[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015



2015, Salzburg X
Domingo, 25 de Janeiro


[facebook, 27.01.2015]

Aqui, as minhas manhãs de domingo são sempre uma graça e, invariavelmente, obedecem a um mesmo figurino. Por ser um especial Dia do Senhor, a Missa impõe-se, não como obrigação, antes necessidade de partilhar a força da Fé e responder à Igreja que nos interpela onde quer que estejamos.

Em Salzburg, Roma do Norte, essa força sente-se sobremaneira e, meus caros amigos, em termos do culto e do seu ritual, a Música protagoniza um papel crucial e, como se sabe, a Arquidiocese de Salzburg da Igreja Católica Apostólica Romana goza o privilégio de contar com um legado inigualável de peças musicais de cunho sacro compostas por um dos maiores génios de todos os tempos.

Ora, como habitualmente se diz, ao citar o grande objectivo dos Jesuítas, através da palavra de Santo Inácio de Loyola, o seu fundador, ‘Ad maiorem Dei gloriam inque hominum salutem’, ou seja, em vernáculo, ‘para maior glória de Deus e salvação do homem’, esta Igreja da cidade dos Príncipes Arcebispos não deixa os seus créditos por mãos alheias, fazendo-o para gozo de todos, crentes e não crentes.
 
As Missas de Mozart, continuam a ser cantadas nesta cidade, durante todo o ano e, de maneira mais sistemática, tanto na Catedral como na igreja dos Franciscanos, cada uma das quais dispondo de orquestra, vozes solistas e coros. Não admira que, na Catedral, as cisas se passem com uma qualidade mais apurada. Assim manda a tradição secular de Salzburg que mantém um Kapelmeister, sempre de grande nomeada – há décadas, Janos Czifra, um queridíssimo amigo da cidade – sob a responsabilidade de quem tudo se alicerça.

Naturalmente, vindo a Salzburg, independentemente da respectiva crença religiosa, ou na sua ausência, não há melómano que dispense a possibilidade de ouvir tais obras e perceber em que medida correspondiam ou não às necessidades da função a que era suposto adequarem-se. Aliás, para que saibam, estas Missas fazem parte do programa da Mozartwoche e, portanto, constantes do grosso ‘Almanaque’ onde todos os eventos são anunciados.

E volto às minhas andanças, de melómano, sim senhor, de Católico e de outras coisas mais afins do que possa parecer. Saí de St. Sebastian, dirigindo-me primeiro aos Franciscanos, onde ouvi a Missa KV262 e, depois, acelerando até à Catedral, para assistir à Credomesse, KV. 257. Quem não me conheça, até seria levado a pensar num rato de sacristia e papa-missas...

Não hesito em confessar-vos a minha preferência pela segunda referida. E, no meu caso pessoal, acontece que foi, já há muitos anos, a primeira Missa de Mozart que ouvi cantada, precisamente, na Catedral de Salzburg. Por isso, é natural que me sinta particularmente ligado a esta obra, que vos deixo para uma audição que, certamente, será do vosso agrado, numa interpretação de referência absoluta.
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- Kyrie (0:00)
- Gloria (2:13)
- Credo (5:28)
- Sanctus (13:36)
- Benedictus (14:55)
- Agnus Dei (19:26)


Intérpretes: Angela Maria Blasi, soprano; Elisabeth von Magnus, contralto; Deon van der Walt, tenor; Alastair Miles, barítono; Arnold Schoenberg Chor; Concentus Musicus, sob a direcção de Nikolaus Harnoncourt.
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Boa audição!

http://youtu.be/jV-8wJAl7nY

 
 
 
 
The mass is divided into the usual 6 sections: - Kyrie (0:00) - Gloria (2:13) - Credo (5:28) - Sanctus (13:36) - Benedictus (14:55) - Agnus Dei (19:26) Compo...
youtube.com
 


As perversas consequências de uma consulta democrática...

[facebook, 27.01.2015]
 
 


Oportunidade a não perder!


