a todos os títulos recomendável, conta com interpretações de alto nível: Vozes femininas, Yvonne Kenny e Angela Maria Blasi; Tenor, Kurt Equiluz; Barítono, Robert Holl; Coro Arnold Schönberg, Concentus Musicus Wien, direcção de Nikolaus Harnoncourt.

Eis os detalhes da peça, com indicação dos respectivos tempos, para uma audição mais cuidada:

00:00 1. Recitativo (Soprano 1)
Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd!
00:34 2. Aria (Soprano 1)
Jagen ist die Lust der Götter
02:25 3. Recitatif (Tenor)
Wie? schönste Göttin? wie?
03:38 4. Aria (Tenor)
Willst du dich nicht mehr ergötzen
08:23 5. Recitativo (Soprano 1, Tenor)
Ich liebe dich zwar noch!
10:43 6. Recitativo (Barítono)
Ich, der ich sonst ein Gott
11:20 7. Aria (Barítono)
Ein Fürst ist seines Landes Pan!
13:54 8. Recitativo (Soprano 2)
Soll denn der Pales Opfer hier das letzte sein?
14:31 9. Aria (Soprano 2)
Schafe können sicher weiden
19:28 10. Recitativo (Soprano 1)
So stimmt mit ein
19:40 11. Coro
Lebe, Sonne dieser Erden
22:54 12. Aria (Soprano 1, Tenor)
Entzücket uns beide, ihr Strahlen der Freude
24:54 13. Aria (Soprano 2)
Weil die wollenreichen Herden
26:43 14. Aria (Barítono)
Ihr Felder und Auen
30:03 15. Coro
Ihr lieblichste Blicke, ihr freudige Stunden


Boa audição!

http://youtu.be/yc_btdk-_d4
 
 


Entre o excelente e o excepcional

[facebook, 15.10.2014]

A produção de "Macbeth" do MET 2014, que, geralmente, tem sido acolhida como absolutamente excepcional, será, de facto, de excelente recorte mas não merecerá o primeiro dos referidos adjectivos, que a remeteria para a plataforma do sublime, em que, ainda hoje, permanece, essa sim, a produção de 1975 do Teatro alla Scala de Milão.

Estou longe de entender o 'endeusamento em marcha' da Netrebko na Lady Macbeth, quando Verrett ditou um paradigma ...a partir do qual qualquer proposta se lhe compara e, no caso do soprano russo, convenhamos que deixando algo a desejar...

Verrett, habituei-me eu a ouvir, a ouvir, a repetir audições, sempre maravilhado e, como não, sempre confirmando a inexcedível correcção da plena assunção de todas as características de uma personagem extremamente compósita, servida por uma voz cujas características parece terem sido talhadas para o papel.

Enfim, não me prolongarei em mais considerações. No entanto, colocando-se, como tem sido o caso, do enquadramento da actual produção de Nova Iorque no domínio do excepcional, então impõe-se comparar. Como eu, há centenas de apreciadores que conhecem esta ópera ao segundo. Para alguns desses, que frequentam «estas paragens», decidi propor os dois documentos seguintes, de gravações ao vivo, das duas produções em apreço.

Se quiserem aceitar o desafio, haverá que considerar o exercício de «saltar» de ária em ária, de dueto em dueto como pouco ortodoxo, tanto mais que há quarenta anos a separar as duas versões. Do MET, só há o som enquanto que, do Scalla, temos a encenação do Streller. Não se 'percam'. Centrem-se nas duas Lady Macbeth, já que esse é o desafio que está implícito desde o início das minhas palavras.
Entre o excelente e o excepcional. Eu não tenho uma dúvida!

Boa audição! Bom trabalho!

http://youtu.be/lcUbfs3eRvc - Netrebko, Lucic, MET, 2014
http://youtu.be/NSfhS0Vg7yQ - Cappuccilli, Verret- Scalla, Abbado1975


 


Virgílio, (Publius Vergilius Maro),
15 de Outubro de 70 – 21 de Setembro de 19 ac

[facebook, 15.10.2014]


Efeméride mais 'clássica' não poderia ser esta em que proponho comigo comemorem o nascimento de Virgílio mas em articulação com uma das obras mais notáveis da História da Música, numa paradigmática interpretação.

É no Livro IV da “Eneida”, obra máxima da produção de Virgílio, que se baseia o argumento de “Dido and Aeneas”, acerca dos amores entre a rainha de Cartago e o herói romano, uma das óperas de Henry Purcell, estreada em Londres no ano de 1688.

Virgílio, recordado no seu aniversário, mais de dois mil anos depois, hoje, neste mural. Que o seja «na companhia» de um outro génio, um excepcional compositor, e na síntese de uma voz perfeitamente única, aí tendes o máximo de que sou capaz na comemoração da efeméride.

Justissimamente célebre, eis a cena do desespero de Dido, abandonada por Eneias, que vos proponho na que considero uma das melhores interpretações de sempre! Não é a de de Kathleen Ferrier, que não se encontra disponível, mas de Dame Janet Baker, numa gravação ao vivo do Festival de de Glyndebourne, 1966, sob a direcção de: Charles Mackerras.


Boa audição!



http://youtu.be/D_50zj7J50U