[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 18 de maio de 2015



Michel de Montaigne
[28.02.1533 - 13.09.1592]
 
 
[facebook, 28.02.2015]
 
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A mais douta atitude:
Reconhecer a sua absoluta e radical insignificância


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Ignorância Sábia

Aconteceu aos verdadeiros sábios o que se verifica com as espigas de trigo, que se erguem orgulhosamente enquanto vazias e, quando se enchem e amadurece o grão, se inclinam e dobram humildemente. Assim esses homens, depois de tudo terem experimentado, sondado e nada haverem encontrado nesse amontoado considerável de coisas tão diversas, renunciaram à sua presunção e reconheceram a sua insignificância. (...) Quando perguntaram ao homem mais sábio que já existiu o que ele sabia, ele respondeu que a única coisa que sabia era que nada sabia. A sua resposta confirma o que se diz, ou seja, que a mais vasta parcela do que sabemos é menor que a mais diminuta parcela do que ignoramos. Em outras palavras, aquilo que pensamos saber é parte — e parte ínfima — da nossa ignorância.
 
Michel de Montaigne, "Ensaios"
 
 

As palavras de Sintra
& as obras de Cascais


[facebook, 27.02.2015]


Em 13 de Março de 2014, portanto, há praticamente um ano, a Câmara Muncipal de Sintra aprovou, por unanimidade, 'Quarteirão das Artes, uma Proposta para a Estefânea', apresentada pelos Senhores Vereadores Paula Neves e Luís Patrício.

Infelizmente, acerca de tal ideia, nunca mais se soube fosse o que fosse. Faz parte dos tais anúncios de projectos que, passando o tempo inexoravelmente, acabam por evidenciar um estéril vazio, à mistura com um amargo de boca que dificilmente se suportam.

Por exemplo, a requalificação da Heliodoro Salgado, que seria inerente, acontecerá mesmo? Quando? E o eléctrico, que a CMS pretende fazer chegar à estação da CP e à Vila Velha? Não está a circulação indissociavelmente articulada com a beneficiação desta via e, tal obra, inequivocamente ligada ao tal «quarteirão das artes»? Respostas afirmativas, que ficam em suspensivo limbo, ou na mais conveniente das pastas das dúvidas...

Entretanto, com invejável gabarito, apenas a meia dúzia de quilómetros, Cascais é outra realidade. Precisamente, com base na mesma ideia que, em Sintra, parece não ter hipótese de ver a luz do dia nos nossos dias, sem qualquer alarde, mas com uma saudável e inequívoca capacidade de realização, Cascais vai concretizando um programa cultural exemplar em qualquer latitude europeia.
 
Ainda há pouco, transmitia a SIC uma reportagem que me deixou belíssima impressão. Naturalmente, conheço todos os espaços integrados e adivinho o salto de qualidade que beneficiará todos os interessados, incluindo os vizinhos sintrenses que, graças a Deus, têm o privilégio imenso da proximidade.

Vale a pena aceder à documentação já disponível. Facilito-me a tarefa recorrendo ao texto da notícia:
"Para já o perímetro do bairro conta com 12 equipamentos e dois parques, ainda que, segundo Carlos Carreiras estejam previstos, a breve prazo, novas infraestruturas e valências culturais como “o Museu do Cartoon, o Museu do Automóvel Clássico e a criação da Orquestra Sinfónica de Cascais ”.
O presidente da Câmara Municipal de Cascais acrescenta que “estes novos equipamentos contribuirão para tornar o bairro um espaço vivo que respire a cultura e que tenha a capacidade de fazer a simbiose entre o espaço cultural e o espaço natural existentes no concelho.”
  
Por outro lado, a possibilidade de compra de bilhetes cruzados, a existência de passes diários e futuros protocolos a estabelecer com parceiros locais como hotéis e restaurantes, assim como com os transportes públicos e parques de estacionamento é a solução ideal tanto para os visitantes como para os residentes.
 
Fazer da vila de Cascais um grande palco com artistas a trabalhar ao vivo dentro do perímetro deste bairro é outro dos objetivos do Bairro dos Museus. É ainda pretendido que este ambiente cultural traga um maior envolvimento da comunidade local com os equipamentos, assim como a atração da indústria criativa, reafirmando Cascais como uma referência cultural e artística nacional e internacional."

