[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 5 de outubro de 2014



Nannerl,
menina-prodígio


Tal como o Wolfgang, seu irmão mais novo, Maria Anna Mozart, foi um prodígio de criança que o pai Leopold soube apresentar às cortes mais sofisticadas por toda a Europa do tempo. Pianista exímia, professora de piano, morreu há precisamente 185 anos.

Está sepultada, na mesma campa que Michael Haydn - compositor menos célebre do que o irmãoJoseph Haydn - numa pequena capela do cemitério de St Peter, mesmo à entrada das catacumbas.

A partir de amanhã e até fim do ano, a Fundação do Mozarteum de Salzburg promove uma exposição sobre Nannerl, na casa da Makart Platz, onde habitou com os pais e o irmão depois de terem saído da Getreide Gasse.

É com o maior gosto que partilho esta notícia do "Salzburger Nachrichten", o 'meu jornal' quando estou na cidade, um diário que dispensa significativo espaço à actividade cultural em geral e à música em particular.



Hoje, concerto inaugurável
Imperdível!



Lá estarei, lá estaremos todos quantos jamais dispensariam esta oportunidade de assistir a um concerto com dois dos mais conceituados intérpretes da música setecentista, eixo fundamental da iniciativa que, sob a égide da Parques de Sintra Sintra, tem direcção artístic a de Massimo Mazzeo.
 
Tempestade e Galanterie, ciclo de Outono, primeiro de uma série de eventos cujo calendário e programas devem consultar para se inteirarem dos detalhes.

 


Palácio de Queluz
Exposição imperdível


DOMINGO DE MANHÃ
ENTRADA GRATUITA

Mais uma vez, aproveito a oportunidade para vos lembrar que, todos os domingos de manhã, nos parques, jardins e monumentos afectos à Parques de Sintra, os munícipes sintrenses beneficiam de entrada gratuita.

Portanto, gozem esta vantagem. Tão excepcional é a situação que, nos outros monumentos nacionais, a entrada gratuita apenas acontece no primeiro domingo de cada mês.

É inquestionável o enriquecimento pessoal que pode significar uma visita ao Palácio da Pena, Chalet da Condessa, todo o parque e jardins, a Abegoaria, etc. Ou ao Palácio de Queluz, ao Palácio da Vila, Castelo dos Mouros, Palácio e jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos, enfim «todas as jóias da coroa».

Em especial, como tantas vezes tenho referido, pensem nos garotos. Em família, uma visita destas significa mais-valia extraordinária, perfeitamente inesquecível.


E GRATUITA!!!

 

 


3 de Outubro, 19,00
Benjamin Britten, "War Requiem", op. 66

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Coro Infantil da Academia de Santa Cecília
Tatiana Pavlovskaya, soprano
John Mark Ainsley, tenor
Hanno Müller-Brachmann, baixo

Maestro: Paul McCreesh


Datado de 1962, este "War ,Requiem", op. 66, tal como" Ein Deutsches Requiem" de Johannes Brahms, é uma obra não-litúrgica que, portanto, não segue o Ordinário da Missa de Defuntos. No suporte textual, poemas de Wilfred Owen servindo uma obra para as vozes solistas de soprano, tenor e barítono, coro, órgão e duas orquestras, uma das quais de câmara.

Benjamin Britten escreve este Requiem da Guerra, uma das obras coral-sinfónicas mais importantes do século vinte, para comemorar a reconstrução e a consagração da nova Catedral de Coventry, em substituição da que tinha sido arrasada por bombardeamentos. Para a estreia, além de Peter Pears e de Dietrich Fischer Dieskau, também estava prevista a presença do soprano Galina Vichnevskaia, mulher de Rostropovich, mas as autoridades russas não autorizaram a sua saída do país. De qualquer modo, a primeira gravação discográfica, para a etiquta Decca, já contou com a sua voz.
 
