[sempre de acordo com a antiga ortografia]

Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

René Jacobs,
em busca do autêntico


Salzburg, 2 de Fevereiro
Mozartwoche, 2012

Meu Caro José Manuel Anes,

Este pequeno apontamento só podia tê-lo a si como destinatário. E, no contexto da minha estada em Salzburg, por ocasião da Mozartwoche 2012, só a possibilidade de poder trazer-lhe notícia do seu René Jacobs, determinaria este modesto escriba à ousadia de intermediar relação tão especial entre o maestro e o meu caro amigo.

Pois, José Manuel Anes, ontem à noite, na mítica Grosse Saal da Fundação do Mozarteum de Salzburg, René Jacobs dirigiu a prestigiada Camerata Salzburg num programa eminentemente clássico, compreendendo a ‘Sinfonia em Ré Maior Hob. I: 104, Salomon’, de Joseph Haydn e, do divino, o ‘Concerto em Lá Maior para Clarinete e Orquestra, KV 622’ bem como a ‘Sinfonia em Ré Maior KV 385, S Haffner’.

Como sabe, fundada por Bernhard Paumgartner em 1951 e, entre 1978 e 1997, dirigida pelo saudoso Sandor Végh, esta preciosidade de orquestra de câmara tem o ‘Klang’ de Salzburg no mais alto grau - assim um 33º na escala de João Cachado… – portanto, digníssimo agrupamento, à altura da intervenção de Jacobs que, tal como ‘o outro’, tão imperador como este, chegou, viu e venceu.

Sem entrar em detalhes para os quais, infelizmente, também não me sobra tempo, dir-lhe-ei o que mais importante me parece. É que, tal como estamos habituados, mais uma vez fez o trabalho em que é perito, qual seja o da limpeza das partituras das obras que veio dirigir dos «parasitas» de leituras mais ou menos romantizadas que, para nosso espanto, continuam a fazer um caminho que só prejudica o serviço a que, entre outros, têm direito Amadé e Haydn.

Assisti a leituras das mais eficazes – no caso da ‘Haffner’, talvez mesmo a mais eficaz – que já presenciei, em especial, aqui em Salzburg e nesta mesma sala. Um respeito absoluto, sem cedências, a todos os efeitos solicitados pelos compositores, por exemplo, nas pausas, por mais longas e incómodas que pareçam, leitura «so-le-tra-da» da intervenção dos timbales, repondo toda a verdade inicial. Um assombro, cumpre sublinhar.

Como verificou pela leitura do programa, também tivemos o Concerto para Clarinete, cujo solista Jorg Widman, é muito querido por aqui mas não tão prendado, por exemplo, como a sofisticadíssima Sabine Meyer, ‘die Göttin’ a deusa, de acordo com o epíteto que colegas lhe atribuem. Mas foi muito bom e a direcção do seu RJ, mais uma vez, impecável.

Uma nota final para o comportamento do público. Não vamos pensar que, por estarmos em Salzburg, estamos isentos de alguma arrogância, sobranceria e, pasme-se, até certa dose de ignorância que afecta o comportamento da audiência, não raro, a reagir mais friamente, porque lhe roubaram determinado efeito, um dos tais «parasitas», a que estava habituada. Se ontem isso também sucedeu, não chegou para beliscar sequer o brilho do trabalho a que me reporto.

Finalmente, não ouso sequer propor a ilustração mais afim deste escrito que lhe deixo com amizade e franca admiração. Deixo ao seu bom gosto essa tarefa que, ao contrário do que muitos dos nossos amigos possam pensar chega a ser bastante ingrata.Um grande e fraternal abraço,

João Cachado

Mozart, que presença

Salzburg, 31 de Janeiro
Mozartwoche 2012

Ao contrário do que acontece noutras cidades europeias onde, de algum modo, passados muitos anos, por vezes séculos, após a morte de escritores, músicos, arquitectos ou filósofos que a terão notabilizado, ainda é possível sentir a sua presença, em Salzburg tal não acontece em relação a Mozart, o seu filho mais célebre.

screver isto tem os seus riscos já que logo me atacarão lembrando as casas-museu, onde nasceu, na Getreidegasse e outra, na Makart Platz, onde, mais tarde, viveu com a família. Provavelmente, também me dirão de duas estátuas, na praça com o seu nome e em Kapuzinenberg. E os Kugeln de chocolate, a sua figura glosada e recriada nas mais diferentes estéticas, um pouco por todo o lado? E o seu próprio nome em tudo quanto é comércio, camisolas, pastelarias, etc, etc…

Pois, muito bem. Mas é a isto que eu me refiro quando escrevo ‘sentir a presença’? Claro que não é. Querem um exemplo, significativamente notório do que possa isso ser que, ainda com muito por fazer para que se torne num paradigma? Pois pensem em Lisboa e na relação que com ela teve e manteve Fernando Pessoa. Aqui bebia uns copos, ali conversava em tertúlia, os inúmeros quartos alugados, os cafés, os passeios, os negócios da gráfica, as neuras, o rio, o sino da sua aldeia…

Em Viena, há um pouco mais dessa tal mozartiana ‘presença’. Mas aqui não. Decididamente, não. Muito turismo, casas-museu que expõem hipóteses de cenário ainda que com instrumentos musicais, objectos pessoais, etc, mas a tal presença substantiva, isso não. Lamento muito desapontar mas, se pensam vir a Salzburg em busca desse Amadé, desengano-vos já.

