[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 6 de dezembro de 2015




Efeméride mozartiana [III]
6 de Dezembro de 1786



Composição da Sinfonia No. 38
 
Esta "Sinfonia em Ré Maior, Praga", KV. 504 está datada de 6 de Dezembro de 1786, ou seja, mais de três anos depois de ter composto a precedente, a No. 36, em Dó Maior Linz, KV 425. Como se verifica, saltou a numeração porque se veio a concluir que a No. 37, em Sol Maior KV. 444/425ª era obra de Michael Haydn (irmão de Joseph Haydn) à qual Mozart apenas fizera uma introdução.

Foi estreada em Praga, em 19 de Janeiro de 1787, na mesma altura em que a ópera "As Bodas de Fígaro" gozava de sucesso estrondoso. Orquestrada para 2 flautas, 2 oboés, 2 fagotes, 2 trompas, tímbales e cordas, a sinfonia está estruturada em três andamentos, o primeiro dos quais 'Adagio-Allegro', com uma introdução grandiosa, de ambiente grave e trágico, a lembrar a Abertura de “Don Giovanni”, numa tensão dramática que o ‘Allegro’ vem resolver em clima luminoso.

Seguidamente, o 'Andante', em Sol Maior. Mais uma vez, aquela gama de cores que nos permite viajar entre o sorriso e a lágrima, a sofisticada ironia, sempre a polaridade mozartiana. E, terminando, 'Finale: Presto'. O espírito reinante é o de "As Bodas de Fígaro", bem evidente no motivo dos violinos, no dueto Susana-Cherubino quando este salta pela janela no II Acto. Contudo, novamente, um grande contraste, com o trágico mozartiano irrompendo no desenvolvimento, alternando entre tensão e calma para finalizar exuberantemente.

Mozart está na plenitude da sua mestria como sinfonista. Trata-se de uma obra extremamente equilibrada, numa ideal harmonia de proporções. Passados dois anos, seguir-se-ia a grande tríade das últimas sinfonias junto das quais esta No. 38 bem pode figurar ao mesmo nível de inspiração genial.
E a interpretação que vos trago é de referência maior, Filarmónica de Berlin sob a direcção de Karl Böhm. Para os meus amigos, só o melhor!



Boa Audição!
 

 
 
Wolfgang Amadeus Mozart Symphony n°38 K.504 "Prague" I. Adagio - Allegro 0:00 II. Andante 10:22 III. Presto 18:56 Berliner Philharmoniker Karl Böhm…
youtube.com

 



6 de Dezembro de 1788
Efeméride mozartiana [II]


Viena: data da composição de "Seis Danças Alemãs" [KV 567]. No seu catálogo pessoal, Mozart regista: "6 de Dezembro, 6 Teusche*(6 danças alemãs) para 2 violinos, 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, timpani, flautino e baixo".

*[Mozart escreveu mesmo Teusche, com T]

No. 1 em Si bemol Maior (0:00)
No. 2 em Mi bemol Maior(1:25)
No. 3 em Sol Maior (2:54)
No. 4 em Ré Maior (4:32)
No. 5 em Lá Maior (6:05)
No. 6 em Dó Maior (8:06)



Interpretação a cargo do Wiener Mozart Ensemble, sob a direcção do saudoso Willi Boskovsky.

Boa audição!
 
Ver mais
 
 
The dances are in the following keys: - No. 1 in B flat major (0:00) - No. 2 in E flat major (1:25) - No. 3 in G major (2:54) - No. 4 in D major (4:32) - No....
youtube.com
 
 



6/7 de Dezembro de 1791
Efeméride mozartiana



[Aproveitando textos escritos num passado mais ou menos recente, passo a transcrever um publicado na edição de 6 de Dezembro de 2007 do 'Jornal de Sintra'. Seguir-se-á outro, já amanhã, que completa a matéria]

O enterro de Mozart (1)

A ideia de que Mozart morreu na miséria, totalmente desamparado, de tal modo que ninguém acompanhou os seus restos mortais até à vala comum dos indigentes, no cemitério central de Viena, não corresponde, de modo algum, à veracidade dos factos, como terão oportunidade de concluir se acompanharem os artigos que hoje iniciamos.

Porém, a gravura da autoria de Pierre Roche de Vigneron (1789-1872), com o carro funerário apenas seguido por um cãozito triste e cabisbaixo, fez um caminho de tal modo persuasivo, acomodando-se ao imaginário de sucessivas gerações que, praticamente, só os estudiosos sabem qual o valor a atribuir à imagem, já que a cena, repito, nada tem de real ou verdadeiro.

