[sempre de acordo com a antiga ortografia]

quinta-feira, 2 de outubro de 2014



Efeméride mozartiana,
30 Setembro de 1784

[facebook, 30.09.2014]

Sete anos antes da estreia de "A Flauta Mágica", outra efeméride mozartiana que já hoje assinalei, Mozart tinha dado por terminada a composição do seu Concerto para Piano No. 18, que, mais tarde, veio a receber a referência KV 456. Nessa altura, escreveu ele no seu catálogo pessoal: "30 de Setembro, Um Concerto para Piano. Acompanhamento. 2 violinos, 2 violas, 1 flauta, 2 oboés, 2 fagotes, 2 trompas e baixo."
 
Como sabem, tenho particular predilecção pelas leituras de Mitsuko Uchida, pianista que acompanho Há dezenas de anos, talvez a grande intérprete mozartiana do nosso tempo, herdeira de Clara Haskil. Proponho que partilhemos uma gravação datada de 1988 em que toca com a English Chamber Orchestra sob a direcção de Jeffrey Tate.
 
Três são os andamentos 'da ordem': 1. Allegro vivace, 2. Andante e 3. Allegro vivace. A vossa atenção especial para o segundo, em que Uchida é verdadeiramente surpreendente na subtileza como promove a diferença entre um quase Adagio e este que não é um pleno Andante.


Boa audição!



PS: Evento de excepcional importância. No domingo, 16 de Novembro, Mitsuko Uchida virá ao Grande Auditório da Gulbenkian para um recital em que tocará o "Impromptus" D 935 de Scubert e "Variações Diabelli", op. 120 de Beethoven. Absolutamente imperdível! Não sei se ainda haverá bilhetes disponíveis.


http://youtu.be/H607acFriuI

 


Efeméride mozartiana
30 de Setembro de 1791

[facebook, 30.09.2014]


Ao longo da vida de Amadé, o dia 30 de Setembro aparece recheado de eventos que, subsequentemente, passaram a ser comemorados como efemérides, a mais famosa das quais remonta ao seu último ano de vida, 1791, e ao dia em que ele próprio dirigiu a estreia de "Die Zauberflöte", KV. 620, no Theater  auf der Wieden em Viena.


Recordemos um famoso excerto desta obra que, para todos os Maçons, tem um especial significado, quando Sarastro proclama:

"(...) é um espaço sagrado, onde não há lugar para a mesquinhez, nem para quaisquer sentimentos baixos, como a vingança ou a traição, antes é lugar do amor, da amizade, um lugar onde quem não rejubilar com estes ensinamentos, não pode reivindicar a condição de ser humano (...)".

Eis esse momento, em interpretação paradigmática de Kurt Möll, numa récita desta ópera no Met de New York, em 1991, com a orquestra da casa sob a direcção de James Levine.

Boa audição!


http://youtu.be/Ffs4KdxkoBM
 
James Levine and the Met Orch (1991) See Kurt Moll sings "O Isis und Osiris" from this production at http://www.youtube.com/watch?v=K_IaJDqz2Zo" listen at li...
youtube.com


Boas cabeças?
-Melhor ambiente de trabalho


[facebook, 29.09.2014]

"(...) Agora, sim, é a altura de as boas cabeças do PS e dos independentes que lhe são afectos poderem chegar à frente e começar a partilhar as ideias e princípios imprescindíveis à mudança que se impõe. (...)"

Na sequência de alguns comentários ao meu texto "De parabéns", acerca do resultado das eleições de ontem, vejo-me na circunstância de esclarecer a passagem em epígrafe, na tentativa de explicitar aquela referência às boas cabeças.