Isto mesmo constatou o querido e saudoso João Bénard da Costa, homem de superior bagagem erudita e cultural, observador de raríssimo estrato, um grande senhor da Cultura Portuguesa dos últimos tempos a quem Portugal muito deve*, que por aqui passou, por exemplo, para vir ouvir um Don Giovanni de muito badalada encenação, tendo oportunidade de escrever algo deveras semelhante ao que acabo de registar.

Escrevia ele que Salzburg, se alguma significativa marca apresenta, não de Mozart, mas da estética da urbe onde Mozart viveu até aos vinte e cinco anos, presença fortíssima de que nós ainda hoje beneficiamos, pois essa é a que Johann Bernhardt Fischer von Erlach, o grande arquitecto do período barroco, determinou para a posteridade, aqui deixando marcas indeléveis de um património riquíssimo, como as igrejas da Santíssima Trindade, da Universidade, das Ursulinas, da ireja do Johannspital em Mülln, Palácio Klessheim ou, ainda, no interior da igreja dos franciscanos, o fabuloso altar-mor, como já tive oportunidade de referir.

Porém, assim como, uns parágrafos atrás, tão desalmadamente vos desiludi, agora me apresso a compensar-vos com a certeza de uma presença outra de Amadé, qual seja a que se sente, vive e vibra todos os dias do ano, na Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg, da qual tenho a honra de ser membro e, atenção, muito especialmente, na Universidade do Mozarteum.

A atestá-lo, as centenas de jovens de todo o mundo, que aqui acorrem em busca de um ensino e musical vivência absolutamente de excepção, atraídos pelo legado e espiritual presença de Wolfgang Amadeus Mozart.Essa sim é a presença que, afinal, acaba por ser menos sentida pelos milhões de turistas que acorrem a Salzburg, absolutamente nada preocupados com Mozart e o seu legado e muito mais determinados ao gozo da possibilidade da visita aos lugares onde foram filmadas sequências de ‘Música no Coração’…

Nem queiram saber as histórias que poderia contar-vos sobre este alheamento das massas ignaras, aqui na cidade, em relação a Amadé. Não deixa de ser curioso, como o é noutros lugares, em relação a outras ilustres figuras, que Mozart tenha sido o ’isco’ para a frutuosa pesca do turismo e que, em simultâneo, seja tão ignorado.

Os jovens estudantes e graduados académicos do Mozarteum comovem-me todos os anos, pelo seu entusiasmo, dedicação, entrega e procura de Amadé, nas linhas dos pentagramas, nos interstícios das pautas, conduzidos por óptimos e atentos professores. Por isso, esta universidade é tão cobiçada e demandada por interessados de todas as latitudes. As provas de acesso são proverbialmente exigentes, os cursos não menos. Mas o ‘cartão de visita’ com a marca do Mozarteum de Salzburg abre portas em todo o lado…

É no contexto destas considerações e no absoluto e estrito respeito por ‘esta significativa presença’ de Mozart em Salzburg, que hoje vos trago a gratíssima memória do concerto do passado dia 31, na Grosse Saal do Mozarteum, precisamente com a Orquestra Sinfónica da Universidade do Mozarteum. Entre outras obras, incluindo, de Webern, ‘Cinco Peças Orquestrais, op.5’ e, de J. Haydn, a ’Sinfonia em Mi bemol Maior, Hob. I: 103’, gostaria de destacar a ‘Sinfonia Concertante em Mi bemol Maior para Violino, Viola e Orquestra, KV 364’ de Mozart.

É esta a orquestra académica através da qual os jovens vivem o privilégio de continuar o designado ‘Klang’ de Salzburg e que tem tido, desde 1999, a diligente direcção musical de Dennis Russel Davies. Mas o concerto desta data foi regido por Douglas Boyd, Maestro escocês e grande oboísta, que aqui conheci, há uns bons dez anos, ainda integrando a Orquestra de Câmara da Europa, da qual foi um dos membros fundadores. A propósito, se tiverem lido um dos meus prévios textos abordando a questão da postura de alguns jovens chefes de orquestra, pois aqui têm um caso de atitude irrepreensível, discreta, sóbria.

Os solistas, Thomas Reif, violino, e Ulrike Jaeger, viola, são de primeira água e tenho o prazer de poder partilhar convosco a certeza de que, na interpretação da sinfonia concertante, foram extremamente cooperantes, falando o’mesmo idioma’. Não se espantem porque é coisa que nem sempre acontece, nomeadamente, em presença de ‘galácticos’ como tive oportunidade de assistir, há seis anos, aqui também, num concerto no Grosses Festspielhaus em que o violetista Thomas Zehtmair, de modo algum, se entendia com o violinista Gideon Kremer. Pois é, egos desmedidos matam a Arte…

Muito atento a todos os naipes, especialmente às cordas, Boyd atacava qualquer hipótese de deslize evitando o mínimo desequilíbrio. A leitura da peça foi absolutamente irrepreensível e, sem dúvida, o Mozart que permanece no ‘Klang’ das três orquestras de Salzburg – Orquestra do Mozarteum de Salzburg, Camerata Salzburg e Orquestra Sinfónica da Universidade Mozarteum – andou por ali.

