[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 14 de agosto de 2011






Fraco rei e frei Tomás

Dificilmente se admite que o PSD, prevendo a mais que certa hipótese de vir a ser governo na sequência das eleições, não tenha feito o trabalho de casa indispensável à redução da despesa - o tal emagrecimento da máquina do Estado - que, muito bem, anunciava como condição sem a qual os cidadãos continuariam a ser sacrificados através do aumento da receita.

Afinal, a receita que consegue aplicar na gestão da República é, sempre e sucessivamente, a estafada subida de impostos que sufoca o povo a cada dia que passa. Corte substancial no 13º mês, incomportável aumento do preço dos transportes públicos, aumento para a taxa máxima do IVA nos consumos de electricidade e de gaz...

Que horror é este? Que extraordinários currículos dos Senhores Ministros, especialmente das Finanças e da Economia, estão a montante deste despautério? E, entretanto, uma vez instalado o sacrifício imposto aos que não podem escapar a tão cáusticas medidas, que compensação perspectivarão Suas Excelências em relação aos mais favorecidos, ricos e poderosos?

De facto, o regime de arrogância e de aldrabice institucionalizada que vigorava com o anterior governo, impunha uma mudança absolutamente radical. Mas uma mudança generalizada que, já se sabia, teria de doer a todos, porque o país viveu demasiado tempo acima das suas possibilidades e da riqueza que consegue produzir.

Ora bem, doer a todos, é mesmo a todos! Contudo o que se tem assistido é a mais do costume. É tão fácil governar assim e, ainda por cima, com o beneplácito dos credores da troika que, nem tão longe pretenderiam ir... Governar assim é demonstrar uma fraqueza inaudita. A coragem, essa, está só do lado de quem tem de arcar com tanta restrição e dificuldades.

Não, assim não vale. Assim só se dá razão, e, infelizmente, mais uma vez, ao poeta que, tão subtil e acertadamente afirmava, através de palavras atribuídas ao Condestável, no Canto III de Os Lusíadas que "(...) o fraco rei faz fraca a forte gente (...)" Mas, afinal, nunca mais se nos acaba o ciclo dos fracos reis que, como se sabe, tão bem se dão com o Frei Tomás?

Safa! Já vai sendo tempo...



2 comentários:

João Cachado disse...

Manuel Lucas Estêvão, Carlos Gordo e Luís Cachado, no facebook

Bastos Rodrigues disse...

Caro Dr. Cachado,
A nossa gente está fraca e farta... Com governantes destes do «centrão» iguaizinhos a fazerem das suas uns a seguir aos outros, estamos desgraçados. Umas vezes no poder e outras na oposição são muito maus. Quando o senhor
e outros votaram em branco tinham razão. Branco! Bastos Rodrigues