[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015





Saudação de Natal

[transcrição da publicação no facebook em 17.12.2015 e reacções subsequentes]


Neste Natal de 2015, já há razões para acreditar que, de facto, estão a chegar melhores dias para os portugueses mais desfavorecidos, que tanto nos preocupam. Por isso, nesta quadra, sempre tão marcada por evitável hipocrisia mercantil, eis a esperança renovada.

Por pouco que seja, já há quem alivia sacrifícios que tanto apoquentam. Sinal de alegria nos dá o coração! É tempo de partilhar e gozar esta alegria, esta esperança tão concreta, que pensa, tão a sério, no bem-estar do outro.

Palpitam e soltam-se as palavras simples, directas, convenientes à comunhão da verdade. E, 'Deo gratias', já andamos ao pontapé aos esgares crispados dos discursos do tempo velho.

É isto que abraço ao formular o meu voto de Santo Natal para todos os que por aqui passam e me acompanham. Por ser este o tempo, também um especial presente. É o imortal Liszt quem oferece 'Ehemals' [noutros tempos], felicíssima «pernada» da sua "Weinachtsbaum" [Árvore de Natal], pelas abençoadas mãos de Horowitz.


Boa Audição!


António Manuel Pessanha António Fernandes Lourenço António Pedro Mendes António Cunha Leal Manuel Serranito Ferreira António Antonio Cazal-Ribeiro, António Florêncio Ana Margarida Oliveira Martins, Ana Paula Russo, Ana D'Oliveira, Ana Viegas, Ana Lucia Santos, Ana Maria Godinho Costa, Ana Luísa Ferreira Rodrigues, Ana Paula Sena Belo, Ana Benavente, Ana Paula Rodrigues, Rui Bernardo Amadeu, Narciso Bernardo, Carlos Moreira Andrade, Carlos Gordo, José Carlos Oliveira Domingues, Carlos Marques, Carlos Vargas, Carlos Alberto Martins Vintem, Coco Da Silva Duarte Maria Da Conceição Magalhães Catarina Pinto Catarina Pimenta Santos Catarina Montoito Maria Da Graça Pedroso João Dias da Silva, Conceição Roquette, Emilia Reis Maria De Fátima Ribeiro Fátima Lopes Maria De Fátima Campos, Vanessa Diniz, Antonia Raminhos Avelino Couto Zélia Couto E Santos Ana Couto Fernando Cunha Cunha Fernando Marques Fernandes Fernando Ávila Fernando Andrade Fernando Morais Gomes Anne Victorino d'Almeida M Manuela Bravo Serra Manuel Estêvão José Manuel Goncalves Luis Manuel Batista Batista Manuel Rocha Manuel Joaquim Maria Teresa d'Avila Maria João Pereira Rodil Maria Joao Forjaz Maria Teresa Botelho Medeiros Maria João Baptista Mariadejesus Caimotoduarte Nelma Mariano Maria Helena Evangelista Mário João Machado, João Rodil João Trindade Duro João De Mello Alvim Jose Luis De Moura José Anes José Ribeiro José Ávila Jose d'Andrade-Santos José Rodrigues Dias José Quintela Soares Pedro Nunes Cachado Pedro Macieira Pedro Oliveira Pedro Tomé Rui Mateus Rui Mourão Rui Faustino Paulo Parracho Paulo Verissimo Paulo Gama Paulo Oliveira Paulo Loução Manuel Rocha Vasco Dantas Rocha Esperança Rocha Vítor Oliveira Martins Nuno Vieira de Almeida Eduardo Castro Esteves Margarida Ferreira Cidalia Ferreira Ana Luísa Ferreira Rodrigues João David Pinto Correia Elsa Monteiro Isidro Cláudio Cardoso Marques Marilisa Crespo George Amaral Calmao Jorge Menezes Jorge Telhada Jose Correia Margarida de Lemos Margarida Mouzinho Maria De Jesus Cachado Luís Miguel Lavrador Luis Galapito Luis Manuel Batista Batista Luís Galrão Luis Cachado Goncalo-sandra Cunha Sandra Esteves Julia Cunha Joaquim Pessanha Joaquim Pereira Zaza Carneiro de Moura Patrícia Ávila Luís Miguel Lavrador Miguel Crato Miguel Garcia Ricardo Duarte Ricardo Pinto DeCastro ECésar André Cunha Leal André Rabaça Andre Alves Gabriel Cruz Gracinda Cruz Cristina Carvalho Piedade Braga Santos Vanessa Alexandra Roque Ramos Vanessa Rodrigues César Alexandre Alexandre Gouveia Aveiro Paula Amaral Cachado Irene Anjos Hugo Saraiva Gracinda Gomes Do Carmo Isabel Oliveira Nuno Maior Nuno Teodósio Oliveira Joao Gois Ramalho Bruno Moraes Maria Do Ceu Morais Francisco Mouzinho Francisco Garcia Inês Costa Ivo Costa João Trindade Duro Teresa Alves Teresa Alves Logrado Vasco Alves Sergio Gonçalves
 