Em St Sebastian alojam-se muitos destes estudantes. Quando aqui venho, convivo com eles, em especial ao pequeno almoço, onde tenho conhecido alguns que já têm carreiras interessantes. Também é por isso que não troco St Sebastian por nenhum hotel das redondezas apesar de, no meu caso, os preços andarem ela por ela, uma vez que, embora amigo da casa, não gozo das tarifas mais vantajosas aplicáveis à rapaziada que aqui passa largas temporadas.

Portanto, se quiserem vir até Salzburg, vão lendo estas dicas e, já sabem, podem contar com a ajuda que já tenho prestado a quem estiver interessado em fazer uma visita não de turista mas de viajante.

Na impossibilidade de vos propor uma gravação com a Orquestra Sinfónica da Universidade Mozarteum, deixo-vos com estes dois gigantes David Oistrakh e Rudolf Barshai e a Orquestra de Câmara de Moscovo. E, propondo esta gravação, com estas duas lendas, pois fiquem sabendo que ainda vi e ouvi Oistrakh, em Lisboa, no Coliseu, em 1960, com Pedro de Freitas Branco, na direcção da Orquestra da Emissora Nacional, tocando o Concerto para Violino de Tchaikovsky.
Era eu miúdo, com o meu pai, o culpado máximo desta minha aventura de melómano inveterado.


*É com um gosto muito especial que posso garantir-vos estar o Presidente da Câmara Municipal de Sintra muito emSinfónica da Umiversidade do Mozarteumpenhado em concretizar uma ainda que singela homenagem à memória de João Bénard da Costa. Trata-se de uma atitude muito honrosa para o Prof. Fernando Seara, assim demonstrando quanto está atento aos valores da cultura nacional que, como no caso em apreço, teve uma relação muito estreita com Sintra.

http://youtu.be/Nf0_tKOyqkc
Mozart Sinfonia Concertante 2nd Movement. Oistrakh, Barshai, Moscow Chamber Orchestra www.youtube.com

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012



Que frio!...


Bom dia,

Ouvi dizer que, por aí, a temperatura ia baixar. Pois, então, consolem-se como puderem porque, aqui em Salzburg, hoje de manhã estão -9º, logo à tarde estarão -10º e quando o Sol se puser -13º. Este ano ainda não, mas já tive mais baixas. Amanhã por, exemplo, prevê-se temperatura mais negativa.

Não tem caído neve nos últimos dias - que me faz uma falta louca já que também aqui venho para gozar esta cultura de Inverno do centro da Europa de que tanto gosto - mas o branco permanece no gelo que se formou. Tudo isto é muito bonito mas coloca problemas muito sérios de operacionalidade aos serviços municipais.

Por exemplo, para que os peões não escorreguem no gelo, os cantoneiros lançam uma gravilha fina que, quando degela, corre para as sargetas significando isso uma especial atenção previsional quanto à acumulação pois, caso contrário, haveria problema.

Mas, de facto, nunca há, ao contrário de certos sítios, que bem conhecemos, onde com condições climáticas muito mais propícias, acontecem constantes inundações devido ao descuido das limpezas que deveriam ter sido efectuadas a montante e atempadamente.

Civismo, respeito pelos interesses dos cidadãos, disciplina, contínuo e controlado exercício da autoridade democrática, por aqui, não são princípios e valores que deixem de ser quotidianamente conjugados. E exercidos, sem tibiezas, sem tolerâncias ou porreirismos que todos sabemos no que dão.

Já vai longa a prosa que, inicialmente, só pretendia brincar um pouco com as temperaturas locais de cá e daí. Pelos vistos, a minha, com o correr da pena, já subiu um pouco... Para que tudo volte ao controlo desejado, aqui vos deixo com Mitsuko Uchida, tocando o Menuetto da Sonata para Piano KV331 em Lá Maior de Mozart.

Dentro de uma hora, no Mozarteum, mas interpretada pelo jovem pianista Fasil Say, ouvirei esta mesma peça, no contexto de um recital acerca do qual vos darei conta mais tarde. Por agora, boa audição!

PS: Datado de 1789, o retrato do compositor,desenhado por Doris Stock (1760-1832), que aparece introduzindo a gravação, é o último e mais fidedigno que se conhece.

http://youtu.be/NoFebNkdpd4
Mozart- Piano Sonata in A major ('Alla Turca') K. 331- 2nd mov. Menuetto
http://www.youtube.com/

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Recado de Salzburg,
a pensar em Monserrate

Como sempre, é com o maior gosto que passo a divulgar a exposição que chegou ao meu conhecimento através do bom trabalho de Maria do Céu Alcaparra, da Parques de Sintra Monte da Lua. Infelizmente, não poderei estar presente porque, como sabem, por ocasião da Mozartwoche, continuo em Salzburg. Mas, logo que regressar, não vou perder esta que se me afigura uma curiosíssima proposta.

