[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Festival de Sintra

O Centro Cultural Olga Cadaval é uma casa cujos dispositivos, ao mesmo tempo que constituem um enorme privilégio para a comunidade, também desafiam permanentemente administradores e directores no sentido de os rendibilizarem em toda a sua dimensão e possibilidade de oferta de programas interessantes e diversificados.

A concretização anual do Festival de Sintra, que põe à prova toda a capacidade de organização de uma equipa tão limitada como polivalente, absorve e mobiliza um trabalho que nunca termina porquanto, para que as coisas corram bem, pressupõe compromissos de agenda de um, dois e, por vezes, mais anos de antecedência.

Trata-se uma grande máquina que funciona sobre rodas, bem oleada, discreta. Tal não equivale à afirmação de que, por outro lado, não haja muito que fazer, por exemplo, no domínio da divulgação dos eventos, o que não significa contratar e pôr a funcionar uma campanha publicitária mas, isso sim, a capacidade de comunicação com as potenciais audiências, passando pela adopção de uma estratégia de aproveitamento dos media que, infelizmente, ainda está por acontecer.
Brilho que não ofusca
Não tenho a mínima dúvida em continuar afirmando, como há anos o faço, que o Festival é o grande e mais sofisticado produto cultural de Sintra. O seu passado, brilhantíssimo em qualquer latitude, em especial pelos intérpretes que a ele ligaram o nome durante cinco décadas, constitui mais uma componente do património virtual desta terra, indissociável, aliás das suas belezas naturais, paisagísticas e monumentais.
Às pessoas que, desde o início e actualmente, mais intimamente têm estado relacionadas com o Festival de Sintra, é devida uma palavra de reconhecimento. Quanto mais me tenho interessado pelo estudo desta iniciativa cultural, mais se me evidencia como tutelar, a personalidade e a figura do Senhor António José Pereira Forjaz que, como todos sabem, foi Presidente da Câmara Municipal de Sintra durante toda a primeira fase da história do Festival. Homem informado e culto, elegante, sempre empenhado no Festival até ao mais ínfimo pormenor, era um caso sério de relações públicas, a ele se devendo uma grande parte da implantação e do sucesso subsequente.

A Senhora Marquesa de Cadaval, o pianista Sequeira Costa como primeiro director artístico, a operacional Dra. Ana Alcântara, o Presidente Távares de Carvalho e, mais recentemente, Dr. Luís Pereira Leal e Mestre Vasco Wellenkamp, respectivamente, directores das vertentes musical e de dança, o Dr. Mário João Machado - o mais antigo elemento de sucessivas equipas, desde 1969 - e a Arq. Isabel Worm, da Administração e Direcção da SintraQuorum, foram e são alguns dos mais empenhados obreiros do Festival de Sintra.

Talvez um dia...

Comecei a vir ao Festival de Sintra, de calções, há cinquenta anos. Também desde miúdo que tenho a felicidade de frequentar e, nalguns casos de me ter tornado membro de associações que patrocinam os mais distintos Festivais internacionais como os de Salzburg, Viena, Bayreuth, Lucerna, Glyndbourne, Aix en Provence. Tenho obrigação de saber acerca do que escrevo quando me permito comparar e distinguir iniciativas culturais tão prestimosas.

É por isso que sonho com uma época futura em que o enquadramento da oferta hoteleira e o cuidado com a manutenção de todo o espaço urbano deixem de ser o que são e, minimamente, venham a coincidir com o que acontece lá por fora, para que os melómanos de todas as origens e disponibilidades financeiras se possam instalar em Sintra, disfrutando daquilo a que têm direito, numa tera que está classificada como Paisagem Cultural da Humanidade.

Na realidade, por enquanto, com a dominante cultura do desleixo, o quadro não é nada favorável. Bem podem o Centro Cultural Olga Cadaval e a SintraQuorum continuar fazendo o bom trabalho a que nos acostumaram que a insatisfação permanece, impedindo que o Festival de Sintra produza as mais-valias que acontecem nos locais que referi.

Ao contrário do que para aí se diz, não há ilhas de excelência. Há gente, grupos, equipas de pessoas empenhadas que funcionam bem e o resto que não funciona tão bem ou opera mesmo mal. A excelência é outra coisa que existe, sim senhor, mas não coexiste com o desleixo e a pouca vergonha. É só por isso que me recuso a escrever que, ali defronte, no Olga Cadaval, há uma ilha de excelência...

3 comentários:

Anónimo disse...

Completamente de acordo. Se não se importa vou linká-lo. Se vir inconveniente peço que mo diga. Um abraço

João Cachado disse...

Caro gui, Não vejo qualquer inconveniente e, como poderá calcular, até me sinto muito honrado. Aproveitaria a oportunidade para, se lhe for possível, detalhar a sua concordância já que, tendo eu aludido a várias circunstâncias, provavelmente, referir-se-á mais a determinado domínio.

No entanto, compreendo perfeitamente, a abrangência do advérbio de modo com que começa a sua mensagem.

Espero tê-lo de volta.

Melhores saudações,

João Cachado

João Cachado disse...

Ainda a tempo,

Rectifico:

"(...)
Aproveito a oprtunidade para lhe solicitar que, na medida do possível, detalhe a sua concordância (...)"