[sempre de acordo com a antiga ortografia]
domingo, 28 de setembro de 2014
Christopher Hogwood
[facebook, 26.09.2014]
Morreu há dois dias. Embora fosse anunciada, já que há meses estava muito doente, a sua morte não me podia ter causado maior impressão. Figura de destaque da designada Música Antiga, era um dos directores de orquestra mais aguardados em Salzburg. A sua direcção das sinfonias de Mozart, com a Academy of Ancient Music, perdurará como marco irrefutável da leitura do legado sinfónico mozartiano.
Para ilustração do trabalho de CH, proponho que partilhemos a Sinfonia No.25 em Sol menor, K. 183 (K. 173dB) que foi acabada de compor em 5 de Outubro de 1773, apenas dois depois após a precedente sinfonia Nº 24, facto que não está absolutamente comprovado, e pouco tempo depois do sucesso obtido pela sua ópera “Lucio Silla”.
Socorro-me do texto que escrevi por altura da minha abordagem ao conjunto total das sinfonias de Mozart, começando por chamar a vossa atenção logo para os primeiros acordes já que foi esta a peça escolhida por Milos Forman para início do “Amadeus”, filme que, como sabem, de modo algum, corresponde a uma biografia do compositor.
Mozart escreveu duas sinfonias em Sol menor, ou seja, esta – também conhecida como a ‘Sol menor Pequena’ e, muito mais tarde, em 1788, a famosíssima Nº 40, KV 550. Preciso é ter em consideração que a maioria das sinfonias do século dezoito é composta em tom maior, aparentemente, adequando-se muito mais à optimística grandeza e pomposa solenidade do que aos matizes mais escuros e sentimentos mais apaixonados afins das obras em Sol menor. É um pouco nesta linha que se move uma corrente da musicologia pretendendo ver nestas peças a marca de um pré ou proto-romantismo, coincidente com o movimento Sturm und Drang.
Em contraste com as sinfonias da década precedente, estas obras têm em comum um uso muito mais frequente do contraponto, súbitos saltos temáticos, maior utilização das síncopes – ou seja o recurso ao padrão rítmico em que um som é articulado na parte fraca do tempo ou compasso, prolongando-se pela parte forte seguinte – finais mais prolongados e ocorrência muito mais frequente de segmentos em uníssono.
Ainda a propósito, convirá ter presente que, muito antes de ter composto esta Sinfonia KV. 183, o jovem Mozart conhecia todas estas particularidades. Lembremos o que, já a propósito desta série de artigos introdutórios às sinfonias de Mozart, eu próprio referi quanto à KV. 118, datada de dois anos antes. E, ainda mais extraordinário, se recuarmos ao período da infância, nomeadamente, a 1764 (nos seus oito anos de idade, durante a estada em Londres), quando esboçou num caderninho de notas uma peça para tecla – precisamente, em Sol menor, KV 15 - em estilo quase orquestral, que já captava o carácter tempestuoso que tem sido erroneamente proclamado como original de um período posterior.
A obra desenvolve-se de acordo com a estrutura clássica de quatro andamentos ,1. Allegro con brio, 4/4 em Sol menor, 2. Andante, 2/4 em Mi bemol Maior, 3. Menuetto /Trio, 3/4 em Sol menor e Trio em Sol Maior e, finalmente, 4. Allegro, 4/4 em Sol menor. Ainda de assinalar que haverá influências da Sinfonia No. 39 de Joseph Haydn, que também obedece à tonalidade de Sol menor.
Boa audição!
http://youtu.be/OyNi19dceMo [I. Allegro con brio]
http://youtu.be/UGwRzbQM9os [II. Andante]
http://youtu.be/1tpLUlOUIVA [III. Minuetto e Trio (Allegretto)]
http://youtu.be/Sl_enPgIjJQ [IV. Allegro]
Odeceixe [VI]
[facebook, 26.09.2014]
Dias do mais denso e maior espanto. À nossa volta, à volta da Casa, de manhã à noite, um sucesso imperturbável de Marés. Ritmo compassado, no ouvido habituado. Acústica de graves, nos baixos profundos da Rebentação, longe e perto, noite e dia, noite e dia. E o aflitivo desassossego de grilos em fim de estação.
Caminhadas matinais genésicas, são as nossas, da luz sempre para a luz. No templo deserto da Areia, rezo muito, pelas contas do meu rosário de dedos dispo...níveis. Insondável apelo o das Águas onde me diluo, em mortes precoces e constantes, perante o testemunho dos verdes na falésia a pique.
