[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015



A quem possa interessar
 
[facebook, 24.01.2015]
 
Basta andar meia dúzia de quilómetros para se confirmar como é sábia a aposta de um cada vez maior número de empresas mundiais que escolhem Cascais para a organização dos seus seminários...
 
Aqui tão perto, é susceptível de suscitar as maiores invejas. Em vez disso, porque não replicar os bons exemplos? Sintra tem condições estupendas que, por vezes, são escandalosamente desaproveitadas, em virtude de uma endemicamente instalada cultura de desleixo.
...
Por outro lado, como sempre têm proposto as mentes mais esclarecidas, em vez de apostar em rivalidades, mais ou menos de cariz clubístico, me parece, isso sim, dever capitalizar-se a complementaridade destas duas abençoadas comunidades.

Enfim, como soe dizer-se, fica à consideração de quem possa interessar...
 
 
 
 
 
 
Cascais-plage-introDe plus en plus d’entreprises mondiales choisissent Cascais, toute proche de Lisbonne, pour organiser leurs séminaires. Quant aux touristes, ils viennent...
De BusinessTravel.fr
 


2015, Salzburg VII

[facebook, 24.01.2015]

O outro evento musical que assisti ontem, às 19.00, no auditório Haus für Mozart, foi "Alfonso Und Estrella", D732, ópera de Franz Schubert, em versão de concerto. Sob a direcção do Maestro Antonello Manacorda, a Orquestra do Mozarteum de Salzburg e o Coro Salzburger Bachchor. As vozes solistas, correspondentes â sequência da lista das personagens anexa: Michael Nagy, Mojca Erdmann, Alastair Miles, Benjamin Hulett, Markus Werba, Toby Spence, Mayumi Sawada.

Para me permitir alguma folga, recorro a uma tradução para Inglês do libreto que aí vos proponho em anexo. A ópera tem momentos musicais lindíssimos mas o libreto, de Franz von Schober, que tem sido bastante criticado, em sentido pejorativo e com razão, ao longo do tempo, não concede espaço a que a acção se desenrole e flua a um ritmo conveniente. Nem imagino como poderá ser uma produção de cena.

O alto nível do evento quase seria comprometido pela única voz feminina protagonista, Moja Erdmann, soprano algo incaracterístico que já tenho ouvido noutras oportunidades, ontem acusando alguma baixa de forma e cansaço. Não deu para estragar mas quase...

Uma chamada de atenção para a Gulbenkian, cuja insistência em não permitir que o público acompanhe o canto com a leitura dos textos respectivos, por vezes, prejudica mesmo o gozo das peças. Aqui, sempre que tal é condição 'sine qua non', como era o caso, as luzes mantêm uma presença operacional que permite a toda a gente acompanhar. Atenção, não se trata da tradução do original para qualquer idioma mas, tão somente, da possibilidade de acompanhar o original.
Eis um momento, particularmente belo desta ópera, 'Schon, Wenn Es Begint Zu Tragen' - que, se bem quiserem entender, até parece um Lied orquestrado - na interpretação de Jonas Kaufmann

Boa Audição!

http://youtu.be/xRPnJ08L0ZA

[AT: aos amigos que já acederam e leram 'Salzburg VI' o aviso de que lhe acrescentei uma proposta de audição de uma peça de Elliot Carter, na interpretação de Daniel Barenboim e Staatskapelle Berlin.]
____________________________

ANEXO

Cast of Characters

Mauregato, King of León (baritone)
Estrella, his daughter (soprano)
Adolfo, his field-marshal (bass)
Captain of Mauregato's guard (tenor)
Froila, expelled king (baritone)
Alfonso, his son (tenor)
A girl (soprano)
A boy (tenor)
Chorus of peasants, hunters, huntresses, servants, soldiers
The action takes place in the fictitious kingdom of León in Spain.
Benjamin Hulett,

Plot summary:

Act 1: Froila, the rightful ruler of the Kingdom of León, has been driven out by Mauregato and has spent the last twenty years living in a remote mountain valley, tenderly revered by his subjects. His son Alfonso, now come of age, is oppressed by the narrowness of the valley and the clement rule of his father and wishes to reconquer the throne. Froila refuses to grant his permission, but gives him a talisman: the chain of Eurich, one of his predecessors on the throne of León. - The royal palace of Oviedo: Estrella, daughter of the illegitimate ruler Mauregato, is about to set out on the hunt with her girlfriends when she is interrupted by field-marshal Adolfo, who has just returned victorious from a battle with the Moors. Adolfo begs for her hand in marriage, but is rejected. Now he reasserts an earlier promise from Mauregato. Bound to his promise, Mauregato again grants his permission but adds one condition: Estrella's hand shall be given only to the owner of Eurich's chain. Adolfo threatens revenge for this rebuff.

Act 2: A mountain valley: Alfonso asks his father to sing, once again, the song of the Maiden of the Clouds. It tells the tale of a hunter who falls under the spell of an enticing phantasm in a dream; returning to reality, he can no longer find his way and plunges to his death. Though intended as a warning, Alfonso regards the song as a promise that he shall burst the confines of his narrow surroundings. At this very instant Estrella appears: she has become detached from the hunting party and has lost her way. To Alfonso, she seems like nothing other than the Maiden of the Clouds. The two young people conceal their true identities but sense a deep and immediate rapport. By his father's command, Alfonso is not allowed to proceed beyond the valley, but he gives her Eurich's chain as a gesture of farewell. - Oviedo: Adolfo surrounds himself with conspirators. Under the pretense of acting on behalf of Froila, whom he has long considered dead, he prepares to topple Mauregato from the throne. Meanwhile the king anxiously awaits a sign of life from his daughter. When she finally returns, he sees Eurich's chain around her neck and is reminded of his crime against Froila. He explains to her that the chain is an extra condition attached to Adolfo's marriage proposal, at which Estrella jubilantly announces that she wishes to marry the unknown young man from the mountains. Full of courage, she enjoins her father to enter the fray against Adolfo's forces.