Por exemplo, nos domínios que melhor conheço, da Educação e da Cultura, o PS pode contar com muito boa gente que, nos últimos anos, se remeteu a um «silêncio ensurdecedor». De modo algum, tais pessoas se reconheceram em algumas das medidas educativas seguidas pelos Governos Sócrates, considerando não estarem reunidas condições para lutar pelos seus objectivos, entre outras razões, por se sentirem sistematicamente ultrapassados que por assessores e consultores dos sucessivos gabinetes ministeriais, a quem não reconhecem competência para o efeito.

Percebe-se perfeitamente que estejam numa «reserva» e prontos a começar a colaborar, politicamente, já que a nível técnico, nunca deixaram de o fazer. Permitam que, a propósito, recorde o meu percurso pessoal, já que, em tempos, fiz parte do Gabinete de Estudos do PS, onde tive o privilégio de trabalhar com algumas dessas pessoas. Foram minhas colegas no Ministério da Educação e, muitas, mais novas do que eu, ainda têm imenso a dar ao país.
 
Atenção, são mais ou menos anónimos, mulheres e homens de gabinete, a quem os políticos é suposto recorrerem para o desenho das estratégias que importa concretizar para que aconteça a mudança necessária. Foi a pensar neles que escrevi a frase em epígrafe.

Quanto menos asneiras fizerem os políticos que assumem as pastas ministeriais, quanto mais lugar concederem à possibilidade de tais boas cabeças funcionarem na rectaguarda em que se devem manter, motivadas para as tarefas que é suposto envolverem-se, pois tanto melhores serão os resultados a que a comunidade aspira e tem direito.

E, ao contrário do que possa parecer, não se trata de ingénua «matéria de Fé», subscrita por quem acredita na viabilidade deste quadro de funcionamento. Trata-se de uma questão de sobrevivência. De outro modo formulando a questão, ou «a elite» das cabeças bem pensantes tem condições para poder operar ou, então, o 'statu quo' mantém-se com todas as previsíveis e perversas consequências. Tão simples como isto.

 


Mozarteum em dia de centenário


[facebook, 29.09.2014]


Ontem foi dia grande em Salzburg, por ocasião da comemoração do centenário do edifício sede da Stiftung Mozarteum Salzburg. A casa esteve de portas abertas e os visitantes puderam aceder livremente às instalações.

No caso ilustrado pela foto, temos a Dr Johanna Senigl, que trabalhou durante anos com a minha querida amiga Prof. Geneviève Geffray, mostrando algumas valiosas espécies bibliográficas da Bibliotheca Mozartiana. Foi mais um excepcional privilégio proporcionado por uma instituição onde a Cultura Musical se conjuga, diariamente, ao mais alto nível mundial.
 


Efeméride mozartiana
29 de Setembro de 1789

[facebook, 29.09.2014]

Em Viena, Mozart dá por concluída a composição do Quinteto para Clarinete KV 581. Sendo uma das suas obras-primas, também é considerada uma das mais importantes peças para clarinete da literatura musical de todos os tempos.
...
Como não lembrar que assisti a um dos mais espantosos eventos musicais da minha vida, no pequeno auditório da Sociedade de Recreio ‘Os Pimpões’ das Caldas da Rainha, numa ocasião em que a clarinetista Sabine Meyer, a diva ou die Göttin, [a deusa], o seu mais famoso epíteto, ali tocou com o estupendo Quarteto Tokyo, o Quinteto KV 581.

Tenho ouvido este Quinteto por todo o lado e, por Sabine Meyer, várias vezes, em grandes auditórios que esgotam meses e meses antes dos recitais e concertos. Prezo-me de ser como «piolho por costura» quando se trata de saber onde, por cá e lá por fora, acontecem os programas importantes. O das Caldas não me escapou mas garanto-vos que lá não esteve presente nenhum daqueles que costumo considerar «melómanos da treta». Passava-lhes lá pela cabeça que a maior clarinetista do mundo ia tocar aos "Pimpões"!...