[facebook, 26.09.2014]
Dias do mais denso e maior espanto. À nossa volta, à volta da Casa, de manhã à noite, um sucesso imperturbável de Marés. Ritmo compassado, no ouvido habituado. Acústica de graves, nos baixos profundos da Rebentação, longe e perto, noite e dia, noite e dia. E o aflitivo desassossego de grilos em fim de estação.
Caminhadas matinais genésicas, são as nossas, da luz sempre para a luz. No templo deserto da Areia, rezo muito, pelas contas do meu rosário de dedos dispo...níveis. Insondável apelo o das Águas onde me diluo, em mortes precoces e constantes, perante o testemunho dos verdes na falésia a pique.
O Resto? Pães vários, a grelha muito importante, o Peixe escalado, aberto ao Sol, umas conchas ao vapor. Requinte? O essencial dos brancos secos, frescos, os frutos das hortas locais. O Resto? De Leituras se fazem as Horas, enfim, imensas.
Centenário do Mozarteum de Salzburg [II]
[facebook, 26.09.2014]
Eis a segunda parte do programa do concerto jubilar. Através destas gravações, espero bem, poderão perceber a selecção de peças que a Fundação do Mozarteum de Salzburg decidiu apresentar durante o Concerto de inauguração da Grosse Saal em 1914 e que, agora, repete.
Boa audição!
6. Schubert - "Der Doppelgänger", D 957/13
Brigitte Fassbaender, mezzo-soprano / Aribert Reimann, piano [ouvir a faixa No. 18 do ciclo "Schwanengesang" que a gravação reproduz na totalidade]
http://youtu.be/Q8OOGX0ldBQ
7. Wagner
- "Wesendonck-Lieder, No. 3, 'Schmerzen'
Cheryl Studer, Staatskapelle Dresden, sob a direcção de Sinopoli;
-'Gebet König Heinrichs', da ópera "Lohengri"
Günther Groissböck:
http://youtu.be/gn3RP3E9hyY
- 'Aussprache König Heinrichs', da ópera "Lohengrin"
Maestro: Rudolf Kempe dirige a Wiener Philharmoniker
http://youtu.be/joyAAhNZYpk
8. Carl Loewe, "Prinx Eugen der Edle Ritter", Op. 92
:Hermann Prey com Karl Engel ao piano
http://youtu.be/OV2vN-o26RM
9. Schubert - "Die Almacht" D 852
Jacques Urlus, tenor (1867-1935), gravado em 18 April 1916
http://youtu.be/Gj1y57_8m0Y
10 - Hino austríaco de 1914, "Gott erwalte"
- http://youtu.be/UTnM2jCPIIU
11 - Deutsche Kaiserhymne "Heil Dir im Siegerkranz"
- http://youtu.be/IjJa3_dR5Ac
____________________________
Extra concerto da inauguração
Mozart - "Abendempfindung an Laura" KV 523
Arleen Auger - Sopran com Irwin Gage ao Piano
http://youtu.be/Ma9KPdskqd4
[facebook, 26.09.2014]
Eis a segunda parte do programa do concerto jubilar. Através destas gravações, espero bem, poderão perceber a selecção de peças que a Fundação do Mozarteum de Salzburg decidiu apresentar durante o Concerto de inauguração da Grosse Saal em 1914 e que, agora, repete.
Boa audição!
