[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 14 de março de 2017





A Transparência em tratos de polé!


Veja-se a flagrante falta de controlo da Câmara Municipal de Sintra em relação às suas publicações oficiais incluindo as subscritas pelo próprio Presidente.
No caso vertente, subordinado ao título "Transparência Municipal SINTRA", datado de 6 de Abril de 2015, assinado por Basílio Horta, a Câmara mantém, na sua página oficial, um texto com 6 parágrafos, do qual é transcrito o seguinte excerto, com o devido realce para uma zona da folha à esquerda, sob a fotografia do Presidente:
"(...) A transparência como princípio constitucional imanente é, antes de se tornar um valor jurídico, um princípio ético estruturante da cidadania e da própria sociedade democrática, dai que o seu respeito constitua dever inclinável dos agentes públicos responsáveis pela gestão dos recursos da comunidade.(...)"
O pobre escriba a quem o Presidente terá encarregado da tarefa, redigiu e tratou de publicar a 'presidencial mensagem' sem se ter apercebido de que aquele adjectivo ´inclinável' corrompe totalmente a mensagem. O coitado terá pretendido, isso sim, escrever 'indeclinável'... Porém, não cuidando quanto lhe competia, pôs a boca do Presidente a fugir-lhe para a verdade...
Só hoje, passado tanto tempo, dei pela falta. Por mero acaso. O que não se entende é que o serviço do qual dependeu a divulgação de tão preciosa pérola, não tenha dado conta nos dias seguintes, nas semanas seguintes, nos meses seguintes, nos anos seguintes...
De facto, quando, nem a imagem que passa do próprio Presidente é devidamente escrutinada, está tudo dito. Como é possível ter-se permitido o relaxamento do seu discurso, em matéria tão crítica? É que, nem mais nem menos, está em jogo, e passo a citar "(...) a transparência como princípio constitucional imanente (...)"...
Detalhe? Insignificância? Mais uma bizantinice do João Cachado? Não, meus amigos, apenas mais um flagrante sinal da cultura do desleixo reinante.
Não. Não sendo coisa pouca é mesmo simbólica de um estado de coisas que urge alterar.

Na gestão pública autárquica, a transparência é fundamental para a mudança de comportamentos, aumentando o poder dos eleitores e dando-lhes a possibilidade de se tornarem uma comunidade que verdadeiramente participa e controla.…
CM-SINTRA.PT


sábado, 11 de março de 2017

 
 
 
Sintra-Sintra,
ímpar e exclusiva,
Vereador exclusivo !
 
 
 
Eis a segunda parte do artigo inicialmente publicado na edição de 27 de Janeiro do Jornal de Sintra.
...
Trata-se de uma ideia que advogo há bastante tempo. Teria de procurar em que data o 'Jornal de Sintra' publicou o meu primeiro artigo defendendo esta opção. Seguramente, em 2003.

A sua pertinência parece-me inequívoca e, felizmente, trata-se de proposta cujo bom acolhimento, estou em crer, teremos oportunidade de verificar proximamente.

Não inventei fosse o que fosse. Casos como o da sede do concelho de Sintra, há-os por essa Europa fora, obedecendo a este modelo. Com seríssimos problemas por resolver - entre os quais o do acesso aos pontos altos da Serra é apenas um dos de mais fácil solução - este território de Sintra pressupõe uma gestão específica, exclusivamente afecta.

Ora bem, tal não significa que o Vereador, aliás a exemplo dos outros membros do executivo municipal, não seja um inter pares e nunca um 'primus inter pares'...



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 6 de março de 2017



Espólio Bartolomeu Cid dos Santos
Sintra, 2013 - 2017

4 frustrantes anos de lamentáveis negociações:
- adiamento sine die!


“(…) ouvi é que a Câmara não conseguiu chegar a acordo com a viúva de Bartolomeu Cid dos Santos, sobre os termos do acordo de cedência das obras. Quando, não recordo a data, mas há quatro anos segundo diz, se fez, na Regaleira, aquela cerimónia, onde estavam representados a Câmara e a família, fiquei com a ideia de que tudo estava já acordado. O João sabe-me dizer o que se passou, então?”