Neste momento, eu estou muito longe. Mas os meus amigos, tão perto de Monserrate, não percam a oportunidade. Não tenho a menor dúvida de que o acolhimento será o melhor, como já nos habituou o Prof. António ressano Garcia Lamas e a sua equipa de colaboradores.

Abraço a todos,

João Cachado



Exposição de fotografia em suportes alternativos

“Camilla Watson - Mistérios de Monserrate”

- Fotografias impressas em papel de algodão- Biombo e mesa com impressão direta na madeira -

Patente de 3 de fevereiro a 25 de março
Imagens em: http://62.28.132.233/1328012709.zip
(créditos Camilla Watson)

Sintra, 31 de janeiro de 2012 –

A Parques de Sintra receberá, a partir do próximo dia 3 de fevereiro (Sexta-feira), no Palácio de Monserrate (Sintra), a exposição “Camilla Watson - Mistérios de Monserrate”, integrando fotografias captadas por Camilla Watson no Parque de Monserrate durante os últimos 8 meses.

As imagens expostas encontram-se impressas em papel de algodão, e a exposição inclui também um biombo e uma mesa com impressão de fotografias diretamente sobre madeira marítima. Este trabalho marca a diferença pelo local que retrata e também pelos métodos de impressão.

Com imagens a preto e branco, impressas sobre papel de algodão através da aplicação a pincel de uma emulsão líquida de prata, as fotografias apresentadas revelam um olhar diferente sobre a beleza e a magia de Monserrate, tratando-se do primeiro trabalho de Camilla Watson sem pessoas nas fotografias.

A fotógrafa utiliza uma emulsão fotográfica gelatinosa, rica em prata, que começa por liquidificar em banho-maria. Este líquido é aplicado a pincel, no escuro, sobre a superfície escolhida: mosaico, madeira, parede, ou simplesmente papel. Após secagem com um ampliador ou um projetor de slides (para superfícies maiores) expõe a superfície a um negativo preto e branco. O processo de câmara escura completa-se com um revelador, banho de paragem e fixador.

O trabalho desta fotógrafa distingue-se pela experimentação de novos suportes, com fotografias impressas diretamente em pedra, madeira, mosaicos e mesmo nas paredes das casas, utilizando uma câmara escura móvel que ela mesma desenhou.

Camilla explica que “não tinha uma lista do que queria fotografar, fui com a mente aberta e fotografei só as coisas que me chamavam: a água, cascatas, pedras, peixes, as raízes das árvores; voltei no inverno e atraíram-me as sombras longas e as árvores sem folhas - luminosas no sol baixo de inverno”, acrescentando ainda que espera que “as pessoas sintam a magia do parque; não acho que vão sentir a falta da cor nas fotografias do jardim a preto e branco, porque apesar de as cores terem a sua beleza, também podem ser uma distração”.

Sobre Camilla Watson

Nasceu no Reino Unido em 1967 e começou a sua carreira como fotógrafa de cena de teatro, tendo-se depois dedicado à reportagem e ao retrato. Entre 2001 e 2004 viveu em São Paulo, onde foi convidada pela ONG Meninos do Morumbi para ensinar fotografia a jovens residentes nas favelas, e de cuja experiência resultou “São Paulo - Belo Horizontes”, a sua primeira exposição em Lisboa.

Posteriormente passou por S. Tomé, Moçambique, Etiópia e África do Sul, continuando o seu percurso na área da reportagem ligada a ONG's.Em Lisboa, onde vive há 5 anos, tem desenvolvido atividades com a comunidade da Mouraria, (incluindo como sócia da associação “Renovar a Mouraria”) e a Câmara Municipal de Lisboa tem apoiado alguns dos seus projetos.

Entre estes encontram-se “Tributo” e “Dentro-Fora/Passado-Presente”, integrados na iniciativa “TODOS 2010” e "TODOS 2011", que consistiram na impressão de fotografias dos moradores diretamente nas paredes das casas, utilizando uma câmara escura móvel que a fotógrafa desenhou. Estes trabalhos foram igualmente expostos no Arquivo Municipal - Núcleo Fotográfico.

Domingo, 29 de Janeiro de 2012



Mozartwoche, 2012
28 de Janeiro [2]

Filarmónica de Viena, Boulez, Uchida

Antes de me reportar ao evento desta noite, não resisto a contar-vos um episódio acerca das características gigantescas do Grosses Festspielhaus de Salzburg, o auditório que, a exemplo do que acontece há dezenas de anos, acolheu hoje o primeiro de vários concertos da Orquestra Filarmónica de Viena desta edição da Mozartwoche, ao qual outros se seguirão.