6. Schubert - "Der Doppelgänger", D 957/13
Brigitte Fassbaender, mezzo-soprano / Aribert Reimann, piano [ouvir a faixa No. 18 do ciclo "Schwanengesang" que a gravação reproduz na totalidade]
http://youtu.be/Q8OOGX0ldBQ
7. Wagner
- "Wesendonck-Lieder, No. 3, 'Schmerzen'
Cheryl Studer, Staatskapelle Dresden, sob a direcção de Sinopoli;
-'Gebet König Heinrichs', da ópera "Lohengri"
Günther Groissböck:
http://youtu.be/gn3RP3E9hyY
- 'Aussprache König Heinrichs', da ópera "Lohengrin"
Maestro: Rudolf Kempe dirige a Wiener Philharmoniker
http://youtu.be/joyAAhNZYpk
8. Carl Loewe, "Prinx Eugen der Edle Ritter", Op. 92
:Hermann Prey com Karl Engel ao piano
http://youtu.be/OV2vN-o26RM
9. Schubert - "Die Almacht" D 852
Jacques Urlus, tenor (1867-1935), gravado em 18 April 1916
http://youtu.be/Gj1y57_8m0Y
10 - Hino austríaco de 1914, "Gott erwalte"
- http://youtu.be/UTnM2jCPIIU
11 - Deutsche Kaiserhymne "Heil Dir im Siegerkranz"
- http://youtu.be/IjJa3_dR5Ac
____________________________
Extra concerto da inauguração
Mozart - "Abendempfindung an Laura" KV 523
Arleen Auger - Sopran com Irwin Gage ao Piano
http://youtu.be/Ma9KPdskqd4
Centenário do Mozarteum de Salzburg [I]
[facebook, 26.09.2014]
Tal como havia prometido, eis a primeira parte do programa do concerto jubilar. Através destas gravações, espero bem, poderão perceber a selecção de peças que a Fundação do Mozarteum de Salzburg decidiu apresentar durante o Concerto de inauguração da Grosse Saal em 1914 e que, agora, repete. Mais logo, partilharei convosco a segunda parte.
Boa audição!
[facebook, 26.09.2014]
Tal como havia prometido, eis a primeira parte do programa do concerto jubilar. Através destas gravações, espero bem, poderão perceber a selecção de peças que a Fundação do Mozarteum de Salzburg decidiu apresentar durante o Concerto de inauguração da Grosse Saal em 1914 e que, agora, repete. Mais logo, partilharei convosco a segunda parte.
Boa audição!
1. Mozart: - Cantata Kleine deutsche Kantate "Die ihr des unermeßlichen Weltalls Schöpfer ehrt" para tenor e piano, K 619
Helmut Wildhaber, tenor
Chorus Wiennensis
Wiener Akademie
Maestro: Martin Haselböck,
http://youtu.be/oduRJk0AOJw [KV 619]
2. Mozart: -"Alleluja, do Motete 'Exultate Jubilate' " KV 165
Edita Gruberova
http://youtu.be/Vabmb8_O-sc
3. Mozart: - 'L'amerò sarò costante' de "Il Re pastore'
Kathleen Battle
http://youtu.be/r2fhd1F4iJw
4. Haydn, Quarteto de Cordas em Dó Maior, Op. 76 No. 3Hob III:77 "Kaiser", segundo andamento, 'Poco adagio: cantabile', pelo Quator Mosaiques
http://youtu.be/4t3Vmo_EM8Y?list=PL167A30ABF9A80F4A
5. Beethoven, "Die Ehre Gottes aus der Natur interpretado pelos Coros Franz Schubertchor, Eisenach und dem Männerchor der Wartburgstadt, sob a direcção de Manfred Jäckel."
http://youtu.be/DajRgvmJTKw
Helmut Wildhaber, tenor
Chorus Wiennensis
Wiener Akademie
Maestro: Martin Haselböck,
http://youtu.be/oduRJk0AOJw [KV 619]
2. Mozart: -"Alleluja, do Motete 'Exultate Jubilate' " KV 165
Edita Gruberova
http://youtu.be/Vabmb8_O-sc
3. Mozart: - 'L'amerò sarò costante' de "Il Re pastore'
Kathleen Battle
http://youtu.be/r2fhd1F4iJw
4. Haydn, Quarteto de Cordas em Dó Maior, Op. 76 No. 3Hob III:77 "Kaiser", segundo andamento, 'Poco adagio: cantabile', pelo Quator Mosaiques
http://youtu.be/4t3Vmo_EM8Y?list=PL167A30ABF9A80F4A
5. Beethoven, "Die Ehre Gottes aus der Natur interpretado pelos Coros Franz Schubertchor, Eisenach und dem Männerchor der Wartburgstadt, sob a direcção de Manfred Jäckel."
http://youtu.be/DajRgvmJTKw
[Com base em informação veiculada pela Parques de Sintra]
PALÁCIO DE QUELUZ
"TEMPESTADE E GALANTERIE"
CONCERTO DE ABERTURA IMPERDÍVEL!
