[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 31 de julho de 2015



Estradas de plástico
 
[facebook, 21.07.2015]

Já pensaram no rombo que sofrerão as petrolíferas se a solução for avante? É caso para os produtores porem as barbas de molho...
 
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Perante esta notícia do 'Público', precisei de me informar acerca de alguns itens que julgo poderem ser-vos tão úteis quanto para mim o foram.
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Eis a transcrição:

Alcatrão eis a questão?
No dia-a-dia é habitual quando ouvimos falar de pavimentos rodoviários, ouvir dizer "olha já estão a alcatroar a estrada" entre outras formas mais ou menos correctas.
Mas a questão que se coloca é:
Será correcto falarmos em alcatrão ou no acto de alcatroar uma estrada?

Alcatrão ser ou não ser, eis a questão.

Na construção das camadas superiores dos pavimentos rodoviários, existem diversos materiais betuminosos com aptidão para serem utilizados como ligantes, entre eles encontra-se o alcatrão.
Todavia, actualmente verifica-se apenas o recurso a produtos derivados da destilação do petróleo bruto, também conhecidos como betumes.
Ou seja, então mas o alcatrão não é um produto derivado do petróleo? Então qual a origem do alcatrão?
O alcatrão não é um derivado do petróleo bruto. O alcatrão é a designação genérica atribuída ao líquido viscoso obtido quando a hulha ou a madeira são queimados ou sujeitos a um processo de destilação destrutivo na ausência de ar (pirólise).
 
Este foi muito utilizado no Reino Unido, porém nos últimos 30 anos deu-se um grande incremento na exploração e distribuição de petróleo bruto, tendo-se verificado uma grande redução do uso do alcatrão em detrimento dos derivados daquele.

Em Portugal, o uso de alcatrão em trabalhos de pavimentação rodoviária limitou-se aos anos em que não havia possibilidade de obter betume, como por exemplo durante a II Grande Guerra (1939-1945). Talvez seja este um dos motivos pelo qual é ainda, actualmente, utilizado o termo alcatrão, quando na realidade o material (ligante) que é efectivamente utilizado na pavimentação rodoviária é o betume.

Porém não ficamos por aqui, porque aquilo que se vê a ser aplicado nas nossas estradas, não é apenas o betume, mas sim o resultado da junção de betume com agregados (material que se encontra na crosta terrestre, nos rios ou estuários, e que pode ser obtido por intermédio de meios de extracção directa, escavação, ou explosão de rochas, caso da exploração de pedreiras) que resulta na produção de um material denominado por mistura betuminosa a qual é aplicada nas camadas superiores dos pavimentos, nomeadamente na camada de desgaste (camada betuminosa visível e sobre a qual circulam directamente os veículos).

Conclusão

Os pavimentos rodoviários são constituídos por diversas camadas, que poderão ser ligadas ou não ligadas, sendo no primeiro caso constituídas por misturas betuminosas e não por alcatrão.

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21 de Julho de 1776
Efeméride mozartiana
 

[facebook, 21.07.2015]

Datada de Salzburg, a Serenata Haffner em Ré Maior KV. 250 (248b) está indissociavelmente relacionada com a peça objecto da efeméride mozartiana ontem celebrada, ou seja, a Marcha em Ré Maior KV. 249. Portanto, a circunstância que conduziu à encomenda da composição, o casamento de Marie Elisabeth Haffner filha de Sigmund Haffner) com Franz Xaver Spath. é a mesma a que já aludi.

Antes de propor o acesso à gravação, vão deixar que vos dê uma série de informações acerca de uma das ruas mais conhecidas do centro histórico de Salzburg, a Sigmund-Haffner Gasse, que tem o nome do importante cidadão salisburguense, pai da nubente. Faço-o na presunção de julgar que estas informações vos podem enriquecer, por vezes, como é o caso, até com curiosas referências a remotos episódios em que o nome de Portugal é referido.

Começa na Getreide Gasse, junto à antiga Rathaus e termina, à esquerda, com a igreja dos Franciscanos [Franziskanerkirche] e, à direita, com o Lodronisch-Rupertinisches Collegium, o famoso edifício do "Rupertinum“ onde funciona uma parte do ´Museu dos Modernos'.