Eis os equipamentos culturais constantes do projecto:

CENTRO CULTURAL DE CASCAIS
CASA DAS HISTÓRIAS PAULA REGO
MUSEU CONDES DE CASTRO GUIMARÃES
CASA DUARTE PINTO COELHO
CASA DE SANTA MARIA
FAROL - MUSEU DE SANTA MARTA
MUSEU DO MAR - REI D. CARLOS
FORTALEZA DE NOSSA SENHORA DA LUZ
FORTE S. JORGE DE OITAVOS
MUSEU DA MÚSICA PORTUGUESA / CASA VERDADES DE FARIA
ESPAÇO MEMÓRIA DOS EXÍLIOS
CASA REYNALDO DOS SANTOS E IRENE VIROTE QUILHÓ DOS SANTOS PARQUE MARECHAL CARMONA
AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA - PARQUE PALMELA


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Inveja? É verdade! Este é o tipo de inveja que tenho todo o gosto em partilhar. Em Portugal, há mesmo quem queira, possa e saiba fazer obra de qualidade.


Efeméride mozartiana
Mannheim, 27 de Fevereiro de 1778
 
 
[facebook, 27.02.2015]
 
Composição da aria para tenor "Se al labbro mio non credi“ (KV. 295) -[I]- bem como do recitativo e aria "Basta, vincesti ... Ah non lasciarmi, no“ para soprano , (KV. 486a) -[II]- compostas, respectivamente, para Anton Raaff e Dorothea Wendling...
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Começo por vos traduzir uma carta de Wolfgang Mozart, datada de Mannheim, aos 28 de Fevereiro de 1778, altura em que rumava a Paris, durante aquela fatídica viagem em que morre Maria Anna Pertl Mozart.

O compositor dirige-se ao pai, em Francês, não acertando na acentuação gráfica em nenhuma das palavras, nos seguintes termos (sic): 'Monsieur mon trés cher Pére'. Claro que, correctamente, deveria ter escrito 'Monsieur, mon três cher Père'...

Apenas uma curiosidade inicial, numa missiva importante, em que se refere à escrita musical para voz, a propósito de composições concretas. Embora datada de 28, a circunstância refere-se ao dia anterior, confirmando, portanto, a correcção de assinalar hoje a efeméride.

Não sendo das mais extensas, é algo longa, limitando-me a traduzir e transcrever as palavras iniciais, mantendo a pontuação original:

" ... Ontem visitei Raff [o tenor Anton Raaf que conheceu em Mannheim], levando uma aria que escrevi para ele nestes últimos dias. O texto é o seguinte: "se al labro mio non credi, bella nemica mia," etc., etc. [se não confias nos meus lábios (KV. 295)]. Não creio que o poema seja de Metastásio. Ficou absolutamente encantado com a aria... Quando me despedi agradeceu-me calorosamente; e garanti-lhe que vou trabalhar a aria expressamente para ele de tal modo que terá prazer em cantá-la; porque adoro quando uma aria se adapta de tal modo às características da voz de um cantor que lhe assente como um fato feito à medida".

Entre outras, esta é uma das situações em que, na sua tão abundante correspondência, Mozart partilha um tal ingrediente 'humano' que confere às suas peças para voz um calor e brilho especiais.
Eis duas interpretações de excelente nível, a primeira por Prégardien e a seguinte por Gruberova.

Boa Audição!

http://youtu.be/9aFLvPe1F7s [I]
http://youtu.be/e1DXSP2Zp_o [II]
 
 
 

Conservatório,
porque havia de ser diferente?
[facebook, 27.02.2015]
 
Aliás, uma classe política geracionalmente incapaz de resolver este e tantos outros casos afectos ao mundo da Cultura, só consegue ser lesta e pressurosa em relação a «obras» como a decisão de conceder honras de Panteão Nacional a Eusébio... É tão fácil, tão demagógico!...