Creio que haverá uma dúzia de anos, em conversa informal com Irmãos maçons, acerca das minhas vindas a Salzburg, dos concertos e das salas onde tudo se passa, naturalmente, referi o espaço mítico que, desde a década de sessenta, faz as delícias dos melómanos de todo o mundo. Como sempre faço, referi as condições acústicas, de tal ordem que, numa visita guiada, qualquer pessoa é levada à experiência de ouvir, no lugar sentado mais recôndito da sala, o som produzido pela queda de uma bolinha de papel no palco…

Seguidamente, com todos fascinados perante as histórias acerca do proverbial ouvido absoluto de Herbert von Karajan, o grande mentor do auditório, passei às dimensões. Convém dizer que a conversa ia acontecendo no interior de um automóvel em andamento cujo condutor, quando eu disse que o palco do Grosses Festspielhaus tem 100 (cem) metros de largura, já não me deixou dizer dos trinta e tal de comprimento e parou o carro.

Muito aborrecido, incomodado pelo barrete que lhe estava a enfiar, perguntava-me, muito enfaticamente, se eu sabia o que eram cem metros, exemplificando-os, grosso modo, ali mesmo, no meio da rua. Acreditem que não tive maneira de o convencer. Estou convencido de que os outros dois que, meio constrangidos, assistiam à cena, se inclinavam mais para a dúvida do que para a minha certeza. Enfim, encurtando a história, passados uns dias, pedia-me desculpa porque, efectivamente, era como eu dizia mas que compreendesse, coisa assim, era mesmo para duvidar…

Ontem, como quase sempre acontece, com a lotação esgotada dos seus dois mil e duzentos lugares, fomos assistir a momentos irrepetíveis de Arte, com os músicos daquela grande orquestra – que a maioria dos mortais apenas conhece através da transmissão televisiva do Concerto de Ano Novo, devendo ficar com a ideia de que se trata de uns tipos que tocam umas valsas muito bem – dirigidos pelo mítico maestro Pierre Boulez, na apresentação de dois concertos para piano, interpretados por Mitsuko Uchida, provavelmente, a maior mozartiana da actualidade.

Não farei como no escrito precedente, entrando em detalhes da estrutura das peças. Desta vez, apenas impressões sobre a postura da pianista. Impressionante, sempre, uma autêntica personificação da própria Música, através de uma linguagem gestual e corporal que insinua, suscita e confirma o singular diálogo que, como demiurgo, cria e recria, directamente, anti vedeta, cúmplice dos elementos da orquestra, apenas sua companheira.

Quanto a Boulez, compositor importantíssimo, investigador, filósofo, pedagogo, maestro que deixa o seu nome ligado a momentos inesquecíveis como, apenas um exemplo, o da responsabilidade conjunta com Chéreau por um Ring que ficará nos anais de Bayreuth, nos seus oitenta e seis anos, faz-me lembrar Otto Klemperer. Dirige mentalmente, económico no gesto, um caso sério…

Filarmónica de Viena, Uchida e Boulez em Concerto para Piano e Orquestra em Fá Maior, KV 459 de Mozart, Concerto para Piano e Orquestra op. 42 de Schoenberg, Acompanhamento para uma Cena Cinematográfica op. 34, também de Schönberg, e Pulcinella de Stravinsky, no assombroso privilégio daquela casa talhada para o gozo da Arte que se faz no momento, Tempo no tempo.

Finalmente, um excerto da Suite Pulcinella, dirigida por Zubin Metha.

Boa audição!

!http://youtu.be/X4KYuhfag5I
I.Stravinskij - Pulcinella Orchestral Suite - Part I/III www.youtube.com
Salzburg, 27 de Janeiro, 2012

Sasha Waltz,
Gefaltet


Ainda dia 27, às sete e meia da tarde, a iniciar o programa oficial da Mozartwoche, a proposta de um concerto coreografado por Sasha Waltz, a partir de peças de Mozart e de Marc André, jovem compositor francês contemporâneo. Pessoalmente, estava na maior expectativa já que as credenciais desta coreógrafa são de nível máximo e, em Salzburg, bem comprovadas com a óptima receptividade de Continu, estreado em Zurique em 2010 e aqui reposto no Festival do Verão passado.

Importa que entendam que, no ano passado, precisamente no dia 27 de Janeiro, quando comprei os bilhetes para este ano, foi dado a todos os interessados um programa geral, pormenorizadíssimo, com todas as informações acerca do que, agora, está a acontecer. Aliás, nestes grandes festivais, é invariavelmente assim e, de facto, só se pode trabalhar assim. Portanto, há um ano, eu sabia tudo o que devia e, naturalmente, em função das linhas de força apresentadas, conjecturei sobre a proposta de Waltz.

Contudo, de facto, o que vim encontrar ultrapassa tudo o que imaginar se possa. Gefaltet é uma análise de Mozart, com referência ao presente, articulada com a questão de saber como trabalhar com Mozart nos nossos dias. Gefaltet [=dobrado] relacionar-se-á com o processo matemático da dobragem, segundo o qual duas funções estão ligadas uma à outra dando origem a uma terceira, como se fosse uma resposta.

Ininterruptamente, durante duas horas certas, no palco do Landestheter, oito bailarinos e quatro óptimos músicos – quem conhece Carolin Widman, violino, Guy Bem-Ziony, viola, Nicolas Altstaedt, violoncelo e Alexander Lonquich, piano, entende o nível do conjunto a que me reporto – vivenciaram, em diferentes dimensões, o Divertimento KV 563, as Sonatas KV 310 e 304, o Adagio KV 540, a Gigue KV 574, o Rondo KV 511, o Allegro do Quateto de Cordas 478, em Sol menor* e três peças de André.

