[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 28 de março de 2016




24 de Março
Enrique Granados

[publicado no facebook em 24.03.2016]

Em plena Primeira Guerra mundial, naquele dia de 1916, na sequência de ter sido atingido por um torpedo o navio em que seguia como passageiro, morre tragicamente o pianista e compositor Enrique Granados (n. 1867).
...
Em sua homenagem, proponho que ouçamos a ópera "Goyescas", em excelente versão concertante, datada de 1992, numa gravação ao vivo, a partir da fabulosa sala do Palau de la Música de Barcelona.
A todos os títulos recomendável

Toca a Orquestra Ciutat de Barcelona (OCB), com as vozes solistas de Ana María González, soprano, Alicia Nafé, mezzo, Manuel Cid, tenor, Pablo Elvira, barítono, o coro Coral Càrmina. A dirigir a récita o nosso bem conhecido Maestro García Navarro.

Boa Audição!


https://youtu.be/Fv_9iUjKIFY
 
Ver Mais
 



Passos Coelho,
lider de passagem
 
[publicado no facebook em 24.03.2016]
 
Finalmente! A propósito destoutra e tão acertada intervenção presidencial, que tanto descredibiliza Passos Coelho, são cada vez mais evidentes os sinais de que ele terá os dias contados no próprio partido.
 
Agora, foi Morais Sarmento quem, entrevistado por Maria Flor Pedroso - trabalho que vai 'para o ar' dentro de minutos na RDP1 - deu a entender que Passos não é um lider que convenha às aspirações mais profundas do PSD.

Quando «lá dentro» as doutas opiniões vão neste sentido e, por outro lado, no CDS, só terá razões de preocupação pelo eleitorado que, inevitavelmente, lhe será roubado por uma estratégia assertiva que não é nada favorável às suas aspirações de liderança da direita, Passos deverá contar com uma contestação que não lhe dará tréguas.

Por enquanto, ainda empina a máscara de patriota de bandeira na lapela. Mas as atitudes ridículas, como ele próprio já começou a verificar, são as mais fáceis de desmascarar...
 
 
 
 
“Nem cheques em branco, nem preconceitos.” Eis Marcelo sobre a relação com o Governo, de quem recebeu cumprimentos em Belém. Sobre o sistema financeiro, o…
expresso.sapo.pt
 



 
 
Terrorismos
 
[publicado no facebook em 23.03.2016]
 
"Avô, depois das férias da Páscoa, a M. vai ter a vida ainda mais difícil lá na escola"
 
 
Onze anos, Pedro Maria, meu neto mais velho, sentando-se à mesa para almoçarmos, ontem, na turbulência dos eventos de Bruxelas. A M. é uma sua amiguinha muçulmana, também colega de turma. M. não anda, não pode andar despreocupada, alegre, satisfeita. Costuma ser incomodada por alguns garotos. Pedro defende-a e acha que se fala pouco deste assunto.
 
Sabem como rematou ele aquele início de conversa?

"Avô, a M. também é vítima de terrorismo"


PS:

O Pedro Maria não é precoce, não é sobredotado. É um garoto normalíssimo.
 
 
 
 



23 Março
Efemérides mozartianas

[publicado no facebook em 23.03.2016]

I. 1787

Viena: Composição da Aria "Mentre ti lascio, oh figlia” para Barítono, [mais tarde catalogada como KV. 513]. Respeitando a sua pontuação, eis o que Mozart escreve no seu registo pessoal: " No dia 23, uma Aria para H. Gottfried von Jacquin. Mentre ti lascio o figlia etc. Acompanhamento. 2 violinos, 2 violas, 1 flauta, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas e Baixo."
Proponho a partilha de uma gravação ao vivo, em Torino, 25 de Maio de 1962, em que Boris Christoff interpreta a Aria, com a Orchestra Sinfonica di Torino della RAI, sob a direcção de Lovro von Matacic. Parece que terá sido a única vez na vida que Boris Christoff interpretou esta peça, circunstância que ainda mais rara torna o excepcional registo.


