[sempre de acordo com a antiga ortografia]

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sintra Garagem



[De acordo com o anunciado, continua a publicação do texto iniciado na passada sexta-feira. Como verificarão, trata-se de uma peça longa, cuja extensão me levou a subdividi-la por mais três partes incluindo a de hoje.

Em primeiríssimo lugar, é aos jovens que destino este meu contributo. Há tempo de mais, Sintra vem esquecendo como é necessário apostar recursos da comunidade na satisfação dos seus interesses. Oxalá possa eu, pelo menos, suscitar a discussão que o assunto merece.]


Parte dois


Pois bem, perante a geral e constante perplexidade, continuemos, com a formulação das questões mais pertinentes. A quem pertence aquilo? Como é possível que se deixe chegar a este ponto? Que interesses se escondem sob tanto desleixo? A quem compete resolver? Porque não se cumpre a Lei atinente em casos que tais? Do que está a Câmara à espera?

Não, a curto prazo, não será de esperar qualquer resposta da Câmara. E, para nós, munícipes sintrenses e fregueses de Santa Maria e São Miguel, desde há muito, que aquele imóvel decadente e perigoso para a segurança de pessoas e bens, passou a funcionar como símbolo bem patente da geral e geracional incapacidade de resolução dos executivos camarários que nos têm (des)governado.

Basta de fitas…

Não. Da Câmara, esperem-se álibis. Da Câmara, esperem-se balões atirados aos quatro ventos, cheios de bombásticas notícias, de chorudas promessas. Querem exemplos? Já se esqueceram da Casa das Selecções? E da Cinelândia? Do projecto imobiliário de Monte Santos? Então, as famosas ciclovias, as piscinas em cada sede de freguesia, etc? Da Câmara, até agora, o que infelizmente temos tido, são notícias mentirosas. No entanto, apesar de fugazes, durante uns dias, sempre vão enganando uns papalvos…

Uma das civilizadas atitudes que gostaria de suscitar, seria a possibilidade de promover aquilo que, hoje em dia, tanto se faz nas mais diferentes latitudes, ou seja, a realização de um concurso de ideias. Provavelmente, haverá pessoas que, tal como eu, gostariam de contribuir com sugestões válidas e desinteressadas. Pois, então, que a comunidade seja consultada.

Volto à questão. Entretanto, permanece aquele verdadeiro desafio a todos os interessados. Ao tempo que ali está, desfazendo-se a cada dia que passa, ninguém deixa indiferente, desde os cidadãos em geral aos decisores políticos. Como é natural, independentemente da concretização do tal concurso de ideias, também eu dou largas à imaginação, julgando até que a minha solução é mesmo a melhor para o problema que por ali continua.

Enfim, presunção e água benta… De qualquer modo, vou atrever-me a partilhar convosco a ideia que alguns amigos me animam a pôr em comum. Julgo que muito tem a ver com o meu passado e presente de homem ligado à Educação, à Cultura, aos estudante, aos jovens em quem penso cada vez mais, à medida que o meu tempo vai escasseando.

Aparentemente vocacionado só para as soluções afins da garagem que foi, assim distribuído por quatro imensos andares, com vários milhares de metros quadrados, dotado de tão convidativas rampas por onde, outrora, tantos automóveis subiram e desceram, aquele espaço é inquietante. Incita ao sonho. Pelo menos, a mim, não deixa a cabeça minimamente sossegada, face à possibilidade de outros voos

Primeiramente, a situação. No centro nevrálgico da sede do concelho, a caracterização do lugar evidencia uma zona de fraca densidade residencial, maioritariamente ocupada por serviços. Tratar-se-á de uma área que, sem ponta de animação actual, é assim tão desinteressante e apenas mera zona de passagem?