Cento e vinte minutos de ‘alta estética’, espectáculo culto, desafiador, provocatório, iconoclasta, com inusitada insistência na lenta decomposição dos movimentos, no absoluto respeito da plasticidade da própria música, tudo projectado numa dimensão outra, [Gefaltet] talvez um meta-espaço, em que movimento e música se fundem na conquista do vazio.

Bailarinos jovens, muito seguros, dão tudo o que é humanamente possível exigir. Que bom poder dizer-vos que a grande estrela é um jovem moçambicano, Edivaldo Ernesto, de inesgotáveis recursos!

Verdadeiramente avassalador o ritmo das surpresas, com frequente recurso à finíssima ironia mozartiana, sem qualquer ponta de gratuitidade, pelo contrário, tudo intencional, opera aperta, aberta a todas as leituras, desde que inteligentes. Os músicos são tão coreografados como os bailarinos. Os instrumentos, todos os instrumentos, incluindo o pesadíssimo Steinway, evoluem no espaço com inaudita elegância ou se quedam, inertes, cheios de sentido, numa quietação expectante.

Estive sentado num lugar óptimo, na quinta fila da plateia, mesmo ao centro, sem hipótese de perder o mínimo detalhe, sentado, preso, cativo da proposta de Sasha Waltz. E que bem soube aquela submissão assumida!... Quando a Arte assim acontece o único risco é o de que nos percamos na confusão das coordenadas de espaço e tempo, ou seja, de que nos passemos.

Finalmente, se querem que vos diga, não sei bem se ainda continuam os aplausos, comoventes, catárticos. Mozartwoche, 2012, que começo mais auspicioso!
É por estas e por outras que não perco. Ano após ano, não tem preço o que venho encontrar.

Aqui têm uma gravação da última das peças de Mozart constante de Gefaltet. Boa audição!

* Sol menor, tonalidade frequentemente relacionada com a ideia de grande inquietação, inclusive, de morte.



http://youtu.be/fvD0ubvQvqE
Mozart Piano Quartet 1 in g minor, k. 478 (1/3) http://www.youtube.com/



Sábado, 28 de Janeiro de 2012



Utopia,
Thomas More, Gilbert & Sullivan
[ou o «encontro» do santo com os maçons…]


Thomas More pisou e ultrapassou os limites da humana condição pagando com a vida a dignidade com que não transigiu perante o que não podia nem devia. Que magnífico exemplo! Como ele, também Giordano Bruno. Infelizmente, longe dele, Galileo Galilei que, para salvar a pele não hesitou em negar a absoluta e radical verdade daquilo que a Ciência lhe tinha permitido descobrir…

Sabem todos os que foram e têm sido meus alunos e formandos que, enquanto professor e de formador, jamais perco a oportunidade de apontar o grande humanista como paradigma do Homem. Este fiel servidor do Rei mas de Deus em primeiro lugar, acabou por ser canonizado pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana, em 1935.* Dessa vez, andou bem a mesma Igreja que bem pode penitenciar-se de pecados e pecadilhos em conhecidos processos de beatificação e canonização…

O autor da Utopia terá contado com o testemunho de Rafael Hetloideu – fascinante personagem histórica das descobertas e explorações portuguesas –para a concepção desta obra máxima da literatura universal, mundividência radical mas possível e lugar alcançável se e quando o Homem quiser.

A propósito, recomendaria a edição fac simil da Utopia, com uma Introdução brilhante do saudoso Prof. Doutor José Vitorino de Pina Martins, tradução e notas do Prof. Doutor Aires A. Nascimento, meu amigo e companheiro da ACLUS, publicada pela Fundação Gulbenkian em 2006, que qualquer boa biblioteca doméstica não pode dispensar.

E, porque, raramente, consigo alinhar umas frases sem as articular com o mundo da música, logo relacionei a Utopia do More com Utopia, Limited or the Flowers of Progress, engraçadíssima ópera de Gilbert & Sullivan, que levou George Bernard Shaw a afirmar que se tratava da ópera do Savoy de que mais tinha gostado. Exige recursos avultadíssimos de montagem, não será uma obra-prima mas é muitíssimo bem disposta.

Não por acaso, já que a utopia é lugar geométrico por excelência da Augusta Ordem Maçónica, eis que Sir Arthur Sullivan e Sir William Schwenck Gilbert, da famosa dupla Gilbert & Sullivan, foram conhecidos maçons. E eu, no meio destes três, cristão católico, como o primeiro e Irmão dos outros dois… Pois fiquem sabendo que não há qualquer incompatibilidade – veja-se, por exemplo, o famoso caso do Irmão Mozart que toda a gente tem na ponta da língua – e como todos coabitamos em paz e harmonia.