Não há a certeza absoluta de que o enterro de Mozart, falecido a 5 de Dezembro de 1791, tenha acontecido no dia seguinte ou dois dias depois da data da morte. Seja como for, a publicação deste artigo, hoje dia 6 de Dezembro, para além do principal objectivo de que darei conta um pouco mais à frente, também pretende comemorar a efeméride.

Durante o ano jubilar de 2006, por ocasião do ducentésimo quinquagésimo aniversário do nascimento de W. A. Mozart, tive oportunidade de aqui publicar oito artigos, através dos quais procurei divulgar uma série de ideias que poderão contribuir para a imprescindível desconstrução de fantasias que se colaram à memória do compositor.

Começaria por confirmar que tão modesto é o alcance do meu labor à volta de Mozart, que muito satisfeito me consideraria se, em resultado desses escritos, entre as muitas novidades de que fui portador, alguns dos meus leitores puderam encontrar suporte, por exemplo, para deixarem de considerar Mozart-menino, como o prodígio explorado por um tirano pai que só pensava obter chorudos proventos dos filhos maravilha; ou passaram a melhor entender a relação de Mozart com o dinheiro, ele que não era, nunca foi nem morreu miserável; que aprenderam as suas maleitas, o seu carácter, a sua paranóia; ou que concluíram como nem Salieri nem a Maçonaria tiveram algo a ver com a sua morte.

Efectivamente, na História da Cultura Ocidental do século dezoito, dificilmente encontraremos outro grande criador de Arte cuja biografia tenha sido mais deturpada. Durante o Romantismo, falseou-se muita coisa acerca da vida deste Amadé (como gostava de se assinar), e, entre o muito que se inventou, abundam os artefactos.

O veneno de Salieri

Só em relação às lendas sobre a morte, poderíamos considerar uma ilustríssima genealogia. Primeiramente, foi o próprio António Salieri (1750-1825), aparente rival e grande admirador do génio de Salzburg que, muito transtornado, totalmente senil, nos seus setenta e quatro anos, se declarou culpado pelo assassinato de Mozart. Nesse ano de 1824, entre 21 e 25 de Janeiro, o surdo Beethoven que, praticamente, só comunicava com os amigos através de um bloco de notas, escrevia: “(…) O Salieri está muito mal. Anda transtornado e a insistir que é culpado da morte do Mozart e que lhe deu veneno (…)”.

Baseado nas absurdas confissões de Salieri, que rapidamente se propagaram por toda a Viena e dali para além fronteiras, Puchkine (1799-1837) escreve um drama que Nicolai Rimski-Korsakov (1844-1908) aproveitará como argumento da sua ópera Mozart e Salieri (1898). Daí foi um passo, até à peça de teatro "Amadeus" do dramaturgo Peter Schäffer que, tomada como argumento, o realizador Milos Forman imortalizou no filme homónimo.



(continua)




4 de Dezembro,
Francisco Sá Carneiro,
a minha prejudicada memória
 
 
[publicado no facebook em 5.12.2015]
 
"Se a situação (Snu Abecassis) for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo." [Francisco Sá Carneiro, Correspondência, 1977]
 
 
Nos últimos dias, nas últimas horas da sua vida antes de entrar no Cessna, o mesmo homem, que escreveu estas palavras tão bonitas, destilou veneno contra António Ramalho Eanes, cuja candidatura à Presidência da República se opunha à de Soares Carneiro, apoiada pelo então Presidente do PPD e Primeiro Ministro.

Quem, como eu, achou que não foi bonito de ver e ouvir, ficou com uma memória prejudicada do homem corajoso, do democrata a quem o país não deixa de dever serviços inestimáveis, inclusive, antes do 25 de Abril, enquanto deputado da designada 'Ala Liberal' da Assembleia Nacional do regime fascista.

Francisco Sá Carneiro era um homem muito interessante. Se assim não fosse jamais teria havido «caso» com a mulher absolutamente fascinante que era Snu Abecassis, uma ligação de amor acerca da qual há esplêndidos testemunhos de quantos com eles privaram na altura, tais como, por exemplo, o Prof. António Damásio e Natália Correia.

Não posso deixar de lembrar que ele foi não um dos mas «o» mentor da ideia de que o Partido Comunista, e todos quantos com ele pudessem estar relacionados, eram proscritos que não tinham lugar na Democracia em construção, passados que, então, apenas eram seis anos depois de 25 de Abril.

Esta, aliás, como tão bem temos presente, a ideia aos quatro ventos propalada por Coelho, Portas e deputados do PPD e CDS, segundo a qual o actual XXI Governo Constitucional é ilegítimo, ideia que radica na circunstância de António Costa ter tido o supremo topete de considerar que os votos dos eleitores do PCP, BE, PEV são tão democraticamente válidos como os demais.