Lugar aos jovens

À partida, eventualmente negativos, tais contornos urbanísticos, constituem, afinal, o maior trunfo em relação à concretização do projecto que, ali, eu vejo tão adequado, destinado ao público jovem. À beira da linha férrea, sem expressão numérica quanto a residentes na vizinhança, aquilo está fadado para uma grande área de lazer.


(Continua)



7 comentários:

Anónimo disse...

Já entendo porque o comentário que fiz, sobre ser um centro comercial e cinema não passou ...
residente

Carlos Sousa disse...

Um dia próximo a garagem vai completamente abaixo. É preciso andar depressa e que se cumpra a lei. Aquilo já devia ter sido expropriado. Os proprietários devem julgar que estão em cima de um poço de petróleo, como o Dr Cachado já escreveu uma vez e eu não esqueço. A Câmara não pode adiar por mais tempo. É um escândalo e qualquer dia há uma desgraça.

Carlos Sousa

Alcide Gomes disse...

Qualquer dia uma igreja qualquer dessas feitas à pressa para lavar dinheiro, ainda compra a Garagem como fizeram com o cinema Império e queriam fazer com o Coliseu do Porto. Aquilo não é coisa que se compre com meia dúzia de patacos. Talvez não fosse mal pensado que a Câmara Municipal adquirisse o imóvel com um objectivo de interesse para Sintra. Não concordo nada com Carlos Sousa pois já não estamos em tempo de expropriações.
Alcide Gomes

J.A.C. disse...

Centros Comerciais!!! ainda não chegam?
Cinema temos sala adequada no Centro Cultural Olga de Cadaval muito mal usada e com programação pouco coerente...(que começou esta ano a passar alguns filmes, mas sem terem uma programação que faça muito sentido, como por exemplo: - um tema ou um ciclo que se repita anualmente ou semestralmente ou cuja actividade seja repetida para agarrar o publico, como por exemplo:- cinema português sempre às terças, documentários sempre às quintas, etc...) Qualquer coisa que obedeça a um critério e que faça com que o publico se habitue a contar com essa programação. Como os concertos para bebés que se tem vindo a repetir ao longo dos anos com muito sucesso.

A juventude precisa de bons equipamentos onde possa sociabilizar de um modo saudável e onde não precise de gastar muito ou melhor quase nenhum dinheiro para se divertir e conviver. Esses espaços são a meu ver espaços onde se possa praticar um desporto ou como tão bem referiu João Cachado - dançar. A garagem tem uma dimensão fabulosa e é um espaço muito bem situado. Podia ter espaços bem isolados acusticamente onde grupos de jovens pudessem ir ensaiar as suas bandas, dar pequenos concertos, concursos de bandas de vários tipos de músicas, de D.J's, etc. Onde se pudessem dinamizar diversas actividades dependendo de uma inscrição e selecção de trabalhos pela vereação da juventude e/ou outras pessoas ligadas à juventude e a Sintra.
Muito importante seria além de um espaço como este existirem espaços de qualidade para praticar desporto onde se pudesse alugar por um preço acessível espaços cobertos para jogar ténis, futebol, basquetebol, voleibol, andar de skate, etc. Que se dessem aos jovens soluções para ocupar os seu tempos livres em Sintra sem precisar de estar inscrito num clube, ou ter de ter aulas para poder praticar esse desporto. O, também, abandonado campo do Sintrense na Av. Heliodoro Salgado seria um espaço maravilhoso para esse tipo de actividades e é mesmo ao pé da Garagem... Mas isto são sonhos...
J.A.C.

João Cachado disse...

J.A.C.,

Falamos a mesma linguagem. Vejo, na sua referência ao cinema e, em especial, aos filmes que passam ou não passam - e deviam passar... - no CC Olga Cadaval, que compreende muito bem o que tem sido a minha luta. Mas, de facto, não tenho tido o mínimo sucesso no sentido de fazer entender aos programadores que a sua estratégia deve obedecer a temas, a ciclos temáticos, numa oferta cuja lógica e coerência sejam palpáveis, entendíveis.