II. 1791
Honra ao herói,
música no mausoléu



Estamos no dia 23 de Março de 1791, o ano derradeiro da vida de Mozart. O Conde Joseph Deym von Stritetz (Müller], dono de uma galeria de Viena, inaugura um mausoléu em honra do célebre Barão Ernst Gideon von Laudon (1717-1790), heróico marechal de campo que se notabilizou durante as guerras dos Sete Anos e de Sucessão da Baviera.

A peça para órgão cuja audição vos proponho, o Allegro e Adagio em Fá Menor KV 594, que deu entrada no catálogo manuscrito do compositor no dia 3 do mesmo mês, terá sido ali interpretada, com toda a probabilidade, durante a primeira semana de abertura ao público.
Eis a interpretação de Gianandrea Pauletta que toca no órgão da igreja de Saint-Vincent de Paul, em Morcenx (França) em gravação ao vivo datada de 8 de Junho de 2013. [II]
.
Boa audição!


https://youtu.be/XlIiTnyWDrk [I]
https://youtu.be/Rl1EHJQ_D4U [II]
 
Ver Mais
 
 
 
 



Objectos vividos

[publicado no facebook em 23.03.2016]

Mais um impecável 'serviço' da Parques de Sintra!...
Adquirimos um serviço de chá e café que pertenceu à Condessa d’ Edla. O serviço faz agora parte do acervo do Palácio Nacional da Pena e irá integrar a futura exposição permanente do Chalet da Condessa d’ Edla.

Saiba mais em: http://www.parquesdesintra.pt/…/parques-de-sintra-adquire-s…
 
 
 
 
©PSML A Parques de Sintra adquiriu um serviço de chá e café em prata, que pertenceu à Condessa d’Edla, a um particular. O serviço possui contraste “Lisboa…
parquesdesintra.pt
 


PR & PM à altura das circunstâncias


[publicado no facebook em 22.03.2016]


Dentre os Chefes de Estado europeus, o actual Presidente da República é daqueles que nos dá garantias de não incorrer em asneiras de opinião que ofendam seja quem for. Algo de muito semelhante se poderá afirmar sobre o Primeiro Ministro de Portugal. Só de pensar que, até há uns dias, São Bento e Belém tinham inquilinos do calibre de Coelho e Cavaco, até passa um calafrio…


 
 
 
O presidente da República já enviou uma carta ao rei Filipe da Bélgica, em que transmite "o pesar, o repúdio e a solidariedade do povo português", depois dos…
tsf.pt|De Global Media Group


Efeméride mozartiana
22 Março de 1784

[publicado no facebook em 22.03.2016]


Viena. Naquela segunda-feira, o sempre atarefadíssimo Amadé, toca em casa do Conde Johann Esterhazy e dá por terminada a composição do seu Concerto para Piano em Ré Maior, [posteriormente catalogado como KV. 451], escrevendo no seu registo pessoal: "No dia 22, um concerto para Piano. Acompanhamento. 2 violinos, 2 violas, 1 flauta, 2 oboés, 2 fagotes, 2 trompas, 2 clarinetes, timbales e baixo".

Tem três andamentos que indico com o tempo da gravação:
00:00 - Allegro assai
09:49 - Andante
15:51 - Allegro di molto.


Interpretação pela carismática mozartiana Mitsuko Uchida. JeffreyTate dirige a English Chamber Orchestra. É um registo mesmo muito recomendável. Antes de propor a audição apenas mais uma ideia a partilhar.

Então, referência às fotos. Conheço, pessoalmente, Mitsuko Uchida desde a da esquerda até à da direita... Há trinta e tal anos. É «só» a maior mozartiana do mundo. Com ela comparada - não sou apenas eu a dizê-lo - só a Clara Haskil.

À sua altura, actualmente, na abordagem de peças de Mozart, talvez Brendel, que, embora retirado, de vez em quando, ainda dá um ar da sua graça, ou András Schiff.

E escusam de dar trabalho às meninges porque, pelas lusas paragens, quem possa «estar na calha» - e até haverá!... - não é, de todo em todo, quem poderão estar a pensar. E o melhor é mesmo mais não escrever para não suscitar polémica...