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Lá por dentro?
- Por exemplo, o Salão Nobre


Inaugurado em 1881 segundo projecto do arquitecto Eugénio Cotrim e dispondo de um tecto pintado por José Malhoa, o Salão Nobre do Conservatório Nacional foi palco de importantes eventos como a célebre polémica entre Luis de Freitas Branco e Ruy Coelho, verdadeiro julgamento público sobre a atribuição de um prémio de composição à 1ª sonata para violino e piano de Luís de Freitas Branco, à primeira audição em Portugal da integral das sonatas para piano de Beethoven a cargo de Vianna da Motta, à primeira audição em Portugal de obras como o Pierrot Lunaire de Schöenberg, Canção da Terra de Mahler (versão de câmara), Il Mondo Della Luna de Avondano ( 1ª audição moderna), etc.

Sujeita nos anos 40 do séc. XX a amplas obras de remodelação e inclusão de um órgão de concerto, esta sala dispõe de uma acústica espcacular, elogiada por artistas como Karl Leister (clarinetista solista da Orquestra Filarmónica de Berlim), Anthony Pey (solista inglês de grande nomeada), e os cantores Peter Schreier, Sarah Walker e Mara Zampieri, etc. e outros têm seleccionado este salão para efectuarem gravações de discos.

 
 
 
 
Tectos e paredes a cair, janelas partidas e água por todo o lado. Foram estes os motivos que levaram alunos e professores a manifestarem-se esta terça-feira em...
observador.pt
 


David Mourão-Ferreira
Para conhecer melhor!

[facebook, 27.02.2015]
F
 
Fundação Calouste Gulbenkian
No dia em que David Mourão-Ferreira faria 88 anos, lembramos a entrevista 'Infinito Pessoal' in Colóquio Letras 145/146. http://bit.ly/18hNO6E
 
 
 



 
Recuperação da Sala de Estar Indiana do Palácio de Monserrate

Parques de Sintra


[facebook, 26.02.2015]


[[Aqui têm, a partir da transcrição do texto que acabei de receber, tudo muito bem explicado, as novidades acerca de detalhes da recuperação de mais um espaço do Palácio de Monserrate. Embora exemplar, trata-se da atitude habitual da Parques de Sintra. Fornece toda a informação, a tempo e horas, com o máximo respeito por todos quantos possam ter algum interesse na matéria. O bom trabalho de sempre.]]
 
Recuperação da Sala de Estar Indiana do Palácio de Monserrate

- Último grande espaço do Palácio a ser recuperado
- Intervenção inserida no projeto global de restauro
- Investimento de cerca de 35.000 Euros
- Trabalhos terminam em maio

Sintra, 26 de fevereiro de 2015 – A Parques de Sintra encontra-se a desenvolver, desde o início do mês, a intervenção de recuperação e revalorização da Sala de Estar Indiana, no Palácio de Monserrate, que se prevê terminar em maio. Esta intervenção, com um investimento de 35.000 Euros, insere-se no projeto global de restauro do Palácio de Monserrate, sendo este o último grande espaço do percurso de visita que ainda não tinha sofrido intervenções profundas.

O projeto visa reconstituir e estabilizar todos os materiais presentes no espaço, permitindo a devolução da sua unidade estética. A intervenção incluirá todas as estruturas integradas, nomeadamente a reconstituição do teto, no qual painéis de estuque são aplicados sobre reboco suportado por pequenas fasquias de madeira pregadas às vigas, a consolidação e tratamento integral da parte do teto ainda existente, os revestimentos parietais com os seus frisos dourados e os rodapés em estuque polido.

A Sala de Estar Indiana tem problemas semelhantes aos verificados nos restantes espaços já intervencionados, como a sobreposição de camadas de tinta (aplicadas com o intuito de renovar ambientes ou tão-somente por questões de manutenção da integridade dos revestimentos) ou as degradações provenientes dos sucessivos anos sem manutenção. Acresce ainda uma intervenção de reconstituição anterior em parte do teto, provavelmente na sequência de alterações efetuadas no piso superior, na qual não foram utilizados materiais tradicionais, nem se atendeu ao ritmo da composição decorativa.

As observações feitas até ao momento indiciam que não existe uma métrica repetitiva que permita a execução de um molde de dimensões razoáveis para a reprodução, pelo que se recorrerá ao teto da Sala de Bilhar, que é de composição simétrica a este, para completar a tarefa.
Quanto ao aspeto estético final da superfície, serão removidas as várias camadas de tinta, após encontrado o método menos danoso para a camada original. Estas foram aplicadas com espessura e técnica que conferiu às superfícies uma textura de difícil compreensão dos revestimentos e, simultaneamente, ocultam o relevo dos motivos, além das cores dos fundos da composição original.

