[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 3 de abril de 2011

Meias palavras,
meias tintas e troca-tintas

Logo que os partidos da oposição inviabilizaram a aprovação do PEC IV, o senhor Presidente da República não conseguiu ser suficientemente lesto e assertivo para impedir que se incorresse na situação que determinou a convocação de eleições legislativas antecipadas.

Não deixa de valer a pena trocar algumas impressões para confirmar - como se preciso fosse... - que o Senhor Presidente da República mantém uma atitude que não está à altura das gravíssimas circunstâncias em que a comunidade portuguesa mergulhou.

Em vez de ter sentado os líderes partidários à volta da mesa, não os deixando sair de conversações, tão longas quanto necessário, sem uma solução - ou, melhor, sem «a» solução - que mais interessaria ao país, preferiu uma atitude de estéril distanciamento.

Para todos os efeitos, este senhor não assume que é o Presidente de uma República cuja pauta constitucional é semipresidencialista. Este senhor porta-se como se o Parlamento o tivesse elegido, por via indirecta, como na Alemanha. Entre nós, o PR é eleito pelo povo, em sufrágio universal, exactamente para lhe permitir ser tão interventor quanto necessário nos momentos mais críticos.

Por outro lado, na crítica situação em que o país se encontra, na noite em que convocou eleições, não foi capaz de fazer o discurso mobilizador que o povo merece. No entanto, a verdade é que os portugueses até já perceberam que o PR, quando quer, sabe ser pertinente ou impertinente e contundente qb.

Basta lembrar o seu discurso de tomada de posse no passado dia 9 de Março... Se, naquela situação, mostrou não ser pessoa para meias palavras, que razão o determinou a não verbalizar as palavras inteiras que, ao anunciar a dissolução do Parlamento, era preciso atirar como pedras ao charco lodoso em que nos atolamos?

O PR está a sacudir a água do capote embora se encontre irremediavelmente comprometido, ele que, como órgão de soberania, tem tanta legitimidade e é tão indispensável como o Governo para encontrar a solução que se impõe. Estar à altura da situação não se compatibiliza com estas meias tintas.

Temos direito a coisa diferente. Temos direito à verdade da qual todos andam a fugir como o diabo da Cruz. E só com a verdade se pode mobilizar o povo para enfrentar os anos de sacrifício que já começaram. Entretanto, desde o Primeiro Ministro, passando pelo líder do maior partido da oposição e ao próprio Presidente da República, o que temos tido são meias palavras, meias tintas e atitudes de troca-tintas.

Estes senhores têm recusado o entendimento que a situação do país lhes exige. Infelizmente, apenas confirmam que não estão à altura de tanta exigência. Finalmente, também evidenciam - e de que maneira!... - que é demasiado tarde para ganharem a dimensão de estadistas que jamais tiveram...

8 comentários:

João Marques disse...

Amigo João Cachado,
Um dos nossos maires problemas e de toda a Europa é não ter estadistas capazes de enfrentar problemas tão grandes. Como é
preciso actuar com verdado, agora devíamos votar branco porque
candidatos e programas não servem.
João Marques

Luís Paulo disse...

Prof. J. Cachado
Na realidade estamos muito bem servidos... Quando pede verdade como é possível com estas pessoas que fogem dela sem respeito pelos cidadãos em geral e eleitores em particular?
Luís Paulo

Carlos Sousa disse...

Por vezes, o Cachado até parece ingénuo. Afinal não é possível esperar-se que este PR pudesse actuar como nunca fará porque já se sabe que agora e sempre ele é apenas igual a si próprio, uma
pessoa sem carisma, sem rasgo e
sem cor. Eu não espero nada da presidência deste senhor.
Carlos Sousa

Anónimo disse...

Estes "estadistas" arruinaram-nos. Os irlandeses e gregos souberam dizer o que lhes ia na alma aos seus "estadistas" cuspindo e batendo-lhes. Com os nossos brandos costumes como vamos
fazer aos nossos?

Anónimo disse...

Troca-tintas, irresponsáveis e inimputáveis.

Barrunchalense disse...

Pior ainda se não houver uma mudança drástica de mentalidades e politicas será para o futuro dos nossos filhos que não se avizinha nada de bom

Anónimo disse...

Os troca-tintas portugueses ainda conseguem ser piores do que na Grécia e na Irlanda. Agora é que a Europa vai perceber que porcaria
andaram a fazer os políticos portugueses nos últimos anos.

Isabel Caldas disse...

Colega
Basta considerar as notícias que circulam nos últimos dias acerca do pedido de ajuda ao FMI para confirmar como os nossos políticos de topo são uns troca-tintas. Tem toda a razão.
I. Caldas