[facebook, 26.01.2015]

Os PIGS deveriam aproveitar a oportunidade para se unirem, e «emoldurar» o quadro grego exigindo uma estratégia de remediação comum para os estragos que a troika causou em todos os países europeus periféricos, revelando uma ignorância que há-de ser estudada pelas piores causas em todos os compêndios de Economia do futuro, ignorância que só teve o aplauso do governo de Portugal.

 
 
 
 
O Nobel da Economia Paul Krugman afirmou hoje que o novo primeiro-ministro grego "é mais realista" do que a 'troika' e defendeu que a Europa devia "dar-lhe uma...
noticiasaominuto.com
 


Sintra no seu melhor
- mais uma lição!
 
[facebook, 26.01.2015]
 
 
Primeiramente, leiam a notícia e o anexo que são deveras esclarecedores.
 
Como «amigo da casa» e membro do Conselho Científico da Parques de Sintra, tenho acompanhado as obras e, com muita alegria, aqui estou manifestando a maior satisfação. Em Salzburg, longe dos meus amigos da PSML, eles sabem como, amanhã, dia 27, a Pena lá me tem cativo...

Apenas me resta convidar todos a verificar o resultado de um trabalho de recuperação que, substancialmente, é produto do Amor com que as obras se fazem. Esta «minha gente», tão jovem, é prova provada da confiança que podemos ter no futuro. Estão a fazer o melhor que sabem e podem pelo património de Sintra. E não há vil metal que cubra tanta dedicação e empenho.

Não esqueçam que, enquanto residentes no concelho de Sintra, podem beneficiar da entrada gratuita todos os domingos de manhã. Levem os miúdos da família convosco. A História está ali, ao alcance de todos, numa concreta manhã em que decidirem gozar tal privilégio. Lembrem-se que, só assim, serão totalmente dignos da herança do Senhor D. Fernando e da Condessa d'Edla, na medida em que a vivem.

Disfrutem! De facto, meus amigos, o orgulho não pode ser maior! Longe, em Salzburg, província e cidade de tanto encanto e de tanto património, cuidadíssimo, só a Parques de Sintra consegue fazer com que não me envergonhe, compensando-me pelos desmandos do «resto» de Sintra...

Em Portugal, Q.E.D., a Parques de Sintra, que não recebe um cêntimo dos cofres do Estado e, portanto, dos contribuintes, continua a fazer belíssimas obras que, parece, a inveja e a mais despudorada dor de cotovelo, estão a gerar ondas de cobiça que nada auguram.

Pois, que passe a caravana! Os cães jamais deixarão de ladrar...
 
 
 
 
 
 
A Parques de Sintra concluiu este mês, no Parque da Pena, um conjunto de projetos de recuperação de estruturas construídas e jardins, com o objetivo de conservar os...
www.parquesdesintra.PT
 


Lembrando a Quinta da Piedade
 
[facebook, 26.01.2014]
 

Devo ao Prof. José Luis de Moura a partilha deste vídeo que, a propósito, me suscita a presença de várias memórias. Antes de namorar com Daniel Barenboim, na Quita da Piedade, Jacqueline Du Pré teve uma paixão por outro pianista, Stefan Kovacevitch, todos do mesmo grupo de 'protégés' da Senhora Marquesa de Cadaval, grupo que ainda incluía Martha Argerich e Nelson Freire.
...
Jacqueline e Daniel viriam a casar, o mesmo acontecendo com Marta e Stefan. À excepção da grande violoncelista, já falecida na sequência do tormento de horrível doença degenerativa, os outros estão bem e continuando a fazer grande música. A Senhora Dona Olga não se enganou...

Com mais amigos, hei-de fazer um 'tour de force' a ver se convencemos o Engº Luís Santos Ferro, a quem Sintra e o Festival tanto devem, íntimo da grande mecenas, a escrever a monografia da Quinta da Piedade, através da qual seja possível ter uma ideia aproximada dos grandes artistas, homens e mulheres das Letras, de todas as Artes, que a Senhora Marquesa ali recebeu.

É uma História que não se pode perder.

