[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 19 de abril de 2013


Há 40 anos!

Eis a lista completa de fundadores do Partido Socialista Português que, muito substancialmente, ultrapassa o grupo constante da célebre foto da reunião em Bad Münstereifel.

Inclino-me, com o maior respeito, perante a memória de tantos que já não estão entre nós. Desses, que já partiram e de outros que, felizmente ainda estão connosco, alguns foram ou ainda estão próximos de mim, fra
ternalmente próximos.

Provavelmente, terá sido o radical respeito pelos princípios e valores que a todos nos formaram e marcaram, para sempre, que, já há tantos anos, me levou a um certo afastamento, mantendo-me na respeitosa posição de reserva que, por um lado, tanto me convém e, por outro, tanto me penaliza.
 
António Macedo
Mário Soares
Tito de Morais
Francisco Ramos da Costa
Francisco Salgado Zenha
José Magalhães Godinho
Gustavo Soromenho
Raul Rêgo
Joaquim Catanho de Menezes
Teófilo Carvalho dos Santos
José Ribeiro dos Santos
Vasco da Gama Fernandes
Mário Cal Brandão
Fernando Valle
Álvaro Monteiro
Albano Pina
Herculano Pires
António Carlos Campos
António Arnaut
Fernando Antunes Costa
Maria de Jesus Barroso
Arnaldo Cândido Veiga Pires
José Neves
Maria Emília Tito de Morais
Carlos José Queixinhas
Gil Francisco Ferreira Martins
Áurea Rego
Manuel da Costa Melo
Francisco Tinoco de Faria
Augusto Sá da Costa
Júlio Montalvão Machado
Manuel Belo
Luís Nunes da Ponte
Fernando Loureiro
João Sarmento Pimentel
Francisco Sarmento Pimentel
Pedro Coelho
Armando Nunes Diogo
Artur Cunha Coelho
Alfredo Barroso
Jaime Gama
José Luís Nunes
Rui Mateus
Carlos Candal
Alfredo Carvalho
Fernando Grade Silvestre
Sebastião Dantas Baracho
José Emídio Figueiredo Medeiros
Fernando Raposo
Eduardo Ralha
Carlos Torres d'Assunção
Firmino Silva
Abílio Mendes
Luís Roseira
Manuel Cabanas
Alberto Arons de Carvalho
Joaquim Lourenço Gago
Alfredo Costa Azevedo
Inácio Peres Fernandes
Paulo de Lemos
Adelino Cabral Júnior
Luís Castro Caseiro
Alberto Oliveira e Silva
António Coimbra Martins
Armando Cardoso Meireles
João Manuel Tito de Morais
Victor Cunha Rego
Manuel Tito de Morais
Rodolfo Crespo
Dino Monteiro
Manuel António Garcia
Carlos Carvalho
Maria Carolina Tito de Morais P. de Oliveira
Augusto Pereira de Oliveira
Beatriz Cal Brandão
Joaquim Rocha e Silva
António Santos Cartaxo Júnior
Jorge Campinos
Armando Soares
Luís Gaspar da Silva
José Tiago de Oliveira
João da Costa Neves
Olindo Figueiredo
Júlio Carrapato
Fernando A. Borges
Mário Mesquita
Nuno Godinho de Matos
José Maria Roque Lino
Dieter Dellinger
Francisco Marcelo Curto
Maria Teresa Cunha Rego
Francisco Seruca Salgado
Mário Sottomayor Cardia
António Reis
Armando Bacelar
Bernardino Carmo Gomes
Liberto Cruz
Manuel Pedroso Marques
Jaime Vilhena de Andrade
José Rabaça
Lafayette Machado
Eduardo Jorge Santiago Campelo
Joaquim António Calheiros da Silveira
António Paulouro
António Neves Gonçalves
Álvaro Guerra
João Gomes
Augusto Duarte Roseira
João Lima
José Leitão
Francisco de Barros Calhapuz
Maia Cadete
Carlos Alberto Novo
António G. Pereira
Lucas do Ó

 

Berlioz,
Sinfonia Fúnebre e Triunfal

Estou a ouvi-la, neste momento, numa triunfal versão - Central Military Band of the Russian Ministry of Defence. Conductor: Valery Khalilov and Sergei Durygin (chorus), Soloist: Erkin Yusupov (trombone) Tchaikovsky Concert Hall of the Moscow Philharmonic - que, de imediato, proporei aos meus leitores habituais.

