[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015





2 de Dezembro de 1814
Morte do Marquês de Sade



"Votre corps n'est qu'à vous seul; vous êtes la seule personne au monde qui ait le droitd'en tirer du plaisir et de permettre à autrui d'y prendre plaisir..."[SADE, Donatien Alphonse François de, "La Philosophie dans le Boudoir"]

Há 201 anos morria Sade, divino, diabólico. A sua influência nestes dois séculos subsequentes é inimaginável. E inúmeras as referências. A propósito, como não lembrar que, na "Ode Triunfal", Álvaro de Campos não se furta à referência ao sadismo?

"(...) Eu podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.
Atirem-me para dentro das fornalhas!
Metam-me debaixo dos comboios!
Espanquem-me a bordo de navios!
Masoquismo através de maquinismos!
Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho! (...)"


Portanto, se me permitirem conselhos vespertinos, o melhor que vos desejo é fazerem umas leituras, ou seja, voltem a ler o poema completo e, naturalmente, "La Philosophie dans le Boudoir", a obra mais famosa do próprio Donatien Alphonse François de Sade. Não volto a escrever o título nobiliárquico porque até parece não ter sido...

Boas leituras!
 
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2 de Dezembro de 1923
Nascimento de Maria Callas (m. 1977)




Faria hoje 92 anos. Recordemos a sua passagem por Lisboa onde, no Teatro Nacional de São Carlos, no dia 27 de Março de 1958, veio fazer uma inesquecível Violetta Valéry. Passados 57 anos, ainda sou capaz de lembrar a toilette da mãe para essa récita. Não há muito tempo, a minha irmã Ana Maria a descreveu como só ela sabe fazê-lo...

Ah, meu Deus, que património de memórias relacionadas com São Carlos! Nessa altura, não fui, tinha apenas dez anos. Mas, a partir do início dos anos sessenta, guardo recordações inolvidáveis. Tão impressivas e, em relação aos elencos, de tal qualidade que, hoje em dia, me custa entrar naquela casa. Enfim, se for caso disso, para outra altura ficará alguma escrita a propósito de episódios também com familiares e amigos.
 
Voltemos à Callas em Lisboa. Como poderão verificar através dos avisos que surgem durante o visionamento que vos proponho, trata-se de uma gravação amadora, raríssima, único testemunho audiovisual da Callas interpretando este papel. Como sabem, felizmente, há muitos registos áudio mas, tanto quanto julgo poder confirmar, filme, só este.

A propósito, cumpre lembrar que a RDP produziu uma remasterização digital em 2000, muito cuidada, cuja audição aconselho vivamente. Tenha-se em consideração que, desde a década de 80, o lendário registo de La Traviata com Callas e Kraus realizado em Lisboa é considerado gravação de referência.

Recordemos o elenco: Violetta, Maria Callas; Alfredo, Alfredo Kraus; Germont, Mario Sereni; Annina, Maria Cristina de Castro; Gastone, Piero de Palma; Douphol, Álvaro Malta; d'Obigny, Vito Susca; Grenvil, Alessandro Maddalena; Commissionario, Manuel Leitão. Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Orquestra Sinfónica Nacional sob a direcção de Francco Ghione.

No filme biográfico sobre a Senhora Marquesa de Cadaval, de que sou co-autor, a própria Dona Olga Cadaval dá testemunho da sua interferência para concretização da deslocação da Callas a Lisboa, episódio muito sintomático dos tempos que se viviam. Do filme também constam cenas memoráveis da estada da diva na capital.

Ainda uma nota final a demonstrar o altíssimo nível dos elencos que subiam ao palco de São Carlos, referindo que, em temporadas anteriores ao evento em apreço, o papel de Viloletta tinha sido vivido «só» por Maria Caniglia, Renata Tebaldi e Virginia Zeani!...

Bom visionamento!

