[sempre de acordo com a antiga ortografia]

domingo, 12 de outubro de 2014


D. PEDRO IV,
PALÁCIO DE QUELUZ


 
[facebook, 09.10.2014]

Acedam à informação escrita e ao pequeno vídeo que aqui boa conta vos dá do verdadeiro esmero com que esta excepcional exposição foi preparada. Mais uma iniciativa a crédito da Parques de Sintra que não para de nos surpreender com eventos do maior interesse cultural. Mais uma vez, eis Sintra no seu melhor!

A título de curiosidade, deixo-vos com o Hino do Brasil, letra de Evaristo da Veiga e música, precisamente, daquele nosso Rei que também foi o seu primeiro Imperador.

[Nesta interpretação, Maria Beatriz Ferreira Leite, ao piano, e a voz de Leandro Fischetti
 
"Já podeis da Pátria filhos
Ver contente a Mãe gentil
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Já raiou a Liberdade
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá, temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
'']

Boa audição!

http://youtu.be/sIx8nCzbsQk

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Dupla efeméride

[facebook, 08.10.2014]

Hoje é o aniversário da minha amiga Maria Joao Forjaz. Para ela, o meu presente foi um "Magnificat" composto por Heinrich Schütz, que também nasceu num 8 de Outubro, mas em 1585.

Trata-se daquele hino lindíssimo, que aprendemos a conhecer e reconhecer nas casas dos nossos pais, na catequese que frequentámos e nas salas de concerto onde marca constante presença.

Como a Maria João não leva a mal, vamos partilhar este testemunho de uma cultura que a todos nos nos formatou.

Boa audição!
 


Baptista Bastos,
hoje

[facebook, 08.10.2014]

O nosso querido Baptista Bastos, cidadão de mão-cheia e exímio cultor do melhor Português da imprensa nacional, acaba de ser despedido do "Diário de Notícias". Que tremendo sinal dos tempos que nos cabem!...

Suas são as palavras que abaixo reproduzo, parte do último texto que hoje mesmo subscreveu no jornal cuja administração protagoniza esta atitude. A cada um, a liberdade da respectiva leitura e interpretação:

"(...) Admiti, tola soberba!, que havia quem encontrasse nas palavras semanais uma ração de esperança, um apelo à não desistência e um aceno de confiança na força interior de cada um. Apenas relato, não lamurio. Mas não posso calar o que me parece um acto absurdo, somente justificado pelas ascensões de novos poderes. Porém, esses novos poderes são, eles próprios, transitórios pela natureza das suas mediocridades e pelo oportunismo das suas evidências.
As palavras, meus dilectos, nunca são uma memória a fundo perdido. A pátria está um pouco exausta de tanta vilania, mas não soçobra porque há quem não queira. Se me aceitarem, estou entre esses. (...)"

Ainda, e sempre, a esperança!


Efeméride mozartiana
7 de Outubro de 1791

[facebook, 07.10.2014]

 
Através da carta que remeteu para Baden dirigida a Constanze, sua mulher, datada de Viena 7 e 8 de Outubro, entre os vários e pitorescos episódios que conta, por exemplo, acerca de uma jogatana de bilhar e de "(...) uma gloriosa cachimbada (...)", Mozart anuncia que estivera "(...) a orquestrar quase todo o 'Rondó' do Concerto Stadler (...)".

Ora bem, tratava-se do Concerto para Clarinete em Lá Maior - que viria a ser referenciado como KV 622 - cujo dedicatário era o seu grande amigo e Irmão Maçon Anton Stadler, que já tivera semelhante distinção aquando da composição e estreia do Quinteto com clarinete KV 581.
 
Dá-se a circunstância de o compositor ter escrito a obra para Clarinete 'basset', em que Stadler era exímio, instrumento mais longo, dispondo de teclas adicionais, que permitem tocar notas em registo mais grave. Circunstâncias bem conhecidas viriam a determinar que, afinal, tivesse sido editada e vingasse uma versão da obra que não corresponde à inicial composta por Amadé... Nada de grave.

Portanto, hoje vamos recordar o dia de trabalho de Mozart. No entanto, porque jamais vos faria essa maldade, não ouviremos apenas o Rondó mas o Concerto completo [1. Allegro, 2. Adagio e 3. Rondo (Allegro)]. E, muita atenção, numa versão 'reconstruída' do original mozartiano, interpretada pela diva Sabine Meyer, em clarinete basset, com Staatskapelle Dresden sob a direcção de Hans Vonkasset.

Boa audição!

http://youtu.be/SoqgyjdPdts

Justo júbilo

[facebook, 07.10.2014]

Eis-nos, na maior informalidade, numa das mais sofisticadas salas de música que podemos frequentar em Portugal, assistindo a um evento do mais alto nível em qualquer latitude, ouvindo um reportório clássico e romântico do maior interesse.