Sondagens preliminares evidenciam a presença de cor de rosa escuro nas paredes lisas e de rosa claro no fundo dos motivos em relevo, mas estas definições são indicativas. Apenas se pode definir o programa com exatidão após a remoção completa das áreas correspondentes ou, pelo menos, a realização de sondagens sistemáticas, repetidas para cada motivo decorativo, pois poderá haver áreas com alteração de cor. A definição final das cores a utilizar, quando necessária a reaplicação de camada de tinta ou no caso de reintegrações, terá de ter em conta o equilíbrio com as áreas originais.

Os frisos e apontamentos de alguns elementos revestidos a folha metálica foram cobertos com novas tintas de cor, ou até tintas de imitação de folha metálica, em intervenções anteriores. Após a remoção de todas as tintas (imitação) que se encontram a cobrir as zonas onde existia folha metálica, deverá proceder-se à sua reposição, integral ou parcial, consoante o que ficar a descoberto após a limpeza.
A moldura em madeira dourada do espelho, a lareira em mármore e o pavimento em madeira serão igualmente alvo de tratamento.

A Sala de Estar Indiana, também designada por Sala de Desenho, tem uma decoração de estuques idêntica à Sala de Bilhar. Destacam-se o florão central do teto e os dois potes (de fabrico português) da coleção de cerâmica de Sir Francis Cook.
Fotografias da época permitem perceber que este espaço apresentava mobiliário de diversos estilos e origens, dos quais sobressaíam os dois sofás de madeira da Índia e os dois armários-vitrinas. Nas paredes surgiam panos de caxemira da Índia, tecidos com seda e um grande espelho com moldura de cristal de Veneza. Também aqui se encontravam muitas porcelanas orientais com relevo para duas grandes talhas da China.


Giuseppe Tartini
Pirano, 08.04.1692 – Padova, 26.02.1770


[facebook, 26.02.2015]


Comemorando a efeméride da morte de um dos artistas que, na História da Música ocidental, mais vida dedicou ao violino em todas as vertentes, como intérprete, pedagogo e compositor, aqui têm uma das suas obras mais famosas.

Não, não se trata da "Sonata em Sol menor, 'Il Trillo del Diavolo'". Se o fizesse cairia no habitual cliché, de que me afasto a sete pés, não que não se trate de peça belíssima mas porque as sonatas para violino de Tartini são de tal modo ricas, variadas, excepcionais que, reduzi-las àquela, quase constitui ofensa.

A peça que vos proponho é a "Sonata para Violino e Baixo contínuo No. 7 em Sol menor" op. 2 (Brainnard G11), com os seguintes andamentos:

1. Andante affettusoso
2. Allegro assai
3. Allegro assai


A interpretação está a cargo de um conjunto de excelentes e conhecidos músicos: Fabio Biondi, violino, Maurizio Naddeo, violoncelo, Pascal Montheilet, teorba e Rinaldo Alessandrini, no cravo.

Se me permitem, esta evocação também tem um especial destinatário, meu pai, que era violinista (embora não profissional tinha o Curso Superior de Violino e de Ciências Musicais) e, naturalmente, grande admirador de Tartini. Não só ele mas também o avô Albano, seu pai, me contavam episódios da biografia deste compositor, sublinhando aspectos do seu carácter de pessoa extraordinariamente boa. Era eu garoto e comovia-me muito.

Boa audição!

http://youtu.be/Y0sAA8pix_c
 
Ver mais

 


Cesário Verde
25 de Fevereiro de 1855 – 19 de Julho de 1886
 
[facebook, 25.02.2015]
 
Hoje, dia do centésimo quinquagésimo aniversário [ainda não percebi bem o programa das comemorações jubilares deste ano...], aqui venho propor-vos um seu poema, imprescindível para o perceber.

É "O sentimento de um ocidental", com Mário Viegas a intermediar, no 'Palavras vivas', em 1991, tempo em que a RTP podia propor um espaço tão gratificante para a partilha da poesia. A propósito, como professor, quantas vezes terei eu recorrido a gravações com Mário Viegas, precisamente, roubadas à televisão...

Celebremos Cesário, mestre do mestre, lembram-se?