[Transcrição parcial de uma questão apresentada por Emília Emilia Reis, hoje publicada sob a forma de comentário ao meu texto “Bartolomeu Cid dos Santos ainda à espera...”]
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Em resposta à pergunta colocada pela minha amiga Emília Emilia Reis, não posso deixar de partilhar convosco certos factos, alguns dos quais até de ordem pessoal, que, espero bem, possam contribuir para tornar mais clara uma situação que, de facto, tem todos os ingredientes para que permaneça em penumbra mais ou menos conveniente.

Começo, então, por recordar que estava eu convalescer de uma intervenção cirúrgica na perna esquerda, na sequência de uma lamentável queda. Pois, ainda que estivesse praticamente impedido de me movimentar na altura da celebração do Protocolo entre a Câmara Municipal de Sintra e Fernanda dos Santos, viúva de Bartolomeu Cid dos Santos, a memória do meu querido amigo impunha-me a presença na cerimónia. E consegui, graças a Deus e ao precioso auxílio do querido amigo Mário João Machado, que me veio buscar a casa para ir até à Regaleira e regressar.

Na sequência das notas publicadas no texto precedente citado na epígrafe, bem posso considerar que o Protocolo foi mais um passo absolutamente decisivo para que se concretizasse aquele que é – recuso-me a usar o verbo no pretérito – um projecto cultural tão importante, não só para Sintra mas também para a área metropolitana de Lisboa e, em geral, para o país.

Poucos meses faltavam para as eleições locais. Então, já com o actual executivo autárquico em funções – embora perfeitamente convencido, tal como Emília Reis, “(…) de que tudo estava já acordado (…)”, ter-se-á verificado que algumas alíneas do clausulado do aludido Protocolo necessitariam de reformulação no sentido de melhor assegurar os interesses da autarquia.

Interessado que estava no processo, procurei inteirar-me e sempre confiei que se tratava de questões perfeitamente ultrapassáveis através de civilizado diálogo entre as partes. Aliás, verificando-se o extraordinário interesse do acervo, a Câmara apenas tem que evidenciar «só» o maior empenho para o sucesso das negociações inerentes.

Tudo solicitava que as mesmas pudessem processar-se com a rapidez conveniente já que estão em jogo, além dos interesses e valores culturais, também os relativos às actividades económicas, nomeadamente, ao nível do turismo, da restauração e do alojamento, interesses da maior relevância para a comunidade.

Não esqueçamos que nos estamos a referir a um pólo cultural que, de acordo com as características desenhadas, só tem paralelo com o que se passa em Cascais com o caso Paula Rego. Bartolomeu Cid dos Santos, tenho-o recordado amiúde, através de textos publicados no ‘Jornal de Sintra’ e nas redes sociais, é um notável das artes plásticas a nível mundial cujo espólio foi objecto do maior interesse e, inclusive, disputado por autarquias nacionais e entidades internacionais de relevância.
 
Breve parêntesis para lembrar que não deixa de ser curiosa – mas não surpreendente para quem acompanha o universo das artes plásticas em Portugal e além fronteiras – a íntima relação que une os dois grandes nomes portugueses da pintura e da gravura, amigos e cúmplices das mais bonitas aventuras artísticas em Londres. Na capital do RU, durante décadas, na Slade School of Fine Art, a faculdade de Belas-Artes da University College London, Bartolomeu Cid dos Santos, foi mestre dos mais famosos gravadores do mundo, que o referem e reverenciam como grande entre os maiores.

Voltemos ao Protocolo. Já agora, para que possam imaginar a que ponto pode chegar a maledicência, tenham em consideração que até o meu nome serviu para atacar o inequívoco interesse do acolhimento do acervo. É verdade. Estando prevista a figura de um curador da Colecção Bartolomeu Cid dos Santos, houve gente absolutamente medíocre e mesquinha que teve artes de pôr a circular o boato de que todo o meu interesse no assunto se limitava à circunstância de pretender o cargo em apreço…

Tendo-me preocupado com o andamento da questão, de vez em quando, em contacto com o Senhor Vereador Dr. Pedro Ventura, o mais que tenho conseguido saber é que continuam os obstáculos à resolução a contento. A verdade é que, por muito sofisticadas que pudessem ser as cláusulas cuja negociação se impunha com a parte cedente, nada, absolutamente nada justifica que, passados quatro anos, não se tivesse conseguido chegar a um acordo. Um acordo é sempre possível. Basta querer! E, naturalmente, ceder, sem perder a dignidade, e sempre com o objectivo de honrar o interesse geral, o interesse da comunidade.

