[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 30 de outubro de 2017



Efeméride mozartiana
27 de Outubro de 1788

[partilha de gravação histórica]

Viena:
Composição do Trio com Piano em Sol Maior, KV. 564. A entrada no seu catálogo pessoal regista: "27 de Outubro, Um trio para piano, violino e violoncelo".
Partilharei convosco uma gravação que, não podendo ser mais histórica, junta Leonid Kogan, Mstislav Rostropovich e Emil Gilels num registo de estúdio datado de Moscovo, 1952.
Detalhe:
I. Allegro 0:00
II. Andante 4:49
III. Allegretto 11:55
Boa Audição!
[Ilustr: Leonid Kogan , Emil Gilels e Mstislav Rostropovich]


27 de Outubro de 2017

Outono!


Com os menos «ardentes» e mais sofridos desejos da chegada de autênticos dias outonais, recorro a Edvard Grieg, à sua tão sugestiva Abertura de Concerto Op. 11, "Im Herbst" [No Outono].
Toca a Orquestra Sinfónica de Gothenburg sob a direcção de 
Neeme Järvi.
Boa audição!
[Ilustr: John Everett Millais, “Autumn Leaves,” 1856]







28 de Outubro de 1787
GRANDE EFEMÉRIDE MOZARTIANA




“Don Giovanni”
Com pequenas alterações em relação ao ano passado, aqui está a proposta de celebração do dia que, há precisamente 230 anos, tão auspicioso foi para a história do canto lírico universal.
Há, de facto, uma alteração interessante. Se, em 2016, partilhámos uma das récitas de Salzburg de 1953, para hoje, seleccionei uma outra gravada no ano seguinte.
Reparem nas diferenças:
- 27 de Julho de 1953
Don Giovanni- Cesare Siepi
Leporello- Otto Edelmann
Donna Anna- Elisabeth Grümmer
Donna Elvira- Elisabeth Schwarzkopf
Don Ottavio- Anton Dermota
Zerlina- Erna Berger
Masetto- Walter Berry
Commendatore- Raffaele Arié
Filarmónica de Viena
cond, Wilhelm Furtwängler
- Julho de 1954
Don Giovanni - Cesare Siepi
Leporello - Otto Edelmann
Donna Anna - Elisabeth Grümmer
Donna Elvira - Lisa Della Casa
Don Ottavio - Anton Dermota
Zerlina - Erna Berger
Masetto - Walter Berry
Commendatore - Deszö Ernster
Filarmónica de Viena
cond. Wilhelm Furtwängler
Ainda um factor que, para alguns de vós, será de determinante interesse e mais-valia. No ano passado, se «apenas» tivemos o som da gravação, desta vez, teremos um filme na sua plenitude. Enfim, ainda vos deixo o aliciante de poderem comparar esta 'Donna Elvira' de Lisa Della Casa com a de Elisabeth Schwarzkopf e este 'Commendatore' de Deszö Ernster com o de Raffaele Arié...
[Uma vez que, para evitar quaisquer reclamações, «aqui» o serviço é completo, se pretenderem proceder a tal operação de sofisticada comparação, aqui vos deixo a respectiva referência do Youtube: https://youtu.be/Jb3SpSOHpv0]
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Então, a partir deste momento, aproveitando prosa anterior, eis-me confirmando como hoje é dia grande nas efemérides mozartianas. Foi em 28 de Outubro de 1787 que Mozart deu por terminada “Don Giovanni”, fazendo entrar no seu catálogo pessoal as seguintes notas, que transcrevo com a pontuação original:
“28 de Outubro, em Praga. Il dissoluto punito, o, il Don Giovanni. Opera Buffa em 2 Actos, Números Musicais: 24, Actores (sic): Signore Teresa Saporiti, Bondini and Micelli; Signori Bassi, Ponziani, Baglioni and Lolli”
Tenham em consideração que, dada por terminada em 28, subiu à cena no dia seguinte. Os mencionados nomes referem-se aos 'actores' que protagonizaram a estreia absoluta, em Praga, ou seja, senhores (Luigi) Bassi, (Felice) Ponziani, (Antonio) Baglioni e (Giuseppe) Lolli que assumiram, respectivamente, as personagens de Don Giovanni, Leporello, Don Ottavio e Masstto; as senhoras Teresa Saporiti, (Caterina) Bondini e (Caterina) Micelli, respectivamente, as de Donna Anna, Zerlina e Donna Elvira.
Como sabem, o libreto é de Lorenzo Da Ponte.
Boa Audição!
[Ilustr: "Don Giovanni", gravação ao vivo EMI, Salzburg 1954; Programa e Libretto da estreia de "Don Giovanni" em Praga]