Boa audição!

http://youtu.be/QeZf7kR7UGM
 
 
 
Mário Viegas recita o grande poema de Cesário Verde, O sentimento de um ocidental. Palavras vivas. RTP. 1991. -----------------------------------------------...
 
 
 
 


 'CASA FRANCISCO COSTA'
- PROJECTO DE RAUL LINO -
PATRIMÓNIO MUNICIPAL EM DEGRADAÇÃO
 
 
[facebook, 24.02.2015]
 
O meu querido amigo Dr. Hermínio Santos, deputado municipal pelo Movimento Sintrenses com Marco Almeida e também sócio fundador da Canaferrim - Associação Cívica e Cultural, ao intervir na última sessão da Assembleia Municipal de Sintra, em 19 do corrente mês de Fevereiro, entre outros assuntos, chamou a atenção para o caso que passo a citar:

"(...)
CASA DE FRANCISCO COSTA


Volto a abordar a questão da casa de Francisco Costa, actualmente património municipal. Não sendo feita ali uma intervenção tendo em vista a sua conservação, dentro de pouco tempo temos, em Sintra, mais um edifício completamente degradado.

A instalação ali do Arquivo Histórico de Sintra, tão mal instalado no Palácio Valenças, seria uma excelente solução.

Certamente que o senhor Presidente da Câmara nos dirá o que pensa propor ao executivo municipal tendo em vista a recuperação da casa onde viveu o escritor Francisco Costa, que foi director da Biblioteca e do Arquivo Municipais de Sintra. (...)"

Porque não posso concordar mais com este seu oportuníssimo apontamento para a causa da defesa do património em Sintra, gostaria de recordar o artigo que outro meu amigo, o Dr. Eugénio Montoito, subscreveu sobre o edifício em apreço. Na altura da sua publicação, escrevi eu:

"Eis a Casa Francisco Costa, projecto de Raul Lino. Eugénio Montoito desenha-lhe o perfil histórico, em articulação com o mais conveniente e eficaz enquadramento, tanto quanto aos aspectos estéticos como à sua integração num espaço cuja urbanidade sui generis lhe é tão receptiva.
 
A tudo «isto», Eugénio Montoito acrescenta argumentos irrebatíveis relativamente à proposta de afectação futura desta Casa que, sendo património municipal, não poderia ser mais adequada ao acolhimento do mais distinto património sintrense.

Leiam, com o proveito que é suposto. Estão perante um texto que, não tenho a menor dúvida, passará a constituir referência distinta. E formulem opinião. Oxalá que, em tempo oportuno, o executivo municipal seja sensível às palavras informadas e cultas, de um homem de Cultura que, todos o sabemos, para Sintra, só quer o melhor."

Nada acrescento. Sigam o meu conselho de então. E esperemos que a Câmara Municipal de Sintra saiba honrar esta estupenda peça do património que lhe foi oportunamente legada.
 
 
 
 
Raul Lino, Francisco Costa e uma Casa, por Eugénio Montoito 15 Abril, 201421 Maio, 2014 FernandoMoraisGomes A forma de ver um espaço proporcionador de momentos contemplativos,...
alagamares.com
 


Rosalía de Castro
Santiago, 24.02.1837 — Padrón, 15 .07.1885
 
[facebook, 24.02.2015]
 
 
No aniversário desta nossa querida amiga, recordo um poema da emigração. Por todas as razões e mais esta, em nossos dias, da sangria sem nome, diária, que pensávamos impossível.
 
Poema belíssimo, que vai no original, afinal, na nossa língua comum, galaico-portuguesa, num arranjo de José Niza, em canto de Adriano Correia de Oliveira.

Este vaise i aquel vaise,
i todos, todos se van;
Galicia, sin homes quedas
que te poidan traballar.
Tês, en cambio, orfos i orfas
i campos de soledad;
e nais que non teñem fillos
e fillos que non tén pais.
E tês corazós que sufren
Longas ausências mortás.
Viudas de vivos e mortos
Que ninguén consolará.



Estamos em casa. Escutemos Rosalia, com saudade de Adriano.

http://youtu.be/nK7dUfG5Rq4
 
 
Música: Cantar de Emigração Intérprete: Adriano Correia de Oliveira Letra: Este parte, aquele parte e todos, todos se vão Galiza ficas sem homens que possam ...