[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 18 de maio de 2015



Rosalía de Castro
Santiago, 24.02.1837 — Padrón, 15 .07.1885
 
[facebook, 24.02.2015]
 
 
No aniversário desta nossa querida amiga, recordo um poema da emigração. Por todas as razões e mais esta, em nossos dias, da sangria sem nome, diária, que pensávamos impossível.
 
Poema belíssimo, que vai no original, afinal, na nossa língua comum, galaico-portuguesa, num arranjo de José Niza, em canto de Adriano Correia de Oliveira.

Este vaise i aquel vaise,
i todos, todos se van;
Galicia, sin homes quedas
que te poidan traballar.
Tês, en cambio, orfos i orfas
i campos de soledad;
e nais que non teñem fillos
e fillos que non tén pais.
E tês corazós que sufren
Longas ausências mortás.
Viudas de vivos e mortos
Que ninguén consolará.



Estamos em casa. Escutemos Rosalia, com saudade de Adriano.

http://youtu.be/nK7dUfG5Rq4
 
 
Música: Cantar de Emigração Intérprete: Adriano Correia de Oliveira Letra: Este parte, aquele parte e todos, todos se vão Galiza ficas sem homens que possam ...
 
 
 
 

David Mourão-Ferreira
Lisboa, 24.02.1927 — Lisboa, 16.06.1996
 
 
[facebook, 24.02.2015]
 
 
Tantas memórias de David, dos tempos de Faculdade! Ficam comigo. Convosco partilho "Abandono", um seu poema de homenagem aos presos politicos deportados para o campo do Tarrafal em Cabo Verde. Como saberão, também ficou conhecido como "Fado Peniche". De Alain Oulman a música para Amália, numa criação arrepiante.
...
No seu aniversário, a lembrança de um grande senhor, do tempo que soube viver, honrar e sublimar através de obras notáveis.

Ao David, com saudade. Ao Rui Valentim de Carvalho, a quem David Mourão-Ferreira estava ligado por laços familiares, num mesmo novelo de memórias, e à Maria Nobre Franco, viúva de Rui, querida amiga, vértice desse triângulo em que a Arte se conjuga.

http://youtu.be/N-aMK6QiRq0
 
 
 
 
 
David Mourão Ferreira neste poema fez homenagem aos presos politicos do anterior Regime Português, que eram deportados para o campo do Tarrafal nas Ilhas de ...
youtube.com
 


George Muffat,
1 de Junho de 1653 – 23 de Fevereiro de 1704
 
 
[24.02.2015]
 
 
Este é um dia pleno de efemérides. Também se lembra hoje a morte do compositor que trabalhou para o Arquidiocese de Salzburg, entre 1678 e 1690, tendo vivido na casa à qual se acede por esta porta, precisamente sob o arco que desemboca na Catedral, para quem provém da igreja dos Franciscanos e da Franziskanergasse.
...
Registemos a data escutando uma peça de sua composição, "Laeta Poesis" do 'Florilegium Musicum Secundum' pela Academy of Ancient Music, sob direcção de Christopher Hogwood.

http://youtu.be/_SEsAq-l-fw

Boa Audição!
 
 
 


John Keats,
efeméride da morte [aos 26 anos]
 
[facebook, 23.02.2015]
 
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"Beauty is truth, truth beauty, - that is all
Ye know on earth and all ye need to know"

 
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Um excerto do belíssimo "The Romantics Eternity", documentário da BBC em que se alude aos últimos dias de John Keats em Roma, onde faleceu em 23 de Fevereiro de 1821. [I]

E, também neste dia, a revisitação de "Ode on a grecian Urn" - o difícil poema de Keats que, meu Deus, há cinquenta anos, me perseguiu de forma quase obsessiva - desta vez, com recurso ao grande actor britânico Tony Britton. Que dicção! [II]

Bom visionamento!
Boa audição!


http://youtu.be/Z_1aF8IQ7WQ [I]
http://youtu.be/crHgLM8rgDE [II]
 
 
 
 
 
 
An excerpt from the BBC documentary, "The Romantics (Eternity)". This clip features the poet John Keats, commemorating the last days of his life spent in Rome.
youtube.com


Mas que falta de atenção!...
 
[facebook, 23.02.2015]
 
Ou muito me engano ou, de facto, em Portugal, quem deve estar atento aos novos valores que despontam na pianística mundial, anda algo distraído. O pianista português Vasco Dantas está a dar passos estupendos e, provavelmente, gostaria de poder partilhar com os melómanos do seu país de origem o saber e a experiência que vai acumulando.
 
Na Alemanha, especialmente a partir de Múnster, onde está radicado, Vasco Dantas vai.se afirmando. Enquanto não t...ivermos o gosto de poder assistir a um seu recital ou concerto, pelo menos, eu vou chamando a atenção.
 
Apesar da informalidade da circunstância, comprovem comigo a maturidade da interpretação da peça de Liszt que vos proponho, este "Sonetto 104 del Petrarca (Années de Pèlerinage)".

