[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Sócrates
na corda bamba



Da esquerda, ao centro e à direita, não há sério comentador que não chegue sempre à mesma conclusão, ou seja, de que a credibilidade do Primeiro Ministro está inequivocamente ferida. A ser verdade, tudo quanto para aí se diz que José Sócrates terá feito, tão só no que se relaciona com o controlo de órgãos da comunicação social, estaremos perante um cenário de gravidade seríssima na medida em que estão em causa os valores e princípios mais caros ao Estado Democrático de Direito.

A ser verdade, fica às claras como, ao mais alto nível, se tem processado a promiscuidade entre o poder político e os mais baixos interesses do vil metal, em prol do controlo dos media, não importa a que custo, passando por cima de quem for necessário, pondo em causa um dos pilares mais importantes da república e da própria democracia, isto é, a própria Liberdade.*

Terá, de facto, este homem mentido no Parlamento? Estaria, de facto, este homem ao corrente das eventuais manigâncias do tal Rui Pedro Soares, afins da aquisição da TVI através da PT? Terá sido este o homem que, publicamente, no restaurante do hotel em que tudo se terá passado, desceu ao ponto de comentar em termos pejorativos a prestação profissional de Mário Crespo, o mais prestigiado dos pivôs de toda a televisão nacional, dando a entender que era um problema a resolver?

Tudo isto, a ter acontecido, é perfeitamente surreal. Acreditem ou não, ainda não consegui encaixar. Como? Depois de 25 de Abril, ainda parece um pesadelo. Tenho idade suficiente para ter vivido, quase trinta anos, antes da recuperação do regime democrático. E tudo isto cheira a antigamente… É escusado atenuar, suavizar, dourar a pílula porque, coisa assim, não, coisa assim ainda não tinha acontecido nos últimos trinta e cinco anos. Nem no tempo do ridículo governo de Santana Lopes.

Há apenas uma pessoa que pode – e deve – esclarecer este quadro de cloaca imunda para onde, imparavelmente, está a resvalar a vida política nacional. Naturalmente, é o próprio Primeiro-Ministro. Ele tem de afirmar e demonstrar que jamais teve qualquer relação com os factos vindos a público, nomeadamente com aquela manobra inqualificável, protagonizada pelo boy colocado no Conselho de Administração da PT como representante dos interesses do Estado.**

As últimas eleições legislativas determinaram que o Secretário-Geral do partido que obteve a maioria dos votos tivesse sido investido no mais alto cargo do poder executivo. E, para o exercício prático e quotidiano desse poder, que o povo nele delegou através do voto, este homem jurou, por sua honra, que cumpriria com lealdade as funções em que doravante concretizaria, aliás, na sequência do que já vinha fazendo há quatro anos.

Ora bem, esse juramento, que nem em Portugal nem em qualquer Estado Democrático de Direito é entendido como mera formalidade, pode ser tudo o que se quiser interpretar mas, muita atenção, sempre num contexto de dignidade, de moral irrepreensível, de honestidade a toda a prova. Para que assim possa ser, em especial depois da teia de contradições em que o Primeiro-Ministro se deixou enredar, não há outra solução: só ele próprio, repito, poderá e deverá esclarecer. Por muito doloroso que seja.

Estamos perplexos. Estamos à espera dos esclarecimentos que se impõem. Determina-o o ainda vigente regular funcionamento das instituições democráticas. A partir do Largo do Rato, foi estrategicamente montada uma cortina de silêncio cujos efeitos, até ao momento, não podiam ter sido piores. Sócrates tem de a romper. Há contas a dar. Há uma dignidade a recuperar. Portugal merece e exige.

___________________________________

*
Em Portugal, por enquanto, está em causa não a Liberdade e, em especial a liberdade de expressão, mas todo um clima que enquinou a vida política e as atitudes de alguns actores políticos qualificados que podem condicioná-la. São coisas diferentes que carecem da devida distinção.

**

Tal como Ana Gomes, também eu me interrogo acerca da condição de socialista (?) deste piqueno que, a título de vencimentos, ganha mais dinheiro, apenas num ano, do que um diplomata, sempre colocado nos mais altos postos da carreira, durante toda a vida… Por outro lado, como ninguém acredita que aquele militante socialista tivesse actuado por conta própria, conviria esclarecer quem terá patrocinado a sua atitude, em articulação com Paulo Penedos, com o intuito de adquirir a TVI. Se assim não for, para além de Henrique Granadeiro, haverá milhões de portugueses encornados...






9 comentários:

Fernando Castelo disse...

Meu caro João Cachado,

Este artigo coloca a discussão no tema exacto, isto é, na tentativa de controlo de vários meios de comunicação e não na falta de liberdade de expressão, embora a segunda possa ser reflexo da primeira.