Act 3: The noise of the battle has penetrated Froila's valley. Estrella flees from Adolfo, who threatens her with violence. At the last moment she is rescued by Alfonso and his troops, who take Adolfo prisoner. Estrella pleas for help for her father, and Alfonso sets out. Penitent and fleeing for his life, Mauregato encounters Froila - who forgives him. When Alfonso returns victorious, Adolfo too is forgiven by Mauregato: "Clemency eradicates guilt." Froila passes the crown to his son, and the populace pay homage to Alfonso and Estrella as their new rulers.

Bradford Robinson, 2005
Performance material: Breitkopf und Härtel, Wiesbaden
Schon, Wenn Es Begint Zu Tragen
youtube.com



 


2015, Salzburg VI

[facebook, 24.01.2015]
 
Muito rapidamente, a dar-vos conta dos dois eventos musicais a que ontem assisti. Primeiramente, às 11.00, na Grosse Saal do Mozareteum, o concerto que, todos os anos, nesta altura da Mozartwoche, a Orquestra Sinfónica da Universidade do Mozarteum apresenta.

Desta vez, a direcção esteve a cargo de Ainars Rubikis, jovem Maestro extremamente promissor, natural de Riga, capital da Letónia, que – recordo aos meus amigos habitués da Gulbenkian – dirigiu a Orquestra quando, tão recentemente, a pianista Leonskaia foi interpretar, no Grande Auditório da Av. De Berna, os Concertos para piano, Nos. 1 e 2 de Johannes Brahms.

Os jovens estudantes e graduados académicos do Mozarteum comovem-me todos os anos, pelo seu entusiasmo, dedicação, entrega e procura de Amadé, nas linhas dos pentagramas, nos interstícios das pautas, conduzidos por óptimos e atentos professores. Por isso, esta universidade é tão cobiçada e demandada por interessados de todas as latitudes. As provas de acesso são proverbialmente exigentes, os cursos não menos. Mas o ‘cartão de visita’ com a marca do Mozarteum de Salzburg abre portas em todo o lado…

É no contexto destas considerações e no absoluto e estrito respeito por ‘esta significativa presença’ de Mozart em Salzburg, que hoje vos trago a gratíssima memória do concerto de ontem. Em programa, de Franz Schubert, “Ouvertüre do Melodrama “Die Zauberhafe” D 644 – “Rosamunde Ouvertürea; de Elliot Carter, “Dialogues II” para Piano e Orquestra de Câmara e “Two Controversies and a Conversation para Piano, Marimbas e Orquestra de Câmara”; e, de Mozart, a “Sinfonia No. 35 em Ré Maior”, KV 385’.

É esta a orquestra académica através da qual os jovens vivem o privilégio de continuar o designado ‘Klang’ de Salzburg. Os solistas, Luise Imorde, piano e Richard Putz, marimbas, revelaram uma maturidade que bem atesta a qualidade das Escolas de Música por onde têm passado, o Mozarteum em especial.

Muito atento, Ainars Rubikis atacava qualquer hipótese de deslize evitando o mínimo desequilíbrio. As peças de Carter, interessantíssimas e de uma jovialidade extraordinário para a idade centenária que o compositor já tinha quando as concebeu, foram lidas e interpretadas com uma comoção evidente.

Quanto à Sinfonia de Mozart, é inequívoco o reconhecimento do tal som e espírito de Salzburg, comum às três orquestras da cidade – Orquestra do Mozarteum de Salzburg, Camerata Salzburg e Orquestra Sinfónica da Universidade Mozarteum.É nestes agrupamentos orquestrais que Mozart permanece vivo.

Em St Sebastian alojam-se muitos destes estudantes. Quando aqui venho, convivo com eles, em especial ao pequeno almoço, onde tenho conhecido alguns que já têm carreiras interessantes. Também é por isso que não troco St Sebastian por nenhum hotel das redondezas apesar de, no meu caso, os preços andarem ela por ela, uma vez que, embora amigo da casa, não gozo das tarifas mais vantajosas aplicáveis à rapaziada que aqui passa largas temporadas.

A título de ilustração de um dos momentos musicais, aqui fica "Diallogues II", numa interpretação ao piano por Daniel Barenboim, o dedicatário da obra, e a Staatskapelle Berlin, sob direcção de Zubin Metha.

Boa audição!

http://youtu.be/mu7bEE2wwW4

______________________________


Fica para mais logo a referência ao outro concerto. Hoje, sábado, durante a manhã, funciona o mercado de levante, na Universitätsplatz, junto à Kollegienkirche. Não perco, de modo algum. Já lá vai o tempo em que um montanhês trazia trutas fumadas e enchidos que eu levava para casa como verdadeiras preciosidades. O homem já morreu, há uns quinze anos, e nunca mais aparece um substituto…

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015


2015, Salzburg V
Um negócio florescente


[facebook, 23.01.2015]


De há uns anos a esta parte, sub-repticiamente, tem-se vindo a instalar em Salzburg uma comunidade de romenos que ultrapassa todos os limites que possam imaginar. A princípio, aparecendo um ou outro, a polícia retirava-os não sei para onde mas, posteriormente, deixou-se dessa chatice.