28 de Outubro de 2017

Em Sintra,
em Lisboa,
em Bruxelas,
em Washington
- a ignorância no poder


Tenho a impressão de que, até tempos relativamente recentes, talvez com referência mais distante balizada pela queda do Muro de Berlin, nunca como actualmente tão aberta esteve a chaga da baixa de exigência pessoal e colectiva em relação à ‘obra’ que, constantemente, se impõe edificar.
Mal informados, impreparados, geralmente ignorantes, os eleitos nada ou muito pouco adquiriram como bagagem cultural que possa ter contribuído para assumirem atitudes afins do progresso das comunidades.
Naturalmente, jamais terão ouvido falar e, muito menos, lido alguma linha dos textos dos grandes clássicos greco-romanos ou do humanismo renascentista. Como poderão ter como norteamento das suas vidas de cidadãos eleitos qualquer objectivo sequer análogo ao que passo a citar?
“Que a nossa alma seja invadida por uma sagrada ambição de não nos contentarmos com as coisas medíocres, mas de anelarmos* às mais altas, de nos esforçarmos por atingi-las, com todas as nossas energias, desde o momento em que, querendo-o, isso é possível.”
"De hominis dignitate oratio" [Discurso sobre a Dignidade do Homem], Giovanni Pico Della Mirandola, Oratio, Roma, 1486.
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* não vá a interpretação da peça ficar prejudicada pela ignorância do significado...
> anelar = desejar ardentemente, ansiar, almejar, aspirar
[Ilustr: Giovanni Pico della Mirandola, retrato de Cristofano dell'Altissimo, Galeria Uffizi, Firenze]



29 de Outubro de 2017


NOITES DE QUELUZ
CICLO TEMPESTADE E GALANTERIE
Coordenação e Direcção Musical de Massimo Mazzeo
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Hoje, 29 de Outubro, 21,30
CONCERTO DE ENCERRAMENTO
SERENATA "IL NATAL DI GIOVE" [O nascimento de Júpiter]
de JOÃO CORDEIRO DA SILVA
(c. 1735-c. 1808)
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Tendo sido estreada no Palácio de Queluz, a 21 de Agosto de 1778, para celebrar o 17.º aniversário do infante José Francisco, filho de D. Pedro III e da rainha D. Maria I esta obra foi praticamente esquecida.
Hoje, 29 de outubro, finalmente, teremos o privilégio de assistir à sua estreia mundial moderna, com Riccardo Doni, no cravo e na direcção da orquestra barroca Divino Sospiro.
Personagens e intérpretes:
Melite - Eduarda Melo, soprano
Adrasto - Patrycia Cabrel, soprano
Amaltea - Giuseppina Bridelli, mezzo
Temide - Mariana Castello-Branco, soprano
Cassandro - Pedro Matos, tenor
Cumpre ter em consideração e, com toda a propriedade, agradecer o trabalho imenso de edição crítica da obra levado a efeito por Yskrena Yordanova.
[Palácio de Queluz, Sala do Trono]



29 de Outubro de 1816
Nascimento de Fernando de Sax-Coburgo e Gotha

[29 de Outubro de 2017]

