[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 5 de junho de 2009


A favela*


Há anos, em pleno centro histórico, junto ao Museu Anjos Teixeira, perante a passividade das designadas autoridades responsáveis, os auto-caravanistas permitem-se estacionar, abancar e amesendar, pernoitar, pendurar roupa, fazer a sua higiene e, enfim, tudo o que é costume a quem se transporta em veículos que tais.

Aquilo que se passa em Sintra é, mais uma vez,
coisa de terceiro mundo, que há muito tempo venho denunciando, em especial no JS, por exº, Cenas de Verão, 1 de Setembro de 2006, com fotografias bem ilustrativas. Sem qualquer resultado.

De facto, é lamentável a situação de falta de oferta de espaços afectos ao campismo e caravanismo, com o caso da Praia Grande ainda por decidir. Por um lado, contudo, não faltam notícias destabilizadoras, anunciando o PIN do Pego, enquanto que, por outro, se descarta essa coisa bem simples que seria a resolução de problema tão concreto.

Mas, providencialmente, há quem proponha um ponto final. Reparem nesta pérola do Relatório de Gestão e Contas Ano 2009 da Soc. União 1º.Dezembro:

"(…) A fim de rentabilizar a infra-estrutura [estádio] nos meses de Verão, em que não há actividade de competição, a Direcção decidiu avançar em 2009 (Julho e Agosto) numa fase experimental, com a constituição de um parque de Auto Caravanas, com investimento reduzido, e com o programa de Campos de Férias durante as ferias da Pascoa e as Férias Grandes (…)".

Claro que se prevê investimento reduzido. Para quem é… Nem sei como não foi proposta a possibilidade de os miúdos dos campos de férias aprenderem idiomas estrangeiros com os caravanistas. Sempre aproveitavam as sinergias. E, então, com umas queijadas da Piriquita, facilitando a aprendizagem, ainda mais garantido estaria o sucesso da favela em perspectiva, em pleno Parque Natural Sintra Cascais e zona de Protecção do Plano de De Gröer…

Quem deve estar muito grato pelo projecto é o Prof. Fernando Seara, ou melhor, o Nandinho, carinhoso diminutivo com que o Presidente do Clube de São Pedro e também Presidente da Junta trata o Presidente da Câmara Municipal de Sintra. Adivinha-se-lhe o alívio. Transferida pelo seu amigo, para o campo de futebol, acaba com a situação do Rio do Porto que dava muito nas vistas. Ficarão as ruínas e os trapos pendurados…

*publicado no JS, 05.06.09



17 comentários:

Cristina D. F. disse...

O mínimo que se pode dizer da actuação do presidente da Junta de São Pedro é que as queijadas da Piriquita não são más... Com ele a Junta não sai da cepa torta e o clube de futebol é o que se vê. O melhor que faz são queijadas. Então faça e venda queijadas e deixe a Junta e o 1º de Dezembro a quem percebe.
Cristina D. F.

Diogo Palha disse...

Estimado Senhor João Cachado,
Desculpe o desabafo mas já não tenho paciência para as coisas que se passam em Sintra.
Esta então é de cabo de esquadra.O Parque Natural não tem uma palavra a dizer ou estarão à espera que as caravanas comecem a entupir a Av. Conde Sucena para dizer que vai apreciar o caso,mas tudo lento até acabar o acampamento?
É engraçado o silêncio de algumas pessoas que tanto se mexeram para que não houvesse aqui um hotel, usando como desculpa ele ter quartos a mais.
Isto há gente que é capaz de tudo.
Um abraço,meu caro e não se pode silenciar estas coisas.

Anónimo disse...

E ainda vai ser pior agora que o clube vai descer de divisão,lá se vai a receita...é pena para este clube mas deve ser resultado da brilhante gestão que tem sido feita;se não fosse a equipa feminina...

Anónimo disse...

No entanto,um candidato à Câmara,aparece no jornal da região de ontem a demonstrar a sua preocupação com o Parque Natural,a partir da Várzea mas continua a ignorar o que se passa na freguesia,de cuja assembleia ainda faz parte.
Margarida

pedro ventura disse...

