[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 17 de março de 2014


Sintra,
Festivais de Teatro e de Música em Março [II]


Texto de João Cachado publicado no Jornal de Sintra, ed. 4018 de 14 de Março de 2014.
 
 
 
 
 
 


Honra, prazer e privilégio
Avaliar flores, meu Deus!
Que atrevimento!...


A convite do PCA da Parques de Sintra Monte da Lua, fui membro do júri que atribuiu este prémio. Se os concorrentes distinguidos tiveram motivos de natural regozijo, que direi eu do privilégio que foi poder partilhar horas tão agradáveis não só com os dois outros colegas, Profs. António Lamas e Fernando Catarino, mas também com a Dra. Inês Ferro, Engº Nuno Oliveira e Arq. Gerald Luckhurst?

Deixem-me confessar-vos que tendo passado parte significativa da vida profissional participando em júris de avaliação, tanto no âmbito de actividades docentes como na de dirigente da Administração Pública, para mim, este terá sido o mais agradável de todos os empenhos como jurado...

Um dia memorável!
 

domingo, 16 de março de 2014


Abegoaria do Parque da Pena
Castelo dos Mouros
 
- candidatos a um prémio de reabilitação do património


Ao accionar o acesso ao documento, verificarão que o meu objectivo é chamar a atenção para a reabilitação da Abegoaria do Parque da Pena
bem como do Castelo dos Mouros, candidatos a um prestigiado Prémio. Eu faria uma aposta quanto ao potencial vencedor...

Por isso, parabéns antecipados e um abraço especial aos meus amigos, Engºs. Nuno Oliveira e Daniel Silva, Técnicos da Parques de Sintra Monte da Lua implicadíssimos na recuperação destas duas pérolas.
 
 


GRANDE ACONTECIMENTO EM SALZBURG, MOZARTWOCHE 2015


- CAVALOS PORTUGUESES,
 
  LUSITANOS E SORRAIAS,
 

VEDETAS DE DAVIDE PENITENTE, CANTATA DE MOZART


Davide penitente KV. 469 é a Cantata de Mozart - estreada em Viena, no Burgtheater, em Março de 1785 (uma adaptação que o compositor promoveu a partir da sua Missa em Dó menor KV. 427) - que a Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg escolheu como a grande produção da Mozartwoche de 2015*. Da concepção cénica desta maravilhosa peça foi encarregado Bartabas, o mestre único da arte de coreografia equina que coordenará a sua equipa da Académie equestre de Versailles.

A arte de Bartabas é praticamente impossível de categorizar já que consegue articular cavalos, pessoas, movimento, luz e figurinos para propor um Gesamtkunstwerk lírico. Em Salzburg teremos a rara oportunidade de viver a experiência radical do trabalho de um dos mais aclamados artistas do nosso tempo cujas mais recentes propostas incluem ousadíssimos espectáculos concebidos à volta da música de Stravinsky e de Bach.

E, de modo extremamente significativo, esta produção de Davide penitente - com uma tão forte componente equina, envolvendo oito parelhas de cavalos, que evoluirão como grandes estrelas - vai acontecer no grande auditório que aproveitou as estruturas da Felsenreitschule, o picadeiro que os Príncipes-Arcebispos de Salzburg construíram há mais de trezentos anos.

Não pensem que apenas vos estou a pôr ao corrente de um grande evento a que terei o privilégio de assistir, se Deus quiser, no dia 22 de Janeiro de 2015. De facto, fui incumbido pelo Maestro Marc Minkovski - um grande entusiasta dos cavalos lusitanos - de sondar as entidades mais vocacionadas para o efeito da montagem desta mesma produção em Portugal.

