[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 4 de agosto de 2015



4 de Agosto de 1782
Efeméride mozartiana

Casamento de Amadé e Constanze


É verdade. Depois de o pai ter torcido o nariz ao enlace, Wolfgang Amadeus Mozart e Constanze Weber receberam o santo sacramento do matrimónio na Catedral de Santo Estêvão em Viena, em cerimónia reservadíssima, com o detalhe que o compositor dá conta a Leopold, em carta que, três dias depois, lhe remete para Salzburg.

Apenas meia dúzia de pessoas testemunhando, todas comovidíssimas até às lágrimas, entre as quais a Baronesa von Waldstätten e o padrinho do noivo, Franz Xaver Wenzel Gilowsky von Urazowa, médico cirurgião em Vieon e seu amigo de infância.

Também é na carta em referência que o compositor se refere à Marcha KV. 408 – de introdução à “Serenata Haffner” acerca da qual partilhei efeméride há uns dias – bem como ao Singspiel “Die Entführung aus dem Serail”. Esta obra obtivera a mais entusiástica saudação de Christoph Willibald Gluck, ao ponto de ter sido ele próprio a solicitar nova récita! Aliás, de acordo com informação ainda colhida na carta em apreço, o mesmo Gluck com quem Mozart almoçaria no dia seguinte.

Eis uma amostra do que é uma récita pelas Marionetas de Salzburg. Para o efeito da «amostra», excerto da Abertura, Ária de Tenor Belmonte, Dueto Osmin and Belmonte, Osmin e Belmonte. Nesta gravação, datada de 1995, os solistas são: Konstanze: Maria Stader; Blonde : Rita Streich; Osmin : Josef Greindl; Belmonte : Ernst Hafliger; Selim Bassa : Peter Stanchina; Pedrillo: Martin Vantin. O Coro é o RIAS kammerchor e a orquestra também RIAS Symphonie Orchester.


http://youtu.be/zUS-_l8pJD4

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A propósito de uma foto da Mozarthaus de Viena, hoje mesmo partilhada pelo Prof. Jose Luis De Moura, passo a reproduzir o meu comentário:

Que se saiba até hoje, esta é, de facto, a última carta que Wolfgang escreveu a Constanze. Mas, atenção, caro Prof. José Luis De Moura, são linhas e linhas de uma longa carta, de grande excitação não só pelo sucesso que "Die Zauberflöte" estava a alcançar - nela se referindo ao serão passado com o seu amigo Salieri e a amante deste, a famosa cantora Cavalieri - mas também reflectindo preocupações acerca de uma boa escola para o seu filho Carl.

Nada, absolutamente nada na carta dá quaisquer indícios de que Mozart estivesse doente ou deprimido, apesar de que ficaria progressivamente fraco e febril à medida que continuava a compor o Requiem. Como tenho a carta à minha frente, passo a traduzir as últimas cinco linhas do manuscrito do qual foi extraída a citação objecto da foto da Mozarthaus de Viena:

"(...) Ontem perdi um dia inteiro indo até Bernstorf [na verdade, o que Mozart queria era referir-se a Perchtoldsdorf], justificação para a minha impossibilidade de te escrever -- mas é imperdoável que não me tivesses escrito durante dois dias; espero ter notícias tuas hoje e amanhã fico na expectativa de falarmos pessoalmente e de poder beijar-te com todo o meu amor. Adeus, teu para sempre, Mozart".
 
Como se verifica, até se trata de uma carta cheia de vitalidade, esta que ele escreve para Constanze, que passava uma temporada a banhos, em Baden, arredores de Viena. Nos primeiros dias de Dezembro, ficou parcialmente imobilizado mas nada que o impedisse de discutir aspectos da composição do Requiem com o aluno Süssmayr.