No CCB, tem todos os ingredientes para ser um sucesso. 


Para já, boa audição!




Dias da Música em Belém
Concerto C1 | 21 de Abril



Composta por encomenda para celebrar o 10.º aniversário da Revolução de 1830, a Sinfonia Fúnebre e Triunfal foi concebida por Hector Berlioz em duas partes: uma para ser executada por uma fanfarra de duzentos músicos conduzindo os despojos das vítimas, a outra para ser executada na praça, durante a cerimónia de inumação dos corpos. Um grande coro a concluir.

 Nos Dias da Música a majestosa obra é interpretada pela Banda Sinfónica da GNR, sob a direcção musical de Jean-Sébastien Béreau.

 
 

 

Elisabete Matos,
hoje, San Carlo, de Nápoles




Foi em 2006 que os bilhetes de Elisabete Matos para o Festival de Bayreuth eram, precisamente, ao meu lado, circunstância facilmente explicável por sermos ambos membros do Círculo Richard Wagner. Naturalmente, ao fim de alguns dias, depois de tantos e excelentes momentos de boa conversa, no contexto de tão propícia vizinhança, tonámo-nos bons companheiros da aventura wagneriana daquele Verão.

É curioso que assistimos a uma récita de 'Der Fliegende Holländer' em que a 'Senta' esteve a cargo de uma Adrienne Dugger, tão fraca, coitada, que metia dó. Lembro-me perfeitamente de a Elisabete partilhar comigo a opinião de ser inadmissível que Bayreuth acolhesse alguém tão falha de qualidade, tão incapaz de assumir a dramaticidade de uma personagem tão complexa.

A encenação, de Claus Guth, era deveras eficaz, linear, muito operacional, na sábia partilha de um espaço cénico claramente definido em todas as dimensões. A direcção musical de Marc Albrecht foi muito segura. Também foi naquele ano de 2006 que, além do 'Ring' de Thielemann/Tankred Dorst, do 'Parsifal' de Adam Fischer/Christoph Schlingensief, ainda tivemos 'Tristan und Isolde' de Peter Schneider/Christoph Marthaler, com Robert Dean Smith em Tristan e a Nina Stemme na ‘Isolde’.

Num dos anos seguintes, assisti a mais uma récita por ela protagonizada numa interpretação acerca da qual aqui ontem me referi [num texto subordinado ao título 'Comparando...' com três ilustrações musicais] apenas como muito correcta mas, nunca me arrebatando, nada que se comparasse ao que tive o privilégio de experimentar perante as prestações, por exemplo com Birgitt Nielsson ou Waltraud Meier.

De Bayreuth tenho memórias de récitas cuja gradação meço desde o absolutamente excepcional até ao vulgar. E, como já tenho tido oportunidade de dar a entender, quanto às encenações, meu Deus, o que tenho aturado só Deus Nosso Senhor e eu é que sabemos! Por exemplo, aquela pavorosa proposta do 'Parsifal' do Schlingensief...

Naturalmente, também eu tentarei não perder. Precisamente hoje, à hora da récita, estarei na Quinta da Regaleira assistindo à cerimónia oficial de cedência do espólio de Bartolomeu Cid dos Santos ao município de Sintra. Por isso, ändermais tarde poderei aceder a uma gravação.
 
Para já gostaria de vos propor a gravação de um excerto da 'Balada de Senta', colhida numa récita de "Der Fliegende Holländer" na Maestranza de Sevilla. Mesmo com um som de péssima qualidade, poderão verificar como Elisabete Matos é estupenda.
 
