[sempre de acordo com a antiga ortografia]

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ainda a propósito do aniversário da Condessa d’Edla, eis a transcrição da 6ª Coluna do Jornal de Sintra.

A festa de Elise*


Hoje, 22 de Maio, passa mais um aniversário da Condessa d’Edla. Esta é daquelas datas que, juntamente com as do nascimento e morte do seu marido, fazem parte do calendário de grandes afectos que, ao longo do ano, vou celebrando, como marcos da memória.

Quando convoco e vejo a Condessa no seu afã da Pena, sempre me aparece como Elise, sem o título de conveniência, apenas mulher que amou e foi amada por um homem tão excepcional como ela. Tanto tempo depois, aqueles dois continuam, para além do tempo, a habitar o nosso espaço real e mítico, a par de outras belas histórias, com amores possíveis e impossíveis, contrariados ou favorecidos, trágicos e idealizados.

Tudo isto, naturalmente, no Parque da Pena, obra comum de Fernando e Elise, onde os mais nobres sentimentos perduram e se derramam. Só podia ser. É na Pena, lugar propício, que, já libertos das cargas que ali não entram, queremos perder-nos, para alcançar outro patamar de encontro.

Neste possível Klingsor, resgata-se agora o emblemático ninho de amor à ignomínia de muitos anos de ofensa. Veja quem quiser! Eis o trabalho de recuperação que se impunha. Finalmente! Pode Elise voltar ao sossego? Creio bem que sim. De facto, tanto no chalet, como em todo o Parque, estará a terminar, terminou mesmo o ciclo das mágoas.

Durante muitos anos, também esta fraca voz se juntou às de Emília Reis, Maria Almira Medina, Fernando Castelo, Fernando Morais Gomes e de tantos mais, na sistemática denúncia do escândalo sem nome que ali acontecia. Agora, porém, é tempo de festa. Pelo menos, a minha festa já começou.

PS:


Quando as obras terminarem, festa oficial não faltará, com os profissionais celebrantes do costume. Nessa altura, oxalá ninguém esqueça todo o património de vicissitudes que, tão negativamente, marcaram o tempo e o lugar, exigindo uma luta que só honra quem a protagonizou.

Mas, para isto sentir, repito, preciso é ter estado atento ou participado nos maus momentos e vitórias. Faço esta chamada de atenção porque, não raro, circunstâncias mais ou menos evidentes, provocam lamentáveis silêncios e comprometedores lapsos de memória…



*publicado pelo Jornal de Sintra, 22 de Maio de 2009




3 comentários:

Fernando Castelo disse...

Meu caro João Cachado,

É um favor seu citar-me a propósito da recuperação do Chalet da Condessa D'Edla e da Pena. Sou igual a tantos outros, anónimos, com quem me cruzo e, tantas, vezes levei ao local, pois até as ruínas - no meio da tragédia da destruição - tinham para mim uma imensurável beleza.

De tal forma, que uma familiar muito próxima, também se apaixonou pela vida de Elise Hensler, pela Condessa e pelo Chalet, fazendo um trabalho para pós-graduação em Turismo com essas componentes, não deixando de fazer sugestões para o futuro.Uma ou outra cópia foram oferecidas a responsáveis cá do burgo, que as terão guardado com tal amor que nem se dignaram acusar a respectiva oferta.

Espero que as vida nos permita estar presentes no dia da grande festa.

Como estivemos no dia em que o grande sonho da Cruz Alta voltar ao seu lugar se realizou.

Isso vamos devendo ao Senhor Professor Lamas e à sua equipa, que não vejo por aí a dar entrevistas com bravatas, antes vão mostrando obra feita.

Um abraço

João Cachado disse...

Meu caro amigo,

Claro que, ao citá-lo, não fiz qualquer favor, antes cumpri o dever de lembrar.

Este verbo lembrar, anda um bocado arredado da conjugação pelos tais "responsáveis cá do burgo" aos quais o meu amigo alude. Provavelmente, tais senhores presumem que a sua falta de exercício da memória escapa aos cidadãos munícipes. Se assim é, julgam mal, apesar de, a seu favor, jogar o geral alheamento dos munícipes relativamente ao (des)governo e à instalada cultura do desleixo.

Felizmente que,nesta nossa Sintra, tão sobrecarregada de desassossegos, ainda há um Prof. Lamas que, com a sua equipa da PSML, nos vai dando a alegria de poder acompanhar a obra de recuperação dos espaços e bens patrimoniais que estão confiados à empresa. Já não era sem tempo, depois de décadas de abandono.

Como sempre, nestas lusas paragens, o coro dos invejosos dá sinal de incómodo. Haja alguém que, tão somente, bem faça aquilo que lhe compete, para que tais vozes logo apareçam. Como tantas vezes se tem dito e escrito, não terá sido furtuita a circunstância que levou Camões a escrever INVEJA como última palavra de 'Os Lusíadas'...

Um abraço do

João Cachado

João Cachado disse...

AT:

Caro Castelo,

Na resposta supra, desculpará a repetição do termo 'munícipes' no segundo parágrafo. Felizmente, tanto o Fernando Castelo como outros «comentaristas» deste blogue, são sensíveis às incorrecções. Esta minha desatenção de há momentos, evitar-se-ia com a simples supressão, na penúltima linha, da expressão [dos munícipes] que sucede à referência ao geral alheamento.

João Cachado