Agravando-se, então, o seu estado, acabaria por morrer às primeiras horas de uma segunda-feira, 5 de Dezembro de complicações decorrentes de uma patologia renal crónica, febre reumática e infecção estreptocócica. Já publiquei tudo quanto de não romantizado existe acerca dos últimos dias e horas de Mozart, incluindo o relatório dos médicos que o assistiram, como o Barão van Swietten preparou as cerimónias, como decorreram o velório na Capela da Cruz (Kreuzkapelle) da Catedral de Sto Estêvão bem como o funeral até ao Cemitério Central de St. Marx, a seis quilómetros de Viena.

E, ao contrário da balela da vala comum, etc, sabe-se perfeitamente que foi sepultado numa campa temporária, por dez anos, e até publiquei o epitáfio... Hoje, isso sim, éfeméride do casamento de Mozart com Constanze Weber.


Am 4. August 1782 heirateten Mozart und Constanze im Wiener Stephansdom. Die beiden waren die letzten neun Lebensjahre von Mozart verheiratet. In seinem letzten Brief am 14. Oktober 1791 verabschiedet sich Mozart von Constanze mit den Worten: "..., heute hoffe aber gewiß Nachricht von dir zu erhalten. und Morgen selbst mit dir zu sprechen, und dich von Herzen zu küssen. Lebe wohl Ewig dein Mozart"
 


Penosa ironia


No muro da casa onde Ricardo Salgado está a residir, a adequadíssima chamada de atenção para um excerto da primeira Carta de São Paulo a Timóteo: "(...) porque o amor ao dinheiro é raiz de todo tipo de coisas prejudiciais, e alguns, empenhando-se por esse amor, foram desviados da fé e causaram a si mesmos muitos sofrimentos. (...)".

Durante tantos anos em liberdade e, a partir de determinada altura, com a capela apenas a dois passos - onde, aliás, agora nem sequer pode dirigir-se sem que o Meretíssimo conceda a autorização respectiva - nunca RS terá gozado de uns minutos de introspecção para invocar o Espírito Santo, o Divino Espírito Santo, entenda-se...

De tal modo se convenceu de que o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade era ele, que ignorou Evangelhos, Epístolas, Actos dos Apóstolos, tudo quanto é a 'escandalosa' novidade do Novo Testamento, por cima de tudo passando, qual descontrolado buldozer, tudo arrasando à sua volta, num tresloucado e suicidário apocalipse.

De modo tão flagrante e no meio de tanta crueldade, de violência inaudita causada a terceiros, acaba o desgraçado por confirmar as palavras de Jesus Cristo reproduzidas em Mt 19:22-24: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

Caso para acrescentar 'Quod erat demonrandum'! De qualquer modo, concedamos que RS não precisava de ter ido tão longe, de ter chegado onde a sua falta de luz o conduziu, para se transformar numa tão concreta prova da parábola do Mestre...
 
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Timóteo 6:10, primeira epístola de São Paulo a Timóteo:(...) “porque o amor ao dinheiro é raiz de todo tipo de coisas prejudiciais, e alguns, empenhando-se por esse amor, foram desviados da fé e causaram a si mesmos muitos sofrimentos.”(...)

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015



3 de Agosto de 1779
Efeméride mozartiana
 
 
Salzburg, data de entrada no catálogo pessoal do compositor da "Serenata em Ré Maior", [KV. 320]cuja estreia ocorreu, a título de música de encerramento, por ocasião de determinadas cerimónias daquele ano na Universidade local.
 

A peça tem 7 andamentos: 
 
1. Adagio maestoso - Allegro con spirito (0:00)
2. Menuetto: Allegretto (7:29)
3. Andante grazioso (12:04)
4. Rondo: Allegro ma non troppo (20:13)
5. Andantino (26:03)
6. Menuetto (35:53)
7. Finale: Presto (40:34)

 
Chamaria a vossa especial atenção para duas circunstâncias. O primeiro trio do segundo minueto caracteriza-se pelo diálogo entre o flautím (ou píccolo) solo e a orquestra. O segundo trío do segundo minueto apresenta um solo de trompa de postilhão (correios), que, aliás, determina a designação da peça - 'Posthorn'.
 