Prezada Senhora, caso se esteja a referir à iniciativa conjunta realizada pela CDU Sintra e Cascais relativa ao Parque Natural Sintra Cascais, aconselho uma leitura mais aturada ao documento programático, que contêm uma análise de grande parte das situações aqui referidas. Como certamente compreenderá, a participação dos cidadãos é fundamental nestes actos políticos, pois eles são uma plataforma de discussão e troca de opiniões por excelência. cumprimentos, pedro ventura

Anónimo disse...

Sr. Pedro Ventura e Sr. João Cachado,

Em primeiro lugar, Sr. Pedro Ventura, tive a oportunidade de ler o seu artigo no Jornal da Região e considero que aborda questões pertinentes. Por isso os meus cumprimentos. Quanto à “prezada senhora” não se preocupe muito com ela pois o seu objectivo não é a troca de ideias nem a resolução de problemas, mas sim a chegada de novo ao executivo da nossa Junta e a todo o custo, pensando que o passado se vai com o nevoeiro da nossa Serra. Tanto eu, como o senhor e todos os fregueses sabemos o estado em que o actual executivo encontrou a Junta de Freguesia.

Em segundo, Sr. João Cachado, nós somos mais ou menos da mesma idade e por isso eu conheço-o de vista aqui de Sintra. Não compreendo a “perseguição” que tem levado a cabo de algum tempo a esta parte à Junta de São Pedro e ao seu presidente. Aborda assuntos de forma pouco lógica, implícita no seu discurso suspeições sem razão aparente e não enquadra São Pedro e os seus fregueses no contexto adequado. Tomou a posição pública, que é sua, de apoio a uma pessoa candidata a presidente que mal conhece (ao que julgo saber). No entanto, propagando o senhor a seriedade e a boa moral, não sei como pode ignorar o facto de essa pessoa, em conjunto com o executivo da altura ter deixado, entre outras coisa, a Junta de São Pedro com dividas de mais de 100 000 euros. Noutro contexto adivinho a trovoada que se faria. Também não entendo com que moral se traz a público um excerto de um documento privado de uma Instituição tão importante como o Relatório de Gestão e Contas para já não falar da forma como o terá conseguido. Por tudo isto, não correspondem estas atitudes à imagem que eu tinha do professor/doutor/formador João Cachado.

Por último, associar práticas de caravanismo, ainda que fora de zonas próprias, a uma FAVELA……. Nossa Senhora. Eu já estive numa favela e o senhor?

João M. Sousa.

Anónimo disse...

Sr Pedro Ventura
É pena que a participação dos cidadãos só seja importante em algumas situações e noutras, como algumas que o senhor bem conhece aqui na freguesia, ou não tenha sido feita ou tenha sido ignorada.
Margarida

Fernando Castelo disse...

Meu caro João Cachado,

Ao ler o último comentário aqui incluído não poderia deixar de expressar algumas opiniões, procurando não encaminhar o assunto para outras partes ou interesses.

Como sou freguês (confesso que gosto pouco deste termo) de S.Pedro, posso dizer que, em minha opinião, o que o seu artigo relata e outras opiniões que tem expressado, têm a devida pertinência.

É certo que há quem não goste, mas eu também não gosto que sendo a freguesia tão grande que tem mais de 26 kms quadrados, o umbigo dela esteja muito pronunciado e vocacionado essencialmente para interesses situados no chamada burgo de S. Pedro, que mais se aproxima de um bairro da Vila de Sintra.

Devo afirmar que, depois de ler este seu artigo, depois de recorrer a vários amigos, também consegui arranjar uma cópia do Relatório que refere, que - AO CONTRÁRIO DO QUE AQUI FOI ESCRITO - não é privado, já que foi aprovado publicamente por uma instituição que não tem contornos de sociedade secreta.

Poderá parecer, face a algo que aqui foi escrito anteriormente, que a existência de um parque para auto-caravanismo, que se afigura muito próximo do clandestino, é a coisa mais natural do mundo, logo em Sintra, Património da Humanidade.

Claro que, como já aqui disse o nosso comum amigo Eng. Diogo Palha, quando se perspectivou a existência de um hotel na Quinta de Santa Teresa, houve logo quem tentasse o bloqueio do processo e gostará muito mais do aspecto que a mesma agora apresenta. Posso até dizer que, sendo intenção do proprietário criar um espaço para a venda de artesanato, até o convenceram de que não valia a pena porque não existia em Sintra...