Se, em 2001, por exemplo, se contavam os pedintes romenos pelos dedos de uma mão, hoje-em-dia, santo Deus, são às dezenas. Só na minha rua, a conhecida Linzer Gasse, desde St. Sebastian até ao ponto em que vai «desaguar» ao rio Salzach, na zona da Statsbrücke, num segmento de trezentos metros, seguramente, há dez pedintes.

Há pouco, às dez da noite, à porta da 'Haus für Mozart', numa altura em que caía neve abundante, estavam dois jovens rapazes, de joelhos e de mão estendida... Aqui, o máximo, é porem-se de joelhos, enregelados, cultivando uma cena lancinante, capaz de fazer chorar as pedrinhas da calçada. E este mês ainda não vi quem toque violino, pessimamente, numa atitude ainda mais desgraçada.

A verdade é que há outros. Desta vez, só me refiro aos romenos, nossos vizinhos desta União Europeia «da treta», qual clube de ricos, para quem, estes e outros exemplos que bem conhecemos às nossas lusas portas, não passam de «loosers» nada recomendáveis... A verdade, no entanto, é que são aqui colocados por mafias exploradoras, que ganham rios de dinheiro com este negócio da ignomínia que não pode estar mais florescente.
 
 


2015, Salzburg IV
MOZARTWOCHE 2015
 

 "DAVIDE PENITENTE", CANTATA DE MOZART

- GRANDE ACONTECIMENTO EM SALZBURG

[facebook, 23.01.2015]


"Davide penitente" KV. 469 é a Cantata de Mozart - estreada em Viena, no Burgtheater, em Março de 1785 (uma adaptação que o compositor promoveu a partir da sua Missa em Dó menor KV. 427) - que a Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg escolheu como a grande produção da Mozartwoche de 2015*. Da concepção cénica desta maravilhosa peça foi encarregado Bartabas, o mestre único da arte de coreografia equina, que coordenou a sua equipa da Académie Équestre de Versailles.

Como ontem tive oportunidade de focar, a arte de Bartabas é praticamente impossível de categorizar já que consegue articular cavalos, pessoas, movimento, luz e figurinos para propor uma espécie de 'gesamtkunstwerk'. Em Salzburg tivemos a rara oportunidade de viver a experiência radical do trabalho de um dos mais aclamados artistas do nosso tempo, cujas mais recentes propostas incluem ousadíssimos espectáculos concebidos à volta da música de Stravinsky e de Bach.

E, de modo extremamente significativo, esta produção de "Davide penitente" - com uma tão forte componente equina, envolvendo seis parelhas de cavalos, que evoluiram como grandes estrelas - aconteceu no grande auditório que aproveitou as estruturas da Felsenreitschule, o picadeiro que os Príncipes-Arcebispos de Salzburg construíram há mais de trezentos anos.

Convém ter em consideração que Salzburg foi um dos lugares europeus onde a equitação e a criação de cavalos mais floresceu. Sinais evidentes de que assim foi, estão um pouco por toda a cidade e, precisamente, na zona que é hoje ocupada pelos três grandes auditórios da cidade, a saber, a Felsenreitshule, a Haus für Mozart e o Grosses Festspielhaus. Aliás, o talvez mais famoso arquitecto do barroco germânico, Johann Bernard Fischer von Erlach, que tantos trabalhos deixou em Salzburg, começou a sua colaboração com os Príncipes Arcebispos com a grande fachada da Felsenreitschule, obra fascinante.

E vamos à peça.“(...) Os membros da Sociedade Vienense para a Protecção de Orfãos e Viúvas, encomendaram uma Oratória a Mozart… Porém, não dispondo de tempo para a composição da obra, aproveitou uma “Grande Missa” incompleta, adaptou-lhe um texto em Italiano, juntou árias e duetos, dando origem a uma ‘Oratória’: Davide penitente, na qual foram suprimidos os coros do Kyrie e do Gloria, sendo acrescentado à fuga um solo em três partes."

É assim que Maximilian Stadler descreve a génese da peça actualmente designada como ´Cantata’, com base na “Grande Missa em Dó menor”, KV. 427, que emparceira com o “Requiem” enquanto obra maior de Mozart no capítulo da música sacra. O concerto incluiu a obscuramente expressiva “Música Fúnebre Maçónica”, KV. 477 e um interlúdio do drama heróico “Thamos, Rei do Egipto”, KV. 345, com a sua lamentação transcendente e ritos arcaicos.

Eis a ficha geral da produção que, não tenho a menor dúvida, foi um marco histórico neste Festival de Inverno que já conta 59 anos dos maiores êxitos mozartianos:

- Marc Minkowski, Maestro, Les Musiciens du Louvre Grenoble e Salzburger Bachchor
- Bartabas, Direcção, Coreografia de cavalos e cavaleiros da Académie Equestre de Versailles.