Uma chamada de atenção para dois momentos. O primeiro trio do segundo minueto caracteriza-se pelo diálogo entre o flautim (ou piccolo) solo e a orquestra. O segundo trio do segundo minueto apresenta um solo de trompa de postilhão, portanto, a dos correios, que determina a designação da obra, ou seja, a Serenata 'Posthorn'.

Para que tenham uma ideia do bom humor que costuma reinar durante a Mozartwoche, o Festival de Salzburg de Inverno acerca do qual tantas notas aqui costumo partilhar convosco, lembrarei um episódio curioso.

Há uns anos, dirigindo os «seus» 'Les Musiciens du Louvre, Grenoble', Marc Minkowsky pediu ao trompista que, no momento acima referido, entrasse no palco montado numa bicicleta, vestindo um amarelo impermeável de funcionário dos correios, e tocando o singular instrumento. O carácter ligeiro, de divertimento, da obra em questão permitia perfeitamente a brincadeira que, aliás, foi muito bem acolhida pelo público.

Na gravação que seleccionei, a interpretação está a cargo de The Academy of Ancient Music, sob a direcção de Christopher Hogwood.

Boa Audição!

 
 
 
 
The serenade is set in 7 movements: 1. Adagio maestoso - Allegro con spirito (0:00) 2. Menuetto: Allegretto (7:29) 3. Andante grazioso (12:04) 4. Rondo: Alle...
youtube.com


 


Êxito da coligação PSD/CDS!...


É o escândalo do depauperamento de Portugal nos termos do qual 25% da população é declaradamente pobre, onde uma em cada três crianças é pobre e sem esperança de saída de tal situação, um país em que há fome como há muito tempo não se revelava.

"(...) Uma ronda por algumas câmaras do país revelou que o número de crianças sinalizadas ainda não parou de aumentar. Por isso, sempre que possível, tem-se aumentado e fortalecido as respostas sociais a...utárquicas. Por exemplo, mantendo mais agrupamentos abertos durante mais tempo para prestar apoio às famílias. (...)"

Um escândalo inominável!

Se tivermos em consideração que, nos últimos quatro anos, emigraram 486.126 portugueses, a maioria dos quais jovens sem qualquer hipótese de vida decente no seu próprio país, um total que aumentaria exponencialmente a já elevadíssima percentagem desemprego nacional, como não sentir o maior asco perante a atitude triunfalista de Coelho e Portas?

Um bando tomou conta «desta coisa» mas há remédio para 'pôr a mexer' os bandoleiros. Para já, tiremos a mascarilha a esta gente desqualificada. É o mínimo que nos compete e que, de facto, até podemos fazer!
 
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Várias cantinas escolares vão continuar abertas durante todo o verão para alimentar crianças nas férias. Muitas, além das refeições, também oferecem programas de ocupação de tempos livres durante todo o dia.
jn.pt|De Global Media Group
 


3 de Agosto de 2006
Morte de Elisabeth Schwarzkopf (n. 1915)
An die Musik
 
 
Em dia de celebrar a memória de Schwarzkopf, eis a ode "À Música" numa sua interpretação antológica precedida por sóbrias palavras introdutórias do mítico Gerald Moore que, naturalmente, a acompanha ao piano.

Trata-se do famoso Lied que Schubert compôs a partir de um poema do seu amigo Franz von Schober, cujo texto original vos apresento de seguida. E, para os que não podem aceder ao Alemão, uma tradução para Inglês.
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Du holde Kunst, in wieviel grauen Stunden,
Wo mich des Lebens wilder Kreis umstrickt,
Hast du mein Herz zu warmer Lieb' entzunden,
Hast mich in eine beßre Welt entrückt!

Oft hat ein Seufzer, deiner Harf' entflossen,
Ein süßer, heiliger Akkord von dir
Den Himmel beßrer Zeiten mir erschlossen,
Du holde Kunst, ich danke dir dafür!


[Tradução para Inglês]

Oh lovely Art, in how many grey hours,
When life's fierce orbit ensnared me,
Have you kindled my heart to warm love,
Carried me away into a better world!

How often has a sigh escaping from your harp,
A sweet, sacred chord of yours
Opened up for me the heaven of better times,
Oh lovely Art, for that I thank you!]