Também é nesta rua que está instalada a 'Gasthaus zum Elefanten', celebrando a passagem pela cidade do elefante oferecido pelo nosso rei D. João III ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um dos episódios de "A Viagem do Elefante". Naquele pequeno hotel, aliás, esteve alojado o seu autor, José Saramago. E foi a sua curiosidade acerca do nome da casa, satisfeita pela então Leitora de Língua e Cultura Portuguesa na Universidade de Salzburg, que o levou a escrever o livro.

Longe de vos contar toda a formidável história desta famosa rua do casco medieval da minha querida Salzburg, não poderia deixar de mencionar a Ritzerhaus com a livraria Höllrigl [Buchhandlung Höllrigl], um dos mais antigos altares do comércio livreiro europeu.
 
Ainda o leão românico do Palácio Langen [Romanischer Löwe] que pertenceu ao Príncipe-Arcebispo Matthäus Lang von Wellenburg. E, meus caros amigos, não menos importante, a mais antiga casa de venda de discos da cidade, a célebre Musikhaus Katholnigg, que continua a funcionar sob a profissionalíssima gerência da minha amiga Astrid Rothauer.

Finalmente, voltando à música cuja estreia hoje celebramos, eis a belíssima Serenata - forma análoga ao Divertimento e à Cassação, acerca dos quais me tenho referido frequentemente - com 8 andamentos. Os tempos de gravação seguem indicados para vosso melhor acompanhamento:

1. Allegro maestoso - Allegro molto (0:.)
2. Andante (9:45)
3. Menuetto (19:29)
4. Rondo: Allegro (23:12)
5. Menuetto galante (32:25)
6. Andante (37:50)
7. Menuetto (46:29)
8. Adagio - Allegro assai (51:41)


Com a interpretação a cargo da Amsterdam Baroque Orchestra, sob a direcção Ton Koopman. agora sim, já vos posso desejar

Boa audição!

[Naturalmente, com uma lembrança dos amigos melómanos - Jose Luis De Moura (José Luís Carneiro de Moura), Zaza Carneiro de Moura , M Manuela Bravo Serra, Augusto Casaca - que bem conhecem Salzburg].

 
20 de Julho de 1776
 
Datada de Salzburg, eis a "Marcha em Ré Maior" KV. 249, cuja composição serviu de introdução à "Serenata em Ré Maior" KV. 250, a célebre "Haffner", que Mozart escreveu para o casamento de F.G.R. Späth com Elisabeth Haffner, filha de um importante cidadão de Salzburg.

Excelente interpretação da Amsterdam Baroque Orchestra, sob a direcção de Ton Koopman.

Boa Audição!
 
 


20 de Julho
Santo Apolinário

[facebook, 20.07.2015]

 Apolinário foi o primeiro bispo e é padroeiro da cidade de Ravena.


Segundo o Martirológio Romano, foi ordenado bispo pelo próprio São Pedro e enviado a Ravena, onde foi martirizado por ordem de Vespasiano. O 'dies natalis', ou seja, a data anual comemorando o martírio, corresponde a 23 de Julho, enquanto que 20 de Julho é o seu dia de santo. Segundo outras fontes, terá vivido no século II e, provavelmente, o martírio ocorrido no tempo do imperador Valente.

No local do referido martírio, no porto de Ravena, foi erguida, no século VI, a Basílica de Santo Apolinário em Classe, contemporânea de São Vital, também em Ravena. No século IX, as relíquias do santo foram levadas para a Basílica de Santo Apolinário Novo - uma das construções mais importantes do período de crucial significado cultural na arte religiosa europeia - tendo regressado à origem por altura da sua reconsagração, em 1748.

São «casas» fascinantes, daquelas que os roteiros turísticos costumam assinalar como valendo a viagem. É verdade. A Ravena, nas três basílicas, bem posso afirmar ter ido buscar uma dimensão estética da minha religião que, só ali, é possível colher.

Numa das vezes que por lá estive, há cerca de trinta anos, com a minha mulher e filhas, deixei-me de tal modo impressionar que, durante umas horas, quis estar sozinho. Nestas coisa do gozo da Arte, as crianças podem tornar-se terríveis empecilhos. Graças a Deus foi possível resolver a minha necessidade de solitude, ou seja, um tempo de privacidade que, propriamente, não é sinónimo de estado de solidão.

