[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012




[Por favor, não avancem já para a cantata maçónica cuja audição vos proponho. Não, primeiramente, leiam o texto. Depois, escutem a peça composta pelo Mestre Maçon mais famoso da História da Cultura Ocidental. E, para que dúvida alguma subsista, tenham a certeza de que a matéria suscitada pelo meu texto e a peça musical do divino Mozart são tão indissociáveis como dois Irmãos Maçons o deveriam ser...]




Maçonaria, na berlinda



A propósito das notícias ontem e hoje divulgadas por toda a comunicação social, acerca da actividade mais ou menos controversa de determinados maçons, no contexto do serviço que prestam ou prestaram a entidades da Administração Pública, revela-se absolutamente imperioso que as duas principais obediências da Maçonaria, nomeadamente, o Grande Oriente Lusitano Maçonaria Portuguesa (GOL) e a Grande Loja Regular de Portugal (GLRP) desencadeiem as medidas indispensáveis ao esclarecimento.

A primeira analogia que imediatamente ocorre é com a Igreja Católica Apostólica Romana. Não tão raro quanto se julga, nos termos do Direito Canónico, chega a Igreja ao ponto de suspender e ou excomungar leigos ou membros do clero que, por palavras, actos e omissões se tenham colocado fora do cânone. Trata-se de um mecanismo de defesa daquilo que, ao nível do respeito pelos valores e princípios essenciais, a hierarquia considera ser imprescindível assegurar.

E, após a referência à analogia, volto à carga inicial. Ainda que não pretendendo referir casos específicos, cumpre lembrar que a Maçonaria dispõe de instâncias de Justiça que lhe permitem analisar e decidir se o comportamento de alguns dos seus membros é passível da aplicação de determinadas sanções. Nestes termos, julgo impor-se que, através dos meios que forem considerados mais convenientes, tais entidades satisfaçam a necessidade de separar o trigo do joio.

Com o acumular de episódios e casos mais ou menos lamentáveis, mais ou menos polémicos e controversos, neste momento, embora privilegiando uma linha de actuação discreta, a Maçonaria já não pode eximir-se a algumas satisfações ao mundo profano, ou seja, à sociedade em geral. Se não o fizer, a tempo e horas, preferindo ignorar o que é manifesto, continuará a fornecer a matéria inflamável de que a comunicação social está ávida.

Ora bem, os desígnios da atitude de discrição – que jamais podem autorizar se instale uma confusão como a que reina actualmente – são totalmente avessos a esta permanência na berlinda da Maçonaria que, ao fim e ao cabo, é a primeira e principal vítima de comportamentos que não a dignificam.

No entanto, se me demonstrarem que, muito pelo contrário, estarei totalmente enganado e que a estratégia há anos em vigor, portanto, de que a manutenção do statu quo é benéfica ao percurso maçónico dos membros da Augusta Ordem, então retiro tudo o que acabo de escrever e remeto-me ao silêncio donde saí apenas para manifestar esta opinião.



http://youtu.be/scSHRaIYv5A

http://www.youtube.com/
Wolfgang A. Mozart (1756-1791) Werner Hollweg, tenor, Ambrosian Singers and New Philharmonia Orchestra conducted by Edo de Waart

1 comentário:

João Cachado disse...

Carlos Andrade, Miguel Durieu Avellar e 2 outras pessoas gostam disto.

1 partilha

Luis Miguel Correia Lavrador

Caro João, na condição de profano só me cabe expressar o desejo de que um pensador livre, como é o seu caso, jamais se remeta ao silêncio. A música aqui deixada é lindíssima. Embora não a entenda, consigo senti-la :)
há 41 minutos

João De Oliveira Cachado
Obrigado Luís. Claro que não me remeterei ao silêncio. Acredite que não estou a passar um bom momento, na sequência de uma atitude que decidi assumir no contexto de toda esta polémica que tem atingido a Maçonaria Portuguesa. Por favor esclareça-me: quando escreve não entender a Cantata Maçónica, refere-se ao texto? É que, se assim for, vou tentar providenciar uma tradução.Abraço
há 34 minutos

Natalia Carvalho
Professor, gostei da musica,quanto ao Senhor dizer que se remete ao silêncio; com as minhas desculpas digo que não estou a ver o Senhor a remeter-se a qualquer silêncio seja por o que for ;)
há 24 minutos

Luis Miguel Correia Lavrador
Era isso mesmo, João. Mas já estou a ler uma, em inglês :)
há 18 minutos

João De Oliveira Cachado Óptimo. Há sempre maneira de dar volta ao texto... Mais um abraço
há 16 minutos

Luis Miguel Correia Lavrador ‎(...)
Thank the host, which has ever watched over us,
fanned the flame of virtue
and been an example to us,
from whose every step
on your Mason’s path has sprung
a fount of brotherly good.
(...)

:))) Um grande e forte abraço, que não sendo triplo, é sempre de boa vontade. Coragem, amigo!
há 15 minutos

João De Oliveira Cachado
Viva Natália, Muito obrigado pela força que, acredite, recebo das suas palavras. Este é daqueles momentos em que estou a precisar de sentir como reagem os' profanos' a esta situação que a ninguém convém.
há 12 minutos

João De Oliveira Cachado Ah, meu Caro Luís, em vez dos escândalos em que se envolvem apenas pensando na sua vantagem pessoal, se todos esses maçons actuassem de acordo com os princípios que, durante a sua Iniciação, juraram defender com o risco da própria vida, afinal, de acordo com a herança que receberam de ilustres Irmãos como Gomes Freire de Andrade ou Fernandes Tomás, por exemplo, noutra situação estaríamos todos nós! Contudo, perversamente, a manutenção destas águas turvas convém a alguns maçons que nelas são exímios pescadores...
há 4 minutos