 
 
 
 
 
These people were on a different level from us mortals...
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O voto da esperança

[facebook, 25.01.2015]

Na sequência da lúcida nota de João De Mello Alvim, partilho e assinalo que, através do seu voto, os 'nossos compatriotas' gregos, estarão hoje a fazer mais por nós do que todos os deputados dos partidos do designado «arco do poder» de há muitos anos a esta parte...

 
 
"Quando os comentadores políticos catedráticos-ó-papagaios, dizem, entre outras coisas de arrepiar o mais afoito dos eleitores, que o grande perigo do Syriza gan...har, é o de não ter experiência, querem dizer que este partido não tem experiência de andar de braço dado com o sistema financeiro, com as jogadas com os grandes interesses económicos, com as malhas envenenadas do "sistema", que levaram a Grécia ao estado em que está?"

2015, Salzburg, IX

A inveja,
também em Salzburg


[facebook, 25.01.2015]

Esta manhã, no intervalo de um concerto na Grosse Saal do Mozarteum, acerca do qual escreverei mais tarde, falava com uma amiga sobre a 'nobilitação' do grande músico que é András Schiff.

É que tem causado imensos engulhos esta de agora se antecipar o 'Sir' ao seu nome, depois de ter sido considerado 'Knight Bachelor' na sequência da distinção e louvor de que foi alvo por Sua Majestade a Rainha de Inglaterra que o incluiu no "Queen's Birthday Honours list" de 2014, por especiais serviços à Música.
 
Coitado do András Schiff e de todos quantos, por esse mundo, são louvados, distinguidos, condecorados pelas entidades que servem, pelas comunidades onde residem, pelos países onde se deslocam e desenvolvem actividades que sobressaem. Haverá sempre quem espreite para aplicar uma ferroadela, lançando o veneno que a inveja destila.

Pois, tal como a minha amiga dizia, trata-se de pura inveja. E. a propósito de inveja, logo lhe mostrei no seu 'tablet' - manobra de que ela se encarregou porque eu seria totalmente incapaz e, muito sumariamente, traduzi - um texto que publiquei no ano passado sobre o assunto. E, no fim, já sem tempo para ouvir a minha sugestão de audição, despediu-se com a promessa de ir ouvir. Oxalá que o mesmo aconteça convosco.

Aqui passo a reproduzir o texto na esperança vã de que nenhum leitor se sinta atingido...
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Nobre admiração e torpe inveja

Quem acompanha os textos que aqui gosto de partilhar, sabe da profunda admiração que nutro por Soren Kierkgard, filósofo e teólogo dinamarquês (1813-1855). Acerca da inveja, na sua obra "O Desespero Humano", Kierkgard terá escrito uma das mais certeiras considerações que conheço. Permitam que a transcreva:

"(...) A inveja é uma admiração que se dissimula. O admirador que sente a impossibilidade de ser feliz cedendo à sua admiração, toma o partido de invejar. Usa então duma linguagem diferente, segundo a qual o que no fundo admira deixa de ter importância, não é mais do que patetice insípida, extravagância. A admiração é um abandono de nós próprios penetrado de felicidade, a inveja, uma reivindicação infeliz do eu. (...)"

Curiosamente, na mesma sintonia, também o filósofo, matemático, crítico social britânico Bertrand Russel (1872-1970), na bem conhecida "A Conquista da Felicidade", aborda o tema, nos seguintes termos:
 
"(...) De todas as características que são vulgares na natureza humana a inveja é a mais desgraçada; o invejoso não só deseja provocar o infortúnio e o provoca sempre que o pode fazer impunemente, como também se torna infeliz por causa da sua inveja. (...) Afortunadamente, porém, há na natureza humana um sentimento compensador, chamado admiração. Todos os que desejam aumentar a felicidade humana devem procurar aumentar a admiração e diminuir a inveja. (...)"

Às palavras de Bertrand Russel que, tão naturalmente, enaltece o sentimento da admiração que, afinal, só os generosos conseguem conjugar, eu acrescentaria que todos os que desejam aumentar a felicidade humana e, em particular, a sua própria felicidade, devem prosseguir por aquela via.

Permitam um enquadramento pessoal. Ao longo da vida, enquanto profissional da Educação, sempre à espreita de reconhecer os talentos de cada um, fazendo todo o possível por que rendessem o máximo, me vi constantemente na situação de manifestar a minha admiração pelo «outro», fosse o meu colega, o aluno, um funcionário subordinado ou o director.