Fez muito bem com a seu artigo, porque estas coisas da defesa do património não podem andar ao sabor de interesses mais ou menos ínvios e de difícil interpretação.

Para finalizar, gostaria de notar que no Relatório referido, acabei por saber um facto da maior relevância: Um contrato programa garantido pela CMSintra, no valor de 145000 euros, estará condicionado ao aparecimento de um parceiro para ajudar a financiar e a viabilizar. O que levará a que a Banca não proporcione esse financiamento?

Esperemos, pois, que os auto-caravanistas tenham as adequadas instalações para parquear, em locais próprios para esse fim e sob responsabilidade da Câmara Municipal de Sintra.

Aldeia da roupa estendida ao sol do Centro Histórico, como tem sucedido em plena Volta do Duche e no Picadeiro é que não.

Anónimo disse...

Sr. João Cachado,

Permita-me que intervenha novamente no seu espaço para, desta vez, me dirigir ao seu amigo Fernando Castelo pois considero o seu texto interessante.

Sr. Fernando Castelo,

Já por algumas vezes li textos por si escritos noutros locais e desta vez (e ao contrário de todas as outras) este me despertou interesse. Tanto é que até vou comentá-lo por parágrafos.

Assim, logo no terceiro, o senhor refere que o burgo de São Pedro mais se aproxima de um bairro da Vila de Sintra. Nada mais correcto. São Pedro é mesmo um bairro de Sintra. Aliás, outrora formava com outros 3 a sede do Concelho. E é também de todos o mais antigo. Mas para História aconselho-o a obra do grande José Alfredo da Costa Azevedo que de certeza que sabe quem é. É também São Pedro uma freguesia especial tendo em conta as localidades que a compõem. Única até no concelho de Sintra. Como sabe temos áreas residenciais, industriais e empresariais, florestais, de património mundial e AUGIs. Ora, para 26 km2 compreenderá o quanto difícil é a gestão, tanto mais que são do conhecimento público os reduzidos orçamentos das autarquias e no caso especial de São Pedro, quando esse orçamento está logo hipotecado em cerca de 20% para saldar dividas herdadas. Estando eu na casa dos 60, já vi passar muitos presidentes de Junta e cada um era criticado por favorecer determinada localidade. O anterior era “acusado” de localizar toda a acção na Abrunheira, pois era a localidade com mais votantes. Eu como nem resido na Abrunheira, nem em São Pedro, assisto de cadeira a estas movimentações separatistas sem razão qualquer. Daí que também discorde da defesa exagerada que faz da sua Abrunheira. Consegue o senhor apontar por exemplo, nas outras 2 freguesias da sede do concelho, uma obra mesmo relevante que se tenha feito nos últimos anos em prol das populações?

Passando ao quarto parágrafo, engana-se o senhor Castelo quanto ao carácter do 1º Dezembro. É uma Instituição privada de utilidade pública o que é diferente de Instituição pública e à sua assembleia só têm acesso sócios com quotas em dia. Daí a minha indignação quanto ao aparecimento em público de um excerto desse documento e sem perceber qual o interesse que pessoas que não são associadas de determinada associação possam ter em relação à actividade dessa mesma associação.

Saltando para o sexto, estou totalmente de acordo consigo quanto à Quinta de Santa Tereza. Conheci o projecto há uns anos quando ali ainda funcionava um café e livraria. Depois fui sabendo do aparecimento dos entraves ao mesmo. Aqui estou consigo senhor Castelo, mas o que podemos fazer? É Sintra no seu melhor….

No oitavo parágrafo faz referência a um protocolo Câmara/Clube com a banca à mistura. Não sei se é conhecedor do funcionamento destas situações. Penso que não. À sua pergunta respondo com outra. Conhece o caso do G.D. Ericeirense no nosso vizinho concelho de Mafra? Deverá encontrar aí a resposta pretendida.

Por último, quanto à questão dos caravanistas, não é muito agradável vê-los por aí é verdade mas não faço disso um caso de morte. Já vi caravanas aparcadas junto à Notre Dame em Paris. Fossem essas todas as situações caricatas de Sintra Património Mundial.

Respeitosos cumprimentos,

João M. Sousa

Anónimo disse...