A verdade é que, não tendo feito quanto seria necessário para levar a bom porto as negociações em questão, a Câmara Municipal de Sintra pôde instalar, à vontade, no edifício do Casino de Sintra, aquela galeria de artes plásticas denominada ‘musa’ que, inequívoca, manifesta e evidentemente, mantém às moscas, às moscas, às moscas !!

Depois do período durante o qual ali esteve instalado o Sintra Museu de Arte Moderna-Colecção Berardo, sob direcção da minha querida e saudosa amiga Maria Nobre Franco, tendo apresentado exposições magníficas, atraindo público que expressamente se deslocou a Sintra proveniente das mais diferentes latitudes, hoje, aquilo é um manifesto da maior incompetência, uma verdadeira aberração que há-de permanecer como bandeira hasteada no poste mais alto desta época negra da vida cultural de Sintra.

Decorreram quatro frustrantes anos, de lamentáveis negociações. Amigos que, tanto como eu, se interessam por estes assuntos, me têm dito que o nulo resultado dessas diligências entre as partes, é o mais conveniente à manutenção do statu quo. Mesmo sem pretender incorrer em qualquer cogitação afim de hipotética teoria da conspiração, quase sou levado a pensar que até terão razão…

De qualquer modo, além de mim – que, como bem sabem todos quantos me conhecem e são mais ou menos próximos, familiares, amigos e conhecidos, jamais pretendi fosse que lugar fosse – há muitos sintrenses que ainda esperam poder ver o espólio de Bartolomeu Cid dos Santos instalado em Sintra, com a dignidade que merece. É nesse grupo que me atrevo a considerar incluída a Emilia Reis. Por isso, pela consideração imensa que me merece, também estas linhas.


[Ilustr: Bartolomeu Cid dos Santos; Barto, "Atlantis" (1973); Barto, "Quatro Bispos" (1962)]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Foto de João De Oliveira Cachado.

domingo, 5 de março de 2017


Bartolomeu Cid dos Santos
ainda à espera...


Há precisamente 4 anos, em 4 de Março de 2013, subscrevi e aqui publiquei o texto que se segue. O meu júbilo não podia ser maior. Naquela data, sob a presidência do Prof. Fernando Roboredo Seara, a autarquia tomou uma decisão perfeitamente histórica para a vida cultural de Sintra.

Leiam. Tentem entender, se puderem, o meu estado de espírito tanto naquela data como hoje. A informação que, então, veiculei não podia ser mais fidedigna, tendo-me sido transmitida pelas duas pessoas que são nomeadas, Prof. Fernando Roboredo Seara e Dr. Pedro Ventura, com igual ou maior satisfação do que a minha.

Passados 4 anos, o executivo autárquico seguinte, actualmente ainda em funções, não conseguiu dar sequência à decisão anterior. Que pena!
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SINTRA COM
ESPÓLIO DE BARTOLOMEU CID DOS SANTOS!


Acabo de aceder a informação absolutamente privilegiada nos termos da qual a Câmara Municipal de Sintra, em reunião de hoje, acaba de decidir receber o espólio de Bartolomeu Cid dos Santos que foi meu pessoal amigo aqui em Sintra.

Deixou uma enorme saudade a todos que tiveram o gosto de com ele privarem. A sua morte, sentidíssima, resultou num vazio tão difícil de preencher que só a notícia de hoje vem compensar, em especial, no alento que a todos determina de saber honrar o trabalho de quem nos cumulou com este fabuloso presente.

Posso testemunhar que os grandes artífices desta autêntica façanha cultural foram o próprio Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Prof. Fernando Roboredo Seara e o Vereador Dr. Pedro Ventura que se envolveram, ao longo de muitos meses, em difíceis e sofisticadas negociações que hoje culminaram com um sucesso tão determinante.