Comemorando a data, proponho que assistam à estupenda interpretação da obra pelo Quarteto Hagen e, precisamente, Sabine Meyer, através da gravação de um concerto na Grosse Saal do Mozarteum de Salzburg a que tive o privilégio de assistir. Aliás, só nestes últimos quinze anos, exactamente por estes cinco intérpretes, na mesma sala, já devo ter assistido a umas quatro interpretações do KV 581. E, sempre, sempre, o maior assombro!

Boa audição!


http://youtu.be/wF6dA6EmoO4

 




Efeméride mozartiana
28 de Setembro de 1791


[facebook, 28.09.2014]

Apenas a três dias da estreia de "Die Zauberflöte", é que Mozart compõe a Abertura e a Marcha dos Sacerdotes desta sua última ópera.. Parece incrível mas os meandros do compositor estão cheios de episódios congéneres.
...
Ouçamos os sempre espantosos primeiros momentos de "A Flauta Mágica" que, como já tive oportunidade de esmiuçar e partilhar convosco, encerram vários «recados» maçónicos.
Na gravação que vos proponho, Herbert von Karajan dirige a Filarmónica de Viena. Como terão oportunidade de verificar os tempos que o Maestro imprime são pouco canónicos...

Boa audição!

http://youtu.be/c46qMjOsOOM


domingo, 28 de setembro de 2014



De parabéns!


Durante estes três últimos anos o Governo de direita teve uma oposição liderada por um político frouxo, falho de ideias, perfeitamente à altura do actual Primeiro Ministro. Sempre disse e inúmeras vezes escrevi que António José Seguro e Pedro Passos Coelho são farinha do mesmo saco.

Decidi que, ao longo da campanha eleitoral, não me pronunciaria acerca de qualquer das candidaturas. Em Sintra, quem me segue nas redes sociais, sabe perfeitamente o que eu penso do Secretário-Geral que agora cessa funções. Não precisava de explicitar o que há anos venho partilhando.

Não posso, no entanto, deixar de considerar que foi absolutamente lamentável o modo como, de um e outro lado, os militantes e simpatizantes defenderam as respectivas candidaturas. Em geral, com pior nível do que acontece entre os adeptos dos clubes de futebol.

Hoje, finalmente, o Partido Socialista obteve uma victória estrondosa. Com António Costa, outro galo cantará! Agora, sim, é a altura de as boas cabeças do PS e dos independentes que lhe são afectos poderem chegar-se à frente e começarem a partilhar as ideias e princípios imprescindíveis à mudança que se impõe.

É uma victória do país, é uma victória da democracia. Estamos de parabéns com esta victória tão clara, tão expressiva que nos alenta para dias que só podem ser melhores. É, de facto, uma nova esperança!


Odeceixe [VIII]

[facebook, 27.09.2014]

Na realidade, perante tantos e bons desafios diários, mal me sobra tempo para escrever e partilhar convosco estas notas apressadas. Porque assim é, apesar desta «pasmaceira» de Odeceixe que a Ana Maria e eu tanto gostamos, vou correndo o risco de passar por cima de episódios, porventura curiosos.

É o que ia acontecendo com esta história. Não parece possível que, algo insólita, e já de anteontem, ainda a não tivesse contado. Enfim, passo a remediar a situação. ...Estávamos muito bem sentados, aí com uns trezentos metros de areal à nossa frente, até às primeiras ondinhas, naquele momento em que a maré, de tão vazia dois dias depois do equinócio, não se imagina como o outro lado do mundo possa ter recebido tanta água…

Eram umas onze da manhã. Ao fundo, à direita, a meia distância da foz da ribeira, a preto e verde, nos seus uniformes, esguios, jovens e desenvoltos, evoluíam os aprendizes de surf, em manobras de aquecimento à voz do monitor. Cena habitual esta que faz parte do quotidiano de Odeceixe, praia também famosa pela prática da modalidade.