Caro Sr.João M.Sousa,
Pela primeira vez resolvi,neste Blogue, responder a um comentário, não porque o conteudo do seu comentário seja ofensivo, mas sobretudo pela ignorância que ele próprio encerra,ou seja, o desconhecimento/ignorancia de quem produz opiniões sem saber do que fala.Não é minha pretensão dar-lhe qualquer lição sobre o poder local, designadamente quanto às Juntas de Freguesia, ainda que uma breve explicação me parece pertinente, mais no sentido pedagógico do que própriamente alguma critica ás sua afirmações.
E, começo, em primeiro lugar, para o informar que qualquer executivo de Junta que não deixe passivo no final do seu mandato é sinal de que não tem a minima noção dos recursos financeiros de uma Freguesia, se acaso pretender realizar algumas obras (pequenas), ou então limita-se a gerir o pessoal e pouco mais. Mas se quisermos alargar este pensamento e realidade, por exemplo, à Camara Municipal, pergunte ao seu Presidente da Camara qual vai ser o passivo financeiro no final do do seu mandato. A titulo de curiosidade, e para que possa tirar as ilações que possam contribuir para o seu melhor conhecimento, digo-lhe que a Junta de São Pedro recebeu, ao longo dos quatro anos, a quantia de +/- 2.400.000,00 (dois milhões e seiscentos mil euros)repito 2.400.000,00.importa perguntar a esta Junta qual vai ser o passivo no final do mandato? e não se surpreenda com a resposta, porque infelizmente é mesma a realidade. Há contudo uma diferença entre a justificação de um passivo (anterior) e o passivo do actual executivo.É PORQUE, enquanto o anterior deixou obra feita (indiscutivel), patrimonio ao nivel de, veiculos automoveis, equipamentos informáticos e um conjunto de bens que permitiram a esta Freguesia ser considerada pelas suas congeneres como a melhor junta do concelho (apesar do passivo deixado) este actual executivo deixa passivo financeiro, seguramente superior ao do anterior executivo, mas sem qualquer obra e muito menos património movel (salvo a ambulancia ou como raio lhe chamam). Meu caro, antes de falar ou comentar, informe-se e seja honesto, pelo menos, intelectualmente.
Melhores cumprimentos,
Um verdadeiro amigo de São Pedro

Fernando Castelo disse...

Meu caro João Cachado,

De meu nome verdadeiro, Fernando Castelo, tenho imenso gosto em poder esclarecer alguma matéria, pelo menos relacionada com o último texto do nosso companheiro de debate, João M. Sousa, nome respeitável e certamente não apócrifo, que daqui saúdo.

Tomarei como dado adquirido que, para JMS, um parque de auto-caravanas totalmente a despropósito no Parque Natural, sem as devidas condições de instalação e sanidade e licencimanto oficial,não é um "caso de morte". Quase me arrumou de vez, pois pensava falar sobre Santa Eufémia e o atentado que lá foi feito recentemente, mas desisto.

O caro João M.Sousa enviesou a questão de S. Pedro, pois a questão nuclear é exactamente a sua história estar ligada à Vila de Sintra. De passagem, também li Obras do "grande José Alfredo da Costa Azevedo", muito lidas por autarcas que se lhe seguiram, que as referem amiúde quando lhes convém, mas não lhes serviram de guião doutrinário para a preservação histórica e patrimonial. Por isso Sintra está como está.

Como JMS acaba por, implicitamente quase reconhecer, há um notório desiquilíbrio no território da freguesia de S.Pedro, que obriga a regras de equidade e boa gestão autárquica, por forma a responder às populações envolvidas.Essas não existem.

Sabendo-se que a Beloura é uma excepção do ponto de vista da manutenção, o caro João M.Sousa deveria visitar e conhecer "in loco" o Barrunchal, Manique e até a Abrunheira, onde há bons restaurantes para podermos conversar.

Da falta de estruturas escolares, transportes, espaços públicos e jardins, desportivas, ocupação de tempos livres para jovens, instalações para Idosos, seria estultícia minha aqui continuar a referí-las. Mas saberá como estão sendo aplicados dinheiros públicos que são enviados para a Junta?

Neste contexto, legitimamente as populações que residem fora do burgo histórico de S. Pedro têm o direito de reclamar, pois fazem parte do mesmo universo autárquico.