- Vozes solistas:
Christiane Karg, soprano
Marianne Crebassa, Mezzo
Stanislas de Barbeyrac, tenor

______

É, na realidade, de assinalável arrojo a concepção da proposta que, depois de uma tremenda expectativa, ao longo de um ano, ontem vimos concretizada. Em relação à dificílima questão da partilha do espaço, Marc Minkowski decidiu aproveitar os três andares das arcadas da Felsenreitschule para aí 'alojar' a Orquestra, nos primeiro e segundo andares, com as vozes solistas ao meio deste, e o Coro no superior. Fantásticas as condições acústicas da sala que em nada se ressentiram por esta opção.

No palco, algo reduzido em relação às necessidades da movimentação de seis parelhas, apenas evoluíram os animais com os seus cavaleiros. Habituado que estou, desde miúdo, a assistir à apresentação de cavalos em Alta Escola, é claro que a deslocação balética destes estupendos animais, alguns dos quais lusitanos, só não me impressionaria se eu estivesse à espera de algo semelhante ao que tão bem fazem os cavaleiros da Escola Portuguesa de Arte Equestre, sediada em Queluz, sob os auspícios da Parques de Sintra.

Como assim não era, já que a de Bartabas, é uma linguagem artística outra, fiquei muitíssimo bem impressionado. Há poesia, uma elegância suspensa, de muitas toneladas de cavalos, um peso que não se sente, não se ouve, como que deslizante sobre as nuvens em que se transformou aquele piso do palco, tão especialmente bem preparado para que tal sensação se impusesse.

Vozes solistas ao mais alto nível, Orquestra e Coro com um empenho e qualidade inexcedíveis, sob a batuta de Marc Minkowski, averbando um êxito de arromba, como esta manhã assinalava o crítico do “Salzburger Nachrichten”, opinião que já tive oportunidade de partilhar convosco noutro post.
Portanto, meus amigos, a Mozartwoche não podia ter começado de maneira mais auspiciosa. Houve festa. Está tudo dito! E, pois claro, depois correu o Champagne!

PS:
Antes do evento, lendo alguma informação que corria e falando com amigos acerca das «habilidades» a que assistiríamos, insistia-se numa parte da coreografia, em que as cavaleiras montavam sem rédeas. De facto, assim aconteceu, já que braços e mãos evoluem para sublinhar determinada elevação estética. Mas, Deus meu, não percebi que especial expectativa era aquela já que qualquer criança aprende a fazê-lo nas aulas de volteio.

Eis uma proposta de audição da peça, que vos aconselho vivamente.


Boa audição!

 
 
 
 
W. AMADEUS MOZART.- Oratorio - David Penitente Kv 469 1.Chorus: Alzai le flebili voci al Signor 2.Chorus: Cantiam le glorie 3.Aria: Lungi le core ingrato 4.C...
youtube.com
 


2015, Salzburg III
(Cont. de ‘Salzburg II’)


[facebook, 22.01.2015]


Pois se chegou tarde, preparando-se para sair, antes de a Mesa Redonda terminar, a minha querida e maior amiga em Salzburg, Prof. Geneviève Geffray, directora da Bibliotheca Mozartiana da Fundação Internacional do Mozarteum durante dezenas de anos até se aposentar em 2012, e eu saltámos do nosso lugar e fomos ao encontro de MM, lembrando-lhe o compromisso comigo.

Marc Minkowski, o conhecido fundador e, até hoje, único Maestro titular de Les Musiciens du Louvre Grenoble, é um apaixonado por cavalos. Não admira, portanto que, praticamente, tivéssemos caído nos braços quando percebeu o que eu lhe levava. Pois, nem mais nem menos do que o livro escrito pela Dra. Teresa Abrantes, a médica veterinária que dirige a Escola Portuguesa de Arte Equestre, ainda por cima, com uma dedicatória.

Também o Dr. Manuel Baptista escreveu umas palavras que o Maestro agradeceu sinceramente. Quando lhe falei de Queluz, sede da EPAE, ele já sabia que era a meio caminho entre Lisboa e Sintra, lugar que pretende conhecer. No referido livro, o Palácio aparece profusamente, as fotos são estupendas, o homem estava encantado.

Ele conhece os Lusitanos, ele conhece os Sorraia, raça portuguesa, antiquíssima, que a maioria dos portugueses nem nunca ouviu falar, exemplares da qual Bartabas tem na Académie Équestre de Versailles. (Por acaso, depois de fazerem o indispensável volteio, sem o qual ninguém deveria atrever-se a montar, as minhas filhas montaram, durante alguns anos, o ‘Nobel’, cavalo Sorraia, montada estupenda mas caprichosa. E lá vão cerca de trinta anos…).

E, igualmente, lhe entreguei, com a devida apresentação, os CD’s que o Massimo Mazzeo lhe enviou, bem como uma sua misteriosa carta – certamente, coisa de iniciados… – que, em envelope fechado, eu era portador… O Massimo Mazzeo (MM), que também tem trabalhado com a Escola Portuguesa de Arte Equestre, e que tem uma relação tão íntima com a orquestra barroca ‘Divino Sospiro’, de facto, tem uma série de coincidências de vida musical com Marc Minkowski (MM). O que eu adorava ver estes dois amigos lançados numa qualquer aventura, mais ou menos louca, que isto é gente de outra, da melhor, galáxia…

Falámos acerca da possibilidade de a produção ir a Lisboa ma, não tendo havido tempo para entrar em detalhes. Às tantas, já ele falava do CCB, que conhece, e eu, a propósito, replicando com o conhecimento do Prof. António Lamas, pessoa que tão afim está de toda esta história. Mas, reconhecia ele, que o CCB não tem condições para o efeito da montagem desta produção. Como a conversa já se prolongava e ele ainda tinha imenso que fazer, teremos um novo contacto num dos próximos dias.