 
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Lisboa 1958
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1 de Dezembro de 1780
Efeméride mozartiana


[publicado no facebook em 1.12.2015]

Em Salzburg, há 235 anos, a estreia do Recitativo e Aria "Wie grausam ist, o Liebe... Die neugeborne Ros’ entzückt“, KV 365a, que Mozart havia composto no fim de Novembro para Emanuel Schikaneder que estava de visita à cidade.
...
Foi cantada por Mademoiselle Adelheit para inserção em "Die zwei schlaflosen Nächten", constituindo a primeira colaboração entre Mozart e Schikaneder. No dia seguinte, 2 de Dezembro, Leopold Mozart descreve o que aconteceu durante a récita, em carta que remete ao filho, ausente em Munque, em preparativos e ensaios de "Idomeneo":

"(...) A peça para a qual compuseste a tua Aria foi representada ontem - excelente, a casa cheia, o Arcebispo também esteve presente, a tua Aria foi bem interpretada e a cantora esteve bem - tão bem quanto lhe foi possível, dado o curto tempo que teve para a aprender (...)".

Eis uma gravação ao vivo, captada no Teatro R. Zandonai Rovereto, em 18 de Setembro de 1998, de uma interpretação da peça por Sumi Jo e Orchestra da Camera di Mantova, sob direcção de Umberto Benedetti Michelangeli.

[A título de curiosidade, importa referir que, num ciclo trienal entre 2005 e 2007, esta mesma orquestra e maestro interpretaram a obra integral sacra de Mozart, no âmbito da designada “Mozartfest”].

Boa Audição!
 
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Die Neugeborne Ros'entzückt KV 365a - Mozart (1998) per soprano e orchestra Elaborazione e…
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Vai uma aposta sobre o teor da reacção da oposição acerca desta sentença do TR?

Antes de começarem a destilar o veneno que não conseguem conter, melhor seria que reflectissem sobre os casos daqueles que nem sequer são julgados, vg. Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima, Arlindo de Carvalho, José Neto, Rogério de Oliveira, afectos ao processo do BPN, em vias de prescrição.
 
E o milhão do CDS? Não se recordam dos recibos passados em nome de Jacinto Leite Capelo Rego? Paulo Portas e o caso dos submarinos? E o Portucale? Caramba! Não haverá quem esteja à altura destes farsantes? É o Estado Democrático de Direito que esta em causa!
 
 
O Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) absolveu a antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, condenada em primeira instância a 3 anos e meio de…
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Parques de Sintra

PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA (PALÁCIO DA VILA)
6 DE DEZEMBRO - ABERTURA NOCTURNA
ENTRADA GRATUITA - MAIS 200 INSCRIÇÕES

[publicado no facebook em 1.12.2015]

No âmbito dos 20 anos de Sintra Património Mundial da UNESCO
Mais 200 inscrições disponíveis para abertura noturna do Palácio Nacional de Sintra

- Forte procura leva a abertura de mais 200 inscrições
- Noite de domingo, 6 de dezembro
- Entrada livre mediante inscrição prévia
- Espetáculos de música e dança
___________________________________

Sintra, 1 de dezembro de 2015 – O Palácio Nacional de Sintra abre portas gratuitamente na noite de 6 de dezembro, entre as 20h00 e as 00h00, no âmbito da celebração dos 20 anos da classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da UNESCO. Após a divulgação da iniciativa, a 10 de novembro, o limite das inscrições foi atingido em menos de 24 horas. Mediante a forte procura, a Parques de Sintra decidiu abrir agora mais 200 inscrições.

O evento, organizado pela Parques de Sintra e inserido na programação conjunta com a Câmara Municipal de Sintra dos 20 anos da classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da UNESCO, terá entrada livre mediante inscrição prévia obrigatória (www.parquesdesintra.pt/abertura-noturna ou +351 21 923 73 00). As entradas no Palácio estão sujeitas ao tempo de espera necessário para que os visitantes anteriores saiam, mas todos os inscritos terão entrada garantida.

A noite incluirá apresentações de música renascentista e dança de época (séculos XV e XVI) igualmente gratuitas.

As apresentações de música renascentista serão realizadas pelo “Ensemble La Peña” (do Sintra Estúdio de Ópera) que se dedica à pesquisa e interpretação da melhor música produzida em Portugal e Espanha nos séculos XVI e XVII.

As apresentações de dança serão realizadas pela “Associação Danças com História”, companhia que colabora em eventos de recriação histórica em monumentos nacionais. Nesta noite apresentarão trajes e danças da época de D. João I e de D. Manuel I.
Ambas as apresentações têm lugar às 21h00, 22h00 e 23h00 na Sala dos Brasões e na Sala dos Cisnes, respetivamente.