Trata-se, sem qualquer margem de dúvida, do maior acontecimento cultural dos últimos anos nesta terra. O espólio de Bartolomeu Cid dos Santos é um conjunto do maior interesse artístico, além do valor material, avaliado em cerca de quatro milhões e meio de Euros, composto por cerca de 3.600 obras, entre gravuras, desenhos, aguarelas e guaches, incluindo uma componente fotográfica de inestimáveis atractivos, além de obras de grandes artistas amigos deste que foi um dos maiores gravadores, mesmo a nível mundial.

Outro grande motivo de regozijo reside no facto de que tudo ficará sob custódia da Câmara Municipal de Sintra, a cargo da SintraQuorum, a empresa municipal que gere um dos melhores dispositivos culturais de toda a área metropolitana de Lisboa, ou seja, o conjunto de edifícios do Centro Cultural Olga Cadaval e Casino de Sintra, edifícios traçados pelo Arq. Norte Júnior. O espólio de Barto ocupará a quase totalidade do espaço do referido Casino onde apenas restarão duas salas para exposições temporárias.

Com este tão significativo benefício, Sintra adquire e vai passar a disponibilizar o fruto de uma outra mais-valia, a nível nacional, como incontornável referência da Arte Contemporânea. Preparemo-nos para festejar condignamente tao grande júbilo. E assim é porque, repito, Fernando Seara e Pedro Ventura tudo fizeram no sentido de que Sintra e Portugal ganhassem o que outras terras nacionais e estrangeiras estavam cobiçando com tão natural e justificado propósito. Naturalmente, é para eles que vai o meu mais forte e caloroso abraço de parabéns.

Costuma dizer-se e, mais uma vez, se verificou que o segredo é a alma do negócio. Neste caso, nem consigo perceber como algo tão grande pôde permanecer tão no segredo dos deuses…


PS: No arquivo do sintradoavesso.blogspot.com encontram vários textos que subscrevi sobre Bartolomeu Cid dos Santos

[Ilustr: Bartolomeu Cid dos Santos]

 
 

 
 

 

 


Vasco Dantas Rocha
Recital luminoso no Palácio da Pena


"(...) Quando me convidaram, houve a sugestão de que incluísse obras de Liszt, talvez devido ao meu CD 'Golden Liszt' (editado em 2016). Mas depois, pensando, achei mais interessante abordar diferentes facetas da obra de Liszt e "fugir" um pouco das peças mais virtuosísticas", explica. (...) Há as transcrições para piano de obras de outros compositores - no caso, de Bach, de Schubert e de Wagner; há, dentro das obras originais, os 3 Sonetos de Petrarca, que no fundo são de certo modo transcrições de originais seus para canto e piano e que remetem para as suas viagens por Itália. E há, a fechar, a Rapsódia Espanhola (...) provém de uma peregrinação dele importante para nós, que foi a digressão que ele fez pela Península Ibérica. E a obra, apesar de se chamar Espanhola, inclui também temas portugueses (...)"

[Entrevista a Bernardo Mariano, 'Diário de Notícias', 4.03.17]

Estas, grosso modo, as coordenadas de um recital sabiamente concebido através do qual, com toda a exuberância, teria oportunidade de evidenciar as razões que levaram Massimo Mazzeo, o ponderado Director Artístico das iniciativas musicais da Parques de Sintra, a convidá-lo para este recital, subordinado ao tema 'As peregrinações musicais de Franz Liszt', evento inaugural dos 'Serões Musicais no Palácio da Pena'.

Com lotação esgotada, o Salão Nobre do Palácio da Pena acolheu o jovem pianista que confessou o seu deslumbramento por aqui tocar pela primeira vez. As referências a D. Fernando II, as relações do Rei-consorte com o próprio Liszt - com quem, aliás, comungava as mais directas origens húngaras - o estupendo espaço e o ambiente propício ao gozo da grande Música, não podiam ter impressionado mais o Vasco Dantas Rocha.