 
Horowitz plays Liszt "Ehemals" from Weinachtsbaum (DG studio recording 1988)
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Comments
George Amaral Calmao Professor, sinto-me privilegiado em me incluir nesta sua mensagem de Natal e por tudo o mais. Estarei a partir de amanhã em viagens longas. Bem hajas e muito Feliz Natal
Ana Paula Rodrigues Obrigada Professor e um Feliz Natal.
João Rodil Boas Festas também para ti e toda a Família. Abraço fraterno.
César Alexandre Um grande abraço João De Oliveira Cachado, com os desejos de um santo Natal e Próspero Ano Novo para ti e família.
Maria Teresa Botelho Medeiros Obrigada , João. Santo Natal.
Maria Helena Evangelista Agradeço os votos e desejo-lhe um Natal cheio de Luz e Paz!
Maria De Fátima Campos Muito obrigada. Um Santo e Feliz Natal.
José Ribeiro Agradeço e desejo Boas Festas.Um abraço.
Antonio Cazal-Ribeiro Que a tua Luz não se apague nunca! Festas felizes para vós. Recebe aquele fraternal abraço!
Paulo Gama Festas felizes meu caro João. Aceita o Abraço Fraterno que nos Une e Distingue.
Luis Galapito Obrigado e Retribuo para si e todos os seus Familiares Com Muita Saúde, Paz e Amor. Beijos, Abraços & Sorrisos. Familia Galapito, Ldª.
Vasco Alves João, beijos de Boas Festas para toda a família
António Manuel Pessanha Obrigado, querido primo, pelo belo presente. Para além das tuas palavras de Esperança na Humanidade, que partilho e que o Natal resida permanentemente nos nossos corações. Que seja o despertar da nova Vida, da Nova Jerusalem, que já iniciámos a viver e terá de continuar.
Piedade Braga Santos Muito obrigada João de João De Oliveira Cachado! Boas Festas para si e toda a família!
Ana D'Oliveira Muito obrigada, mano - Até já, beijinho ao vivo - : ) x
Luis Cachado Obrigado João De Oliveira Cachado! Boas Festas, um Santo Natal e um Bom Ano 2016 para toda a família!
Manuel Estêvão Um forte abraço, caro Amigo. Obrigado, pelos votos, que retribuo, pelas palavras de esperança, que compartilho e pelo belo presente musical, com que me deliciei. Felicidade!
António Cunha Leal Obrigado Amigo João. Um Natal Feliz para ti e para todos vocês. Um ano novo bom para todos nós a teu lado. Desejo-te / nos um ano em que a cultura e a ciência possam iluminar o nosso futuro colectivo e que o bom senso possa iluminar o nosso caminho.
Fernando Marques Fernandes Meu mui querido amigo, que as suas bondosas visão e crença num tempo melhor, que sei genuínas, se concretizem. Eu, tendo reserva quanto ao que o futuro nos possa ditar, abraço-o nesta estima e admiração profundas que tenho por si, a quem desejo um feli...Ver mais
Fátima Lopes ..... Palpitam e soltam-se as palavras simples, directas, convenientes à comunhão da verdade....... Que não seja só nesta época mas sim durante 365/6 dias de cada que haja a Paz, Alegria e principalmente o Amor nos corações das pessoas, mas que seja um Santo e Feliz Natal, meu Amigo João De Oliveira Cachado. Beijinhos
Vasco Dantas Rocha Obrigado, caro João De Oliveira Cachado pela partilha e pelos desejos e votos de um feliz Natal. desejo igualmente o mesmo para si e tenho igualmente esperança para o futuro do nosso país, que se aparenta um pouco mais promissor.
Um grande abraço!!
Emilia Reis Muito obrigada, João, pelas suas palavras de esperança e, também, pela bela música que aqui partilhou. Desejo para si e para a sua Família um Santo Natal e, muita Paz e harmonia para 2016. Um beijinho.
M Manuela Bravo Serra Obrigada caro João De Oliveira Cachado e permita-me que lhe envie também um presente virtual ... já que os 'tempos' são de grande ventania e não tão esperançosos como diz.... espero que René Jacobs seja do seu agrado... Um Santo Natal com muita Paz e Saúde para Si e todos os Seus : https://youtu.be/zKTe4au1ggk
Johann Sebastian Bach (1685-1750) Cantata BWV 205, 'Dramma per musica': Zerreißet, zersprenget, zertrümmert die Gruft (3 August 1725) Pallas (Soprano) - Efra...
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Nelma Mariano Obrigada. Agradeço e retribuo os votos de Boas Festas.
Manuel Joaquim Obrigado, caro João. Com um abraço, voto de Festas Felizes.
Vítor Oliveira Martins Agradeço imenso constar desta lista e desta marcacao, onde estão palavras tão genuínas e sentidas.

