[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 16 de março de 2010

Seteais,
a propósito duma promoção

Começo por vos pedir que releiam os textos aqui publicados nos dias 13 e 14 de Novembro de 2008, respectivamente, Seteais, pobre tanque e Seteais, tanque essencial. Se não o fizerem, deixarão de entender o alcance do assunto que hoje vos trago para reflexão.

Entretanto, apenas lembraria que houve um alto funcionário do Estado, Arquitecto Assessor Principal da Administração Pública Central, na altura afecto ao IGESPAR, que, dando total cobertura à destruição e subsequente adaptação do tanque a casa de máquinas, se permitiu justificá-la com argumentos que envergonhariam qualquer estudante de Ética da Recuperação do Património.

Pois fiquem sabendo que, actualmente, tão douto técnico desempenha as funções de Chefe do Gabinete de Sua Excelência o Secretário de Estado da Cultura. Se, como eu, ainda não perderam totalmente a capacidade de espanto – num país em que, ao mais alto nível da decisão política, passaram a ser possíveis as maiores bizarrias – surpreendam-se com mais esta promoção ao cargo de Principal colaborador de um governante.

Insisto, com a sugestão do primeiro parágrafo. Releiam os textos, pelo menos, os que vos sugeri e, se possível, todos os outros que, acerca do caso em apreço, tive oportunidade de subscrever neste mesmo blogue. A propósito, não posso perder a oportunidade de sublinhar como Seteais continua a ser um local tão causticado pela ignorância e cupidez.

Seteais, desespero de causa

Conselho final. Vão até lá, reparem no miserável aspecto daquela controversa casa de máquinas que o Senhor Arquitecto Assessor Principal pretendia ver encimada pela ilusão de um espelho de água inconcebível. Porém, ao deslocarem-se, observem também, do outro lado da estrada, a volumetria da mansão que Miguel Pais do Amaral está a construir na Quinta do Vale dos Anjos.

Subam a azinhaga, verifiquem como o caminho – é absolutamente incrível! – está actualmente reduzido a oitenta centímetros de largura. Percebam o tipo de abusos que vão sendo cometidos. Entendam que aquela casa, com os seus onze metros de altura de fachada, vai ficar mais acima que o Palácio de Seteais donde, aliás, a construção já é visível.

Todas as entidades afins da autorização de construção da mansão do magnata foram consultadas. Nenhuma, desde o Parque Natural Sintra-Cascais, à Câmara Municipal de Sintra, ao IGESPAR, emitiu parecer desfavorável. Acham isto normal, numa zona de intervenção problemática?

E, repito, do outro lado, um agradável tanque com espaço circundante dotado de conversadeiras e adequada decoração arbustiva, que fazia parte inequívoca do acervo de património construído da Quinta de Seteais, interessantíssimo espaço de lazer, foi liminar e criminosamente arrasado, porque o hoteleiro concessionário do Palácio, o grupo Espírito Santo, precisando de instalar a maquinaria poluente, longe da zona de alojamento, encontrou um Arquitecto Assessor Principal que não viu o mínimo inconveniente.

Acuda-nos e valha-nos com a sua intercessão o poderoso São Judas Tadeu que, como tenho lembrado, em absoluto desespero de causa, é advogado dos impossíveis...



3 comentários:

Anónimo disse...

Boas
Primeiro não percebo porque é que vem para a opinião sobre uma construção o facto do seu proprietário ser magnata? Os outros não constroem?
11 metros de fachada? Onde verificou isso?
Mais acima que o palácio de seteais? Era difícil assim não ser uma vez que o terreno é mais alto, qualquer construção aí realizada ficaria sempre mais alto que o palácio. E já havia lá uma casa com a mesma altura e no mesmo local.
E mais acima dessa até ao cima da serra haverá outras com certeza e mais altas que o palácio.
O que será preferível uma serra sem construções que permitam a manutenção das Quintas ou construções com qualidade e que permitam que a serra seja habitada, pois sempre o foi e só assim chegou até hoje.
PC

Alves Soares disse...

Só agora li os textos pela primeira vez porque só recentemente tive acesso a este blogue que considero excepcional. Já nada me espanta. A incompetência e a ignorância andam de m~~ao dada ao mais alto nível. Vejam o governo que temos. Talvez comecem a baixar um bocado a crista com o controle da AR. Ainda tenho esperança que só poderá chegar a Assessor Principal da Função Pública quem tiver categoria para isso.

Alves Soares

Anónimo disse...

Ilusão de um espelho de água...
O Sr. João Cachado fala numa lingua tem uma noção de património que realmente e infelizmente não é a portuguesa deve ser europeia, austríaca talvez... portuguesa não é de certeza (ou pelo menos da maioria)... Aqui tapamos o Sol com uma peneira ou melhor com uma ilusão...
A nós cidadãos só nos resta votar
Não votem nos de sempre já vimos o que isto dá - arquitectos da treta, que de certeza chumbariam na disciplina Ética da Recuperação do Património - atenção lecionada num país civilizado!!!!