Em Sintra, a celebração da memória do rei D. Fernando II, ou é muito 'bissexta' ou, pura e simplesmente, omissa. Em anos anteriores, a falta de celebração quase tem roçado o escândalo.
Mas, em 2016, por ocasião do redondo e jubilar duplo centenário, não faltaram, no Palácio da Pena, as condignas comemorações sob a responsabilidade da Parques de Sintra.
No meu mural continuo a lembrar quem me é tão caro. É com esse propósito que, mais uma vez, com algumas adaptações, permitirão me socorra de um texto publicado no 'Jornal de Sintra' em 2006.
Acrescentei a proposta final de audição de uma peça musical que tudo tem a ver com o texto, com o Senhor D. Fernando II, com a grande Música e com a Cultura ocidental judaico-cristã, nossa europeia matriz de absoluta referência.
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D. Fernando II
Pobre artista! Pobre Rei!
Há muitos anos que, para mim, o 29 de Outubro é subordinado à memória de Fernando de Sax-Coburg e Gotha (Coburg, 29.10.1816 - Lisboa, 15.12.1885), um dos homens que mais decisivamente marcou a segunda metade do século dezanove em Portugal, especialmente no âmbito da defesa e recuperação do património.
Muitas são as histórias e os episódios de salvaguarda de peças de valor patrimonial inestimável, in extremis resgatadas ao destino da pura e simples destruição, não fosse a sua directa intervenção. Um verdadeiro diletante, homem informado e de grande cultura, artista ele próprio, grande amante da Música, cantor, pintor de gabarito, tão impressiva foi a marca da sua atitude e actividades que ainda hoje é lembrado sob o epíteto de 'Rei Artista' que lhe atribuiu o escritor António Feliciano de Castilho.
"(...) Pobre artista! Pobre rei!" É com esta exclamação que Ramalho Ortigão termina o texto subordinado ao título "O Rei D. Fernando".* Estas palavras são precedidas por vinte páginas de uma homenagem que, passados cento e vinte dois anos sobre a sua escrita.
Trata-se de um texto e pretexto para que os portugueses melhor se reconheçam, quando lhes dá para o farisaísmo, mesquinhez, ordinarice, inveja, na acabada demonstração da incapacidade de se organizarem à volta dos seus mais autênticos interesses.
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Animação da Leitura...
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Quem ainda não leu aquelas estupendas linhas de "As Farpas" e julga conhecer a grande e a pequena História de Sintra, em especial no que se refere ao legado da Pena, não sabe o que tem andado a perder.
Ramalho Ortigão escreveu-as, «a quente», na sequência da morte do Senhor D. Fernando, reagindo à hipocrisia de uma data de ignorantes que, ao fim e ao cabo, ainda andam por aí... Ou ainda não terão notado? Verão a razão que me assiste quando as lerem.
Uma das maneiras para melhor comemorar a efeméride, não tenho a mínima dúvida, passa pela leitura de texto tão recomendável, que tanto proveito e gozo estético proporcionará a quem seguir o concelho deste humilde escriba que se atreve, não só ao beija-mão real, mas também à evocação de um dos melhores escritores de oitocentos. Nos dias que correm, passe a presunção, não é façanha menor...
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Animação da Música...
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Mas ainda não vos deixo sem outra recomendação que, aliás é suscitada pela leitura que recomendo: "(...) E, instalando-se num fauteuil, ao fundo da sala de música, [D.Fernando] cantou-lhe ao piano, à mais larga expressão elegíaca da sua extensa voz de baixo cantante, A Criação, de Haydn (...)"
Ouçam essa outra obra-prima. Mesmo que já conheçam a oratória "A Criação", não deixem de repetir. Dêem-se ao luxo de participar naquele momento sublime da História da Música que cioincide com a fracção de Tempo em que, no Espaço do caos, a luz se fez. O grande Haydn, introduzido pelo próprio Mozart na Maçonaria, deixa nesta obra o seu mais alto contributo para o brilhante acervo artístico da Augusta Ordem. Ouçam. Repitam.
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...e Animação da Arte, em geral
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Mas, por favor, nada de misturas. Em primeiro lugar, leiam. Depois, escutem a música. Não façam como tanta e tão boa gente, que afirma precisar da Música como «fundo» para a concretização de outras actividades culturais, como a leitura da Literatura, por exemplo.
Se querem saber, eu sou completamente contra. É que, enquanto formas de Arte, tanto a Literatura como a Música são tão exigentes de concentração, que o 'leitor-simultaneamente-ouvinte', mesmo de obras literárias e musicais 'afins', com certeza, perderá inúmeros aspectos de uma e outra...
Hoje, em memória de um «pobre Rei», em memória de um «pobre Artista», saibamos conceder-nos o benefício da Arte e, muito a propósito, lembremos o horaciano 'carpe diem' que, ao contrário do que alguns consideram bem interpretar, nada tem de aconselhamento à facilidade. E facilidade foi coisa que D. Fernando jamais promoveu embora tivesse sabido muito bem aproveitar os dias da sua passagem «por aqui».
Apenas uma proposta final para vos pôr em sintonia comigo e com D. Fernando II. Como não podia deixar de ser, de acordo com a preferência do homenageado, aqui vos deixo com "A Criação" de Joseph Haydn.
Desta vez, a gravação ao vivo, datada de 1992, na Igreja dos Jesuítas de Luzern, com a Scottish Chamber Orchestra, sob direcção de Peter Schreier, com as vozes solistas de Edith Mathis - soprano, Christoph Prégardien - tenor e René Pape - baixo-barítono.
Ficam com a obra integral, uma das mais fabulosas realizações não só da Música mas também da Arte de todos os tempos, que bem atesta o sofisticado gosto do homem de cultura que era D. Fernando.
Boa audição!
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(*) RAMALHO ORTIGÃO, José Duarte, O Rei D. Fernando, in As Farpas, Obras Completas de Ramalho Ortigão, tomo III, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1969
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NB:
O documentário biográfico "D. Fernando II, Notas biográficas", realizado durante o ano jubilar de 2016, será disponibilizado em data a anunciar pela Parques de Sintra.
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[Ilustr: Rei D. Fernando II]