Boa audição!

 
 
 
Soprano Elisabeth Schwarzkopf sings Schubert's lied "An die Musik" with Gerald Moore at the piano. From a 1961 BBC broadcast.
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Novo mobiliário


Mais um singelo indicador da atitude de pemanente renovação, de atenção a todos os detalhes que suscitem intervenção de requalifcação. Naturalmente, em relação à Parques de Sintra, todos estamos descansados, sabemos que esta é uma constante preocupação, em resultado da qual tudo melhora «a olhos vistos», nos parques, jardins e, em geral, em todo o património afecto a esta empresa de capitais públicos que tanto nos orgulha com a sua actuação. Ah, assim pudesse acontecer por toda a nossa Sintra!

 
 
 
 
O Parque de Merendas, junto à entrada do Parque de Monserrate, foi requalificado com a reparação do pavimento, eliminação de barreiras como degraus e...
parquesdesintra.PT
 

domingo, 2 de agosto de 2015



2 de Agosto de 1929
Nascimento de José Afonso


Lembremos como, também ele, tão bem cantava Camões!


Verdes são os Campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,

De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;

Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

[Luís de Camões]

Boa Audição!
 
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Poema de Luís de Camões musicado por José Afonso.
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O esplendor máximo do barroco !


“ (…) É [a Missa Salisburgensis de Heinrich Ignaz Franz von Biber] talvez o Monte Evereste da Música (…) uma obra a 53 vozes, duas pequenas orquestras e vários conjuntos de músicos e com uma construção verdadeiramente extraordinária (…) obra de grande força e diversidade e, depois de ter feito há muitos anos outras missas de Biber, esta foi uma experiência quase cósmica (…)”

[Jordi Saval, Expresso, 1 de Agosto de 2015]

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Há uns bons anos, ofereci a Missa Salisburgensis de Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704) ao José Leonardo de Freitas e Barros, oferta essa que, agora, uma vez tornada pública, carece do devido enquadramento.

Primeiramente, acerca do amigo, dir-vos-ei do nosso relacionamento de quase quaro décadas enquanto professor, meu colega durante vários anos no Ministério da Educação, maestro de coros, um melómano com todas as letras, com quem viajei para Salzburg, Viena e outras paragens.

Se acrescentar que jamais me teria tornado no técnico que fui, e também numa melhor pessoa, sem o conselho próximo do José Leonardo, por exemplo, no campo da utilização óptima dos meios audiovisuais ao serviço dos melhores objectivos da didáctica e da pedagogia, da animação cultural e da formação, pois digo-vos tudo, da sua comovente disponibilidade para a partilha, com aquela humildade comum aos que sabem imenso.

Sob a sua batuta, cantei em dois coros, sempre fazendo peças exigentes e enriquecedoras não só no estrito domínio musical, como intérprete, mas também humanamente. Claro que o meu reconhecimento é enorme e a amizade que nos une não tem medida. É, felizmente, alguém cuja opinião continuo a beneficiar continuadamente, em especial, quase todas as semanas, nos nossos encontros na Gulbenkian.

Ora regressemos à oferta aludida. Naturalmente, ao escolher um disco seja para quem for, se tento que a obra registada convenha à pessoa, então, para o José Leonardo, preocupo-me com que a peça honre e, tanto quanto possível, se enquadre entre os valores perenes que ambos cultivamos e nos animam a Vida.

Foi assim que se me impôs a Missa Salisburgensis. Preciso é explicar que, só muito lateralmente, esta Missa de Salzburgo, obra composta por aquele que foi um dos mais notáveis e célebres Mestres-Capela da Catedral da cidade à qual, como sabem, estou tão intimamente ligado - aliás, numa relação em que consegui envolver este meu querido amigo - só muito lateralmente, escrevia, é que a designação da peça e a relação com o burgo terão sido importantes para a minha escolha.