Era Verão, havia poucos visitantes, muito calor, a luz era tremenda. Pela tarde fora, até ao pôr-do-Sol, entrando e saindo dos lugares, flanando, a um tempo ensimesmado e, novamente, no desassossego daquela seráfica e bizantina «companhia», rematei com o Mausoléu de Aelia Galla Placidia onde, de modo algum, poderia deixar de voltar, depois de uma primeira visita uns anos antes.
Escusado será confirmar que, como sempre acontece quando vivemos alguma especial experiência estética e espiritual, também a partir dessa tarde, passei a ser pessoa diferente.

PS:
Estas últimas considerações deixo-as ao Pedro Ventura, meu querido amigo, que, no ano passado, também se deixou cativar por Ravena. Para sempre!



 
Apolinário de Ravena
 
 


Ao pontapé na gramática!...
 
[facebook, 20.07.2015]
 
"(...) Mas não era preciso humilhar e punir a Grécia por se ter endividado e ter eleito um governo que ousou pôr em causa a política do Eurogrupo e dos sagrados interesses dos credores (...)"
 
['O princípio do fim da Europa', Miguel de Sousa Távares, Expresso, primeiro caderno, pág. 9, 18.07.2015]
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ter eleito? Nunca!
Correctamente >> ter elegido



Nada agradável o reparo que me traz. 'Eleger' é um dos verbos portugueses de duplo particípio passado, daqueles que, na formação dos tempos compostos, utilizam a forma regular (em -ado ou -ido), geralmente com os auxiliares ter e haver; e a forma irregular, mais curta, também chamada 'forma erudita' por provir do latim, habitualmente utilizada com os auxiliares ser e estar. No caso vertente, portanto, 'ter elegido'.

Vem a propósito lembrar que MST, repetitivo autor de proezas que tais, tem sido um feroz opositor do Acordo Ortográfico e, naturalmente, da sua entrada em vigor. É um dos mais conhecidos porta-estandartes da causa que, como sabem, também me tem mobilizado há anos a esta parte. E que bom é poder senti-lo «cúmplice» na luta contra o famigerado AO!

Ora bem, quem, como é o seu caso, tomou atitude tão capaz, implicitamente se posicionou no patamar dos preocupados com a correccão linguística que, como todos sabemos, além da ortografia, contempla outros terrenos igualmente importantes. É por isso que o mesmo MST não pode incorrer em flagrantes falhas noutros domínios em que também está em causa a correccão da expressão, como bem patente ficou na epígrafe destes breves parágrafos.
 
Se qualquer vulgar comunicador deve evitar incorrecções de discurso, tanto no registo oral como no escrito, então, por maioria de razão, se torna absolutamente imperdoável que um comunicador de referência nelas incorra e com a agravante de tal acontecer num semanário com as marcas de exigência que o Expresso reivindica.

Bons tempos aqueles em que as redacções dos órgãos da imprensa contavam com uns anónimos colaboradores que, na minha modesta opinião, continuam indispensáveis. Refiro-me aos 'revisores', pacientes, diligentes ‘correctores’ dos textos que, tantas vezes, levando a chancela de conhecidos escritores e jornalistas, carecem de uma intervenção que apenas assegura o «controlo de qualidade» do ‘produto’.

Na realidade, só num contexto humorístico, se poderia considerar que tais trabalhadores terão sido substituídos pelas ‘correctoras’ ferramentas do 'word'...
 
 


"Mais Latim, melhor Português"
 
[facebook, 20.07.2015]
 
Na última edição do 'Jornal de Sintra', um artigo que subscrevi subordinado ao título supra. Trata-se de matéria reformulada a partir de um texto aqui partilhado recentemente.
Para aceder:

www.jornaldesintra.com
Edições, Edições 2015
17.07.2015
pág. 7
 
 
 


O Salmo da Missa de hoje
 
[facebook, 19.07.2015]
 
Muito belo, este Salmo de David é tão especial que muitos crentes nele encontram o paradigma da mais convincente atitude de Fé. Não posso esquecer o caso de Maria José Nogueira Pinto que, nos seus últimos momentos, se remeteu a Deus, a todos nos enlevando com estas palavras:
 
O Senhor é o meu pastor,
por isso nada me faltará.
Faz-me descansar em verdes pastagens.
Guia-me calmamente até ribeiros tranquilos.

Dá novas forças à minha alma.
Conduz-me pelos caminhos da justiça,
para que eu honre o seu nome.
Mesmo quando andar pelo escuro desfiladeiro da morte,
não terei medo,
porque tu estarás comigo.
A tua vara e o teu cajado me amparam.