Naturalmente, já fiz as minhas diligências. Quem sabe, talvez haja a hipótese de termos entre nós esta maravilha... Se quiserem ter uma ideia do que é o trabalho da Académie equestre de Versailles, eis alguns vídeos ilustrativos:

http://youtu.be/XpDesbV_oTE    [Les juments de la nuit]
http://youtu.be/UfMNBcEdLlU   [Liturgies equestres]
http://youtu.be/lPcBMFNGr0c     [Les Indes Galantes]
http://youtu.be/TMX_MuMqPgc [L'Académie Équestre de Versailles:10 ans]

A componente musical do espectáculo será assegurada pelas obras de Mozart

- Zwischenaktmusik aus „Thamos, König in Ägypten“ KV 345 [I]
- Maurerische Trauermusik KV 477 [II]
- Davide penitente KV 469 [III]


que, com todo o gosto, passo a propor-vos em excelentes interpretações.

Boa audição!

http://youtu.be/cW-bLrnyBsg [I]
http://youtu.be/SRDGg0cAXFg [II]
http://youtu.be/WnWEgjhPGWY [III]

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* Eis a ficha do espectáculo:
 Bartabas, Direcção e Coreografia
 

Cavalos e cavaleiros da Académie Équestre de Versailles
 
Maestro: Marc Minkowski
 Les Musiciens du Louvre Grenoble
 Coro: Salzburger Bachchor

 
Solistas:
 Christiane Karg, Sopran
 Marianne Crebassa, Mezzosopran
 Stanislas de Barbeyrac, Tenor

 
Espectáculos nos dias 22, 25 e 30 de Janeiro de 2015

sábado, 15 de março de 2014



Idos de Março (15 de Março) do ano 44 ac



Dia para recordar o assassinato de Gaius Julius Caesar (100-44ac) às mãos de vários senadores romanos entre os quais alguns dos seus antigos protegidos como Marcus Junius Brutus e Caius Longinus Cassius.

Ocasião para vos propor o visionamento de três excertos do antológico filme de Joseph Mankiewicz, de 1953, Julius Caesar, com base na tragédia histórica homónima de William Shakespeare.

Como não podia deixar de ser, primeiramente, a cena do crime [I] e, logo de seguida, duas das mais famosas peças de retórica política de todos os tempos, a do discurso de Brutus [II], e, finalmente, o discurso de Marcus Antonius.

Bom visionamento!


http://youtu.be/Je0gTnheVe4 [I]
http://youtu.be/wM6X-8dokRE - discurso de Brutus [II]
http://youtu.be/7X9C55TkUP8 - discurso de Marcus Antonius [III]
 
 


Natália Correia


Quando passam 21 anos da sua morte, recorro a uma partilha do blogue 'Mulheres de Amar Pra Sempre", no sentido de que possam aceder a dois dos seus poemas - 'Autogénese' e 'Defesa do poeta' - recitados pela própria, naquele
seu modo tão entranhadamente telúrico.

Que falta nos faz a sua irreverência, o imenso gabarito da sua cultura, que falta nos faz a atitude de inteligente desafio a todas as mediocridades, a toda a trucatruquice desbocada, parlamentar e para lamentar... Que falta nos faz!

E, a propósito, a transcrição daquela célebre peça, eminentemente repentista, com que, em pleno Parlamento, brindou o deputado Morgado do CDS a propósito de uma ridícula intervenção em que este considerava que o acto sexual só servia para a procriação...

Também é a memória de um tempo em que os eleitos podiam ser da estirpe de uma Natália. Na verdade, outros tempos!... Celebremos o seu génio, leiamos a poesia que nos deixou e que, cada vez mais, nos deslumbra.

 

 

sexta-feira, 14 de março de 2014



Karl Marx

14 de Março

Neste aniversário da morte (1818-1883) a lembrança, em tradução muito livre, de um pensamento de Karl Marx que qualquer cristão católico não pode deixar de subscrever:

"Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas desporto, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. «És» menos, mas «tens» m
ais. Assim todas as paixões e actividades são tragadas pela cobiça."