E agora, em face da seriedade da matéria precedente, sem cometer sacrilégio algum, vos deixo com um momento muito bem disposto da citada ópera. Ouvirão uma ária cuja letra é a única coisa que se vê no écran. Estejam atentos e reparem como se adequa aos tempos de crise por que passamos. Como sempre, crise, enfim, só para alguns…


*Aos católicos que, como eu, têm More na maior consideração, será bom lembrar que a sua festa passa a 22 de Junho.


http://youtu.be/H4euNhxbGWs UTOPIA LIMITED Mr. Goldbury's Song (Gilbert & Sullivan) www.youtube.com
Mozart,
27 de Janeiro, em Salzburg



Como há muitos anos acontece em 27 de Janeiro, estando sempre m Salzburg para assistir à Mozartwoche, passo o aniversário de Amadé cumprindo um certo ritual que compreende três momentos matinais e um vespertino. Já agora, porque não é segredo entre dois irmãos maçons, um que passou ao Oriente Eterno há duzentos e vinte anos e outro, este humilde escriba que ainda por cá andará por mais algum tempo até se lhe juntar, ficam a saber o detalhe.

Primeiramente, vou comprar dois ramos de flores, sempre aos mesmos floristas ambulantes da Praça da Universidade, junto à grande igreja da Colegiada. Depois, dirijo-me à casa-museu onde nasceu o compositor para ir colocar um dos ramos junto ao retrato de Mozart que o seu cunhado Joseph Lang deixou inacabado. Finalmente, avanço para o Mozarteum onde entrego o outro ramo à Prof. Geneviève Geffray que, até Maio do ano passado, foi a Directora da célebre Biblioteca Mozartiana e principal guardiã dos tesouros dos Mozart.

Esta grande senhora é minha amiga de longa data. Jamais teria a minha vida tão facilitada em Salzburg não fora a sua interferência. Ela é uma verdadeira instituição. O mundo mozartiano deve-lhe imenso. Tem tido alguns reconhecimentos nacionais como a Legião de Honra da França, nomeadamente por ter sido ela a primeira grande investigadora a fazer a tradução para o Francês de todas as cartas da família Mozart. E, aqui, na Áustria, a concessão do título de Prof, análogo ao que, entre nós, é o doutoramento honoris causa.


Hoje mesmo nos fartámos de brincar a propósito de uma piada que ela própria assume a respeito da sua relação de trabalho com Amadé, ou seja, a relação de uma vida inteira dedicada à nobilíssima tarefa de o dar a conhecer em múltiplos aspectos e de preservar a sua herança. Assume a minha amiga a dupla condição de «Frau Mozart» e de «Mozats Witwe» ou seja, de Senhora Mozart e de viúva de Mozart…


Temos cumplicidades várias e, inclusive, o facto de tal como a minha mulher, ter atravessado um difícil problema de saúde, felizmente, ultrapassado com o maior sucesso, já lá vão treze anos. Com o seu exemplo, foi uma fonte de motivação e ânimo em minha casa.


É uma senhora queridíssima com quem, na minha dupla condição de membro do Mozarteum e também de maçon, tudo tinha combinado mas não consegui levar a cabo no sentido de, no Museu do Grande Oriente Lusitano, expor peças originais de Mozart e falar acerca desse espólio. A nossa obediência afirmava não dispor de verba para o efeito e, apesar dos meus esforços e dos do Venerável da minha Loja, não conseguimos fazer vencer o argumento de que a própria exposição constituiria uma séria fonte de receita. E ainda dizem que os maçons são terríveis para o negócio…


Continuemos, então, com o meu ritual, na sua componente vespertina. A coisa acontece na igreja de São Pedro onde se sabe que Mozart passou alguns momentos muito agradáveis. É curioso que, tanto para mim como para a minha amiga G. Geffray, este templo recatado, na maior parte do tempo até bastante sombrio, tem uma especiaslíssima carga do nosso Amadé. Não, não é coisa que se explique mas anda no ar…


É ali que vou ouvir uma gravação da Missa em Dó menor, KV 427 que lá mesmo foi cantada pela primeira vez em 26 de Outubro de 1783, tendo Constanze como intérprete de uma das partes de soprano. Se me perguntarem como faço, nenhum problema terei em dizer-vos que, praticamente, é em versão artesanal, com um CD player portátil. Pois, sim senhor, tenho um desses aparelhos mais recentes MP qualquer coisa mas não me entendo. E estou tão habituado ao outro que o esforço de adaptação não vale a pena. E assim faço a minha celebração, convindo lembrar que celebrações oficiais não há.


Então, a cerimónia

Não é frequente que a Mozartwoche se inicie no dia de aniversário do compositor, como este ano acontece. Hoje, 27 de Janeiro, nos duzentos e cinquenta e seis anos do nascimento de Amadé – já ontem vo-lo tinha anunciado – começa o Festival de Inverno mais famoso do mundo, com uma abertura solene, de acesso por convite e reservada aos membros do Mozarteum, entre os quais tenho a honra de me incluir.


Sem entrar em grandes detalhes, dir-vos-ei que estava apinhada a Wiener Saal do Mozarteum onde decorreu a cerimónia, singela mas tão sofisticada, como só aqui sabem fazer quando pretendem honrar a Música e os Músicos. Começou, com o Adagio do Quinteto KV 593 que, também ontem, já vos dei a ouvir. Continuou com discursos mais ou menos de circunstância, aqui e ali salpicados de genuína emoção, sempre quando se referiam ao homenageado.