Boa audição!

 
 


É hoje, finalmente, que se oficializa a magnífica atitude de Maria Fernanda Paixão dos Santos, viúva de Barto, de cedência do espólio do grande artista ao município de Sintra. Eis mais um texto que, a propósito, subscrevi para publicação na edição de hoje do Jornal de Sintra 


 
Bartolomeu Cid dos Santos,
excepcional legado a Sintra

 

Hoje, pelas 19.00, na Quinta da Regaleira, vai realizar-se a cerimónia pública e oficial da assinatura do protocolo de cedência do espólio de Bartolomeu Cid dos Santos ao Município de Sintra. Como tenho tido oportunidade de informar, precisamente através do Jornal de Sintra, a valiosíssima Colecção do grande artista é cedida pela sua viúva, nos termos de um acordo segundo o qual todo o acervo ficará alojado no Casino de Sintra.

Aquele emblemático espaço – que, em articulação com o Centro Cultural Olga Cadaval, constitui um dos mais interessantes dispositivos de animação cultural, não só da Área Metropolitana de Lisboa mas também a nível nacional – ficará quase totalmente afecto à permanente exposição do espólio de Bartolomeu Cid dos Santos.

No edifício também funcionará um arquivo que, concebido pelo próprio Bartolomeu, se designará Centro de Gravura e Desenho Bartolomeu dos Santos, onde as obras estarão gratuita e permanentemente acessíveis a estudiosos e artistas, nos termos de um adequado Regulamento Interno.

Mais uma vez, importa referir que o espólio em apreço é um conjunto do maior interesse artístico cujo valor material, avaliado em cerca de quatro milhões e meio de Euros, é composto por cerca de 3.600 obras, entre gravuras, desenhos, aguarelas e guaches, incluindo uma componente fotográfica de inestimáveis atractivos, além de obras de grandes artistas, amigos deste que foi um dos maiores gravadores, mesmo a nível mundial.

Maria Fernanda Paixão dos Santos, cuja atitude nunca será demais enaltecer, cede a Colecção ao Município de Sintra, pelo prazo de oito anos, renováveis por períodos sucessivos de quatro anos, se nada obstar à continuação da vigência do Protocolo. Por parte do município, mais uma vez, um último destaque para as intervenções absolutamente decisivas, do Presidente Fernando Seara e do Vereador Pedro Ventura.
_______________________




Até eu, muito diminuído na minha mobilidade, lá estarei, amigável e generosamente transportado pelo meu amigo Mário João Machado. Para mim, seria sempre imperdível.
 
 


 

quinta-feira, 18 de abril de 2013




Encontro de chefes,
a excepção e a regra [II]
  • Em função de algumas interpretações menos correctas e de dúvidas suscitadas, impõe-se que explicite as linhas ou entrelinhas do texto ontem aqui publicado, que, eventualmente, possam ter permanecido numa zona de penumbra que, de todo em todo, eu pretendia tivesse sucedido.

    Desde logo, no entanto, me cumpre lembrar e sublinhar o que, tão frequentemente, tenho referido. No meu entendimento, Pedro Passos Coelho e António José Seguro não passam mesmo de farinha do mesmo saco. Raros são os observadores isentos e desvinculados de fidelidades partidárias que não subscrevam a ideia de que são produtos desqualificados de uma classe política desqualificada, que se tem perpetuado no exercício do poder, em resultado de perversa mas legal manipulação dos instrumentos da Democracia.

    Em especial, importa salientar como a Lei Eleitoral vigente é tão responsável pelas mais condenáveis práticas afins da tal perpetuação, permitindo o cozinhado de listas de candidatos que, uma vez eleitos, rastejam, caninamente obedientes, às lideranças partidárias. Encontro-me entre o grupo daqueles que propõem a substituição de tal Lei por outra que contemple os círculos uninominais bem como a candidatura de cidadãos independentes, princípios estes que, sintomaticamente, tanto o PSD como o PS não se têm demonstrado disponíveis para encarar.