Dás-me uma comida maravilhosa,
mesmo na presença dos meus inimigos.
Unges a minha cabeça com óleo.
Enches-me de abundantes bênçãos,
como uma taça a transbordar.

Sem dúvida que a tua bondade e a tua misericórdia
me hão-de acompanhar todos os dias da minha vida,
e habitarei na tua casa para sempre.



J. S. Bach compôs a Cantata Coral "Der Herr ist mein getreuer Hirt", BWV. 112, com base num hino da autoria de Wolfgang Meuslin, uma paráfrase do Salmo 23.

Além do texto, também vos proponho a peça numa gravação datada de 1979, em interpretação de referência assegurada pelas vozes solistas de Markus Huber, soprano (membro do Tölzer Knabenchor), Paul Esswood, contralto, Kurt Equiluz, tenor, Ruud Van der Meer, barítono, coro dos Tölzer Knabenchor, Concentus musicus Wien, sob direcção de Nikolaus Harnoncourt.

Boa Audição!

 
 
"
 
Der Herr ist mein getreuer Hirt", BWV. 112 by Johann Sebastian Bach
 
 
 


"Rota da água"
fotos, textos e pre-textos
 
[facebook, 19.07.2015]
 
Formalmente belíssima, esta foto do Sergio Gonçalves, que também é de meridiana eficácia, prenuncia um discurso textual único e possível quando, quer no livro quer na exposição, se articularem os suportes da escrita e da imagem.
...
O desafio é estupendo. Desde logo, onde alguns observadores apenas vêem uma óbvia degradação - que ditaria a necessidade imperiosa de uma intervenção com o objectivo do restauro para reposição do aspecto original da peça - na realidade, permanecem e são pertinentes matizes de interpretação do designado 'espírito do lugar' que, se não forem respeitados numa intervenção de requalificação, poderão deitar tudo a perder.

Entre outros, também é para estes assuntos inerentes à ética das intervenções de preservação e restauro das peças, que o projecto "Rota da Água" da Canaferrim - Associação Cívica e Cultural pretende alertar a comunidade em geral e, em especial, a dos lugares onde elas se enquadram.
De facto, queremos que se intervenha no sentido da recuperação de alguns testemunhos deste património ímpar de fontes, fontanários, chafarizes, lavadouros. Mas não com o propósito de repor o «bonitinho» para a foto do turista com os «rodriguinhos» do costume...

Há muito «trabalho de sapa» para fazer, alguma investigação, e a concreta operacionalidade da obra a realizar que, por exemplo, pode pressupor o envolvimento da Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra.

Assim haja vontade de decisão nas sedes do poder local onde é suposto não faltar!...
 
 


18 de Julho de 1697 -
Falecimento do Padre António Vieira (n. 1608)

[facebook, 18.07.2015]


Nesta efeméride, logo me ocorreu aquela sentença que, citada a torto e a direito, é uma das mais mal tratadas pela comunicação social. "(...) Minha Pátria é a Língua Portuguesa" (...), excerto de "O Livro do Desassossego" de Bernardo Soares, é fruto de fortíssima impressão estética e suscitada pela leitura de uma página de Vieira. Melhor será que demos voz ao poeta, transcrevendo, portanto, o parágrafo anterior àquele em que está plasmada a citação em questão:

”(…) Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta, o passo célebre de Vieira sobre o Rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio…» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso; depois rompi em lágrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombroso vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância, de que não tenho saudades; é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de já não poder ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica(…)”

O trecho de Vieira, que tanto emocionou o desassossegado, é pura melopeia, na realidade, é o melhor Português de todos os tempos, vertido em páginas que só permanecem mortas, que não se fazem ouvir em toda a sua riqueza e grande certeza sinfónica, nas nossas casas, nas nossas escolas, em todos os locais onde seria suposto enriquecerem-nos, porque andamos todos muito preocupados com assuntos de lana caprina e, enfim, muito distraídos do que é essencial.
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Eis o original de Vieira.
Deliciem-se!
De facto, é de ir às lágrimas !!...