Mas a parte boa da sua participação é a que se segue. Quem dera que todos pudessem entender o que você adiantou às minhas palavras! É isso mesmo o que eu pressuponho.

Aquilo que se passa em Sintra é uma apagada e vil tristeza.
A gente nova nada tem. A comunidade ignora-a completamente. A autarquia que autoriza certos lugares infectos, ordinários, perigosos, a permanecerem abertos até às tantas da manhã, nada tem feito a favor dos jovens no sentido de lhes afectar espaços com dignidade, segurança inequívoca e qualidade a toda a prova, onde, civilizadamente, possam aceder à música, à dança, à arte urbana, à a animação cultural em sentido lato que lugares que tais proporcionam.

O que se pretende é que, sem paternalismos serôdios, com espírito aberto, contribuir no sentido de que ali nasça um espaço diferente, cuja concepção suscite a vontade de ser inovador, original, ousado mas sempre sob o inevitável controlo de uma comunidade que não condescende com a insegurança.

Claro que nada disto tem a ver, como ontem alguém propunha, com um centro comercial e um "cineminha" (sic). Por amor de Deus!!!

Você, J.A.C., entendeu. A comunidade tem de ser digna de um projecto deste calibre. Nada de pelintrice! Nada de coisas mesquinhas. Tudo a pensar em grande. O espaço é propício ao pensar grande, ao pensar jovem, à vontade de acolher a novidade, a inovação.

Por favor, leia o que escreveu a Margarida, em comentário ao texto que hoje publiquei na sequência deste. Considera ela que seria bom suscitar a criação de um movimento de opinião que sustente um projecto deste calibre. J.A.C. quererá fazer parte de um núcleo de pessoas que se voluntarizem para isso?

Muito obrigado peo seu contributo. Mantenha o contacto.

João Cachado

Anónimo disse...

Os jovens vão daqui p/Beloura, Cascaishopping para verem os filmes que vão em cartaz, e para Lisboa para passar parte da noite numa Discoteca, não conseguirão atraí-los com filmes temáticos.
uma mãe

João Cachado disse...

À senhora que se identifica como "uma mãe":

Vai desculpar, mas a senhora não compreendeu. Pu, então, quis desentender. Quando J.A.C. referiu a questão dos filmes, fê-lo em relação ao Centro Cultural Olga Cadaval, em oposição a um comentarista que avançou com a ideia de que, na Sintra Garagem, o que ficava bem era um centro comercial e um cineminha... Na minha resposta a J.A.C., mantive-me no mesmo contexto, portanto, em relação ao CCOC, lembrando o que tenho escrito acerca do assunto. Mas os programadores daquela casa não entendem a necessidade de promover o cinema, como atitude cultural, com as preocupações enunciadas de lógica e coerência. Significa isto, para bom entendedor, que quem pretender ver bom cinema, obedecendo ou não a ciclos temáticos, deverá pensar no CC Olga Cadaval, cuja obrigação é actuar com eficácia e competência.

Portanto, nada do que escreveu J.A.C. ou eu próprio acerca do cinema e dos filmes, tinha a ver com o projecto idealizado para a Sintra Garagem. O que não significa que, na economia do projecto para a Sintra Garagem, não possa ou que não deva estar incluída uma vertente de trabalho relacionada com o cinema.

Mas, minha senhora, faça o favor de «arejar» essa cabecinha... O(s) seu(s) filho(s) merece(m) esse esforço. Os jovens de Sintra têm direito ao melhor projecto de animação sociocultural que se puder conceber no domínio das actividades dos grupos etários em que se inserem. Com muita qualidade e com muita segurança, de tal modo que a senhora possa estar descansada. Leia o que J.A.C. escreveu. É nessa linha que a coisa deve ser entendida. Dê os textos a ler a gente jovem e verá como eles entendem.

Melhores saudações

João Cachado