A minha amiga e eu ainda voltámos à Mesa Redonda que, sem a presença dos franceses Bartabas e Minkowski, então continuava, apenas em Alemão, fornecendo pistas e mais pistas de leitura da obra que esta noite veríamos na Felsenreitschule. É verdade, estou farto de falar neste grande auditório, que fica paredes-meias com a Haus für Mozart – no espaço que, antigamente, foi ocupado pelo Kleines Festspielhaus (que, durante anos sucessivos, eu vi deitar a baixo e reconstruir nos termos da nova proposta) o qual, afinal, toda a gente conhece, quanto mais não seja, do filme “The Sound of Music”, já que é o cenário real do concerto que os Trapp dão antes de pirarem pela esquerda alta… Lembram-se ou também é preciso recorrer a imagens do YouTube?

________________________________

Um perigosíssimo fait divers...

Bem, quanto à récita da noite, amanhã terão as minhas impressões. Mas não me despeço sem vos dizer que estive prestes a não assistir. Nem mais! Quando me preparava para entrar, mesmo sem meter a mão à carteira para retirar o bilhete, logo tive presente de que me esquecera de o trazer. E, meu Deus, eram sete e dezassete, faltava menos de um quaro de hora para começar.

Agora apelo aos meus amigos que conhecem Salzburg, nomeadamente, a M Manuel Bravo Serra e José Luís de Moura. Dali, até St Sebastian, onde sempre fico alojado, é um quilómetro. Tive de subir e descer o terceiro andar onde está o meu quarto, buscar o bilhete e regressar. Dois quilómetros. Tive de correr que nem um desalmado. Fiz a vergonha de passar um semáforo antes de caír o verde.

Se vos disser que me parece impossível como consegui, dou-vos a minha palavra em como não exagero. Foi uma loucura. Se calhar, amanhã, no conhecido jornal “Salzburger Nachrichten”, virá uma qualquer notícia acerca de um velho louco, bem posto, de sobretudo formal, cachecol ao vento, a bater os calcanhares, entre a Wiener Philharmoniker Gasse, Rathaus Platz, Staatsbrücke e Linzer Gasse…

Bem, por acaso não há neve nem gelo pois, caso contrário, nem pensar! Depois de ter prometido à minha mulher que não poria em risco a minha segurança… É que, estando sozinho, se alguma coisa acontece, apesar de cá ter queridos amigos, tudo será muito complicado. E o que vale é que a Ana Maria não tem, não acede e detesta o facebook. Ficam sabendo, nomeadamente, as minhas irmãs e irmãos, que o mano mais velho os proíbe, terminantemente, de dizerem à cunhada seja o que for, acerca deste despautério!...

sábado, 14 de fevereiro de 2015


Mozartwoche 2015,
Primeiro evento - mesa redonda

[facebook, 22.01.2015]

Já com Marc Minkowski, que tinha chegado atrasado, a Mesa Redonda ouvia Bartabas, aquele senhor, de grandes suiças, de microfone na mão. Na outra foto, cronologicamente, uns minutos antes, Mathias Schulz, o Director Artístico do Mozarteum de Salzburg, abria os trabalhos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Heute beginnt die Mozartwoche 2015. Der Round Table zu Bartabas hat den Auftakt gemacht. Nun freuen wir uns auf die Premiere der Produktion Davide penitente heute Abend.
 


2015, Salzburg II

[facebook, 22.01.2015]

Então não é, meus amigos, que acabo de perder um texto, que já ia nuns oito ou nove parágrafos, o qual, imprudentemente, como tantas vezes faço, estava a escrever directamente no mural do facebook? De repente, algo aconteceu que me trouxe uma página sobre as Camélias da Parques de Sintra e, pronto, tudo se sumiu. Desesperadamente, procurei «por todo o lado» mas nada.

Como estou muito bem disposto, não darei lugar a que se instale qualquer sombra na minha tarde. Tenho pena porque estava a sair bem e juro-vos, perfeitamente em sintonia convosco. Vamos lá ver o que, agora mais sinteticamente, poderei partilhar.

Fui à tal Mesa Redonda, que vos referi no meu escrito precedente, ’Salzburg I’, para assistir à apresentação da Cantata “Davide penitente”, KV. 469 de Mozart que, mais logo, pelas 19,30, sobe à cena. Não esqueçamos que já aconteceu a primeira iniciativa desta Mozartwoche 2015, ou seja, a Mesa Redonda, mas, para o primeiro evento musical, ainda faltam umas horas.

Nas últimas semanas, tenho aqui mencionado regularmente o nome Bartabas, Mestre Coreógrafo da Académie Équestre de Versailles. ‘Bartabas’, nome artístico, de tal modo substituiu «o original» que, praticamente, ninguém conhece o cidadão Clément Marty de sua graça, cujas opiniões vale a pena considerar já que se trata de um homem sui generis, dotado de relevante sensibilidade artística, que vive entre dois mundos fascinantes, o da Arte dos homens e o destes animais tão especialmente interessantes, propondo uma síntese que é uma Arte outra.