Falaram o Presidente da Fundação, o Bürgermeister (Presidente da Câmara) de Salzburg, o presidente da Região, o representante da Ministra da Cultura, o Director artístico da Mozartwoche que fez a laudatio de András Schif. Foi concedida a medalha e, então, falou o pianista. Lentamente, muito emocionado, comovida e empenhadamente envolvido com os difíceis momentos que se vivem na sua Hungria natal, disse o que deve a Salzburg e ao Mozarteum e, principalmente, ao próprio Mozart.

Sublinhou aquilo que, tantas vezes, eu tenho dito e repetido – algo que me faz vir a Salzburg todos os anos, em especial, durante a Mozartwoche – isto é, como está grato por a Fundação continuar a proporcionar programas contra a lógica comercial, do marketing das grandes companhias discográficas. Falou de si, naturalmente, para se apoucar perante a notoriedade excepcional de quem o precedeu nesta excepcional distinção, tais como Karl Böhm, Bruno Walter, Paumgartner, Nikolaus Harnoncourt…

Naturalmente, aplaudindo vibrantemente e de pé, todos o saudámos com a maior sinceridade e emoção, gratos por tantos e excelentes momentos musicais de serviço a Mozart. Seguidamente, o mesmo conjunto de músicos – entre os quais se incluía a violinita Yuuko Shiokawa, mulher de András Schiff, também presença constante enquanto membro da Cappella Andrea Barca – interpretou o Menuett da mesma e já referida peça.


Só para que tenham uma pequena ideia do savoire faire desta boa gente, pois fiquem sabendo que a cerimónia de Abertura da Mozartwoche que começou cerca das cinco da tarde, teve aqueles discursos todos, mais dois momentos musicais do mais alto gabarito, seguindo-se um beberete estupendo e quando faltava um quarto para as sete já toda a gente saía. É verdade, hora e meia é quanto basta e ninguém se maça.


Até porque não podia ser de outra maneira já que, às sete e meia, no Landestheter, a cerca de cinquenta metros, seria apresentado o primeiro espectáculo do programa oficial da Mozartwoche sobre o qual, mais logo, vos apresentarei outro texto.


E, a finalizar, a peça completa, da qual a Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg seleccionou o Adagio e o Minuetto para audição na cerimónia de lançamento do Festival. Não deixem de reparar nos intérpretes desta gravação.



Boa audição!


v_qXHMzCXzs Mozart -

String Quintet No. 5 in D major, K. 593 http://www.youtube.com/

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012



Mozartwoche, 2012
primeiro evento

Esta será a primeira peça que se escutará amanhã, durante uma cerimónia de Abertura da Mozartwoche e de atribuição da Medalha de Ouro da Fundação Internacional do Mozarteum de Salzburg ao pianista András Sciff, para a qual fui convidado na qualidade de membro da instituição.

Tocarão alguns dos elementos dos naipes de cordas da Cappella Andrea Barca. Já agora explicarei que esta famosa e estupenda orquestra, que András Schiff constituiu com músicos provenientes de outras grandes orquestras, deve o seu nome ao próprio András Schiff. Reparem: András=Andrea e Schiff=Barca portanto, a tradução para Italiano, também para Português, do substantivo alemão das Schiff, barco.

András Schiff que, na passada temporada da Gulbenkian, foi interpretar as Variações Goldberg de J.S. Bach, numa estupenda e entusiasmante leitura, é figura sacramental em todas as Mozartwoche de há uns bons anos a esta parte. Ainda pairam na memória de todos os mozartianos, indefectíveis da Mozartwoche, as suas versões dos concertos e das sonatas de Amadé.

Como poderão verificar, a minha explicação acerca da designação da orquestra também o remete para o bom lugar dos cultores da fina ironia. Pois, ele já sabia que o nome originaria celeuma. Então não é que houve uns sabichões afirmando patranhas acerca da inexistente biografia de Andrea Barca?...

Gente desta há por todo o lado e todos devem ter frequentado a mesma escola de música onde o Pedro Santana Lopes aprendeu que o bom do Chopin tinha composto concertos de violino... Enfim, voltemos a coisas sérias. Ouçam este andamento, um Adagio lindíssimo, do Quinteto em Ré Maior KV 593. A interpretação é muito correcta.

Boa audição!

!http://youtu.be/qQhr8bv05Qg
W. A. Mozart - String Quintet in D, K593; 2) Adagio


Uchida,
mozartiana inspiração...


Eu assisti a esta maravilha. Foi ha seis anos, aqui em salzburg, na Grosse Saal do Mozarteum. Uchida, acerca de quem vos tenho escrito. Há quem afirme ser ela uma encarnação do próprio Mozart... Eu adoro-a. E vou ter o privilégio de voltar a estar com a pianista dentro de dias, em várias oportunidades. Desses momentos vos darei conta, estejam descansados. Agora, deixem-me partilhar convosco estes momentos tão especiais.

Boa audição!

http://youtu.be/iARNzSLxK0c
MITSUKO UCHIDA MOZART PIANO CONCERTO No.20 http://www.youtube.com/