Há um documento notável que ilustra quanto venho escrevendo nas linhas supra e que, além disso, também sustenta o grande projecto de FSC de liderar uma maioria parlamentar, de ser o Chefe do Governo gerado por essa maioria e de se articular com um PR de sua inequívoca preferência, ou seja, um Governo, uma maioria, um Presidente. Aí está o documento, a última declaração política gravada por Sá Carneiro.
 
 
 
 
Último tempo de antena de Francisco Sá Carneiro 4 de Dezembro de 1980.
youtube.com


 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015


4 de Dezembro de 1791
Efeméride mozartiana



Horas antes da morte, Mozart sentira-se melhor. No dia 4 de Dezembro promove um ensaio do ainda inacabado Requiem. A Süssmayr dá conselho e instruções acerca de como terminar a peça. Amigos do Freihaustheater cantam algumas das páginas já compostas, com a partiucipação do próprio Mozart. Ao fim da tarde, mantém-se lúcido. Contudo, vem a falecer cerca de cinco minutos antes da uma da manhã, portanto, já no dia 5 de Dezembro.

Proponho que escutem a parte que, sem margem para qualquer dúvida, estava integralmente composta no dia em que Wolfgang Amadeus Mozart morreu. Sir Colin Davis dirige a Orquestra e Coro do Estado da Baviera e Edith Mathis, soprano, é a voz solista.


Boa Audição!
 
Ver mais
 
ORIGINAL PITCH ~ K. 626 in D minor The first movement (Introitus) of Mozart's Requiem Mass with…
youtube.com
 


Eça de Queiroz,
opinião incontestável
 
 
 
Como sabem, todos os dias, faço uma caminhada de seis quilómetros através de percursos sempre de grande privilégio. Um deles coincide, precisamente, com o dos passos de Eça de Queiroz quando, em Sintra, passava as suas temporadas com a família, obrigado que era a palmilhá-lo para ir e voltar a casa.
 
Refiro-me, como sabem os meus amigos e vizinhos, ao Caminho dos Castanhaes onde, hoje mesmo, acabei de passar pela pequena quinta que ele alugava. De lamentar, no entanto, que caminho tão especialmente cativante, belíssimo em qualquer altura do ano, tão apetecível no Outono, permaneça, há tantos anos, em estado de degradação incompatível, com as memórias e a dignidade do lugar.

Quase todo em terra batida, no Inverno, sem uma drenagem capaz das águas das chuvas, chega a ficar parcialmente intransitável. É um dos percursos entre quintas, com tal carga de características, reais e virtuais, que bem poderia ser um dos mais procurados desta terra. Assim houvesse gente à altura...

"Tudo em Sintra é divino. Não há cantinho que não seja um poema"[Eça de Queirós, Os Maias, 1888]

Pois é. Entretanto, desconhecendo o que seja e - pasme-se! - até onde possa ficar o Caminho dos Castanhaes, afinal tão próximo do Centro Histórico, não deixam os «responsáveis» de continuar a promover a campanha nos termos da qual Sintra é vendida como um 'produto', repleto de slôganes, com a marca de "capital do romantismo"...

É por estas e por outras que, muito dificilmente, alguém poderá surpreender-se com a opinião de um Lord Southey que, há cerca de duzentos anos, afirmava: "Cintra is too good a place for the Portuguese; it is only fit for us Goths, for German or English»..."

Se tudo em Sintra é divino e não há cantinho que não seja um poema, até parece haver quem esteja apostado em demonstrar o oposto. 'Ele' há gente para tudo!
 
 
 
 
“Tudo em Sintra é divino. Não há cantinho que não seja um poema.”
Eça de Queirós, Os Maias, 1888
Credits PSML - Wilson Pereira
 

Nino Rota,
Milão, 3.11.1911 - Roma, 10.4.1979

Abordagem I

[publicado no facebook em 3.12.2015]

Melómanos que, em simultâneo, também são indeclinávei cinéfilos, consideram indissociáveis as obras de Nino Rota e de Federico Fellini. Daí que, no aniversário do compositor, vos proponha o visionamento de "Prova d' Orchestra", filme datado de 1978, que, imerso no universo da Música, é uma grande alegoria.
 
Ali convivem a repressão do poder sobre o indivíduo, um percurso de matizes do exercício do poder, desde o mais assertivo autoritarismo até à anarquia. No felliniano aproveitamento do perfeito cenário, a morte contracena com a vida na afinação dos instrumentos...