Boa Audição!

https://youtu.be/K0x7ZSyuKEI
 
Ver Mais
 
 
 
 
Foto de João De Oliveira Cachado.



Da herança de Umberto Eco



[publicado no facebook em 22.03.2016]





21 de MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA
 
[publicado no dia 21.03.2016]

 Agradeço a todos os intelectuais, jornalistas, a todos os interessados de alguma maneira responsáveis pela divulgação dos nossos poetas, os mortos e os vivos. Agradeço tudo o que é feito de molde a manter essa lembrança, digna de todo o mérito, todo o empenho e eu diria, todo um orgulho em manter, revelar, espalhar, ensinar, elevar a poesia portuguesa, a actual...
e a anterior à actual.

CULPO E APONTO O MEU DEDO ACUSADOR a quem,por variadas razões se faz esquecido e omite e afasta e ignora e tapa e escurece e parece até que pretende que não tenham existido outros poetas e os deixem, ignominiosamente, ESQUECIDOS. Propositadamente esquecidos. Não são os pequenos meios que os esquecem, não! São os grandes meios de difusão, esses meios que, se quiserem, abrangem toda a gente.
Falo eu neste meu caso de ANTÓNIO GEDEÃO - 1906 - 1997.

Eu sei que António Gedeão é considerado um "poeta menor" por essas grandiloquentes e conhecedoras e avaliadoras cabeças, umas calvas de tanto pensar, outras meias calvas de tanto não pensar. Dá jeito, essa consideração. Ainda hoje li em jornais nomes de poetas que, de facto, considero irrecusáveis e, para mim, sempre presentes neste nosso tão frágil cenário literário. Apoio-os e conheço-os a todos. Aplaudo a sua obra com todas as minhas forças. Não aplaudo quem omite nomes importantíssimos, quem faz com que os mais novos nem sequer conheçam os desaparecidos e choro as minhas próprias lágrimas enraivecidas.
Isto não é cultural.

E é de cultura que falamos. E é de cultura que o país precisa que sem ela não se vai a lado nenhum. E é da cultura antiga e da cultura nova. Não é à custa de gostos pessoais - eu gosto deste e por isso destaco, eu não gosto deste e por isso não destaco.
Eu, como descendente deste poeta que mais não seja podia apenas ter escrito Pedra Filosofal e mais nada para ser UNIVERSAL, eu como descendente directa, neste caso, filha, e enquanto for viva revelá-lo-ei e espalharei as suas palavras aos quatro ventos.

E não só a Pedra Filosofal, ou a Calçada de Carriche, ou a Lágrima de Preta, ou a Fala do Homem Nascido, ou Aurora Boreal! Não! Há também outras centenas de poemas espalhados por vários livros, recorte e publicações variadas que NUNCA ninguém leu.

Para se saber sobre qualquer coisa, para se poder falar, debitar, orar, discursar, opinar, ou simplesmente parlapiar com os amigos é OBRIGATÓRIO conhecer-se mais do que a rama.
Eu, quando falo, falo do que conheço A FUNDO, profundamente. Jamais dou palpites e opiniões frágeis, simples, dessas que nem consistência têm e que, por conseguinte, nem vale a pena argumentar. 

 O melhor é mesmo ficar calado quando não se conhece, mas ao menos, por consideração por uma das figuras culturais, científicas, intelectuais, uma das maiores e mais importantes figuras do século XX português, ao menos mencionar o nome de ANTÓNIO GEDEÃO, mencioná-lo ao de leve, de raspão, não ficaria mal a ninguém. Muito pelo contrário.

Lamento imenso tudo isto.

