[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Slôganes,
ainda a propósito


Ontem, na sequência da publicação do texto de Fernando Castelo neste blogue, troquei com ele uma série de impressões que estão presentes nos parágrafos que se seguem. Espero que acabem por gostar de as partilhar comigo.

Enquanto afins dos estudos etimológicos, a semiologia e a semiogonia são indispensáveis para determinar - para além de toda a evolução mecânica da língua, ou seja, os detalhes da componente física do sistema, como a utilização do aaparelho fonador, de acordo com o princípio da economia do esforço - também a componente virtual, racional, intelectual dos significados.

Um formador de técnicas de mercado, para quem o problema da comunicação [comunicar não é mais do que pôr em comum uma mesma mensagem] é muito importante, pode saber muito acerca das estratégias, das medidas tácticas que conduzam e sejam afins da comunicação mas, como não é filólogo, como não é linguista, escapam-lhe detalhes importantes indispensáveis à história da utilização do termo ao longo do tempo e, em especial, das razões que levaram à adopção das cambiantes transferidas para outros campos semânticos.

Por exemplo, porque é que, em determinada altura, um grito de guerra começa a ter uma utilização muito pragmática, abandonando o campo semântico bélico para se dirigir ao da vida prática, pragmática, conotando, por exemplo, com o comércio? Provavelmente, porque, a partir de determinada altura, uma vez definidos e estabilizados os limites territoriais da comunidade, esta passou a poder dedicar-se a acções, actividades e atitudes afins dos tempos de paz, em que produzir em maior escala - que, portanto, ultrapassa a conveniência dos tempos de mera subsistência - como comprar, vender, importar, exportar, que pressupõem um viver totalmente diferente.

Contudo, preciso é confirmar se e quando tudo isto passou a ser verdade. Daí que História, Linguística, Antropologia sejam saberes intimamente articuláveis nos estudos filológicos. Andam sempre atrás uns dos outros. Numa mesma comunidade, uma vivência qualquer, em qualquer tempo, tem uma expressão linguística correspondente e específica, inerente a esse tempo e espaço, e que se articula com determinadas práticas culturais. Quando um dos factores evolui, evoluem todos mas não em simultâneo, daí que seja tão interessante ir estudando as adequações.


Daí até à sofisticação das promoções publicitárias, muito posteriores à Revolução Industrial, indissociáveis da sociedade de consumo e tão comuns às campanhas eleitorais em que, por vezes, o produto vendido é de tão baixa qualidade, foram passos lentos mas gigantescos que a história do homem, ao longo de séculos, não deixou de registar, umas vezes implícita, outras mais explicitamente.

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Sintra – Eleições Autárquicas

MANIFESTO DE APOIO A ANA GOMES

Através da nossa frequente intervenção cívica, quer em sessões de Assembleia Municipal e de Reunião Pública de Câmara, quer em artigos publicados em jornais e revistas regionais, blogues, etc., estaremos entre os sintrenses que mais frequentemente se manifestam pela defesa dos interesses da causa pública.

Neste contexto, quando se justificou, não regateámos apoio ao actual Presidente da Câmara, sempre no sentido de que o concelho desse passos rápidos para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes.

Confiámos que, tanto o Património Histórico como as outras componentes Culturais e o Turismo sintrenses beneficiariam do anunciado desenvolvimento sustentado, aproximando-os das sociedades mais evoluídas, em condições ideais à recuperação do tempo perdido.

Ao longo de oito anos, sendo os últimos quatro com maioria absoluta, esperámos pela concretização de novos projectos em que Sintra pudesse ser mais do que metáfora utilizada em estéreis discursos políticos, antes um território de bem-estar colectivo, com manifesta evolução qualitativa.

Ainda que não se deixe de valorizar a desistência de construção do parque de estacionamento subterrâneo na Volta do Duche, ou a não concretização do famigerado Parque Temático Sintralândia, bem como a rejeição de um desadequado projecto para o Vale da Raposa, não podemos salientar outros actos particularmente relevantes.

Infelizmente, também não assistimos à concretização de estruturas determinantes da qualidade de vida, tais como parques periféricos de estacionamento, recuperação do Centro Histórico, matrizes incentivadoras do comércio de proximidade, uma nova rede de transportes públicos estratégicos, higiene urbana e turismo qualificado.

Esgotaram-se as nossas ambições de índole colectiva. Não obtivemos resultados compatíveis com a vontade expressa pelos munícipes, ao passo que elevados recursos financeiros foram canalizados para entidades cujos projectos não respondem às necessidades em presença.