Como não rejubilar? O que mais pedir? Pedir, não. Agradecer, isso sim, à Parques de Sintra e ao Centro de Estudos Musicais Setecentistas que nos proporcionam esta possibilidade. Agradecer pelo sentido de oportunidade. Agradecer por tão alto levantarem a fasquia. Agradecer pela organização, pela inexcedível simpatia e profissionalismo dos colaboradores e responsáveis.

Nunca será particularmente elegante falar ou escrever sobre vil metal enquadrados por um tal contexto. Contudo, não resisto a considerar que, lá por fora, jamais pagaria menos do triplo ou do quádruplo do que neste caso de Queluz, para me sentar num lugar relativamente decente, partilhando algo de semelhante, por estes dois mesmos intérpretes.

Se há alguém que falta estar à altura é o público que, por vezes, parece andar algo distraído da oferta da agenda cultural...
 



Sonatas de Beethoven, Schubert e Clementi


[facebook, 07.10.2014]

Um verdadeiro privilégio que nos concedeu a Parques de Sintra e o Centro de Estudos de Música Setecentista. Midori Seiler e Jos van Immerseel são dois dos mais distintos músicos, disputados pelos melhores auditórios por esse mundo fora.

Tivemos um serão magnífico, como primeiro momento de uma série de cinco concertos e recitais do Ciclo de Outono, da Temporada 'Tempestade e Galanterie'. Durante este mês de Outubro, o Palácio de Queluz deve estar nas agendas de todos os interessados.

 


Amália,
gaivota eterna


[facebook, 06.10.2014]

Amália é um caso muito sério da Cultura Portuguesa contemporânea, que ultrapassa as fronteiras do universo musical - urbano, étnico - em sentido restrito, para se projectar como' facto', com suficientes ingredientes de autonomia, dela fazendo um «produto» original, autêntico, genuíno e genial.

Além do 'cabedal' próprio, a inteligência de Amália determinou-lhe rodear-se dos melhores entre os melhores. Nesse sentido, Amália é a síntese do trabalho e empenho de uma élite que, para ela, produziu os melhores contributos poéticos e musicais, por ela transformados em artefactos perfeitos.

Em justa proporção, razão e emoção, permitiram-lhe assumir e partilhar as mais evidentes formas simbólicas da cultura nacional que, na sua voz, se transformaram em ícones inesquecíveis. Com uma aura e carisma evidentes, eis a rematada diva que nos coube ter, contemporânea, durante décadas de encanto.

Com poema de Alexandre O'Neill e música de Alain Oulman, aqui vos proponho "Gaivota", o exemplo manifesto do que acabo de escrever.
Boa audição!


http://youtu.be/TP4BnfUm0eI

 


Amália,
morte há quinze anos


[facebook, 06.10.2014]

"(...) Entretanto, quando telefonei à Ana Maria, soubera que a Amália tinha morrido. Como não ouvira rádio nem vira televisão, estava a leste das notícias.

Foi um tremendo choque. Mórbido como sou, gostando muito da Amália, não raro, me punha a imaginar como seria quando ela partisse. Como reagiria eu que, pequenino, nos meus seis anos, mal sabendo pôr o gira-discos a funcionar, fazia tocar "Mãe Preta" (Barco Negro) e chorava, chorava muito, sem compreender muitas das ideias mas completamente 'apanhado' por aquela voz louca, quase gritando 'são loucas, são loouuuuucas'...

Meu Deus, a impressão que me faziam estas músicas e aquela voz perfeitamente mágica. Em casa, eu estava habituado a ouvir muita e boa música clássica. Mas havia outras coisas boas. E a Amália, certamente, também me educou o ouvido e cá deixou um residual de emoções e sentimentos que, naturalmente, só muito mais tarde, começaria a entender (...)"

Aquelas foram algumas das palavras que, em cima do acontecimento, escrevi no meu diário. Estava na Beira, de visita à minha mãe e irmãos, quando Amália nos deixou. Três dias depois, aquando do funeral:

"(...) Hoje foi o funeral da Amália, com honras de Estado. Como viajei [estive no Porto, em trabalho], não vi nada, não participei. E eu precisava. Precisava de me comover, mas lá, de comungar deste tão grande desgosto nacional. Aqui, no Porto, coisa esquisita, parece que não estou no meu país, o país de Amália. À minha volta, não sinto qualquer consternação nem sequer ambiente para partilhar a mágoa que me invade.

No Telejornal do segundo canal, fizeram uma montagem de imagens do cortejo, com o fundo musical de "O Grito", música de Carlos Gonçalves e letra de Amália que ela própria tinha pedido para a ocasião. Bem, é das coisa mais pungentes que já se cantaram. Uma impressão profundíssima, de choro e soluço incontido.

Apetece-me tanto ouvir a Amália. Fechar-me umas horas e fazer o meu luto. (...)"
Lembro-me de quase ter estado a pegar no telefone para ligar ao Jorge Rodrigues, da RDP 2, que, como eu, é um «tarado» pela Amália. Não o fiz. Tive pudor. Reservei-me na dor. Não exagero seja o que for. Foi mesmo dor, muito pesar.