Retribuo as boas festas. Um grande, grande abraço.
Joaquim Pessanha Agradeço e retribuo as Boas Festas.....daqui do calorzinho do Brasil, Abraço
Maria João Baptista Regressada de um magnífico serão onde assisti a uma opereta baseada no poema O Corvo, de Edgar Allen Poe (tradução do Pessoa) e interpretada pela poderosa voz do barítono Rui Baeta, delicio-me agora com esta sua Saudação de Natal ao sabor de uns Guylian. E lá me vem de novo a recordação das cerejas. Desta vez no topo do bolo.
Retribuo os votos com mto mto carinho e saudade.
Cremilde Conceicao Pars todos tambem desejo Boas Festas com Muita. FELICIDADE .
Ana Margarida Oliveira Martins Um muito Feliz Natal, Professor, para si e para todos os seus! Beijinhos!
Avelino Couto Um grande abraço e desejos de uma Boas Festas, com saúde e paz
Maria João Pereira Rodil Obrigada meu querido João. Uma preciosa prenda que guardarei no meu Emoji heart. Um Santo Natal para todos nós. Um beijinho amigo
Teresa Alves Logrado Obrigada querido tio. Um Feliz Natal! Beijinhos
Carlos Vargas Obrigado, João. Boas Festas !
Rui Bernardo Amadeu Obrigado Amigo João, Boas Festas também para si e respectiva Família. Grande abraço
Maria De Fátima Ribeiro Muito obrigada João, para ti e para os teus Um Santo Natal. Beijos
Luís Miguel Lavrador Emoji smile Um Santo e Feliz Natal, meu caro João De Oliveira Cachado. Um forte e caloroso abraço
Jose Luis De Moura Os melhores votos para si e sua Família. Obrigado pelo diálogo estimulante . Abraço para 2016
Maria Joao Forjaz Lindo! Muito obrigada, João! Boas Festas para todos.
João David Pinto Correia Obrigado, João de Oliveira Cachado, também Festas Felizes e sobretudo um bom 2016. Tenho lido todos os meses os bons contributos para a LP publicados no TEMPO LIVRE. Abraço.
Rui Mourão Feliz Natal Amigo! Paz e saúde para toda a familia e amigos.Emoji smile
Margarida Ferreira Feliz natal. Beijinhos bem grandes para todos.
Ervanaria Chaca Agradeço e retribuo boas Festas para si e para os seus.
Fernando Andrade Muito obrigado pelos votos formulados e por me incluir em tão honrosa lista. Festas Felizes para si e para os seus, ilustre amigo João De Oliveira Cachado
Helena Vaz Gomes Um feliz Natal!
José Anes Feliz e Santo Natal!
Manuel Rocha Feliz e Santo Natal, João De Oliveira Cachado. E um esperançoso novo ano.
 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015



Marte Português
 
 
Sempre atento às efemérides culturais, o nosso querido amigo Fernando Morais Gomes, Presidente da Alagamares Cultura, acaba de chamar a atenção para Afonso de Albuquerque cuja morte ocorreu há precisamente meio milénio.
 