No entanto, enquanto se fala apenas de José Sócrates, a sociedade passa uma esponja - melhor, conduz ao esquecimento - sobre a extensão de outras pressões e silenciamentos, não só ao nível de notícias como de entrega de publicidade em órgão que dessas receitas dependem.

Por esse país fora quantos casos existirão nas condições referidas, que não aparecem a público, permitindo que seus agentes activos e passivos se cocem de satisfação por apenas Sócrates estar na corda bamba.

Por vezes devemos parar...e pensar.

Tenho-me perguntado das dificuldades noticiosas sobre o que se passa em certas áreas de Poder Local e quem recolhe dividendos por tanta “dedicação” ao prático encobrimento de questões relevantes numa sociedade participativa. Praticamente não há notícias, nem boas nem más. As poucas que o profissionalismo elabora notam-se significativamente reduzidas.

Salvo melhor opinião, o silenciamento de que a sociedade portuguesa está a ser vítima tem uma componente política que entronca nos “boys”, que ao nível governamental não se comparará em quantidade ao que se passará nas autarquias. Principalmente nos ditos de esquerda que vivem alegremente graças às maiorias de direita.

De cada vez que se arranja um lugarzito de assessor ou de administrador em qualquer empresa de capitais públicos e municipais, o “boy” perde a alma, pelo que deixamos de ouvir as suas tiradas “revolucionárias” e passamos a vê-lo desfrutar de privilégios para os quais o eleitorado não contribuiu e não deseja.

Temos, então, o silenciamento interventivo, facto que ainda é mais pecaminoso do que dar lugares a “boys” do partido no poder, porque compromete, sem sombra de dúvida, a evolução segura e correcta, de uma sociedade que se usa dizer-se “em evolução”, eliminando, por pudor, “a caminho do socialismo”.

Um destes dias pode fazer-se um inventário.

Anónimo disse...

... o inventário da desilusão, poderia-se assim chamar. Dando continuídade ao comentário anterior, a esquerda neste país aburguesou-se, primeiro porque muito simplesmente as coisas do mundo da matéria sabem bem, depois pela inveja! Há esquerda do PS a inveja cega! De tal modo que se fazem compadrios impensáveis, vêja-se o caso recente da Lei do Financiamento Regional. O sr. jardim vai engordar mais uns quilitos, aà custa de uma esquerda que não foi justa para quem paga um irs mais elevado que os madeirenses. O eleitoralismo faz destas coisas! Por cá, a esquerda não foge à regra, sabem dos podres e calam-se, acomodados em lugares nos conselhos de administração das empresas municipais e afins. Se o Salazar nos visse hoje reclamava! Nunca, durante o seu regime a esquerda foi tão "doce"! Ao falarem de axfixia e falta de liberdade de expressão protagonizam a incongruência, sabem e por conveniências, não falam!

João Cachado disse...

Será o autor desta mensagem anónima um senhor vereador da Câmara Municipal de Sintra, licenciado, que não sabe fazer a denominada conjugação pronominal? Pretendendo afirmar que pôs determinado objecto em qualquer lugar, disse esse senhor vereador «pusi-o» em vez de pu-lo... Isto é totalmente verdade, passou-se numa conversa a três, em que ele e eu próprio éramos dois dos intervenientes.

Pois esta mensagem, entre outras incorrecções ou erros de palmatória, também enferma da falta atrás apontada. Lá está «poderia-se» em vez de poder-se-ia e, tão ou mais grave ainda, aquele «Há» quando, no caso, se trata de uma contracção da preposição com o artigo definido, feminino e singular, pelo que deveria ter usado -À-.

De qualquer modo, não fique muito descoroçoado o anónimo autor da mensagem. Fique sabendo que, infelizmente, está muito bem acompanhado. Não sei se sabe que, na minha qualidade de Técnico de Educação, autor de materiais didácticos, faço formação de professores. Acontece que, não raro, alguns dos meus formandos, docentes das nossas escolas básicas e secundárias, e até mesmo professores de português - daqueles que se licenciaram por algumas das nossas Faculdades de Letras modernas, em cursos de Línguas e Literaturas, sem jamais terem acedido a qualquer vislumbre de latim, ou que fizeram os seus cursos em Escolas Superiores de Educação - me apresentam trabalhos com este tipo de pérolas...

Pois é, são sinais dos tempos. Enfim, já que não teve qualquer problema no envio duma mensagem anónima, não tendo aprendido que isso é uma baixeza muito grande, então, pelo menos, aproveite a lição supra.

Sem prosápia nem presunção, aconselhá-lo-ia a ter em consideração estes ensinamentos que só homens e mulheres da minha geração - a minha licenciatura é ainda dos anos sessenta, do tempo das filologias a sério, com professores a sério - ainda podem suprir. Dentro de meia dúzia de anos, sairemos completamente de cena, restando os tais professores que escrevem como o senhor e com quem nada se aprende neste domínio.