Ciclo de Outono
Midori Seiler e Jos van Immerseel: dois revolucionários juntos no Palácio de Queluz
- Concerto de abertura do Ciclo de Outono
- Primeira vez em Portugal em conjunto pianoforte e violino
- Programa inclui obras de Beethoven, Schubert e Clementi
Imagens em alta resolução: http://62.28.132.233/1411654647.zip
Programa do Ciclo de Outono: www.parquesdesintra.pt/wp-content/uploads/2014/09/programa.pdf
O Ciclo de Outono da “Temporada de Música – Tempestade e Galanterie” tem o seu concerto de abertura a 3 de outubro com dois grandes nomes da música internacional: Midori Seiler e Jos van Immerseel.
Esta é a primeira vez que estes dois solistas atuam em Portugal em conjunto violino e pianoforte, respetivamente, e o concerto terá lugar na Sala da Música do Palácio Nacional de Queluz às 21h00.
Os dois músicos, incontornáveis na cena internacional dos últimos vinte anos, são responsáveis por fortes criações artísticas e intelectuais, tais como orquestras e projetos de ordem estética, que hoje em dia são parte integrante de um movimento de revolução único.
O programa da noite de abertura inclui a Sonata No. 1 em Ré maior, Op. 12 No. 1, e Sonata No. 6 em Lá maior Op. 30 No. 1 de L. v. Beethoven, a Sonata em Sol menor D 408 de F. Schubert, e a Sonata em Fá menor Op. 13 No. 6 de M. Clementi.
Midori Seiler é, desde 2000, concertino de algumas da mais importantes orquestras internacionais como a Akademie für Alte MusikBerlin e a Anima Eterna e foi também concertino convidada em vários agrupamentos como a Orchestra of the Age of Enlightment e a Deutsche Kammerphilharmonie de Bremen.
Já Jos van Immmerseel é hoje mundialmente reconhecido como solista notável e prestigiado intérprete de música de câmara tendo, paralelamente, construído uma carreira como Maestro, com Anima Eterna Brugge – a orquestra com instrumentos de época criada em 1987 como laboratório musical – que está hoje no centro das suas atividades.
Juntos concretizaram projetos discográficos dedicados às sonatas para pianoforte e violino de Mozart, Schubert e Beethoven.
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Os bilhetes para este concerto têm um preço de 15 Euros (adultos) e 10 Euros (estudantes) e podem ser adquiridos nas bilheteiras da Parques de Sintra, online em www.blueticket.pt, bem como na FNAC, Worten, El Corte Inglés, MEO Arena, Media Markt e Postos de Turismo Aeroporto e Pç. Do Comércio.
O Ciclo do Outono é um evento organizado pela Parques de Sintra em parceria com o Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal (CEMSP), que tem direção artística de Massimo Mazzeo. Depois do Ciclo de Carnaval, que teve lugar em março, é agora vez do Ciclo de Outono trazer grandes nomes da música nacional e internacional em cinco concertos no Palácio Nacional de Queluz. Desta vez o destaque é dado aos agrupamentos: duos, trios e orquestras.
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Temporada de Música Palácio Nacional de Queluz 2014 - Tempestade e Galanterie
Ciclo de Outono
PROGRAMA GERAL
3 de outubro, 21h00, Sala da Música
Midori Seiler, violino
Jos van Immerseel, pianoforte
L.V. Beethoven, F. Schubert, M. Clementi
Preço: 15€ adulto, 10€ estudante
10 de outubro, 21h00, Sala do Trono
Diemut Poppen, Gerhild Romberger e Manuel Lange
J. Brahms, C. Debussy, H. Duparc
Entrada gratuita, de acordo com a capacidade da sala (levantamento de bilhetes no próprio dia)
11 de outubro, 21h00, Sala do Trono
Trio do Desassossego
L.V. Beethoven, F. Mendelssohn
Preço: 15€ adulto, 10€ estudante
18 de outubro, 21h00, Sala do Trono
Concerto Campestre
Pedro Castro, direção musical
João de Sousa Carvalho
Preço: 20€ adulto, 10€ estudante
25 de outubro, 21h00, Sala do Trono
Orquestra Gulbenkian
Massimo Mazzeo, direção musical
Karina Gauvin, soprano
F. J. Haydn, W.A. Mozart, J.D. Bomtempo
Preço: 20€ adulto, 10€ estudante
Efeméride musical
25 de Setembro de 1906
Nascimento de Dmitri Chostakovitch [m. 1975]
[facebook, 25.09.2014]
Sem margem para qualquer dúvida, Dmitri Chostakovitch é o grande compositor sinfonista do século vinte. Nada menos do que quinze sinfonias constam da lista das suas obras, seguindo muito de perto a evolução do compositor, como músico e como cidadão empenhado, numa União Soviética onde não foi fácil ser artista livre, em especial durante o consulado de Estaline.