Hoje, se quiserem, acompanhem-me. Claro que o meu convite é para ouvir "Barco Negro" e "O Grito". Das minhas memórias, sei eu. E das vossas?


Boa audição!


http://youtu.be/8fZD5ol3rxI Barco Negro
http://youtu.be/5YBS7x4jWi0


Sequeira Costa,
um paradigma


[facebook, 06.10.2014]

O recital de Sequeira Costa desta tarde na Gulbenkian não podia ter sido mais gratificante. Nos seus oitenta e cinco anos, está magnífico. A interpretação das peças em programa, dos períodos barroco, clássico e romântico, repectivamente, de Bach, Beethoven e Chopin, foi absolutamente irrepreensível e de uma 'sagesse' que resulta do filtro de uma experiência única que foi a sua, no acumular de tantas e diferentes abordagens ao longo de carreira tão preenchida.

Eu que o ouço tocar há sessenta anos - é verdade, desde os meus seis anos de idade!... - posso garantir-vos que já o ouvi fazer estas mesmas obras menos bem do que hoje. É um grande mestre. É tão especial a sua opção pelos tempos, dentro da estreitíssima faixa concedida pelos compositores!... As suas pronunciadas pausas, o touché, o legatto, o cantabile, o fraseado, ou seja, todos os recursos adequados «naquele» e só naquele, determinado e preciso momento de uma interpretação em que dá a ouvir tudo o que o compositor pretendeu.

Naturalmente, não me dirigindo a especialistas, apenas partilho convosco a impressão global que, mais uma vez, me deixou o pianista Sequeira Costa. Ele, o mesmo que tanto impressionou o próprio Chostakovitch, a ponto de este o convidar a integrar o júri da primeira edição do Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscovo, ao lado «só» de Sviatoslav Richter, Dmitri Kabalevsky, Aram Khachaturian e Emil Gilels...

Ele, o mesmo Sequeira Costa - que emparceirou com Arturo Benedetti Michelangeli, Sviatoslav Richter, Heinrich Neuhaus, o já referido Gilels, os maiores do século vinte, de quem foi bom amigo - hoje aclamado pelo público que esgotou o auditório, em peso, de pé, em sentidíssimos aplausos aos quais correspondeu com infindáveis extra programa. Um estupendo momento musical. Mais uma vivência memorável.

PS. Aproveitaria ainda para anunciar que diligências estão em curso por parte da organização no sentido de poder contar com Sequeira Costa na próxima que será a quinquagésima edição do Festival de Sintra. Tenham em consideração que ele integrou o programa da primeira e de muitas seguintes edições.

 


Fundação Gulbenkian,

 Recital de Sequeira Costa

 
[facebook, 5 de Outubro de 2014]

Vou agora saír para Lisboa, em direcção à Gulbenkian, para assistir, às 19,00 horas, a um recital de Sequeira Costa integrado no Ciclo de Piano da temporada 2014/15, que inclui a "Suite Francesa No. 5, em Sol Maior, BWV 816 de Johann Sebastian Bach, a Sonata No. 1, em Fá menor, op. 2 no. 1 e a Sonata No. 8, em Dó menor, op. 13 'Patética', de Ludwig van Beethoven e Sonata No. 3, em Si menor, op. 58.
...
É um grande senhor do Piano, a quem a Música erudita, em geral, muito deve em Portugal. Sem o seu grande contributo o Festival de Sintra por exemplo, certamente, seria outra coisa menos prestigiada. O Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, uma sua criação, tornou-se num dos mais importantes do mundo com os mais conceituados membros do júri ao longo de décadas. Professor e pedagogo de reconhecida fama, é um privilégio poder tê-lo de vez em quando por cá.

Por ele interpretadas, entre centenas de peças durante toda a vida, assisti a duas séries completas das Sonatas para Piano de Beethoven, sempre de belíssimo recorte, que tenho na maior consideração. Grandes pianistas, que o conhecem de outras andanças, colocam Sequeira Costa no mais alto patamar da pianística mundial.

As posições da máxima exigência e recusa de quaisquer concessões à facilidade da adopção de recursos que fascinam os públicos menos preparados, têm -lhe granjeado alguns adversários, causado algumas incompreensões e fama de mau feitio. Paciência... A verdade é que, só os grandes, se podem dar ao luxo de chamar as coisas pelos nomes. Sequeira Costa faz inequívoca parte desse grupo.

Não deixa de ser sintomático que haja dificuldade de encontrar gravações de Sequeira no YouTube. Em contrapartida, de Maria João Pires, é o que se quiser... Há indefectíveis de MJP, que logo advogarão que por «alguma razão» é. Claro que sim, meus amigos, mas que nada tem a ver com o gabarito de ambos os intérpretes.
 
Sem querer ser «mauzinho», sabem em que lugar se qualificou MJP no Vianna da Motta?