    De qualquer modo, ambos formados e formatados pelas ‘jotas’ dos respectivos partidos, tanto Passos Coelho como Seguro, acederam às instâncias do poder na sequência de eleições legislativas legais e legítimas. Podemos discordar do seu percurso pessoal, da sua postura, das suas propostas, de tudo e mais alguma coisa, mas não podemos deixar de os respeitar e, por enquanto, de assumir que fazem parte de um sistema em que os executivos se sucedem numa consabida e esperada alternância.

    Pois bem, é precisamente neste contexto que se me afigura imprescindível que, tão destacados figurantes desta cena, se encontrem periodicamente. Naturalmente, jamais me passaria pela cabeça que, um ou outro, tivessem a nobreza e a dignidade dos estadistas que assumem, sem dificuldade, uma sugestão servida pelos adversários que, afinal, estarão tão preocupados como eles com o bem comum e bem estar dos cidadãos…

    Contudo, a governação e a alternância da governação exigiriam a frequência dos contactos, inclusive, no sentido de evitar a agudização de divergências entre si e promover, também por esta via, tal como ontem escrevia, uma “(,,,) superior noção do civismo – hoje em dia, fácil e evidentemente, coincidente com a de patriotismo – como paradigma contrário à radicalização de posições. (…)”

    No mesmo texto, ao constatar que, pelo contrário, o que tem prevalecido é uma posição de crispação, totalmente contrária ao interesse geral e nacional, só podia eu concluir que “(…) a ideia prevalecente, suscitada pela contundente atitude mútua de Pedro Passos Coelho e António José Seguro, é a que também decorre do mundo do futebol, ou seja, a de duas «comadres desavindas», quais Pinto da Costa e Rui Vieira, digladiando-se na praça pública, através dos media (…)”

    Ou seja, e em suma, o que advogo é a adopção de uma via aberta para uma ‘entente’ civilizada que, tanto gostaria, fosse observada entre nós, a exemplo do que acontece em tantos países, onde a convivência e a convivialidade entre executivos e oposição é exemplar e que, tõ adequadamente, contribui para aliviar tensões.

    No entanto, não pensando que se encontrariam para comer uns pastéis de nata e trocar larachas inconsequentes, na realidade, não tenho, nem nunca tive, qualquer especial expectativa quanto ao resultado prático de tais reuniões. Porém, a premência da situação de emergência nacional em que o país se encontra, sempre determinaria a troca de pontos de vista habilitante às decisões que, assim, seriam parcialmente ‘participadas’ ao mais alto nível.

    Nada disto poderá levar à conclusão de que, em resultado de tais encontros, o maior partido da oposição tivesse de sancionar medidas incompetentes decididas pelo executivo
    .

     
     

quarta-feira, 17 de abril de 2013





Encontro de chefes,
a excepção e a regra


Finalmente, depois de seis meses de ausência de contacto pessoal directo, como entender que só hoje, e para troika ver, o PM se encontre com o chefe da oposição?Num país que, há anos, está à beira do colapso, previsível seria que estes senhores reunissem amiúde, afinassem estratégias de defesa dos interesses nacionais, tanto no exterior como para «consumo interno».

Só gente medíocre, representativa de uma classe política desqualificada, pode permitir-se desperdiçar a oportunidade de encontros frequentes, ao mais alto nível, que, além da sua premente necessidade de concretização, demonstrassem aos concidadãos como, apesar das divergências decorrentes dos respectivos enquadramentos partidários, o superior interesse justifica e exige.

Também é por esta via que se promove a superior noção do civismo – hoje em dia, fácil e evidentemente, coincidente com a de patriotismo – como paradigma contrário à radicalização de posições.

Como, infelizmente, assim não tem acontecido, a ideia prevalecente, suscitada pela contundente atitude mútua de Pedro Passos Coelho e António José Seguro, é a que também decorre do mundo do futebol, ou seja, a de duas «comadres desavindas», quais Pinto da Costa e Rui Vieira, digladiando-se na praça pública, através dos media.