Em caso de qualquer dúvida, não hesite. Bata à porta e, se possível, não deixe de assinar. Alguém lhe faz mal? Que medo é esse?

João Cachado

João Cachado disse...

Amigo Fernando Castelo,
O senhor não podia ter apontado mais certeiramente àquilo que sucede a nível local e, na sua expressão de abrangência geral, estamos a descortinar o que, tão exemplarmente, se passa em Sintra.
Com uma dimensão populacional tão significativa, com gravíssimos problemas por solucionar que, todos os dias, põem em causa a qualidade de vida de centenas de milhar de munícipes, até parece que se vive em Munique e arredores...

Como é possível, meu caro Castelo, ter-se conseguido «pôr em sossego» - deixe-me empregar este eufemismo... - a comunicação social nacional, a maior parte da qual sediada a meia dúzia de quilómetros, na capital do país, obstaculizando a divulgação e a circulação de notícias acerca de tantos dos assuntos que afligem os cidadãos de Sintra? Diz-se por aí que os jornalistas não conseguem obter, nos jornais nacionais, espaços para notícias muito completas. E isso, sem dúvida, coarcta a realidade informativa que deve chegar aos residentes do segundo maior concelho do país, na prática redundando em silenciamento.

Se, efectivamente, isto acontece [diz-se, diz-se, mas não sei se quem o diz estaria disposto a prová-lo...] - a quem poderá interessar tal silenciamento, mantendo-se, estrategicamente, nos bastidores de realidade tão preocupante?

Bem, no que respeita à imprensa local, nem é bom falar, tantos parecem ser os «compromissos» detectáveis através da quantidade e qualidade da publicidade institucional que semanalmente se faz portadora, correspondentes a verbas sem as quais já teria fechado a porta. Por cá, como uma tal indigência, os patrocinadores do «convívio sem beliscões», nem tiveram de dar muito trabalho às meninges...

Não há dúvida de que, a nível macro, José Sócrates se pôs a jeito de tanta controvérsia. As suas costas, tão largas, apenas são directamente proporcionais ao cargo que desempenha. Disso também ninguém duvida. Mas, o seu a seu dono... O momento que vivemos é propício à reflexão que o seu comentário suscita, solicitando-nos o discernimento bastante para não meter num mesmo saco o que é que é nacional e o que é local. Todavia, permito-me duvidar haver quem esteja disposto a acompanhar-nos nesse trabalho de análise e interpretação dos factos.

Um abraço, com a muita estima do

João Cachado

João Cachado disse...

Acabei de ouvir José Sócrates na sua alocução ao país. Nada acrescentou, voltou a vitimizar-se, dramatizou a situação, nada de substancial demonstrou. Foi mais do mesmo, mais uma oportunidade perdida. Será que está convencido de que, deste modo, convence quem está convencido de que ele está envolvido num novelo de contradições?

Este homem não tem conselheiros? Ou, tendo-os - e não sendo eles a «voz do dono» - será que os ouve e acolhe a opinião quanto à atitude que mais lhe conviria concretizar?

Infelizmente, parece que não. Infelizmente, parece uma daquelas figuras trágicas, atraída para o abismo, sem remissão possível, ao arrepio de qualquer simpatia.

Portanto, como não funcionou o testemunho na primeira pessoa, é no Parlamento que tudo tem de ser esclarecido. Urge que a imprescindível comissão de inquérito seja investida e comece a funcionar sem delongas. Já passou tempo demais.

Vamos esperar que tudo se faça com a máxima elevação, com toda a elegância e dignidade, e, muito naturalmente, no respeito pela pessoa de José Sócrates, Primeiro Ministro de Portugal, no pleno gozo de todas as suas prorrogativas, decorrentes do voto popular em eleições legislativas tão recentes.

Mas, na verdade, corremos um sério risco de permanência neste patamar de indefinições, de meias verdades e conveniências que se acobertam à mais perniciosa noção do «politicamente correcto». Estou farto de ler e ouvir reacções absolutamente primárias, rasteiras, de gente que, provavelmente, desde criança, se e quando assistiu alguma discussão política «lá em casa», terá sido ouvindo pais e amigos que o faziam sem a mínima preparação, no quadro da lógica clubística duma disputa entre o Sporting e o Benfica. Mesmo neste blogue, tenho lido comentários obedientes a tal «escola», em que o PS-governo é o Benfica, e o PSD, o CDS, o BE e o PCP-oposição são o Sporting ou o Porto...

De facto, a iliteracia tem muitas faces. Neste domínio, o que mais por aí se vê, é gente que reproduz este baixo quadro de referências, confessando - sem que disso sequer se aperceba - uma indigência e limitações argumentativas que bradam aos céus.