Filho que sou de outras eras, habituei-me, tanto em casa como na escola, que me falassem acerca da grande figura que foi, nomeadamente, para os seus feitos no Oriente. Vivendo na zona de Belém, muitas vezes brinquei na Praça que, fronteira ao Palácio, tem o seu nome e estátua veneranda. De facto, outros tempos, outra Educação, outra gente.
 
Como é público e patente nada consta que lembre ao grande público aquele cujos epítetos de o «César do Oriente», o «Grande», o «Leão dos Mares», o «Marte Português» e o «Terrível», não indiciariam esquecimento tão sintomático. No entanto, os dias que vivemos são propícios a «ausências» que tais...

A quem possa interessar, lembremos que o Arquivo Nacional da Torre do Tombo terá patente a exposição "Afonso de Albuquerque, 500 Anos: Memória e Materialidade, entre 15 de Dezembro e 23 de Janeiro de 2016.

Amanhã, 17 de Dezembro, às 16h00, evocação no Palácio da Independência, com entrada Livre.
Em Alhandra, onde nasceu, e no concelho de Vila Franca de Xira de que aquela vila é uma freguesia, o filho mais ilustre da terra merecerá um programa de comemorações especial e específico.
 
 
F
 
Fernando Morais Gomes
7 h

Faz hoje 500 anos morreu Afonso de Albuquerque, herói desassombrado da Expansão Portuguesa, o Albuquerque Terribil dos mares da China e de Ormuz. Na nossa impre...nsa, nada. Fosse ele herói de um reality show ou autor de um desfalque na banca e todo o prime time seria seu. Erros meus, má fortuna, amor ardente...
 

 

 

 






16 de Dezembro de 1770
Nascimento de Ludwig van Beethoven (m.1827)
 
Celebrando a efeméride, eis uma peça cativante, de evidente jovialidade, que raramente,se ouve em concertos de música de câmara, o Duo No. 2 em Fá Maior para clarinete e fagote, WoO 27.2, composto entre 1790 e 1792. Interpretação a cargo de Rino Vernizzi, fagote e Corrado Giuffredi, clarinete, membros do Ottetto Italiano.

Boa Audição!
 
 
 
 
Ludwig van Beethoven (1770 - 1827) Duo 2 for clarinet & bassoon in F major - WoO 27:2 Duo 2 för klarinett &…
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015



Mozartwoche 2016
Harnoncourt substituído por Heras-Casado


Devido aos motivos de saúde há dias largamente aludidos, o querido Maestro não dirigirá um dos habituais três concertos da Orquestra Filarmónica de Viena no Grosses Festspielhaus que a Mozartwoche acolhe. Portanto, tal como dei a entender, será substituído. E já se sabe que Pablo Heras-Casado foi o escolhido pelo Mozarteum.
...
O programa do concerto, que ocorrerá em 30 de Janeiro de 2016, mantém-se inalterado. Totalmente dedicado a Felix Mendelssohn Bartholdy, inclui a Sinfonia No. 3, op. 56, o Salmo "Wie der Hirsch Schreit op. 42 e a Abertura de Concerto Nr. 4 em Fá Maior, op. 32.

A exemplo do que há tantos anos acontece, se Deus quiser, lá estarei. Mais recentemente, passei a remeter-vos os meus comentários. Pois podem continuar a contar com eles.
 
Ver mais
 
 
 
 
Nikolaus Harnoncourt hat der Stiftung Mozarteum Salzburg in einem persönlichen Brief mitgeteilt, dass er seine Mitwirkung an der bevorstehenden Mozartwoche absa...gen muss. Wie seit kurzem bekannt, zieht sich Nikolaus Harnoncourt von seiner aktiven Dirigentenlaufbahn komplett zurück. Pablo Heras-Casado, der das Vertrauen von Nikolaus Harnoncourt genießt, wird das dritte Philharmoniker-Konzert bei der Mozartwoche 2016 am Samstag, dem 30. Jänner um 19.30 Uhr im Großen Festspielhaus dirigieren; das Programm bleibt unverändert. Karten sind unter tickets@mozarteum.at erhältlich.
 

