[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011



Sócrates,
a dívida de um desgraçado

Em primeiro lugar, uma referência ao domínio das línguas estrangeiras. Se já estávamos perfeitamente identificados quanto às suas inconcebíveis palhaçadas com Castelhano e Inglês, agora, mesmo depois de vários meses em Paris, ficámos a saber o miserável nível do Francês com que José Sócrates se exprimiu, durante a introdução a uma conversa com alunos da Universidade de Poitiers, no passado dia 3 de Novembro.

Apesar de bem conhecermos o seu patusco e sinuoso percurso académico que, inclusive, pressupôs a realização de exames e a obtenção de certificados em feriados e dias santos de guarda, ainda não sabíamos que, pelos vistos, havia a acrescentar alguns sofisticados estudos de Economia que lhe permitiram aquela surpreendente afirmação acerca da liquidação da dívida do Estado. E não vale a pena vir agora com remendos mal acabados porque toda a gente percebeu perfeitamente o alcance do disparate inicial.

Dei-me ao desconforto de ouvir toda a gravação. Durante alguns longos minutos de conversa – afinal, em Português, perante uma plateia, também com estudantes lusófonos que, na semana seguinte, estariam na Universidade Nova de Lisboa em visita de trabalho – Sócrates foi apresentando índices estatísticos com o objectivo de demonstrar que Portugal é um moderno, desenvolvido e esclarecido país que, vá lá perceber-se o paradoxo, tem o grande objectivo de que os parceiros europeus o reconheçam como um moderno, desenvolvido e esclarecido país europeu…

Se preciso fosse demonstrar como este argumento cai liminarmente pela base, bastaria a circunstância de o próprio Sócrates ter sido eleito por um povo que é tudo menos moderno, desenvolvido e esclarecido. É que, de facto, se o fosse, jamais teria escolhido o então Secretário Geral do Partido Socialista, como o futuro Primeiro Ministro de Portugal que, sem tramenhos para se enxergar, acabaria por governar como se o nosso fosse um país sem dois milhões de analfabetos, sem significativas franjas de subdesenvolvimento, fruto de evidentes traços de iliteracia.

Sócrates convenceu-se de que governava um país médio europeu, capaz de gerar a riqueza necessária à liquidação das dívidas que suscitou. Fê-lo com tanta falta de lucidez que, irremediavelmente, comprometeu o futuro de Portugal. Anedoticamente. pensou que resolvia os problemas da modernização, do esclarecimento e do desenvolvimento do país instalando a banda larga e entregando uns Magalhães aos miúdos que, lá em casa, na realidade, não têm o enquadramento das crianças francesas, alemãs, austríacas ou dinamarquesas…

Só quem não pôde ou não quis, não percebeu que, estando há demasiado tempo em desgraça, o desgraçado Sócrates tudo fez para desgraçar Portugal. Bem pode gabar-se de ter atingido o objectivo. Quanto ao que eu podia fazer para contrariar o propósito, na modéstia de limitadíssima capacidade de intervenção cívica, durante anos, não me acusa a consciência de não ter chamado a atenção para o descalabro da actuação política deste homem que, paradoxal mas democraticamente eleito, arrastou milhões de cidadãos portugueses para a desgraçada situação a que os condenou.

Sem o gabarito nem a grandeza das figuras trágicas, o desgraçado Sócrates, um coitado, um pacóvio deslumbrado, muito limitado mas habilidoso, descido de umas berças espertalhonas de Vilar de Maçada, convenceu-se de que o país só estava à sua espera para poder progredir. Quem é que, por exemplo, em Eça, já não viu este acabado produto? Como era previsível, em roda livre, rodeado de papalvos oportunistas, deu com os burrinhos na água. Sócrates desgraçou-se mais do que já era e, pior, ainda agudizou a desgraça de quem não o merecendo, também não dispõe das suas hipóteses de defesa perante a adversidade.

Para rematar o ramalhete de socratices manhosas, fomos atingidos por aqueles salpicos da fama cadente do ex-Primeiro Ministro perorando em Poitiers. Apetece pedir-lhe que, em definitivo, se remeta ao silêncio. Depois de, manifestamente, tão bem ter demonstrado que está nas tintas para o bem estar dos portugueses, não caia mais no ridículo, que assim justifica o crédito de incomensuráveis asneiras que contraiu perante os portugueses. Portanto, com silêncio, vá pagando a dívida. Parece que não é pedir muito...



6 comentários:

João Cachado disse...