CRISTINA CARVALHO - 21 de Março de 2016
Ver Mais
 
 
— com António Quinhones Hall, Yvette Centeno, Emilia Ralha e 44 outras pessoasAntónio Quinhones Hall, Yvette Centeno, Emilia Ralha, João Veloso, João De Oliveira Cachado, Maria Carlos Loureiro, Lurdes Júdice, Jorge Phyttas-Raposo, Malou Delgado Raínho, Ines Versos, Fátima Diogo, Rui Fonseca, Manuela Brito E Silva, Maria Emília Castanheira, Helena Pato, Maria Jose Vitorino, Eduardo Pitta, Inês Salvador, Teolinda Gersão, João Rasteiro, Maria Luísa Albuquerque Tavares, João Matos, Maria Isabel Fidalgo, José Cipriano Catarino, André Freire, Jose Magalhaes, Alice Brito, Francisco Carvalho, Maria Cantinho, Inês Carvalho, André Gago, Elisabeth Oliveira Janeiro, Elisa Costa Pinto, Ana Cristina Silva, António Duarte-Fonseca, Isabela Figueiredo, Ivone Mendes da Silva, João Castro, Joao Antonio Dias, Sandra Barros Simões, Jorge C Ferreira, Ana Teresa Pereira, Ana Cristina Pereira Leonardo, Pedro Almeida Vieira, Ana Margarida De Carvalho, Ana Vidal e Ana Maria Pereirinha.

O meu testemunho:

 
Querida Cristina Carvalho, fiquei muito sensibilizado por me teres associado a esta tua iniciativa. É um manifesto e como manifesto tem de ser lido e entendido. Subscrevo-o inteiramente e, inclusive, reclamando-me seu 'descendente'. Além da obra que, julgo poder afirmar, conheço bem, prezo o homem e o cidadão verdadeiramente 'nobre' que o teu pai foi. Quem tem a ideia de que o conhece a partir da leitura da obra, muito surpreendido ficará se ler "Rómulo de Carvalho [Memórias]", na edição erviço de Educação e Bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian. É todo um mundo que se abre, revelando o homem extraordinãrio que, desde criança até aos últimos tempos da vida, revela uma sensibilidade, inteireza de valores e de princípios, lucidez, que completam o poeta, o professor, para nos abrir a paleta tão compósita do homem em todas as suas acepções. A sua obra - com registos muito interessantes em domínios como o ensaio, contributos para a História da Educação, divulgação cultural, etc - tem momentos de invulgar qualidade e Beleza no domínio da Poesia que melhor será entendida se articulada com as Memórias cuja leitura aonselho o mais vivamente possível. Se, infelizmente, não fui seu aluno, tive o privilégio de o conhecer pessoalmente, na vossa casa de Campo de Ourique. Além do excepcional Poeta, dele guardei testemunhos que, muito articulados pela minha própria experiência de vida e percurso profissional como Técnico de Educação, professor e sindicalista, me levaram a propor o seu nome como patrono do Pessoal de Apoio Educativo (os designados 'não docentes), ou seja, os assistentes de acção educativa, administrativos, técnicos e técnicos superiores que trabalham nas escolas e nos departamentos mais diferentes doi Sistema Educativo. Cada dia 24 de Novembro, data do seu aniversário, é anualmente celebrado, sob o patrocínio de Rómulo de Carvalho/António Gedeão, o Homem e o Artista que, para muitos de nós, é um paradigma dessa dualidade indissociável. É verdade que, por aí, em cenáculos mais que duvidosos, alguns tontinhos, coitados, conseguem descobrir menoridade poética em peças cujo filtro de excelência permite que a elas aceda, praticamente, qualquer alfabetizado. Provavelmente, será por isso... Não terão a dose de impenetrabilidade para que, tão somente, fiquem circunscritas a um grupo de «eleitos», patologicamente reunidos à volta de um esoterismo militante... A tua indignação é de uma invulgar dignidade, minha amiga. Repito a minha comoção por ficar ligado a esta tua atitude no Dia Mundial da Poesia. Beijinho




Johann Sebastian Bach
Nascimento: Eisenach, 21 de março de 1685
(m. Leipzig, 1750)

[publicado no facebook em 21.03.2016]


No dia de aniversário do gigante, gostaria de vos deixar com uma sua bem humorada peça. Aí têm a Cantata Profana "Kaffee Kantate" BWV 211. Se puderem, preparem o melhor café que tiverem lá por casa e acompanhem a audição com aromáticos goles de boas arábicas...

