[sempre de acordo com a antiga ortografia]

sábado, 6 de dezembro de 2014



Essencial vs acessório

[facebook, 25.11.2014]

Quando o «barulho das luzes» se torna insuportável, ainda mais difícil é distinguir o essencial do acessório. E tanto mais assim acontece quando, fundamentalmente, aquilo que apenas não passa de acessório assume contornos de essencial.

Desde a passada sexta-feira, o dispositivo mediático montado à volta do «caso Sócrates» - ao serviço de duvidosos, quando não inconfessáveis propósitos - 'seca' tudo à volta, revelando-se de tal modo perverso que chega a comprometer o discernimento que a todos se impõe.
No jogo de 'chiaroscuro', entre essencial e acessório, importa entender, hoje, que essencial, isso sim, é o discurso do Papa Francisco, perante os parlamentares europeus no areópago de Estrasburgo, chamando a atenção para os desafios essenciais dos dias que nos cabem, como europeus.

"(...) Trata-se de realizar, juntos, uma reflexão a todo o campo, para que se estabeleça uma espécie de «nova ágora», na qual cada instância civil e religiosa possa livremente confrontar-se com as outras, naturalmente na separação dos âmbitos e na diversidade das posições, animada exclusivamente pelo desejo de verdade e de construir o bem comum. De facto, a cultura nasce sempre do encontro mútuo, tendente a estimular a riqueza intelectual e a criatividade de quantos nele participam; e isto, além de ser a actuação do bem, é beleza.(...)"

[Papa Francisco, discurso de 25.11.2014 no Parlamento Europeu]

Conseguiremos comprometer-nos através de respostas adequadas ao apelo do civismo europeu que nos compete protagonizar, nos termos em que o Papa Francisco nos interpela? A verdade é que, enquanto cidadãos desta Europa de privilégio, à beira de um inominável abismo civilizacional, ainda estamos a tempo de programar a matriz do futuro que interessa viver.

No gozo do livre arbítrio que nos caracteriza como homens, será que, apesar de tanto constrangimento, queremos mesmo estar à altura? Ou, pelo contrário, já estaremos em fase tão adiantada de geral incapacidade que nos perderemos na teia de infernais insignificâncias que nos matam a esperança?

Eis o discurso. Nele há uma Luz. Essencial.
 

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