A Sinfonia Nº 7 em Dó Maior, op. 60, que levou Leninegrado como subtítulo, é particularmente célebre já que, por um lado, funciona como hino heróico à resistência da Rússia contra o nazismo, em especial durante o cerco das tropas alemãs a Leninegrado e, por outro, poderá ser entendido como denúncia das violências perpetradas pelo regime então vigente.
Trata-se de uma peça absolutamente fascinante para grande orquestra sinfónica, com a duração total de cerca de uma hora e um quarto, em quatro andamentos - I. Allegretto, II. Moderato (poco allegretto), III. Adagio e IV. Allegro non troppo - cuja sequência e obediência programática quase nos remetem para a morfologia de um poema sinfónico cujos contornos seriam os das referências políticas e beligerantes acima referidas.
Comemorando a efeméride, proponho-vos a audição do quarto andamento, 'Allegro non troppo´, representativo da excelente oficina do compositor. Reparem, por exemplo, como, logo no início, se insinua um motivo quase marcha, nas cordas graves, dialogando com os violinos que, progressivamente, ganham grande agitação, tudo isto precedendo uma secção de oponente acalmia em que avultam temas de andamentos anteriores. Segue-se um violentíssimo climax e, como tantas vezes, acontece em Chostakovitch, o remate é irónico e de uma tranquilidade algo ambígua.
A interpretação deste excerto da Sinfonia, consta de uma gravação de 2004, a cargo da Orquestra Filarmónica Russa, sob a direcção de Dmitri Yablonsky.
Boa audição!
http://youtu.be/p5zt4ntcKSE
[facebook, 25.09.2014]
Sem margem para qualquer dúvida, Dmitri Chostakovitch é o grande compositor sinfonista do século vinte. Nada menos do que quinze sinfonias constam da lista das suas obras, seguindo muito de perto a evolução do compositor, como músico e como cidadão empenhado, numa União Soviética onde não foi fácil ser artista livre, em especial durante o consulado de Estaline.
A Sinfonia Nº 7 em Dó Maior, op. 60, que levou Leninegrado como subtítulo, é particularmente célebre já que, por um lado, funciona como hino heróico à resistência da Rússia contra o nazismo, em especial durante o cerco das tropas alemãs a Leninegrado e, por outro, poderá ser entendido como denúncia das violências perpetradas pelo regime então vigente.
Trata-se de uma peça absolutamente fascinante para grande orquestra sinfónica, com a duração total de cerca de uma hora e um quarto, em quatro andamentos - I. Allegretto, II. Moderato (poco allegretto), III. Adagio e IV. Allegro non troppo - cuja sequência e obediência programática quase nos remetem para a morfologia de um poema sinfónico cujos contornos seriam os das referências políticas e beligerantes acima referidas.
Comemorando a efeméride, proponho-vos a audição do quarto andamento, 'Allegro non troppo´, representativo da excelente oficina do compositor. Reparem, por exemplo, como, logo no início, se insinua um motivo quase marcha, nas cordas graves, dialogando com os violinos que, progressivamente, ganham grande agitação, tudo isto precedendo uma secção de oponente acalmia em que avultam temas de andamentos anteriores. Segue-se um violentíssimo climax e, como tantas vezes, acontece em Chostakovitch, o remate é irónico e de uma tranquilidade algo ambígua.
A interpretação deste excerto da Sinfonia, consta de uma gravação de 2004, a cargo da Orquestra Filarmónica Russa, sob a direcção de Dmitri Yablonsky.
Boa audição!
http://youtu.be/p5zt4ntcKSE

quarta-feira, 24 de setembro de 2014
estado islâmico,
grandes males, grandes remédios
Cada vez mais se me impõe a necessidade de promover um 'black out' global às desesperadas mas eficacíssimas manobras de divulgação das notícias veiculadas pelo estado islâmico através dos media e redes sociais a nível mundial.
grandes males, grandes remédios
Cada vez mais se me impõe a necessidade de promover um 'black out' global às desesperadas mas eficacíssimas manobras de divulgação das notícias veiculadas pelo estado islâmico através dos media e redes sociais a nível mundial.