Um ensaio de vida em que a orquestra sinfónica é a humanidade, cada pessoa um instrumento. Nas alegrias, tristezas, frustrações, ali estamos todos, incluindo o louco, o superficial e fútil, o saudosista. Mais ou menos, todos são protagonistas. Afinal, como na vida.

Este filme ainda encerra a particularidade de ter contado com a última colaboração de Nino Rota para a concepção da sua banda sonora. Filme verdadeiramente IMPERDÍVEL mesmo que, como eu, já o tenham visto não sei quantas vezes. Eis 70 minutos de grande Arte! Bom visionamento! Se precisarem, poderão accionar o apoio de legendas em castelhano.

PS:Ainda a chamar a atenção para a Abordagem II que publicarei mais tarde para partilha de uma obra do compositor sem relação com o cinema.
 
Ver mais
 
 
Prova do orchestra (1978) | Federico Fellini (SUBTITULADA EN ESPAÑOL)
youtube.com
 

_____________________________________________

Nino Rota,
Milão, 3.11.1911 - Roma, 10.4.1979
Abordagem II


Em Salzburg, no Museu da cidade, há já uns bons anos, vi uma exposição extremamente bem concebida sobre a vida e obra de Nino Rota. Nessa oportunidade confirmei a ideia de que, muito para além da sua articulação com a Sétima Arte - e, em especial mas não exclusivamente, com Federico Fellini, como autor de belíssimas páginas de bandas sonoras - Nino Rota tem uma obra ainda hoje quase por descobrir.

Exemplo desta opinião é a peça que passo a propor-vos, sem qualquer enquadramento, tal qual, numa primeiro contacto, sempre me habituei a fazer, para que, se for esse o caso, possam partir para a consulta de elementos que propiciarão um outro e mais aprofundado entendimento da obra.

Então, eis a Sinfonia No.3 de Nino Rota, datada de 1956/57, com os seguintes andamentos: I. Allegro, II. Adagio con moto, III. Allegretto mosso, IV. Vivace con spirito. Interpretação a cargo da Orquestra Sinfónica de Norrköping sob a direcção de Ole Kristian Ruud. Para quem ainda desconhece, pois que seja uma boa descoberta.

Boa Audição!
 
Ver mais
 
 
Nino Rota (1911-1979): Sinfonia No.3, in do Maggiore (1956/1957). I. Allegro II. Adagio con moto III. Allegretto mosso IV. Vivace con spirito Norrköping Symp...
youtube.com
 
 
 
 
 


 
 


3 de Dezembro de 1729
Efeméride ibérica


[publicado no facebook em 3.12.2015]

Há duzentos e oitenta e seis anos, em 3 de Dezembro de 1729, Olot (Catalunha), nasceu Antonio Francisco Javier José Soler Ramos, o famoso compositor e Padre Antonio Soler (m.1783) a quem se deve a peça que vos proponho, um estupendo 'Fandango', em magistral interpretação de Andreas Staier no cravo.

Boa audição!

 
Ver mais
 
 
Soler :Fandango for harpsichord Andreas Staier harpsichord (copy of german instrument from the school of Silbermann) teldec
youtube.com
 



3 de Dezembro
Dia de São Francisco Xavier
 
[publicado no facebook em 3.12.2015]

 
Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo y Aznáres, mais conhecido como Francisco Xavier, por ter nascido, em Xavier, no dia 7 de Abril de 1506, faleceu em Sanchoão, em 3 de Dezembro de 1552, celebrando-se hoje o seu dia. Um dos mais célebres missionários, padroeiro dos missionários, com Santo Inácio de Loyola fundador da Companhia de Jesus, é figura máxima da hagiografia cristã.
 
Em Lucerna - cidade suiça à qual me sinto particularmente ligado, desde o tempo em que, com meu pai, ali comecei a frequentar o Festival que, ainda hoje, continua como um dos mais abençoados lugares para a celebração da grande música - há uma igreja de São Francisco Xavier, onde me sinto particularmente bem. Aí ouvi excelente música. Um bom exemplo é o da proposta que, de imediato, vos apresento.

Eis Et incarnatus est do Credo da célebre Missa KV 427, de Mozart, na voz de Arleen Auger, Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks sob a direcção de Leonard Bernstein. Gravado naquela igreja de São Francisco Xavier, é um soberbo momento musical em que honramos também o grande santo.

Boa audição!
 
 
 
Mozart Great Mass in c minor kv. 427 10. Et Incarnatus est Arleen Auger Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks Leonard Bernstein
youtube.com
 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015




João Lacerda Távares
Opinião do homem certo no lugar certo

 
 
 
 
Página oficial da Assembleia Municipal de Sintra
assembleiamunicipal.cm-sintra.pt|De Cristina Correia