Para quem não consiga ou não possa assistir hoje na Gulbenkian, aqui tem uma gravação colhida, ao vivo, no concerto de encerramento do Festival Schleswig-Holstein, em 1992. A interpretação do Coro e Orquestra Sinfónica da Rádio do Norte da Alemanha, sob direcção de Sir John Elliot Gardiner é, provavelmente, a melhor que conheço. Como verificarão, trata-se de uma sucessão de momentos inolvidáveis.

A guerra. Infelizmente, permanente. Ainda ontem, hoje mesmo. Tal como o nosso querido Padre António Vieira no-lo lembra no famosíssimo excerto do “Sermão Histórico e Panegírico nos Anos da Rainha D. Maria Francisca de Sabóia”:

“(...) É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema, nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro”.

Boa audição!

http://youtu.be/GHNgfF19CTY
 


Privilégio


tanto na perspectiva dos estagiários como da entidade que os acolheu. Um excelente trabalho, internacinalmente reconhecido, contactos ao mais alto nível, resultam neste tipo de colaboração. Como sintrense, tenho o maior orgulho em que assim seja.

Enfim, palavras tanto mais justificadas quanto se presume que todos conhecem os Kew Royal Botanic Gardens.Se assim não for, o Google resolve-lhes já o problema...


Um grupo de quatro elementos dos KEW Royal Botanic Gardens esteve a realizar um estágio no Parque de Monserrate em setembro, trabalhando integrados nas equipas ...de jardineiros. Através desta parceria, que teve início em 2011, a Parques de Sintra recebe grupos de estagiários por pequenos períodos de tempo, numa política de partilha de conhecimentos.


 


Efeméride musical
2 de Outubro de 1920,
falecimento de Max Bruch (nascido em 1838)


Eis uma antológica interpretação do seu Concerto para Violino No. 1, uma das peças constantes dos programas nos grandes auditórios mundiais. Interpretação confiada ao lendário Jascha Heifetz, acompanhado pela The New Symphony Orchestra of London, sob a direcção de Sir Malcolm Sargent.

1. Satz: Allegro moderato
2. Satz: Adagio
3. Satz: Allegro enérgico



Boa audição!

http://youtu.be/uWy8iibtd98

 
 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014



 
Richard Wagner
Morgenlich leuchtend im rosigen Schein

"Die Meistersinger von Nürnberg" - Act III

Walter - Johan Botha

Este é o momento do final da ópera em que Walter canta o tema do prémio. É uma peça de concepção felicíssima cuja partilha vos proponho. Vamos ouvir o tenor sul-africano numa interpretação com a Wiener Staatsoper, sob a direcção de Christian Thielemann.

Neste Dia Mundial da Música, escolhi ouvir Os Mestres Cantores, não nesta mas numa gravação de referência absoluta, que tenho em vinil. [1971, Theo Adam, Helen Donath, Geraint Evans, Ruthe Hesse, Zoltan Kelemen, Rene Kollo, Karl Ridderbusch, Peter Shreier. Dresden State Orchestra, Herbert von Karajann].

A última vez que assisti a uma récita desta obra em Bayreuth, senti-me particularmente violentado pela rebarbativa encenação de Katharina Wagner. Se ainda tinha alguma dúvida de que também era possível estragar uma ópera lindíssima como "Os Mestres Cantores de Nuremberga", acabou-se-me a ingenuidade. Enojou-me. Por isso, de vez em quando, 'vingo-me' com boas gravações...

E, no Dia da Música, ouvir esta obra tem um especial significado. Em relação à Arte em geral, à Arte Alemã, aos valores tradicionais germânicos, que nada têm a ver com os desvios que o nacional-socialismo nesta ópera pretendeu entender. Então, lindíssimo, eis

'Morgenlich leuchtend im rosigen Schein'

Boa audição!

http://youtu.be/NrjnelUsbZI
 

Centenário Mozarteum na ORF


Um excelente documento de introdução às actividades da Fundação Internacional do Mzarteum de Salzburg. Rápidos relances sobre o edifício que acaba de comemorar o centenário, Bibliotheca Mozartiana, referências ao ensino, à investigação que se faz, os museus, a Grosse Saal, os cofres onde se guardam as preciosidades, manuscritos, cartas, actividades no estrangeiro, testemunhos do Presidente Johannes Honsig-Erlenburge e do Director Artístico Mathias Schulz, passagens várias por recantos da cidade que explora comercialmente a memória do compositor, enfim, um resumo expedito e escorreito a que vale a pena aceder.
 