Dentre os que acedem aos meus escritos, há quem, conhecendo-me há dezenas de anos, sabe que sempre foi esta a minha atitude. Tenho de dar graças a Deus por jamais ter tido qualquer problema em louvar, em enaltecer, em elogiar o melhor trabalho fosse de quem fosse.

Porém, não raro, nos contextos profissionais onde exerci actividade, me deparei com algumas pessoas que chegaram a duvidar da sinceridade desta postura que, felizmente, é partilhada por muita gente de bem. Desgraçada e invariavelmente, aqueles descrentes tinham todas as marcas, exibiam as feridas da vida, orgulhavam-se das chagas das lutas - que, na sua perspectiva, tinham vencido - incapazes de nelas reconhecerem o perverso efeito da inveja em que haviam sido geradas.

A inveja. O perfeito horror da inveja. A inveja, a mesma inveja que tem sido mote para tantas, tantas obras de Arte, de todos os tempos, em todos os domínios, das plásticas, à Literatura, à Música.
E, a propósito. depois destas impressões, não vos deixaria sem o consolo de uma peça da Arte de Johann Sebastian Bach, Cantata "Herr Gott, wir die alle loben dich" BWV 130, onde uma famosa passagem sobre a inveja nos aguarda em 'Der alte Drache brennt vor Neid' [O velho dragão arde em inveja]. A interpretação está confiada à voz do barítono Dominik Wörner, e aos Bach Collegium Japan chorus & orchestra Masaaki Suzuki.


Boa audição!

http://youtu.be/8QUnAVbAqTI

 
 
 
 
Kantate zum Michælis (29. September 1725) Tromba I, II, III, Timpani, Flauto traverso, Oboe I, II, III,...
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É um fartar vilanagem

[facebook, 25.01.2015]

Estás a ver, (Joana Ávila Cachado) minha filha? Antes quero ver-te desempregada - como, infelizmente, é o teu caso, há mais de um ano - do que embrulhada nesta pouca-vergonha, nesta porcaria, resultante de sub-reptícios conluios dos partidos do «arco do poder»...

 
 
 
Elza Mota de Andrade estava na lista de funcionários da Segurança Social que iriam ficar inativos. Acabou por ser nomeada para um cargo de chefia em Bragança, onde...
jn.pt|De Global Media Group
 


No aniversário de Mozart

[facebook, 25.01.2015]

No próximo dia 27, 3ª feira, a Orquestra da Juventude Cubana - que, actualmente, está em Salzburg no âmbito da designada Cuban Mozart Residence - vai apresentar-se durante as celebrações do aniversário do compositor.

Fui convidado e, portanto, lá estarei. Acompanho este projecto desde o início e tenho a maior alegria por ter entre nós estes nossos amigos, afinal, todos à volta do génio que nos mobiliza. Como diz o MQI José Anes, quando se refere a WAM, o 'divino' continua a unir a humanidade através da Força, Beleza e Sabedoria que se congregam na Arte das suas propostas.

Anseio pela oportunidade em que, no próximo futuro, a Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg, da qual sou privilegiado membro, organize uma deslocação a Cuba, tão 'bon marché' quanto possível, durante a qual e in loco, possamos aquilatar do sucesso deste projecto.
 
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Das Kubanische Jugenrorchester ist für die Cuban Mozart Residence in Salzburg angekommen, wir freuen uns auf die Konzerte an Mozarts Geburtstag!
 


2015, Salzburg VIII

[facebook, 24.01.2015]

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Grosses Festspielhaus



Orquestra Filarmónica de Viena, sob a direcção de Nikolaus Harnoncourt, para a interpretação de um programa exclusivamente preenchido com obras de Franz Schubert (1797-1828): 1. Abertura do Melodrama “Die Zauberharfe” D 644 – ‘Abertura Rosamunde’; Sinfonia No. 6 em Dó Maior, D 589; Sinfonia No. 8, ‘Unvollendete” [ncompleta].