Lembrar-se-ão de que, há uns dias, vos falava acerca de ‘gesamtkunstwerk’, obra de arte total, a designação a que aspira esta proposta de “Davide penitente”. Para os wagnerianos, este é um termo muito afecto ao mestre de Bayreuth, na «sua» concepção de ópera. Música, teatro, canto, bailado, coreografia, arquitectura de cena, cenografia, etc, que, hoje em dia, também envolve meios áudio gravados, audiovisuais os mais diversos, sofisticadíssimos recursos de design gráfico, media computacionais etc, etc.

“Davide penitente” tem a particularidade de integrar esta vertente da Arte Equestre sublimada, em que os 12 cavalos que veremos em cena – tal como Bartabas sublinhou, num momento particularmente feliz do seu diálogo connosco (não éramos mais do que trinta pessoas) – funcionando como um espelho, nos devolvem a imagem fidedigna do modo como foram ensinados, sem ponta de agressividade, na ausência total de qualquer vestígio de residual violência. Se quiséssemos, até poderíamos generalizar, a todo o processo educativo!...

Vejam como já escrevi outros seis grossos parágrafos e ainda estou longe do que já tinha partilhado… Falar-vos-ei agora de Minkowski. Estava toda a gente à espera que chegasse a horas, e eu em particular – como sabem, através do já referido texto ‘Salzburg I’, ele próprio me pedira que estivesse uma meia hora antes, porque, uma vez acabada a Mesa Redonda, teria de sair imediatamente…

Pois, nem às 13,30, para falar comigo, nem às 14.00, hora de início dos trabalhos. Em desespero de causa, os meus amigos do Mozarteum encarregados da função, começaram a conversa com Bartabas. Tudo decorreria nos dois idiomas, em Francês e Alemão. Tenho direito a um pequeno parêntesis? Então, só para vos dizer que, cada vez mais, dou graças a Deus por dominar vários idiomas que, na realidade, me abriram diferentes portas para o mundo. E, naturalmente, gratidão a meus pais que, a exemplo do que era habitual, fomentaram esta prática desde muito cedo, na recuada infância.

Fecho já o parêntesis e, agora, também encerro o escrito porque, já passando das cinco e meia, tenho de me preparar, jantar e caminhar até à Felsenreitschule. Mas não desanimem. Logo terão o relato da minha conversa com Minkowski que, ficam já a saber, não poderia ter corrido melhor. Antecipadamente, peço desculpa por alguma falha já que não me sobra tempo para afinar a escrita.
(cont.)



Os dinheiros da Parques de Sintra

[facebook, 22.01.2015]

Querem ver como se gasta? Como se gasta bem? Como se investe?
Leiam e assistam ao vídeo através do qual o meu bom amigo, Engº Daniel Silva, fornece toda a informação que vos é imprescindível para entenderem o âmbito e alcance da intervenção.

 ______________________________



Passo a reproduzir a informação que me acaba de chegar:


2,8 milhões de Euros em 2015 para recuperar o Palácio de Queluz
Arranque das obras
 

· Palácio
o Recuperação de coberturas
o Restauro das fachadas viradas aos Jardins
o Instalação de cafetaria, auditório e espaço para eventos
o Revisão das Infraestruturas de energia e comunicações
o Sistema de videovigilância
o Ligação dos esgotos à rede pública
o Iluminação dos jardins e fachadas
· Jardins
o Recuperação do Jardim de Malta
o Reconstituição do Jardim Botânico
o Restauro da Cascata
o Recuperação dos bosquetes e caminhos
o Revisão e melhoria do sistema de águas (fontes, lagos, rega)
o Plantações para proteção de vistas

Vídeo sobre o projeto: http://youtu.be/0GxLQLsiYoA

Sintra, 22 de janeiro de 2015 – A Parques de Sintra arrancou em janeiro com as intervenções necessárias para a recuperação do Palácio Nacional e Jardins de Queluz, com um investimento global de cerca de 2,8 milhões de Euros. Estas incluem, no Palácio, a recuperação de fachadas, cantarias, vãos, coberturas, a revisão das infraestruturas de energia e comunicações, bem como a proteção contra descargas atmosféricas, o sistema de videovigilância, a ligação dos esgotos à rede pública e ainda a requalificação do piso térreo, inacabado desde a reconstrução após o incêndio de 1934, para a disponibilização de uma cafetaria, auditório e espaço de apoio para eventos, naquele que é um dos Palácios Nacionais mais procurados para este efeito. No que respeita aos jardins, cujas intervenções estão ainda sujeitas a apreciação por parte da Direção Geral do Património Cultural, os projetos previstos abrangem a recuperação do Jardim de Malta, a reconstituição do Jardim Botânico, e ainda a recuperação da Cascata, bosquetes e caminhos, a revisão e melhoria do sistema de águas (tanto ao nível das fontes, tanques e lagos, como da rega) e novas plantações para proteger as vistas de quem se encontra no interior do Jardim.

O Palácio Nacional de Queluz e os seus jardins históricos constituem um dos exemplos mais extraordinários da ligação harmoniosa entre paisagem e arquitetura palaciana em Portugal, refletindo o gosto da corte nos séculos XVIII e XIX (período marcado pelo barroco, o rococó e o neoclassicismo). Em 1934 o Palácio foi alvo de um incêndio que o destruiu parcialmente, tendo sido feitas várias obras de reconstrução nessa altura.