Sabem o que é um recital electrizante, uma daquelas oportunidades em que só há lugar para aplausos calorosos, muito calorosos, o mais sorridentes possível, em que, unânime, o público se levanta, vezes sucessivas dizendo ao artista como o conquistou, como está no seu coração? E, neste caso, até nem era um público qualquer, bem tendo eu tido ocasião de trocar impressões com amigos melómanos, conhecedorres, verdadeiramente entusiasmados com a Arte que o pianista nos propiciou.

Vasco Dantas Rocha partilhou connosco todos os matizes exigíveis à interpretação destas peças, em que, sob todas as formas, está subjacente o mais flagrante virtuosismo lisztiano. Deixem que, neste contexto em que Franz Liszt está tão presente, possa eu confessar apenas um desgosto, qual seja o de o nosso querido Sequeira Costa - cujos estado de saúde e distância geográfica não lhe permitem – pudesse assistir a esta «prova da Pena» nos termos da qual poderia concluir como, em Vasco Rocha tem um digníssimo sucessor.

Estamos todos de parabéns! A finalizar, nesta conclusão do júbilo do serão de ontem, uma referência ao grande anfitrião, Dr. Manuel Baptista, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra e ao Director do Palácio, Prof. António Nunes Pereira.

A sinceridade do entusiasmo de ambos, no afectuoso abraço que partilhávamos com Massimo Mazzeo e com o próprio Vasco, no final de um recital - em que ainda nos cumulou com "Cavalgada das Valquírias", outra das transcrições de Listt a partir de outra ópera do genro Richard Wagner - não podia ser mais afectuosa, circunstância que muito me comove.

Querem partilhar comigo a "Rapsódia Espanhola" de Liszt, na interpretação do Vasco Dantas Rocha? Então, aí têm um vislumbre do que ontem vivemos na Pena.

Boa Audição

https://youtu.be/dhwqmyoKlfI

PS: A próxima oportunidade de assistir a um seu recital será em 29 de Abril, nos 'Dias da Música' no CCB, em que tocará obras de Schumann, Liszt/Wagner e Stravinsky/Agosti.

[Ilustr: Vasco Dantas Rocha; Franz Liszt]
 
 
 
Foto de João De Oliveira Cachado.
 
 
Foto de João De Oliveira Cachado.
 
 
 

sexta-feira, 3 de março de 2017



Rua dos Arcos
e infra-estruturas da Vila Velha
- adiamento lamentável



Depois de anos e anos de desconchavo - suportando o que dificilmente se concebe num lugar tão civilizado como este do casco histórico da nossa Vila Velha, a poucos metros do Palácio da Vila - o actual executivo municipal, que tanto apregoou a sua diferença em relação ao período que precedeu a sua entrada em funções, já não poderia ter devolvido à comunidade um espaço que apenas carece da intervenção adequada às suas características e de acordo com as memórias que, há tantos séculos, acumula?

A resposta só pode ser afirmativa. Mas, se querem que vos confesse, tão grande é a sensação de frustração relativamente ao estado em que permanece, que, sob a responsabilidade dos actuais autarcas, não consigo imaginar que a Rua dos Arcos nos possa proporcionar qualquer remota possibilidade de embandeirar em arco!...

A lógica de intervenção para recuperação da Rua dos Arcos, há-de compreender o espaço entre a sua embocadura, nos baixos do Café Paris, e os degraus que nos permitem o acesso ao Beco do Forno, ou seja, aquele que, inicialmente, não era um espaço em subsolo mas que acabou por adquirir a forma da desqualificada rua coberta que conhecemos.

Nem sempre assim foi. E, recuando o tempo bastante, difícil não é adivinhar ruas, ruelas e becos, um dédalo no qual se inscrevia esta parte da Mouraria de Sintra, que convivia com a judiaria e os bairros de cristãos, na maior harmonia, a exemplo do que sucede noutras conhecidas comunidades ibéricas, dentre as quais a escala de Toledo era espectacularmente notável.