Como sabem, qualquer concerto da Orquestra Filarmónica de Viena, em qualquer parte do mundo e, em especial, na Áustria, é sempre um evento cultural de primeira grandeza. Os melómanos salisburguenses e de todas as latitudes, que aqui se concentram durante os três principai festivais de música erudita, em que é possível contar com a OFV – Mozartwoche, Festival de Pentecostes e Festival de Verão (o da Páscoa teve em exclusivo a Filarmónica de Berlin e, actualmente, a Dresdner Staatskapelle) sabem celebrar convenientemente a vinda destes extraordinários músicos à cidade que, se não é «a», pelo menos, será «uma das» Mecas da Música.

Hoje, o Grosses Festspielhaus, tinha as entranhas todas abertas, como se fôssemos assistir a uma grande produção de ópera. Naturalmente, a lotação dos quase dois mil e trezentos lugares, ou seja o dobro da Gulbenkian, estava esgotadíssima. As boas vindas aos intérpretes obedecem a um ritual, que não é absolutamente exclusivo desta orquestra, mas mais caloroso do que as demais. Enquanto entram, muito rapidamente, vindos dos dois lados do palco, os aplausos não param e, quando todos estão nos seus lugares, há uma ovação particularmente estrondosa.

Pois bem, e então o que acontece quando a função envolve Harnoncourt? É o carinho mais indiscritível. O grande maestro está com 86 anos. O ano passado faltou a um compromisso na Mozartwoche por motivos de saúde, mas, actualmente, está óptimo. Reparem como não exagero. Depois de interpretada a primeira das obras referidas, pegou num microfone para falar às massas. Fiquei logo delirando com a perspectiva porque, sempre que assim decidiu, ouvi-lhe das melhores palavras que um músico pode proferir.

Desta vez, falou sobre uma série de particularidades das composições de Schubert, em especial das noções de ‘diminuendo’ e ‘decrescendo’ e dos respectivos opostos, bem como do verdadeiro fenómeno de espectacular popularidade que a música de Puccini alcançou durante a década de vinte do século dezanove em Viena, circunstância que muito influenciou a composição das duas peças sinfónicas hoje em programa.

Harnoncourt falou mais de vinte minutos! Fez humor, encantou toda a gente, com uma verve, uma força discursiva e clareza verdadeiramente notáveis. A grande Arte – escrevo bem, não me referindo apenas ao grande artista – a grande Arte fala! E privilegiados os que têm a sorte de beneficiar de tal encanto. Foi uma grande lição sobre os meandros da Música e da História da Música.

Quem, conhece e acompanha a carreira de Harnoncourt – no meu caso, graças a Deus, desde fins dos anos sessenta – sabe da sua extraordinária preocupação em extirpar das suas leituras, quaisquer elementos parasitas que se tenham agarrado aos pentagramas, desde a altura em que as peças foram compostas até à actualidade, tantas vezes, viciadas por concessões dos maestros à facilidade e ao gosto rasteiro de um público menos bem preparado. Com Harnoncourt, a peça vai ao «osso» e a partitura é devolvida à grandeza simples da sua proposta inicial, escorreita, expurgada, sem «pecado original».

Foi o que esta noite aconteceu. Iinesquecível. Enquanto escrevo, tenho a meu lado os programas do Festival ‘Styriarte’, de Graaz, 2015 e já o de 2016, uma grande iniciativa cultural da sua responsabilidade, com uma data de eventos dirigidos pelo queridíssimo Maestro. A vida, uma vida extraordinária, vai continuar, “Vissi d’arte, vissi d’amore”, meu Deus, que lição de vida e de entrega à Música, a deste grande senhor!

Salzburg viveu hoje uma noite espantosa. O Grosses Festspielhaus, santo dos santos do grande Templo, teve os melhores ministros celebrando os grandes Mistérios da Música. E agora vou descansar. Nas minhas orações, não esquecerei Nikolaus, Conde Harnoncourt, um aristocrata à medida da descrição que, da nobreza, fazia a Senhora Marquesa de Cadaval, resumindo-se a uma palavra: servir, servir o outro, com todos os talentos e possibilidades.