Transcrição de comentários do facebook:


Miguel S Martins
Não vi a entrevista, mas já gostei do seu primeiro paragrafo!!! eheheh há 8 horas

João De Oliveira Cachado
Meu Caro Miguel, Por vezes, não resta atitude que nos isente do desprazer de ter de lidar com produtos de péssimo estrato. Tal é o caso da intervenção do homem em Poitiers - não em Paris, não na faculdade onde estuda, como tem sido divulga...do - que importa ouvir. É mais do mesmo, não há dúvida, mas com aquela pérola da liquidação da dívida. Aludi ao meu desconforto e, por isso, não poderei dizer que, ao propor o visionamento do documento, esteja a convidar alguém para algo de agradável. Enfim, quem avisa...há 8horas

Miguel S Martins
Caro João, tenho estado envolto de estudos da faculdade e só soube que iria haver uma entrevista porque a minha querida Mãe mo disse, mas mesmo assim, perante o tão querido aviso materno, não fiz questão de ver e manti-me em tarefas prazeir...ozas como o estudo. Agora resta-me saber se o aviso materno seria um conselho para não ver. Creio que sim, que fosse isso. Afinal as mães só querem o bem de seus filhos. Grande AbraçoVer mais
há 8 horas

João De Oliveira Cachado
Não tenha dúvida! Apenas um esclarecimento já que não se trata de entrevista. O 'piqueno' interveio numa espécie de conferência seguida de perguntas dos estudantes de curso idêntico ao que ele frequenta em Paris

Maçã Sport Associação Pró-Desporto Mto bom.há 7 horas Marcar como spamDenunciar como abuso...

Fernando Andrade
Como sempre, excelente. Não é só Sintra que está do avesso.É o País todo e, se calhar, o Mundo.há 53 minutos

João De Oliveira Cachado Tem toda a razão. Mas a gente dá a volta à coisa. O Fernando Andrade é que podia começar a pensar numa maratona a favor da participação cívica. Muitos dos problemas que enfrentamos, como sabe, decorrem da falta de envolvimento dos cidadãos ...no controlo da coisa pública (res publica - república). Alheados, divorciados da República, os cidadãos limitam-se (quando o fazem e não se abstêm...) a votar, de quatro em quatro anos, para depois deixarem os decisores políticos em roda livre. Os Sócrates e quejandos, de toda a classe política, fazem o que fazem porque sabem que os cidadãos não lhes pedem contas.Naturalmente, o mesmo acontece com o poder local, com as assembleias municipais e de freguesia sem qualquer participação cívica notória. Impõe-se suscitar, por todos os meios disponíveis, um movimento mobilizador para a cidadania. A maratona, a meia maratona, o corta mato e outras provas de atletismo de massas, que costumam abraçar causas tão nobres, também não poderiam constituir instrumentos de promoção das atitudes cívicas?há 25 minutos

João Cachado disse...

Transcrição de comentários do facebook:


Miguel S Martins
Não vi a entrevista, mas já gostei do seu primeiro paragrafo!!! eheheh há 8 horas

João De Oliveira Cachado
Meu Caro Miguel, Por vezes, não resta atitude que nos isente do desprazer de ter de lidar com produtos de péssimo estrato. Tal é o caso da intervenção do homem em Poitiers - não em Paris, não na faculdade onde estuda, como tem sido divulga...do - que importa ouvir. É mais do mesmo, não há dúvida, mas com aquela pérola da liquidação da dívida. Aludi ao meu desconforto e, por isso, não poderei dizer que, ao propor o visionamento do documento, esteja a convidar alguém para algo de agradável. Enfim, quem avisa...há 8horas

Miguel S Martins
Caro João, tenho estado envolto de estudos da faculdade e só soube que iria haver uma entrevista porque a minha querida Mãe mo disse, mas mesmo assim, perante o tão querido aviso materno, não fiz questão de ver e manti-me em tarefas prazeir...ozas como o estudo. Agora resta-me saber se o aviso materno seria um conselho para não ver. Creio que sim, que fosse isso. Afinal as mães só querem o bem de seus filhos. Grande AbraçoVer mais
há 8 horas

João De Oliveira Cachado
Não tenha dúvida! Apenas um esclarecimento já que não se trata de entrevista. O 'piqueno' interveio numa espécie de conferência seguida de perguntas dos estudantes de curso idêntico ao que ele frequenta em Paris

Maçã Sport Associação Pró-Desporto Mto bom.há 7 horas Marcar como spamDenunciar como abuso...