Aliás, em consequência ou em articulação com esta ‘estratégia’ dos respectivos chefes políticos, como espantarmo-nos com os «comentários políticos» alinhavados nas redes sociais por ilustres anónimos, militantes e simpatizantes do PSD e do PS, numa lógica obediência ao exemplo de radicalização que lhes vem do alto, reproduzindo a atitude dos presidentes e dos adeptos do Porto e do Benfica?

Portanto, muito bom seria que os dois políticos decidissem privilegiar a frequência periódica de encontros, tornando regra o que é excepção. A situação do país é de tal maneira grave que, mesmo sem um governo de ‘salvação nacional’ se impõe uma via para certas vertentes de um desejável entendimento. Pelo menos, que tornem operacional uma ‘linha telefónica vermelha’...

Finalmente, como não lembrar a primeira ópera de John Adams, produzida por Peter Sellars, com libreto de Alice Goodman, acerca de um dos mais famosos encontros de chefes, entre Nixon e Mao Zedong, em 1972? Eis um excerto.

Boa audição!


http://youtu.be/5Tv3hrZmcEk
 



terça-feira, 16 de abril de 2013

JV, 
repolho & comentários

[transcrição do facebook]



Como calculam os meus habituais leitores, sinto-me cada vez mais acompanhado na denúncia de falta de qualidade e vacuidade que, há anos, venho fazendo acerca das artesanais propostas de JV que o bacoquismo nacional acolhe como Arte.

Como
já tive oportunidade de referir, eu ouvi a artesã urbana JV considerar-se ao nível de Paula Rego... Lamento que curadores e críticos de Arte, ignorando como JV, tão habilmente, manipula o pantógrafo e usa a estratégia do movimento Yarn Bombing, tenham silenciado, durante tanto tempo, que o rei ia nu.

Naturalmente, numa terra de cegos, com governantes ignorantes, pirosos e ceguetas, qualquer JV é rainha...
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No dia da extinção da Fundação Paula Rego e da maior ''exportação'' (ou perda) de obras de arte na história de Portugal, ficamos com o que merecemos: um artista bimba e pimpolha com o Alto-patrocínio de praticamente toda a classe política, ...que continua a ver na produção artística um misto entre ócio e negócio e uma forma de instrumentalizar efusivamente o povo. É um triste nacional-cançonetismo acrítico e patrocinado. É uma artista e pêras que prefere produzir sem mensagem para não ferir consciências, para não perder os apoios daqui e dali, que vai ao jeito da realpolitik conquistando terreno, da DGArtes ou de todas as DGArtes do Estado que, no conjunto dos apoios que a ela concederam pagavam uma ou mais Fundações Paula Rego.
 



 
 
 
Luz Fava Mil vezes a artista, a Paula Rego.
 
João De Oliveira Cachado Bem, sem qualquer hesitação!!! Nada, nada de confusões. Mas é precisodenunciar. E, em especial, nas escolas, se os professores, estivessem atentos, bem poderiam aproveitar a matéria para debater e esclarecer. Abraço

Natalia Carvalho Nem me atrevo a comentar sobre esta gente da máxima ignorância , que só dignifica mal o nosso Portugal. Dr. como vai o seu estado de saúde bem? abraço
Antonio Cazal-Ribeiro sinceramente não entendo esse seu ódizinho a uma "artesã" portuguesa... se não gosta, não seja detractor!
 
Margarida Mouzinho E pela indumentária...e companhia...está tudo dito.
 

Ana Maria Cruz ela própria é uma instalação!
 


Luís Miguel Lavrador "(...) acho necessário que se deixe de falar nesta "criatura", por causa da publicidade. O Pomar tem uma casa-atelier tão bonita, completamente remodelada pelo Siza - dá gosto ver!