 

 
 




15 de Dezembro de 1790
Efeméride mozartiana
 
 
Em Viena, há precisamente 225 anos, Haydn partia para Londres e Mozart despedia-se deste seu amigo e Irmão Maçon, desconhecendo que seria a última vez que o via em vida.
 
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Ultrapassando os trâmites desta efeméride, mas a propósito, gostaria de lembrar que, cinco anos antes, portanto, em 1785, na mesma cidade, tinham sido publicados os designados "Quartetos Haydn", o famoso conjunto de seis quartetos de cordas que Mozart dedicara a Haydn, compostos desde 1782 até então.
 
Franz Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart foram bons amigos, bons Católicos, ambos Irmãos da mesma Loja Maçónica de Viena e, entre outras excelentes características pessoais que partilhavam abundantemente, foram geniais músicos que não hesitaram em evidenciar pública nota de quanto mutuamente se estimavam.

Foi em 1 de Setembro de 1785 que, em Viena, Mozart redigiu e assinou a célebre dedicatória dos seus quartetos para cordas, que ficaram conhecidos como ‘Quartetos Haydn’, i.e., os KV 387, K V421, KV 428, KV 458, KV 464 and KV 465, que terão sido estilisticamente influenciados pela série da Op. 33 de Haydn datada de quatro anos antes.

Convém ter em consideração que a dedicatória em apreço é tanto mais extraordinária quanto não era habitual que o dedicatário não fosse um aristocrata.

Eis alguns excertos em tradução muito livre:

“Certo pai, prestes a enviar seus filhos mundo fora, pensou seria seu dever confiá-los à protecção e orientação de um senhor muito célebre nessa altura e que, por maioria de razões, era o seu melhor amigo. De igual modo, lhe envio eu os meus seis filhos […] Nestes termos, por favor, receba-os o melhor possível, e trate-os como pai, guia e amigo! […] Encarecidamente, contudo, lhe peço a maior indulgência para os erros que, eventualmente, possam ter escapado aos olhos do pai e, apesar deles, que continue dispensando a sua generosa amizade com quem tão altamente a aprecia”.

Famosas são algumas «trocas de galhardetes» entre os dois compositores, directamente ou por entreposta pessoa. Por altura das respectivas efemérides, como é meu hábito, procurarei partilhá-las convosco. É que, de facto, não gosto de recordar tais episódios desgarradamente, ou seja, sem motivo que determine a sua presença no meu mural.

Agora, dessa «fabulosa meia dúzia», eis que vos propicio, interpretado pelo Quarteto Hagen - dos mais famosos em qualquer latitude, gente de Salzburg com quem, enfim, tenho envelhecido - gravado na Grosse Saal do Mozarteum, o KV 465, que se tem celebrizado como 'Quarteto das Dissonâncias'.
Será o mais célebre porque, não raro, se pede a alguém que identifique o compositor fazendo ouvir o primeiro minuto e meio do primeiro andamento. Parece tão avançado no tempo que os não iniciados muito dificilmente acertam.

Boa audição!
 
 
 
 
Wolfgang Amadeus Mozart String Quartet No 19 K 465 Dissonance dedicated to Joseph Haydn Hagen Quartet The "Haydn" Quartets by Wolfgang Amadeus Mozart…
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15 de Dezembro de 1885
Morte do rei D. Fernando II (N. 1819)



É o aniversário da morte mas, no do nascimento, a não ser por iniciativa da Parques de Sintra, o mesmo aconteceu. Sintra deve-lhe tudo. E, como é natural numa «terra de gente muito distraída», nenhuma comemoração oficial, cerimónia formal ou encontro mesmo informal, foram programados para o dia de hoje.

Parece impossível mas é mesmo assim. O institucional reconhecimento de Sintra a D. Fernando II concretiza-se nesta lastimável mas bem sintomática ausência. Neste caso, ignorar, não marcar a data com sinais inequívocos de gratidão e de homenagem é mesmo um «crime de lesa-majestade»...

Hoje, tenho a certeza, não sou a avis rara que se sente envergonhada pelo desrespeito institucional por quem tanto amou Sintra e a quem Sintra tudo deve. Há amigos com quem já falei que comungam deste desgosto.

Todavia, como sentir qualquer surpresa? Alguma vez o prevalecente nível cultural geral poderia suscitar outra atitude? Esquecido? Sim, embora continue vivendo à custa do que D. Fernando investiu, o burgo é incapaz de um gesto de mínima nobreza.