Sintra foi o primeiro sítio europeu inscrito pela UNESCO como Paisagem Cultural, a 6 de dezembro de 1995. De acordo com Manuel Baptista, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, “é com muita honra que a Parques de Sintra festeja duas décadas de reconhecimento do valor universal desta Paisagem, cujos elementos-chave são os parques e monumentos que desenham uma linha do tempo contínua de que a esta empresa é guardiã”.

Este evento será, assim, a forma de celebrar um marco na História de Sintra e de dar a oportunidade de conhecer gratuitamente um dos monumentos mais visitados da Vila.

Os visitantes terão ainda a oportunidade de tomar um café gratuitamente, em virtude do apoio da Nespresso a este evento.
• Entrada é gratuita mediante inscrição prévia e só será permitida às pessoas inscritas
• Inscrição prévia obrigatória, em www.parquesdesintra.pt/abertura-noturna ou +351 21 923 73 00
• As entradas serão efetuadas por ordem de chegada
• O tempo de espera dependerá do número de visitantes que se encontrarem nesse momento a visitar o Palácio (número condicionado pela capacidade do espaço)
• Aconselha-se a utilização de transportes públicos. Para quem utilizar o automóvel, sugerem-se os seguintes locais para estacionamento: Volta do Duche, Parque de Estacionamento da Calçada do Rio do Porto e Parque de Estacionamento junto ao Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Sintra (cerca de 15 minutos a pé até ao Palácio)
• Apresentações de música e dança para maiores de 6 anos
 
Celebração dos 20 anos de Sintra Património Mundial – ESGOTADO Quando: 6 de Dezembro de 2015 @ 8:00 pm – 12:00 am Add to Calendar Add to Google Onde:…
parquesdesintra.pt




 



Tudo é possível!

[publicado no facebook em 1.12.2015]

Jamais imaginaria que os ex-governantes pudessem ter chegado a esta atitude. Ultrapassa tudo quanto é concebível. Poderá ter sucedido que até terão feito o que, em Junho/Julho, é suposto concretizar e que, mais recentemente, perante a evolução dos acontecimentos, tivessem decidido sonegar essa informação ao novo Governo?
 
Não acredito que o anterior executivo não estivesse preparado para, atempadamente, apresentar uma proposta de Orçamento se os resultados el...eitorais lhe tivessem sido favoráveis. Se, inicialmente, não me passava pela cabeça que pudesse haver uma manobra sub-reptícia, agora, nada excluo.

É perfeitamente possível que, em todos os Ministérios, houvesse 'boys' adestrados e, em tempo oportuno, prontos a fazer saltar das gavetas os elementos necessários. Tudo é possível. De facto, com gente tão falha de sentido de Estado, que usou de tanta e inusitada crueldade ao prosseguir uma política de austeridade que ultrapassou todas as exigências dos próprios credores, tudo é possível!

De tal modo ficaram perplexos perante a génese e constituição do actual Governo, de tal calibre é o estado de choque em que ficaram que não é disparate pensar terem decidido ocultar os dados ao Governo que consideram «ilegítimo»...

Em suma, episódio a não esquecer e a ter em consideração como 'preparação' para as muitas e mais congéneres surpresas que nos desafiarão nos próximos dias.
 
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Executivo socialista encontra tudo por fazer na preparação da proposta de lei a apresentar à Assembleia da República
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Primeiro de Dezembro,
D. Pedro V
e D. Fernando II


[publicado em 1.12.2015]

Quantos de nós, entusiasticamente, cantámos este hino, durante anos seguidos, na escola primária e no liceu, chegado que era o Primeiro de Dezembro? O minuto e meio desta gravação reproduz a música e a letra.

Vem a propósito lembrar que, na sua origem, este hino tinha letra diferente, integrando a peça musical "1640 ou a Restauração de Portugal". Na capa do programa e libretto, pode ler-se que se trata de uma obra em 4 Actos, Sete Quadros e um Prólogo, dedicada a Sua Majestade El-Rei D. Pedro V, representada pela primeira vez no Teatro da Rua dos Condes em 29 de Outubro de 1861.