segunda-feira, 4 de setembro de 2017


Praga:
Representação de "Don Giovanni” no Teatro Nacional

2 Setembro de 1791
Efeméride mozartiana

Estão lembrados de que assinalámos as efemérides relativas à viagem de Mozart com destino à capital da Boémia onde iria estrear "La Clemenza di Tito", KV 621, no quadro da coroação do Imperador Leopoldo como Rei daquele país.
Também terão em consideração o enorme sucesso que, anteriormente, "Don Giovanni", KV. 627, obtivera em Praga, passando a constituir um dos laços mais profundos da estima do compositor por aquela cidade e vice versa.
Pois, durante a última que é esta estada de Mozart para a coroação, no dia 2 de Setembro, também houve mais uma representação daquela ópera.
Comemoremos escutando a cena final, numa gravação obtida em Ferrara (1997), com Abbado conduzindo a Chamber Orchestra of Europe.
Verdadeiramente 'de luxo', o elenco: Don Giovanni: Simon Keenlyside, Il Commendatore: Matti Salminen e Leporello: Bryn Terfel.
Boa audição!
[Ilustr: DG, capa da gravação que integra o elenco em apreço]
Em nome de Távora,
Sintra e soluções para o futuro

3 de Setembro de 2005
- morte de Fernando Távora (n. 1923)
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Faz hoje doze anos que partiu o grande arquitecto português. Fernando Távora foi extremamente inovador, com uma comovente capacidade de intervenção nos cascos históricos dos espaços urbanos, figura de absoluta referência e pai da Escola de Arquitectura do Porto, era um grande senhor da Cultura Portuguesa, a quem Portugal muito deve, sem que a universal incultura dos portugueses sequer suspeite.
O mais moderno dos modernos, deixou o nome ligado a projectos que se tornaram paradigmáticos, como o da Pousada de Santa Marinha da Costa e a reabilitação do centro histórico de Guimarães, Escola Primária do Cedro (V.N. Gaia), Mercado Municipal de Santa Maria da Feira, Pavilhão do Ténis de Matosinhos ou aquele fabuloso poema que é a Casa dos 24 no terreiro da Sé do Porto.
Em termos da recuperação do património, o Arq. Fernando Távora é incontornável e tutelar. Para além de Guimarães, o seu trabalho no edifício sede do Círculo Universitário do Porto é uma autêntica lição, de visita indispensável, por exemplo, a estudantes de uma escola como a Profissional de Recuperação do Património de Sintra.
Távora e a Volta do Duche
A história recente de Sintra, convém lembrar, ficará para sempre ligada a Fernando Távora na medida em que aqui nos recusámos a concretizar um seu projecto. Avivando a memória, tratava-se do estacionamento subterrâneo na Volta do Duche.
Lamentavelmente, 'a contrario sensu' do que determinam os mais doutos, pertinentes e lógicos pareceres relativamente aos fluxos de trânsito e ao estacionamento nos centros históricos, Fernando Távora foi induzido a apresentar uma solução que traria mais automóveis para o centro histórico de Sintra.
A proposta não foi avante e ninguém me convence de que esta não foi mesmo a melhor solução e, inclusive, a melhor e maior prova de respeito por Fernando Távora que, deste modo, afinal, não viu o seu nome apoucado por um polémico e controverso projecto cujos difusos contornos nada se conjugavam nem com o seu altíssimo gabarito e prestígio nacional e internacional nem com os reais interesses de Sintra.
Mas a história não podia ter terminado em 2001 porque permanecia – e permanece tão pertinente como desde o início – a necessidade de estacionamento que se revela imperioso resolver a contento. É verdade que a radical atitude de um Movimento Cívico, com tanto êxito, condenou a solução. Na realidade, o acto político subsequente da Assembleia Municipal sancionou-a. Entretanto, seria de esperar que fossem apresentadas e concretizadas as competentes alternativas.
Ora bem, isso não aconteceu. Nem um centímetro de parque periférico dissuasor, que funcionasse em articulação com um expedito sistema de transportes públicos afins. Não vimos o aproveitamento de pequenas bolsas de estacionamento. Não vimos concretizado, ou sequer anunciada, a construção de qualquer auto-silo. Nenhuma via foi cortada ao trânsito. Nenhum civilizado regime de horário de cargas e descargas se implementou para que fosse inapelavelmente cumprido.
A cultura do desleixo
Nada, absolutamente nada foi feito minimamente análogo a esta rede de soluções que, de facto, constituem as alternativas ao que se pretendia fazer na Volta do Duche. E, assim tendo acontecido, os carros arrumam-se onde é possível, de qualquer maneira, inclusive em cima dos passeios.
Paradigmático? Pois esta é apenas uma das inúmeras soluções de terceiro mundo que, à falta de melhor, Portugal tanto tem promovido… É o resultado da pouca vergonha, é o desleixo à solta, a falta de nível, a consequência de más opções e de maus investimentos, os compromissos, o oportunismo, a falta do exercício da autoridade democrática.
É escusado procurar culpados nos decisores políticos mais ou menos recentes porque se trata de muito séria endemia, uma questão geracional e, mesmo que nos custe a admitir, coisa praticamente genética…
Há excepções, claro que sim. Fernando Távora, por exemplo, nada tinha a ver com esta cultura da ordinarice institucionalizada. Respeitosamente, curvo-me perante a sua memória.
[Ilustr: Fernando Távora; Sintra, Volta do Duche]