Não deixem de reparar na alegria dos intervenientes - que o libretto de Christian Friedrich Henrici [conhecido como Picander] propicia - nomeadamente dos solistas Anne Grimm, Klaus Mertens e Lothar Odinius e de Ton Koopmann que dirige a Amsterdam Baroque Orchestra.
Eis o texto original com tradução interlinear para Inglês. Como poderão verificar, tem momentos extremamente engraçados. Aproveitem!

[Permitam que dedique esta audição ao meu sobrinho André Cachado Alves, Andre Alves, ilustre arquitecto em «folga estratégica», e à Maria Emília Brederode Santos, a notável referência portuguesa como Técnica de Educação, também hoje aniversariantes]

____________________

Cantata BWV 211

Schweigt stille, plaudert nicht - Kaffeekantate
Cantata BWV 211 - Coffee Cantata
Keep quiet, don’t chatter


Personagens: Liesgen (Soprano), Narrador (Tenor), Schlendrian (Barítono)

1
Recitativo: Narrator [Tenor]

Continuo

Schweigt stille, plaudert nicht
Keep quiet, don’t chatter
Und höret, was itzund geschicht:
and hear what’s going on now:
Da kömmt Herr Schlendrian
here comes Herr Schlendrian
Mit seiner Tochter Liesgen her,
with his daughter Liesgen
Er brummt ja wie ein Zeidelbär;
he’s growling like a honey-bear -
Hört selber, was sie ihm getan!
hear for yourselves what she has done to him.



2
Aria: Herr Schlendrian [Brítono]

Violino I/II, Viola, Continuo

Hat man nicht mit seinen Kindern
Don’t we have with our children
Hunderttausend Hudelei!
a hundred thousand muddles !
Was ich immer alle Tage
What always every day I
Meiner Tochter Liesgen sage,
say to my daughter Liesgen
Gehet ohne Frucht vorbei.
goes in one ear and out the other
[lit. goes by without profit]



3
Recitativo: Schlendrian [Barítono], Liesgen [Soprano]

Continuo

Schlendrian:
Du böses Kind, du loses Mädchen,
You bad child, you wild girl!
Ach! wenn erlang ich meinen Zweck:
Oh! If only I could have my way :
Tu mir den Coffee weg!
get rid of coffee!


Liesgen:
Herr Vater, seid doch nicht so scharf!
Father, don’t be so hard!
Wenn ich des Tages nicht dreimal
If three times a day I can’t
Mein Schälchen Coffee trinken darf,
drink my little cup of coffee,
So werd ich ja zu meiner Qual
then I would become so upset
Wie ein verdorrtes Ziegenbrätchen
that I would be like dried up piece of roast goat.



4
Aria: Liesgen [Soprano]

Flauto traverso, Continuo

Ei! wie schmeckt der Coffee süße,
Ah! how sweet coffee tastes!
Lieblicher als tausend Küsse,
Lovelier than a thousand kisses,
Milder als Muskatenwein.
smoother than muscatel wine.
Coffee, Coffee muss ich haben,
Coffee, I must have coffee,
Und wenn jemand mich will laben,
and if anyone wants to give me a treat,
Ach, so schenkt mir Coffee ein!
ah!, just give me some coffee!



5
Recitativo: Schlendrian [Barítono], Liesgen [Soprano]

Continuo

Schlendrian:
Wenn du mir nicht den Coffee lässt,
If you don’t give up coffee,
So sollst du auf kein Hochzeitfest,
you won’t be going to any wedding
Auch nicht spazierengehn.
and you won’t go out walking either.


Liesgen:
Ach ja!
Alright then !
Nur lasset mir den Coffee da!
Just leave me my coffee!


Schlendrian:
Da hab ich nun den kleinen Affen!
I’ll get the little minx now!
Ich will dir keinen Fischbeinrock nach itzger Weite schaffen.
I shan’t get you the latest fashion in just your size.


Liesgen:
Ich kann mich leicht darzu verstehn.
I can easily do without that.


Schlendrian:
Du sollst nicht an das Fenster treten
You’re not to stand at the window
Und keinen sehn vorübergehn!
and you won’t see anyone going by!