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"E pois nomeámos o mais sábio de todos os homens, e o mais opulento, e delicioso de todos os Reis, ele nos dirá o verdadeiro conceito que fez, e nós devemos fazer dos bens do mundo. «Eu me resolvi», diz Salomão, «a me dar a todas as delícias, e gozar todos os bens desta vida»: Dixi ego in corde meo, vadam, et affluam deliciis, et fruar bonis (Ecl 2,1). Com este pressuposto querendo, podendo, e sabendo fazer quanto quisesse, porque ninguém pôde tanto, nem quis mais, nem soube melhor que Salomão, vede o que faria. Fabricou um Palácio real em Jerusalém, que depois do Templo que ele edificara foi o segundo milagre; no monte Líbano traçou vários retiros, e casas de prazer, em que de mais de se ver junto todo o raro, e curioso do mundo, a amenidade dos jardins, a frescura das fontes, a espessura dos bosques, a caça, e montaria de aves, e feras, e até as sombras no verão, e os Sóis no inverno excediam com a arte a natureza; o trono de marfim em que dava audiência, e a carroça chamada Férculo, em que passeava, eram de tal arquitetura, e preço, que faz particular descrição deles a Escritura; às galas de Salomão o mesmo Cristo lhes chamou glória; os tesouros de ouro, e prata, que ajuntou, eram imensos; os gados maiores, e menores, que naquele tempo também eram riquezas dos Reis, não tinham número; os cavalos estavam repartidos em quarenta mil presépios; a sumptuosidade da mesa, para a qual concorriam diversas Províncias, e a majestade, grandeza, e ordem dos Oficiais, e Ministros, com que era servido, foi a que encheu de pasmo a Rainha Sabá; as baixelas, e vasos eram de ouro, as músicas de vozes esquisitas de ambos os sexos, e os cheiros, e aromas com que tudo recendia, quanto cria, e exala o Oriente. Não falo na qualidade, e gentileza das Damas, filhas de Príncipes, e escolhidas em diferentes nações, entre as quais só as que tinham nome, e estado de Rainhas, eram sessenta, servidas todas com aparato, e magnificência Real. Tudo isto gozava Salomão em suma paz, e com igual fama, sem inimigo, ou receio que lhe desse cuidado, e em tudo se empregava com tal aplicação, e excesso, que ele mesmo confessa de si que «nenhuma coisa viram seus olhos, nem inventaram seus pensamentos, nem apeteceram seus desejos, que lhe negasse»: Omnia quae desideraverunt oculi mei non negavi eis, nec prohibui cor meum quin omni voluptate frueretur (Ecl 2,10). Estando pois nestas felicidades de Salomão, não só recompilados, mas estendidos todos os bens do mundo, saibamos por fim que conceito fez deles. Ele o diz, e em bem poucas palavras: Cum me convertissem ad universa opera, quae fecerunt manus meae, et ad labores in quibus frustra sudaveram, vidi in omnibus vanitatem, et afflictionem animi (Ibidem, 11): «Voltando os olhos a tudo quanto tinha feito, em que debalde tinha trabalhado, e suado» («feito» diz, e «trabalhado», e «suado», e não «gozado», porque tudo o que gozou foi «debalde», frustra) «e o que vi, e achei em tudo, é que tudo é vaidade, e aflição de ânimo»: Vanitatem, et afflictionem animi. Logo se todos os bens do mundo são vaidade, como podem ser verdadeiros bens? E já que lhes concedamos o nome de bens; se todos causam aflição do ânimo, como podem ser bens sem mistura de males?"

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Padre António Vieira, "Sermão da Segunda Dominga da Quaresma", in Obra Completa do Padre António Vieira, direção de José Eduardo Franco e Pedro Calafate, Círculo de Leitores, 2013, Tomo II, Volume II, pp.59-60.

 
 


18 de Julho de 1929
Nascimento de Sequeira Costa
 
[facebook, 18.07.2015]
 
Permitam que partilhe convosco esta interpretação da "Cantiga d' Amigo", parte integrante das "Três Cenas Portuguesas" de Vianna da Motta. Como verificarão é estupenda, absolutamente luminosa!
 
Com um abraço de parabéns ao grande pianista.
Boa Audição!
 
 
 
 


Casa "Piriquita"
ícone local e nacional


[facebook, 17.07.2015]

Um beijinho amigo à Senhora D. Leonor Cunha, entre Eduardo Casinhas, Presidente da União das Freguesias de Sintra e Basílio Horta, Presidente da Câmara Municipal de Sintra, no dia em que recebeu a Medalha de Mérito Municipal, a mais justa distinção da comunidade sintrense.