O diagnóstico do estado de conservação do Palácio e Jardins, efetuado logo após a Parques de Sintra ter recebido a gestão do Palácio Nacional de Queluz (no final de 2012), confirmou o elevado estado geral de degradação do conjunto, devido à carência quase total de investimentos.
Foram então analisadas as áreas a necessitar de recuperação, inclusive com o apoio de especialistas (nomeadamente da Direção-Geral do Património Cultural e do Instituto Superior Técnico); desenvolvidos/adaptados os projetos detalhados de intervenção e lançados os concursos para seleção das empresas de recuperação, no que respeita aos trabalhos no Palácio.
Arrancam agora os trabalhos no Palácio, tendo como objetivo a sua conclusão até ao verão de 2015 (o que permitirá apresentar o Palácio recuperado ainda durante a época alta), e terão também início este ano as intervenções nos jardins.

Os trabalhos em causa não irão implicar em nenhum momento a interrupção dos percursos de visita, pretendendo-se, pelo contrário, e de acordo com a política habitual de “Aberto para Obras” da Parques de Sintra, que os visitantes acompanhem o progresso das intervenções. Será portanto possível, dentro do respeito pelas regras de segurança, assistir aos trabalhos, bem como aceder a informação sobre os mesmos e, dessa forma, melhor avaliar e reconhecer o esforço necessário para a intervenção em espaços com este tipo de sensibilidade e relevância histórica.

Áreas de intervenção:

Serão recuperadas as coberturas da Sala de Jantar e do Pavilhão Robillion/Sala dos Embaixadores (Quarto D. Quixote e da Princesa Carlota Joaquina, Salas das Merendas, do Toucador, das Açafatas e dos Despachos, e Sala dos Embaixadores), espaços que não são intervencionados desde o incêndio. A estrutura de suporte das telhas, composta por lajes aligeiradas de tijolos armados e argamassados, encontra-se em avançado estado de deterioração e será completamente substituída por madres e varas de madeira. Rever-se-á o sistema de drenagem de águas (cujos problemas atuais potenciam infiltrações), substituindo as caleiras, introduzindo uma nova janela de acesso às coberturas e melhorias na ventilação natural.
Os tetos, de madeira, serão limpos por aspiração, alvo de tratamento curativo e preventivo (contra fungos e insetos xilófagos) e de verniz ignífugo para aumento da resistência ao fogo.
A intervenção será acompanhada da revisão das infraestruturas de energia e comunicações existentes nos sótãos, bem como da substituição do sistema de proteção contra descargas atmosféricas, passando este a incluir dois novos para-raios, protegendo todo o Palácio, em vez de apenas uma parte.

Para a recuperação das fachadas, que ao longo dos tempos foram pintadas com cores e tons diferentes, foi realizado um aprofundado estudo e discussão, acompanhado de análises laboratoriais, investigação documental, desenhos e fotografias antigas, concluindo-se que o Palácio Nacional de Queluz era azul. Pretende-se portanto restituir a harmonia de cores nos alçados virados aos jardins, ensaiando materiais, técnicas e composições decorativas (molduras e fingimentos) numa das fachadas, que será depois avaliada para solução idêntica nas restantes.

Relativamente à recuperação das cantarias, esta incluirá a remoção de fungos, o tratamento de juntas, bem como a consolidação e reposição de outros elementos.
Também as janelas e portas das fachadas do Palácio viradas aos jardins serão alvo de intervenção (tratando-se de elementos essenciais para a segurança e condições no ambiente interior), obedecendo a regras específicas, tendo em conta o edifício histórico em que se inserem. Foi conduzida uma avaliação geral do estado de conservação, registando-se que as caixilharias apresentam problemas de conservação, por apodrecimento das madeiras, e também as ferragens e os gradeamentos metálicos das varandas estão em situação de degradação.

Definiram-se as soluções técnicas a aplicar, tendo em conta critérios como o respeito pela autenticidade dos objetos originais e a compatibilidade com os materiais pré-existentes, substituindo-se apenas os que não seja possível recuperar por não incluírem matéria suficiente ou o estado de degradação ser demasiado elevado.

A intervenção de adaptação dos pisos térreos do Pavilhão Robillion e Sala dos Embaixadores (fechados ao público desde a reconstrução após o incêndio de 1934) pretende que estes passem a funcionar como cafetaria, auditório e apoio a eventos. Envolverá a instalação de uma zona de cafetaria aberta ao público em geral, com esplanada (incluindo elevador para acesso de pessoas com mobilidade reduzida), e outra para acolher eventos e conferências, garantindo desempenho e segurança mas conservando os elementos arquitetónicos e decorativos fundamentais do edifício, com o mínimo de alterações estruturais. Uma das salas deste piso dará lugar a um auditório polivalente e outra a um espaço de refeições, habilitando o Palácio a receber eventos durante o período de abertura ao público.

A renovação do sistema de videovigilância, que integrará o sistema geral de CCTV da Parques de Sintra, incluirá neste local cerca de 50 câmaras digitais de alta resolução. Cobrirá todo o perímetro do Palácio e Jardins, integrando deteção de movimento e remoção de objetos no interior. Pretende-se assim garantir a segurança dos bens e visitantes, tanto no interior do Palácio como nos jardins, bem como monitorizar incidências, garantindo auxílio em situações de emergência.

Ainda no Palácio, será executada a ligação da rede de águas residuais à rede pública de saneamento, eliminando as diversas situações atuais de escoamento para o Rio Jamor.