Liesgen:
Auch dieses; doch seid nur gebeten
I don’t mind that either; but please , I beg you,
Und lasset mir den Coffee stehn!
just let me keep my coffee!


Schlendrian:
Du sollst auch nicht von meiner Hand
What’s more you won’t get from me
Ein silbern oder goldnes Band
a silver or gold ribbon
Auf deine Haube kriegen!
to put on your bonnet!


Liesgen:
Ja, ja! nur lasst mir mein Vergnügen!
That’s fine! Just leave me my pleasure!


Schlendrian:
Du loses Liesgen du,
You’re impossible Liesgen, you are,
So gibst du mir denn alles zu?
you would give up everything I say?



6
Aria: Schlendrian [Barítono]

Continuo

Mädchen, die von harten Sinnen,
Girls with obstinate minds
Sind nicht leichte zu gewinnen.
are not easily won over.
Doch trifft man den rechten Ort,
But if you hit the right spot,
O! so kömmt man glücklich fort.
oh then you’re in luck.



7
Recitativo: Schlendrian [Barítono], Liesgen [Soprano]

Continuo

Schlendrian:
Nun folge, was dein Vater spricht!
Now follow what your father says!


Liesgen:
In allem, nur den Coffee nicht.
In everything else, but not coffee.


Schlendrian:
Wohlan! so musst du dich bequemen,
Well then! You must get used to the idea
Auch niemals einen Mann zu nehmen.
that you won’t have a husband either.


Liesgen:
Ach ja! Herr Vater, einen Mann!
Oh yes! Father, a husband!


Schlendrian:
Ich schwöre, dass es nicht geschicht.
I swear, that won’t happen.


Liesgen:
Bis ich den Coffee lassen kann?
Until I can give up coffee?
Nun! Coffee, bleib nur immer liegen!
Right! Coffee, remain forever untouched
Herr Vater, hört, ich trinke keinen nicht.
Father,listen, I won’t drink any at all.


Schlendrian:
So sollst du endlich einen kriegen!
Then you’ll have a husband!



8
Aria: Liesgen [Soprano]

Violino I/II, Viola, Cembalo, Continuo

Heute noch,
This very day,
Lieber Vater, tut es doch!
dear father, do it now!
Ach, ein Mann!
Ah, a husband!
Wahrlich, dieser steht mir an!
That’s just right for me!
Wenn es sich doch balde fügte,
If only it could happen at once,
Dass ich endlich vor Coffee,
so that at last instead of coffee
Eh ich noch zu Bette geh,
before I go to bed
Einen wackern Liebsten kriegte!
I could get a lusty lover!



9
Recitativo: Narrador [Tenor]

Continuo

Nun geht und sucht der alte Schlendrian,
Now old Schlendrian goes off and looks out
Wie er vor seine Tochter Liesgen
for his daughter Liesgen
Bald einen Mann verschaffen kann;
to see if he can get her a husband soon.
Doch, Liesgen streuet heimlich aus:
But Liesgen lets it be secretly known:
Kein Freier komm mir in das Haus,
no suitor of mine should come to the house
Er hab es mir denn selbst versprochen
unless he himself has promised
Und rück es auch der Ehestiftung ein,
and it is written also in the marriage contract
Dass mir erlaubet möge sein,
that I shall be permitted
Den Coffee, wenn ich will, zu kochen.
to make coffee whenever I want.



10
Coro (Terzetto) [Soprano, Tenor, Barítono]

Flauto traverso, Violino I/II, Viola, Continuo

Die Katze lässt das Mausen nicht,
The cat does not leave the mouse,
Die Jungfern bleiben Coffeeschwestern.
young ladies remain coffee addicts.
Die Mutter liebt den Coffeebrauch,
The mother loves her cup of coffee
Die Großmama trank solchen auch,
the grandmother drank it also.
Wer will nun auf die Töchter lästern!
Who can blame the daughters!

.
Boa audição!

http://youtu.be/dQyk1BEVERkJ

[À dir. o Café Zimmermann cerca de 1700]
 
 
Foto de João De Oliveira Cachado.



 
Foto de João De Oliveira Cachado.