Desconheço como é possível operacionalizar tal medida que, de qualquer modo, já me asseguraram ser possível concretizar. Só espero é que não haja quem tenha o topete de argumentar que tal solução constituiria um monumental acto de censura à liberdade de expressão!...
Cultura em Sintra,
estados gerais
Na oportunidade da publicação deste taxto do Ricardo Duarte pela 'Alagamares', aproveitaria para considerar que, no âmbito das actividades culturais em Sintra, tantos são os assuntos que carecem de inequívoca definição, que me parece impor-se a concretização de uma iniciativa do género «Estados Gerais da Cultura», de tal modo organizada, por grupos de interesse – bibliotecas, museus, teatro e artes performativas, artes plásticas, artesanatos,... etc – que todos os ‘agentes’ envolvidos se pudessem pronunciar.
estados gerais
Na oportunidade da publicação deste taxto do Ricardo Duarte pela 'Alagamares', aproveitaria para considerar que, no âmbito das actividades culturais em Sintra, tantos são os assuntos que carecem de inequívoca definição, que me parece impor-se a concretização de uma iniciativa do género «Estados Gerais da Cultura», de tal modo organizada, por grupos de interesse – bibliotecas, museus, teatro e artes performativas, artes plásticas, artesanatos,... etc – que todos os ‘agentes’ envolvidos se pudessem pronunciar.
Generosamente, com toda a operacionalidade, tratar-se-ia de fornecer ao executivo municipal, nomeadamente ao pelouro da Cultura, ideias, soluções praticáveis, que permitissem «arrumar a casa» da Cultura. No mais específico âmbito deste artigo, ou seja, ocupação de instalações, porque muitos são os interessados, quanto mais participado for o processo de decisão, menos hipótese haverá de incorrer nas asneiras do costume.
Ver mais
Ideias?
- Já lá estão!...
Em comentário ao meu texto “Heliodoro salgado, o acidente que faltava”, escrevia o meu amigo Fernando Cunha Cunha: “(…) ainda no domingo após a missa tive oportunidade de falar com o dr Basilio Horta (...) o sr presidente está muito preocupado com toda a situação estamos aqui para ajudar já demos contributo aquando a consulta publica sobre o regulamento da EMES onde claramente abordamos o problema da Heliodoro salgado mãos á obra pessoal (…)”
Ora bem, como tenho acompanhado, com o maior interesse, o empenho do actual Presidente da Câmara Municipal de Sintra, sei que ele espera o contributo dos cidadãos no sentido de que apresentem ideias para resolução de problemas que tanto preocupam a comunidade. Cumpre referir que muitos de nós não têm feito outra coisa…
Por exemplo, só no âmbito da consulta pública acerca do estacionamento, sob a coordenação de Fernando Cunha , funcionou um grupo de trabalho cívico que contou com o empenho de Rui Bernardo Amadeu , Ricardo Duarte , João Dinis e Sofia Dionísio e eu próprio, tendo aproveitado a oportunidade para evidenciar a pertinência de um importante conjunto de soluções praticamente indiscutíveis, pertinentes e inadiáveis.
A verdade é que, passados alguns meses, nem nós nem a ‘Alagamares’, que se pronunciou em coincidência com a nossa posição, fomos contactados por parte da Câmara Municipal de Sintra. Nada, nada, reacção alguma. As ideias foram efectivamente apresentadas. Foram entregues aos serviços competentes da autarquia, na sequência de muitas horas de trabalho dos munícipes que as subscreveram.
Em conclusão, parece que haverá alguma falta de coordenação e de comunicação entre vereadores e o Presidente justificando a sua falta de conhecimento da cooperação que os munícipes de Sintra têm evidenciado tão prodigamente. Da nossa parte, não queremos senão colaborar, ser ouvidos, estar à disposição.
- Já lá estão!...
Em comentário ao meu texto “Heliodoro salgado, o acidente que faltava”, escrevia o meu amigo Fernando Cunha Cunha: “(…) ainda no domingo após a missa tive oportunidade de falar com o dr Basilio Horta (...) o sr presidente está muito preocupado com toda a situação estamos aqui para ajudar já demos contributo aquando a consulta publica sobre o regulamento da EMES onde claramente abordamos o problema da Heliodoro salgado mãos á obra pessoal (…)”
Ora bem, como tenho acompanhado, com o maior interesse, o empenho do actual Presidente da Câmara Municipal de Sintra, sei que ele espera o contributo dos cidadãos no sentido de que apresentem ideias para resolução de problemas que tanto preocupam a comunidade. Cumpre referir que muitos de nós não têm feito outra coisa…
Por exemplo, só no âmbito da consulta pública acerca do estacionamento, sob a coordenação de Fernando Cunha , funcionou um grupo de trabalho cívico que contou com o empenho de Rui Bernardo Amadeu , Ricardo Duarte , João Dinis e Sofia Dionísio e eu próprio, tendo aproveitado a oportunidade para evidenciar a pertinência de um importante conjunto de soluções praticamente indiscutíveis, pertinentes e inadiáveis.