Boa audição!

http://youtu.be/_3mZnjxpIZw
 
Promising pianist Vasco Dantas Rocha signs with KNS Classical and releases his first CD: Promenade. It is now available on iTunes and Amazon. Congratulations!
http://www.knsclassical.com/promising-pianist-vasco-dantas…/


Viva Händel!,
o meu Festival!
[23 de Janeiro de 1685 – 14 de Abril de 1759]


[facebook, 23.02.2015]


Georg Friedrich Händel nasceu em 23 de Fevereiro de 1685 – ano perfeitamente auspicioso para a História da Música ocidental, durante o qual ainda viriam ao mundo Johann Sebastian Bach e Domenico Scarlatti – comemorando-se hoje, portanto, o seu tricentésimo trigésimo aniversário.

Celebrando data que nos é tão cara, gostaria de vos propor algumas peças de minha pessoal referência. Era exímio no cravo. As suas suites para este instrumento são verdadeiros momentos de glória da História da Música. Aqui vos venho propor, em primeiro lugar, a 'Passacaglia' em Sol menor da sua suite No. 7, na interpretação da mítica Wanda Landowska, numa gravação datada de 1935, sublime e inultrapassável. [I]

Pela mesma intérprete, o conhecidíssimo Concerto em Si bemol, op. 6, no.4 que, só nas suas mãos, atinge esta divina dimensão. [II] A Händel, ainda em seus dias, chamaram 'divino'. Naturalmente...
Ainda nesta efeméride, a lembrar a passagem por Lisboa de Patricia Petibon. Na Gulbenkian, precisamente, com a Venice Baroque Orchestra, concerto em que cantou 'Lascia ch'io pianga' da ópera "Rinaldo". [III]

E, finalmente, o seu “Dixit Dominus”, numa leitura verdadeiramente paradigmática, que remonta a 1986, pelos Drottningholm Baroque Ensemble e Stockholm Bach Choir, com Anne Sofie von Otter e Hillevi Martinpelto como solistas, sob a direcção de Anders Öhrwall. Se não conhecem esta versão, hão-de concordar que é uma autêntica bênção. [IV]
Para hoje, aqui tendes o meu festival Händel.

Boa Audição!

http://youtu.be/8e1ieULIQJk [I]
http://youtu.be/8e1ieULIQJk [II]
http://youtu.be/PfpiQQ6npRw [III]
[IV] - accionar proposta comentário abaixo
 
 
 


No futuro,
cena rara
 
[facebook, 23.02.2015]
 
Devo ao Prof. Jose Luis De Moura, a quem muito agradeço, a chamada de atenção para esta notícia que ele encimou com o apontamento de acordo com o qual, entre nós, tem sido Artur Pizarro, o pianista que mais tem recorrido a esta solução. A propósito, no entanto, gostaria de reflectir num «pequeno» detalhe.
...
Espero bem que, embalada por esta solução, não esteja já 'na sombra' uma intenção de reduzir o pentagrama papel a um artefacto «pre-histórico». Para quê publicar as peças em papel se, 'ab initio', tanto para os solistas como mesmo para todos os naipes orquestrais, tudo pode ter suporte digital?
Enfim, matéria lateral à da notícia, mas para reflexão e empenho das entidades que, em todas as latitudes, defendem os direitos autorais que, afinal, até nem são as únicas com interesses implícitos e explícitos sobre o assunto.
 
 
 
 
Simon Usborne plays a game of man versus machine with leading British concert pianist Sam Haywood.
scoop.it
 


Recuperando uma opinião

[facebook, 23.02.2015]


A propósito desta notícia do Mozarteum segundo a qual a sua produção de "Lucio Silla", levada à cena na Haus für Mozart, em 24 de Janeiro de 2013, durante a edição da Mozartwoche daquele ano, vai ser apresentada no Teatro alla Scala de Milão, gostaria de vos recordar o texto publicado neste meu mural. E, naturalmente, também voltando a chamar a atenção para uma interpretação de referência de Edita Guberova.
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Ontem, “Lucio Silla”
[Texto publicado no facebook, a partir de Salzburg, durante a Mozartwoche, em 25 de Janeiro de 2013]

Pois, meus amigos, “Lucio Silla”, a ópera de Mozart que inaugurou a edição de 2013 da Mozartwoche de Salzburg, tem todos os ingredientes para produzir récitas de alto gabarito. A de ontem poderia ter sido memorável não fosse o facto de Rolando Villazón, no protagonista, ainda estar com a voz muito afectada, fruto de anteriores abusos, com os defeitos decorrentes do empenho nas árias «de bravura» e longe da prestação exigida aos tenores que se aventuram nos terrenos mozartianos. Em alguns momentos, chegou a ser penoso ouvi-lo.

Quanto ao soprano Peretyatko, enfim, nada de particularmente entusiástico, mas a revelar-se muito bem nas árias 4. 'Dalla sponda tenebrosa' e 11. 'Ah se il crudel periglio' que exigem grande sofisticação e domínio, muita contenção de todos os recursos vocálicos e expressivos.