A certa altura, um tipo bastante avantajado passou perto, ao nosso lado. Primeiramente, chamou a minha atenção o grande malão metalizado que transportava na mão direita e, ainda mal me tinha posto a imaginar o que poderia ir no baú, reparei na esquerda. Recolhida à altura do peito, com a palma para cima, segurava aquilo que me pareceu um aeromodelo. Branquíssimo. Avançou uns cinquenta metros e postou-se. Pareceu que ficara grudado.

Não me perguntem como ou porquê mas logo adivinhei – é o termo, já que, no objecto, nada o distinguia de um aviãozinho – tratar-se de um drone. Nem dois minutos teriam passado, munido de um comando que eu não consegui distinguir, o homem avantajado começou a trabalhar. O grupo de surfistas instruendos era o seu objectivo de reportagem.

Sobrevoou-os a diferentes alturas, de todos os ângulos possíveis, dentro e fora de água. Em poucos minutos, o 'escravo' colheu imagens de uma sessão de surf que, em circunstâncias habituais, feitas pelos processos tradicionais, levariam muito mais tempo e, naturalmente, resultariam muito mais onerosas.

Cerca de uma hora depois, o tipo avantajado saíu de cena, tal como tinha entrado, com os mesmos adereços, ocupando as mãos exactamente da mesma maneira. E, no interior da mala, o que levaria? Mistério... Ninguém o incomodou, não suscitou qualquer tipo de curiosidade. Estou mesmo em crer que, surpreendido, considerando o episódio insólito, só mesmo eu.

 


Desafio do Yarn bombing

[facebook, 27.09.2014]


Margarida Mouzinho, minha querida sobrinha, insiste em publicar estes fabulosos desafios de Yarn bombing. Bom gosto, graças a Deus, não lhe falta. Receio é que uma certa, bem conhecida, nacional e suburbana artesã, por aqui colha «inspiração» para os descaramentos a que se atreve, autorizada pelos basbaques sediados no Palácio da Ajuda...
 
 
 
Happy Friday!
This knitted house was made for The London Architecture Biennale by the group Knitting Site in June 2006.
http://streetcolor.wordpress.com/2012/07/13/yarnbombing-and-knitted-houses-9/


Odeceixe [VII]


Falemos, então, do tempo que tem feito. Bem, o mínimo que posso dizer é que, para trás, nos ficam dias irrepetíveis. Depois de Julho e Agosto algo desassossegados, estas semanas de Setembro confirmam até que ponto temos razão. Em Odeceixe, o fim do Verão e começo do Outono trazem amenidade incomparável, edénica.

Se bem se lembram, foi na passada segunda-feira que aconteceram aquelas cheias monumentais em Lisboa. Outras, mais ou menos aparatosas, mantiveram todo... o país num reboliço. Por aqui, nada. Porém, no dia seguinte, a ribeira de Ceixe veio desaguar toneladas de barro que escorreram das encostas, quilómetros a montante.

Água barrenta, castanho-alaranjada, ia chegando, recusando-se o oceano a diluí-la de imediato. Foram precisos dois dias para que, à nossa direita, na zona da foz, as vazantes recuperassem a limpidez de sempre, enquanto a frente-praia se manteve sempre absolutamente imaculada.

Hoje, finalmente, os meteorologistas acertaram. Choveu. Mas só pela uma da tarde, depois de esplendorosa manhã. Abateu-se uma carga de água, acompanhada de tal trovoada, que não há palavras. Até às três, as bátegas não deram descanso. O espectáculo, à nossa volta, entrecortado por relâmpagos, logo seguidos de trovões, bem nos diziam como a origem próxima dos elementos em fúria resultava em tanta inclemência.

Agora, quatro da tarde, parece que nada aconteceu. Incrível! O Sol voltou. Ao longe, bem altas, uma ou outra nuvem nada ameaçam. Por ser sábado, há mais gente… Daqui, desta minha janela, abarcando tudo, percebo que não serão mais de vinte pessoas. Ninguém está do lado da ribeira. É hora de descer. O banho deve estar estupendo.