 

João De Oliveira Cachado Tem toda a razão Luís Miguel Lavrador. Vamos acabar com a indirecta e implícita publicidade a este epifenómeno. Enfim, acabei de partilhar e de comentar esta mesma foto no meu mural...
 
Luís Miguel Lavrador Eu vi, mas não posso colocar um "gosto" em publicações que tenham o "repolho"

 

Maria João Cravo "Repolho"... foi precisamente o que pensei quando, pela primeira vez, vi fotos da JV com esta indumentária que tanta questão faz em exibir.
 

Luís Miguel Lavrador Espero que pague um salário decente às costureiras, e aos mais de 30 operários que trabalham para ela. E que não empregue mão de obra infantil - aliás, já se deslocalizava esta Vasconcelos para um país de terceiro mundo, com mão de obra mais barata
 

     



Mozart em duelo


Nem mais! No mesmo dia, 15 de Abril de 1789, é o que reza a história, não uma mas duas vezes, Mozart bateu-se em duelo, na cidade de Dresden. Sabe-se perfeitamente que o primeiro, pelas quatro horas da tarde, foi no órgão Silbermann da Hofkirche horas, e que, com o mesmo opositor, o organista Johann Wilhelm Häßler, se voltou a bater, pouco depois, no pianoforte em casa do Príncipe Alexander Mikhailovich Beloselsky, embaixador na corte da Saxónia.

Mas, af
inal, de que estavam à espera? Pois é, cada um bate-se com as armas que pode… Ainda que não possa elucidar-vos quanto a pormenores sobre as peças interpretadas, se me basear, como farei, numa carta de Wolfgang para Constanze, datada do dia seguinte, será possível fiquem a saber mais alguma coisa através do seu testemunho, na primeira pessoa:

“(…) está por aqui um certo Hassler, organista em Erfurt. Foi aluno de um aluno de JS Bach. É forte no órgão e no cravo. Pensam em Dresden que, vindo de Viena, eu não dominaria certas particularidades estilísticas. Bem, sentei-me ao órgão e toquei. O Príncipe Lichnowsky, que conhece Hassler muito bem, lá acabou por o convencer a tocar. A sua grande habilidade é o trabalho de pés. Porém, até isso cai por terra porque, aqui, os pedais são graduados. O pior é que cometeu autênticos crimes contra a harmonia e modulações do velho Bach e revela-se incapaz de tocar uma fuga capazmente. (…)”

Depois de jantar com o Embaixador, Mozart e Lichnowsky foram assistir a uma récita de Le trame deluse, ópera cómica de Cimarosa, no teatro da Ópera de Dresden. Como podem concluir, mais um dia em cheio da breve mas tão interessante vida de Mozart. Da véspera, isso sim, há notícia de ter ele tocado o seu Concerto para Piano e Orquestra No. 26, KV. 537, para o Príncipe Eleitor da Saxónia, Friedrich August III e sua mulher, Amalie.

É precisamente esta peça que gostaria ouvissem numa soberba interpretação por Mitsuko Uchida, gravação de 1987, com a English Chamber Orchestra, sob a direcção de Jeffrey Tate.

Boa audição!



http://youtu.be/NV8pM3zM4Qg
 

domingo, 14 de abril de 2013






 
 
100 milhões de perseguidos

Vários canais de televisão, não só portugueses, fizeram um destaque muito pertinente da mensagem hoje veiculada por SS Papa Francisco aquando da oração do Angelus, da sua janela em São Pedro.

Refiro-me à aten
ção que pediu para os tantos, tantos cristãos que, por todo o mundo, são perseguidos pela simples circunstância de se afirmarem como crentes desta Fé. Além da atenção para o problema, Francisco pediu orações, aquilo que só os crentes podem oferecer.

Já se interrogaram porque acontece tal perseguição? Não é difícil a resposta. É que, entendida na radical e essencial substância da sua mensagem, o cristianismo é a mais revolucionária das propostas alguma vez lançada à Humanidade, no sentido de dar um sentido à vida em todas as dimensões.