Sabemos alguns de nós que o evento não terá ocorrido por acaso na data supra já que, em 29 de Outubro, se celebra o aniversário do Senhor D. Fernando II. Enfim, a partir destas sucintas informações, poderão os interessados pesquisar sobre o que mais lhes puder interessar.
 
A letra original era a seguinte:

Lusitanos, é chegado
O dia da redempção
Caem do pulso as algemas
Ressurge livre a nação


O Deus de Affonso, em Ourique
Dos livres nos deu a lei:
Nossos braços a sustentem
Pela pátria, pelo rei


Às armas, às armas
O ferro empunhar;
A pátria nos chama
Convida a lidar.


Excelsa Casa, Bragança
Remiu captiva nação;
Pois nos trouxe a liberdade
Devemos-lhe o coração.


Bragança diz hoje ao povo:
"Sempre, sempre te amarei"
O povo diz a Bragança
"Sempre fiel te serei"


Às armas, às armas
etc, etc...


Esta c'roa portugueza
Que por Deus te foi doada
Foi por mão de valerosos
De mil jóias engastada.


Este sceptro que hoje empunhas,
É do mundo respeitado,
Porque em ambos hemispherios

em mil povos dominado!

Às armas, às armas
etc, etc...


Nunca pode ser subjeita
Esta nação valerosa,
Que do Tejo até ao Ganges
Tem a história tão famosa.


Ama-a pois, qual o merece;
Ama-a, sim, nosso bom rei
Dos inimigos a defende,
Escuda-a na paz, e lei.


Às armas, às armas
etc, etc...


Ai! Se houver quem já se atreva
Contra os lusos a tentar,
O valor de um povo heróico
Hade os ímpios debellar.


Viva a Pátria, a liberdade,
Viva o regime da lei,
A família real viva,
Viva, viva o nosso rei.


Às armas, às armas
etc, etc...

______

Finalmente, gostaria de vos deixar com uma preocupação para os dias que correm. É que a independência nacional tem muitas pontas por onde pegar... Assim sendo, hoje em dia, que o Primeiro de Dezembro, além de evocar 1640, possa e deva acolher iniciativas afins do enquadramento da independência nacional no século vinte e um.
 
Portanto, um forum de discussão, nos termos do qual se possa discutir os domínios a reivindicar, que pressupostos deverá considerar a pedagogia a fazer às novas gerações? Enfim, pano para mangas não falta!...
 
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RUPATV 4 - Hino de Restauração (Karoke)
4.ª Emissão da RUPA TV, a televisão nacional do Reino Unido de Portugal e Algarves, uma micronação lusófona fundada a 22 de Junho de 2002. Cante connosco. Se...
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015



30 de Novembro de 1935
Morte de Fernando Pessoa


[publicado no facebook em 30.11.2015]

Para assinalar a efeméride, a minha partilha de hoje articula o poema 'Não sei se é Sonho, se Realidade', cuja transcrição aqui vos deixo, com a música, tão afim, de Fernando Lopes Graça, subordinada ao título 'Canção Segunda' de "Três Canções de Fernando Pessoa" (1947-50).
Interpretação soberba de Ana Maria Pinto, soprano, e do pianista Nuno Vieira de Almeida.

NÃO SEI SE É SONHO, SE REALIDADE
 
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri


Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter
Felizes, nós? Ali, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez,


Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar;
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.


Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.


© FERNANDO PESSOA
20-8-1933
In Poesias, 1942
Ed. Ática, Lisboa


Boa Audição!
 
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*"Cancao longínqua (Nao sei se é sonho,se realidade)" É o nome dado pelo compositor a peca baseada no…
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Radu Lupu
Galati, (Roménia) 30 de Novembro de 1945

[publicado no facebook em 30.11.2015]

Faz hoje 70 anos. Um autêntico gigante da pianística mundial. Um dos pianistas cuja arte, permanentemente no registo do sublime, tenho dificuldade em adjectivar. Escrevi bastante acerca da sua prestação em alguns dos seus concertos e recitais em Lisboa e Salzburg, textos esses que poderei voltar a partilhar convosco e que estão dosponíveis no blogue..

Aqui fica a gravação do Concerto No. 5 para piano de Beethoven pelo grande pianista, com a Orquestra Filarmónica de Israel, sob a direção de Zubin Mehta.