Como o tenho sempre presente, passo a transcrever um texto que datei de 9 de Maio de 2012. Como poderão verificar, é mesmo alguém cuja memória cultivo acima de muitas outras. Ao Arq. António Nunes Pereira, querido amigo, Director do Palácio da Pena, para quem D. Fernando é preocupação diária, também um abraço com muito afecto.

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D. Fernando II,
a Pena e a infelicidade de Portugal


Anteontem, num início de espessa tarde de chuva certa e miúda, depois de passar a entrada principal do Parque, lá segui ao encontro do meu amigo Arq. António Nunes Pereira, Director do Palácio da Pena. Vencendo a íngreme vereda em direcção ao Picadeiro, apesar de tão singular beleza à minha volta, não conseguia libertar-me de recentes preocupações que a situação do país coloca.

Naturalmente, lembrei-me do senhor D. Fernando. Conheço de cor as palavras de uma carta para Ernesto de Coburg na qual, mais uma vez, repetia a sua visão da pátria adoptiva como país infeliz com todas as possibilidades para a felicidade: "(…) É pena que Portugal, criado verdadeiramente pelo céu para ser unicamente feliz, não chegue a compreender quão salutar lhe seria, nestes tempos, um pouco de sentido prático. Portugal com bom senso poderia ser tão feliz (…)".

Passados uns cinco minutos, chegado ao pátio de entrada, o Arq. Nunes Pereira esperava-me à porta. Subimos até ao seu gabinete e, de um momento para o outro, mal nos sentávamos, eis que Richard Wagner, Parsifal, Kundry, o Votan Viajante, D. Fernando e a Condessa d’Edla, Gwineth Jones, Birgit Nilsson, Waltraud Meier, Götz Friedrich, Peter Stein, José Augusto França, Abbado, Rattle, Karajan, Petrenko se nos juntavam para uma boa hora de turbilhão de conversa em que trabalho e a melomania diletante e muito, muito wagneriana de ambos se mesclaram em dose qb.

À saída, ainda com o mesmo ambiente daquelas chuvosas tardes de serra primaveril, D. Fernando voltava a insinuar-se. Doutra carta “(…) Sintra é de facto um sítio magnífico, que não se deixa comparar facilmente com outras regiões. A minha querida Pena é, conforme o meu critério, a coroa da região sintrense. Ainda ontem passámos lá uma das tardes mais maravilhosas que se podem imaginar e regressámos a casa ao luar. Não existe algo de mais belo do que uma das tardes locais, porque a luz é quase sempre serenamente bela e todas as coisas se mostram numa nitidez muito especial (…)”

De regresso, por ali abaixo, o país continuava no desassossego do costume. Enfim, tal como há centenas de anos… Pois, se bem se lembram, a famosa ‘piolheira’, a ‘choldra ingovernável’ e quejandas avaliações de tão ilustres e reais pessoas… Porém, completamente tomado pela melopeia da passarada que, tal como eu, adora a boa chuvinha certa, densa e miúda, nem dei pelos quilómetros até casa onde, mal chegado, logo me pus à procura das cartas de D. Fernando para vos poder citar o excerto do parágrafo anterior.

Seguidamente, com um bom copo de Colares por companhia, recolhi-me ao II Acto de “Parsifal”. Socorro-me da gravação ao vivo do Festival de Bayreuth de 1985 que presenciei. Ouço a Kundry de Waltraud Meier, o Parsifal de Peter Hofmann, a orquestra do festival dirigida por James Levine e, subitamente, garanto-vos, estava na Pena outra vez. E, tal como Richard Strauss, quando ali esteve, aquele era mesmo o jardim de Klingsor e lá em cima, o castelo do dito cujo…
 
Em minha casa, em Sintra, outra vez o subido privilégio da Pena. É o que me vale…
E, como não podia deixar de ser, aí têm um pequeno excerto do II Acto de "Parsifal". A Kundry é a mesma Waltraud Meier.

Boa audição!
 
 
 
Parsifal (Richard Wagner) Acto II Waltraud Meier (Kundry) Christopher Ventris (Parsifal) Kent Nagano (Conductor) Deutschr Symphonie-Orchester Berlin
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