Anton Bruckner
193 anos!
No dia do aniversário do compositor (1824-1896), gostaria de o lembrar através de memória muito sumária das suas estadas em Bayreuth e de uma das suas obras, precisamente, a da Sinfonia dedicada a Wagner..
É muito conhecida a sua passagem pela cidade no ano de 1873 devido à visita que fez à Wahnfried para se encontrar com Richard Wagner por ocasião da dedicatória da sua Sinfonia No. 3. Outras deslocações se seguiram em 1876, 1882 1884, 1886, 1888, 1889, 1891e 1892 para assistir a eventos do Festival.
Cumpre recordar que, em 1886, Cosima Wagner convidou Bruckner a participar numa cerimónia de exéquias por ocasião da morte de seu pai, Franz Liszt, durante a qual o compositor tocou no órgão da Schlosskirche, conforme placa assinalando o evento.
Então, celebremos a efeméride recorrendo à Sinfonia No. 3, dedicada a Richard Wagner, circunstância esta que justifica a frequente designação 'Sinfonia Richard Wagner'. É geralmente considerada como a peça sinfónica que 'inaugura' o período das suas obras primas em que, de acordo com Rudolf Kloiber, a criatividade se combina com a monumental capacidade da sua arquitectura sinfónica.
Trata-se da mais revista das sinfonias de Bruckner, contando-se por seis o número das versões existentes. Tem quatro andamentos:
1. Gemäßigt, mehr bewegt, misterioso (Moderado, mais animado, misterioso) (also Sehr langsam [também muito lento], misterioso) — Ré menor;
2. Adagio. Bewegt, quasi Andante — Mi bemol Maior;
3. Scherzo. Ziemlich schnell (bastante rápido) (also Sehr schnell [também muito rápido]) — Ré menor, terminando em Ré Maior. Trio em Lá Maior;
4. Finale. Allegro (also Ziemlich schnell) — Ré menor, terminando em Ré Maior.
Naturalmente, só poderiam esperar que vos propusesse uma interpretação da peça pela Orquestra Filarmónica de >Munique sob a direcção de Sergiu Celebidache. Neste caso, trata-se de uma gravação datada de Munique, Março de 1987, portanto, há 30 anos.
Boa audição!
[Iliustr: ; Schlosskirche de Bayreuth, órgão; Schlosskirche, interior; Anton Bruckner, memorial à porta da Schlosskirche de Bayreuth]








Foto de João De Oliveira Cachado.


Centro histórico de Sintra
Quatro situações muito problemáticas

Artigo publicado em 1 de Setembro, última edição do 'Jornal de Sintra'
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INCAPACIDADE TOTAL !
NEM NO PERÍODO ELEITORAL HÁ QUALQUER ALTERAÇÃO...
Neste caso do núcleo central do centro histórico, onde é deveras difícil concretizar as obras que se impõem, o actual executivo autárquico não conseguiu mostrar a mínima diferença em relação aos que o precederam.
DURANTE 4 ANOS, COMO NADA FEZ, MAIS AGRAVOU A SITUAÇÃO