[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"DEDICAÇÃO" entre aspas...(1) é...Rua dos Arcos




Começa na Praça da República, mesmo no coração do Centro Histórico de Sintra.

Os arcos ainda lá estão, só que a rua deixou de estar a céu aberto, quando a taparam com as esplanadas dos cafés Paris e Central.





Em Novembro de 2008, face a múltiplas reclamações, foi prometida a recuperação e dignificação da rua, que até servia de armazém de bilhas de cerveja.

Frequentemente tem outros utilizações...








Outro exemplo do alto sentido do "romantismo".








Arranje-se o palavreado mais empolgado, tempere-se com ilusórias citações ao espírito do lugar, estas são provas do anti-turismo militante.





Como é possível ver-se disto em Sintra, depois de tantos alertas para o evitar?

Até quando esta vergonha?

Nota: Depois de aqui termos mostrado o abandono do Casal de S. Domingos, a pouca "Dedicação" tem mantido o lixo no local. Quem responde por isso?


5 comentários:

carol disse...

Lembremo-nos que os românticos apreciavam o belo-horrível, a decrepitude, o abandono, o sombrio, o lado dionisíaco da realidade. Deve-se ser por aí que a autarquia se defende para manter assim as coisas... ...

Anónimo disse...

Todo o mal de Sintra, fosse o lixo na Casal de S. Domingos ...

João Cachado disse...

Naturalmente. Aquele é um lixo apenas "normal", em Sintra. A norma em Sintra é a existência de lixo... É coisa também "regular" porque a regra, em Sintra, é a permanência do lixo. Em Sintra, o lixo não se retira. Não, em Sintra, o lixo é uma constante, um hábito entranhado, sintoma da tal cultura do desleixo. É ali, na Rua Dr. Alfredo da Costa ou, um pouco mais adiante, no inqualificável Centro Histórico.

No entanto, o Casal de São Domingos é um caso perfeitamente sintomático que, na minha opinião, bem mereceu o destaque do Fernando Castelo, trazendo-o para a primeira página «sintradoavesso».

É património municipal que a CMS se permite ter ao abandono. Tal não suscita o mínimo espanto porque, tendo já demonstrado ao longo de anos como "não tem unhas" para «explorar» convenientemente outro bem patrimonial, muito mais importante e sofisticado, como é a Quinta da Ribafria, ainda se permite vir pedir seis milhões e meio de euros para a dquirir a Quinta do Relógio, que vai precisar de obras muitíssimo vultuosas, sem apresentar sequer um plano de utilização...

Portanto, se bem entende, o Casal de São Domingos era apenas o pretexto para abordar outra problemática, ou seja, a da preservação e utilização de um património riquíssimo que, tão manifestamente, este executivo tem provado não estar à altura de gerir.

O Casal de São Domingos, que está a degradar-se, e a Quinta da Ribafria que não está a ser aproveitada como poderia e deveria, são apenas dois exemplos. Claro que não esgotam o longuíssimo rol de incapacidade destes senhores. O que espanta é que ainda tenham o despudor de vir pedir aos munícipes uma elevadíssima verba - que, por não estar disponível, determina o recurso ao crédito, neste momento alcavalado de juros incomportáveis - para se envolver num negócio cujos contornos, necessidade e pertinência mal se percebem.

Eu próprio já tinha escrito isto mesmo. Mas a reafirmação deste destempero nunca será excessiva.

João Cachado

João Cachado disse...

Minha Cara Carol,

Desculpará não ter logo respondido. Hoje revelou-se oportuno também na sequência do que acabei de escrever na mensagem anterior.

A Câmara Municipal de Sintra, minha Cara Amiga, nem sequer tem gente suficientemente habilitada para perceber o toque de sofisticação que o seu comentário pressupõe. Não deixa de ser revelador e interessante que, em tempos, também eu tenha subscrito, até mais desenvolvidamente, comentários análogos, precisamente no mesmo registo do estilo e de uma maneira de ser e de estar caracterìsticas do romantismo.

Se aqui por Sintra estivesse como, em tempos, já esteve, a Carol entenderia a confrangedora impreparação de autarcas e técnicos que se permitem gerir um património tão especial como se tratassem de um desqualificado subúrbio. Em termos da gestão da coisa cultural, Sintra tem estado entregue a políticos sem perfil para o efeito e, infelizmente, não está dotada de técnicos à altura, permitindo-se, inclusive, ter votado ao ostracismo os bons que restavam...

Como já tive oportunidade de lhe dizer, felizmente, a Parques de Sintra Monte da Lua, sob a lúcida orientação do Prof. António Ressano Garcia Lamas, concede-nos um mínimo de sossego em relação às jóias da coroa que se enquadram no património daquela empresa de capitais públicos. Mas não queira saber o susto em que permanecemos, durante os cinco anos em que a PSML teve como Presid. do Cons. de Adm. o biólogo Paulo Serra Lopes. Se quiser entender um pouco, faça o favor de introduzir o nome desse senhor no rectângulo superior esquerdo do painel do blogue. Muito do que escrevi acerca desse «consulado» foi publicado no saudoso Jornal de Sintra. Se tiver interesse, far-lhe-ei chegar essa informação.

Não sei se, entretanto, tem espreitado o sintradoavesso. Por exemplo, outra matéria que muito me tem preocupado é o Festival de Sintra. Não queira saber o que têm sido as nefastas consequências da intervenção de quem não está à altura do lugar que ocupa. E, tão preocupante como isso, a falta de coragem - ou a rede de compromissos que a inviabilizam - para a chamada à responsabilização.

Como calcula, matéria não falta. Mas a intervenção cívica dos munícipes sintrenses é baixíssima, aliás, como em todo o país que se mobiliza, isso sim, para objectivos patrioteiros como os campeonatos europoeus ou mundial de futebol. São cidadãos perfeitamente desarmados relativamente à defesa dos direitos a uma melhor qualidade de vida, que nem sequer suspeitam que lhes é devida...

A isto chegámos, não só em Sintra, é certo, mas também em todo o território deste país adormecido, iletrado (eu continuaria a desuignar por analfabeto funcional) em tão elevadas - as mais significativas da União Europeia - como escandalosas percentagens.

Provavelmente, no todo nacional, o caso de Sintra merece algum destaque, na medida em que, fruto de campanhas de desinformação muito bem orquestradas nos meios de comunicação, continua a merecer o favor de promoções turísticas que a continuam a «vender» como se estivesse no edénico estado em que a encontraram os aristocratas Byron e Tennyson quando por aqui passaram... E, já nessa altura, como sabe, ambos deram a entender que "isto" não era coisa que os portugueses merecessem...

Enfim, Carol, contas de um infindável rosário. Gostaria de lhe afirmar a minha disponibilidade para mostrar, a si e aos seus alunos, a real imagem de Sintra, o bom e o bonito - tantas vezes oculto e fora de circuitos mais conhecidos - e o que nos desonra e desencanta. Agora, que o ano lectivo está a chegar ao fim, já não é oportuno nem para si nem para mim. Mas pense nisso para o próximo.

Melhores saudações

João Cachado

João Cachado disse...

Carol,

Ainda a tempo, nesta resenha, de chamar a sua atenção para um caso da proverbial cultura de desleixo sintrense que acabou da pior maneira. É o que, sem a veleidade de ser escutado na denúncia, escrevi em "Sintra, lagoa do desleixo". Passa por aqui o pior de nós. E, a confirmar que assim é, continuamos sem saber a quem pedir contas pela ocorrência da tragédia.

JC