 
 
 
 
Das "Genie der Genies" dominiert die Salzachstadt wie eh und je. Gepflegt wird das Mozart-Erbe vor allem von der Stiftung Mozarteum, die seit 100 Jahren in einem...
 
 
 
 


Basílio Horta
à altura das circunstâncias



[facebook, 30.09.2014]

Acabo de o ver e ouvir dizer que, perante a falta de 200 professores no Concelho de Sintra, pediu uma audiência ao Ministro da Educação para tratar do assunto. Mais anunciou que, dando-se o caso de o Ministro não se mostrar disponível, irá para a porta do Ministério com os pais e encarregados de Educação dos alunos prejudicados.
...
Basílio Horta reage, assumindo, também como lhe compete, as razões de queixa de centenas e centenas de munícipes de Sintra lesados. Sujeita-se, mas isso pouco interessa, às interpretações perversas de quem entenderá haver aproveitamento da situação, não percebendo que estamos todos perante um clamoroso caso de incompetência de determinados agentes do Sistema Educativo e que isso corresponde ao «preço cobrado» em circunstâncias que tais.

Não posso estar mais de acordo com o Presidente. O que se está a passar em Sintra e em todo o país é perfeitamente inadmissível. Ultrapassa quaisquer limites de boa-vontade, quer por parte dos directamente interessados quer da comunidade em geral. Enquanto primeiro e último responsável pelo calamitoso estado das coisas, o Ministro Crato, se ainda tiver um pingo de dignidade, não podendo pedir mais desculpa por tanta incompetência, de facto, só pode tomar a atitude da demissão.


1 de Outubro
Dia Mundial da Música


[facebook, 01.10.2014]

"A vida, sem música, seria um erro"
(Friedrich Nietzsche)


Hoje celebramos o Dia Mundial da Música, instituído em 1975 pelo International Music Council, com o objectivo de promover a arte musical em todos os setores da sociedade, divulgar a diversidade musical e aplicar os ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as pessoas, evolução das culturas e troca de experiências.

É universalmente reconhecida pelas mais diversas culturas e civilizações como Arte máxima. Demonstra-nos a História da Música que ela se confunde com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humanas. No entanto, apesar de tantas evidências e encómios, «infelizes contextos» persistem, como o de Portugal, onde, com o devido peso específico, o Sistema Educativo ainda não reconhece à Música o estatuto de área absolutamente indispensável à Educação das crianças e dos jovens com o objectivo de se tornarem melhores indivíduos e cidadãos.

Nesta data, gostaria de recordar um compositor que se confrontou com os mais interessantes problemas da pedagogia e didática musicais, Carl Orff (Munique, 10 de julho de 1895 — Munique, 29 de março de 1982) grande mestre alemão, um dos mais destacados do século XX - mundialmente conhecido pelos "Carmina Burana".

No entanto, o seu maior contributo para a História da Cultura e da Educação enquadra-se no contexto da pedagogia musical, com o 'Método Orff', baseado na percussão e no canto. Foi de tal ordem o seu empenho vital que, em 1925, criou um centro de educação musical para crianças, no qual trabalhou até aos últimos dias.

Celebrando a Música, gostaria hoje de partilhar convosco uma estupenda obra de Orff, os "Catulli Carmina", de 1940-43, Música e Poesia em sábia simbiose, com base em poemas de Catulo - 1 Praelusio, 2 Actus , 3 Actus , 4 Actus Ⅲ, 5 Exodium - na interpretação de Judith Blegen, soprano, Richard Kness, tenor, The Temple University Choir, Philadelphia Orchestra sob a direcção de Eugene Ormandy.


