[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 30 de outubro de 2017


28 de Outubro de 2017

Em Sintra,
em Lisboa,
em Bruxelas,
em Washington
- a ignorância no poder


Tenho a impressão de que, até tempos relativamente recentes, talvez com referência mais distante balizada pela queda do Muro de Berlin, nunca como actualmente tão aberta esteve a chaga da baixa de exigência pessoal e colectiva em relação à ‘obra’ que, constantemente, se impõe edificar.
Mal informados, impreparados, geralmente ignorantes, os eleitos nada ou muito pouco adquiriram como bagagem cultural que possa ter contribuído para assumirem atitudes afins do progresso das comunidades.
Naturalmente, jamais terão ouvido falar e, muito menos, lido alguma linha dos textos dos grandes clássicos greco-romanos ou do humanismo renascentista. Como poderão ter como norteamento das suas vidas de cidadãos eleitos qualquer objectivo sequer análogo ao que passo a citar?
“Que a nossa alma seja invadida por uma sagrada ambição de não nos contentarmos com as coisas medíocres, mas de anelarmos* às mais altas, de nos esforçarmos por atingi-las, com todas as nossas energias, desde o momento em que, querendo-o, isso é possível.”
"De hominis dignitate oratio" [Discurso sobre a Dignidade do Homem], Giovanni Pico Della Mirandola, Oratio, Roma, 1486.
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* não vá a interpretação da peça ficar prejudicada pela ignorância do significado...
> anelar = desejar ardentemente, ansiar, almejar, aspirar
[Ilustr: Giovanni Pico della Mirandola, retrato de Cristofano dell'Altissimo, Galeria Uffizi, Firenze]

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