[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


Fernando Castelo - Sintra

Viseu,
exemplo para Sintra

No passado dia 10 de Novembro, o Diário de Notícias dava à estampa uma notícia sobre o funcionamento do funicular de Viseu, com utilização gratuita e que, em cerca de três semanas, transportou à volta de sete (7) mil pessoas. Segundo a notícia, aumentou a afluência ao centro histórico, o comércio passou a contar com mais clientela e os visitantes permaneceram mais tempo, enquanto que as viaturas ficaram lá longe arrumadinhas.

Claro que por lá, tal como cá, também existiram resistências de pacotilha, com críticas que acabam de ser desmistificadas. Um alfarrabista com loja aberta no centro histórico (de seu nome Rui Macário) reconhece vantagens nas medidas tomadas pela Câmara Municipal de Viseu, pois “já se vêem mais pessoas”, dizendo que caberá aos viseenses “aproveitar e ganhar este hábito de vir à cidade velha”.

Antes de se sugerir a requisição do edil Fernando Ruas para Sintra, ou mesmo uma permuta ao mais alto nível, não vamos deixar cair no esquecimento (tão útil a certos políticos) as aventuras de um “teleférico” que foi noticiado para Sintra.Em Dezembro de 2007, por certo com a emoção natalícia, um dirigente desportivo anunciou a construção do “teleférico para a Pena”, cujo cais de embarque seria no seu clube, ocupação que justificaria uma “renda” a pagar pela Câmara Municipal.

Houve quem acreditasse que o Senhor Presidente da Câmara não deixaria de convocar a imprensa habitual, mostrando os Projectos e promovendo as celebrações protocolares. Reinou um silêncio pouco conforme com o ideário republicano.Passado um ano, o divulgador do “teleférico”, dessa vez como autarca, acabaria por dizer que o “projecto de ligar São Pedro de Sintra ao Palácio da Pena através de um teleférico” estava “enterrado”. Dessa forma, mais um grandioso Projecto se arquivou.

Viseu tem outro encanto

Claro está que Fernando Ruas não se deixa levar por balelas ou cantos de sereia que só levam os navegantes para o fundo. E as ninfas do imobilismo por lá não vingam, digam ou não que Viseu é “única” e que não há outra igual em toda a Terra.Vai daí, através do programa Polis, Ruas investiu pouco mais que cinco milhões de euros e resolveu uma situação que era sentida pela grande maioria da população.

Claro que não se comprometeu a enterrar linhas de alta tensão da REN... Por outro lado, em vez de embrulhar casas degradadas no Centro Histórico, passou a dedicar uma atenção muito especial aos casos em que os proprietários não têm posses para reabilitação, adquirindo os edifícios para a devida recuperação, com o posterior aluguer. Prevê-se, ainda, que alguns serviços camarários sejam transferidos para esta zona, como forma de incentivar o desenvolvimento.

Sendo Fernando Ruas credor de muito apreço pela sua vida de autarca, como seria sempre positiva uma passagem por Sintra, não para promover queijadas ou travesseiros mas para umas pinceladas de desenvolvimento estruturante.

4 comentários:

Margarida Mota Paulos disse...

Brilhante Dr João, como é habitual.Amarga constatação de um sintrense perante o imobilismo, a mentira, o constante ataque à nossa dignidade de habitantes da vila Património da Humanidade, onde os sintrenses, como pessoas deixaram de ser património humano, de tal forma vamos sendo vilipendiados, humilhados e ofendidos pelos «pseudo governantes»locais que vão gozando de toda a impunidade que foi legitimada pelo voto de muitos.Parabéns, Dr João, por continuar a despertar as consciências,com a acuidade que lhe é conhecida e o caracteriza.Talvez haja quem acorde desta anestesia geral a que querem submetermos.Obrigada por não deixar cair este nosso amor sintrense que jamais poderá ser confundido com provincianismo ou bairrismo bacôco.
Margarida

João Cachado disse...

Minha Cara Dra. Margarida,

Ultimamente não tenho respondido aos comentários mas hoje não posso deixar de o fazer. É que há aqui uma questão de autoria a clarificar.

Como poderá verificar e confirmar, o autor do texto hoje publicado é o nosso comum e muito querido amigo Fernando Castelo. É para ele, portanto, que vão todos os seus encómios. O seu a seu dono!

Quem dera que ele quisesse corresponder ao meu constante pedido para publicar matéria da sua lavra! Como a Margarida sabe, o Fernando Castelo é um militante indefectível pela melhoria da qualidade de vida em Sintra, é um cidadão de mão cheia com quem muito se aprende, que tem os olhos bem abertos, sendo capaz de denunciar qualquer situação sempre com elegância, e, não raro com ironia.

Infelizmente, tanto a Câmara de Sintra, como a Junta de Freguesia de São Pedro não sabem como enquadrar e aproveitar tão boa vontade por parte de um munícipe e freguês absolutamente extraordinário como cidadão interveniente e interessado.

Aliás, lamentavelmente, não pode afirmar-se que o Castelo seja caso isolado. Sintra - o segundo mais populoso concelho do país, onde a intervenção cívica é extremamente diminuta - não consegue acolher cidadãos como o Castelo que, no deficiente entendimento de autarcas com manifesta falta de preparação a vârios níveis, não passa de um negativo, pessimista militante e profeta da desgraça.

Por outro lado, enquanto a administradora/directora do jornal local se permitir manipular os textos do Castelo a seu bel-prazer, para não ferir a susceptibilidade do Senhor Presidente da Câmara - caso absolutamente escandaloso, mais um sinal do péssimo momento que se vive nos media actuais, seja qual for a sua escala de grandeza e notoriedade - só resta ao nosso bom amigo procurar as colunas protectoras do "Cidade Viva" ou, então, obedecer ao chamamento do sintradoavesso que procura tê-lo como assíduo colaborador.

Portanto, Margarida, aqui ficam, à laia de rectificação, estas palavras de grande apreço pelo autor do texto tão certeiro e oportuno que hoje veio a público.

As melhores saudações do

João Cachado

Rui Neves disse...

Tenho a certeza que foi o João Cachado quem mais escreveu sobre a necessidade dos funiculares cá em Sintra e até desfez aquela confusão
entre funiculares e teleféricos (estes não são próprios para espaços urbanos). Infelizmente, em Sintra não há quem aproveite as melhores ideias mas na terra donde vem o Dr. Seara o presidente da Câmara viu a vantagem. É fazer como sugere Fernando Castelo: venha o homem para aqui ou troquem-se os dois...
Passem bem.
Rui Neves

Anónimo disse...

O Fernando Castelo já soube da intervenção do Presidente da CM de Viseu sobre ambiente no Congresso deste fim de semana? Não sei se o pano é o melhor mas caíu grande nódoa...
Abílio Mendes