Boa Audição!

https://youtu.be/MHXim9fC8og
.
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Radu Lupu, piano Israel Philharmonic Orchestra Zubin Mehta
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Paris, 30 de Novembro de 1813
nascimento de Charles-Valentin Alkan (m.1888)

[publicado no facebook, em 30.11.2015]
 
Em 2013, a 48ª edição do Festival de Sintra, sob a Direcção Artística do meu querido amigo Luís Pereira Leal, além de celebrar as efemérides relativas a Richard Wagner, Giuseppe Verdi e Benjamin Britten, também não perdeu a oportunidade de comemorar os duzentos anos do nascimento de Charles-Valentin Alkan.

Outra amiga, Mariana Portas, da Produção do Coro e Orquestra da Fundação Calouste Gulbenkian, naquela altura também colaboradora do Festival, escreveu uma excelente nota biográfica sobre aquele compositor que fez parte dos programas geral e de sala de que o público dispôs.

Passo a reproduzir o texto em referência. Charles-Valentin Alkan foi lembrado, num recital/conferência de Luisa Tender, no dia 5 de Julho de 2013, às 21,30 no Palácio Nacional de Sintra (Palácio da Vila), durante o qual a pianista falou acerca deste tão esquecido compositor francês.

Após a leitura do texto, convido-vos a partilhar a "Grande Sonate 'Les Quatre Ages' Op. 33" numa interpretação de RONALD SMITH. Verifiquem como era excelente a «oficina» de Alkan.

Boa Audição!

https://youtu.be/UxX60TmUXMs

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Compositor e pianista virtuoso na tradição oitocentista, Alkan celebrizou-se na década de 1830-40 como um dos artistas proeminentes do meio musical parisiense, ao lado de Fryderyk Chopin (1810-1849), de quem era amigo, de Franz Liszt (1811-1886) e diversos outros.

Tendo nascido e vivido quase sempre em Paris, Charles-Valentin Morhange era filho de Alkan Morhange (1780-1855) e Julie Abraham, descendentes de famílias judaicas sediadas na região de Metz. O pai era músico e, mais tarde, proprietário de uma escola de música no bairro judeu do Marais, em Paris. O irmão de Charles-Valentin, Napoléon, foi professor de solfejo no Conservatório de Paris; o seu irmão Maxim compôs música ligeira para teatros parisienses, e a sua irmã Céleste foi também pianista. Alkan evidenciou-se desde cedo como menino-prodígio. Foi admitido no Conservatório aos seis anos de idade, para estudar piano e órgão. O seu mestre Joseph Zimmermann (1785-1853) iria também ensinar Georges Bizet (1838-1875), César Franck (1822-1890), Charles Gounod (1818-1893) e Ambroise Thomas (1811-1896). Aos sete anos Alkan obteve os primeiros prémios de piano, órgão e harmonia, e apresentou-se em público como violinista. A sua primeira atuação como pianista teve lugar aos doze anos e a sua composição op. 1 datou de 1828, aos catorze anos.

Alkan viveu quase sempre em Paris, com exceção de uma digressão de concertos em Inglaterra em 1833-34 e de uma breve estadia em Metz na década de 1840, por motivos familiares. Aos vinte anos lecionava e dava concertos nos círculos sociais mais elegantes de Paris, privando com Franz Liszt, Georges Sand (1808-1876) e Victor Hugo (1802-1885). Por volta de 1838, com vinte e cinco anos, Alkan tinha atingido o auge da sua carreira de concertista. Atuou diversas vezes com Chopin e notabilizou-se como virtuoso do piano, rivalizando com Franz Liszt, Sigismond Thalberg (1812-1871) e Friedrich Kalkbrenner (1785-1849). Numa ocasião, Liszt teria declarado que Alkan possuía a mais perfeita técnica pianística entre todos os que conhecia. Pouco tempo depois, porém, Alkan retirou-se para o isolamento da sua casa e dedicou-se quase exclusivamente à composição durante seis anos, voltando a apresentar-se nos palcos em 1844. Residia muito próximo de Fryderyk Chopin e, após a morte deste em 1849, alguns alunos de Chopin transferiram-se para Alkan.