Perversa mas compreensivelmente, José Sócrates tem a noção precisa do que é a sua base de apoio popular no partido de que é secretário-geral. Sabe quem são os seus incondicionais e conhece-lhes as falhas e as características de berço, as ambições. Como não, se ele próprio é um protótipo desse substrato?

Como sou um optimista inveterado, ainda espero que este quadro sociológico tão adverso não prevaleça, impondo a ditadura da ignorância à pesquisa que é preciso levar a cabo no sentido de, uma vez por todas, repor a dignidade da actividade política.

João cachado

Anónimo disse...

Caro Fernando Castelo, reportando-me ao seu primeiro comentário,o amigo sabe bem do que fala, a nível local ou não tivesse também sido vítima de um desses ataques que por cá já vão sucedendo, a troco de uns «trocos».E de tal forma vai o descaramento a nível local que além de se censurarem alguns, já se dá voz aos bajuladores oficiais que inventam «pseudo artigos e pseudo temas» para dizer que está tudo bem e é tudo uma maravilha,em locais onde os atentados ao património e à vista vão crescendo a olhos vistos.Em relação aos restantes comentários, meu caro João, não seja injusto, colocando no mesmo saco, todos os que lhe sucederam em Letras e que fizeram cursos de Línguas e Literaturas Modernas, vá lá, há por aí ainda alguns que defendem acerrimamente o Português e se sentem felizes por usá-lo com a maior correcção.Lamentavelmente, nem todos podemos almejar a eloquência e o estilo incomparável do João Cachado...
Quanto ao tema em apreço, caro João,voltarei a ele mais tarde...
Margarida

Fernando Castelo disse...

Caro João Cachado,

Não tinha intenção de voltar a abordar o tema dos "Mistérios da Dedicação", não fosse o facto da leitora deste blogue, de seu nome Margarida, ter feito uma ligeira alusão.

Chegado a esta fase da minha vida, que já começa a ser longa, julgava ter visto um pouco de tudo, mas não...ainda vou no mundo das coincidências e, por vezes, das ingenuidades.

Li em tempos no “Notícias de Viseu” que o “Dr. José Paulo Correia de Matos, representante da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (E.R.C), considerou a liberdade de imprensa como a mãe de todas as liberdades”. É licenciado em Direito.

Ora, foi precisamente o mesmo Dr. José Paulo Correia de Matos que concordou com o Despacho que não me deu razão em recente polémica, suportado em linhas gerais no facto de eu ter aceite as regras previamente impostas por um jornal. Que ingenuidade a minha!!!

Nem uma palavra consta do Despacho sobre a bondade das regras "sine qua non" para a publicação e sua limitação à liberdade de expressão.

Em síntese, alterar títulos,eliminar frases para adaptação ao novo texto, introduzir outras palavras, não constituem qualquer orfandade na liberdade de expressão.

Pode dizer-se, então, que foi um verdadeiro caso de "Dedicação à LIBERDADE"...

João Cachado disse...

Margarida,

Só hoje verifiquei que, por qualquer circunstância que me é alheia, a minha resposta ao seu comentário não saíu. Perversidades da informática... Embora fosse mais extensa do que esta pequena nota, apenas gostaria de lhe responder que poderá verificar ter eu escrito que a l g u n s dos meus formandos, licenciados em LLM cometem erros crassos de português. Embora possa parecer, admito, não fiz a generalização que a Margarida deduziu. De facto, a ser entendida como tal, constituiria uma atitude muito pouco generosa e nada verdadeira.

Um abraço,

João Cachado

João Cachado disse...

Enquanto, no Parlamento, não estiver a funcionar a Comissão de Inquérito que a oposição - especialmente à esquerda do PS - tem reclamado nos últimos dias, imponho-me a medida de higiene de repudiar o lixo dos jornais e telejornais que tresandam o fedor insuportável das desesperadas manobras do partido que sustenta o governo a «aparar» o seu secretário-geral.

Estou farto. Tornou-se-me penoso o espectáculo das sucessivas cenas, muito rascas, ao nível da sarjeta, com protagonistas já insuportáveis.

Graças a Deus, tenho tempo e disponibilidade para cultivar interesses de ordem cultural, que me remetem para outras esferas, patamares de actividade e de reflexão, elevando o espírito.

Pudesse eu convidar-vos para esse exercício, para a audição da boa música, para a leitura da boa literatura, para a visita das exposições de artes plásticas, preenchendo o tempo, sempre tão escasso com factos e artefactos de inequívoca valia.

A título de exemplo, deixem que vos sugira uma visita à Casa das Histórias Paula Rego em Cascais. Trata-se de absoluto privilégio dispor de um dispositivo cultural de tão alto nível, aqui tão perto, em Cascais, claro. A entrada é sempre gratuita, os horários convenientes, não há problema para arrumar o carro. Cascais é outra coisa...

João Cachado