Há que intervir, remodelar e, em termos da mais expressiva recuperação do património, de acordo com o remoto ‘espírito do lugar’, nunca deixar de pensar na vocação comercial daquelas bandas onde, de acordo com o testemunho do saudoso José Alfredo, pontificava a célebre Taberna do Vintenzinho, lugar de castiça amesendação sintrense, que ainda emparceirava com outra, a do António da Mestra.*

Em remate, à guisa de alerta, aproveitaria para lembrar um importantíssimo desafio que o centro histórico coloca à comunidade. Quem conhece a Vila Velha e sabe do estado perigoso em que se encontram as infra-estruturas de abastecimento de águas e saneamento básico, não pode deixar de conjugar esta recuperação da Rua dos Arcos com a manifesta urgência da realização das obras de substituição das condutas e de todos os dispositivos técnicos e equipamentos afins.

É uma lástima a que, com toda a coragem, urge pôr cobro. Há anos que a Câmara Municipal de Sintra tem vindo a adiar tal intervenção, prejudicando o interesse geral e só em aparente benefício de alguns particulares.
 
Entre nós, também tem de ser possível realizar este tipo de trabalhos, com mínimo incómodo, a exemplo do que acontece por essa Europa fora, onde o respeitável interesse dos comerciantes não é afectado, senão residualmente, já que tudo se equaciona e concretiza com a preocupação de não comprometer o acesso dos potenciais clientes, com todas as condições, nomeadamente, de segurança.
 
Neste como noutros aspectos relacionados, impõe-se uma radical mudança de procedimentos, no inequívoco respeito pelos interesses da comunidade. É, também, toda uma cultura que está em causa.
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*Azevedo, José Alfredo da Costa, Bairros de Sintra, A Vila Velha, A Estefânia, São Pedro, Câmara Municipal de Sintra ed., Sintra 1997


[Ilustr: Rua dos Arcos (fotos do blogue sintraemruinas)]

 


Parques de Sintra

Os nossos queridos amigos da Parques de Sintra continuam a beneficiar-nos com permanentes iniciativas de belíssimo nível. Como não saudar e agradecer ?!
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- EXPOSIÇÃO - CAMÉLIAS E ORQUÍDEAS
- RESTAURO DO ALTO DO CHÁ
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18 e 19 de março
Palácio Nacional de Sintra volta a receber “Exposição de Camélias e Orquídeas”

- Mostra decorre no terreiro em frente ao Palácio Nacional de Sintra
- O chá e as camélias de chá são o mote desta edição, a propósito do restauro do Alto do Chá no Parque da Pena
- Evento conta com workshops de camélias e de orquídeas
- Entrada gratuita

Sintra, 2 de março de 2017 – O terreiro em frente ao Palácio Nacional de Sintra vai receber, no fim de semana de 18 e 19 de março, a “Exposição de Camélias e Orquídeas”, organizada pela Parques de Sintra, em colaboração com a Associação Portuguesa de Camélias e o Clube dos Orquidófilos de Portugal. A mostra, com entrada gratuita, decorre anualmente e visa promover o valor botânico associado às camélias e orquídeas em Sintra.

Este é o sétimo ano em que decorre a exposição de camélias em Sintra e o terceiro ano de exposição de orquídeas. Nesta edição, o mote é o chá e a camélia de chá, a propósito do projeto de restauro que a Parques de Sintra está a levar a cabo no Alto do Chá, no Parque da Pena, e cuja primeira fase de recuperação terminou no final de 2016.

Na mostra, será possível observar os melhores exemplares de camélias e orquídeas de cada um dos participantes. No sábado, dia 18, serão eleitas a melhor espécie de camélia e de orquídea em exposição; o melhor cultivar de camélia e de orquídea em exposição; a melhor mesa em exposição e também o melhor expositor de venda de camélias e orquídeas.

Além da exposição, também estarão à venda no local exemplares de camélias e orquídeas, assim como outros produtos derivados destas flores. Ao longo do evento, decorrerão ainda demonstrações de técnicas de propagação e poda de camélias e de técnicas de propagação, envasamento e manutenção de orquídeas, bem como sessões de degustação de chá.

Restauro do Alto do Chá

Localizado no Parque da Pena, o Alto do Chá corresponde a uma área de 5 hectares, que acolheu a primeira plantação de camélias de chá (Camellia sinensis) em Portugal continental, no século XIX.

