[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 27 de novembro de 2011



Violência doméstica:
e a coerênciazinha?...

Soube-se que, em Istambul, houve uma série de manifestações contando com a participação de muitos homens, contra o fim da violência doméstica sobre as mulheres. Segundo a notícia veiculada pelo Euronews, o facto seria tanto mais relevante quanto é a Turquia um país onde, no ano em curso, já morreram cento e duas mulheres às mãos de familiares.

Considero conveniente manter uma prudente reserva e não embandeirar em arco com alguns sinais exteriores, veiculados em manifestações, facilmente confundíveis com convicções radicadas no viver quotidiano. Manifestar esta causa, na rua, é excelente e muito cívica atitude mas forçoso é ter em consideração o reverso da medalha. Cento e tal mulheres, só este ano, assassinadas no quadro da violência doméstica, é um horror inominável.


Por outro lado, não pode confundir-se o que se passa em Istambul e Ankara – cidades onde, é bom não esquecer, florescem manifestos preocupantes de radicalismo fundamentalista – com o resto do território, em que o subdesenvolvimento anda a par com aquilo que, aos nossos olhos, são os incompreensíveis privilégios masculinos. Bem podem os homens turcos vir para a rua prenunciando que algo estará a mudar...

Fico de pé atrás. E, neste ponto do escrito, convém que me volte para a doméstica realidade portuguesa que se vive em círculos que me são próximos. Sabem, é que estou farto de hipócritas, que gritam na rua e afirmam, em reuniões de gente bem pensante, aquilo que é bem partilhar ao nível das ideias, em flagrante incoerência com a prática quotidiana.

Fico de pé atrás porque, entre esses casos da mais abjecta incoerência, conheço homens que pregam os mais dignos valores civilizacionais, da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade e que, portas adentro das suas domésticas vidinhas, tratam as mulheres abaixo de cão, não só através de «simples» agressões verbais mas, por vezes, chegando à mais vil agressão física. É bom não esquecer que se trata de crime público pelo que, só não apresento queixa contra esses biltres, porque não estou de posse de todas as informações.

PS

Proporcionalmente ao total da população, as consequências trágicas da violência doméstica em Portugal revelam números tão ou mais escandalosos do que na Turquia. Infelizmente, de modo algum, podemos estar mais ou menos tranquilos relativamente ao que, neste domínio, se passa em qualquer latitude. Inclusive, mais preocupados deveríamos estar porque, vivendo uma crise com as características daquela em que estamos mergulhados, sabido é que se agravam estes fenómenos de instabilidade social.

1 comentário:

João Cachado disse...

Do facebook:

Luis Miguel Correia Lavrador, Luiz Valadão e 2 outras pessoas gostam disto..


Isabel Claro

Triste, mas verdade.....há 6 horas

Maria Do Rosario Billwiller
e eles querem entrar na EU!!!!!há 3 ras

Maria Do Rosario Billwiller trabalhei muitos anos como volontária em casa de proteccao a mulheres. O bater na mulher nao é especifico de uma classe social mas de uma má educacao que foi dada aos filhos homens (machoes) e uma má educacao que se deu as filhas ( tudo supotar, nao saber o valor que tem como mulher e nao deixar bater uma unica vez, pois quem bate bate sempre). Pensar sempre que um bom divorcio é melhor que um mau casamentohá 3 horas

Ana Ternuras e Luis Miguel Correia Lavrador gostam disto..