Não valerá a pena "agarrar" no desafio que lança sobre as outras duas freguesia de Sintra: Realmente não há comparação possível, veja-se o exemplo de S. Martinho e tanta obra que faz de elevado nível e prestígio fora da Vila.

Ora, as opiniões que expresso, não se podem interpretar como tendências separatistas. Na realidade, S. Pedro é que, por má gestão dos seus responsáveis, é que se tem afastado das aldeias que estão a vários quilómetros de distância.

Note-se que até evitei entrar por outros caminhos, que JMS ao sabê-los ficaria imensamente chocado.

Deduzo que JMS apenas conhece parte da história, pelo que poderei aprofundá-la se o desejar.

Termino fazendo um modesto convite a João M.Sousa e a João Cachado: combine-se um almoço a três onde tantas destas coisas poderiam ser abordadas, entre uma boa garfada em bacalhau assado e uma tijela de verde tinto, daquele que ainda é produzido no Minho.

João Cachado disse...

Caros amigos,

Quando quiserdes, poderemos transferir este espaço de discussão do sintradoavesso para a distinta mesa que vos aprouver. Concordo com a proposta do nosso amigo Fernando Castelo de o fazermos à volta de um bacalhau a preceito e malga de verde tinto.

Acreditem que não posso estar mais satisfeito pela possibilidade que, de algum modo, proporcionei de encontro neste canto de palavras com sentido.

Sintra bem merece que nos ocupemos e com ela nos preocupemos. Por vezes, episódios tão perfeita quanto aparentemente caricatos, como o da «favela» em perspectiva, no campo de football do 1º de Dezembro, acabam por desencadear boas discussões, quiçá capazes de melhor consciencializarem os intervenientes acerca de aspectos e pontos de vista que não teriam equacionado.

Com uma especial saudação ao diálogo, um abraço do

João Cachado

Anónimo disse...

Sr. João Cachado,

Mais uma vez de volta ao seu espaço e começando por lhe dizer que me sinto um privilegiado. Então ao segundo texto sou logo convidado para almoçar? Olhe que não sou assim tão especial. Bom, até seria útil porque me parece que os meus textos estão a ser mal interpretados. Novamente o senhor Castelo mal entendeu o que eu havia escrito anteriormente: não disse que a ausência de um parque sem condições apropriadas não era um caso de morte mas sim que caso de morte não era ver alguns caravanistas aparcados nas ruas normais. Também quando lhe lancei o desafio de me apontar uma obra relevante noutras freguesias, não estava a criticar o que era feito nesses lugares. Apenas a realçar o quanto é difícil trabalhar nas freguesias da sede do concelho. Certo é que apesar da “tanta obra” não aponta o senhor Castelo um só caso mesmo relevante. É normal pois não existem não querendo dizer com isso, sublinho, que se deva a incapacidade dos gestores. No entanto fiquei curioso com a possibilidade de o senhor Castelo me demonstrar tudo o que sabe mesmo que vá ficar chocado.

Parece que está instalada a ideia de que estou aqui a fazer defesa de determinadas pessoas. Nada mais errado. Como disse já anteriormente, já vi passar muitos presidentes pela Junta e pela Câmara e os problemas que agora existem são os mesmos de há muito tempo. E mesmo que mudem todos os presidentes muitos desses problemas irão continuar a existir. É por isso a minha oposição somente contra o discurso dos “bodes expiatórios” e contra a tal perseguição que referi logo no primeiro texto.

Gostava de me dirigir agora ao senhor “amigo de São Pedro”. Não me perturba o facto de não estar identificado pois cada um tem as suas razões. Também torna o artigo inicial muito original, pois num blogue onde não são permitidos comentários anónimos, aqui existem logo 2. Assim sendo tratarei-lo somente por Senhor.