Ou seja, ninguém veio a este mundo para sofrer mas, isso sim, para viver uma existência que, embora de contenção, jamais será avessa ao usufruto das boas coisas, num equilíbrio de relação favorável com a Natureza e com o Espírito.

E, a propósito...

De qualquer modo, uma dicotomia radical se apresenta ao homem de todos os tempos: Ou «és» ou «tens». Não há volta a dar, é a questão do Ser e do Ter. Quando SS Paulo VI clamava: "Homens, sede homens" era isto mesmo que significava, a inequívoca opção por SER!

O contrário desta opção passa pela via da competição desenfreada, da cobiça e da ganância, que, no dizer do Papa Francisco, são ingredientes da «economia que mata», isto é, de um TER que ofende a dignidade e onde radica a exploração do homem pelo homem.

E, afinal, tudo isto está na «boa notícia» que, até etimologicamente, o Evangelho é. Grande parte disto já estava na República de Platão. Mais recentemente, Thomas More, mártir pelas causas da Verdade e da Dignidade, santo da nossa Igreja, também escreveu isto em "Utopia".

O que continua a toldar o nosso entendimento perante tão doutos testamentos de palavra iluminada, de Luz feita verbo? Na data em que comemoramos a efeméride da morte de Karl Marx, em que enterramos D. José, voz da Igreja portuguesa tão incompreendida quanto lúcida, em que lembramos a renúncia de Bento, o nosso Papa emérito e, pelo Espírito Santo, nos regozijamos com Francisco, repito a pergunta: que prejuízo nos perturba o entendimento? Porque recusamos SER e preferimos TER, se estamos a morrer?
 
 


 

Sintra,
CASAL DE SÃO DOMINGOS

No passado dia 28 de Fevereiro, o Jornal de Sintra publicou o meu artigo "Defesa do Património, coerência de propósitos", que para este meu mural do facebook, blogues sintradoavesso e sintradeambulada, foi transcrito em 1 de Março.

Ora, precisamente naquele dia 28 de Fevereiro, depois de ter lido o meu texto, o próprio Presidente da Câmara Municipal de Sintra me contactou durante a tarde. Numa atitude que muito me sensibilizou pelo...
significado que encerra - não em relação a mim como signatário mas, isso sim, pelo respeito que lhe merece a intervenção cívica de cidadãos que se preocupam com situações de degradação incompatíveis com o que Sintra merece - o Dr. Bassílio Horta pretendeu dar um sinal que cumpre salientar.

Disse-me querer manifestar como bem compreendia as denúncias que eu tinha apontado, aproveitando a oportunidade para informar que, relativamente a um dos assuntos por mim aludidos, já ele tinha uma boa notícia para dar. Pois bem, para melhor enquadramento do que se segue, lembrar-vos-ei que, referindo casos da designada «Cultura do Desleixo», como o do Vale da Raposa e fontanários da Estrada Velha de Colares, também escrevia eu que:

"(...) Dentre alguns assuntos que, 'en passant', aproveitaria para chamar a atenção do Dr. Basílio Horta durante o percurso pela Alfredo da Costa, avulta o do Casal de São Domingos cuja visível degradação é espelho do que se passa no interior e nos infelizes anexos do jardim. É uma lástima que merece a urgência de uma intervenção adequada. (...)"

Então, a boa notícia é sobre o Casal de São Domingos. Ali será instalada a sede da Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Sintra. Vai acabar aquele estado de degradação do edifício e pequeno jardim anexo [vd. 7 fotos anexas] que tanta causa tem sido de negativos reparos quer de munícipes quer de forasteiros que por ali passam e não podem deixar de lamentar o que é tão patente.

Durante a conversa em apreço, o Senhor Presidente também me sossegou quanto às medidas que ia tomar relativamente ao Vale da Raposa e fontanários cujo estado de descuido era bem evidente nas fotos que ilustravam o artigo. Naturalmente, não posso deixar de partilhar convosco o regozijo que me anima e os concretos sinais que parece poderem animar-nos. Oxalá que a boa vontade do Presidente não encontre quem lhe faça contravapor.
 