Não, fundamental, essencialmente, foi a música, a sua excepcional qualidade, o facto de ser uma obra-prima e pouco conhecida. E fui tão feliz na escolha qua a Ana Ferrão, mulher do meu amigo, professora de música da Escola Superior de Educação de Lisboa, pessoa com quem também me entendo especialmente bem nos nossos envolvimentos no universo musical, me cumulou com palavras que jamais esquecerei acerca da minha opção por uma obra que, para ela, foi uma descoberta que passou a ser vital.

Hoje, de manhã, ao ler a Revista do Expresso, detive-me num artigo de Nuno Galopim, subordinado à epígrafe “A cultura é o capital europeu mais importante”, citação extraída de uma troca de impressões com Jordi Saval, a propósito de ter sido distinguido com o 'Prémio Europeu Helena Vaz da Silva'. Na expectativa de que o leiam, porque vale mesmo a pena, passo a citar a opinião do grande músico catalão acerca desta obra de Biber:

“(…) É talvez o Monte Evereste da Música (…) uma obra a 53 vozes, duas pequenas orquestras e vários conjuntos de músicos e com uma construção verdadeiramente extraordinária (…) obra de grande força e diversidade e, depois de ter feito há muitos anos outras missas de Biber, esta foi uma experiência quase cósmica (…)”.

Os leitores que, no blogue sintradoavesso, há cerca de oito, e, no facebook, há seis anos me acompanham as madurezas melómanas, sabem como sou afecto a Biber. De facto, em Salzburg, conheço-lhe todos os passos, soletro e declino as obras, enfim, um devoto absolutamente rendido.

Vou à sua campa, no cemitério St. Peters, para a homenagem possível, rezando-lhe por alma, «ouvindo» o Gloria da Missa Salisburgensis. Naturalmente, não posso estar mais de acordo com Saval e, como sempre, o que me dá gozo é poder partilhar o que me empolga. Portanto, eis a obra, uma das mais espantosas páginas da Cultura Europeia! Sem mais palavras.

Ou, melhor, só mais três palavras, em memória do próprio Biber:

Deus está contigo!


Boa Audição!

 
 
 
Heinrich Ignaz Franz Biber von Bibern (getauft 12. August 1644 in Wartenberg, Böhmen; † 3. Mai 1704 in Salzburg) war ein böhmischer Komponist und bekannter G...
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sábado, 1 de agosto de 2015



31 de Julho de 1886
Morte de
Franz Liszt


Em Bayreuth, a Casa-Museu é um excelente lugar de «aprendizagem» da biografia de Liszt, uma lição excepcional de como o fazer, com tanto sucesso e com tão poucos meios. Vou lá sempre. E também passo pelo mausoléu. Bayreuth, para mim, de facto, também é muito Liszt.

No meu caso, Liszt é uma presença constante desde miúdo. Meu avô adorava-o e foi com ele que «aprendi Liszt». Dentre as biografias de grandes compositores que «herdei» da sua biblioteca, claro que ainda conservo a que foi escrita por Guy de Portales (ed. 1925), que continuo a considerar de referência.

Ora bem, gostaria de aproveitar esta oportunidade em que, ontem, recordámos Franz Liszt, para partilhar convosco uma sua obra 'programática', “Eine Symphonie zu Dante Divina Commedia”, escrita entre 1855 e 1856 e estreada em 1857 cuja audição, nas salas de concerto é bastante rara.

O objectivo inicial de Liszt era compor a obra em três andamentos: um 'Inferno', um 'Purgatorio' e um 'Paradiso' em que os dois primeiros seriam puramente instrumentais e o último coral. Richard Wagner, seu genro, conseguiu convencê-lo de que nenhum compositor seria capaz de exprimir fielmente as alegrias do paraíso, com tais argumentos que Lizt desistiu do terceiro andamento não sem que tivesse acrescentado um ‘Magnificat’, com base em Lucas 1:46, no fim do segundo.