Excelente, isso sim, Marianne Crebassa, meio-soprano, no ‘Cecilio’ ainda muito jovem mas a prever voos formidáveis. Também em muito bom nível, os sopranos Inga Kalna e Eva Liebau, respectivamente, em ‘Lucio Cinna’ e Celia.

Marc Minkowski trabalhou a partitura a partir de representações anteriores sob a direcção de Harnoncourt e de Jean-Pierre Ponnelle. Les Musiciens du Louvre, sob a sua direcção, estiveram ao mais alto nível que se lhes reconhece.
 
A encenação, a cargo de Marshall Pynkoski, tem soluções extremamente eficazes que concorrem para uma assinalável fluidez de todo o espectáculo que, nas suas quase três horas de duração, em três actos, apenas com um intervalo, exigiu um ritmo que se revelou perfeito.
 
Cenários e figurino de Antoine Fontaine, confirmando como é um grande senhor dos palcos, artista de talento a rodos. Elemento essencial do sucesso, a coreografia, muito eficaz, de Jeannette Lajeunesse Zingg, ela própria integrando um corpo de bailado de alto nível artístico.
Quando regressar a casa, voltarei a partilhar convosco mais algumas impressões sobre este espectáculo. Para já, o que ainda espero, é ter a dita de assistir a uma récita desta produção, mas com um bom tenor mozartiano e em boa forma...

Como sou muito vosso amigo, aqui vos deixo uma interpretação primorosa da ária referida "Dalla sponda tenebrosa" por Edita Gruberova, uma mozartiana irrepreensível.

Boa audição!

http://youtu.be/K3bIrjllFZ8

"DALLA SPONDA TENEBROSA" Edita Gruberova as Giunia (LUCIO SILLA, W.A.Mozart)
Lucio Silla (W.A.Mozart) Giunia - Edita Gruberova Concentus musicus Wien Dir. Nikolaus Harnoncourt 1990
 
 
 
Welcome to the website of the Teatro alla Scala in Milan, where you can book tickets online, view the season programme (opera, ballet, concert) and discover the theatre through videos and images.
 
 
 


Disparates colossais
 
 
[facebook, 23.02.2015]

 
A ausência grita uma incompetência, uma culpa que já lançou, pelo menos, Portas, Crista e Machete à compita da culpa pela decisão. Se, ao nível do executivo, deve ser a enésima asneira congénere, olhem que, na administração local e, precisamente aqui no burgo, a Câmara Municipal de Sintra também não deixou créditos por mãos alheias...
 
Não esquecer que, a prová-lo, por exemplo, fica a tão polémica decisão de deixar de financiar o "World Press Cartoon" que, durante quase uma década, Sintra acolheu com enorme sucesso, uma iniciativa liderada por António, o maior cartoonista português, cujo investimento foi ridículo em relação ao benefício alcançado por ter catapultado o nome de Sintra e de Portugal, em todas as latitudes e durante tanto tempo.

Enfim, a poucos quilómetros, em Cascais, a autarquia soube chamar a si a responsabilidade por este mesmo certame do maior prestígio, afecto aos meios artístico e da comunicação social mundial. Portanto, a nível do poder local, foi possível que o nosso vizinho emendasse a mão relativamente às consequências de um mau passo dado por Sintra, com base em contabilidade de vistas curtas.

Cumpre perguntar se, por analogia, após esta grossa asneira em relação à Feira Universal de Milão, não haverá um vizinho europeu - por exemplo, do tão alinhado eixo Lisboa, Madrid, Berlin - que faça o favorzinho de remediar? Já servia um cantinho no stand da toda poderosa e impositiva Espanha, proporcional à área que Portugal ocupa na Península Ibérica ou, no da Alemanha, equivalente ao ratio das importações portuguesas de automóveis germânicos...
 
 
 
 
 
Portugal é dos poucos países europeus que não vai à Expo 2015. A decisão, justificada principalmente pelos custos, coube ao Ministério da Agricultura. A CAP...
publico.pt
 


Stefan Zweig
Memorial em frente à casa de Salzburg
[facebook, 23.02.2015]
Aproveitem porque, no que respeita a ilustração fotográfica, hoje me apanham com uma generosidade ilimitada. Salzburg, como sabem, tem uma dívida imensa com SZ. Lá viveu quinze anos, durante os quais produziu imenso, ao lado de gente esplêndida como ele, e onde também passou os seus maus bocados.
...
Desde 2008, a Universidade e o município de Salzburg uniram esforços para disponibilizar o designado Centro Stefan Zweig, onde a vida e obra do escritor são objecto de estudo, de exposições, conferências, cursos, seminários, etc, na "Edmundsburg" uma grande 'villa' do século dezassete que fica na zona dos auditórios.

Outro significativo tributo da cidade é esta peça de escultura, implantada junto ao muro do convento, mesmo frente à que foi a sua casa. É o que se pode arranjar para vos dar uma ideia dessa homenagem que, na sua singularidade do bronze, frio, escuro, é muito comovente.