Por isso, Jesus Cristo [Christós, 'o ungido', numa tradução para o Grego de mashiach, Messias] foi perseguido, torturado, sacrificado e morto. Cesar, ou seja, o imperial poder político de então, não aguentando o desafio, considerou que, ao patrocinar a ignomínia da perseguição, acabaria com o problema.

Claro que assim não sucedeu e, se prova fosse necessária, o Martirológio Romano bem o atesta. Cerca de trezentos anos deveriam passar até que o Édito de Milão tivesse propiciado uma reviravolta determinante, ao declarar a neutralidade do Império em relação ao credo religioso, medida civilizacional de extrema lucidez e incalculável alcance que, deste modo, terminou com qualquer perseguição ao Cristianismo.

De qualquer modo, felizmente – aliás, em sinal bem contrário ao que, na prática quotidiana, tantos cristãos evidenciam – o potencial revolucionário do Cristianismo continua inalterável. É por isso que, neste domingo, o Papa Francisco veio lembrar que cerca de cem milhões de cristãos, em todo o mundo, ainda não são livres para a assunção da Religião.

Como cristão, católico [katholikos, no Grego, ‘geral’, ‘universal’], cidadão herdeiro de uma cultura judaico-cristã que está a montante da revolucionária tríade da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, apenas posso rejeitar liminarmente o monstruoso atropelo que hoje circula, catolicamente, universalmente, nos écrans dos televisores de todo o planeta.

Deus queira que assim possam posicionar-se, sem margem para equívocos e independentemente  dos seus enquadramentos ideológico-partidários, quer agnósticos e ateus quer os religiosos de qualquer credo, bem como todos os que se consideram defensores dos direitos humanos. Se não fosse difícil, não faltariam subscrições e manifestações públicas um pouco por todo o mundo...

Finalmente, só falta a música. Como não podia deixar de ser, um CREDO. Da Missa em Si menor, BWV 232, de JS Bach, pelo Balthasar-Neumann-Ensemble and Choir, sob a direcção de Thomas Hengelbrock.

Boa audição!


http://youtu.be/dPUI9nIg_8g
 




Iberismo

Teresa Berganza, outra diva. Solar de Mateus, São Carlos, São Luís, Semanas de Música do Estoril, tantas horas do maior privilégio na sua companhia. Que voz! Que segurança! Que estremecimento! Que ibérico sentir!

De España vengo
. O título oficial é Canción Española da opereta El niño judío, 1918. Música: Pablo Luna. Letra e libretto: Antonio Paso, Enrique García Álvarez.

Aqui, também eu, na minha condição de ibérico, cantado no feminino desta ibérica voz de Berganza que, derrubando a diferença de género, tudo à volta arrebata.


De España vengo!, ¡soy española!,
en mis ojos me traigo luz de su cielo
y en mi cuerpo la gracia de la manola.

¡De España vengo!, ¡de España soy!
y mi cara serrana lo va diciendo:
he nacido en España por donde voy.

A mi lo madrileño me vuelve loca,
y cuando yo me arranco con una copla,
el acento gitano de mi canción
toman vida las flores de mi mantón.

¡De España vengo!, ¡de España soy!
y mi cara serrana lo va diciendo:
yo he nacido en España por donde voy.

Campana de la Torre de Maravillas,
si es que tocas a fuego toca de prisa:
mira que ardo por culpa de unos ojos
que estoy mirando. Madre, me muero,
por culpa de unos ojos negros, muy negros,
que los tengo "metíos" dentro del alma
y que son los ojazos de mi gitano.
Muriendo estoy, mi vida, por tu desvío;
te quiero y no me quieres, gitano mío.
¡Mira qué pena, verse así, despreciada,
siendo morena!

¡De España vengo!, ¡de España soy!
y mi cara serrana lo va diciendo:
¡Yo he nacido en España, por donde voy!

:::::::::
Hombre,
De España vengo!, ¡de España soy!

Boa audição!


http://youtu.be/zOA2GjjD50E