Boa audição!


http://youtu.be/BRWrzH4h4p8


[Eis uma das propostas de tradução, do Latim para Inglês, do primeiro momento desta peça:

PRAELUSIO : EIS AIONA!

Together: Eis aiona! Forever!
tui sum! I am yours!
eis aiona! Forever!

Together: Tui sum I am yours
o mea vita you are my life
eis aiona forever
tui sum! I am yours!
eis aiona! forever!

Young fellows: Tu mihi cara, You are dear to me
mi cara amicula, you are my dear beloved
corculum es! you're my heart's delight!
Girls: corculum es
Girls: dic mi te me amare! (?) tell me you love me!
Fellows: O tue oculi, Oh, your eyes
ocelli lucidi, (?) your shinning orbs
fulgurant, they are sparkling
efferunt me velut specula. they reflect me like a mirror
Girls: specula, specula, mirror, mirror,
tu mihi specula? are you my mirror?
Fellows: O tua blandula, blanda oh, charming, alluring
blandicula, tua labella. and kindly speaking your lips
Girls: cave, cavete! beware, beware everybody!
Fellows: ad ludum polectant.
Girls: cave, cavete! cavete! beware, beware everybody!
Fellows: O tua lingula usque perniciter your tounge ever swiftly it darts
vibrans ut vipera. like a serpent
Girls: cavete, cave meam viperam, beware everybody,beware of my serpent
nisi te mordet. lest it bite you
Fellows: morde me! bite me!
Girls: basia me! kiss me!
Together: ah! ah!
Fellows: O tuae mammulae. ah, your little breasts
Girls: mammulae. little breasts
Fellows: dulciter turgidae, gemina poma! sweetly swollen, twin apples
Together: ah! ah!
Fellows: mea manus est cupida, my hands are longing
Fellow: O vos papillae horridulae! oh, your savage, pointedd nipples!
Fellows: mea manus est cupida, my hands are longing
illas prensare. to grasp them
Girls: suave, suave lenire. it's delightful, delightful to soothe them
Fellows: illas prensare, vehementer prensare. to grasp them, to grasp them firmly
Together: ha! ha!
Girls: O tua mentula. Oh, your penis
Fellows: mentula. penis
Girls: cupide saliens. longing eagerly
Fellows: penipeniculus. little penis
Girls: velus pisciculus. like a little fish
Fellows: is qui desiderat tuam fonticulam. it longs for your little fountain
Together: ah! ah!
Girls: mea manus est cupida. my hands are longing
Girl: coda, codicula, avida! penis, your little penis is eager
Girls: mea manus est cupida illam captare. my hand is longing to capture it
Fellows: petulanti manicula! naughty little hands!
Girls: illam captare. to capture it
Fellows: tu es Venus, Venus es! you are Venus, Venus you are!
Girls: O me felicem! oh, how happy I am
Fellows: in te habitant omnia gaudia, in you dwells all joy,
omnes dulcedeines, all bliss
omnes voluptas. all passion
Fellows: in te, in tuo ingente amplexu in you, in your embrance
tota est mihi vita. lies the whole of mylife
Girls: O me felicem! oh, how happy I am!
Together: eis aiona! forever!

Old men: eis aiona! forever!
O res ridicula! how absurd!
immensa stultitia. that is utterly stupid
nihil durare potest nothing can endure
tempore perpetuo. throughout time everlastingly
cum bene Sol nituit, once the Sun shone brightly
redditur Oceano. it sets in the Ocean
decrescit Phoebe, the Moon wanes
quam modo plena fuit, how full it was a short while ago
venerum feritas saepe fit aura levia. love's tempest often becomes a gentle breeze
tempus amoris cubiculum non est the time for love is not in the bedroom
sublata lucerna because the lamp has been taken away
nulla est fides, there is no trust
perfida omnia sunt. everything is treacherous
O vos brutos, oh, you are dolts
vos studidos, you are stupid
vos stolidos! you are so dull!
One old man: Lanternari, tene scalam! latern-bearer, hold the ladder!
Old men: audite ac videte! listen and see!
Catulli carmina. Catullus' poems
Together: audiamus! we listen!]