Fernando Andrade
Como sempre, excelente. Não é só Sintra que está do avesso.É o País todo e, se calhar, o Mundo.há 53 minutos

João De Oliveira Cachado Tem toda a razão. Mas a gente dá a volta à coisa. O Fernando Andrade é que podia começar a pensar numa maratona a favor da participação cívica. Muitos dos problemas que enfrentamos, como sabe, decorrem da falta de envolvimento dos cidadãos ...no controlo da coisa pública (res publica - república). Alheados, divorciados da República, os cidadãos limitam-se (quando o fazem e não se abstêm...) a votar, de quatro em quatro anos, para depois deixarem os decisores políticos em roda livre. Os Sócrates e quejandos, de toda a classe política, fazem o que fazem porque sabem que os cidadãos não lhes pedem contas.Naturalmente, o mesmo acontece com o poder local, com as assembleias municipais e de freguesia sem qualquer participação cívica notória. Impõe-se suscitar, por todos os meios disponíveis, um movimento mobilizador para a cidadania. A maratona, a meia maratona, o corta mato e outras provas de atletismo de massas, que costumam abraçar causas tão nobres, também não poderiam constituir instrumentos de promoção das atitudes cívicas?há 25 minutos

João Cachado disse...

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Fernando Andrade
Absolutamente de acordo, meu caro Dr. aliás, o próprio nome que dei ao meu blogue de corrida, foi inspirado nessa ideia. Acabei, no entanto, por ter de criar outro, porque entendi que estaria focalizado num tema que dava pano para mangas (e... continua a dar), que é a luta da lagartixa contra o jacaré. Mas, em relação à sua ideia em concreto, tenho em mãos uma oportunidade em que o meu amigo terá, por certo, uma palavra a dizer. Como sabe, o Grande Prémio Fim da Europa, que liga Sintra ao Cabo da Roca, foi cancelada por falta de verbas. Pudera! Nos últimos três anos, gastaram aquilo que daria para uma dúzia e resolveram cancelá-la por ser alto o seu orçamento. Mas estou a preparar uma exposição ao Prof.Seara para que opte por uma versão "low cost", sem prémios e sem mordomias, que os corredores aparecem na mesma. Seria um desperdício para qualquer autarca, desperdiçar uma das provas mais bonitas de Portugal, sobre a qual muito se tem escrito. Se conseguirmos o volte-face poderemos lançar na corrida o slogan apelando à participação cívica. Se não conseguirmos,os corredores surgirão e farão uma prova-pirata numa demonstração de que não é preciso gastar muito dinheiro para promover Sintra naquilo que de melhor ela tem: o Centro histórico, a Serra,o arvoredo (que já foi mais antes do polémico desbaste que fizeram a pretexto de uma alegada moléstia que deu nas árvores), a paisagem e depois, a descida até onde " acaba a terra e o mar começa". Porque não aproveitarmos esta oportunidade para uma jornada de cidadania? Grande abraço.

João De Oliveira Cachado O meu amigo tem mesmo que expor essa estupenda ideia a o Prof. Seara. Como é inteligente, só poderá aproveitá-la. Vamos aguardar pelo acolhimento. Forte abraço. há 4 horas ·

Luis Miguel Correia Lavrador
Bom dia, João. Uma enorme tragédia, o espectáculo que este antigo governante exibiu. E continua com aqueles tiques de sobranceria...há 4 horas ·

João De Oliveira Cachado
Como sabe, meu Caro Luís, a sobranceria anda sempre de braço dado com a ignorância. Portanto, confirma-se. Mas, infelizmente, tal como, há minutos, alguém me dizia, não nos surpreendamos que, dentro de uns anos, depois de estratégica travessia de deserto, ele se apresente como candidato a qualquer cargo de tanta importância como a de Presidente da República... Por estas bandas. tudo é possível. E a abstenção faz o resto....

João Cachado disse...

(continua)

Maria Do Rosario Billwiller
O Sócrates sabe falar francês??? Ah!Ah!Ah!há cerca de uma hora ·.

Luis Miguel Correia Lavrador
Vou guardar a gargalhada para quando o ouvir a tocar piano :)))há 22 minutos ·.