Em 1848, quando Joseph Zimmermann se retirou do Conservatório de Paris, Alkan sofreu a desilusão de não ser designado para o substituir no departamento de piano, sendo o cargo atribuído a Daniel Auber (1782-1871) juntamente com Antoine Marmontel (1816-1898), um antigo aluno de Alkan. A frustração causada por este incidente poderia ter contribuído para a sua relutância em se apresentar em público. Foi nomeado organista do Templo de Paris em 1851, mas renunciou pouco tempo depois, realizando apenas dois concertos 1853. A partir de então retirou-se durante mais de duas décadas, apesar da sua celebridade e exímia preparação técnica.

Durante esse tempo, Alkan continuou a compor e a publicar a sua música. Entre outras obras, concluiu a Grande Sonata «Les quatre âges», op. 33, e publicou duas coleções de Estudos em todas as tonalidades maiores (op. 35) e em todas as tonalidades menores (op. 39). Neste último ciclo inclui-se uma «Sinfonia para piano solo» (op. 39. no. 4 to 7) e um «Concerto para piano solo» (op. 39 no. 8 to 10), obras de grande complexidade musical e técnica. Alkan teria também empreendido a tradução completa da Bíblia para a língua francesa, incluindo o Novo e o Velho Testamentos, a partir das línguas originais. A obra perdeu-se, tal como outras composições musicais de Alkan. Na sua última década de vida, em meados de 1870, Alkan saiu da reclusão e apresentou-se numa série de recitais aos quais assistiria uma nova geração de músicos franceses.

Alkan nunca casou, mas tudo indica que teve um filho, Élie-Miriam Delaborde (1839-1913), também ele pianista virtuoso e intérprete do pédalier. Delaborde dedicou-se à edição de uma série de obras de Alkan. Privando com Georges Bizet (1838-1875) e a sua mulher Geneviève, filha de Jacques Halévy (1799-1862), após a morte de Bizet teria havido uma aproximação entre Delaborde e Geneviève, chegando a falar-se de projetos de casamento, que não chegaram porém a realizar-se.

Alkan morreu em Paris em 29 de março de 1888, com setenta e quatro anos, e foi enterrado em 1 de abril (Domingo de Páscoa) na secção judaica do Cemitério de Montmartre, onde a sua irmã Céleste também foi sepultada. Após a sua morte, a música de Alkan foi praticamente abandonada, apenas lembrada por alguns músicos das gerações seguintes entre os quais Ferrucio Busoni (1866-1925). Foi só no último quartel do século XX que vários pianistas começaram a interpretar e a gravar a sua música, trazendo-a de volta ao repertório.

A técnica pianística de Alkan evidencia-se pela elevada exigência das suas composições, embora de um modo geral ela não se faça com sacrifício da musicalidade. A sensibilidade musical está patente em muitas obras de Alkan, de um modo particular nos Noturnos e nos Esboços. Tal como Chopin, Alkan escreveu quase exclusivamente para o teclado, incluindo o órgão e o pédalier (piano com pedaleira), do qual era um executante exímio. Entre os traços de virtuosismo da sua música destacam-se a velocidade extrema, os saltos de várias oitavas, as passagens de notas repetidas, ou as linhas contrapontísticas muito espaçadas.
 
Alkan compôs não apenas música «pura» mas também programática, como por exemplo Le chemin de fer (O Caminho de ferro), op. 27, possivelmente a primeira peça de música a reproduzir o som de um comboio a vapor. Deixou poucas peças de música de câmara, incluindo uma sonata para violino, outra para violoncelo e um trio para piano. Outra peça curiosa é Marcia funebre, sulla morte d'un Pappagallo (Marcha fúnebre sobre a morte de um papagaio ) para três oboés, fagote e vozes. Do ponto de vista musical, Alkan possuía ideias inovadoras e pouco convencionais, como por exemplo a «tonalidade progressiva», patente nas suas obras em vários andamentos, tais como a Sonata «Les quatre âges», que se inicia em ré maior e termina em sol sustenido menor. Utilizou acordes enarmónicos para modular para as tonalidades mais remotas, incluindo notas com sustenidos e bemóis duplos ou mesmo sustenidos e bemóis triplos.

[Mariana Portas]
 
 
1st movement (beginning) 2nd movement 6:36 3rd movement 19:36 4th movement 31:12 The complete sonata played by Ronald Smith! This is a transfer…
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