Nestes termos, após detida análise, decidimos apoiar a candidatura da sintrense Ana Gomes, prestigiada figura da vida política nacional e internacional, porque se nos afigura como reunindo os meios e as condições bastantes para liderar o processo que conduzirá Sintra à fase de evolução positiva que merece

Na nossa qualidade de cidadãos independentes, gostaríamos de salientar que este inequívoco apoio à candidatura de Ana Gomes, nas eleições autárquicas, não deve ser entendido como extensível a qualquer das candidaturas envolvidas nas Eleições Legislativas.


Em Sintra, aos 23 de Setembro de 2009-09


João Cachado
Fernando Castelo



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2 comentários:

Anónimo disse...

Eu sei que este meu comentário ao seu post pode parecer forçado, metido a cunha por assim dizer, mas verá que até tem algum sentido. E isto por causa dos "slogans" no caso a que me refiro, os slogans vivos, aqueles que se poem em bicos de pés. No decorrer desta semana aconteceu na sala da Renascença do palácio da Regaleira, a apresentação, para a qual fui convidado, do livro sobre o palácio da Pena, da autoria do director do respectivo palácio, O Prof. Doutor José Martins Carneiro. Apresentação que contou com a presença do Sr. Presidente da CMS, o Prof. Fernando Seara. Tal o meu espanto quando do despropositado surge a figura do administrador delegado da Regaleira, rompendo com o protocolo e o bom senso, para não dizer outra coisa, começando ele também uma comunicação aos presentes com a pretenção de se colar em importância e obra realizada ao homenageado. director do palácio da Pena. Para além de patética e manhosa atitude, pois que a sua prestação como administrador da Regaleira tem sido para baixo de vergonhosa, representou ali naquele momento publicamente a triste cena da pedinchiçe lamechas de um tacho dourado. Durante a "pregação" o Presidente Fernando Seara segurava a cabeça com as 2 mãos, não sei se para chorar, ou mostrando um tamanho desespero que assim ficou tão coreograficamente na memória dos presentes. A via dos suplicantes!

João Cachado disse...

Quem estará desse lado?

Verificará que, apesar do anonimato, resolvi destacar o seu comentário, atirando-o para a ribalta da primeira página. Acho que o texto merece. E tem toda a razão. Estes serventuários que se amesendam à manjedoura de todos os poderes, tenham a cor que tiverem, são uma chaga! Transportam consigo uma tal carga de incómodo, são tão eficazes que conseguem pôr os cabelos em pé, até aos carecas como o Prof. Fernando Seara...

Agora, se quiser e puder - mesmo continuando a manter o anonimato - explique à gente porque recorre à estratégia do anonimato. O facto de, tão somente, denunciar uma lamentável atitude de determinada pessoa que ocupa um lugar na administração da Fundação Cultursintra, constitui assim algo de tão perigoso que o leve a ocultar a sua identidade?

Já pensou que país e regime são estes em que vivemos que levem certos cidadãos a usar tal estratagema para se protegerem?
Mas protegerem de quê, santo Deus?
Eu não sou herói algum e, no entanto, não me concedo sequer a hipótese de esconder a identidade se tiver que apontar isto ou aquilo seja a quem for, Presidente da Câmara, Vereador, Ministro, Primeiro Ministro... E, como eu, felizmente, tantos que, sem coragem alguma, aqui escrevem.

Era o que faltava! Apesar de tão mal funcionar a Justiça no meu país, não me passa pela cabeça actuar doutra maneira. Tenho mulher, filhas, netos, alunos, amigos, a quem não quero dar esse exemplo - desculpará, não há outro termo... - de medo. Medo! Num país que se diz viver num Estado de Direito? Não,não pode ser. Mas, peço-lhe, escreva o que lhe aprouver. Naturalmente, ninguém aqui está para atirar seja que pedra for. Terá as suas razões. Expresse-as, não as reserve.

Se quiser beneficiar-nos com as suas palavras de justificação, elas mesmas podem constituir pedradas neste charco de trampa do «politicamente correcto» em que determinadas forças pretendem que continuemos a viver. Ao menos, neste canto do sintradoavesso, saibamos dar lugar a um discurso todo ele consequente de uma certa correcção, de civismo que animou a abertura desta janela de liberdade pela escrita.

Respeitosamente,

João Cachado