 
(7 fotos)
 
 


Hugo Wolf
13 de Março de 1860 (m. 1903)

[facebook, 13 de Março de 2014]

 
Tenho particular simpatia, até uma certa forma de devoção por Hugo Wolf. É uma das minhas referências em Salzburg. Tal como o «conheço», de modo algum, o vejo nas funções de segundo Kapellmeister que, durante um curto período, ali desempenhou… Sei onde viveu, adivinho-lhe os passos. Em geral, tenho os seus Lieder entre os melhores. O Lied, aliás, foi género que copiosamente cultivou, a partir de textos de Goethe, Mörike, Eichendorf.
Conhecido como Wild Wolf [literalmente, ‘lobo selvagem’], este acérrimo adversário de Brahms – na sua opinião (aliás, como sabemos, muito bem acompanhada…) um retrógrado incorrigível – era, naturalmente, grande admirador de Wagner e de Liszt. Teve uma vida absolutamente desassossegada, perturbado pela doença mental que o afectaria ao ponto de ser internado e morrer, tão precocemente, aos quarenta e dois anos.

Quero recordá-lo hoje, e convosco partilhar, afinal, não o cultor de Lied mas o compositor de “Penthesilea”, poema sinfónico composto entre 1883 e 1885, baseado na tragédia do dramaturgo Heinrich von Kleist que, curiosa mas compreensivelmente, Goethe chegou a considerar irrepresentável.

De qualquer modo, com um entrecho onde guerra, conquista, erotismo são parcelas que se entrecruzam em desafios acutilantes, “Penthesilea” já passou ao teatro lírico pela mão de Othmar Schoeck, no fim da décade de 20 do século passado, estando programada a estreia, em 2015, de nova ópera, de Pascal Dusapin, com o mesmo título.

Enquanto poema sinfónico, eis "Penthesilea", numa estupenda interpretação da Staatskapelle Berlin, sob a direcção de Otmar Suitner.

Boa audição!

[Permitam que dedique esta formidável meia hora de grande música ao meu amigo João Trindade Duro cujo aniversário coincide com o de Hugo Wolf]
http://youtu.be/62-A1YcX9gU
 
 


O choque
 
[facebook, 13 de Março de 2014]
Assisti ao luminoso recital de Kristian Bezuidenhout em Queluz. No fim, com o Maestro Massimo Mazzeo, Prof. António Lamas, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra Monte da Lua, e Dra. Inês Ferro, Directora do Palácio de Queluz, fomos cumprimentar o pianista pelo seu sucesso que resultou num privilégio imenso para todos nós.


Sereno, confortadíssimo por momentos musicais de grande intensidade e sofisticação, já no exterior do palácio, em noite quase primaveril, despedi-me de Inês e do filho que segue amanhã para Berlin. Confirmava uma natural satisfação, por este gosto de conhecer, pessoalmente, gente tão interessante, que comunga os mesmos interesses culturais, que enriquece à medida que também enriqueço.

E encaminhei-me para o carro para regressar a Sintra. Passava pouco das onze horas. Liguei o rádio para ouvir as notícias. Fui, então, perfeitamente siderado pela notícia da morte de D. José Policarpo. Ainda não estou recuperado do choque. Tinha o Cardeal numa consideração que não cabe nos comuns adjectivos do quotidiano.


Era um homem do Concílio, um intelectual que, em muitas circunstâncias, não foi entendido como merecia. Padre progressista, que me habituei a ter como referência desde os meados de sessenta quando entrei na Faculdade, já ele era uma promessa da Academia. Estou de luto. Sei que ele só pode estar bem e, também por isso, o choque sentido se vai atenuando na esperança de que, um dia destes, já sem as amarras do tempo comum, voltaremos a encontrar-nos.