Esta plantação contribuiu para criar no Parque um cenário oriental, onde as plantas crescem nas fissuras de penhascos graníticos, como um revivalismo das representações cantonesas de plantações de chá. D. Fernando II terá plantado 100 plantas de chá, 28 das quais sobreviveram até aos dias de hoje.

Em 1941, um ciclone atingiu o Parque da Pena e causou a queda de dezenas de árvores notáveis em tamanho e idade e alterou significativamente a composição e densidade do arboreto no Alto do Chá, permitindo o desenvolvimento de espécies invasoras lenhosas como a acácia. Já em 2013, a serra de Sintra voltou a ser alvo de um violento temporal, que provocou a alteração drástica desta zona e das condições de desenvolvimento das camélias de chá.

Desde então, a Parques de Sintra, procedeu à remoção de árvores caídas e ao desenvolvimento do projeto de restauro daquela área. Em 2016, executou-se a recuperação do sistema de águas e da rede de caminhos que estrutura o jardim, num percurso ascendente até ao topo do Alto do Chá, de onde é possível fruir de vistas magníficas sobre o Palácio da Pena, a Cruz Alta, o Castelo dos Mouros e as linhas de costa de Cascais e Sintra.

Já em 2017, iniciou-se a recuperação das camélias de chá sobreviventes, através de podas de limpeza, revitalização e condução, e a plantação de 500 exemplares de Camellia sinensis. Em 2018 e 2019, serão plantados mais mil exemplares, perfazendo um total de 1500, recuperando-se integralmente esta zona do Parque da Pena.

O projeto de restauro do Alto do Chá representa um investimento de cerca de 150 mil euros.


EXPOSIÇÃO DE CAMÉLIAS E ORQUÍDEAS

PROGRAMA:
Sábado, 18 de março
10h – 18h: Exposição de Orquídeas
12h – 18h: Exposição de Camélias
10h – 18h: Venda de Orquídeas e Camélias
12h e 16h: Demonstrações de técnicas de propagação e poda de Camélias
11h, 15h30: Demonstrações de propagação, envasamento e manutenção de Orquídeas
10h30; 11h30; 15h; 16h: Degustação de Chá por Nina Guntkowski da CháCamélia

14h30 - Abertura oficial da Exposição:
- Entrega de distinções:
• Melhor espécie de Camélia em exposição
• Melhor cultivar portuguesa de Camélia em exposição
• Melhor mesa em exposição
• Melhor espécie de Orquídea em exposição
• Melhor cultivar de Orquídea em exposição
• Melhor expositor de venda de camélias e orquídeas
15h – Lançamento do Livro “Como cuidar das minhas Camélias”, de Jorge Garrido e António Assunção

Domingo, 19 de março
10h - 18h: Exposição e Venda de Orquídeas e Camélias
12h e 16h: Demonstrações de técnicas de propagação e poda de Camélias
11h, 15h30: Demonstrações de propagação, envasamento e manutenção de Orquídeas
10h30; 11h30; 15h; 16h: Degustação de Chá por Nina Guntkowski da CháCamélia


Cá por Sintra,
com o «rabo preso»
 
[no facebook em 1 de Março] 
Hoje alguém confessava que até gostaria de intervir, de poder comentar, de afirmar como concorda comigo e com outros seus amigos, companheiros de lutas antigas que, sem receios, desassombradamente, continuamos a apontar erros, omissões, falhas indesculpáveis cujos autores são destinatários indiscutivelis.
Remataria dizendo que, como é óbvio, não o pode fazer. Devido ao enquadramento das suas funções, tem o «rabo preso»! Há quanto tempo não ouvia a curiosa expressão! E não é que aquele assomo de sinceridade, à mistura com certa ironia algo ácida, acabou por comover o meu sorriso desajeitado?
Como não entendê-lo? Ora aí está uma daquelas situações em que, por um lado, se tudo bem percebemos, por outro, 'temos pena´... Na realidade, quanta vida cívica por viver, quantos passos aperreados porque, por ali, a Liberdade parou?
O medo. Indisfarçável! Que pena!