Será interessante terem em consideração que esta é uma sinfonia extremamente inovadora que propõe uma série de efeitos orquestrais e harmónicos tais como harmonias progressivas, experiências de atonalidade, 'tempi' flutuantes, interlúdios de música de câmara. Trata-se de uma das primeiras obras a utilizar a designada 'tonalidade progressiva', começando e terminando em tonalidades radicalmente diferentes, respectivamente de Ré menor e Si Maior, antecipando em cerca de quarenta anos a sua prática nas sinfonias de Gustav Mahler.

A estreia da peça ocorreu no Hoftheater de Dresden em 7 de Novembro de 1857. Foi um fiasco colossal devido a deficiências de ensaio e Liszt, que dirigiu a orquestra, sofreu uma humilhação pública. Contudo, não desanimou, mantendo a obra no concerto de 11 de Março de 1858, em Praga, juntamente com os seus poema sinfónico “Die Ideale” e segundo concerto para piano, em 11 de Março de 1858. Desta vez, a Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein, preparou um programa para o concerto que ajudaria o público a entender e a seguir a forma tão pouco comum da sinfonia.

Obra dedicada a Richard Wagner, a sinfonia está orquestrada para piccolo, duas flautas, dois oboés, corne inglês, dois clarinetes em Si bemol e em Lá, um clarinete baixo em Si bemol e Lá, dois fagotes, quatro trompas, dois trompetes em Si bemol e Ré, dois trombones tenor, um trombone baixo, uma tuba, dois pares de timpani (exigindo dois músicos) timbales, tambor baixo, duas harpas, cordas, e um coro feminino de sopranos e contraltos em que um dos sopranos deverá cantar uma parte solista.

A gravação que vos proponho é estupenda, com Giuseppe Sinopoli dirigindo a Staatskapelle de Dresden. Eis o detalhe dos tempos de mudança de andamento:

1. Infermo 00:00
2. Purgatorio 21:28
3. Magnificat 44:30

 
Boa audição!

 
 
 
Liszt Eine Symphonie zu Dantes "Divina Commedia" S.109 1. Infermo 00:00 2. Purgatorio 21:28 3. Magnificat 44:30 Giuseppe Sinopoli Staatsopernchor Dresden Sta...
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1 de Agosto de 1997
Moscovo, morte de Sviatoslav Richter
(n. 20 de Março de 1915, Jitomir, Ucrânia)



Sob pretexto para recordar um dos mais importantes marcos da pianística do século vinte, vamos partilhar, parcialmente, uma peça com a qual ficou especialmente relacionado, o Concerto para Piano, op 13 de Benjamin Britten.

Trata-se da primeira obra para este instrumento, composta em 1937, antes de qualquer das suas óperas, estreado num Promenade em 1938, com o próprio Britten ao piano. Posteriormente seria revista em 1945, tendo o compositor substituído o terceiro andamento, um Recitative and aria por um novo, Andante lento.

Descrito por Benjamin Britten como «simples e direto na forma», é uma obra repleta de virtuosismo e impulso rítmico, que permaneceu na obscuridade durante décadas e tem vindo a conquistar cada vez maior atenção do público.

A versão revista de 1945 foi estreada no Festival de Cheltenham em 2 de Julho de 1946. Pouco antes, Britten tinha levado à cena a ópera Peter Grimes, e o enorme êxito desta imediatamente o guindou à fama mundial. Seguir-se-iam mais seis óperas durante a década seguinte, que o consagraram como um dos mais importantes compositores do século XX.

A estreia em Londres do Concerto para Piano, op. 13 ocorreu pouco depois dessa circunstância, no Royal Albert Hall de Londres, com a London Symphony Orchestra dirigida por Basil Cameron. A gravação que vos proponho, datada de 1967, além de Sviatoslav Richter como solista, conta com Evgeny Svetlanov dirigindo a Orquestra Sinfónica da URSS.


Eis o detalhe para acompanhamento:

00:00 Toccata. Allegro molto e con brio
11:17 Waltz. Allegretto
16:07 Impromptu. Andante lento
24:01 March. Allegro moderato, sempre alla marcia


https://youtu.be/VfoaJ9ILg5Y

Boa audição!



 
 
 
Sviatoslav Richter - Britten - Piano Concerto No 1 - Svetlanov