A iluminação das fachadas e dos jardins visa beneficiar o usufruto do Palácio e Jardins em atividades fora do horário normal de abertura. A instalação com tecnologia LED será discreta, ao nível do pavimento, aumentando o número de focos mas reduzindo a sua potência, de forma a beneficiar a leitura cénica do espaço.

Os jardins Botânico e de Malta serão também alvo de intervenção, com vista à recuperação da sua estrutura e composição original enquanto jardins setecentistas. Para tal, foi analisado o enquadramento histórico e o contexto dos jardins europeus da época (nomeadamente o traçado), bem como toda a evolução que sofreram até à atualidade. Procedeu-se também à recolha e análise de vários elementos dispersos pelos jardins e que ainda restam, tais como troços de balaustrada, lagos, cantarias e lajes. Estes projetos têm sido acompanhados por sondagens arqueológicas, que têm apoiado as tomadas de decisão. Juntamente com a investigação bibliográfica, este trabalho permitiu a produção de plantas de reconstituição dos jardins setecentistas. A Parques de Sintra pretende agora reconstituir os jardins, devolvendo-lhes o caráter lúdico e interpretativo originais, respeitando a sua composição e relação com a envolvente.

O Jardim Botânico foi destruído na cheia de 1983, que derrubou a maior parte das estruturas, e depois da qual o espaço foi adaptado para picadeiro de treino e apresentações da Escola Portuguesa de Arte Equestre. Prevê-se agora a reconstrução das 4 estufas originais, da estrutura da Casa Chinesa (originalmente para cultivo de plantas orientais), reposição do Lago, das balaustradas, dos pavimentos e canteiros. Proceder-se-á a trabalhos de conservação e restauro de azulejos, elementos de pedra, balaustradas, bancos e alegretes. Serão plantados os canteiros ornamentados, os canteiros botânicos e os canteiros centrais das estufas, bem com as floreiras dos alegretes. Também a rede de infraestruturas será dimensionada para dar resposta às necessidades ao nível da energia, abastecimento de água e drenagem.

O Jardim de Malta, um dos mais importantes no conjunto de jardins do Palácio de Queluz, será igualmente objeto de recuperação. Ao longo do tempo foi alterado ao nível das plantações, configuração decorativa, esculturas e lagos. A intervenção neste espaço prevê a remoção e transplante da vegetação existente, integrando-a, sempre que possível, noutras áreas do jardim; a reposição dos 4 grupos de esculturas e conchas dos lagos; a substituição do pavimento atual e revisão do sistema de drenagem; a consolidação e conservação das esculturas, pedestais, balaustradas e cantarias; a reformulação do sistema de rega resolvendo problemas de pressão e entupimento; e a iluminação das zonas de circulação, elementos decorativos e envolvente. No que respeita a plantações, pretende-se reconstituir o desenho original plantando novas sebes (as atuais serão transplantadas e reutilizadas no jardim), introduzir novos elementos topiados e eliminar os elementos arbóreos que não pertencem à estrutura original.

Além das intervenções nestes dois jardins, a Parques de Sintra pretende também proceder ao restauro da cascata, recuperação dos bosquetes e caminhos do jardim; rever e melhorar o sistema de águas no que diz respeito a fontes, lagos e à rega, e ainda proceder a plantações com o objetivo de proteger as vistas a partir do jardim.
 
 
 
 
– A Parques de Sintra arrancou em janeiro com as intervenções necessárias para a recuperação do Palácio Nacional e Jardins de Queluz, com um investimento glo...
youtube.com
 

2015, Salzburg, I
As primeiras voltas


[facebook, 21.01.2015]

Muito rapidamente, para vos pôr ao corrente das minhas voltas. Como sabem, cheguei ontem à tarde. Desde então não tenho parado e, só para vos dar uma ideia, conto o caso de um compromisso. Tinha marcado encontrar-me com  Marc Minkowski hoje, depois da Mesa Redonda, que começa às 14.00 na Wiener Saal do Mozarteum, para um debate sobre a Cantata "Davide penitente" KV. 469 de Mozart que se estreia logo às 19,30 na Felsenreitschule.
 
Pois, há pouco, estava eu em St. Peters, recebi uma chamada avisando-me que o Maestro tem de se ausentar imediatamente a seguir à Mesa Redonda e pedindo se não poderia eu antecipar para as 13.30. Claro que podia e, portanto, dentro de uma hora lá estarei a falar com ele sobre a Escola Portuguesa de Arte Equestre, o seu enquadramento na Parques de Sintra, entregando-lhe o livro sobre a EPAE da Teresa Abrantes, com dedicatórias tanto da autora como do Presidente do CA Manuel Baptista.

Também trago recados e documentação que o Massimo Mazzeo enviou para o seu colega, com CDs de 'Divino Sospiro', e o que mais puder e souber, o que vier a talhe de foice porque a conversa é como as cerejas e eu não sou propriamente um tipo pouco dado a parar de falar quando se oferece uma boa oportunidade. Enfim, eu e a 'mala diplomática' de que estou incumbido...

Para mim, Salzburg também é isto. Imponho-me sempre 'encomendas' de divulgação da música portuguesa. Tenho surpreendido os meus amigos daqui com as obras de Luís de Freitas Branco e do José Manuel Joly Braga Santos. Mais recuados no tempo, Domingos Bomtempo e Carlos Seixas. Tantas vezes me perguntam porque e como não há promoção destes compositores. Enfim, um rosário para outras conversas. Agora tenho que me despachar.