Hotel Central
- um pasmo, um escândalo que continuam...


[no facebook em 1 de Março]

Subscrevi e aqui publiquei este texto em 1 de Março de 2015. Texto muito curto, deixa transparecer um pasmo que é filho do escândalo. Pasmo e escândalo que continuo a sentir.
 
Cada vez mais se me afigura que, de facto, nos escapa um qualquer «factor de análise», ou seja, um elemento decorrente de qualquer anterior compromisso que justificará a presunção de impunidade da prevaricação.

Por outro lado, cumpre lembrar ter havido quem, membro do executivo, tivesse considerado que os azulejos não valiam tanto reboliço por parte dos cidadãos que contestaram a atitude do dono do Central...
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Nas tintas!...
Ou preferem «borrifando»?


O dono do Hotel 'Central' está tão nas tintas ou a borrifar-se, que mandou às urtigas o embargo com que a Câmara Municipal de Sintra teve o desplante de o incomodar e instalou as telas, os toldos ou lá o que é aquilo na armação metálica que apôs à fachada do Central escandalizando toda a gente.

Mas alguém tinha qualquer dúvida acerca do que aí vinha? As fotos, feitas há uma hora - já se sabe, de qualidade muito manhosa - não deixam de ser eloquentes.

Será que vale tudo ou, no caso vertente, nos escapa algum «factor de análise», menos evidente, que espalde a atitude do prevaricador? Algum anterior compromisso tácito?
Que desautorização! Ao que «isto» chegou!
 
Ver Mais
 
 
 
 

quarta-feira, 1 de março de 2017




 
 
Em Sintra,
caso a considerar
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“Nada mais assustador do que a ignorância em acção"
[Johann Wolfgang von Goethe]

A falta de informação, o défice cultural pessoal, a ignorância e o atrevimento que a própria ignorância suscita, são ingredientes explosivos se referentes a cidadãos eleitos. De todo em todo, porém, não nos surpreendamos com os manifestos de ignorância que nos devolvem perante as denúncias que apresentamos. A verdade é que, uma vez eleitos e «em roda livre», não há como evitar e, portanto, temos de contar com a ignorância de quem, localmente, nos representa e governa.

Como não são as pessoas certas nos lugares certos, se e quando lhes dizemos que peças patrimoniais de inequívoco interesse, em locais sofisticadíssimos e únicos, se degradam a olhos vistos perante a sua inacção, temos de contar que nos respondam através da sistemática desvalorização das nossas denúncias. As suas limitações impedem que nos respondam com a lúcida humildade ditada pela evidência.

Para tais pessoas, fontes como a dos Pisões, ou as centenárias d’ El Rey, Ladrões, peças como o Casal de São Domingos, Casa Francisco Costa, em processo de degradação galopante ou, mais prosaicamente, buracos e lombas nos pavimentos da Correnteza ou da Volta do Duche, para tais pessoas, repito, são tão interessantes como quaisquer fontanários, pavimentos de ruas e casas degradadas em qualquer lugar do concelho.

O específico enquadramento das peças, que caracteriza e define o ‘espírito do lugar’, não é coisa que lhes determine a adopção das medidas específicas e urgentes que são encaradas por gente preparada, educada, informada e culta nas latitudes civilizadas. Pura e simplesmente isso não os preocupa porque, se preocupasse, não estaria eu a escrever estas linhas ao fim de quatro anos do seu mandato!...

Para eles, esta Sintra-Sintra, que não pode dispensar os parques de estacionamento periférico - cuja operacionalidade, aliás, cumpre lembrar, no-la prometeram para o Verão de 2016 - para eles, repito, é a Sintra tradicionalmente defendida por uns tipos elitistas, que só pensam no que se passa entre a Volta do Duche e a Regaleira, gente sem a precisa noção dos problemas ingentes a resolver neste concelho mastodôntico e multifacetado…

Muito limitados, coitados, avaliam-nos, avaliam as nossas justíssimas queixas através dos parâmetros afins das limitações que os caracterizam…

“Nada mais assustador do que a ignorância em acção". De facto, contra factos...