João De Oliveira Cachado
Rosário, minha querida,todos nós, os teus e os meus irmãos, os primos, fomos educados com a especial preocupação da família de nos apetrechar com o melhor possível domínio de várias línguas. Francês, Inglês, Alemão, Castelhano, Italiano, todas muito a sério, o estudo das respectivas culturas, as artes, a literatura, a História, são parte integrante de nós. Bem podemos orgulhar-nos da educação que tivemos e que, muitas vezes, espanta os estrangeiros com quem nos encontramos. Claro que nos faz muita confusão como estes arrivistas ordinários, saídos de uns quaisquer inqualificáveis tegúrios, mas bem arreados de Armani, que nem bom Português falam ou escrevem, se permitem macaquear umas simiescas frases em idiomas que não dominam. O Sócrates, pois claro, não fala Francês, não fala Inglês, não fala Castelhano. Aquilo é penoso, é um horror, devia ser proíbido e susceptível de imposto! Aliás, ele deve saber tanto de engenharia civil como domina estes idiomas.A propósito, não sei tiveste acesso a uns projectos de moradias pelos quais ele se responsabilizou tecnicamente. São a coisa mais horrorosa que possas imaginar. Como aquilo que cada um realiza ou produz em determinado domínio, jamais é coisa isolada, claro que é extrapolável para outros campos de actuação. A política «à Sócrates» é perfeitamente idêntica aos projectos das casas que ele assinou. E está tudo dito, minha querida Rosário... Beijo grande
há 19 minutos · .

Luis Miguel Correia Lavrador
Eram marquises viradas para le soleil :)))há 16 minutos

·

João Cachado disse...

(Cont)


João De Oliveira Cachado

Ah Luís, já me está a custar bater tanto no ceguinho. Ao diabo que leve o homem!... Eu só não gostaria «de me livrar» definitivamente de semelhante peça, na medida em que considero ser imprescindível responsabilizá-lo pelos desmandos que p...erpetrou em nosso nome. Ainda espero que alguma das instâncias democráticas do estado democrático de Direito se considere competente para o efeito. Não deverá acontecer que se passe uma esponja sobre a incompetência e pouca vergonha em que o consulado Sócrates foi fértil. Se assim não acontecer, já o tenho escrito, não seremos dignos do momento e jamais se conseguirá mobilizar o povo para os enormes sacrifícios que nos esperam na próxima década e meia. Passa por aqui um mandato de dignidade que urge reivindicar. Mas sem vida cívica activa, de facto, é muito difícil.

Anónimo disse...

Para os que tem memória curta e pela boca de alguém insuspeito! Antigo Min. das Finanças de Cavaco Silva :

""Passos Coelho, num acesso incompreensível, sugeriu que se investigasse quem “estava na origem” de “encargos” para a sociedade portuguesa que obviamente se não podiam sustentar e defendeu a responsabilização dos culpados":

- "Encontraram o pai do monstro !!!":

À medida que a crise avança na sociedade portuguesa, ferindo como uma lâmina os mais frágeis (Portugal tem 2,5 milhões de trabalhadores que ganham entre 700 e 800 euros e as medidas de austeridade vão transformá-los em novos pobres, informava o “Público”), anda meio mundo à procura da paternidade do monstro,
aquele que, dizem, engravidou o Estado de funcionários públicos e afins. E falam dele, uns como entidade abstracta, como faz o Primeiro-Ministro, Passos Coelho, outros como um fenómeno mais difícil de encontrar do que o de Loch Ness, o outro monstro do nosso imaginário literário e do cinema.

Afadigam-se nessa tarefa ciclópica, colossal, de pesquisar a realidade, e muitos são incapazes de decifrar os mistérios insondáveis por onde o monstro escapa, apesar dos vestígios materiais da sua presença serem muitos e variados.

Vasco Pulido Valente, que é bom detective e percebe os movimentos pendulares da sociedade portuguesa, caracterizou não só a tipologia do monstro – como descobriu o pai da extravante criatura.

O analista lembrou que “Passos Coelho, num acesso incompreensível, sugeriu que se investigasse quem “estava na origem” de “encargos” para a sociedade portuguesa que obviamente se não podiam sustentar e defendeu a responsabilização dos culpados”.

Como quem esclarece quem é o pai da criança, Vasco Pulido Valente escreve: “Em meados de 2005, Miguel Cadilhe acusou Cavaco de ser o principal culpado pelo aumento da “massa salarial da função pública”, que já representava naquela altura 15 por cento do PIB. Pior ainda, Cadilhe denunciou Cavaco como o inspirador “directo” do monstro e seu “pai” quase exclusivo.

Como se vê, Pedro Passos Coelho escusa de se cansar na sua simpática procura da “origem” e dos “culpados” da crise. Basta que se meta no carro e pergunte em Belém pelo sr. Presidente da República, se ele não andar ocupado a tratar do monstro, com que na aparência se reconciliou. Afinal de contas, por feio e repugnante que pareça, o monstro é filho dele. Muito dele.” Está desfeito o mistério.Estamos safos.