Começo então pelo fim do artigo do Senhor. Eu não fui desonesto e estava bem informado pois referi um caso que existe ou existiu: o tal passivo de cento e tal mil euros. Agradeço todas as informações que o seu texto transmite. Presumo que pela forma como relata os factos seja uma pessoa ligada ao anterior executivo. De facto tinha conhecimento que era normal nas grandes Câmaras haver passivo a transitar de mandato em mandato até porque existem diversas formas de fazer contabilidade. Agora em todas e incluindo as pequenas Juntas de Freguesia não fazia a mínima ideia. É grave mas não me surpreende. Também não sabia do facto de a Junta de São Pedro ter sido considerada um exemplo a seguir. Imagino qual terá sido o passivo de todas as outras e onde terão ido buscar dinheiro para fazer obra. Quanto ao património deixado, referido pelo Senhor, como não é minha intenção andar a comparar à lupa os diversos mandatos, até porque não sou político nem tenho pretensões a tal, apenas considero como cidadão que, o resultado da melhor gestão do concelho se resumir a património automóvel e informático (pois não conheço os outros bens) é no mínimo contraditório. Até porque estamos logo a falar dos bens que mais desvalorizam na sociedade actual. Termino agradecendo-lhe as informações prestadas e acredite: eu sei quanto é difícil o trabalho dos autarcas em Sintra.

A todos os meus cumprimentos uma vez mais,

João M. Sousa.

Fernando Castelo disse...

Caros João Cachado e João M.Sousa,

Como andamos os três quase pela mesma idade e, certamente, desejamos o melhor para Sintra, a que se alia a necessidade de um melhor esclarecimento sobre muito do que se passa na freguesia de S. Pedro, renovo o convite para o nosso almoço, que poderá ser confirmado através do e-mail do João Cachado.

Faço-o com todo o respeito e segundo a filosofia de que só falando uns com os outros conseguiremos chegar a bom porto.

Cumprimentos,

Fernando Castelo

Nota: Embora sabendo que o Eng. Diogo Palha decidiu afastar-se destas lides, se o João Cachado o conseguir convencer...seremos quatro.

João Cachado disse...

Senhor João M. Sousa,

Esteja à vontade. Use e abuse deste espaço à sua vontade, conforme e quando lhe aprouver. Apenas uma coisa lhe peço, para além da assunção do nome. Por favor, não comprometa a correcção linguística. Terá sido no afã da presteza da participação que, no terceiro parágrafo da sua última mensagem, conjugou tão desastradamente o futuro pronominal do verbo tratar?

Até parece aquele Anselmo Crespo da SIC que, noutro dia, entrevistando o Vitor Constâncio, em vez de «interveio», formas correcta da 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo intervir (composto de vir) disse «interviu», perfeitamente convencido de que ali não havia qualquer erro. Ou um actual Senhor Vereador da Câmara Municipal de Sintra que diz «pusi-o» em vez de «pu-lo»...

Caro Senhor João M. Sousa, corrigi-lo-ei, emendando a forma atrapalhada que utilizou, substituindo-a por «tratá-lo-ei». Assim deverá empregar.
A propósito, deixar-me-á lembrar que, tendo eu feito a minha Licenciatura em Filologia Germânica [atenção, entre 1965 e 1970...] na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nem ali nem, precedentemente, no Liceu, aprendi fosse o que fosse, para além do que já adquirira até à quarta classe, no que respeita a todas as conjugações verbais, portanto, também incluindo a pronominal. Eram outros tempos. Outra era a exigência. De qualquer modo, actualmente, no blogue que me cabe gerir, tento que predomine a correcção da expressão desta nossa Língua que tão maltratada é em todas as instâncias.
Melhores cumprimentos,

João Cachado

Anónimo disse...

Sr João Cachado,

Os meus agradecimentos pela sua correcção da minha "gaffe". De facto, até a mim não me pareceu nada bem na altura. Mas no sentido da melhor elaboração possível do texto com vista à anulação das tais más interpretações, e não da pressa, o erro foi passando. Só depois de ter submetido o comentário me ocorreu a palavra correcta, o tal "tratá-lo-ei".

Em forma de piada direi que neste caso, nem com o novo acordo ortográfico se pode invocar alguma dúvida. Como neste domínio, e noutros certamente, o senhor dá lições, é bom aprender com quem sabe.

Cumprimentos,

João M. Sousa.

Fernando Castelo disse...

Caro João Cachado,

Como estamos em maré de correcções, no meu texto de 17.6 (4º. parágrafo) também não é "desiquilíbrio" mas sim "desequilíbrio".É o preço de se escrever a correr e não voltar atrás para corrigir.

O meu pedido de desculpas.