A verdade é que, passados alguns meses, nem nós nem a ‘Alagamares’, que se pronunciou em coincidência com a nossa posição, fomos contactados por parte da Câmara Municipal de Sintra. Nada, nada, reacção alguma. As ideias foram efectivamente apresentadas. Foram entregues aos serviços competentes da autarquia, na sequência de muitas horas de trabalho dos munícipes que as subscreveram.
Em conclusão, parece que haverá alguma falta de coordenação e de comunicação entre vereadores e o Presidente justificando a sua falta de conhecimento da cooperação que os munícipes de Sintra têm evidenciado tão prodigamente. Da nossa parte, não queremos senão colaborar, ser ouvidos, estar à disposição.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Efeméride mozartiana
23 Setembro de 1771 [II]
Não, não se trata de repetição! Verificarão como tenho razões para voltar ao assunto.
É hoje o meu segundo texto de hoje sobre a mesma efeméride, portanto, referente à data em que Mozart completou "Ascânio in Alba". Se volto ao assunto é porque gostaria de partilhar convosco mais uma interpretação absolutamente paradigmática, precisamente da mesma Aria que vos propus esta manhã, na voz de um tenor que não tenho a menor dúvida em colocar no mais elevado pedestal. É o esplendor mozartiano na sua forma mais sábia e eficaz. Absolutamente imperdível!
Aproveito a oportunidade para relembrar que o compositor recebeu uma encomenda da casa imperial de Viena para a composição de uma ópera que vem a assumir a forma de uma 'Festa Teatrale' em dois actos, de pendor pastoril, que também é designada como Serenata Dramática.
Já sabem que o libreto, em Italiano, é de Giuseppe Parini. Trata-se de obra de juventude de Amadé, estreada no Regio Ducal Teatro de Milão, no âmbito das bodas do Arquiduque Ferdinand - filho da Imperatriz Maria Theresia - com a Princesa Maria Ricciarda Beatrice d'Este de Modena.
A obra bem evidencia a precoce mestria de Mozart nos meandros mais sofisticados do drama lírico. A título de exemplo, eis a estupenda interpretação da célebre Aria de Ascanio, do I Acto, 'Cara, lontano ancora'. Canta Michael Chance, com o Concerto Armonico, sob a direcção de Jacques Grimbert.
Boa audição!
http://youtu.be/wlbKE7Z-Olo
É hoje o meu segundo texto de hoje sobre a mesma efeméride, portanto, referente à data em que Mozart completou "Ascânio in Alba". Se volto ao assunto é porque gostaria de partilhar convosco mais uma interpretação absolutamente paradigmática, precisamente da mesma Aria que vos propus esta manhã, na voz de um tenor que não tenho a menor dúvida em colocar no mais elevado pedestal. É o esplendor mozartiano na sua forma mais sábia e eficaz. Absolutamente imperdível!
Aproveito a oportunidade para relembrar que o compositor recebeu uma encomenda da casa imperial de Viena para a composição de uma ópera que vem a assumir a forma de uma 'Festa Teatrale' em dois actos, de pendor pastoril, que também é designada como Serenata Dramática.
Já sabem que o libreto, em Italiano, é de Giuseppe Parini. Trata-se de obra de juventude de Amadé, estreada no Regio Ducal Teatro de Milão, no âmbito das bodas do Arquiduque Ferdinand - filho da Imperatriz Maria Theresia - com a Princesa Maria Ricciarda Beatrice d'Este de Modena.
A obra bem evidencia a precoce mestria de Mozart nos meandros mais sofisticados do drama lírico. A título de exemplo, eis a estupenda interpretação da célebre Aria de Ascanio, do I Acto, 'Cara, lontano ancora'. Canta Michael Chance, com o Concerto Armonico, sob a direcção de Jacques Grimbert.
Boa audição!
http://youtu.be/wlbKE7Z-Olo
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